Salvador, 24 de agosto de 2010,
Inicialmente quero dizer que não acredito, acreditem, que este texto possa mudar qualquer das barbaridades que vivenciei nessa madrugada. Acreditem, não acredito que encontrarei eco em algum lugar. Preciso, entretanto, falar.
Por volta de 22h30min da última segunda-feira, 23 de agosto de 2010, fui contactado pela Central Estadual de Regulação (CER) para realização do transporte da menor, Ana Larissa Menezes Baptista. Ao me dirigir à mesa do chefe do plantão para pegar a ficha de atendimento para o transporte inter-hospitalar fui informado que deveria transportar a paciente supracitada do Hospital São Jorge (HSJ) para o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) para a realização de tomografia computadorizada (TC) de crânio.
A história que ouvi era a de uma paciente em estado grave, no pronto atendimento (PA) do HSJ, em ventilação mecânica (VM), usando adrenalina e dobutamina, após ter sido reanimada ao dar entrada naquela unidade por volta das 18h. Como de costume, solicitei ao chefe de plantão – Dr. Jisomar - e à médica que fora responsável pela regulação, cujo nome me foge nesse momento, que mantivessem contato com o chefe de plantão da emergência do HGRS naquele dia – Dr. Raimundo – ratificando o quadro clínico da paciente e solicitando ao mesmo que verificasse as condições da sala da TC a fim de que a transferência fosse feita no menor tempo possível e Ana Larissa não fosse exposta a qualquer entrave que prejudicasse ainda mais o seu quadro que, naquele momento, já era grave.
Informei ainda ao Dr. Jisomar que não realizaria o exame caso o HGRS não possuísse um ventilador disponível na sala de bioimagem ao qual a paciente pudesse ser conectada. Informei ao mesmo que muitos coordenadores do HGRS tinham o hábito de autorizar a regulação de pacientes em VM para a realização de TC sem ao menos confirmarem a existência de ventilador na bioimagem. Informei ainda que por diversas vezes "ambuzei" pacientes que precisavam realizar TC em respeito aos mesmos, bem como aos seus familiares. Disse-lhe ainda que por diversas vezes, sensibilizado com o quadro, e com a necessidade dos pacientes, aceitei fazê-lo, mas que não estava disposto a novamente solucionar um problema que deveria ser resolvido antes da regulação. Dr. Jisomar informou-me que Dr. Raimundo sabia do quadro da paciente, mas que tentaria manter novo contato e que ratificaria o meu pedido.
Em virtude da gravidade do quadro de Ana Larissa resolvi sair da base da CER para realizar o transporte o quanto antes. Ao chegar ao HSJ fui recebido por Dra. Danielle Souza, CREMEB 20.733, pediatra de plantão, que relatou a história de Ana Larissa. Segundo ela, a paciente há cerca de uma semana havia sido atendida numa emergência após episódio de vômito, febre e cefaléia. Naquela oportunidade, a paciente foi submetida à punção liquórica que descartou meningite. Após remissão do quadro na emergência, a menina recebeu alta e evoluiu em casa por quase cinco dias assintomática. Naquela manhã, 23 de agosto, entretanto, Ana Larissa demorou a acordar, fato que chamou a atenção dos seus familiares.
No meio da tarde a menina apresentou crise convulsiva e rebaixamento do sensório sendo levada ao Hospital Menandro de Farias (HMF). Após ser atendida naquele hospital, Ana Larissa foi encaminhada para o Hospital Couto Maia (HCM) em ambulância convencional, acompanhada pela mãe e por uma técnica de enfermagem. Segundo Dra Danielle, a mãe relatou que no caminho Ana Larissa apresentou piora do estado geral, com cianose central e ausência de "reflexos". O motorista da ambulância resolveu então parar no hospital mais próximo, tendo chegado ao HSJ. Ao dar entrada na unidade, a menina apresentava de fato cianose central e ausência de batimentos cardíacos.
Foi, então, reanimada com adrenalina e massagem cardíaca e submetida à intubação orotraqueal. Desde então, a paciente encontrava-se em uso de Adrenalina (0,5) 1ml/h e Dobutamina (5) 1,5 ml/h e em ventilação mecânica. Naquele momento, Ana Larissa apresentava Glasgow 3, midríase paralítica bilateral, freqüência cardíaca (FC): 165bpm, pressão arterial (PA): 104X41 (62 mmHg), oximetria de pulso indicando SpO2: 99%, em VM, com PEEP: 5/ PI: 15/ FAP: 22 e FiO2: 60%. Preparamos a paciente para o transporte e nos dirigimos ao HGRS. Todo o transporte até o HGRS transcorreu sem qualquer intercorrência. Fomos acompanhados por Dona Silvia, mãe de Ana Larissa.
Ao chegar à porta da emergência pediátrica solicitei à enfermeira que me acompanhava, Lidysi, que verificasse na sala da TC se tudo estava preparado para a realização do exame, conforme combinado, para que só assim eu pudesse descer da ambulância com Ana Larissa. Após retornar da bioimagem, Lidysi informou-me que não existia ventilador preparado e que a técnica de radiologia nem mesmo sabia que esse exame seria realizado. Resolvi, então, descer da ambulância com Ana Larissa para realizar o exame, mais uma vez em respeito à sua mãe que chorava e rogava a Deus pela melhora de sua filha e por ela - uma menina de oito anos que até a manhã daquele 23 de agosto de 2010 era apenas uma menina saudável e feliz. Entrei, então, na sala de TC e pedi a técnica de radiologia que fizesse o exame no menor tempo possível.
Informei-lhe que aquela paciente estava regulada, que Dr. Raimundo estava ciente da necessidade da realização do exame e que assim que terminássemos o mesmo eu retornaria à ambulância, conectaria Ana Larissa ao ventilador da UTI móvel da CER e solicitaria aos médicos de plantão que fizessem a solicitação da TC de crânio a fim de que o filme pudesse ser liberado. Após compreensão da técnica de radiologia, vesti uma capa protetora de chumbo e "ambuzei" por cerca de 5 minutos Ana Larissa dentro da sala da bioimagem, durante a realização da TC. Após retornar à ambulância, solicitei a Lidysi que informasse à pediatra de plantão do caso que já estava regulado e que pedisse a ela para ir até a ambulância conversar comigo, visto que eu assistia Ana Larissa e que a mesma encontrava-se em VM, necessitando, pois, de um ventilador e em uso de Adrenalina e Dobutamina em bombas de infusão, as quais não deveriam ficar muito tempo fora das tomadas para não descarregar.
Caso fosse impossível a vinda da mesma à ambulância, que ela fizesse então a solicitação da TC de crânio para que pudéssemos ter acesso ao filme impresso. A médica, Dra. Antonia Aleluia – pediatra de plantão -, resolveu então apenas solicitar a TC de crânio. Lidysi foi então ao setor de bioimagem e recebeu o filme da TC de crânio de Ana Larissa após entregar a solicitação do exame. Ao retornar à ambulância com a TC de crânio identifiquei um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH) extenso, com sinais de sangramento intraventricular. Pedi novamente à enfermeira que mantivesse contato com Dra. Antonia Aleluia e que solicitasse a ela um encaminhamento para avaliação neurocirúrgica, visto que eu havia identificado um AVCH extenso.
Dra. Antonia informou a Lidysi que não faria qualquer solicitação visto que a paciente deveria ter sido regulada com tal pedido. Ora, tínhamos uma paciente com um AVCH extenso dentro do HGRS e ela não seria avaliada por um neurocirurgião porque no seu pedido de regulação não havia essa solicitação? Para quê então precisávamos da TC de crânio, se não para direcionar, os nossos próximos passos? Precisaríamos então prever que Ana Larissa tinha indicação neurocirúrgica para só assim levá-la ao HGRS? Essas foram questões colocadas por mim para a plantonista supracitada a fim de sensibilizá-la para o que estava acontecendo ali, tudo sem qualquer efeito. Direcionei-me então por conta própria à emergência do HGRS, atrás de algum neurologista que desse o direcionamento adequado à Ana Larissa. Encontrei, então, Dra. Miriam Sepúlveda, CREMEB 3784, neurologista de plantão do HGRS. Mostrei a ela a TC de crânio e a mesma informou se tratar de um AVCH.
Disse-me que a paciente precisava de uma vaga em UTI pediátrica e de avaliação neurocirúrgica. Questionei a ela sobre a possibilidade de Ana Larissa ser admitida e ela me informou não ser a responsável por resolver essa questão. Disse-me que mantivesse contato com Dr. Raimundo ou Dra. Paula (coordenadora da emergência pediátrica, segundo ela). Mantive contato com Dr. Jisomar para colocá-lo a par do que ocorria e ele me pediu que aguardasse até que conseguisse falar com Dr. Raimundo. Paralelo ao tempo que aguardava o contato mencionado, procurei por Dr. Raimundo na sala da coordenação médica do HGRS, sem sucesso. Encontrei-o, entretanto, na sala de repouso da equipe médica. Coloquei-o a par de tudo que acontecia e da necessidade de avaliação neurocirúrgica da paciente. O mesmo informou-me que esse não era o acordado com a CER e que eu deveria procurar a plantonista da pediatria para saber se seria possível aceitar Ana Larissa naquela unidade. Lembrei a ele, porque imaginei que ele tivesse esquecido, que aquele era um hospital de referência para avaliação neurocirúrgica. Ainda assim, Dr. Raimundo me disse que fosse à emergência pediátrica resolver com quem estivesse de plantão por lá o que seria feito.
Entrei em contato com Dr. Jisomar que me orientou a de fato permanecer com Ana Larissa no HGRS. Ele me orientou a informar à plantonista que Ana Larissa ficaria no hospital, a procurar um ponto de oxigênio dentro do PA do HGRS e disse-me que se fosse preciso montasse o ventilador da UTI móvel no PA da pediatria do HGRS. Procurei então a pediatra do plantão, Dra. Antonia Aleluia, mas não a encontrei dentro do PA. Consegui apenas falar com Juliana, enfermeira que estava de plantão naquela unidade, e pedi a ela que mantivesse contato com Dra. Antonia informando-a das orientações que eu havia recebido. Juliana me informou que falaria com Dra Antonia e que ela me encontraria na entrada do PA.
Fui então à ambulância retirar Ana Larissa. Descemos com toda monitorização que fazíamos – monitor Dixtal, torpedo de oxigênio, ambu, oxímetro, cardioscópio e manguito de PA não invasiva, bem como com duas bombas de infusão para adrenalina e dobutamina. Encontramos com Dra. Antonia na porta da emergência pediátrica. A partir dali, seguiu-se um show de horrores que foi iniciado por Dra. Antonia e seguido por Dra. Heloísa, uma segunda plantonista com a qual, poucos minutos mais tarde, eu tive a infelicidade de cruzar. Dra. Antonia, se posicionando na porta de entrada da emergência, me disse de maneira ostensiva, e num tom inapropriado para a situação, que não tinha lugar para aquela paciente ali. Disse-me ainda que eu enganava os familiares de Ana Larissa e que ali eles não fariam nada por ela. Disse-me que sairia do plantão e o deixaria sob minha responsabilidade.
Eu a informei que havia sido orientado que Ana Larissa deveria permanecer no HGRS. Após se retirar da porta, fato que impedia minha passagem, entrei no HGRS. Direcionei-me à sala de reanimação, onde existiam dois ventiladores mecânicos que não estavam sendo utilizados, para então instalar Ana Larissa. Nesse momento, fui então surpreendido por Dra. Heloísa Cunha que aos gritos insultou-me. Dizia ela que eu estava acostumado a chegar naquela unidade e deixar os pacientes por lá, mesmo sem que fosse possível recebê-los.
Dizia, ainda, que eu havia sido expulso daquela unidade há alguns dias por um neurocirurgião. Eu retruquei, informando-a que aquilo não era verdade. Lembrei-lhe que na oportunidade à qual ela se referia eu trazia uma paciente, vítima de atropelamento, do Hospital Ernesto Simões Filho. Disse-lhe que a paciente em questão estava regulada para o hospital e que não era meu papel levá-la à sala de TC, muito menos ao Centro Cirúrgico, após a realização da mesma, como eles desejavam. Fiz-lhe lembrar que, ainda reconhecendo naquele dia não ser minha função dar encaminhamento dentro do HGRS à paciente, aceitei fazê-lo em respeito à paciente e aos seus familiares, e nunca em consideração a ela ou ao neurocirurgião ao qual ela se referia. Aos gritos, completamente desequilibrada, a Sra. Heloísa Cunha tentou expulsar-me da unidade. O que se ouvia nos corredores eram gritos de: "saia", "saia", "saia". Naquele momento, muitos dos acompanhantes dos pacientes que estavam naquela unidade correram para assistir o tumulto que se seguiu.
Eu disse a Sra. Heloísa Cunha que aquele comportamento não era adequado a alguém que assumia o papel de plantonista daquela unidade e que só poderia continuar a tratar com ela se a mesma fosse medicada e contida. Disse-lhe que a identificava como uma Sra. em surto psiquiátrico. Ela então se virou para a mãe de um dos pacientes que ocupava aquela sala e lhe disse que eu queria que o filho dela morresse, que eu estava ali trocando a vida do filho dela pela vida de Ana Larissa. Pediu a ela que saísse da maca para que eu colocasse Ana Larissa. Aos gritos dizia: "vou dar uma queixa sua no Cremeb, você vai pro Cremeb". Após o paciente ter saído da maca, ela, ainda em surto, batia na mesma dizendo: "venha, coloque a sua paciente aqui", "venha, eu já tirei o meu "mal epiléptico" da maca pra que você coloque a sua paciente aqui", "venha". Após todo esse escândalo, ela se retirou da sala e pediu às suas colegas que não ficassem ali até que eu deixasse aquela unidade. Os pais de Ana Larissa, Sr. Carlos e Sra. Silvia pediram a ela que tivesse piedade da filha deles e ela aos gritos os expulsou de lá.
Disse a eles que fossem chorar lá fora, que ali não era lugar para que eles ficassem chorando. Sr Carlos se dirigiu a mim então e chorando me disse: "Dr. pelo amor de Deus, não deixe minha filha com ela", "Dr. como minha filha vai ficar aqui com essa "médica"?" Eu disse a ele que jamais sairia dali até que alguém em condições psíquicas assumisse aquele caso. Liguei para Dr. Jisomar e coloquei-o a par do que estava acontecendo, o mesmo ao telefone ainda ouvia os gritos enlouquecidos da Sra. Heloísa Cunha. Solicitei então a Lidysi que trouxesse o ventilador da UTI móvel para que eu o montasse naquela unidade e não os deixasse sem ventilador, a despeito de lá existirem dois ventiladores que não estavam sendo usados. Enquanto eu montava o ventilador e Lidysi "ambuzava" Ana Larissa, a Sra. Heloisa, novamente aos gritos dizia: "nunca mais você vai voltar aqui", "eu tenho quatro plantões noturnos aqui", "não apareça mais aqui", "saia das fraldas", "saia das fraldas". Eu repeti insistentemente que ela estava em surto, e disse a ela que voltaria ao HGRS quantas vezes fosse preciso.
Disse-lhe que havia recebido uma determinação para entrar com Ana Larissa naquela unidade e que a criança precisava de uma avaliação com um neurocirurgião. Ela foi novamente arrastada para outra sala dentro do PA por suas colegas que de certo já conheciam o seu temperamento descontrolado. Nesse momento, Dr. Raimundo já se encontrava no local e negou ter autorizado a regulação de Ana Larissa para aquela unidade, colocando-se ao lado das pediatras. Informei à terceira plantonista da pediatria que apareceu, Dra. Alderiza Jucá, que anotaria o nome das três médicas plantonistas da unidade pediátrica e que faria um documento para solicitar a quem de direito a apuração destes fatos que acima citei. Nesse momento, Dr. Jisomar me ligou informando que Dr. Marcos do Hospital Geral do Estado (HGE) havia aceitado a transferência da paciente para aquele hospital. Informei então à Dra. Alderiza Jucá que Ana Larissa seria encaminhada ao HGE. A Sra. Heloisa Cunha após ouvir o comunicado entrou novamente na sala de reanimação e novamente aos gritos questionava: "posso devolver meu mal epiléptico pra maca?", "posso?", "posso?". Disse a ela que sob minha ótica ela não poderia jamais estar tratando de ninguém naquela condição de desequilíbrio, mas que não cabia a mim proibi-la, ou autorizá-la, a fazer qualquer coisa.
