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quinta-feira, janeiro 14, 2010

09 JAN 2010 - CRÔNICA DO PROFESSOR MUNHOZ II

CRÔNICA DO PROFESSOR MUNHOZ* – 09/01/2010




Terminamos o programa da semana passada (02/01/2010), implorando ao Sr.Prefeito que não acabe com a historia da cidade, trocando o nome das ruas, que é um desrespeito àqueles que deixaram seus nomes para a posteridade. E usei uma expressão que repito agora: “Que não se tire a roupa de um santo para cobrir outro”. Vamos respeitar o passado, porque um dia todos seremos o passado, que hoje nós menosprezamos.

Não temos absolutamente nada contra as homenagens, elas são justas, mas não em detrimento do que já existe., dou um exemplo: por muitos anos, na Presidente Vargas, morou uma das pessoas mais integras que já conheci. Por sinal, foi minha primeira grande amiga, nesta cidade, a Professora Ester Virgolino.

Pois bem, quiseram mudar o nome da rua onde residiu? Nada! Há 50 anos moro na Coriolano Jucá, tendo só no Hotel Sto. Antonio residido 49 anos, três meses e três dias. Se eu morrer de uma hora para outra, já que estou com 74 anos, é justo mudar o nome da avenida, onde por meio século resido? De jeito nenhum.

O Sr. Prefeito ao mudar o nome de uma avenida importante, afirmou que outras famílias também recebiam sua homenagem. Concordo, mas não destronando figuras importantes do passado. Ainda usando palavras do Sr. Prefeito, que afirmou que demonstrava o interesse do município em manter viva a historia, eu pergunto: que história? A passada ou a atual?

E lembro de uma definição dos romanos: “Historia magistra vitae est”. A historia é a mestra da vida. E com essa farra de mudanças de nomes de logradouros públicos, não aconteça de um prefeito futuro fazer o que fez um de São Luiz do Maranhão: que volte tudo como era antes. Está certo, história não é estória.

E uma ex aluna, hoje respeitável matrona mãe de muitos filhos, vendo-me sair do Correio, esta semana, me disse: “Profº. Munhoz, há pouco, lembrei muito do senhor, e Paris, visitando o Museu do Louvre. Era como se ainda estivesse assistindo a suas aulas no Colégio Amapaense”. E com entusiasmo me falou da “Vitória de Samotrácia”, a “Vênus de Milo” e a “Mona Lisa”, três das mais celebres obras de arte de todos os tempos que aquela instituição reúne e protege.

Para quem não sabe, o edifício que abriga o museu, nasceu no final do século XII e foi a sede da monarquia francesa desde a dinastia medieval dos Capetos até Luiz XIV, que tomaria ainda uma decisão fundamental para a transformação do palácio em museu em 1678, ao decidir abandona-lo para ir morar no Palácio de Versalhes.

O Museu do Louvre é tão grande que, para exibir seu rico acervo fora dos limites de Paris, resolveram criar “sucursais” e uma delas funcionará em Abu Dhali, nos Emirados Árabes Unidos, em prédio de Jean Neuvel. Outro Louvre será em Leens, interior da França, um projeto do escritório japonês Sanaa. Os dois devem ser entregues em 2012.

Algumas obras-primas do Louvre são, por exemplo: “São Francisco recebendo os estigmas”, de Giotto; “Belthsabée no banho”, de Rembrandt; “Mulheres da Argélia da Argélia em seus aposentos”, de Delacroix e o “Escriba Sentado”, estátua milenar do Egito Antigo, entre outras, além da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, a grande sensação do museu.

E em companhia de minha amiga Consolação Corte, estive visitando a Profª. Wanda Jucá, perto de seus 90 anos, hoje morando com seu irmão, o amigo Meton. Recebidos com as honras de estilo, passamos horas lembrando a educação de outrora, com os mestres que hoje são pura história. A Profª. Wanda Jucá é um dos nomes mais importantes da nossa educação, tanto na direção de estabelecimentos de ensino, como em atividades em salas de aula, lecionando a nossa língua pátria, “a ultima flor do Lácio”, como dizia Olavo Bilac.

Com o Meton tivemos a oportunidade de falar de um tempo que já parece tão longínquo, mas cujos frutos estamos aproveitando no momento, pois os alunos de outrora são as autoridades de hoje no campo da política, do direito, da medicina, das artes em geral.

Com referencia a tantos nomes, lembramos Elicio Martins, ainda no jornalismo e de quem lembro, num ato de generosidade em relação a mim, quando escreveu na Voz Católica, há tantos anos, que “aqui em Macapá ninguém ousa fazer qualquer movimento de cultura sem a sua participação. Seria uma falta de bom senso”.

E por falar em Profª. Wanda Jucá, não podemos esquecer outra mestra quase sexagenária, a Profª. Risalva Amaral, no momento internada no Hospital São Camilo; a Profª. Risalva é outro nome de respeito do nosso antigo magistério.

E uma vez que estamos recordando nomes de projeção da nossa cidade, lembro de que faz poucos anos, morreu aqui, no inicio de janeiro, a maior anfitrioa da nossa sociedade: Dona Leila Ghammachi, aquele que sabia receber com tanta classe e distinção, a ponto de o amigo Vidal Bezerra, de Lisboa, afirmar que seria certo coloca-la no rol das hostess internacionais. E também quero transmitir à Profª. Zaide Soledade pelo almoço de quinta-feira, os agradecimentos do Oberdã, do Renato e do Saraiva. Foi um autentico banquete de inicio de ano, onde a par da melhor culinária nossa, havia a grande amizade da querida mestra, tendo faltado a Socorro.

Precisamos aproveitar todos os minutos da vida, jamais deixando para depois o que se pode fazer agora. Aproveitar enquanto se tem saúde e vida, pois a morte é às vezes traiçoeira.

Dos que morreram na Pousada de Angra dos Reis, no primeiro dia do ano, quem delas pensava na morte? Em como não sou de pedra nem de barro, vou dar uma voltinha daqui a pouco, dormindo em Salvador, na Bahia. Vou rever algumas de suas belezas, de seu acervo artístico, que é um dos maiores do Brasil, mais as 27 coleções de balangandãs em prata do Museu Costa Pinto, e a maior coleção particular de arte sacra do Brasil, de Abelardo Rodrigues, no andar nobre do Solar Ferrão, valioso prédio da arquitetura civil do período colonial.

E a maravilha que é o Cristo, de Francisco Manoel das Chagas, o Cabra, no Museu do Convento do Carmo, etc.

Mas não quero deixar de falar de um aspecto triste de alguns dos nossos policiais militares, na tarde de 3ª feira, 05, sem a mínima ética ao abordar no caso uma cidadã, sobrinha da Dra. Deuzucélia, minha dentista. Sua sobrinha, a Nara Góes, foi tratada sem o mínimo respeito por dois policiais militares, um homem e uma mulher, precisando ambos de um curso sério e prolongado de relações humanas, pois não sabem abordar um cidadão. Todos somos cidadãos e merecemos respeito por parte de quem quer que seja. Será que é preciso recorrer à justiça? Que tipo de policiais nós temos?.

*-Professor – Membro do Conselho Estadual de Cultura – Ancora do Programa Radiofônico “Debate Positivo” – 102.9 FM.

Macapá, 14 jan 2010.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

DR. JOAQUIM AURÉLIO NABUCO D'ARAUJO - HERÓI NACIONAL

História

Herói nacional, para sempre

Estadista, historiador, diplomata e sedutor. E, acima de tudo,

o homem que encabeçou a mais justa de todas as causas:

a batalha da opinião pública que terminou por convencer a

sociedade brasileira a se mobilizar para acabar com a escravidão



Vilma Gryzinski



Num domingo, dia 13, a princesa Isabel desceu a serra. Vinha de Petrópolis e ia para um lugar de honra na história. Com os olhinhos azuis iguais aos do pai, contemplou a multidão tomada de enorme comoção que estava na frente do palácio imperial, no centro do Rio. Usava um vestido de seda marfim, enfeitado com rendas francesas, e assinou com mão firme as palavras de explosiva simplicidade escritas no documento à sua frente: "É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil". Para quem olha o passado com displicência retroativa, a história termina aí: transformações econômicas e políticas empurraram um regime falido a aceitar a libertação da massa vilmente explorada, com a participação de um ou outro representante da elite esclarecida. Mas afastemos um pouquinho a cortina alegórica que cerca o 13 de maio de 1888. Assinada a lei, Isabel voltou-se para o homem alto e elegante que estava a seu lado naquele momento emocionante. "Estamos reconciliados?", perguntou. Como perfeito cavalheiro que era, Joaquim Nabuco acedeu e beijou a mão da princesa. Depois assomou à janela, para saborear o momento de glória e a adulação da massa. Aquele dia era dele, mais do que de qualquer um.

Não existe a mínima prova histórica, ainda mais no caso de uma princesa carola e apaixonada pelo marido, mas não é impossível imaginar pelo menos uma pontinha de flerte na pergunta de Isabel. As mulheres não resistiam a Nabuco. Aliás, os homens também não. No campo das ideias e da camaradagem viril, evidentemente. Joaquim Nabuco, que ressurge das brumas históricas ainda que fugazmente, em virtude do centenário de sua morte, neste dia 17, foi um personagem tão monumental que tudo em torno de sua extraordinária vida parece ser exagerado. Desvendada, a névoa do mito se revela, no entanto, tecida de verdade. Candidato a maior estadista da história nacional, embora no papel nunca tenha sido mais do que um simples deputado, Nabuco tem um título incontestável: foi o mais importante, o mais eloquente e o mais popular dos abolicionistas. Protagonizou o movimento pelo abolicionismo e, ao mesmo tempo, refletiu sobre a história que se desenrolava à sua volta, captando com a força de um intelecto preciso como laser a importância orgânica da escravidão na sociedade brasileira. No processo, como definiu o grande historiador Evaldo Cabral de Mello, escreveu "a mais brilhante análise do papel desempenhado pela escravidão na formação social e política do Brasil".



"Absorvia-a no leite preto que me amamentou; ela envolveu-me como uma carícia muda toda a minha infância", escreveu ele sobre a escravidão que conheceu como menino, num engenho pernambucano. "Por felicidade da minha hora, eu trazia da infância e da adolescência o interesse, a compaixão, o sentimento pelo escravo - o bolbo que devia dar a única flor da minha carreira." Não há quem não se arrepie ao ler como o jovem Nabuco descobriu que a tepidez do que parecia a ordem natural das coisas, de menino mimado pelas mucamas, era na verdade brutal e amarga. Era menino ainda, estava sentado no patamar da escada superior da casa onde havia sido criado pela madrinha, quando surgiu um jovem de corpo castigado. Lançando-se a seus pés, o escravo pediu que fosse comprado, salvando-o assim do senhor que o supliciava. "Foi este o traço inesperado que me descobriu a natureza da instituição, com a qual eu vivera até então familiarmente, sem suspeitar a dor que ela ocultava", descreveu Nabuco. Nasceram ali as sementes que o levaram a, mais tarde, autodesignar-se representante do "mandato do escravo", explicado com palavras de impressionante contemporaneidade: "Delegação inconsciente da parte dos que a fazem, interpretada pelos que a aceitam como um mandato a que não se pode renunciar".

À luz da história no que tem de mais estéril - a entediante versão mil vezes repetida do 13 de maio e seus antecedentes -, é difícil reproduzir a força avassaladora que o movimento contra a escravidão despertou em todo o país. O que o Brasil teve de pior - o comércio, a servidão, a exploração e a indizível violência mil vezes cometida contra seres humanos - gerou o que o Brasil de melhor conseguiu oferecer, sob a forma da luta abolicionista. Foi uma história de homens tomados de paixão por uma causa justa e, entre eles, nenhum mais apaixonado do que o jovem pernambucano de família ilustre, pai, avô e bisavô senadores do Império, com muito berço e quase nenhum dinheiro, que se tornou o que de mais parecido poderia existir no século XIX com uma celebridade ao estilo contemporâneo, aclamado, paparicado e adorado.



Nabuco pensava como um gigante histórico, polemizava como um estivador e jogava para a plateia como um ídolo pop. Travada, em grande parte, no centro da vida intelectual da época - os teatros -, a campanha abolicionista forneceu o palco ideal a um Nabuco simultaneamente confiante, arrojado, pedante, metido. Ou, na definição da cientista social Angela Alonso, autora da ótima biografia Joaquim Nabuco (Companhia das Letras), um "enamorado de si mesmo", impelido ao fulcro do cenário nacional tanto pelo imperativo moral quanto pelo desejo de aplausos e aprovação - que artista não se identificaria com ele? Entre os muitos palcos, nenhum foi mais consagrador do que o do Teatro de Santa Isabel, no Recife natal, onde as mulheres faziam fila nos camarotes especiais, suspiravam, lançavam pétalas de rosas e lencinhos com seu rosto pintado. No ápice da campanha e da popularidade, também se tornou marca de cigarros (Nabuquistas e Príncipes da Liberdade), de cerveja (Salvator Bier) e até de um modelo de chapéu (O Abolicionista, com um retrato dele). Pois, ainda por cima, o herói da causa era bonito. "Branco alvíssimo", numa descrição da época, media 1,86 metro e tinha olhos de mormaço, como a Capitu que ainda haveria de nascer da cabeça de seu amigo Machado de Assis. Correspondia, em tudo, até no bigodão, uma novidade em relação às barbas da época, ao apelido de Quincas, o Belo. Nos retratos e fotos, aparece sempre de mãos à cintura ou com dois dedos no bolso do colete ou em alguma outra pose que gritasse: sou o dono do mundo. Era assumidamente metrossexual, ou, como se dizia no século XIX, um dândi, o tipo masculino preocupado com a aparência e sensível a modismos. Usava robe de seda japonesa, malas Louis Vuitton e senso de humor. "Riem e se cutucam quando entro na Câmara, culpa do meu terno de casimira clara, do sapato inglês e do chapéu de palha", escreveu a seu eterno e complicado amor, Eufrásia Teixeira Leite (leia mais). "Só para provocar usei outro dia a pulseira de ouro. Aquela que me deste." A joia já havia dado o que falar. Numa das campanhas eleitorais (ganhava, perdia, ganhava, perdia), os adversários o apelidaram, maldosamente, de "candidato da pulseira".