Ela então aos gritos me disse: "vá e não volte", "você está saindo porque está com medo", "você está com medo". Eu disse a ela que não tinha condição de continuar tentando ouvi-la e que estava realmente de saída em benefício de Ana Larissa, já que eu não teria nenhuma condição de deixá-la sob a responsabilidade de alguém que não demonstrava controle emocional como ela. Disse aos pacientes que estavam ali que lamentava que eles estivessem sendo tratados por uma Sra. em surto psiquiátrico. Deixei, então, a unidade de emergência do HGRS em direção ao HGE por volta de 03h. Cheguei ao HGE às 03h15min da madrugada de 24 de agosto de 2010 e fui recebido de maneira bastante cordial por Dra. Ilana Rodrigues, CREMEB 8213, que prontamente pediu avaliação do neurologista.
Informei a ela o quadro da paciente e que Ana Larissa apresentava midríase paralítica bilateral, FC: 148bpm, PA: 79X45 (56 mmHg), SpO2: 99%, em VM, com FiO2: 100%. O neurologista, após examinar a paciente e avaliar a TC de crânio, informou aos pais que abriria o protocolo de morte encefálica para Ana Larissa. Após a notícia todos choraram dentro do PA do HGE. Ao fim, me despedi dos pais de Ana Larissa e fui abraçado pelos dois que me agradeceram por todo empenho durante aquelas mais de quatro horas de transporte. Ao sair do HGE e entrar na ambulância da CER fui novamente abordado pelos familiares de Ana Larissa que novamente nos agradeceram o empenho na resolução daquela história.
Deixamos o HGE por volta das 03h45min e fizemos, eu e Lidysi, o caminho de volta até a CER chorando por termos presenciado, e vivido, tanto sofrimento durante àquelas horas infindáveis. Chorei como há muito não fazia. Chorei destruído com a confirmação do quão frágil é a vida humana. Chorei lamentando que uma menina de oito anos tenha partido de maneira tão repentina. Chorei invadido pelo choro daqueles pais que me abraçaram agradecidos e reconheceram, num momento de perda, o nosso trabalho. Chorei porque encontrei tanta gente, que atende tantas outras gentes, sem estar de fato compromissada com isso. Chorei porque novamente vi um ser humano ser tratado como um problema, um problema cuja paternidade ninguém quis assumir. Chorei porque encontrei a Sra. Heloísa Cunha e toda a sua falta de amor, toda a sua mágoa frente à vida, todo o seu descaso e sua insensibilidade. Chorei porque encontrei abandono, desrespeito e incompreensão. Chorei porque tudo o que já era tão doído se tornou ainda pior tamanha as barbaridades que vi e ouvi. Chorei como nunca. Chorei descrente da profissão que escolhi.
Termino esse desabafo reafirmando que não acredito em mudanças reais. Os protagonistas desse drama continuarão por lá, pelos corredores do HGRS, pelos corredores de tantos outros hospitais públicos. Eles continuarão humilhando os mais necessitados - os fragilizados pela falta de saúde e de saída -, continuarão tentando intimidar os mais esclarecidos que se opõem às suas arbitrariedades. Esse desabafo existe, entretanto, para registrar a minha indignação frente a tudo isso. Seja você que me lê um instrumento de Deus por aqui. Coloque-se no lugar daquela família que perdeu uma filha e que presenciou tanto abandono. Sinta-se tocado por aquela dor e repense suas atitudes frente à vida, frente aos vivos. Tente fazer diferente. E, sobretudo, ame quem quer que seja e tenha a sorte de ser amado como eu sou. Só assim, experimentando a libertação, a salvação que é ser amado, você possa, então, ser amor nesse mundo.
Vinícius Viana Bandeira Moraes – CRM/BA: 18.761
Médico Intervencionista da Central Estadual de Regulação
UM BLOG CRIADO PARA INTERAGIR COM AS PESSOAS QUE GOSTAM DE LER, DISCUTIR, OPINAR. - JORNALISMO - CULTURA - LITERATURA - CENÁRIOS NATURAIS - CURIOSIDADES...
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quarta-feira, outubro 06, 2010
sábado, outubro 02, 2010
02 OUTUBRO - DEBATE POSITIVO
02/10/10 - DEBATE POSITIVO
EDITORIAL:
Em entrevista a VEJA, Eliana Calmon mostra o porquê de sua fama. Ela diz que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua são os patrocinadores das indicações dos ministros.
Por que nos últimos anos pipocaram tantas denúncias de corrupção no Judiciário?
Durante anos, ninguém tomou conta dos juizes, pouco se fiscalizou, corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juizes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.
A senhora quer dizer que a ascensão funcional na magistratura depende desss troca de favores?
O ideal é que as promoções acontecessem por mérito. Hoje é a política que define o preenchimento de vagas nos tribunais superiores, por exemplo. Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário.
Esse problema atinge também os tribunais superiores, onde as nomeações são feitas pelo presidente da República?
Estamos falando de outra questão muito séria. É como o braço político se infiltra no Poder Judiciário. Recentemente, para atender a um pedido político, o STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal.
A tese que a senhora critica foi usada pelo ministro César Asfor Rocha para trancar a Operação Castelo de Areia, que investigou pagamentos da empreiteira Camargo Corrêa a vários políticos.
É uma tese equivocada, que serve muito bem a interesses políticos. O STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal. De fato, uma simples carta apócrifa não deve ser considerada. Mas, se a Polícia Federal recebe a denúncia, investiga e vê que é verdadeira, e a investigação chega ao tribunal com todas as provas, você vai desconsiderar? Tem cabimento isso? Não tem. A denúncia anônima só vale quando o denunciado é um traficante? Há uma mistura e uma intimidade indecente com o poder.
Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?
Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.
Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?
Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.
Mas a senhora, como todos os demais ministros, chegou ao STJ por meio desse mecanismo.
Certa vez me perguntaram se eu tinha padrinhos políticos. Eu disse: "Claro, se não tivesse, não estaria aqui". Eu sou fruto de um sistema. Para entrar num tribunal como o STJ, seu nome tem de primeiro passar pelo crivo dos ministros, depois do presidente da República e ainda do Senado. O ministro escolhido sai devendo a todo mundo.
No caso da senhora, alguém já tentou cobrar a fatura depois?
Nunca. Eles têm medo desse meu jeito. Eu não sou a única rebelde nesse sistema, mas sou uma rebelde que fala. Colegas que, quando chegam para montar o gabinete, não têm o direito de escolher um assessor sequer, porque já está tudo preenchido por indicacão política.
Há um assunto tabu na Justiça que é a atuação de advogados que também são filhos ou parentes de ministros. Como a senhora observa essa prática?
Infelizmente, é uma realidade, que inclusive já denunciei no STJ. Mas a gente sabe que continua e não tem regra para coibir. É um problema muitio sério. Eles vendem a imagem dos ministros. Dizem que têm trânsito na corte e exibem isso a seus clientes.
E como resolver esse problema?
Não há lei que resolva isso. É falta de caráter. Esses filhos de ministros tinham de ter estofo moral para saber disso. Normalmente, eles nem sequer fazem uma sustentação oral no tribunal. De modo geral, eles não botam procuração nos autos, não escrevem. Na hora do julgamento, aparecem para entregar memoriais que eles nem sequer escreveram. Quase sempre é só lobby.
Como corregedora, o que a senhora pretende fazer?
Nós, magistrados, temos tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a "juizite".
ANIVERSARIANTES DO DIA:
-05/10 – D. CACILDA PACHECO
-05/10 – NÚBIA (FILHA)
-06/10 – D. EROTILDES LINS CÔRTE (97 ANOS)
HAHASIAH
O Anjo HAHASIAH ajuda a elevar a alma a Deus, contemplar as coisas divinas e descobrir todos os mistérios através da consciência e inteligência.
"Quem nasce sob a influência do anjo HAHASIAH amará todas as ciências e sentirá um interesse especial em conhecer as propriedades e atributos dos animais, vegetais e minerais. Será puro, criativo, conduzindo sua vida com harmonia, através da enorme luz de proteção que há em seu coração. Estudioso, aprenderá os caminhos utilizando-se da sua aguçada intuição, entendendo a ordem divina nas estruturas humanas. Trabalha para encontrar a paz entre as pessoas. Sabe que quando está passando por uma dificuldade, isto nada mais é que um meio para ter acesso à divindade interna e externa. Tem gostos simples; amante da natureza, está sempre atento aos pequenos detalhes como: romantismo, pintura, música, perfumes. O fascínio de seu lado poético flui de modo simples.
Profissionalmente poderá distinguir-se na medicina, nas pesquisas e inventos maravilhosos para o benefício da sociedade. Terá aptidão para as ciências abstratas e para qualquer atividade relativa às ciências biológicas.
Categoria: Principados Príncipe: Haniel Protege os dias: 09/05 - 21/07 - 02/10 - 14/12 - 25/02 Número de sorte: 10 Mês de mudança: outubro Carta do tarô: A roda da fortuna Estará presente na Terra: de 16:40 às 17:00
Salmo 103
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios. É ele quem perdoa todas as tuas iniqüidades, quem sara todas as tuas enfermidades, quem redime a tua vida da cova, quem te coroa de benignidade e de misericórdia, quem te supre de todo o bem, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. O Senhor executa atos de justiça, e juízo a favor de todos os oprimidos. Fez notórios os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel. Compassivo e misericordioso é o Senhor; tardio em irar-se e grande em benignidade. Não repreenderá perpetuamente, nem para sempre conservará a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua benignidade para com os que o temem. Quanto o oriente está longe do ocidente, tanto tem ele afastado de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó. Quanto ao homem, os seus dias são como a erva; como a flor do campo, assim ele floresce. Pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não a conhece mais.
Mas é de eternidade a eternidade a benignidade do Senhor sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos, sobre aqueles que guardam o seu pacto, e sobre os que se lembram dos seus preceitos para os cumprirem. O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo. Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra! Bendizei ao Senhor, vós todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais a sua vontade! Bendizei ao Senhor, vós todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio! Bendizei, ó minha alma ao Senhor!
X
-Qual o futuro das unidades policiais especializadas no Amapá?
-Quais os planos para a interiorização dessas unidades especializadas?
-Com que metodologia se combaterá a corrupção na administração publica?
-Fala-se em saneamento básico com tanta ênfase que até á para acreditar que “dessa vez” vai. Vão livrar a cara do Rio Amazonas como?
-Com muito atraso fala-se em asfaltamento de estradas estaduais e municipais de ligação direta com as sedes municipais. Tem realmente prioridade nisso?
-Quais procedimentos serão realmente tomados para que as unidades hospitalares e de pronto atendimento tenham padrão das instituições privadas?
-Haverá redução de impostos que beneficiem diretamente o consumidor?
-Seis entre dez desempregados no Amapá tem entre 16 e 25 anos. O que fazer para ampliar a oferta de empregos nessa faixa etária?
-Ao final do mandato a família classe média terá nas escolas públicas a melhor opção para os filhos?
-Quais projetos vão incrementar realmente o turismo no Amapá?
-O que fazer para incluir o Amapá na agenda esportiva e cultural nacional, via circuitos BB. Sesc, etc.
-Qual o projeto numero um para atender a terceira idade?
-O Teatro das Bacabeiras tem a assinatura do governo Annibal Barcelos (inicio do estado).
Quais as prioridades nesse sentido?
-Alto custo de remédios x farmácias populares: teremos isso?
-Algum plano especifico para combate às drogas?
-Qual a proposta para integrar os agricultores dos assentamentos agrários ao projeto agrícola do estado., inclusive feiras municipais nas cidades?
O título de eleitor foi criado em 1875 (Decreto nº 2675), e dele constavam nome, idade, estado civil, profissão, renda, domicílio e se o eleitor era alfabetizado ou não.
Um canhoto era destacado e ficava com a junta de alistamento. Em 1881, A Lei Saraiva promoveu uma ampla reforma eleitoral e, entre outras alterações, determinou o realistamento eleitoral e instituiu o título de eleitor obrigatório.
O título eleitoral permaneceu sem alterações até 1932, quando passou a contar com o retrato do eleitor. Em 1956, com a entrada em vigor da Lei nº 2.084, de 12.11.53, o retrato no título passou a ser obrigatório.
Cada alteração no título obrigava a novo alistamento eleitoral. O de 1956, por exemplo, diminuiu drasticamente o número de eleitores “fantasmas” (mortos, crianças, eleitores cadastrados em mais de um município), resultando numa diminuição do eleitorado da ordem de 8,7% – em 1954 eram 15.104.604 eleitores e em 1958, 13.780.244.
Para as eleições de 1986, que escolheram os membros da Assembléia Nacional Constituinte de 87-88, a Justiça Eleitoral determinou novo alistamento; a informatização de seus serviços aumentou os instrumentos de controle e eliminou a necessidade de retrato no título de eleitor.
De lá para cá, não houve mais recadastramento nacional, mas apenas recadastramentos locais e periódicos, em municípios onde foi detectada alguma irregularidade.
ABRAÇOS:
-PESSOAS DA PERIGRINAÇÃO DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ
-LUIZ MELO
-GEOVANI E REGINALDO
-PROF. NILSON
COMENTÁRIOS:
-BURACO NA MAROLA GATO E OUTRAS.
-FISCALIZAÇÃO ELEITORAL
-FORÇAS PLICIAIS PARA AS ELEIÇÕES (TEM MUITOS DA PM CONCORRENDO)
-O AÇAÍ EM VLTA GRANDE
-MEU ARTIGO NO D.A
-NOTICIAS DE JORNAL
-CASO DOS 3,7% DA DANF - E A RECEITA FEDERAL?
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Publicado por: bonfa | 27/02/2010
PARECE QUE FOI ONTEM
No dia 19 de novembro de 1995, um domingo ensolarado, o jornal “Diário do Amapá”, publicou a entrevista que hoje trazemos ao Blog, com absoluta exclusividade. Foi há 15 anos. Porém, os temas, parecem atuais no tempo e no espaço. O nome da coluna era “Gente Daqui”.
“É fácil vê-lo andando, solene e compenetrado, pelas ruas de Macapá. Às vezes, no braço, pende um clássico garda-chuva e um tradicional monte de livros e cadernos. Antonio Munhoz Lopes, ex-seminarista, pesquisador, professor de Literatura, Português, Latim e História da Arte. Advogado por formação, globe-trotter, descende de espanhóis e elegeu o Pará e o Amapá, como terras de sua predileção. Quem não conhece o professor Munhoz? Este refinadíssimo intelectual, escritor de quilate quase inigualável, ostenta o currículo e as glórias de ter contribuído, ao longo de décadas, à formação humanística de várias gerações de amapaenses. Um orgulho da cidade. Um ser humano que vale a pena conhecer de perto.”
(Entrevista e Texto: Bonfim Salgado)
ANTONIO MUNHOZ LOPES
Filiação: José Ayres Lopes e Izabel Munhoz Lopes (falecidos)
Comida: Pato no tucupi e maniçoba.
Perfume: Não tem um favorito.
Música: Erudita.
Profissão: Professor Secundário e Universitário.
Amigos: Uma porção, no mundo inteiro.
Amizade: A melhor coisa do mundo.
Flor: Todas elas, dependendo de quem olha, são bonitas.
Melhor hora: Ao nascer do sol. As coisas parecem mais sagradas.
Religião: Católica Apostólica Romana.
Bonfim Salgado – Munhoz, é difícil, terrivelmente difícil, entrevistar amigos. Comecemos por Macapá. Há quanto tempo você está aqui?
Antonio Munhoz – Em outubro passado, fez exatamente trinta e seis anos que por aqui cheguei. Vim com meus 27 anos. Portanto, sou hoje mais amapaense que paraense. Estou com 63 anos bem vividos, no ápice de todas as minhas potencialidades.
BS – Consta que você nasceu numa quarta-feira de Cinzas, é verdade?
AM – Sim, é verdade. E como já disse à Lana, jornalista paraense, não sou triste, por isso. Ao contrário, sou bem alegre, comunicativo, e adoro a vida com tudo o que ela tem de bom. A vida para mim, até hoje, tem sido uma constante novidade.