Quem o julgasse apenas pela aparência polida incorreria em grave erro. Nabuco sabia bater. No calor da campanha abolicionista, que inflamava o país inteiro mas esbarrava na resistência composta de boa parte dos políticos (tanto liberais quanto conservadores) e dos fazendeiros do oeste paulista, do Vale do Paraíba e da zona cafeeira de Minas, escreveu que o Brasil estava dividido em duas falanges: "A pirataria e a civilização". Tinha, também, seu lado Tancredi, o personagem do Gattopardo de Lampedusa (e do filme de Visconti), e sua excessivamente usada frase sobre as mudanças necessárias para não mudar a ordem essencial das coisas. Cheio, portanto, de contradições, sofria períodos de depressão, pensou em emigrar para a Austrália ou a Nova Zelândia, vivia dividido entre o Brasil e a Europa. "De um lado do mar sente-se a ausência do mundo; do outro, a ausência do país", escreveu. Enfim, a complexidade e os questionamentos que se esperam dos intelectos superiores. Foi um monarquista esclarecido que escreveu contra Pedro II o panfletário O Erro do Imperador (daí a frase de Isabel no dia da abolição), um interessado na "política que é história" que conheceu o que a outra política tem de pior, um deputado que entrou para a Câmara "tão inteiramente sob a influência do liberalismo inglês como se militasse às ordens de Gladstone" e que acabou incluído em artigo do Times de Londres na turma de "comunistas" que usavam o abolicionismo radical para subverter a ordem.

Devido à multiplicidade e à riqueza tanto de sua personalidade quanto de sua obra política, até hoje é possível beber na fonte nabuquista a partir de diferentes perspectivas. Como em todas as grandes obras, cada um encontra em Nabuco o que procura - ou, melhor ainda, o que nem sabia existir. À esquerda, causa simpatia sua defesa da nacionalização das terras para uma reforma agrária que acabasse com a miséria provocada, em especial no Nordeste, pelo sistema de grandes propriedades, "fazendas ou engenhos isolados, com uma fábrica de escravos, com os moradores das terras na posição de agregados do estabelecimento, de camaradas ou capangas". Mas é difícil competir com sua análise da "superstição do estado-providência", pois, sendo o estado "a única associação ativa, aspira e absorve pelo imposto e pelo empréstimo todo o capital disponível e distribui-o, entre os seus clientes, pelo emprego público".

Voltando ao 13 de maio. Feito o beija-mão, Joaquim Nabuco recebeu as ondas intermináveis de aplausos. "Delírio no recinto, meu nome muito aclamado", anotou em seu diário. Quem acha que o Carnaval dura muito não imagina o que foi a festa da libertação dos escravos: sete dias de feriado nacional, todo mundo na rua, bandas e cortejos, prédios enfeitados, espetáculos gratuitos nos teatros. No dia 17, quando aconteceu a missa celebratória diante de 20 000 pessoas, Nabuco e Isabel de novo se cruzaram. Ela passava de carruagem, cercada pela massa eufórica. Nabuco surgiu e, como um Moisés no Mar Vermelho, caminhou entre a multidão, que se abriu para lhe dar passagem. Cumprimentou a princesa e lhe ofereceu camélias brancas, a flor do abolicionismo. Era festa, mas o destino dela e da monarquia que representava já estava selado. Sabendo disso, Nabuco prometeu a si mesmo: "Eu hei de ser o último dos monarquistas. Preciso bater-me pela princesa, a nossa Lincoln, como me bati pela abolição". Como homem honrado, cumpriu o prometido.



Parece que foi ontem

As imagens da escravidão que estão na memória de muitos de nós são as gravuras de Debret - meio apagadas, distantes, coisa de muito tempo atrás. Por isso é sempre um choque descobrir que a ignomínia do trabalho escravo conviveu por bom tempo com a fotografia, uma das novidades tecnológicas que inauguraram a era contemporânea. À exceção do impressionante e anônimo flagrante da mulher na liteira, com dois carregadores, as fotos aqui reproduzidas foram feitas por nomes conhecidos no século XIX, fundadores de estúdios fotográficos importantes. O alemão Alberto Henschel fotografou as duas mulheres, a babá com o menino e a do retrato ao lado, ambas belas e fortes. Marc Ferrez, o filho de franceses que mostrou tantas e tão deslumbrantes belezas do Rio, fotografou os escravos na colheita de café. O suíço Georges Leuzinger congelou no tempo a fazenda arrancada à rocha viva em Jacarepaguá, as crianças negras em andrajos, o menino branco todo arrumadinho no cavalo de brinquedo. Eles todos são nós e nós somos eles.









História

Não havia outra como ela

Nabuco amou a única mulher que estava no mesmo patamar

que ele - e, talvez exatamente por isso, nunca se casaram



Vilma Gryzinski



Um amor tempestuoso, complicado e globalizado por uma mulher tão fora dos padrões da época que, apesar da paixão mútua e incendiária, não quis se casar com ele. Difícil inventar história pessoal melhor para acompanhar a prodigiosa carreira pública de Joaquim Nabuco do que seu caso do tipo vai e volta com Eufrásia Teixeira Leite, provavelmente a única mulher de seu tempo que manteria um diálogo de igual para igual com ele. E que diálogo. As cartas iam e vinham, ao sabor das brigas e reatamentos. Ela saiu do casarão de 22 cômodos em Vassouras e foi morar em Paris. Não queria voltar para o Brasil. Ele ia e não ficava: França, Itália, Inglaterra, Estados Unidos. Não conseguia não voltar para o Brasil. Ela já era rica e ganhou mais dinheiro ainda no exterior. Transformou-se em investidora profissional: especulava com commodities, comprava títulos públicos, passava os dias trancada no escritório. Ele, com as finanças sempre apertadas, era sugado para o palco público da política. Ela oferecia ajuda para financiá-lo - imaginem isso no século XIX. "Eu tenho algum dinheiro e não sei o que fazer dele, compreende que me é muito mais agradável emprestar a si que a um desconhecido", escreveu, friamente, ten-tando fingir que propunha um negócio interessante para não ferir o delicado ego masculino. Ele, claro, ficou ofendidíssimo. Brigaram, voltaram.

Na biografia romanceada Mundos de Eufrásia (Editora Record), a autora Claudia Lage reconstitui o conturbado relacionamento. Nabuco e Eufrásia conheceram-se num passeio em família na enseada de Botafogo, ela com 12 anos, ele com 13 - idade suficiente para iniciar uma galanteadora correspondência. Aos 15, o jovem Quinquim parou de escrever. Oito anos depois, eles se reencontraram num recital de poesia no Rio. Eufrásia já uma mulher "aprumadíssima, elegante, linda", segundo um biógrafo, o busto, como se dizia pudicamente na época, projetado, cinturinha afinada no espartilho, suntuosa ca-beleira negra, sobrancelhas grossas e marcantes. Claudia Lage imagina o reencontro dela com Nabuco como uma daquelas cenas românticas em que apenas um beijo na mão desencadeia carga erótica arrepiante: "Beijou ávido e longamente a palma, como se sorvesse, resistindo ao impulso maior de sair daquela parte e beijá-la inteira".



As fãs de Crepúsculo podem parar por aqui. Pois, ao contrário do que se poderia imaginar num namoro do século XIX, as coisas entre Eufrásia e Nabuco evoluíram, e muito. Para Claudia Lage, o romance passou dos salões aos lençóis quando os dois viajaram juntos de navio, o Chimborazo, para a Europa. É possível, pois muitos anos depois, numa volta passageira ao Brasil, ela escreveu: "Não sei que influência tem na sua vida a viagem do Chimborazo. Eu por certo sem ela não estaria aqui". Em Paris, eles combinaram casamento pela primeira vez. Depois, desmancharam, iniciando um ciclo que se repetiria nos catorze anos seguintes. Sobre os motivos da indecisão de Eufrásia, os biógrafos tendem a achar que ela cedia a uma promessa feita ao pai, que no leito de morte pediu às filhas que não se casassem. Além da natureza estranha do pedido, ainda mais à época, pesa contra o fato de que Eufrásia já era livre, rica e independente. Nem a família de barões da região de Vassouras, à direita de Gêngis Khan, poderia impedi-la.

Os planos de casamento foram muitas vezes retomados. Mas coração era uma coisa, cabeça outra. Existem, sim, mulheres que, como os homens, pesam os prós e os contras do casamento em relação à liberdade - e à solidão - da vida sem um par. Quando esteve no Rio, hospedada num hotel retirado para preservar a intimidade, derreteu-se. Ele teve de partir em campanha eleitoral, ela de repente decidiu voltar a Paris. Nabuco ficou sem mulher, sem dinheiro e perdeu outra eleição. Acusou-a de abandoná-lo e fazê-lo sofrer. "Tenho mil saudades, nem penso em outra cousa senão na Tijuca, no hotel dos Estrangeiros e em tudo o que se passou", respondeu Eufrásia. Novamente, ele a pediu em casamento. Novamente, ela desconversou - "Casar-me logo, isso infelizmente não posso lhe dizer". Cada vez mais rica, ela se vestia com Charles Frederick Worth, o inglês radicado em Paris que inventou a alta-costura, e ganhou o apelido de "dama dos diamantes negros" por causa da moda de usar joias costuradas na roupa e presas nos cabelos.

Nabuco não era nenhum santo. Enquanto durou o romance com Eufrásia, namorou senhoras casadas, flertou com beldades solteiras e manteve fogosa correspondência com Sarah Bernhardt, a Madonna da época. Da primeira vez que esteve em Washington, como diplomata, queixou-se: "Fora do casamento não há nada aqui". Tinha falta das aventuras extraconjugais. Por causa da paixão por Eufrásia, ficou solteiro até a avançadíssima idade de 39 anos. Por fim, casou-se com a jovem Evelina, de boa família e disposição dócil, em tudo diferente de Eufrásia. Sem falar no dote de 30 000 libras, que ele torrou quase imediatamente: aplicou tudo no que se revelaria, ao longo dos tempos, um dos piores investimentos do mundo, títulos da dívida pública argentina. Ao contrário de Eufrásia, Nabuco não entendia nada do assunto. Evelina o acompanhou na etapa pós-Abolição, quando voltou para a diplomacia e para a religião. "Minha mulher e meus filhos formam o círculo dentro do qual sou intangível. Quanto mais esse círculo nos protege, mais nos aperta", escreveu em 1893. Não foi disso, afinal, que Eufrásia tentou fugir?

segunda-feira, janeiro 11, 2010

SOLIDÃO DO (FIM) DO PODER

SOLIDÃO DO (FIM) PODER

(Publicado em o Diário do Amapá - 09 Jan 2010)

O presidente Lula está em dificuldade pública (quem sabe, legal) por causa de ministros que o ameaçam com pedido coletivo de exoneração e outro, o do turismo, metido em rolos com verbas da pasta pagas a sabe lá quem, sabe Deus como.
Em diferentes outras situações vexaminosas viu-se o presidente por causa de escândalos até então inadmissíveis sob a ótica do velho PT, original, batedor de latas por dá cá aquela palha: Ministério da Saúde e a “Máfia dos Sanguessugas” – Casa Civil e o “Mensalão” – Ministério da Fazenda e um pobre jardineiro.... à frente disso, respectivamente, seus ministros Humberto Costa, José Dirceu, Antonio Palocci...
Presidente FHC teve lá seus “momentos” de dificuldades com ministros e assessores seus protagonizando escândalos tipo: Sivam, Pasta Rosa, compra de votos para a reeleição, abafa de CPIs, Proer, Banestado, caso Marka-FonteCindam, etc, etc.
Esse vento que venta lá não é propriamente o que venta abaixo, nas paletas dos moinhos dos governos estaduais e municipais, mas axiomaticamente um governo em qualquer desses níveis é republicanamente igual ao outro, especialmente nas dificuldades.
Governantes que os chefiam (quanto mais tempo pior), a seu favor sempre terão a simulação, a dissimulação, o poder, as leis, os amigos, a organização do estado e, assessores diretos com idéias próprias, com ou sem honra, ainda não ricos, quase sempre não honoráveis, muitas vezes mal agradecidos, sempre certos da impunidade, além de assessores sem idéias próprias, mas capazes de assimilá-las de outrem, e, pior dos males, assessores sem idéias próprias e desprovidos da capacidade de aproveitar outras – esses, “imexiveis” por acordos.
Mesmo fortes esses governantes são julgados pusilânimes pelo povo, que não é “sem memória”, e sim crédulo na capacidade e autoridade de escolha do eleito. No entanto, logo a seguir os julgam pelas atitudes dos seus escolhidos, boas e más.
Emblematicamente, FHC e Lula navegaram em “águas de almirante” ao longo de seus mandatos. Foram sábios ou profissionais, simulando, dissimulando, confiando desconfiando da maioria de seus auxiliares, falando mal um do outro, manobrando a “massa” ignara e intelectual. Inclusive foram imprevidentes tanto quanto puderam, mas só ganharam popularidade com suas palavras deformadas para pior pela imprensa.
Esses “mestres” da “moderna” política nacional, de cima para baixo, quiseram ensinar a turma do poder menor coisas pragmáticas e convenientes ao poder como: cuidado com os amigos que vão tornar-se seus inimigos, nada de tolerância com membros do governo que se tornam muito poderosos, só enfrentar o mal se conhecê-lo, nada de guerra com o que se pode resolver pacificamente, nunca tolerar pequenos prejuízos, cultivar o centro em detrimento dos extremos, tornar-se eqüidistante de todos os partidos, não falar mal de partido numeroso, cuidar dos segredos e, especialmente saber que a opinião que fazem deles não é melhor do que a opinião que fazem dos outros.
De certa forma os ex governantes, Lula em especial, aprenderam e reproduzem que, no exercício do poder, lisonja só se evita quando se leva a troupe de bajuladores a compreender que o governante não se ofende quando lhe dizem verdades que ajudam, mas não interferem na decisão que tomará. Ouvir aduladores é não ser capaz de tomar decisões confiáveis., e variável.
Notas: ¹-Veja os estragos que as inundações estão causando às lavouras no sul-sudeste-centrooeste do país e,,, previna-se para a alta de preços que vem por aí. ²-Jornal da Band, 05/01/2010, 19 h, ouviu um Gerente de uma rede de lojas em São Paulo: “independentemente de quando foi adquirido o estoque os preços dos importados TÊM que flutuar com o dólar., nesse caso baixar nossos preços”. Em Macapá???????????????
³-Pobre Liesa. Confundir Escola de Artes Populares no sambódromo com o próprio é de uma pobreza suficiente para enredo de samba campeão. O “complexo” está formatado pela pista, escola, arquibancadas/camarotes e se quiser, área de dispersão. 4-Pergunta do estreante: “porque queimar uma área nobre com um Centro de Convenções com mil assentos se o Bacabeiras comporta 750 pessoas acomodadas?. 5-Profº. Nilson Montoril, Dep. Dalto Martins, Camilo de Lelis e eu estivemos em Mazagão Velho revendo a boa gente de lá. Nosso anfitrião foi o Profº. Cristiano. De lá fomos ao Distrito do Carvão: prospera comunidade.

domingo, janeiro 10, 2010

PROFESSOR NILSON MONTORIL

As primeiras comermorações natalinas em Macapá




A partir do ano de 1738, após a instalação de uma guarnição do Exército de Portugal na Província dos Tucujú, o principal evento da cristandade, o Natal de Jesus Cristo, passou a ser comemorado em terras de Macapá. Certamente os militares limitaram-se a realizar orações e improvisar a ceia. Na época, nem sacerdote havia no Lugar Macapá, daí não ter sido possível a realização da missa do galo. Porém, no Natal de 1751, com a implantação do povoado, soldados e açorianos devem ter vivido uma inusitada experiência na faixa setentrional do planeta, onde muitos estudiosos acreditavam não ser possível a sobrevivência humana. Desta feita o Padre Miguel Ângelo de Moraes integrava o contingente lusitano colonizador que contava com o apoio de índios e negros escravos. A primeira comemoração de natal que uma comunidade viveu na faixa oriental do braço norte do Rio Amazonas foi embalado apenas por sentimentos religiosos, haja vista que as fortes e freqüentes chuvas haviam destruído quase toda a plantação dos moradores de Macapá e causado outros malefícios. A primeira igreja de São José, erguida em taipa e despida de luxo, ficava no espaço onde foi assentado o baluarte São Pedro da majestosa Fortaleza de São José. Por ocasião do Natal de 1761, a missa do galo aconteceu na atual Igreja de São José, cuja inauguração tinha ocorrido no dia 6 de março. Macapá era vila desde o dia 4 de fevereiro de 1758, e em volta do Largo de São Sebastião, atual Praça Veiga Cabral, inúmeros prédios públicos e residências já estavam ocupados. Tudo era feito de maneira muito simples. Presentes e mesa farta não existiam. Entre os anos de 1764 e 1782, o número de escravos aumentou consideravelmente em decorrência da necessidade de mão de obra para a edificação da fortaleza. Eles nada sabiam sobre o significado do Natal porque não eram cristãos. Os religiosos se encarregaram de orientá-los na doutrina católica e foram tolerantes quando os cativos fizeram seus tambores rufarem no dia 24 de dezembro do citado período. Ora, pensavam os negros, se o momento era importante e merecia entusiástica comemoração, porque não lembrar as festas de coroação de seus reis ou fatos marcantes da sua cultura? Cientes de que não seria prudente impedir as batucadas, os religiosos sugeriram que elas fossem realizadas em louvor a Nossa Senhora do Rosário. Nas terras de Macapá tudo era obtido com muito trabalho e sacrifício. Diversos estágios foram vividos por nossos antepassados. As coisas só começaram a melhorar a partir do natal de 1944, quando já estava implantado o Território Federal do Amapá. Antes disso, apenas os mais aquinhoados podiam realizar a ceia natalina consumindo os produtos da época, vendidos por firmas importadoras de Belém. Em Macapá, eram raros os comerciantes que se arriscavam a adquirir bacalhau, castanha portuguesa, uvas, maças e peras. Quem criava aves ou podia comprá-las tinha uma ceia natalina mais sofisticada. Refrigerante e cerveja vinham de Belém e quem podia adquiri-los os tomavam ao natural. Só os donos de geladeiras a querosene se davam ao luxo de saboreá-los gelados. O natal de 1944 se revestiu de profunda tristeza para os católicos de Macapá, devido à morte do Padre Júlio Maria Lombaerd, ocorrida em Manhuaçu, Minas Gerais, na tarde do dia 24 de dezembro. A notícia chegou pelo telégrafo, endereçada aos Padres Phellipe Blanc e Antônio Schultz, ambos integrantes da Congregação da Sagrada Família, a mesma a qual pertencera o sacerdote falecido. Grande parte da população de Macapá conviveu com o Padre Júlio quando ele aqui desempenhou as suas atividades e tinha por ele grande estima. Por essa razão, apenas as funções religiosas receberam maior atenção. No dia 25, Dona Iracema Carvão Nunes, esposa do governador Janary Nunes, distribuiu brinquedos e roupas às crianças pobres. Em 1945, a motivação para a realização de festas foi enorme. Desde o dia 13 de setembro estava em funcionamento a Usina de Força e Luz, permitindo que quase a totalidade dos moradores de Macapá guardasse as lamparinas, estearinas e candeeiros para as emergências. A cidade recebeu decoração natalina e iluminação pública. No dia 24 de dezembro o governo do Território do Amapá ofereceu uma festa dançante aos operários que trabalhavam nas obras públicas. O local escolhido foi a casa do senhor Sebastião Canuto da Costa, edificada na Travessa Castelo Branco, atual Rua Tiradentes, espaço hoje ocupado pelo Foto Tókio. Lá compareceu o governador em exercício, Raul Montero Valdez, que sorteou brindes aos presentes. O baile começou às 20 horas e terminou às 23h30min horas a fim de permitir que todos pudessem assistir a missa do galo e passassem o natal em Casa. Os servidores públicos estavam transbordantes de alegria porque o Presidente da República, José Linhares, havia baixado o Decreto-Lei nº 8.322 estendendo ao pessoal dos Territórios Federais o abono de emergência vigente no país desde o dia 12 de novembro. Como a Rádio Difusora estava sendo ouvida em todo o Território do Amapá, o povo do interior ficou sabendo de tudo que se passava na capital. Mensagens de natal e músicas da época foram executadas entre as 20 e 21 horas, período de experiência da emissora. Na manhã do dia 25 de dezembro, a Legião Brasileira de Assistência distribuiu presentes às crianças pobres. A virada do ano foi ruidosa. O Esporte Clube Macapá realizou Reveillon a partir das 22 horas em sua sede social, à Rua São José. A venda de mesas ficou a cargo do Diretor Social do clube, José Porpino da Silva. Os sócios em dia com suas contribuições deveriam apresentar na entrada da sede o recibo nº 12.

Em 1946, a partir do dia 5 de outubro, a LBA iniciou os trabalhos para organizar o "Natal das Crianças Pobres do Território". Nesse dia se deu o lançamento da Campanha da Boa Vontade, através da qual a LBA procurou motivar as pessoas de maior poder aquisitivo para apoiá-la. A comissão encarregada da programação era composta por Irauta Carvão Levy, Alice de Araújo Jucá, Olga Montoril de Araújo, Lair do Couto Freitas, Elly Benedetti e Federação das Bandeirantes do Amapá. No dia 25, as mães e as gestantes receberam cortes de fazenda. As crianças foram aquinhoadas com brinquedos e roupas fabricadas pelas costureiras da LBA. A ceia de natal das autoridades e convidados aconteceu no salão nobre do Macapá Hotel. Dia 31 de dezembro, no mesmo local, houve o reveillon oferecido pelo governo à sociedade. A festa dançante dos operários aconteceu na casa do senhor Sebastião Canuto. Dia 1º de janeiro de 1947, data consagrada à Fraternidade Universal, era exibido pela primeira, vez na tela do Cine Territorial, o segundo filme mostrando aspectos de Macapá, Amapá e Oiapoque. As cenas registraram o cenário encontrado pelo Governador Janary Nunes em janeiro de 1944 e as mudanças efetivadas no transcurso de quase três anos da existência do Território Federal do Amapá. Quando comecei a entender a ciranda da vida, pude verificar que a ceia natalina do pobre tinha no mínimo um bolo e chocolate de fabricação caseira misturado a ovos batidos. Não eram poucos os comerciantes do interior que fabricavam pão, vendendo-os a seus fregueses. Portanto, eles também mandavam fazer pão-de-ló. Cansei de ver minha mãe preparar bolo, pastéis, pão-de-ló e chocolate ralado. De manhã, esperando saborear essas delícias, me diziam que o Papai Noel tinha chegado muito cansado da viagem e comera quase tudo. Hoje, a nossa aprazível cidade de Macapá pouco fica a dever às grandes capitais do país. Tudo é farto e relativamente fácil de comprar, principalmente presentes que fazem a alegria das crianças. Este estágio de prosperidade não é obra do acaso. Decorre do trabalho perseverante das diversas gerações que contribuíram para o progresso brasileiro.



"Os religiosos se encarregaram de orientá-los na doutrina católica e foram tolerantes quando os cativos fizeram seus tambores rufarem no dia 24 de dezembro do citado período. Ora, pensavam os negros, se o momento era importante e merecia entusiástica comemoração, porque não lembrar as festas de coroação de seus reis ou fatos marcantes da sua cultura? Cientes de que não seria prudente impedir as batucadas, os religiosos sugeriram que elas fossem realizadas em louvor a Nossa Senhora do Rosário."

PROFESSOR RAIMUNDO LOBO

Ponte de cui de madeira seca




Em apicultor terminou de espremer os últimos favos de mel já ao anoitecer. Para evitar o ataque de formigas-de-fogo, colou-o num balde e este no centro de uma bacia com água. À noite as formigas sentiram o cheiro do mel, mas não existia meio algum para fazerem a travessia. Então, elas foram carregar cuí de madeira seca, com que construíram uma ponte da orla da bacia até o balde de mel. Assim, conseguiram comer o petisco à vontade.

Nos dias de sol, tracajás sobem para se enxugar em galhos inclinados, árvores caídas e boiadas, barrancos, mururezais cerrados, etc. Aí ficam por um largo tempo, a não ser que um predador venha importuná-los. Não havendo perigo, podem ficar um pouco mais de 1h00 sobre o enxugadouro. O calor do sol faz o casco ficar muito enxuto e leve. Isso lhes constitui um risco fatal porque, se forem surpreendidos pelo homem, mesmo que pulem na água, o casco faz o animal flutuar e torná-lo presa muito fácil.

Tracajás adultos ou velhos, muito experientes, depois de já terem se enxugado por algum tempo, pulam na água. Aí ficam até umedecer bem o casco para voltarem novamente, ao enxugadouro.

Existem peixes tão arredios que, ao serem atacados pelo homem, abandonam de vez a "cama", a ova ou os filhos, deixando-os à mercê dos predadores: acará-preto, jandiá, aracupinima, tracajás, etc.

O cauauá (cegonha-brasileira), ave de grande porte, tem um amigo quase insepará-vel, o japacanim (gavião). Quando pousa na margem de um lago, o gavião vem ficar perto dele, esperando o que escapa do bico do seu fiel companheiro: sapos, lagartos, cobras, etc. Basta, porém, que este lance um crocitar forte e meio prolongado, para que o cauauá olhe em todas as direções, dê a sua carreira habitual, levante vôo e vá para longe, pois isso foi um aviso da presença do homem na área.

Aves que comem ovos e filhotes de outras aves põem menos ovos do que aquelas que lhes servem de presa.

Os filhos da cegonha, vendo-a envelhecida e meio desplumada, tiram as próprias penas e põem-nas sobre o corpo de sua velha e amada mãe! Que extraordinário exem-plo de amor!

A anta, ao sentir a aproximação do caçador, corre e pula numa poça de igapó, aí ficando à espera dos cães. Se estiverem afoitos e pularem na água para acuá-la, poderão ter partes de seus corpos arrancadas com mordida auxiliada por potentes patadas.