BS – Voce nasceu mesmo em Belém?
AM – Sim, sou paraense legítimo, paraense da gema. Gosto de farinha e de pato no tucupi, assim como de maniçoba, casquinha de muçuã, de bacuri, açaí e cupuaçu. Aliás, quanto mais eu viajo, mais eu gosto de Macapá e de Belém. Sinto-me, por assim dizer, preso às raízes.
BS – Como foi essa história do seminário?
AM – Vivi muitos anos – a minha adolescência toda – em dois seminários, em Belém (Pará), e São Luís (Maranhão). De ambos, guardo inesquecíveis recordações. Foram alguns dos melhores anos de minha vida. O seminário me marcou profundamente. No meu lado bom, ainda sou seminarista.
BS – E no lado mau?
AM – Também! (risada).
BS – Pois bem. Então, por que você não chegou a ser padre?
AM – Porque não fui escolhido. “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos”, não é assim? Deus, também tem os seus prediletos. Ele sabe a quem escolher, a quem deve marcar com o seu sinete. Deus sabe o que quer e a quem quer.
BS – Qual é a sua definição de um padre?
AM – Um homem que deve viver no mundo, entrosado no mundo, sentindo e tentando resolver os problemas do mundo, sem ser, todavia, do mundo.
BS – O cônego Ápio Campos, respeitado escritor e intelectual paraense, uma vez, descreveu o Munhoz delegado de polícia. Como é essa história?
AM – Ele fez lirismo, poesia à meu respeito. Disse ele que eu andava prendendo muita gente e dava à polícia local “um clima de cenáculo literário”. Dizia, ainda, que meu escrivão era quase um poeta, meus auxiliares aproveitavam as folgas para ler contos e romances e que “os próprios encarcerados eram obrigados a ler, em obediência à portaria baixada, várias páginas de antologia por semana.”
BS – Cadeia literária, heim?
AM – Cadeia, não, biblioteca. (risos).
BS – Há quanto tempo você é membro do Conselho Estadual de Cultura?
AM – Há onde anos. Sou decano. Pena é que o Conselho, no momento, esteja perdendo as suas características de Conselho de Cultura, tornando-se uma espécie de associação de amigos da arte e da literatura. Um clube de amigos. O Conselho está enveredando por um caminho errado.
BS – Diga-nos dois grandes prazeres de sua vida?
AM – Há outros, muitos outros, mas dois dos mais importantes são , sem dúvida alguma, ler. Nunca passei um dia sem ler. E viajar. Viajar, não como mero passatempo. Mas como um enriquecimento cultural.
BS – Quais as cidades do mundo, no seu ponto de vista, mais bonitas?
AM – Em primeiro, não posso deixar de citar Paris, que é sempre uma surpresa. Depois, Praga, simplesmente deslumbrante. Veneza, Florença, São Petersburgo, Buenos Aires, Toledo. O nosso Rio de Janeiro, é uma cidade que só há pouco conheci. Há outra cidade que me fascinou muito, Bruges, na Bélgica. Há outras que, no momento, eu não lembro.
BS – Você escreveu coisas belíssimas sobre a Mazagão da África?
AM – Sim, até mesmo para chamar a atenção dos amapaenses, para essas raízes históricas. Estive três vezes na Mazagão africana. Tenho um fascínio pelo Marrocos, onde já estive quatro vezes. Destaco, nesse país, as cidades imperiais, principalmente, Fez, a mais antiga, berço de milenária monarquia e centro cultural e religioso do Marrocos.
BS – O que é viver em Macapá?
AM – É viver ainda com uma certa tranqüilidade, apesar da violência que domina a cidade. Veja: no último assalto à minha casa, levaram todas as garrafas de uísque escocês, os vinhos do Porto, os CDs. De música erudita e uma sacola cheia de perfume francês, presentes de amigos.
BS – Ladrãozinho refinado e de bom-gosto, não é mesmo?
AM – Concordo. Eu trabalho de manhã, de tarde, de noite. A minha vida se resume apenas no trabalho. Por isso, em julho, ninguém me agarra. Minhas férias são sagradas. Como não sou de ferro, aproveito para conhecer o mundo.
BS – E o nível intelectual da juventude amapaense, como está?
AM – Parece incrível, mas intelectualmente falando, está involuindo. De início, a juventude não gosta de ler. Não tem o mínimo interesse pelas coisas do espírito. Em sala de aula, a dissipação é completa. Disciplina, para os jovens, é coisa do passado. É uma lástima. E na balbúrdia, ninguém evolui. Há dias, numa sala do terceiro ano Colegial, quase fui agredido, quando disse que as letras das composições dos “Mamonas Assassinas” eram puro lixo. Como disse Celso Manson, da revista Veja, “Mescla de grosseria e cretinice.” Infelizmente, o mau-gosto domina o mundo.
BS – E na política? Você já foi candidato alguma vez?
AM – Por que, para quê? Como os valores já não são os mesmos do passado, os políticos de hoje, na sua maioria, não pensam mais em trabalhar pelo povo, mas apenas em beneficiar-se, olhando para o seu bolso, para a sua conta bancária. Político, na sua verdadeira acepção, hoje, é como agulha em palheiro. Encontrar um de verdade é dificílimo.
BS – E o Brasil, tem jeito?
AM – Tem jeito, sim. É só os homens públicos criarem vergonha na cara e se conscientizarem da importância do papel que devem desempenhar, para o progresso da Nação. Na verdade, eles não pensam na gente, isto é, no povo. Só pensam em si, naquilo que é bom para eles. A Nação que se lixe.
BS – E o famoso livro – não escrito – que você nos deve?
AM – De fato, você tem razão. Ainda há pouco, em Belém, o amigo Acyr Castro, jornalista, me cobrava ao menos um livro sobre minhas viagens. Mas, tempo que é bom e necessário, para escrever, eu não tenho, francamente. Vamos esperar um pouco. Vou criar coragem de deixar as aulas. Aí, sim, o tempo vai ser todo meu. Escrever, exige tempo e, com o tempo, conquista-se o mundo.
BS – O que você ainda deseja da vida?
AM – Saúde, paz de espírito, dinheiro, disposição para viajar e lucidez, para viver ainda muitos anos. Tenho a sensação de que só agora é que estou começando a viver. Viver é um dom de Deus.
“ Eis o homem. Aquele que cita os museus, catedrais históricas, pintores renascentistas e autores clássicos, numa simples conversa de meia hora. O professor Munhoz, homem do mundo, cabeça arejadíssima e atenta, olha no relógio. Levanta-se, agradece educadamente, fala com todo mundo à sua volta e sai. Está ligeiramente atrasado para uma aula de Literatura, no Colégio Amapaense.”
Aqui, eu faria uma simples pergunta: Esse texto, publicado há 15 anos, serve ou não para os dias e acontecimentos atuais do Amapá e do Brasil?
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na noite desta sexta-feira (1) divulgar os votos recebidos pelos candidatos barrados pela Justiça. A publicidade acontecerá de forma separada do resultado oficial da eleição. Entre os candidatos com registro indeferido estão alguns considerados “ficha suja”. Ao todo, o TSE já recebeu 1,9 mil recursos de candidaturas impugnadas.
A proposta de divulgar os votos de candidatos que tiveram o registro indeferido foi levada ao plenário pelo presidente Ricardo Lewandowski. O pedido para que se divulgasse os votos partiu do PP. O presidente do TSE conversou com a área técnica do tribunal e sugeriu a divulgação dos votos no site do tribunal após a totalização oficial dos votos.
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Os votos dos candidatos barrados serão divulgados de forma separada, sem que se misture estes votos com os dos outros que disputam a eleição. Estes votos também não serão computados na hora de se proclamar o resultado das urnas. Se posteriormente o candidato obtiver na justiça uma decisão que libere seu registro, os votos serão incluídos dentro da totalização oficial.
O ministro Marco Aurélio Mello foi o único que questionou a regra. Ele entende que os votos deveriam ser divulgados juntos. Alertado que a área técnica disse não mais ser possível fazer mudança nos sistemas, ele acompanhou a decisão da divulgação em separado.
Até as últimas eleições, os votos em candidatos nessa situação iam para a legenda, ou seja, eram contabilizados na hora de calcular quantas vagas cada partido teria no Congresso, por exemplo. Uma mudança na legislação, porém, determinou que esses votos sejam considerados nulos.
O ministro Marco Aurélio, porém, já adiantou que pretende questionar essa mudança. Ele sugeriu que a alteração não teria força para “derrubar” o código eleitoral neste aspecto. Marco Aurélio disse que pretende ainda discutir este tema em plenário em outra ocasião.
CONFIRA POLÍTICOS QUESTIONADOS NA LEI DA FICHA LIMPA
POLÍTICO CARGO QUE DISPUTA SITUAÇÃO JUSTIFICATIVA DO CANDIDATO
Anthony Garotinho (PR-RJ),
ex-governador do Rio de Janeiro Deputado federal Foi condenado na Justiça Eleitoral a inelegibilidade de três anos por abuso de poder econômico. Conseguiu liminar que suspende a condenação até decisão final. Se a liminar cair, pela Lei da Ficha Limpa, ele não pode ser candidato. Mesmo assim, o MP pediu impugnação da candidatura; o TRE deferiu a candidatura porque, caso a liminar caia, ele se torna inelegível. O ex-governador afirma que tem consciência de que, caso caia a liminar, ele se tornará inelegível. Ainda não há data definida para o julgamento do mérito da ação.
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), ex-governador Senador Perdeu o mandato de governador após ser condenado por abuso de poder econômico. TRE indeferiu o pedido com base na Ficha Limpa. Ele recorreu ao TSE e ainda aguarda julgamento. A defesa do ex-governador alega que a lei não poderia vigorar nesta eleição porque mudanças no processo eleitoral só podem entrar em vigor um ano antes da eleição. A lei foi sancionada em julho.
Cleber Verde (PRB-MA), deputado federal Deputado federal Ministério Público Eleitoral pediu impugnação da candidatura porque ele foi demitido do INSS sob suspeita de concessão irregular de benefícios. A demissão no serviço público é uma das hipóteses para inelegibilidade na Ficha Limpa. TRE deferiu candidatura por entender que a lei não poderia retroagir para punir os candidatos, mas MP recorreu. O deputado argumenta que tenta sua reintegração ao INSS desde 2004, mas que o processo está parado. Ele também defende que a lei não deve retroagir.
Expedito Júnior (PR-RO), ex-senador Governador TRE indeferiu o registro de candidatura porque o senador foi condenado por abuso de poder econômico em 2009 com pena de inelegibilidade de três anos. Acusado de compra de voto, perdeu o mandato de senador. Aguarda respota de recurso no TSE. A defesa alega que a lei não poderia ter retroagido porque antes, a pena seria de três anos e teria sido cumprida em outubro de 2009. O advogado alega que o MP pediu o agravamento da pena para mais cinco anos, totalizando oito anos, o que impediria a candidatura nestas eleições.
Heráclito Fortes (DEM-PI), senador Senador Foi condenado pelo TJ-PI por usar publicidade institucional para promoção pessoal quando era prefeito de Teresina, entre 1989 e 1993. Por isso, não poderia ser candidato com base na Ficha Limpa. No entanto, o STF concedeu recurso suspensivo contra a decisão. Mesmo assim, o MP pediu impugnação, negada pelo TRE do Piauí. O MP recorreu.
O senador entende que o caso dele não é atingido pela Lei da Ficha Limpa e afirmou que está tranquilo em relação à sua candidatura.
Ivo Cassol (PP-RO), ex-governador Senador Foi condenado por abuso de poder econômico e político por compra de votos na eleição de 2006. O TSE, porém, suspendeu a condenação. MP pediu impugnação com base na Ficha Limpa e o TRE indeferiu o registro da candidatura. O TSE liberou e entendeu que a condenação está suspensa. O ex-governador alega inocência da acusação e tenta reverter a condenação.
Jackson Barreto (PMDB-SE), deputado federal Vice-governador MP pediu impugnação por ter tido suas contas rejeitadas quando prefeito de Aracaju pelo Tribunal de Contas do Estado. TRE autorizou a candidatura, mas o MP recorreu. A defesa alega que o caso em questão ainda tramita na corte de contas, sem que haja julgamento definitivo. Além disso, diz ainda que na última eleição essa informação foi levantada e que, na ocasião, ele ingressou com uma ação judicial para extinguir o processo. Diz também que cabe à Câmara de Vereadores analisar as contas da Prefeitura e que as mesmas foram aprovadas pela Câmara.
Jackson Lago (PDT-MA), ex-governador Governador MP pediu impugnação por conta de condenação por órgão colegiado em processo de abuso do poder econômico. O TRE deferiu o registro de candidatura e entendeu que a lei não pode retroagir. O MP recorreu. A defesa afirma que não foi declarada inelegibilidade de Lago e que ele apenas teve o registro cassado. Afirmou ainda que devem ser verificadas questões de anualidade, retroatividade e incidência nesta eleição.
Jader Barbalho (PMDB-PA), deputado federal Senador MP pediu impugnação em razão de ele ter renunciado em 2001 para evitar possível cassação (estaria inelegível até 2011). O TRE do estado, no entanto, deferiu o registro. O MP recorreu e o TSE reverteu a autorização, rejeitando a candidatura com base na Ficha Limpa. Barbalho recorreu ao próprio TSE, que confirmou a decisão, mas ainda pode ir ao STF. A defesa afirmou que a lei não poderia retroagir e alegou atipicidade da renúncia.
Janete Capiberibe (PSB-AP), deputada federal Deputado federal MP pediu impugnação por conta de condenação em processo de compra de votos em 2002. O TRE do Amapá considerou improcedente a impugnação, mas o MP recorreu e o TSE indeferiu o registro da candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. Ela recorreu ao TSE.
Defesa questionou a retroatividade da lei. Afirmou que a lei ofendia os princípios constitucionais da segurança jurídica.
João Capiberibe (PSB-AP), ex-senador Senador MP pediu impugnação por conta de condenação em processo de compra de votos em 2002. Por conta da condenação, ele perdeu o cargo de senador. TRE decidiu autorizar a candidatura, mas MP recorreu. Afirmou que foi condenado a perda de mandato por questão política e que não está inelegível. Disse que foi cassado em 2004 por ter supostamente comprado dois votos por R$ 26 e pagos em duas parcelas.
Maria de Lourdes Abadia (PSDB-DF), ex-governadora Senado MP pediu impugnação porque ela foi condenada por compra de votos na eleição de 2006, quando tentava a reeleição para o governo do Distrito Federal. O TRE deferiu a candidatura, mas o MP recorreu. O TSE decidiu rejeitar a candidatura com base na Ficha Limpa. Ela recorreu ao próprio TSE.
A defesa alegou que ela não foi cassada, apenas recebeu multa, o que não levaria à inelegibilidade. Também questionou a retroatividade.
Paulo Maluf (PP-SP), deputado federal Deputado federal O TRE rejeitou a candidatura por entender que ele estaria barrado pela Lei Ficha Limpa, uma vez que foi condenado foi condenado por improbidade administrativa, em 26 de abril de 2010, pela 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Ele recorreu ao TSE. A defesa de Maluf alega que, como o deputado recorreu da condenação ao próprio tribunal com um recurso especial, a condenação foi suspensa. O recurso ainda não foi analisado.
Paulo Rocha (PT-PA), deputado federal Senador O TSE indeferiu a candidatura de Paulo Rocha, que recorreu ao Supremo. O MP pediu indeferimento do registro porque ele renunciou ao cargo de deputado federal em outubro de 2005, após representação referente ao escândalo do mensalão. Depois disso, Rocha foi eleito em 2006 novamente. O TRE havia concedido registro, mas o TSE aceitou o recurso do MP. Ele recorreu ao próprio TSE.
A defesa alega que a lei não poderia ter retroagido. O deputado nega que tenha havido esquema irregular em 2005.
Pedro Henry (PP-MT), deputado federal Deputado federal O MP pediu indeferimento do registro de candidatura porque o deputado foi condenado por compra de votos na eleição de 2006. Ele também é um dos réus no processo do mensalão que corre no STF. O TRE rejeitou a candidatura e o caso está no TSE. A defesa do parlamentar afirma que Henry teria uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que suspende os efeitos de inelegibilidade em relação a esta condenação de 2007. Essa decisão, diz o advogado, teria sido ignorada.