Grandes bandos de garças-brancas-grandes dormem em matas ralas ou altas e fechadas, só por algum tempo (um pouco mais de um mês). Logo depois, procuram outra mata para dormitório. Desse modo as suas fezes não causam danos irreversíveis às árvores.

Mergulhões, em enormes bandos, dormem no verão, em árvores de folhagem rarefeita. Suas fezes impregnam os poucos galhos ainda vivos de cada árvore. Em seguida, esses galhos morrem por insuficiência respiratória. Eles continuam dormindo nessas árvores secas ou podres.

Os peixes, em geral, têm mais receio do proeiro do que do piloto da montaria. As armas estão sempre ao lado do proeiro.

O manguari muito arredio prefere descansar ou dormir em árvore isolada, mas bem-afastada de touças de árvores, ilhas e matas, de onde possa ver bem toda a área ao seu redor.

A garça-branca-grande, quando está mariscando na margem de um lago e vê um peixi-nho, balança o pescoço de um lado para outro, para ser confundida com juncos e capins que se movem ao vento. Mas isso acontece certas vezes, quando não há vento, nem junco nem capim.



"Nos dias de sol, tracajás sobem para se enxugar em galhos inclinados, árvores caídas e boiadas, barrancos, mururezais cerrados, etc. Aí ficam por um largo tempo, a não ser que um predador venha importuná-los. Não havendo perigo, podem ficar um pouco mais de 1h00 sobre o enxugadouro. O calor do sol faz o casco ficar muito enxuto e leve. "

DR. WAGNER GOMES - ADVOGADO

O asno de “buridan”

Aprendi lendo "Os miseráveis", de Victor Hugo, que todas as grandes conquistas são mais ou menos o preço da audácia. Para haver re-volução, não basta que um Montesquieu a pressinta, Diderot a pregue, Beaumarchais a anuncie, um Condorcet a calcule, um Arouet a prepare, um Rosseau a premedite: é preciso que um Danton a ouse.

O todo ex todo poderoso ministro da Defesa dos EUA, Henry Kissinger, ensina que "a maioria das decisões são tomadas quando um líder não pode divisar o futuro com clareza. O que ele então precisa é de uma combinação curiosa de ego mania e de humildade. Se se deixa intimidar pelas dimensões do desafio, fica inativo. Se não se deixa impressionar, age precipitadamente e se embaralha em dificuldades".

Passamos ao longo da vida tomando decisões, sendo elas certas ou não. O fato é que precisamos sempre decidir. Maior do que o risco de uma escolha errada é o da indecisão. A escolha errada traz transtornos, mais também a oportunidade da experiência e do crescimento, mas a falta dela ou decisão no momento postergado pode prejudicar ainda mais.

Quando não tomamos decisões, corremos o risco dos outros tomá-las por nós o que é bem pior, sejam elas complexas ou bem simples, o certo é que precisamos decidir...

Lembrei-me então, de um exemplo do que a indecisão pode fazer. O paradoxo do asno de Buridan, que na duvida entre comer um monte de feno, e assim matar a fome ou beber uma gamela de água e matar a sede, olhava um, olhava o outro e acabou morrendo ele na duvida de qual necessidade atender primeiro. Enfim, de tanto pensar morreu um burro, diz o ditado popular.

Buridan entendia que o determinismo moral, exceto quando da ignorância ou por impedimento, orientava o ser humano que diante de duas ou mais esco-lhas de ação, devia optar pela de maior bem, assim, a escolha deveria ser postergada até a certeza final. Diversos escritores satirizaram essa teoria, com a imagem de um burro indeciso, o Asno de Buridan. Na realidade esta sátira é encontrada na obra De Caelo, de Aristóteles, onde o autor pergunta como um cão diante de duas refeições igualmente tentadoras poderia racionalmente escolher entre elas.

A pouca atenção dada a Buridan parece estar ligada ao fato de ele ter sido um padre secular, ou seja, era clérigo que não estava afiliado a uma Ordem religiosa. Uma de suas teorias era do ímpeto, que explicava o movimento de projetos e objetos em queda livre. Essa teoria deu inicio ao estudo da dinâmica de Galileu e sobre o principio da Inércia de Isaac Newton.

Dito isto, atualmente, na política amapaense, a pergunta que mais se faz é se o governador Waldez Góes vai concorrer ao Senado ou permanece no governo. Ele tem respondido incessantemente que só anunciará a sua decisão no dia 03 de abril, o chamado dia "D". O que leva a crer que ele já decidiu sua posição. Assim acredito eu.

Será?...

Wagner Gomes

wagnergomesadvocacia@uol.com.br

wg_ed.wagneradv@hotmail.com

"O todo ex todo poderoso ministro da Defesa dos EUA, Henry Kissinger, ensina que "a maioria das decisões são tomadas quando um líder não pode divisar o futuro com clareza. O que ele então precisa é de uma combinação curiosa de ego mania e de humildade. Se se deixa intimidar pelas dimensões do desafio, fica inativo. Se não se deixa impressionar, age precipitadamente e se embaralha em dificuldades"."

SENADOR JOSÉ SARNEY- ARTICULISTA

2010: ESPERANÇAS DOURADAS

José Sarney

Da equipede articulistas

As datas redondas sempre trazem um significado especial. Os acontecimentos vividos em tempo real dão-nos a sensação de que há uma nova contagem dos dias e dos anos, uma compactação que faz parecer que a vida e as coisas passam num ritmo diferente e fugaz até.Já estamos há 10 anos no século XXI e parece que foi ontem que se discutia se os computadores rodariam o século ou um tumulto marcaria essas máquinas estreantes no calcular 100 anos.2010 fecha um ciclo para o Brasil dos 120 anos da República governados por um operário que encerra a década escolhido o Homem do Ano pelos grandes jornais do mundo, pela sua atividade internacional, ter o Brasil mudado de patamar, credor do FMI, com reservas de mais de 200 bilhões de dólares, estabilidade interna, diminuição da pobreza, do desemprego, distribuição de renda, além de protagonismo na discussão e solução dos grandes temas mundiais.

Mas é justamente em meio a essas conquistas que vai surgir o grande desafio da eleição do seu sucessor, e o dilema se o fará ou não. Seu governo goza de uma aprovação de 80% do eleitorado, mas a indagação e incógnita é se a transferência de votos far-se-á com estes sucessos ou a força democrática da alternância seduzirá os votantes. Para mim, seu carisma vai funcionar.

2010 trouxe a expectativa de um Obama como um universo em expansão cicatrizando as feridas deixadas por Bush e se afirmando como o grande presidente negro dos Estados Unidos que iria mudar o mundo iniciando uma nova era de convivência entre as nações. As frustrações não tardaram a chegar e interna e externamente sua imagem foi desmistificada com a inércia do mundo em sair da crise econômica que destruiu a confiança do sistema bancário que mostrou suas fragilidades e bolhas.

Mas Evo Morales, esse índio simpático, ganhou, Madona continua brilhando, Roberto Carlos cantando no Natal e Martha é pela 4a vez a estrela feminina do futebol. A África do Sul é só festa com a Copa do Mundo neste ano, em 2014 será a vez do Brasil que ainda abocanhou as Olimpíadas de 2016, mostrando que estamos com tudo e a China que se cuide, pois como eles mesmo dizem, a corrida começa no primeiro passo e este há muito tempo nós o demos: já estamos em plena disparada.

Não me despeço de 2009 com saudades. Ele me fez provar o saibo da amargura e saber que uma das maiores dores do mundo é a da injustiça. Mas foi bom para o Brasil e o que é bom para o Brasil é bom para mim.

Feliz ano dourado e de esperanças realizadas no Ano Novo a todos os meus leitores.

José Sarney

Ex-presidente do Brasil, presidente do Congresso Nacional e acadêmico da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa

E-mail: sarney@senador.gov.br

BISPO DIOCESANO DE AMACAPÁ - DOM PEDRO JOSÉ

O “COMPUTADOR” DE DEUS
Dom Pedro José Conti
Da equipe de articulistas
Acabo de saber pelos noticiários que está começando a funcionar, no país inteiro, um novo registro de nascimento. Se entendi bem, cada registro e, portanto, cada criança terá um código, e através desse conjunto de números será possível reconstruir todos os dados daquela pessoa: quando e onde nasceu, os pais, e, sobretudo, em qual cartório foi tirado o primeiro registro. No dizer do comentarista, se tudo funcionar bem, esse código evitará fraudes e a possibilidade de conseguir um ou mais registros de nascimento ao longo da vida, com nomes ou dados diferentes. Dessa forma também deveria ser impossível ter um segundo ou um terceiro CPF, assim como registros fiscais ou outros documentos de fantasmas, ou seja, de pessoas inexistentes. Assim nenhuma pessoa “fictícia” - ou falecida - poderia fazer negócios, receber aposentadoria ou votar. Muito bem. Talvez algo de semelhante precisará ser feito também com as pessoas “jurídicas”, para evitar a criação de firmas fantasmas, que emitem regularmente notas fiscais, recebem e administram dinheiro público, e nunca pagam impostos.
Chegamos, então, à conclusão que daqui a alguns anos, quando os atuais cidadãos ainda não fichados não existirem mais, toda a população estará registrada nos computadores públicos. Uma grande conquista, sem dúvida alguma. Significa, no mínimo, que será possível um censo da população quase diário. Querendo, todos os dias saberemos quantos estão vivos ou mortos, quantos homens e quantas mulheres estarão circulando por aí. Talvez até por onde andam. Se olharmos por sexo e faixa etária, será possível saber o tamanho do público masculino, feminino, infantil, juvenil e idoso. As indústrias especializadas capricharão em atender aos seus clientes e em criar produtos diferenciados. Tudo será mais fácil e transparente. Uma maravilha! É o progresso. Quem viver verá.
Nada contra, de jeito nenhum. Só fiquei pensando como serão as nossas paróquias e os nossos registros de batizado, casamento, etc. Nós também lidamos com registros de nascimento duvidosos. Sobretudo nos lugares onde as pessoas vem de fora e não são conhecidas. Certa vez um padre, colega meu, fez o casamento de um rapaz com o registro do irmão dele, acreditando que fosse solteiro. À pergunta do padre sobre o por quê tinha o nome diferente daquele pelo qual era chamado, o rapaz, mal intencionado, culpou o cartório pela troca dos nomes. Mais tarde, quando o outro irmão, o verdadeiro dono do registro, quis casar descobrimos a fraude: o primeiro já era casado, mas para aparecer livre e desimpedido tinha usado o registro do irmão ainda solteiro. Aquela vez a mentira teve mesmo pernas curtas.
Durante muitos séculos, e até há alguns anos, o registro de Batismo era o maior comprovante de existência de uma pessoa e o testemunho da idade dela. Ainda hoje, quando se aproxima a época de pedir a aposentadoria, os idosos aparecem nas paróquias. Tem idoso que, pelo fato de não lembrar nada do seu Batismo, pede para ser batizado novamente, para ter a certidão, e assim ele pensa garantir a aposentadoria. Era simples, quando o padre passava na comunidade, os pais primeiro batizavam a criança e, depois, iam à cidade, para fazer o registro de nascimento. Muitas vezes passavam anos, esqueciam das coisas, confundiam os filhos, e acabavam declarando nomes e datas diferentes daqueles apresentados ao padre na hora do Batismo. Isso nos dá um bom trabalho de busca nos livros de batizados ainda hoje.
Cada vez mais o Batismo de crianças, jovens e adultos não terá mais nada a ver com documentos de identidade ou aposentadoria. Terá que ser uma escolha dos pais, do jovem ou do adulto. Como nos primeiros séculos da vida cristã, quando as pessoas buscavam o Batismo para fazer parte da Igreja, ter acesso aos demais sacramentos da Iniciação Cristã (Crisma e Eucaristia) e continuar ativamente na vivência da própria fé.
Contudo, como Igreja, não podemos esperar que as pessoas decidam para o sim ou para o não ao Batismo, porque ninguém pode decidir livremente e conscientemente sobre assuntos que não conhece de maneira suficiente. Se antes muitas escolhas eram feitas por costume, de agora em diante a decisão terá que ser motivada pelo anúncio e pela capacidade da própria comunidade de testemunhar a força de transformação das pessoas, que a graça do Batismo e o compromisso da fé operam.
No novo registro civil, ninguém mais terá escrito “filho de pai desconhecido”. Também no “computador” infinito do amor de Deus Pai todos nós somos muito bem “registrados” como filhos e filhas amados por Ele. Cabe a nós corresponder com gratidão e livremente a esse amor.

Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá
E-mail: oscar.costa@eletronorte.gov.br

quinta-feira, janeiro 07, 2010

ORAÇÃO PELAS FAMÍLIAS - 07 JAN 2010

Minha prece de cidadão brasileiro é que todas as famílias vitimadas pelas enchentes no Brasil se recomponham, não se dispersem por causa do sofrimento que agora enfrentam.




Que elas achem os seus caminhos.

Amem e sejam amadas.

Vivam iluminadas.



Minha prece de pai é que os filhos sejam felizes.

Minha prece de mãe é que os filhos vivam em paz.



Que eles achem os seus caminhos.

Amem e sejam amados.

Vivam iluminados.



Nossa prece de filhos é prece de quem agradece.

Nossa prece é de filhos que sentem orgulho dos pais.



Que eles trilhem os seus caminhos.

Louvem e sejam louvados.

Sejam recompensados.



Minha prece ó Senhor é também pelos meus familiares.

Minha prece ó Senhor é por quem tem um pouco de nós.



Que eles achem os seus caminhos.

Amem e sejam amados.

Vivam iluminados.