Ronaldo Lessa (PDT-AL), ex-governador Governador MP pediu indeferimento por conta de condenação em decisão colegiada, por abuso de poder econômico e político. O TRE rejeitou a candidatura e ele recorreu ao TSE. O caso começou a ser analisado, mas foi interrompido por pedido de vista. O ex-governador afirma que, em 2004, foi condenado a três anos de inelegibilidade e que completou o cumprimento da pena em 2007. Para ele, a lei não pode retroagir porque ele já cumpriu o prazo previsto de inelegibilidade.
Roseana Sarney (PMDB-MA), governadora Governador Aderson Lago, candidato do PSDB pediu a rejeição da candidatura com base na lei da Ficha Limpa. O MP, em seu parecer, concorda que Roseana foi condenada pela prática de desvirtuamento de publicidade institucional. O TRE havia concedido o registro, mas Anderson Lago recorreu. O TSE ainda não analisou o processo. A defesa da governadora alega que não há condenação contra ela.
Wellington Dias (PT-PI), ex-governador Senador Ministério Público Eleitoral pediu indeferimento do registro por conta de cassação de diploma por decisão transitada em julgado na Justiça Eleitoral. TRE do Piauí autorizou candidatura, mas o MP recorreu. A defesa afirma que Dias não se enquadra na Lei da Ficha Limpa. Ele argumenta que a legislação veta a candidatura de políticos cassados e que o ex-governador foi apenas multado.
EDITORIAL:
Em entrevista a VEJA, Eliana Calmon mostra o porquê de sua fama. Ela diz que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua são os patrocinadores das indicações dos ministros.
Por que nos últimos anos pipocaram tantas denúncias de corrupção no Judiciário?
Durante anos, ninguém tomou conta dos juizes, pouco se fiscalizou, corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juizes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.
A senhora quer dizer que a ascensão funcional na magistratura depende desss troca de favores?
O ideal é que as promoções acontecessem por mérito. Hoje é a política que define o preenchimento de vagas nos tribunais superiores, por exemplo. Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário.
Esse problema atinge também os tribunais superiores, onde as nomeações são feitas pelo presidente da República?
Estamos falando de outra questão muito séria. É como o braço político se infiltra no Poder Judiciário. Recentemente, para atender a um pedido político, o STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal.
A tese que a senhora critica foi usada pelo ministro César Asfor Rocha para trancar a Operação Castelo de Areia, que investigou pagamentos da empreiteira Camargo Corrêa a vários políticos.
É uma tese equivocada, que serve muito bem a interesses políticos. O STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal. De fato, uma simples carta apócrifa não deve ser considerada. Mas, se a Polícia Federal recebe a denúncia, investiga e vê que é verdadeira, e a investigação chega ao tribunal com todas as provas, você vai desconsiderar? Tem cabimento isso? Não tem. A denúncia anônima só vale quando o denunciado é um traficante? Há uma mistura e uma intimidade indecente com o poder.
Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?
Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.
Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?
Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.
Mas a senhora, como todos os demais ministros, chegou ao STJ por meio desse mecanismo.
Certa vez me perguntaram se eu tinha padrinhos políticos. Eu disse: "Claro, se não tivesse, não estaria aqui". Eu sou fruto de um sistema. Para entrar num tribunal como o STJ, seu nome tem de primeiro passar pelo crivo dos ministros, depois do presidente da República e ainda do Senado. O ministro escolhido sai devendo a todo mundo.
No caso da senhora, alguém já tentou cobrar a fatura depois?
Nunca. Eles têm medo desse meu jeito. Eu não sou a única rebelde nesse sistema, mas sou uma rebelde que fala. Colegas que, quando chegam para montar o gabinete, não têm o direito de escolher um assessor sequer, porque já está tudo preenchido por indicacão política.
Há um assunto tabu na Justiça que é a atuação de advogados que também são filhos ou parentes de ministros. Como a senhora observa essa prática?
Infelizmente, é uma realidade, que inclusive já denunciei no STJ. Mas a gente sabe que continua e não tem regra para coibir. É um problema muitio sério. Eles vendem a imagem dos ministros. Dizem que têm trânsito na corte e exibem isso a seus clientes.
E como resolver esse problema?
Não há lei que resolva isso. É falta de caráter. Esses filhos de ministros tinham de ter estofo moral para saber disso. Normalmente, eles nem sequer fazem uma sustentação oral no tribunal. De modo geral, eles não botam procuração nos autos, não escrevem. Na hora do julgamento, aparecem para entregar memoriais que eles nem sequer escreveram. Quase sempre é só lobby.
Como corregedora, o que a senhora pretende fazer?
Nós, magistrados, temos tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a "juizite".
ANIVERSARIANTES DO DIA:
-05/10 – D. CACILDA PACHECO
-05/10 – NÚBIA (FILHA)
-06/10 – D. EROTILDES LINS CÔRTE (97 ANOS)
HAHASIAH
O Anjo HAHASIAH ajuda a elevar a alma a Deus, contemplar as coisas divinas e descobrir todos os mistérios através da consciência e inteligência.
"Quem nasce sob a influência do anjo HAHASIAH amará todas as ciências e sentirá um interesse especial em conhecer as propriedades e atributos dos animais, vegetais e minerais. Será puro, criativo, conduzindo sua vida com harmonia, através da enorme luz de proteção que há em seu coração. Estudioso, aprenderá os caminhos utilizando-se da sua aguçada intuição, entendendo a ordem divina nas estruturas humanas. Trabalha para encontrar a paz entre as pessoas. Sabe que quando está passando por uma dificuldade, isto nada mais é que um meio para ter acesso à divindade interna e externa. Tem gostos simples; amante da natureza, está sempre atento aos pequenos detalhes como: romantismo, pintura, música, perfumes. O fascínio de seu lado poético flui de modo simples.
Profissionalmente poderá distinguir-se na medicina, nas pesquisas e inventos maravilhosos para o benefício da sociedade. Terá aptidão para as ciências abstratas e para qualquer atividade relativa às ciências biológicas.
Categoria: Principados Príncipe: Haniel Protege os dias: 09/05 - 21/07 - 02/10 - 14/12 - 25/02 Número de sorte: 10 Mês de mudança: outubro Carta do tarô: A roda da fortuna Estará presente na Terra: de 16:40 às 17:00
Salmo 103
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios. É ele quem perdoa todas as tuas iniqüidades, quem sara todas as tuas enfermidades, quem redime a tua vida da cova, quem te coroa de benignidade e de misericórdia, quem te supre de todo o bem, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. O Senhor executa atos de justiça, e juízo a favor de todos os oprimidos. Fez notórios os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel. Compassivo e misericordioso é o Senhor; tardio em irar-se e grande em benignidade. Não repreenderá perpetuamente, nem para sempre conservará a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua benignidade para com os que o temem. Quanto o oriente está longe do ocidente, tanto tem ele afastado de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó. Quanto ao homem, os seus dias são como a erva; como a flor do campo, assim ele floresce. Pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não a conhece mais.
Mas é de eternidade a eternidade a benignidade do Senhor sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos, sobre aqueles que guardam o seu pacto, e sobre os que se lembram dos seus preceitos para os cumprirem. O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo. Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra! Bendizei ao Senhor, vós todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais a sua vontade! Bendizei ao Senhor, vós todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio! Bendizei, ó minha alma ao Senhor!
X
-Qual o futuro das unidades policiais especializadas no Amapá?
-Quais os planos para a interiorização dessas unidades especializadas?
-Com que metodologia se combaterá a corrupção na administração publica?
-Fala-se em saneamento básico com tanta ênfase que até á para acreditar que “dessa vez” vai. Vão livrar a cara do Rio Amazonas como?
-Com muito atraso fala-se em asfaltamento de estradas estaduais e municipais de ligação direta com as sedes municipais. Tem realmente prioridade nisso?
-Quais procedimentos serão realmente tomados para que as unidades hospitalares e de pronto atendimento tenham padrão das instituições privadas?
-Haverá redução de impostos que beneficiem diretamente o consumidor?
-Seis entre dez desempregados no Amapá tem entre 16 e 25 anos. O que fazer para ampliar a oferta de empregos nessa faixa etária?
-Ao final do mandato a família classe média terá nas escolas públicas a melhor opção para os filhos?
-Quais projetos vão incrementar realmente o turismo no Amapá?
-O que fazer para incluir o Amapá na agenda esportiva e cultural nacional, via circuitos BB. Sesc, etc.
-Qual o projeto numero um para atender a terceira idade?
-O Teatro das Bacabeiras tem a assinatura do governo Annibal Barcelos (inicio do estado).
Quais as prioridades nesse sentido?
-Alto custo de remédios x farmácias populares: teremos isso?
-Algum plano especifico para combate às drogas?
-Qual a proposta para integrar os agricultores dos assentamentos agrários ao projeto agrícola do estado., inclusive feiras municipais nas cidades?
O título de eleitor foi criado em 1875 (Decreto nº 2675), e dele constavam nome, idade, estado civil, profissão, renda, domicílio e se o eleitor era alfabetizado ou não.
Um canhoto era destacado e ficava com a junta de alistamento. Em 1881, A Lei Saraiva promoveu uma ampla reforma eleitoral e, entre outras alterações, determinou o realistamento eleitoral e instituiu o título de eleitor obrigatório.
O título eleitoral permaneceu sem alterações até 1932, quando passou a contar com o retrato do eleitor. Em 1956, com a entrada em vigor da Lei nº 2.084, de 12.11.53, o retrato no título passou a ser obrigatório.
Cada alteração no título obrigava a novo alistamento eleitoral. O de 1956, por exemplo, diminuiu drasticamente o número de eleitores “fantasmas” (mortos, crianças, eleitores cadastrados em mais de um município), resultando numa diminuição do eleitorado da ordem de 8,7% – em 1954 eram 15.104.604 eleitores e em 1958, 13.780.244.
Para as eleições de 1986, que escolheram os membros da Assembléia Nacional Constituinte de 87-88, a Justiça Eleitoral determinou novo alistamento; a informatização de seus serviços aumentou os instrumentos de controle e eliminou a necessidade de retrato no título de eleitor.
De lá para cá, não houve mais recadastramento nacional, mas apenas recadastramentos locais e periódicos, em municípios onde foi detectada alguma irregularidade.
ABRAÇOS:
-PESSOAS DA PERIGRINAÇÃO DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ
-LUIZ MELO
-GEOVANI E REGINALDO
-PROF. NILSON
COMENTÁRIOS:
-BURACO NA MAROLA GATO E OUTRAS.
-FISCALIZAÇÃO ELEITORAL
-FORÇAS PLICIAIS PARA AS ELEIÇÕES (TEM MUITOS DA PM CONCORRENDO)
-O AÇAÍ EM VLTA GRANDE
-MEU ARTIGO NO D.A
-NOTICIAS DE JORNAL
-CASO DOS 3,7% DA DANF - E A RECEITA FEDERAL?
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Publicado por: bonfa | 27/02/2010
PARECE QUE FOI ONTEM
No dia 19 de novembro de 1995, um domingo ensolarado, o jornal “Diário do Amapá”, publicou a entrevista que hoje trazemos ao Blog, com absoluta exclusividade. Foi há 15 anos. Porém, os temas, parecem atuais no tempo e no espaço. O nome da coluna era “Gente Daqui”.
“É fácil vê-lo andando, solene e compenetrado, pelas ruas de Macapá. Às vezes, no braço, pende um clássico garda-chuva e um tradicional monte de livros e cadernos. Antonio Munhoz Lopes, ex-seminarista, pesquisador, professor de Literatura, Português, Latim e História da Arte. Advogado por formação, globe-trotter, descende de espanhóis e elegeu o Pará e o Amapá, como terras de sua predileção. Quem não conhece o professor Munhoz? Este refinadíssimo intelectual, escritor de quilate quase inigualável, ostenta o currículo e as glórias de ter contribuído, ao longo de décadas, à formação humanística de várias gerações de amapaenses. Um orgulho da cidade. Um ser humano que vale a pena conhecer de perto.”
(Entrevista e Texto: Bonfim Salgado)
ANTONIO MUNHOZ LOPES
Filiação: José Ayres Lopes e Izabel Munhoz Lopes (falecidos)
Comida: Pato no tucupi e maniçoba.
Perfume: Não tem um favorito.
Música: Erudita.
Profissão: Professor Secundário e Universitário.
Amigos: Uma porção, no mundo inteiro.
Amizade: A melhor coisa do mundo.
Flor: Todas elas, dependendo de quem olha, são bonitas.
Melhor hora: Ao nascer do sol. As coisas parecem mais sagradas.
Religião: Católica Apostólica Romana.
Bonfim Salgado – Munhoz, é difícil, terrivelmente difícil, entrevistar amigos. Comecemos por Macapá. Há quanto tempo você está aqui?
Antonio Munhoz – Em outubro passado, fez exatamente trinta e seis anos que por aqui cheguei. Vim com meus 27 anos. Portanto, sou hoje mais amapaense que paraense. Estou com 63 anos bem vividos, no ápice de todas as minhas potencialidades.
BS – Consta que você nasceu numa quarta-feira de Cinzas, é verdade?
AM – Sim, é verdade. E como já disse à Lana, jornalista paraense, não sou triste, por isso. Ao contrário, sou bem alegre, comunicativo, e adoro a vida com tudo o que ela tem de bom. A vida para mim, até hoje, tem sido uma constante novidade.
BS – Voce nasceu mesmo em Belém?
AM – Sim, sou paraense legítimo, paraense da gema. Gosto de farinha e de pato no tucupi, assim como de maniçoba, casquinha de muçuã, de bacuri, açaí e cupuaçu. Aliás, quanto mais eu viajo, mais eu gosto de Macapá e de Belém. Sinto-me, por assim dizer, preso às raízes.
BS – Como foi essa história do seminário?
AM – Vivi muitos anos – a minha adolescência toda – em dois seminários, em Belém (Pará), e São Luís (Maranhão). De ambos, guardo inesquecíveis recordações. Foram alguns dos melhores anos de minha vida. O seminário me marcou profundamente. No meu lado bom, ainda sou seminarista.
BS – E no lado mau?
AM – Também! (risada).
BS – Pois bem. Então, por que você não chegou a ser padre?
AM – Porque não fui escolhido. “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos”, não é assim? Deus, também tem os seus prediletos. Ele sabe a quem escolher, a quem deve marcar com o seu sinete. Deus sabe o que quer e a quem quer.
BS – Qual é a sua definição de um padre?
AM – Um homem que deve viver no mundo, entrosado no mundo, sentindo e tentando resolver os problemas do mundo, sem ser, todavia, do mundo.
BS – O cônego Ápio Campos, respeitado escritor e intelectual paraense, uma vez, descreveu o Munhoz delegado de polícia. Como é essa história?
AM – Ele fez lirismo, poesia à meu respeito. Disse ele que eu andava prendendo muita gente e dava à polícia local “um clima de cenáculo literário”. Dizia, ainda, que meu escrivão era quase um poeta, meus auxiliares aproveitavam as folgas para ler contos e romances e que “os próprios encarcerados eram obrigados a ler, em obediência à portaria baixada, várias páginas de antologia por semana.”
BS – Cadeia literária, heim?
AM – Cadeia, não, biblioteca. (risos).
BS – Há quanto tempo você é membro do Conselho Estadual de Cultura?
AM – Há onde anos. Sou decano. Pena é que o Conselho, no momento, esteja perdendo as suas características de Conselho de Cultura, tornando-se uma espécie de associação de amigos da arte e da literatura. Um clube de amigos. O Conselho está enveredando por um caminho errado.
BS – Diga-nos dois grandes prazeres de sua vida?
AM – Há outros, muitos outros, mas dois dos mais importantes são , sem dúvida alguma, ler. Nunca passei um dia sem ler. E viajar. Viajar, não como mero passatempo. Mas como um enriquecimento cultural.
BS – Quais as cidades do mundo, no seu ponto de vista, mais bonitas?
AM – Em primeiro, não posso deixar de citar Paris, que é sempre uma surpresa. Depois, Praga, simplesmente deslumbrante. Veneza, Florença, São Petersburgo, Buenos Aires, Toledo. O nosso Rio de Janeiro, é uma cidade que só há pouco conheci. Há outra cidade que me fascinou muito, Bruges, na Bélgica. Há outras que, no momento, eu não lembro.
BS – Você escreveu coisas belíssimas sobre a Mazagão da África?
AM – Sim, até mesmo para chamar a atenção dos amapaenses, para essas raízes históricas. Estive três vezes na Mazagão africana. Tenho um fascínio pelo Marrocos, onde já estive quatro vezes. Destaco, nesse país, as cidades imperiais, principalmente, Fez, a mais antiga, berço de milenária monarquia e centro cultural e religioso do Marrocos.
BS – O que é viver em Macapá?
AM – É viver ainda com uma certa tranqüilidade, apesar da violência que domina a cidade. Veja: no último assalto à minha casa, levaram todas as garrafas de uísque escocês, os vinhos do Porto, os CDs. De música erudita e uma sacola cheia de perfume francês, presentes de amigos.
BS – Ladrãozinho refinado e de bom-gosto, não é mesmo?
AM – Concordo. Eu trabalho de manhã, de tarde, de noite. A minha vida se resume apenas no trabalho. Por isso, em julho, ninguém me agarra. Minhas férias são sagradas. Como não sou de ferro, aproveito para conhecer o mundo.
BS – E o nível intelectual da juventude amapaense, como está?
AM – Parece incrível, mas intelectualmente falando, está involuindo. De início, a juventude não gosta de ler. Não tem o mínimo interesse pelas coisas do espírito. Em sala de aula, a dissipação é completa. Disciplina, para os jovens, é coisa do passado. É uma lástima. E na balbúrdia, ninguém evolui. Há dias, numa sala do terceiro ano Colegial, quase fui agredido, quando disse que as letras das composições dos “Mamonas Assassinas” eram puro lixo. Como disse Celso Manson, da revista Veja, “Mescla de grosseria e cretinice.” Infelizmente, o mau-gosto domina o mundo.
BS – E na política? Você já foi candidato alguma vez?
AM – Por que, para quê? Como os valores já não são os mesmos do passado, os políticos de hoje, na sua maioria, não pensam mais em trabalhar pelo povo, mas apenas em beneficiar-se, olhando para o seu bolso, para a sua conta bancária. Político, na sua verdadeira acepção, hoje, é como agulha em palheiro. Encontrar um de verdade é dificílimo.
BS – E o Brasil, tem jeito?
AM – Tem jeito, sim. É só os homens públicos criarem vergonha na cara e se conscientizarem da importância do papel que devem desempenhar, para o progresso da Nação. Na verdade, eles não pensam na gente, isto é, no povo. Só pensam em si, naquilo que é bom para eles. A Nação que se lixe.
BS – E o famoso livro – não escrito – que você nos deve?
AM – De fato, você tem razão. Ainda há pouco, em Belém, o amigo Acyr Castro, jornalista, me cobrava ao menos um livro sobre minhas viagens. Mas, tempo que é bom e necessário, para escrever, eu não tenho, francamente. Vamos esperar um pouco. Vou criar coragem de deixar as aulas. Aí, sim, o tempo vai ser todo meu. Escrever, exige tempo e, com o tempo, conquista-se o mundo.
BS – O que você ainda deseja da vida?
AM – Saúde, paz de espírito, dinheiro, disposição para viajar e lucidez, para viver ainda muitos anos. Tenho a sensação de que só agora é que estou começando a viver. Viver é um dom de Deus.
“ Eis o homem. Aquele que cita os museus, catedrais históricas, pintores renascentistas e autores clássicos, numa simples conversa de meia hora. O professor Munhoz, homem do mundo, cabeça arejadíssima e atenta, olha no relógio. Levanta-se, agradece educadamente, fala com todo mundo à sua volta e sai. Está ligeiramente atrasado para uma aula de Literatura, no Colégio Amapaense.”
Aqui, eu faria uma simples pergunta: Esse texto, publicado há 15 anos, serve ou não para os dias e acontecimentos atuais do Amapá e do Brasil?
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na noite desta sexta-feira (1) divulgar os votos recebidos pelos candidatos barrados pela Justiça. A publicidade acontecerá de forma separada do resultado oficial da eleição. Entre os candidatos com registro indeferido estão alguns considerados “ficha suja”. Ao todo, o TSE já recebeu 1,9 mil recursos de candidaturas impugnadas.
A proposta de divulgar os votos de candidatos que tiveram o registro indeferido foi levada ao plenário pelo presidente Ricardo Lewandowski. O pedido para que se divulgasse os votos partiu do PP. O presidente do TSE conversou com a área técnica do tribunal e sugeriu a divulgação dos votos no site do tribunal após a totalização oficial dos votos.
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Os votos dos candidatos barrados serão divulgados de forma separada, sem que se misture estes votos com os dos outros que disputam a eleição. Estes votos também não serão computados na hora de se proclamar o resultado das urnas. Se posteriormente o candidato obtiver na justiça uma decisão que libere seu registro, os votos serão incluídos dentro da totalização oficial.
O ministro Marco Aurélio Mello foi o único que questionou a regra. Ele entende que os votos deveriam ser divulgados juntos. Alertado que a área técnica disse não mais ser possível fazer mudança nos sistemas, ele acompanhou a decisão da divulgação em separado.
Até as últimas eleições, os votos em candidatos nessa situação iam para a legenda, ou seja, eram contabilizados na hora de calcular quantas vagas cada partido teria no Congresso, por exemplo. Uma mudança na legislação, porém, determinou que esses votos sejam considerados nulos.
O ministro Marco Aurélio, porém, já adiantou que pretende questionar essa mudança. Ele sugeriu que a alteração não teria força para “derrubar” o código eleitoral neste aspecto. Marco Aurélio disse que pretende ainda discutir este tema em plenário em outra ocasião.
CONFIRA POLÍTICOS QUESTIONADOS NA LEI DA FICHA LIMPA
POLÍTICO CARGO QUE DISPUTA SITUAÇÃO JUSTIFICATIVA DO CANDIDATO
Anthony Garotinho (PR-RJ),
ex-governador do Rio de Janeiro Deputado federal Foi condenado na Justiça Eleitoral a inelegibilidade de três anos por abuso de poder econômico. Conseguiu liminar que suspende a condenação até decisão final. Se a liminar cair, pela Lei da Ficha Limpa, ele não pode ser candidato. Mesmo assim, o MP pediu impugnação da candidatura; o TRE deferiu a candidatura porque, caso a liminar caia, ele se torna inelegível. O ex-governador afirma que tem consciência de que, caso caia a liminar, ele se tornará inelegível. Ainda não há data definida para o julgamento do mérito da ação.
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), ex-governador Senador Perdeu o mandato de governador após ser condenado por abuso de poder econômico. TRE indeferiu o pedido com base na Ficha Limpa. Ele recorreu ao TSE e ainda aguarda julgamento. A defesa do ex-governador alega que a lei não poderia vigorar nesta eleição porque mudanças no processo eleitoral só podem entrar em vigor um ano antes da eleição. A lei foi sancionada em julho.
Cleber Verde (PRB-MA), deputado federal Deputado federal Ministério Público Eleitoral pediu impugnação da candidatura porque ele foi demitido do INSS sob suspeita de concessão irregular de benefícios. A demissão no serviço público é uma das hipóteses para inelegibilidade na Ficha Limpa. TRE deferiu candidatura por entender que a lei não poderia retroagir para punir os candidatos, mas MP recorreu. O deputado argumenta que tenta sua reintegração ao INSS desde 2004, mas que o processo está parado. Ele também defende que a lei não deve retroagir.
Expedito Júnior (PR-RO), ex-senador Governador TRE indeferiu o registro de candidatura porque o senador foi condenado por abuso de poder econômico em 2009 com pena de inelegibilidade de três anos. Acusado de compra de voto, perdeu o mandato de senador. Aguarda respota de recurso no TSE. A defesa alega que a lei não poderia ter retroagido porque antes, a pena seria de três anos e teria sido cumprida em outubro de 2009. O advogado alega que o MP pediu o agravamento da pena para mais cinco anos, totalizando oito anos, o que impediria a candidatura nestas eleições.
Heráclito Fortes (DEM-PI), senador Senador Foi condenado pelo TJ-PI por usar publicidade institucional para promoção pessoal quando era prefeito de Teresina, entre 1989 e 1993. Por isso, não poderia ser candidato com base na Ficha Limpa. No entanto, o STF concedeu recurso suspensivo contra a decisão. Mesmo assim, o MP pediu impugnação, negada pelo TRE do Piauí. O MP recorreu.
O senador entende que o caso dele não é atingido pela Lei da Ficha Limpa e afirmou que está tranquilo em relação à sua candidatura.
Ivo Cassol (PP-RO), ex-governador Senador Foi condenado por abuso de poder econômico e político por compra de votos na eleição de 2006. O TSE, porém, suspendeu a condenação. MP pediu impugnação com base na Ficha Limpa e o TRE indeferiu o registro da candidatura. O TSE liberou e entendeu que a condenação está suspensa. O ex-governador alega inocência da acusação e tenta reverter a condenação.
Jackson Barreto (PMDB-SE), deputado federal Vice-governador MP pediu impugnação por ter tido suas contas rejeitadas quando prefeito de Aracaju pelo Tribunal de Contas do Estado. TRE autorizou a candidatura, mas o MP recorreu. A defesa alega que o caso em questão ainda tramita na corte de contas, sem que haja julgamento definitivo. Além disso, diz ainda que na última eleição essa informação foi levantada e que, na ocasião, ele ingressou com uma ação judicial para extinguir o processo. Diz também que cabe à Câmara de Vereadores analisar as contas da Prefeitura e que as mesmas foram aprovadas pela Câmara.
Jackson Lago (PDT-MA), ex-governador Governador MP pediu impugnação por conta de condenação por órgão colegiado em processo de abuso do poder econômico. O TRE deferiu o registro de candidatura e entendeu que a lei não pode retroagir. O MP recorreu. A defesa afirma que não foi declarada inelegibilidade de Lago e que ele apenas teve o registro cassado. Afirmou ainda que devem ser verificadas questões de anualidade, retroatividade e incidência nesta eleição.
Jader Barbalho (PMDB-PA), deputado federal Senador MP pediu impugnação em razão de ele ter renunciado em 2001 para evitar possível cassação (estaria inelegível até 2011). O TRE do estado, no entanto, deferiu o registro. O MP recorreu e o TSE reverteu a autorização, rejeitando a candidatura com base na Ficha Limpa. Barbalho recorreu ao próprio TSE, que confirmou a decisão, mas ainda pode ir ao STF. A defesa afirmou que a lei não poderia retroagir e alegou atipicidade da renúncia.
Janete Capiberibe (PSB-AP), deputada federal Deputado federal MP pediu impugnação por conta de condenação em processo de compra de votos em 2002. O TRE do Amapá considerou improcedente a impugnação, mas o MP recorreu e o TSE indeferiu o registro da candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. Ela recorreu ao TSE.
Defesa questionou a retroatividade da lei. Afirmou que a lei ofendia os princípios constitucionais da segurança jurídica.
João Capiberibe (PSB-AP), ex-senador Senador MP pediu impugnação por conta de condenação em processo de compra de votos em 2002. Por conta da condenação, ele perdeu o cargo de senador. TRE decidiu autorizar a candidatura, mas MP recorreu. Afirmou que foi condenado a perda de mandato por questão política e que não está inelegível. Disse que foi cassado em 2004 por ter supostamente comprado dois votos por R$ 26 e pagos em duas parcelas.
Maria de Lourdes Abadia (PSDB-DF), ex-governadora Senado MP pediu impugnação porque ela foi condenada por compra de votos na eleição de 2006, quando tentava a reeleição para o governo do Distrito Federal. O TRE deferiu a candidatura, mas o MP recorreu. O TSE decidiu rejeitar a candidatura com base na Ficha Limpa. Ela recorreu ao próprio TSE.
A defesa alegou que ela não foi cassada, apenas recebeu multa, o que não levaria à inelegibilidade. Também questionou a retroatividade.
Paulo Maluf (PP-SP), deputado federal Deputado federal O TRE rejeitou a candidatura por entender que ele estaria barrado pela Lei Ficha Limpa, uma vez que foi condenado foi condenado por improbidade administrativa, em 26 de abril de 2010, pela 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Ele recorreu ao TSE. A defesa de Maluf alega que, como o deputado recorreu da condenação ao próprio tribunal com um recurso especial, a condenação foi suspensa. O recurso ainda não foi analisado.
Paulo Rocha (PT-PA), deputado federal Senador O TSE indeferiu a candidatura de Paulo Rocha, que recorreu ao Supremo. O MP pediu indeferimento do registro porque ele renunciou ao cargo de deputado federal em outubro de 2005, após representação referente ao escândalo do mensalão. Depois disso, Rocha foi eleito em 2006 novamente. O TRE havia concedido registro, mas o TSE aceitou o recurso do MP. Ele recorreu ao próprio TSE.
A defesa alega que a lei não poderia ter retroagido. O deputado nega que tenha havido esquema irregular em 2005.
Pedro Henry (PP-MT), deputado federal Deputado federal O MP pediu indeferimento do registro de candidatura porque o deputado foi condenado por compra de votos na eleição de 2006. Ele também é um dos réus no processo do mensalão que corre no STF. O TRE rejeitou a candidatura e o caso está no TSE. A defesa do parlamentar afirma que Henry teria uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que suspende os efeitos de inelegibilidade em relação a esta condenação de 2007. Essa decisão, diz o advogado, teria sido ignorada.
Ronaldo Lessa (PDT-AL), ex-governador Governador MP pediu indeferimento por conta de condenação em decisão colegiada, por abuso de poder econômico e político. O TRE rejeitou a candidatura e ele recorreu ao TSE. O caso começou a ser analisado, mas foi interrompido por pedido de vista. O ex-governador afirma que, em 2004, foi condenado a três anos de inelegibilidade e que completou o cumprimento da pena em 2007. Para ele, a lei não pode retroagir porque ele já cumpriu o prazo previsto de inelegibilidade.
Roseana Sarney (PMDB-MA), governadora Governador Aderson Lago, candidato do PSDB pediu a rejeição da candidatura com base na lei da Ficha Limpa. O MP, em seu parecer, concorda que Roseana foi condenada pela prática de desvirtuamento de publicidade institucional. O TRE havia concedido o registro, mas Anderson Lago recorreu. O TSE ainda não analisou o processo. A defesa da governadora alega que não há condenação contra ela.
Wellington Dias (PT-PI), ex-governador Senador Ministério Público Eleitoral pediu indeferimento do registro por conta de cassação de diploma por decisão transitada em julgado na Justiça Eleitoral. TRE do Piauí autorizou candidatura, mas o MP recorreu. A defesa afirma que Dias não se enquadra na Lei da Ficha Limpa. Ele argumenta que a legislação veta a candidatura de políticos cassados e que o ex-governador foi apenas multado.
sexta-feira, outubro 01, 2010
BONFIM E MUNHOZ: TEMPOS IDOS, MAS NEM TANTO.
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Publicado por: bonfa | 27/02/2010
PARECE QUE FOI ONTEM
No dia 19 de novembro de 1995, um domingo ensolarado, o jornal “Diário do Amapá”, publicou a entrevista que hoje trazemos ao Blog, com absoluta exclusividade. Foi há 15 anos. Porém, os temas, parecem atuais no tempo e no espaço. O nome da coluna era “Gente Daqui”.
“É fácil vê-lo andando, solene e compenetrado, pelas ruas de Macapá. Às vezes, no braço, pende um clássico garda-chuva e um tradicional monte de livros e cadernos. Antonio Munhoz Lopes, ex-seminarista, pesquisador, professor de Literatura, Português, Latim e História da Arte. Advogado por formação, globe-trotter, descende de espanhóis e elegeu o Pará e o Amapá, como terras de sua predileção. Quem não conhece o professor Munhoz? Este refinadíssimo intelectual, escritor de quilate quase inigualável, ostenta o currículo e as glórias de ter contribuído, ao longo de décadas, à formação humanística de várias gerações de amapaenses. Um orgulho da cidade. Um ser humano que vale a pena conhecer de perto.”