Nossa prece ó Senhor é também pelos nossos vizinhos.

Por quem vive, trabalha e caminha conosco Senhor.



Que eles achem os seus caminhos.

Amem e sejam amados.

Vivam iluminados.



Senhor Jesus Cristo abençoai nossas famílias e ficai sempre conosco, nesta hora tão difícil de nossa história. Ensinai-nos a rezar, abri nossos corações ao perdão e à compreensão, afastai de nossos lares o perigo da desunião e fazei-nos viver na unidade e no amor.

terça-feira, janeiro 05, 2010

ARTICULISTA DO DIÁRIO DO AMAPÁ - 02 JAN 2010

ESQUECERAM VOCÊ?




Os juizes do TRE certamente saíram às compras natalinas, nem eles resistem nem ninguém aos apelos do papai noel. E pelas ruas viram o bom cuidado da Prefeitura de Macapá na limpeza urbana, a bela ornamentação natalina em quase toda a cidade e... os outdoors. Vários deles dizendo a mim, a você e aos do TRE que tivéssemos um feliz natal e que não nos abandonasse a prosperidade no ano que vai chegar.

A que agradeço supondo que eles agradecem também, embora autoridades do TRE, não são de ferro nem imortais. Quem, afinal, não se alegra com tamanha gentileza nesses tempos de pessoas em nada se importando umas com as outras?

Alem das mensagens, esses outdoors trouxeram a nós os rostos, aliás, tronco-cabeça dos seus autores. Pessoas sorridentes parecendo felizes em nos cumprimentar, todas elas exibindo cabelos, dentes, cabelos e roupas bem cuidadas. Sem medo de errar, 90% delas já são candidatas a algum cargo nas eleições gerais de 2010.

Justamente aí que a porca torce o rabo, para esquerda e direita. Trata-se, provavelmente, de propaganda eleitoral fora de época, sub-reptícia mesmo assim, propaganda.

Na verdade não querem essas pessoas que eu seja feliz no natal e prospero em 2010 como anunciam suas mensagens, mas sim que eles o sejam no bojo das urnas nas próximas eleições, conquistando ou renovando mandatos. Pedem, portando, através desses outdoors que não nos esqueçamos deles quando seus nomes estiverem à disposição do mandato disputado. A estratégia é: nas próximas eleições lembre-se de nós.

Campanha política é sempre assim cheia de espertezas, plenas de afagos ao eleitor – que gosta do que se lhe apresenta difuso. Campanha política tem sido a antítese da lei eleitoral, porém nada que o bom operador do direito não resolva.

Falar nisso, no Amapá, saiu fumacinha branca na chaminé eleitoral da Assembléia Legislativa. No geral os deputados apenas queimaram os bilhetinhos brancos que trocavam com o governo. A combustão gerou a fumaça que foi avisar o governador: ou todos por um (o nosso) ou nada. Pior de tudo é que a fumacinha pode ir de branca a negra.

Muitas vezes o governador Waldez Góes disse na imprensa que só trataria da política sucessória em 2010., um pouco mais de espera teria evitado ruptura e desvios de rumos na base aliada. Fazer o quê com o frasco de leite já transbordando?

Aqui e ali vão dizer que foi Gilvam quem precipitou os fatos, mas não o demonstrarão porque não foi. O cerne da questão sempre esteve nos dois palácios da Av. Fab onde despacham chefes dos poderes Executivo e Legislativo: príncipes herdeiros demais para um só trono.

Em momentos assim é que se invoca a “lei” de Murph: o que está ruim só pode piorar.

O nome novo a surgir dentro da base aliada é o pior que pode ocorrer a “navegantes” que não precisariam morrer na paria da oposição.

Felizmente, para o “grupão” , o Plano B está concebido e nele todos podem embarcar com a garantia de chegada, mas com alguns assentos trocados.

Nota: ¹-OBRIGADO POR TER NOS ACOMPANHADO ATÉ AGORA, MAS FIQUE CONOSCO. ²- FOI BOM O NATAL. FORAM BOAS AS FESTAS DA VIRADA. SERÁ BOM O ANO 2010. CREIA, REALMENTE LHE DESEJAMOS UM ÓTIMO ANO NOVO.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

DEBATE POSITIVO - 02 JANEIRO 2010

02 JAN 2010 – D. POSITIVO
PROGRAMA APRESENTADO NA RADIO 102.9 FM MACAPÁ.

EDITORIAL:

ALMA EM CONFLITO (Diário do Amapá – 19/11/1995 – Domingo)
ARTHUR NERY MARINHO.
Sobre a cidade cai, silenciosa esta chuva miúda e muito fria.
Em minha alma soluça a nostalgia as coisas que me foram amor e rosa.
No meu silencio aqui sentado sinto o fantasma da minha solidão
Quem me dera matar meu coração embriagado neste vinho tinto!...
Assim de chofre findaria tudo. Talvez que a curiosa da maldade visitasse, fingindo piedade, o que ficara para sempre mudo.
É que no mundo dos vilões existe todo tipo de gente que mentindo
Sabe chocar até prazer sentindo., sabe sorrir até quando está triste.
É um mundo vil, um mundo tão malquisto, que tenho contra ele minha queixa;
Enquanto que um sicário vivo deixa, permite que condenem Jesus Cristo.
Como posso entender a minha alma, como posso saber o que há comigo,
Se vozes me ameaçam de castigo, se escuto vozes que me pedem calma.



ANIVERSARIANTES DO DIA:
02-PEDRNHO
02-CAMILA (D. CACILDA) 1 ANOS
03-EVELIN – CRISZTINA E LOPES)
04-Profª. ª Sá
06- VILI – 15
06- NOVO AMAPÁ

08- PROFª. FONSECA

MALAFAIA – DADÁ – GIOVANA – CELI - MICAU – CASSIO – Carmem – CATRINE – CAIO - JUNIOR – CLEUSON – ELEINE – PEDRINHO – JOAOZNHO – JOÃO – GRAÇA – JOAO EDUARDO – NILL – BRENO – ELIANA -
- D. Marilia (29/12/2009)
-

-ABRAÇOS:
-CÉLIA – GIOVANA (BELÉM)
-DOACIR
-AROLDO VITOR
-ALCANTARA(“S”)
-BORGES

-

COMENTÁRIOS:
-SUMRINAME – EMIGRAÇÃO SEM CONTROLE
-O QUE FICOU PARA TRÁS TEM POUCA IMPORTANCIA?
-NOVO ANO ELEITORAL (BLOGS)
-ANIVERSÁRIO DO PROGRAMA (AMANHÃ) è 10 ANOS



DEBATE:
1- GOVERNADOR: O ULTIMO ANO DE SEU GOVERNO CONFIRMA TOODOS OS SEUS COMPROMISSOS DE CAMPANHA?
2- GOVERNADOR: COMO FOI POSSIVEL AJUDAR TANTO A PMM NUM ANO DE MAROLINHA?
3- GOVERNADOR: E O SENHOR, É WALDEZ 2010 OU “O RETORNO 2014?
4- GOVERNADOR: TEMPO PARA SE DIRIGIR AO POVO.
5- PROFESSOR MUNHOZ: AO POVO
6- EU, AO POVO.


CRÔNICA DO PROFESSOR MUNHOZ – 02 JAN 2010.

Pouco mais pouco menos que um mês falei, neste programa, em Monsenhor Aderson Neder agradecendo seus dois livros: “Na feliz vivencia da graça”, e “Deus nossa vida”. Agora, vou falar de novo nele, pois acaba de me enviar o seu 26º livro, “Nossa Igreja é o Senhor Jesus”, o quarto que pública este ano, e que, conforme suas palavras, acha que é um dos melhores, inclusive na impressão. E me dá uma justificativa, dizendo: “Aposentado, meu tempo sobra para escrever”. De fato, o livro tem um aspecto bonito, com uma bela capa e os temas são palpitantes e profundos, obra de quem conhece o assunto, em capítulos como : “A Igreja é Pascal”, “Uma igreja fraterna”, “Igreja santa e pecadora”, “O Espírito Santo na Igreja”, “A Igreja e sua missão política”, “Maria e a obediência da fé”, , “A implantação do dizimo”, “O primado do papa na igreja” e a “Necessidade da Eclesiologia”.
Mons. Aderson foi meu colega de Seminário e sempre tivemos um fascínio pelas letras, inclusive como adolescentes fundamos um jornalzinho semanal. Hoje, Mons. Aderson tem mais de 40 anos de jornalismo, tendo iniciado no jornal arquidiocesano semanal “A Palavra”, de Belém, onde também por muitos anos escrevi sobre cinema, algumas crônicas dessa época impressas no livro “A Critica do Cinema em Belém”, da Gráfica Falangela Editora Ltda, edição de 1983.
De A palavra, Monsenhor ingressou na “Voz de Nazaré”. Contudo, há trinta e dois anos participa de O Liberal, de Belém, como jornalista semanal do periódico, assumindo uma segunda vocação, ou seja, de ser escritor religioso, que é um complemento da sua vocação sacerdotal, com seus escritos totalmente dedicados à evangelização e à construção do Reino de Deus na humanidade.
O novo livro trás ainda uma pequena introdução do casal Dr. Delson (Assunção) Souza, amizade que nasceu na convivência do Cursilho de Cristandade. Segundo Mons. Aderson Neder, “a Igreja no século XX e principalmente depois do Concilio Vaticano II tem andado com passos bem largos, mas sempre de mãos dadas com o Senhor Jesus”.
No terceiro capítulo, “Documento sobre a Igreja”, Monsenhor educadamente se refere a muitos pastores de crenças que não sabem dialogar e facilmente pecam pela indelicadeza, quando um deles disse que o Papa atual não sabe nada de Bíblia
Fazer tal afirmativa a propósito de bento XVI, considerado um dos maiores teólogos dos nossos dias, não é indelicadeza, não, é ignorância, é burrice mesmo, burrice tamancuda, como dizia o nosso Monteiro Lobato. Mons. Kiing, teólogo de linha contraria ao Papa afirma, todavia, que Bento XVI “é muito inteligente e era o especialista mais jovem em teologia durante o Concilio Vaticano II”. Durante 3 anos ambos foram professores de teologia dogmática na Universidade de Tuliigem, na Alemanha. Será que tal pastor sabe o que é teologia dogmática?
Que a Igreja Católica possui todos os requisitos da Igreja fundada por Jesus Cristo e seus apóstolos, não há duvida, como vem comprovando há mais de 2 mil anos. Crenças novas há que estão em desacordo com as verdades evangélicas, como por exemplo, tornar como um meio de ganhar dinheiro fácil, pela exploração inadequada do dizimo.
Em no capitulo 9º, Na construção do Reino , é citado o nome de Dom José Maritano, que foi bispo de Macapá, e que disse no retiro do clero de Belém, em março de 1992: “Se nós não transformarmos o mundo com o Evangelho, outros o transformarão sem o Evangelho”. E Dom Helder Câmara também afirmava: “Deus não vai deixar de construir seu Reino neste mundo. Ele o fará conosco, sem nós ou contra nós”.
Palavras que merecem ser meditadas neste inicio de ano, pois todos nós somos parte do Reino de Deus. E já que estamos falando em espiritualidade, fiquei sumamente emocionado com duas cartas que recebi esta semana; na primeira, de Mons. Aderson Neder me dizendo: “Acompanho-o com minhas orações. Você estará bem presente nas minhas missas natalinas“. Noutra carta, vinda da Itália, de Deliceto, do Convento de Santa Maria della Consolazione, chega-me não só a reprodução de uma imagem de Nossa Senhora, muito antiga, que foi retocada por Santo Afonso de Lugerio, de artista desconhecido, com a afirmativa, quando diz: “Conte sempre com as minhas pequenas orações” - Padre Maria do Espírito Santo.
E bucólica foi a viagem, domingo passado, a Santo Antonio da Pedreira, numa estrada perfeita, limpa, rodeada de muito verde, enchendo os olhos e fazendo bem não só ao corpo como ao espírito. E deliciosas foram as horas de conversa com dona Celita com uma memória fantástica nos seus 77 anos, recordando muito da vida de amigos como o Couto, recém falecido no Rio de Janeiro.
Dona Celita é viúva de um antigo companheiro na Policia, o Adelino, e hoje é sogra do amigo Bonfim Salgado. E na volta ainda falei na Vila Ressaca, com o Marco Antonio, irmão do Bira, jogador; e por ultimo, aqui em Macapá, no Foto Líder, troquei idéias com o Manduca, Agente Distrital lá de Santo Antonio da Pedreira, que deve ter gostado das minhas impressões que são verdadeiras. Aliás, devo muito ao César Bernardo o conhecimento que tenho atualmente de Macapá, porque com 50 anos nunca tinha saído do centro da cidade, vivendo num pequeno circulo. Agora tenho ampliado a minha visão da cidade. E preciso ampliar a minha visão do Estado.
Quero aproveitar a oportunidade para desejar aos nossos ouvintes um ano novo cheio de paz, de felicidade, com muita saúde, sem a qual a vida perde muito da sua beleza. E com saúde e paz, um pouquinho de dinheiro para realizar muitos de nossos sonhos, aqueles que sem o vil metal é impossível se realizar. Que a vida tenha um sentido novo para nós e aqui lembro muito dos jovens que tiraram a própria vida no ano de 2009. não nos esqueçamos de que a vida é um dom de Deus e como tal merece ser respeitada.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

DEBATE POSITIVO - 19 DEZ 2009

19 DEZ – D. POSITIVO

EDITORIAL: ENQUANTO É TEMPO E POUCO DISPENDIOSO.