(Entrevista e Texto: Bonfim Salgado)
ANTONIO MUNHOZ LOPES
Filiação: José Ayres Lopes e Izabel Munhoz Lopes (falecidos)
Comida: Pato no tucupi e maniçoba.
Perfume: Não tem um favorito.
Música: Erudita.
Profissão: Professor Secundário e Universitário.
Amigos: Uma porção, no mundo inteiro.
Amizade: A melhor coisa do mundo.
Flor: Todas elas, dependendo de quem olha, são bonitas.
Melhor hora: Ao nascer do sol. As coisas parecem mais sagradas.
Religião: Católica Apostólica Romana.
Bonfim Salgado – Munhoz, é difícil, terrivelmente difícil, entrevistar amigos. Comecemos por Macapá. Há quanto tempo você está aqui?
Antonio Munhoz – Em outubro passado, fez exatamente trinta e seis anos que por aqui cheguei. Vim com meus 27 anos. Portanto, sou hoje mais amapaense que paraense. Estou com 63 anos bem vividos, no ápice de todas as minhas potencialidades.
BS – Consta que você nasceu numa quarta-feira de Cinzas, é verdade?
AM – Sim, é verdade. E como já disse à Lana, jornalista paraense, não sou triste, por isso. Ao contrário, sou bem alegre, comunicativo, e adoro a vida com tudo o que ela tem de bom. A vida para mim, até hoje, tem sido uma constante novidade.
BS – Voce nasceu mesmo em Belém?
AM – Sim, sou paraense legítimo, paraense da gema. Gosto de farinha e de pato no tucupi, assim como de maniçoba, casquinha de muçuã, de bacuri, açaí e cupuaçu. Aliás, quanto mais eu viajo, mais eu gosto de Macapá e de Belém. Sinto-me, por assim dizer, preso às raízes.
BS – Como foi essa história do seminário?
AM – Vivi muitos anos – a minha adolescência toda – em dois seminários, em Belém (Pará), e São Luís (Maranhão). De ambos, guardo inesquecíveis recordações. Foram alguns dos melhores anos de minha vida. O seminário me marcou profundamente. No meu lado bom, ainda sou seminarista.
BS – E no lado mau?
AM – Também! (risada).
BS – Pois bem. Então, por que você não chegou a ser padre?
AM – Porque não fui escolhido. “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos”, não é assim? Deus, também tem os seus prediletos. Ele sabe a quem escolher, a quem deve marcar com o seu sinete. Deus sabe o que quer e a quem quer.
BS – Qual é a sua definição de um padre?
AM – Um homem que deve viver no mundo, entrosado no mundo, sentindo e tentando resolver os problemas do mundo, sem ser, todavia, do mundo.
BS – O cônego Ápio Campos, respeitado escritor e intelectual paraense, uma vez, descreveu o Munhoz delegado de polícia. Como é essa história?
AM – Ele fez lirismo, poesia à meu respeito. Disse ele que eu andava prendendo muita gente e dava à polícia local “um clima de cenáculo literário”. Dizia, ainda, que meu escrivão era quase um poeta, meus auxiliares aproveitavam as folgas para ler contos e romances e que “os próprios encarcerados eram obrigados a ler, em obediência à portaria baixada, várias páginas de antologia por semana.”
BS – Cadeia literária, heim?
AM – Cadeia, não, biblioteca. (risos).
BS – Há quanto tempo você é membro do Conselho Estadual de Cultura?
AM – Há onde anos. Sou decano. Pena é que o Conselho, no momento, esteja perdendo as suas características de Conselho de Cultura, tornando-se uma espécie de associação de amigos da arte e da literatura. Um clube de amigos. O Conselho está enveredando por um caminho errado.
BS – Diga-nos dois grandes prazeres de sua vida?
AM – Há outros, muitos outros, mas dois dos mais importantes são , sem dúvida alguma, ler. Nunca passei um dia sem ler. E viajar. Viajar, não como mero passatempo. Mas como um enriquecimento cultural.
BS – Quais as cidades do mundo, no seu ponto de vista, mais bonitas?
AM – Em primeiro, não posso deixar de citar Paris, que é sempre uma surpresa. Depois, Praga, simplesmente deslumbrante. Veneza, Florença, São Petersburgo, Buenos Aires, Toledo. O nosso Rio de Janeiro, é uma cidade que só há pouco conheci. Há outra cidade que me fascinou muito, Bruges, na Bélgica. Há outras que, no momento, eu não lembro.
BS – Você escreveu coisas belíssimas sobre a Mazagão da África?
AM – Sim, até mesmo para chamar a atenção dos amapaenses, para essas raízes históricas. Estive três vezes na Mazagão africana. Tenho um fascínio pelo Marrocos, onde já estive quatro vezes. Destaco, nesse país, as cidades imperiais, principalmente, Fez, a mais antiga, berço de milenária monarquia e centro cultural e religioso do Marrocos.
BS – O que é viver em Macapá?
AM – É viver ainda com uma certa tranqüilidade, apesar da violência que domina a cidade. Veja: no último assalto à minha casa, levaram todas as garrafas de uísque escocês, os vinhos do Porto, os CDs. De música erudita e uma sacola cheia de perfume francês, presentes de amigos.
BS – Ladrãozinho refinado e de bom-gosto, não é mesmo?
AM – Concordo. Eu trabalho de manhã, de tarde, de noite. A minha vida se resume apenas no trabalho. Por isso, em julho, ninguém me agarra. Minhas férias são sagradas. Como não sou de ferro, aproveito para conhecer o mundo.
BS – E o nível intelectual da juventude amapaense, como está?
AM – Parece incrível, mas intelectualmente falando, está involuindo. De início, a juventude não gosta de ler. Não tem o mínimo interesse pelas coisas do espírito. Em sala de aula, a dissipação é completa. Disciplina, para os jovens, é coisa do passado. É uma lástima. E na balbúrdia, ninguém evolui. Há dias, numa sala do terceiro ano Colegial, quase fui agredido, quando disse que as letras das composições dos “Mamonas Assassinas” eram puro lixo. Como disse Celso Manson, da revista Veja, “Mescla de grosseria e cretinice.” Infelizmente, o mau-gosto domina o mundo.
BS – E na política? Você já foi candidato alguma vez?
AM – Por que, para quê? Como os valores já não são os mesmos do passado, os políticos de hoje, na sua maioria, não pensam mais em trabalhar pelo povo, mas apenas em beneficiar-se, olhando para o seu bolso, para a sua conta bancária. Político, na sua verdadeira acepção, hoje, é como agulha em palheiro. Encontrar um de verdade é dificílimo.
BS – E o Brasil, tem jeito?
AM – Tem jeito, sim. É só os homens públicos criarem vergonha na cara e se conscientizarem da importância do papel que devem desempenhar, para o progresso da Nação. Na verdade, eles não pensam na gente, isto é, no povo. Só pensam em si, naquilo que é bom para eles. A Nação que se lixe.
BS – E o famoso livro – não escrito – que você nos deve?
AM – De fato, você tem razão. Ainda há pouco, em Belém, o amigo Acyr Castro, jornalista, me cobrava ao menos um livro sobre minhas viagens. Mas, tempo que é bom e necessário, para escrever, eu não tenho, francamente. Vamos esperar um pouco. Vou criar coragem de deixar as aulas. Aí, sim, o tempo vai ser todo meu. Escrever, exige tempo e, com o tempo, conquista-se o mundo.
BS – O que você ainda deseja da vida?
AM – Saúde, paz de espírito, dinheiro, disposição para viajar e lucidez, para viver ainda muitos anos. Tenho a sensação de que só agora é que estou começando a viver. Viver é um dom de Deus.
“ Eis o homem. Aquele que cita os museus, catedrais históricas, pintores renascentistas e autores clássicos, numa simples conversa de meia hora. O professor Munhoz, homem do mundo, cabeça arejadíssima e atenta, olha no relógio. Levanta-se, agradece educadamente, fala com todo mundo à sua volta e sai. Está ligeiramente atrasado para uma aula de Literatura, no Colégio Amapaense.”
Aqui, eu faria uma simples pergunta: Esse texto, publicado há 15 anos, serve ou não para os dias e acontecimentos atuais do Amapá e do Brasil?
Publicado por: bonfa | 27/02/2010
PARECE QUE FOI ONTEM
No dia 19 de novembro de 1995, um domingo ensolarado, o jornal “Diário do Amapá”, publicou a entrevista que hoje trazemos ao Blog, com absoluta exclusividade. Foi há 15 anos. Porém, os temas, parecem atuais no tempo e no espaço. O nome da coluna era “Gente Daqui”.
“É fácil vê-lo andando, solene e compenetrado, pelas ruas de Macapá. Às vezes, no braço, pende um clássico garda-chuva e um tradicional monte de livros e cadernos. Antonio Munhoz Lopes, ex-seminarista, pesquisador, professor de Literatura, Português, Latim e História da Arte. Advogado por formação, globe-trotter, descende de espanhóis e elegeu o Pará e o Amapá, como terras de sua predileção. Quem não conhece o professor Munhoz? Este refinadíssimo intelectual, escritor de quilate quase inigualável, ostenta o currículo e as glórias de ter contribuído, ao longo de décadas, à formação humanística de várias gerações de amapaenses. Um orgulho da cidade. Um ser humano que vale a pena conhecer de perto.”
(Entrevista e Texto: Bonfim Salgado)
ANTONIO MUNHOZ LOPES
Filiação: José Ayres Lopes e Izabel Munhoz Lopes (falecidos)
Comida: Pato no tucupi e maniçoba.
Perfume: Não tem um favorito.
Música: Erudita.
Profissão: Professor Secundário e Universitário.
Amigos: Uma porção, no mundo inteiro.
Amizade: A melhor coisa do mundo.
Flor: Todas elas, dependendo de quem olha, são bonitas.
Melhor hora: Ao nascer do sol. As coisas parecem mais sagradas.
Religião: Católica Apostólica Romana.
Bonfim Salgado – Munhoz, é difícil, terrivelmente difícil, entrevistar amigos. Comecemos por Macapá. Há quanto tempo você está aqui?
Antonio Munhoz – Em outubro passado, fez exatamente trinta e seis anos que por aqui cheguei. Vim com meus 27 anos. Portanto, sou hoje mais amapaense que paraense. Estou com 63 anos bem vividos, no ápice de todas as minhas potencialidades.
BS – Consta que você nasceu numa quarta-feira de Cinzas, é verdade?
AM – Sim, é verdade. E como já disse à Lana, jornalista paraense, não sou triste, por isso. Ao contrário, sou bem alegre, comunicativo, e adoro a vida com tudo o que ela tem de bom. A vida para mim, até hoje, tem sido uma constante novidade.
BS – Voce nasceu mesmo em Belém?
AM – Sim, sou paraense legítimo, paraense da gema. Gosto de farinha e de pato no tucupi, assim como de maniçoba, casquinha de muçuã, de bacuri, açaí e cupuaçu. Aliás, quanto mais eu viajo, mais eu gosto de Macapá e de Belém. Sinto-me, por assim dizer, preso às raízes.
BS – Como foi essa história do seminário?
AM – Vivi muitos anos – a minha adolescência toda – em dois seminários, em Belém (Pará), e São Luís (Maranhão). De ambos, guardo inesquecíveis recordações. Foram alguns dos melhores anos de minha vida. O seminário me marcou profundamente. No meu lado bom, ainda sou seminarista.
BS – E no lado mau?
AM – Também! (risada).
BS – Pois bem. Então, por que você não chegou a ser padre?
AM – Porque não fui escolhido. “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos”, não é assim? Deus, também tem os seus prediletos. Ele sabe a quem escolher, a quem deve marcar com o seu sinete. Deus sabe o que quer e a quem quer.
BS – Qual é a sua definição de um padre?
AM – Um homem que deve viver no mundo, entrosado no mundo, sentindo e tentando resolver os problemas do mundo, sem ser, todavia, do mundo.
BS – O cônego Ápio Campos, respeitado escritor e intelectual paraense, uma vez, descreveu o Munhoz delegado de polícia. Como é essa história?
AM – Ele fez lirismo, poesia à meu respeito. Disse ele que eu andava prendendo muita gente e dava à polícia local “um clima de cenáculo literário”. Dizia, ainda, que meu escrivão era quase um poeta, meus auxiliares aproveitavam as folgas para ler contos e romances e que “os próprios encarcerados eram obrigados a ler, em obediência à portaria baixada, várias páginas de antologia por semana.”
BS – Cadeia literária, heim?
AM – Cadeia, não, biblioteca. (risos).
BS – Há quanto tempo você é membro do Conselho Estadual de Cultura?
AM – Há onde anos. Sou decano. Pena é que o Conselho, no momento, esteja perdendo as suas características de Conselho de Cultura, tornando-se uma espécie de associação de amigos da arte e da literatura. Um clube de amigos. O Conselho está enveredando por um caminho errado.
BS – Diga-nos dois grandes prazeres de sua vida?
AM – Há outros, muitos outros, mas dois dos mais importantes são , sem dúvida alguma, ler. Nunca passei um dia sem ler. E viajar. Viajar, não como mero passatempo. Mas como um enriquecimento cultural.
BS – Quais as cidades do mundo, no seu ponto de vista, mais bonitas?
AM – Em primeiro, não posso deixar de citar Paris, que é sempre uma surpresa. Depois, Praga, simplesmente deslumbrante. Veneza, Florença, São Petersburgo, Buenos Aires, Toledo. O nosso Rio de Janeiro, é uma cidade que só há pouco conheci. Há outra cidade que me fascinou muito, Bruges, na Bélgica. Há outras que, no momento, eu não lembro.
BS – Você escreveu coisas belíssimas sobre a Mazagão da África?
AM – Sim, até mesmo para chamar a atenção dos amapaenses, para essas raízes históricas. Estive três vezes na Mazagão africana. Tenho um fascínio pelo Marrocos, onde já estive quatro vezes. Destaco, nesse país, as cidades imperiais, principalmente, Fez, a mais antiga, berço de milenária monarquia e centro cultural e religioso do Marrocos.
BS – O que é viver em Macapá?
AM – É viver ainda com uma certa tranqüilidade, apesar da violência que domina a cidade. Veja: no último assalto à minha casa, levaram todas as garrafas de uísque escocês, os vinhos do Porto, os CDs. De música erudita e uma sacola cheia de perfume francês, presentes de amigos.
BS – Ladrãozinho refinado e de bom-gosto, não é mesmo?
AM – Concordo. Eu trabalho de manhã, de tarde, de noite. A minha vida se resume apenas no trabalho. Por isso, em julho, ninguém me agarra. Minhas férias são sagradas. Como não sou de ferro, aproveito para conhecer o mundo.
BS – E o nível intelectual da juventude amapaense, como está?
AM – Parece incrível, mas intelectualmente falando, está involuindo. De início, a juventude não gosta de ler. Não tem o mínimo interesse pelas coisas do espírito. Em sala de aula, a dissipação é completa. Disciplina, para os jovens, é coisa do passado. É uma lástima. E na balbúrdia, ninguém evolui. Há dias, numa sala do terceiro ano Colegial, quase fui agredido, quando disse que as letras das composições dos “Mamonas Assassinas” eram puro lixo. Como disse Celso Manson, da revista Veja, “Mescla de grosseria e cretinice.” Infelizmente, o mau-gosto domina o mundo.
BS – E na política? Você já foi candidato alguma vez?
AM – Por que, para quê? Como os valores já não são os mesmos do passado, os políticos de hoje, na sua maioria, não pensam mais em trabalhar pelo povo, mas apenas em beneficiar-se, olhando para o seu bolso, para a sua conta bancária. Político, na sua verdadeira acepção, hoje, é como agulha em palheiro. Encontrar um de verdade é dificílimo.
BS – E o Brasil, tem jeito?
AM – Tem jeito, sim. É só os homens públicos criarem vergonha na cara e se conscientizarem da importância do papel que devem desempenhar, para o progresso da Nação. Na verdade, eles não pensam na gente, isto é, no povo. Só pensam em si, naquilo que é bom para eles. A Nação que se lixe.
BS – E o famoso livro – não escrito – que você nos deve?
AM – De fato, você tem razão. Ainda há pouco, em Belém, o amigo Acyr Castro, jornalista, me cobrava ao menos um livro sobre minhas viagens. Mas, tempo que é bom e necessário, para escrever, eu não tenho, francamente. Vamos esperar um pouco. Vou criar coragem de deixar as aulas. Aí, sim, o tempo vai ser todo meu. Escrever, exige tempo e, com o tempo, conquista-se o mundo.
BS – O que você ainda deseja da vida?
AM – Saúde, paz de espírito, dinheiro, disposição para viajar e lucidez, para viver ainda muitos anos. Tenho a sensação de que só agora é que estou começando a viver. Viver é um dom de Deus.
“ Eis o homem. Aquele que cita os museus, catedrais históricas, pintores renascentistas e autores clássicos, numa simples conversa de meia hora. O professor Munhoz, homem do mundo, cabeça arejadíssima e atenta, olha no relógio. Levanta-se, agradece educadamente, fala com todo mundo à sua volta e sai. Está ligeiramente atrasado para uma aula de Literatura, no Colégio Amapaense.”
Aqui, eu faria uma simples pergunta: Esse texto, publicado há 15 anos, serve ou não para os dias e acontecimentos atuais do Amapá e do Brasil?
sexta-feira, setembro 17, 2010
18 DE SETEMBRO - DIARIO DO MAPÁ:
FICHA LIMPA É A ÚNICA SAÍDA.
Retroagir até bem muito antes de Cristo para “explicar” fundamentos da lei “ficha limpa”, que está, reconheçamos, mobilizando o Brasil. Mas, fiquemos com Isócrates (Atenas, 436 a.C), aliás, não com ele propriamente, com o que falou: “Ao escolher quem deva encarregar-se de negócios que não possa administrar pessoalmente, nunca perca de vista que você é quem arcará com a responsabilidade dos seus atos”.
Isócrates fez muitas advertências aos que iriam servir ao povo, duas delas parecem incomodar muito os “fichas sujas” que estão colocando seus nomes “á disposição”, já com risco eminente de sucumbirem no balcão do STF. Isócrates também disse: “Fidelidade não é inteligência”. “Se não te inclinas para a virtude não és capaz de arte que traga sabedoria e conduza à justiça”.
Veja que, quase 2.400 anos depois dos “ensinamentos” isocratianos, as sociedades democráticas (e outras nem tanto) se organizam segundo princípios da ficha limpa. No Brasil esse é o principio de tudo.. em tese. De outra forma, por exemplo, não se entra no serviço publico, quer dizer: de outra forma legal, licita, limpa., é claro.
Pode parecer estranho, mas no Brasil necessita-se de aprovação em concurso publico quem queira ser policial, delegado de policia, promotor de justiça, defensor publico, procurador, professor, auditor público, etc.
O tal “miserável” pedaço de papel a que Kafka se referiu está, como exigência, entre o concurso publico e a nomeação do servidor, são alguns deles: certidão negativa criminal, diploma, carteirinha profissional de habilitação, comprovação de estágios, comprovante de não condenação por lesão aos cofres públicos, de não demissão do serviço público por improbidade administrativa. São apenas alguns.
Já no setor publico partidário eleitoral, donde surgem senadores, governadores, vereadores, deputados, prefeitos e presidente, a coisa corre frouxa. Veio, então, a Lei Complementar nº 135/2009 (a mesma que exige ficha limpa para juízes, promotores, delegados, agentes de policia, defensores públicos, procuradores de estado, servidores públicos em geral) para ordenar o processo.
Reação? Fichas sujas deram de proclamar que a lei não retroage para prejudicar! Realmente, mas é o seguinte o que diz a Constituição, Artigo 5º, Inciso XL - “A Lei PENAL não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. É de se supor que todos os julgadores e também os cidadãos “medianamente” informados saibam disso. E advogados também.
Portanto, a partir da embromação que estão jogando no horário eleitoral gratuito (e nos cantões da campanha) se pode interpretar melhor as sapientíssimas palavras de Isócrates (436 a.C), nesse caso com a seguinte tradução: Ficha limpa não tem nada a ver com punição criminal. Logo a LC 135/2009 retroage sim, senhores e senhoras.
Notas: ¹-Deve parecer interessante aos futuros governantes: -Preceito, primeiro objeto inspirador e fonte de seus deveres –Ouvir o que os homens dizem uns dos outros, punir e saber mandar em si mesmo –Julgar não pela comodidade, mas pela sua utilidade –Conselho é melhor presente, diferente também, porque se valoriza com o uso –Amar seu povo, protegê-lo, mantê-lo no dever, honrar as pessoas virtuosas, defender os cidadãos de qualquer ofensa –A herança dos seus filhos é a glória e não a riqueza –Não confia teus segredos, pois não advinhas quem, com o tempo, possa tornar-se teu inimigo –Quando um partido é numeroso, mesmo se a ele não pertences, não fales mal dele –Simula –Dissimula –Desconfia –Elogia –Prevê antes de agir.
Retroagir até bem muito antes de Cristo para “explicar” fundamentos da lei “ficha limpa”, que está, reconheçamos, mobilizando o Brasil. Mas, fiquemos com Isócrates (Atenas, 436 a.C), aliás, não com ele propriamente, com o que falou: “Ao escolher quem deva encarregar-se de negócios que não possa administrar pessoalmente, nunca perca de vista que você é quem arcará com a responsabilidade dos seus atos”.
Isócrates fez muitas advertências aos que iriam servir ao povo, duas delas parecem incomodar muito os “fichas sujas” que estão colocando seus nomes “á disposição”, já com risco eminente de sucumbirem no balcão do STF. Isócrates também disse: “Fidelidade não é inteligência”. “Se não te inclinas para a virtude não és capaz de arte que traga sabedoria e conduza à justiça”.
Veja que, quase 2.400 anos depois dos “ensinamentos” isocratianos, as sociedades democráticas (e outras nem tanto) se organizam segundo princípios da ficha limpa. No Brasil esse é o principio de tudo.. em tese. De outra forma, por exemplo, não se entra no serviço publico, quer dizer: de outra forma legal, licita, limpa., é claro.
Pode parecer estranho, mas no Brasil necessita-se de aprovação em concurso publico quem queira ser policial, delegado de policia, promotor de justiça, defensor publico, procurador, professor, auditor público, etc.
O tal “miserável” pedaço de papel a que Kafka se referiu está, como exigência, entre o concurso publico e a nomeação do servidor, são alguns deles: certidão negativa criminal, diploma, carteirinha profissional de habilitação, comprovação de estágios, comprovante de não condenação por lesão aos cofres públicos, de não demissão do serviço público por improbidade administrativa. São apenas alguns.
Já no setor publico partidário eleitoral, donde surgem senadores, governadores, vereadores, deputados, prefeitos e presidente, a coisa corre frouxa. Veio, então, a Lei Complementar nº 135/2009 (a mesma que exige ficha limpa para juízes, promotores, delegados, agentes de policia, defensores públicos, procuradores de estado, servidores públicos em geral) para ordenar o processo.
Reação? Fichas sujas deram de proclamar que a lei não retroage para prejudicar! Realmente, mas é o seguinte o que diz a Constituição, Artigo 5º, Inciso XL - “A Lei PENAL não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. É de se supor que todos os julgadores e também os cidadãos “medianamente” informados saibam disso. E advogados também.
Portanto, a partir da embromação que estão jogando no horário eleitoral gratuito (e nos cantões da campanha) se pode interpretar melhor as sapientíssimas palavras de Isócrates (436 a.C), nesse caso com a seguinte tradução: Ficha limpa não tem nada a ver com punição criminal. Logo a LC 135/2009 retroage sim, senhores e senhoras.
Notas: ¹-Deve parecer interessante aos futuros governantes: -Preceito, primeiro objeto inspirador e fonte de seus deveres –Ouvir o que os homens dizem uns dos outros, punir e saber mandar em si mesmo –Julgar não pela comodidade, mas pela sua utilidade –Conselho é melhor presente, diferente também, porque se valoriza com o uso –Amar seu povo, protegê-lo, mantê-lo no dever, honrar as pessoas virtuosas, defender os cidadãos de qualquer ofensa –A herança dos seus filhos é a glória e não a riqueza –Não confia teus segredos, pois não advinhas quem, com o tempo, possa tornar-se teu inimigo –Quando um partido é numeroso, mesmo se a ele não pertences, não fales mal dele –Simula –Dissimula –Desconfia –Elogia –Prevê antes de agir.
O "BALUARTE" CONVERSOU COM ANTONIO MUNHOZ
“O BALUARTE” CONVERSA COM ANTONIO MUNHOZ****
Ano 1973
B-Professor o senhor que freqüentou os meios sociais, participando daquilo que se convencionou chamar de “society”, poderá nos dizer qual o maior acontecimento do ano passado, em sociedade, e do qual o senhor participou?
AM- Indiscutivelmente foi o banquete da “Hostess do Ano”, Sra. Maria do Faro Chaves, esposa do Governador Aloysio Chaves, na belíssima casa de Elias e Maria Psaros, em Belém. Foi uma noite inesquecível, um acontecimento digno de qualquer cidade civilizada do mundo.
B- Se o senhor, aqui em Macapá, fosse escolher uma anfitrioa de categoria, que o senhor escolheria como “Hostess” perfeita?
Do Dr. Nilder Santiago. É uma anfitrioa de muita classe, recebendo sempre com muita categoria. Apontaria, ainda, a Sra. Leila Gammachi, outra dama que recebe maravilhosamente bem. Jantares sensacionais eram os de Madame Jacqueline Ferry, onde, além do prazer gustativo, havia também o deleite intelectual.
B- Qual “a mulher das mais bela” e “a mais elegante” das suas relações de amizade?
AM- A mais bela, por sinal, belíssima, é Lucia Candida Meira, esposa de Paulo Meira; bela em qualquer lugar do mundo. Quanto a mais elegante, sem sombra de duvida, é Francy Meira, esposa de Alcyr Meira; Francy é uma mulher elegantíssima, podre de chique, sensacional.
B- Para o senhor, qual a mais bonita e original cidade do mundo?
AM- É Veneza; cidade deslumbrante, que parece imaginada num momento de delírio. É única no mundo, com o fascínio de suas águas é cidade para se curtir intensamente. Veneza é cidade que se ama.
B- E que cidades do mundo, o senhor, tranquilamente, moraria?
AM- Paris e Roma: são duas cidades que me fascinam. Paris é ainda o coração da Europa e onde a vida parece que tem mais sentido. Roma é o coração da Cristandade. Com sua história seus monumentos, sua arte, Roma é uma sedução contínua.
B- Qual a mais linda igreja do mundo?
AM- Talvez seja a catedral de Chartres. Acho-a deslumbrante. Os vitrais são, sem duvida alguma, os mais belos do mundo. Como escreveu acertadamente Êmile Mâle, “a catedral de Chartres é o próprio pensamento da Idade Média que se faz visível”.
B- O senhor já trabalhou, há tempos, na Policia, não é verdade? Que é que o senhor fazia?
AM- De fato, nos idos de 60, fui Delegado de Ordem Politica e Social. Havia terminado a nossa velha Faculdade de Direito, em Belém, de tal forma que a experiência foi proveitosa, muito valida mesmo. Foi o meu primeiro trabalho. Tenho, inclusive, boas recordações dessa época.
B- Lindanor Celinae o cônego Ápio Campos escreveram, na época, a respeito de suas atividades policiais, não é certo?
AM- Sim, Lindanor Celina, que hoje mora em Paris, pedi que eu escrevesse sobre o “metier”, sugerindo-me até um titulo: “Romance Policial de Macapá”. Quanto ao cônego Ápio Campos, numa gozação absoluta, chegou a escrever uma crônica em “ A Provinia do Pará” , afirmando entre outras coisas, que eu andava prendendo muita gente e dava à policia local “um clima de cenáculo literário”. Dizia ainda que meu escrivão era quase um poeta, meus auxiliares aproveitavam as folgas para ler contos e romances, e chegou ao cumulo de afirmar que “os próprios encarcerados eram obrigados a ler, em obediência a uma portaria baixada, varias paginas de antologia por semana”.
B- Em Roma, o senhor já viu o Papa? Qual a sua opinião a respeito de Paulo VI?
AM- Já assisti a três audiências de Paulo VI; acho-o extraordinário. É realmente, um homem de Deus. O que tem feito pela paz do mundo é extraordinário. É uma figura venerável.
B- Gostaria que o senhor citasse cinco romanos importantes da literatura brasileira.
AM- “Memorias de um Sargento de Milicias”, de Manuel Antonio de Almeida; “O Ateneu”, de Raul Pompéia; “Memorias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, e “O Encontro Marcado”, de Fernando Sabino.
B- Queremos duas obras primas da poesia brasileira.
AM- “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima, e “Romanceiro da Inconfidência” , de Cecilia Meireles, a extraordinária poetisa morta em novembro de 1964.
B- Qual o filme mais corajoso do ano, na sua opinião?
AM- Sem discussão, “Salé ou 120 Dias de Sodoma”, de Pier Paolo Pasoline, que vi, em agosto do ano passado, em Paris. Em todos os sentidos é um dos filmes mais corajosos da história do Cinema. Com “Salé” o Cinema chegou ao máximo.
B- Outro filme importante visto, ultimamente, pelo senhor?
AM- “Travolti da un insolito destino nell’azurro mare d’agosto”, de Lina Wertmuller, a famosa diretora italiana de “Amor e Anarquia”. Vi-o em Lisboa, saindo eufórico do cinema. É um filme para se ver e meditar.
B- O senhor viu o “Ultimo Tango em Paris”? qual sua opinião?
AM- O discutido filme de Bernardo Derulucci é para quem vai atrás de pornografia, uma decepção. Sobretudo porque é uma obra séria, um estudo profundo sobre a solidão de um homem. “O Ultimo Tango em Paris” é um filme triste.
B- Que filmes o senhor já viu de Linda Lovelace, a rainha do pornô?
AM- Os dois mais celebres: “Deep Throat”, que é um dos clássicos da pornografia no cinema. Vi-o em 74, em San Francisco, na Califórnia; e o outro, ano passado, em Londres: “Linda Lovelace for President”.
B- Qual foi a melhor exposição de arte vista no passado?
AM- A de “Retratos”, de Ticiano, na Galeria Nacional, em Londres
B- Aqui em Macapá, o que o senhor acha do trabalho de Nina Barreto?
AM- É uma das maiores, aqui, da terra. Uma mulher de sensibilidade excepcional, de grande força criativa, e que, a cada exposição, nos surpreende com peças de uma beleza muito grande. Nina Barreto Nakaniski é uma artista de verdade.
B- Para terminar, um pensamento como corolário desta conversa.
AM- É de Ráissa Maritain o pensamento: “Nossos amigos fazem parte de nossa vida, e nossa vida explica nossas amizades”.
Ano 1973
B-Professor o senhor que freqüentou os meios sociais, participando daquilo que se convencionou chamar de “society”, poderá nos dizer qual o maior acontecimento do ano passado, em sociedade, e do qual o senhor participou?
AM- Indiscutivelmente foi o banquete da “Hostess do Ano”, Sra. Maria do Faro Chaves, esposa do Governador Aloysio Chaves, na belíssima casa de Elias e Maria Psaros, em Belém. Foi uma noite inesquecível, um acontecimento digno de qualquer cidade civilizada do mundo.
B- Se o senhor, aqui em Macapá, fosse escolher uma anfitrioa de categoria, que o senhor escolheria como “Hostess” perfeita?
Do Dr. Nilder Santiago. É uma anfitrioa de muita classe, recebendo sempre com muita categoria. Apontaria, ainda, a Sra. Leila Gammachi, outra dama que recebe maravilhosamente bem. Jantares sensacionais eram os de Madame Jacqueline Ferry, onde, além do prazer gustativo, havia também o deleite intelectual.
B- Qual “a mulher das mais bela” e “a mais elegante” das suas relações de amizade?
AM- A mais bela, por sinal, belíssima, é Lucia Candida Meira, esposa de Paulo Meira; bela em qualquer lugar do mundo. Quanto a mais elegante, sem sombra de duvida, é Francy Meira, esposa de Alcyr Meira; Francy é uma mulher elegantíssima, podre de chique, sensacional.