Em setembro todos os pontos e itinerários dos ônibus na cidade e na região metropolitana do Rio de Janeiro ficaram disponíveis na internet. O novo serviço foi anunciado pelo Presidente Executivo da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro, Lelis Marcos Teixeira em evento do V Seminário sobre Questões Jurídicas Relevantes no Transporte Coletivo., uma promoção da Fetranspor e Escola de Magistratura do Est. Do Rio. Evento muito concorrido, com as participações de juizes, defensores públicos, advogados e membros do M. Público.
Lélis Teixeira disse que a divulgação desses dados era uma parceria com o Google, mas também uma necessidade dos usuários de ônibus no Estado, onde a Federação recebe em media 1.500 ligaçoes por dia, 80% delas em busca de sobre parada e percurso das linhas. O mapeamento, entre outras coisas, permitiu esclarecer o porquê de tantas duvidas: ao todo foi constatado que 41,62% dos pontos de ônibus não possuem placas. Desse total, 29,83% também não contam com abrigos.
Eis aí uma iniciativa que já deve ser copiada por Macapá, enquanto é tempo. Aqui mais do que lá a são grandes as dificuldades do setor, uma vez que além da falta de placas regulares e grande carência de abrigos, as vias urbanas não estão identificadas segundos seus nomes. Andar de ônibus em Macapá, pelo visto, ainda será uma aventura por muito tempo.



ANIVERSARIANTES DO DIA:
15- ZÉ DA GLOBO
16- CLAUDIA PAES (IRMÃO DA D. CACILDA)
17- GABRIEL (2 ANOS: ROBSON E CONCI – NETO CACILDA)
20- CLARINHA – CASSILDA BARRETO – BERNADETE (TADEU)
22- EUNICE VIANA.
23- SRA. ROSILDA MALCHER MOTTA. (70 ANOS)

POIEL
O Anjo: Este anjo Poiel ajuda a vencer demandas. Favorece a aquisição de prestígio, fortuna e a propagação das grandes filosofias. Influência: Quem nasce sob a influência do anjo Poiel será estimado por todos, devido à sua modéstia e humor agradável. Sua fortuna será obtida devido ao seu talento e boa conduta. Conseguirá obter tudo que deseja e estará sempre empenhado em aprender e conhecer todas as coisas do mundo. Apesar da aparência modesta e frágil, lutará para colocar-se em uma posição sócioeconômica favorável e assim obter reconhecimento por seus extraordinários talentos, tornando-se conhecido. Saberá contrabalançar a razão e a paixão. Otimista, saberá enfatizar as qualidades positivas das pessoas e das situações. Com seu encanto, ilumina a vida de todos que o cercam. Profissionalmente terá facilidade para brilhar em terras estrangeiras, por sua facilidade na compreensão de diferentes idiomas e dos mais variados usos e costumes.



Salmo 144
Categoria: Principados Príncipe: Haniel Protege os dias: 14/05 - 26/07 - 07/10 - 19/12 - 02/03 Número de sorte: 10 Mês de mudança: outubro Carta do tarô: A roda da fortuna Está presente na Terra: de 18:20 às 18:40
Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra; meu refúgio e minha fortaleza, meu alto retiro e meu libertador, escudo meu, em quem me refugio; ele é quem me sujeita o meu povo. Ó Senhor, que é o homem, para que tomes conhecimento dele, e o filho do homem, para que o consideres? O homem é semelhante a um sopro; os seus dias são como a sombra que passa. Abaixa, ó Senhor, o teu céu, e desce! Toca os montes, para que fumeguem! Arremessa os teus raios, e dissipa-os; envia as tuas flechas, e desbarata-os! Estende as tuas mãos desde o alto; livra-me, e arrebata-me das poderosas águas e da mão do estrangeiro, cuja boca fala vaidade, e cuja mão direita é a destra da falsidade. A ti, ó Deus, cantarei um cântico novo; com a harpa de dez cordas te cantarei louvores, ó sim, a ti que dás a vitória aos reis, e que livras da espada maligna a teu servo Davi. Livra-me, e tira-me da mão do estrangeiro, cuja boca fala mentiras, e cuja mão direita é a destra da falsidade. Sejam os nossos filhos, na sua mocidade, como plantas bem desenvolvidas, e as nossas filhas como pedras angulares lavradas, como as de um palácio. Estejam repletos os nossos celeiros, fornecendo toda sorte de provisões; as nossas ovelhas produzam a milhares e a dezenas de milhares em nossos campos; os nossos bois levem ricas cargas; e não haja assaltos, nem sortidas, nem clamores em nossas ruas! Bem-aventurado o povo a quem assim sucede! Bem-aventurado o povo cujo Deus é o Senhor. Amém!

Abraços:
- Governador Waldez Góes (poderia nos falar um pouco sobre a COP15)
- Jacy jansem – Bernardo Rodrigues – Guilherme Jarbas – Nestlerino Valente – Profª. Vitória Chagas e Sr. Cruz – Jarbas Gato – Sr. Walter do Carmo – Leandro Alcântara – Nilson Montoril - e tantos outros que, como o Jaime Motta me ajudaram a melhor me enquadrar na sociedade amapaense com os seus conselhos e opiniões.
- Aos amigos da creche.
- Ao Dep. Dalto (ajuda ao programa e apoio em geral)
- Pierre Alcolumbre.
- Aos amigos do Clube dos Advogados
- Bonfim Salgado – Assila – Judith
- Tadeu Pelaes
- Geovani e família Borges.


FELIZ NATAL:
AOS NOSSOS OUVINTES
AOS AMIGOS DO RADIO, DOS JORNAIS E DA TELEVISÃO.
AOS AMIGOS DO TERÇO
AOS QUE NOS OUVEM PELA INTERNET E QUE ESTÃO FORA DE CASA.

COMENTÁRIOS:

- TERÇO
- ZÉ DA GLOBO
- CASO EMTU:
- CONFRARIA TUCUJU
- CIDADE DE LUZ.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

GALHO DO ARRUDA.

GALHO DO ARRUDA.

Vigilância é preço de liberdade, mas também o maior cuidado devido aos cofres públicos no Brasil. Como se rouba neste país! A Bíblia é cheia de avisos sobre vigilância: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas... vigiais, pois.” (João).
Parece que estamos abrindo mão da nossa liberdade: a de sermos uma nação realmente forte, civilizada – estamos desatentos.
É o que nos tem mostrado a Policia Federal, Brasil acima e abaixo; o caso Arruda é absolutamente emblemático do descuido nacional e da erosão violenta ao erário. Veja-se que a tragédia do Sr. Arruda era sobejamente anunciada, haja vista que o Sr. Durval Barbosa Rodrigues é Secretário de Relações Institucionais do GDF e foi tesoureiro de campanha do governador em 2006. Esse Durval? Já respondia a vários dos mais de trinta processos que tramitam na Justiça. De Delegado de Policia à informante da Policia Federal – triste Durval! Pobre Arruda!
À maneira de tantos outros políticos o Sr. Arruda se acreditava no controle total de tudo dentro e fora do seu governo. Que lhe importava o inesperado? Acabará “folha murcha de arruda”.
É realmente impressionante o que se rouba de dinheiro público no Brasil. Temos que compreender e concordar com Hollywood quando recomenda aos seus “bandidos” encurralados pela justiça que busquem o Brasil. Contudo, o outro Brasil, o que espera haverá, pela esperança, de progredir.
O Sr. Arruda parece estar com os pés no clube dos malfeitores nacionais. Que meios e que ambientes o matricularam lá? É certo que ele não nasceu malfeitor e nem lhe4 negou a escola o melhor ensino, o melhor saber. Então pena ou nojo lhe devotaremos até que restitua ao erário o que de lá não devia ter tirado para fins tão escusos.
A todos é devido o perdão cristão e o humano, mas para “erros” assim pode haver perdão judicial? É preciso aperfeiçoar a justiça no Brasil à luz dos seus 510 anos, quatrocentos dos quais sob a trágica escravatura de homens pretos, da raça negra. Não nos esqueçamos daqueles homens e mulheres que foram Inconfidentes por discordarem das transferências de riquezas nacionais à Coroa Portuguesa: Mensalão de Lisboa.
O Brasil de hoje é outro, somos quase duzentos milhões de brasileiros ao mesmo tempo sob chuva, seca, vendavais, nevascas, balas perdidas, impostos muito além dos que motivaram a “Derrama”. Chegamos, portanto, ao ponto a partir do qual não se pode mais adiar a “reforma moral” que o Poder Público deve de há muito à nação.
Insuportável ver imagens de mensalões na mesma imprensa que diariamente mostra milhões de trabalhadores brasileiros embarcados em trens e ônibus às 4 horas para não se atrasar ao trabalho às 7. Outros tantos nem emprego têm. Outros não sabem onde morar depois que as enchentes e incêndios desmancham suas casas. Outros desesperados, doentes ou cuidando de doentes sem a menor certeza do dia seguinte.
Sinceramente chega dessas imagens, senão da corrupção. Aliás, outra vez é momento de lembrar o Deputado Ulysses Guimarães discursando ao apresentar à Nação brasileira a Constituição “Cidadã”, de 1988 - disse: “A corrupção é o cupim da Republica...”.

Notas: ¹-O Deputado Milhomem (PcdoB) tem perfeita noção do que seja e vale Zoneamento Ecológico Econômico. O do Amapá não está concluído, mas é bastante significativo o banco de dados pró-zoneamento existente no Iepa. ²-Entre o Igarapé da Fortaleza e a foz do Rio Curiaú foram encontradas 9 espécies de sardinha, apenas a Judith – Economista Doméstica (esposa do Bonfim) teve a iniciativa e a capacidade de aproveita-las em conserva. É melhor do que as de lata. Alguém aí deveria acertar com ela uma degustação.
³-A revelação do caso de corrupção explicita envolvendo o Sr. Arruda acaba de contribuir para complicar ainda mais a situação do Sr. Azeredo(PSDB-MG). Quinta-feira próxima o STF retoma o julgamento Azeredo.

É SÓ O COMEÇO.

É SÓ O COMEÇO.

Na terça, 6, ainda sonolento ouvia o deputado Dalto convidando o povo para a audiência com o Sr. Paulo Lisboa, gerente geral da mineradora que teria pago propina a deputados do parlamento estadual. Em questão de hora e meia tomei assento na galeria da casa.
Bonfim, Adriano e eu nos posicionamos de forma a “radiografar” o poder num de seus momentos de depuração. Conheceríamos o acusado ou acusados, digamos, olho no olho.
Cercado de pompa o tal senhor Paulo Lisboa iniciou sua fala afirmando que todos os deputados da casa eram digníssimas excelências, o mesmo não podendo dizer do Jornal do Dia, do Sr. Luiz Pereira, Sra. Inerine Pereira, Sr. Otaciano Jr, Sr. Catanhede. Desculpassem, mas sobre o Dr. Cícero Bordalo Jr só tinha a dizer cobras e lagartos. E disse.
O homem seguiu falando de achaques e chantagens, uma delas da monta de 6 milhões de reais. Indagado sobre o nome do chantagista disse tratar-se de “alguém da inteligência do governo”. Um tal Assis - descobriu bem depois.
Adiante olimpicamente Lisboa disse que sua empresa não pagava propina, como o comprovava o Relatório de Prestação de Contas apresentado ao Ministério Publico Estadual, como se em tal documento fosse detalhar tal paga se tivesse havido.
Com certa “altivez” o homem ofereceu um dvd “probatório” e ilustrativo do que dizia em depoimento, apenas dispusesse de quatro horas quem realmente quisesse ver as provas da “muvuca” que o Jornal do Dia noticiara.
Cá com meus botões! O Amapá só perde com esse tipo de coisa, semelhante em parte ao que ocorria no período do governo do Sr. João Alberto quando todos os dias se produzia um factóide direcionado à sustentação das teses de cerceamento do poder e do governo, sempre sitiados por narco-jornalistas, narco-magistrados, narco-deputados e narco-lobistas.
Felizmente o deputado Jorge Amanajás, antes que o galo cantasse uma terceira vez, assumiu efetivamente a condição de deputado-presidente da Assembléia Legislativa “convidando” o Sr. Lisboa a comprovar suas acusações em plenário.
Com tal atitude de magistrado Jorge simplesmente pingou os is e botou ponto final nos estragos midiáticos que o caso já produzia. O imbróglio passaria a ser administrado pela Assembléia Legislativa, mas de dentro para fora – eis a diferença.
Mérito do deputado e pontos para o pré candidato Jorge Amanajás, que se mostrou, dessa forma, preparado para disputar o cargo de governador. O deputado Jorge teria sofrido grande baixa nessa sua pretensão se tivesse usado mão de gato para tirar essa castanha do fogo.
Notas: 1-Quanta dignidade se pode ver numa parada de ônibus simples e bonita como as que já se vêem por aí por iniciativa da administração Roberto Góes. Por que tanta humilhação ao povo e por tanto tempo e por tão pouco. 2-Pena que já se esgota o tempo de Waldez, Roberto e Gilvam: até aeródromo nas várzeas do Bailique eles estão fazendo. Realmente há diferença entre parceria e gogologia. Voto em Gilvam e Waldez para qualquer coisa – agora e em 2014.

DINHEIRO E POLITICA

DINHEIRO E POLICIA.

A 46ª Expo-Feira acabou deixando nos deixando a impressão de ter sido um grande sucesso, conforme confirmou a avaliação oficial que o governo já anunciou. Uma coisa deve ser destacada: as multidões que a freqüentaram foram medidas a razão de dezenas de milhares de pessoas todos os dias.
No perímetro da Expo-Feira tinha de tudo, em si mesma foi uma fotografia bastante ampla e de muito boa resolução do que atualmente é o Amapá. Passou pela critica positiva e negativa, mas o bom senso espalhou a compreensão de que a Feira é sim um cenário de realidades e tendências de um estado que se desenvolve e leva consigo uma população em franco crescimento. Aliás, a cada ano o espaço interno fica menor para tanta gente, o que explica as ampliações que recebe, como é o caso da Arena de Eventos construída para esta edição da Feira, mais um grande acerto do governo.
Um aspecto positivo a evidenciar foi a enorme quantidade de informação circulante no ambiente, de mão em mão, na forma de panfletos variados. Em questão de minutos enchiam-se as mãos com eles, eram tantos que devem merecer uma campanha educativa para que não se tornem poluentes durante e após as feiras.
Entre tantos panfletos que recebi um conduziu-me de volta a um assunto do qual já abordei em jornais e sugeri como “estratégico” a um deputado com assento na Assembléia Legislativa: Floresta Estadual do Amapá – Flota.
O folder assinado pelo Instituto Estadual de Florestas diz, entre outras coisas, que “o governo do estado vem buscando implementar uma política florestal baseada nas aptidões regionais e, adequada às necessidades do Estado”. Diz mais: “a Flota proporcionará ao Governo do Estado uma atuação ativa na administração do seu patrimônio florestal, através de modelos de concessão de uso”.
Se o governo diz está dito! Considere-se, no entanto, que são 23.694 km² de florestas em mãos do Estado na conformidade da Lei 1.028, de 12/07/2006. É muita floresta! Noutra escala são cerca de dois milhões e quatrocentos mil hectares a serem administrados em regime de concessão de uso. Imaginemos que cada hectare concedido retorne ao Estado mil reais por mês! Uma ninharia, admitamos.
Mas seriam cerca de 28 milhões de reais ao ano, que se repartiriam para os municípios de *Pedra Branca, *Serra do Navio, Porto Grande, Ferreira Gomes, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho, *Calçoene e *Oiapoque, portanto a nove dos dezesseis municípios diretamente “contribuintes”. Não é nada não é muito, mas seriam em tese três milhões de reais ao ano para cada um. É dinheiro sim senhor!
O problema é que onde há dinheiro há conflitos, carecendo, portanto de policiamento especial dentro e fora da Flota. Quem olha o bioma de fora para dentro ou de cima para baixo não consegue ver a plenitude da realidade que cerca os povos da floresta, às vezes nem imagina quanta gente a ocupa efetivamente, cm suas carências, obrigações, direitos, costumes e cuidados.
Fundamentado em experiência própria, resultado de dezenove anos de trabalho entre árvores e pessoas das florestas (litorâneas, de várzea, de transição, de terra firme) do Amapá sugeri ao deputado que buscasse no parlamento um instrumento legal que amparasse a criação de uma Policia Florestal, pendurada que fosse no Batalhão Ambiental já existente, porem não especializado em exploração autorizada de floresta de produção, como será o caso da Flota.
Esse novo grupamento policial militar viria com a especificidade de policiamento florestal, ficando à linguagem militar a definição de nome e categoria adequadas, quem sabe Companhia ou Pelotão ou Comando ou Guarda...
Importante mesmo é apostar no sucesso econômico da Floresta de produção do Amapá e desde já buscar meios de previnir os abusos que vem por aí por conta dos rendimentos da exploração florestal, da malandragem de uns e da cobiça de todos.
*- Municípios que cederam florestas para o Paque Nacional Montanhas do Tumucumaque e que, por isso, também deveriam receber subvenções pela concessão de suas terras à UC.

Notas: ¹-A liberação que se pretende para os agricultores assentados da Reforma Agrária comercializarem livremente toda a madeira derrubada no processo de preparo de área agrícola certamente alimentaria a fogueira que consome a floresta amazônica. ²-O Deputado Camilo dá a melhor contribuição para discussão sobre o ritual complementar para o repasse de terras da União para o Estado quando alerta para as condicionalidades postas no Decreto presidencial. Desdenhar um Decreto presidencial pode sim causar a sua revogação.

BEM NA FOTO.

BEM NA FOTO.
Publicado em O Diário do Amapá – 14 Nov. 2009

Domingo, 8, Macapá conheceu números de uma nova Pesquisa de Opinião Eleitoral, realizada pelo Instituto Ecos Serviços Ltda., encomendada pelo Jornal do Dia. A Pesquisa investigou sobre vagas no Senado, Câmara Federal, Assembléia Legislativa e de quebra fez avaliação dos governos estadual e municipal, de Macapá. Muito ampla.
Metodologicamente a pesquisa ponderou gênero e três classes de idade, deu-se a margem de erro de 3,5 pontos mais ou menos e se estabeleceu num intervalo de confiança de 95%.
Portanto, se a eleição tivesse ocorrido no Domingo, 8, teríamos ido para as urnas achando que Gilvam Borges é o melhor senador que temos, mas não votaríamos nele como primeira opção de voto para o Senado. O afastaríamos de lá, onde é o melhor.
Mais de 77% dos entrevistados aprovam o governo Waldez, mas apenas 26,6% desses votariam no governador se candidato ao Senado. Capiberibe seria o outro eleito com 24,3% dos votos dos entrevistados que na mesma pesquisa disseram que Waldez e Roberto Góes são mais de 65% bons governantes. Dá para entender?
A pesquisa para o Senado admitiu a hipótese da 2ª opção de voto, neste caso apontando Waldez com 26,1% e Gilvam Borges com 19,1% de preferência. Dá para entender?
É difícil, já que ambos perdem pontos da primeira para a segunda opção e não emerge ninguém diferente superando-os. Mas, números são números. Não mentem!
Em assim sendo, e mantendo-se o quadro até as eleições, o Gilvam é o grande beneficiado pelas conclusões que se pode tirar dessa pesquisa, a saber: 1- Ele aparece com muita margem para crescer na primeira opção porque Lucas Barreto não se declara candidato ao Senado, sendo hoje, 8, o candidato a governador mais próximo de Gilvam. Isso permite especular que os votos apurados para Lucas ao Senado, 13,6%, migrarão em grande parte para Gilvam. 2- Se Gilvam chegar às urnas fazendo dobradinha com Waldez, ambos crescerão muito além desses patamares apurados pela pesquisa. 3- No momento da pesquisa –Domingo, 8 – convenhamos, Gilvam estava apartado do “grupão 2006-2008”, fato que sugere ter obtido sozinho os percentuais da primeira e segunda opções. Com ajuda, obviamente, Gilvam sobe bem mais. 4- A pesquisa não coletou opiniões nem no Bailique nem no Jarí onde Gilvam melhorou muitíssimo, digamos, o plantio. 5- Domingo, 8, Gilvam teria, possivelmente, o apoio eleitoral de vinte dos vinte e quatro deputados(as) estaduais, que juntos, diz a pesquisa, somam 19,3% dos votos dos pesquisados. O que Capiberibe não teria de jeito nenhum.
Bom, de toda sorte o tempo é das pesquisas., outras estão por aí, a maioria ao alcance das mãos dos candidatos logo no porta-luvas do carro. Realmente é tempo delas.
Mas, digam o que disserem os números dessas outras pesquisas (cada pesquisa “conta a sua história”), importa aos candidatos e aos planejadores de campanha que uma se soma à outra na busca de um bom “retrato” da intenção de voto do eleitor.
Nessa pesquisa do Instituto Elos/JD (Domingo, 8), releiam quantas vezes queiram, Gilvam ficou muito bem na foto.
Notas: ¹-O Jornalista Alexandre Garcia no afã de atingir o Senado Federal, no episodio da compra de cadeiras de rodas, afirmou que com o dinheiro de cada uma se poderia construir uma casa popular. Se não fosse da Globo... ²-Não sei a quem direcionava seu desprezo: se às pessoas que precisam de casa ou se aos senadores. Gostaria de saber quanto custou a casa do totó dele. ³-O Cap. Comandante da Policia Militar Ambiental de Três Lagoas-MS mobilizou sua policia, a 2ª Delegacia e o MPE porque o apagão deixou “quase uma tonelada” de peixes mortos da espécie Schizodon borelli – peixe comum: taquara. O MPE-MS vai processar o Governo Federal – pode? 4-O Iapen se exauriu na prisão dos seus Guardas de Presídio. 5-Dêem uma olhadinha no prédio que serve a comunidade ali no Aturiá – antes que chova. 6-Melhor seria a Assembléia Legislativa com Jorge Souza e Leury Farias.


POLISSONOGRAFIA

ESPECTEI? ESPECTAVA?

ESPECTEI? ESPECTAVA?

Quinta-feira, 22, “espectei” o senador Mario Couto na TV Senado. Parecendo certo de que milhões de telespectadores estariam “fiscalizando” o Senado Federal naquele momento o parlamentar da oposição “espancava” o presidente Lula com palavras muito duras ao tempo em que literalmente espancava a tribuna com as mãos a cada frase concluída.
Dois sentimentos primários me assaltaram enquanto “espectava” o senador esbravejando defesa aos aposentados de hoje, que ainda “ontem” o líder do seu partido, FHC, chamava de vagabundos: 1-saudade da velha oposição nacional que nos dias de folga cumpria o sagrado dever de admirar Cuba – a ilha do Fidel. 2- a vantagem mais valiosa de estar em cima do muro é ver mais longe.
Sendo o muro de topo muito largo desaparecem o medo de cair e o risco de aterrissar no lado errado, como parece se achar o PMDB acomodado confortavelmente no topo desocupado pelos tucanos a partir do governo Itamar Franco, do PMDB-MG.
O tucanos “serristas” andaram apreensivos temendo a aterrissagem do PMDB do M(muro) na candidatura Aécio Neves ou que Aécio escalasse o muro apoiado no calendário eleitoral para liderar o partidão rumo ao Planalto em 2010., nada aconteceu. Esvaziada essa expectativa real os tucanos serristas permaneceram apreensivos esperando que o PMDB do M em fim desembarcasse na candidatura Serra, mas...
Os palacianos sacaram rápido o suficiente para “surpreender” a turma do PSDB-DEM com o desembarque do PMDB do M tão cedo na candidatura Dilma. O “fato político” enfraqueceu Orestes Quércia com o convite a Temer para vice.
Mario Couto e as pancadas na Tribuna do Senado reflete um pedacinho bem pequeno das dificuldades por que passa a oposição nesse inicio de jornada, digamos, 2010. É que o mundo econômico diz que o Brasil foi “o cara” ante a crise que planeta a fora fez marolinha e tsunami, mas a oposição insiste em dizer que o mundo está errado. Fala-se em até 7% de crescimento do Brasil em 2010., e se emplacar 5%?
Mario Couto é parte dessa oposição que é grande no Senado Federal e quase invisível nas ruas e nos campos, onde Lula permanece “o cara” com mais de 75% de aprovação popular. Lula não transfere votos? FHC não transfere votos.
Então, por que a oposição está na bronca e escolhe mandar recados pelo senador Mário “espanca tribuna” Couto? Porque Dilma se adiantou e terá mais tempo de tribuna eletrônica para dizer ao eleitorado que é sua a outra face do “cara” que mudou o Brasil nos últimos oito anos.
A oposição teria feito melhor se do jantar de sábado para cá tivesse substituído Mario Couto por Agripino Maia, senador do DEM de melhor retórica e mais capaz de entender que o “em cima do muro” deixou de ser lugar controverso seguro para se transformar em “base sólida onde guardar argumentos”.
O “partidão” já está novamente debaixo de xingamentos, mas o que importa mesmo para a disputa eleitoral que se avizinha e se insinua bastante “disputada” é que desde sábado, efetivamente, o PMDB é o próprio muro que dá sombra e mais chances eleitorais à candidata preferida de Lula.
Nota: A Expo-Feira em Macapá, na extensão do governo Waldez Góes – 2003/2009, ascendeu à categoria “mega evento”. Se pode ver lá o rosto do Amapá: atual e futuro.
É claro que os “mário couto” locais negam o obvio, mas é obvio que está claro que o Amapá mudou para muito melhor do conseguiu ser até 2003. De outra forma, se pode constatar na própria Feira os esforços e os resultados positivos conseguidos pelos governos anteriores. A Expo-Feira não é retrato de política partidária, mas do desenvolvimento viabilizado pela ação política dos governos. Vai do dia 23 de outubro a 1 de novembro., foi feita para você – PRESTIGIE.

CONSULTORIA DISPENSÁVEL.

CONSULTORIA DISPENSÁVEL.
Publicado em O Tablóide – 14-10-09
Mais um Dia do Professor está à nossa frente provavelmente sem maiores conseqüências que não seja um dia sem aulas, porém saudado com divertimentos na sede campestre do sindicato, entrevistas na imprensa, uma ou duas palavrinhas doces de gestores da Educação e, quem sabe algum ex aluno diga publicamente que tem saudades, respeito e carinho pelos professores que tiveram. Não é nada não é nada, mas é muito disso que se “alimenta” o professor realmente professor.
E nada disso está a indicar que os professores são uma casta de coitadinhos e que os governos sejam seus carrascos. Nem uma coisa nem outra, em mesma proporção.
A sociedade brasileira tem nos professores um espelho de boas imagens, enquanto a escola pública tem sido para eles menos madrasta que a escola privada. Em termos salariais, sim.
Estudo recente elaborado pelas professoras doutoras Bernadete A. Gati e Elba Siqueira S. Barreto comprova um “dogma” da educação nacional: baixos salários.
A Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura–Unesco, corrobora o estudo das doutoras, mas faz acréscimo: a formação deficiente do professorado brasileiro é tão ruim quanto o salário.
O estudo circunstanciou 2.803.761 professores, concluindo que metade ganha menos de R$720,00. No detalhe o levantamento apura que no Nordeste do país 50% do professorado ganham menos de R$450,00 – acintoso, simplesmente.
Diz o estudo que, segundo dados do Pnad-Ibge 2006, 79,1% dos professores têm seus contracheques pagos pelos cofres públicos. Calculado o salário mediano – que evita distorção da média – chegou-se a vencimento de R$1.300,00 para ensino médio nas escolas publicas e de R$1.000,00 nas escolas privadas. Quem diria?
No degrau de baixo, no ensino fundamental, o salário mediano vai a R$745,00 nas escolas publicas e R$525,00 nas escolas privadas. Surpreso? É, mas é no ensino infantil – reino das “tias” – que a tragédia comove: R$568,00 pagos na generosa escolas públicas e, apenas, R$400,00 nas rentáveis escolas privadas.
Logo, quais são os desafios para esse país do Pré-sal, sede dos Jogos Mundiais Militares em 2011, Copa das Federações em 2012, Copa do Mundo em 2014, Jogos Olímpicos e Pára-Olímpicos em 2016? Preparar melhor o futuro desse grande país é uma resposta aceitável. Para tanto, o país deve se preocupar mais responsavelmente em atrair jovens professores para a profissão.
E como fazer isso se 79.1% dos professores brasileiros são pagos pelo poder publico, se o país está envelhecendo muito rapidamente, se a juventude estudiosa nacional está buscando cada vez mais as profissões mais rentáveis? Se são esses os salários desses profissionais?
Aos que vão refletir realmente sobre a “questão” da educação nesse dia 15 de outubro recomenda-se não esquecer que de 2006 para cá, segundo a LDB, todo professor tem que ter formação superior para reger a sala de aula, em qualquer nível.

Notas: 1-Em Ourinhos(MG) está, agora, o objeto da minha maior curiosidade: Um Museu onde se pode ouvir o som interior da terra. Um artista fez um poço tubular com 200 metros de profundidade e instalou ao longo dele microfones especiais.
2-No Círio de Nazaré desse ano revi (involuntariamente) meu filho quando ele estava quase morto no sofá da nossa casa na Procópio Rola e o vi agora belo, estudioso, cheio de planos. Fernando mora e está em Belém, mas o vi caminhando ao meu lado. 3-Uma casa muito boa pegou fogo em São Paulo, segunda-feira. Tudo se destruiu, só não o quadro na parede: Jesus de um lado e Maria do outro. Detalhezinho – era dia de Nossa Senhora Aparecida.

COMO NÚVENS.

COMO NUVENS.


Anteontem José Serra e Aécio Neves ocuparam o horário eleitoral gratuito na televisão com o objetivo único de campanha eleitoral 2010. Para muitos “observadores” o que se viu na tela e por trás das câmeras foi o esboço mal feito do que será a campanha eleitoral de um partido político que tem que se apresentar como “salvador da pátria”, já que de mudança não pode falar.
A aparição de ambos os pré-candidatos tucanos pareceu um esboço mal feito de campanha eleitoral porque confirmou a indefinição sobre qual deles será o candidato principal, ou pior ainda: ambos são os candidatos do PSDB – chapa puro-sangue.
Em mãos do PSDB a unilateralidade da chapa é tão somente retomar a tese do Ministro Sérgio Mota, das Comunicações (Serjão), segundo a qual é de 25 anos corridos o projeto de poder dos “sociais democratas”. Temporalmente o “projeto vinte e cinco anos” é um “chavismo” à brasileira.
José Serra adotou um discurso positivista no programa de televisão de anteontem, algo que realmente salvaria a pátria se pudesse ser realidade nacional. Contudo, outra vez José Serra conseguiu mostrar-se mais paulista que brasileiro gravando suas imagens em ambientes requintados de São Paulo como se tudo lá e no Brasil tivesse se transformado em referencias de sua gestão no Ministério da Saúde. Que foi boa, reconheça-se.
José e Aécio não puderam falar em mudança simplesmente porque durante os últimos sete anos desgastou-se o PSDB acusando o PT e Lula de “continuísmo” ao que teria sido o governo FHC. Anos perdidos pelos tucanos reconhecendo os acertos de Lula como “roubados” a Fernando Henrique. Agora é mudar o quê: a “receita” deles executada por Lula?
Pelo que se vê, aqui no Amapá sopra-se no mesmo diapasão: tudo, todos e todas convergiram sete anos para o projeto de governo do PDT, muitíssimo bem interpretado pelo governador Waldez Góes. Como, agora, insurgir-se contra o “projeto de poder” do grupão?
Insurreição é, então, abrir o flanco para mais uma eleição plebiscitária entre Capi e os “outros”. Logo, atenção para o espelho grande da sala que pode já estar refletindo a realidade de que não é líder popular nem Pedro Paulo nem Jorge Amanajás nem Lucas Barreto. Vem aí a terceira via ou um ou cada um dos três conta escorar na liderança de Capiberibe para ganhar a chave do Setentrião? O Dep. Ulysses Guimarães dizia sempre que a saliva é o combustível do político.
Por ora, Lula, Fernando Henrique e Waldez são lideres de um processo pré-eleitoral que vai findando 2009 de um jeito, mas que vai romper 2010 de outro... como nuvem.

Notas: ¹-Falando sozinho de novo vovô? Perguntou-me Leleca ouvindo-me quase às gargalhadas no banheiro. Realmente não me contive ouvindo o “carnavalesco” Luiz Melo lançando no ar o seu grito de guerra aos brincantes do Rolará, cujo tema 2010 parece ser o Programa Luiz Melo Entrevista. Gritava Luiz Melo animando a turma: DESEMBUCHA!!!
Olho no Melo, heim presidente Vicente Cruz! Alô Nação Negra – Chegou a hora – Atenção meu povo da arquitibancada... só tem dado para vice campeonato. Olho no Melo, heim!? ²-Feliz Natal à família amapaense. ³-Feliz Natal aos colaboradores da crechinha do Zerão: valeu mais uma ano de generosidade.

CADÊ OS ESTUDANTES?

CADÊ OS ESTUDANTES?
Com jornais noticiando que bandidos estão se atrevendo a atirar contra a policia em Macapá, que presos do Iapen estão sendo impatrioticamente torturados, que alunos estão ameaçando a vida de seus professores, que já lidamos com a proximidade de mais uma grande eleição no Amapá, volto a me perguntar: cadê os estudantes do Amapá? Nada a sugerir? Nada a repudiar? Nada a reivindicar? Não é impressionante o silencio conivente desses estudantes para com os “fatos” mais importantes no Amapá?
Ao tempo da sansão da “Lei do Edinho” criando efetivamente a Universidade Estadual imaginei as ruas de Macapá ocupadas por estudantes consagrando a medida com alegria e confiança no futuro, como lhes seria peculiar. Não apareceram.
Entretanto, o Dep. Edinho e o Governador Waldez ocuparam inteiramente a mídia com manifesta alegria, confiança e compromisso com o futuro imediato da universidade e dos seus alunos no médio prazo. Ambos pareciam candidatos a alunos da grandiosa nova realidade educacional que acabavam de “inventar”. Os estudantes nada.
Adiante o governo estadual reabriu a Escola Graziela, com novo visual, estilo e programa – ao jeito do que esperavam e precisavam os estudantes. Outra vez o que vimos foi um governador orgulhosamente emocionado entregando a escola espetacular a grupos folclóricos, assessores, professores e alguns alunos do próprio educandário, alem de populares convidados. Mas nada se ouviu, leu e ouviu das organizações estudantis. Não foram às ruas, não tugiram nem mugiram.
Também surgiram os cursos superiores nas áreas de engenharia, direito, arquitetura, farmácia, biologia (mística do Amapá)... contudo, silencio total nas ruas, nos diretórios acadêmicos, nos meios representativos estudantis.
Passamos pela aprovação da ZPE e da Zona Franca Verde e finalmente chegamos ao nosso vestibular para Medicina, mas sem a manifestação pública de opiniões dos estudantes. Por que?
Não podemos achar que estamos bem encaminhados sem a criticas dos estudantes porque tudo isso é feito para eles, não podemos prescindir nem dos estudantes nem de suas opiniões em todos esses dias que estamos elegendo representantes da sociedade em que nos inserimos diretamente. A OAB está “bombando” por causa de mais uma eleição que ocorrerá em novembro. O Presidente da Câmara de Vereadores de Macapá mal iniciou o primeiro mandato e já está eleito para exercer o segundo a partir de 2012. Já está deflagrado o processo eleitoral que vai escolher novos senadores, deputados, governador e vice. Tudo isso, aparentemente, olimpicamente ignorado pelas organizações estudantis do Amapá. E por que?
Salvo engano há campus universitário instalados em Oiapoque, Amapá, Laranjal do Jarí, Santana, Porto Grande e está em discussão – mais uma vez – tornar Serra do Navio num pólo tecnológico de ponta ligado a uma das maiores universidades latinas e, mesmo assim não se ouve a voz dos estudantes zoando em nossos ouvidos um pouco mais alto que a apatia, que parece ser a marca escolhida por uma classe que decidiu receber todo o esforço da sociedade com desprezo.
É claro que não estamos tratando de insuflar massas contra instituições ou quaisquer autoridades da gestão de estado, apenas estranhamos a apatia dos estudantes enquanto o Amapá efervece, vive dias com salões lotados de governadores e ministros discutindo o destino da Amazônia, que a cultura se manifeste em palcos vazios e que se deixe aos estudantes do sul-sudeste a luta pela soberania amazônica.
É preciso mais engajamento dos estudantes no planejamento do Amapá, especialmente devem participar do pensamento estratégico que logo lhes servirá de “gabinete de trabalho”. Porém, se o vazio quiser insistir, podem e devem nossos estudantes montar guarda ao Rio Amazonas para que ninguém o suje alem do inevitável ou se aventure declará-lo não nosso.

terça-feira, dezembro 15, 2009

NA MINHA OPINIÃO

A NOSSA VACA.
Publicado em O Diário do Amapá em 17 de Outubro de 2009
Pablus Virgilius nasceu em 70 e morreu em 19 a.C, foi o maior poeta romano da época, o único a escrever somente sobre o meio rural. Invoco-o a propósito do Fórum dos Governadores havido em Macapá, primeiramente admitindo que Jesus possa te-lo lido bastante para se inspirar em suas pregações sempre ligadas ao produtor rural: vinhateiro, trigo, joio, ervas daninhas, sementes caídas em terra boa, uvas, vara de porcos, colheitas, azeite, vinho, grão de mostarda, etc. Depois porque, ele, Virgilio, acreditou piamente que o apicultor Aristeu era capaz de gerar espontaneamente novas abelhas a partir da carcaça putrefata de uma vaca.
Tantos anos depois o nosso Virgilio é o ministro Minc, poeta das florestas (?). Como Jesus pode ter lido o poeta romano o presidente Lula pode estar ouvindo muito o ministro Minc sobre a tese do desmatamento zero que pretende pregar no “monte Copenhague”, no reino da Dinamarca.
Parece que o presidente acha que no Brasil só há desmatamento na Amazônia, esquecido dos outros cinco biomas nacionais. Para ele pode estar parecendo que a Amazônia brasileira é uma vaca putrefata capaz de seqüestrar sozinha todo o carbono do mundo.
Desmatamento zero por aqui em principio parece significar que só o Brasil tem a grande floresta úmida e que os vinte e cinco milhões de habitantes amazônicos estão em franca descendência existencial, com extinção marcada para 2050.
Mas a realidade dos fatos pode estar se dando ao contrario desde os poemas épicos de Virgilio. Projeções estatísticas apontam para 42 milhões de habitantes na Amazônia em 2050, necessidade de incremento de 70% na produção de alimentos para este contingente populacional, novíssima tecnologia de produção à disposição dessa população., tudo embalado nas paginas dos tratados científicos circulantes que já indicam que o albedo da floresta fechada é muito negativo, que as arvores das ruas (ruderais) são mais eficazes do que as florestas nativas na captura de carbono e que, as arvores velhas (mais 45 anos) fazem o seqüestro a um rítimo muitíssimo lento, quem sabe com menos valia que a imobilização do carbono na forma de moveis e de peças de madeira para a construção civil.
A maioria dos relatórios científicos recentemente produzidos – com destaque para a “escola” australiana - diz que a captura de carbono, transformado em lenho, só se dá na fase de crescimento da árvore. Em florestas maduras como a amazônica isso só ocorre na árvore nova que estiver substituindo uma madura que “morreu”.O caso Amapá é realmente especial não porque 97% de sua área florestada (não área total territorial) se achem em excelente estado de conservação (não é preservação), mas porque essa porção florestal está no meio do mundo, com noites e dias do mesmo tamanho. Caso em que, trocando em miúdos, todo o oxigênio que a floresta produz durante o dia, ela mesma consome durante a noite.
Portanto a floresta equatorial depois de adulta é um ciclo fechado de produção e consumo de carbono... como a vaca de Aristeu.
Nota: Amanhã é dia dos médicos, todos eles merecedores dos nossos respeitos e votos de que vivam um grande dia, comemorem bastante a Residência Médica, a Faculdade de Medicina, a Academia de Medicina.