B- Para o senhor, qual a mais bonita e original cidade do mundo?
AM- É Veneza; cidade deslumbrante, que parece imaginada num momento de delírio. É única no mundo, com o fascínio de suas águas é cidade para se curtir intensamente. Veneza é cidade que se ama.
B- E que cidades do mundo, o senhor, tranquilamente, moraria?
AM- Paris e Roma: são duas cidades que me fascinam. Paris é ainda o coração da Europa e onde a vida parece que tem mais sentido. Roma é o coração da Cristandade. Com sua história seus monumentos, sua arte, Roma é uma sedução contínua.
B- Qual a mais linda igreja do mundo?
AM- Talvez seja a catedral de Chartres. Acho-a deslumbrante. Os vitrais são, sem duvida alguma, os mais belos do mundo. Como escreveu acertadamente Êmile Mâle, “a catedral de Chartres é o próprio pensamento da Idade Média que se faz visível”.
B- O senhor já trabalhou, há tempos, na Policia, não é verdade? Que é que o senhor fazia?
AM- De fato, nos idos de 60, fui Delegado de Ordem Politica e Social. Havia terminado a nossa velha Faculdade de Direito, em Belém, de tal forma que a experiência foi proveitosa, muito valida mesmo. Foi o meu primeiro trabalho. Tenho, inclusive, boas recordações dessa época.
B- Lindanor Celinae o cônego Ápio Campos escreveram, na época, a respeito de suas atividades policiais, não é certo?
AM- Sim, Lindanor Celina, que hoje mora em Paris, pedi que eu escrevesse sobre o “metier”, sugerindo-me até um titulo: “Romance Policial de Macapá”. Quanto ao cônego Ápio Campos, numa gozação absoluta, chegou a escrever uma crônica em “ A Provinia do Pará” , afirmando entre outras coisas, que eu andava prendendo muita gente e dava à policia local “um clima de cenáculo literário”. Dizia ainda que meu escrivão era quase um poeta, meus auxiliares aproveitavam as folgas para ler contos e romances, e chegou ao cumulo de afirmar que “os próprios encarcerados eram obrigados a ler, em obediência a uma portaria baixada, varias paginas de antologia por semana”.
B- Em Roma, o senhor já viu o Papa? Qual a sua opinião a respeito de Paulo VI?
AM- Já assisti a três audiências de Paulo VI; acho-o extraordinário. É realmente, um homem de Deus. O que tem feito pela paz do mundo é extraordinário. É uma figura venerável.
B- Gostaria que o senhor citasse cinco romanos importantes da literatura brasileira.
AM- “Memorias de um Sargento de Milicias”, de Manuel Antonio de Almeida; “O Ateneu”, de Raul Pompéia; “Memorias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, e “O Encontro Marcado”, de Fernando Sabino.
B- Queremos duas obras primas da poesia brasileira.
AM- “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima, e “Romanceiro da Inconfidência” , de Cecilia Meireles, a extraordinária poetisa morta em novembro de 1964.
B- Qual o filme mais corajoso do ano, na sua opinião?
AM- Sem discussão, “Salé ou 120 Dias de Sodoma”, de Pier Paolo Pasoline, que vi, em agosto do ano passado, em Paris. Em todos os sentidos é um dos filmes mais corajosos da história do Cinema. Com “Salé” o Cinema chegou ao máximo.
B- Outro filme importante visto, ultimamente, pelo senhor?
AM- “Travolti da un insolito destino nell’azurro mare d’agosto”, de Lina Wertmuller, a famosa diretora italiana de “Amor e Anarquia”. Vi-o em Lisboa, saindo eufórico do cinema. É um filme para se ver e meditar.
B- O senhor viu o “Ultimo Tango em Paris”? qual sua opinião?
AM- O discutido filme de Bernardo Derulucci é para quem vai atrás de pornografia, uma decepção. Sobretudo porque é uma obra séria, um estudo profundo sobre a solidão de um homem. “O Ultimo Tango em Paris” é um filme triste.
B- Que filmes o senhor já viu de Linda Lovelace, a rainha do pornô?
AM- Os dois mais celebres: “Deep Throat”, que é um dos clássicos da pornografia no cinema. Vi-o em 74, em San Francisco, na Califórnia; e o outro, ano passado, em Londres: “Linda Lovelace for President”.
B- Qual foi a melhor exposição de arte vista no passado?
AM- A de “Retratos”, de Ticiano, na Galeria Nacional, em Londres
B- Aqui em Macapá, o que o senhor acha do trabalho de Nina Barreto?
AM- É uma das maiores, aqui, da terra. Uma mulher de sensibilidade excepcional, de grande força criativa, e que, a cada exposição, nos surpreende com peças de uma beleza muito grande. Nina Barreto Nakaniski é uma artista de verdade.
B- Para terminar, um pensamento como corolário desta conversa.
AM- É de Ráissa Maritain o pensamento: “Nossos amigos fazem parte de nossa vida, e nossa vida explica nossas amizades”.
segunda-feira, setembro 13, 2010
MAIS PARA AS MENORES
MODELOS CONTRADITÓRIOS
Minas Gerais sempre praticou boa política de ocupação territorial e de distribuição habitacional, de um modo geral é boa a qualidade de vida no estado. O “segredo” mineiro está nos intervalos populacionais que dão a Minas sete (7) classes numéricas de ocupação. Belo Horizonte é a maior cidade com 2.452.617habitantes e Serra da Saudade é a menor com apenas 889 habitantes (2010).
Entre ambas existem outras 851 cidades (municípios), classificados: três com mais de 500.000 habitantes, vinte e uma com mais de 100.000 habitantes, trinta e quatro com mais de 50.000 habitantes, sessenta e oito com mais de 25.000 habitantes, duzentas e treze com mais de 10.000 habitantes, duzentas sessenta e oito com mais de 5.000 habitantes e duzentas e quarenta e cinco com até 4.999 habitantes.
O Amapá, por sua vez, tem apenas dezesseis municípios, dois dos quais com mais de 50.000 habitantes, no caso, Macapá e Santana, respectivamente com cerca de 350 e cem mil habitantes.
E uma coisa a ver com a outra? A resposta está no programa de governo da Sra. Dilma Rousseff, que está prometendo construir pelo menos uma escola técnica em cada município com mais de cinqüenta mil habitantes.
Tomei o exemplo de Minas Gerais e do Amapá para evidenciar dois modelos antagônicos de desenvolvimento regional, e o estimulo do governo central para que a vida urbana sempre piore um pouco mais.
Minas tem mais de setecentos municípios com até quarenta e nove mil novecentos e noventa e nove habitantes., não por acaso. É o modelo: ocupar todo o espaço territorial através de muitos e pequenos municípios. Resulta daí boa distribuição de renda, ótima taxa de poupança interna, boa qualidade de vida, geopolítica competitiva e muito poder político nas “mãos” do governo estadual. Lá são bem pequenos os perímetros municipais.
O Amapá, ao contrário, opta por poucos municípios, com enormes extensões municipais, nenhuma geopolítica contributiva, baixa qualidade de vida e, excessivo poder político concentrado nas “mãos” do governador.
A proposta contida no programa de governo da Sra. Dilma corrói os dois modelos, dando mais chances a quem já tem alguma (perceba que Minas Gerais tem mais de cento e vinte cidades que vão receber mais escolas técnicas) e “esvaziando” sempre mais as pequenas cidades, que seguirão no papel de “exportar” cérebros através da interminável busca de alguma oportunidade educacional (nasci numa cidadezinha -5.742 hab/2010- deixei-a definitivamente após o ginasial., eu e 95% dos que tiveram a chance de sair e nenhuma de voltar para o trabalho remunerado).
Nesse descompasso desaparecerão as pequenas cidades em detrimento do abarrotamento daquelas de médio e grande porte. Macapá também tem sido o endereço principal para os que procuram formação e trabalho.
Na melhor das hipóteses as menores cidades, poucas, só se manterão (por algum tempo) como cidade-dormitório. Insustentáveis, portanto.
Notas: ¹-O Sinsepeap ainda não se dignou a dar uma explicação aceitável para os problemas que enfrenta(?) com a construção do prédio-sede. Lembro que estou me referindo aos Sindicato dos Professores e Trabalhadores da Educação. ²-Eu, minha esposa e filhos fizemos a nossa casa... é só um lembrete ao marketeiro. ³-IV Festival do Açaí realizado em Laranjal do Jari. E o primeiro de Macapá virá quando? 4-Descanse em muita paz a alma da benemérita Professora Vanda Jucá. 5-A Operação “Mãos Limpas”, do STJ/DPF, provocará profundas alterações no resultado eleitoral.
Minas Gerais sempre praticou boa política de ocupação territorial e de distribuição habitacional, de um modo geral é boa a qualidade de vida no estado. O “segredo” mineiro está nos intervalos populacionais que dão a Minas sete (7) classes numéricas de ocupação. Belo Horizonte é a maior cidade com 2.452.617habitantes e Serra da Saudade é a menor com apenas 889 habitantes (2010).
Entre ambas existem outras 851 cidades (municípios), classificados: três com mais de 500.000 habitantes, vinte e uma com mais de 100.000 habitantes, trinta e quatro com mais de 50.000 habitantes, sessenta e oito com mais de 25.000 habitantes, duzentas e treze com mais de 10.000 habitantes, duzentas sessenta e oito com mais de 5.000 habitantes e duzentas e quarenta e cinco com até 4.999 habitantes.
O Amapá, por sua vez, tem apenas dezesseis municípios, dois dos quais com mais de 50.000 habitantes, no caso, Macapá e Santana, respectivamente com cerca de 350 e cem mil habitantes.
E uma coisa a ver com a outra? A resposta está no programa de governo da Sra. Dilma Rousseff, que está prometendo construir pelo menos uma escola técnica em cada município com mais de cinqüenta mil habitantes.
Tomei o exemplo de Minas Gerais e do Amapá para evidenciar dois modelos antagônicos de desenvolvimento regional, e o estimulo do governo central para que a vida urbana sempre piore um pouco mais.
Minas tem mais de setecentos municípios com até quarenta e nove mil novecentos e noventa e nove habitantes., não por acaso. É o modelo: ocupar todo o espaço territorial através de muitos e pequenos municípios. Resulta daí boa distribuição de renda, ótima taxa de poupança interna, boa qualidade de vida, geopolítica competitiva e muito poder político nas “mãos” do governo estadual. Lá são bem pequenos os perímetros municipais.
O Amapá, ao contrário, opta por poucos municípios, com enormes extensões municipais, nenhuma geopolítica contributiva, baixa qualidade de vida e, excessivo poder político concentrado nas “mãos” do governador.
A proposta contida no programa de governo da Sra. Dilma corrói os dois modelos, dando mais chances a quem já tem alguma (perceba que Minas Gerais tem mais de cento e vinte cidades que vão receber mais escolas técnicas) e “esvaziando” sempre mais as pequenas cidades, que seguirão no papel de “exportar” cérebros através da interminável busca de alguma oportunidade educacional (nasci numa cidadezinha -5.742 hab/2010- deixei-a definitivamente após o ginasial., eu e 95% dos que tiveram a chance de sair e nenhuma de voltar para o trabalho remunerado).
Nesse descompasso desaparecerão as pequenas cidades em detrimento do abarrotamento daquelas de médio e grande porte. Macapá também tem sido o endereço principal para os que procuram formação e trabalho.
Na melhor das hipóteses as menores cidades, poucas, só se manterão (por algum tempo) como cidade-dormitório. Insustentáveis, portanto.
Notas: ¹-O Sinsepeap ainda não se dignou a dar uma explicação aceitável para os problemas que enfrenta(?) com a construção do prédio-sede. Lembro que estou me referindo aos Sindicato dos Professores e Trabalhadores da Educação. ²-Eu, minha esposa e filhos fizemos a nossa casa... é só um lembrete ao marketeiro. ³-IV Festival do Açaí realizado em Laranjal do Jari. E o primeiro de Macapá virá quando? 4-Descanse em muita paz a alma da benemérita Professora Vanda Jucá. 5-A Operação “Mãos Limpas”, do STJ/DPF, provocará profundas alterações no resultado eleitoral.
DOM INAFIO III
DOM INAFIO DA FILVA III
Bem no inicio do governo Lula, em 2003, apareceu na imprensa um texto humorístico interessante: O REINO ENCANTADO DE DOM INÁFIO CALAMAR DA FILVA I. Estava na pagina especial denominada: GRAN CIRCO OTA. Dizia o texto:
-“É muita gentileza fua oferefer fem milhões para combater o crime organizado, senhor Burgomestre Févar Maia! O senhor parefe fer a única pefoa com dinheiro no reino. Afinal, o que pretende faver com tanto dinheiro?
-Construirei um presídio de segurança máxima, Majestade! Veja a planta do presídio Siverinha I: Todas as grades dão choques de altíssima voltagem, causando morte instantânea em quem tocar nelas. Será rodeado por um gigantesco fosso de dois quilômetros repleto de ferozes e famintos tubarões e piranhas. Subornar os guardas será impossível, são todos samurais-robôs incorruptíveis, fabricados no Japão. Os visitantes têm que ficar completamente pelados, e ainda passar por maquinas de raios duplo X. Cavar túneis, nem pensar... o subsolo será revestido de titânio e por baixo ainda uma camada de lava incandescente. Enormes águias, gigantes transgênicos, patrulharão o céu tornando impossíveis as invasões de helicópteros. Um poderoso satélite misturador de sinais inviabilizará a comunicação do prédio com o exterior, seja por celulares ou até mesmo telepatia.
-Févar Maia, efe presídio parefe fer indevafavel mesmo!Nenhum bandido conseguirá fair de lá!
-Majestade, mas quem falou em sair? Tudo isso é para impedir que eles entrem! Eu pretendo me mudar com minha família para lá... acha que sou louco de sair na rua com tantos bandidos à solta?”.
César Maia, à época, era prefeito do Rio de Janeiro, prestigioso político de projeção nacional, um dos lideres mais influentes do PFL, atualmente DEM. Lula era presidente recém eleito, em março de 2003 estigmatizado dessa forma pela oposição: não tinha diploma superior, apresentava dificuldade para articular palavras, sindicalista renitente, perseguidor implacável da vaga presidencial. Era, portanto, bom e fácil brincar com a imagem dele através de charges e cartoons. Mas...
O tempo passou, estamos em 2010 convivendo com recordes sobre recordes de popularidade do presidente Lula: o Cara! César Maia, por sua vez, saiu da mídia e nem lembrado foi para vice na chapa da coligação PSDB-DEM - deu Indio da Costa.
Agora, quem vem lá para reinar: rei ou rainha? Seja quem for, mas o(a) escolhido(a) deveria ler o Pasquim, nº 54, de 18/03/2003. O jornal não tratou só de presídios, para variar foi fundo nas questões cruciais recrudescentes mandato após mandato num Brasil que cresce, mas não se desenvolve para todos os brasileiros.
Ou muda ou em 2014 vai dar Dom Inafio “o Cara” da Filva III.
Notas: ¹-Não criticamos pessoas, mas fatos. Fato 1: a venda de motos no pátio da Mercado Central desagrada aos que vêem espaço como público e culturalmente ligado à Fortaleza de São José. É, portanto, mais área cultural que comercial. 2: comercio por comercio, e os camelôs. ²-Não consigo compreender a lógica das corridas, caminhadas, gincanas, maratonas em vias cruciais para o escoamento do transito na cidade, nos horários mais exigidos do dia. Quinta-feira, 7:30h, um desses eventos predominou na JK/Jovino Dinoá. ³-Considerei de alta relevância a contribuição da Rede Globo de Televisão para os interesses superiores do Amapá. A apresentação do Jornal Nacional diretamente de Macapá poderá ser um divisor de água. A bola está conosco.
Bem no inicio do governo Lula, em 2003, apareceu na imprensa um texto humorístico interessante: O REINO ENCANTADO DE DOM INÁFIO CALAMAR DA FILVA I. Estava na pagina especial denominada: GRAN CIRCO OTA. Dizia o texto:
-“É muita gentileza fua oferefer fem milhões para combater o crime organizado, senhor Burgomestre Févar Maia! O senhor parefe fer a única pefoa com dinheiro no reino. Afinal, o que pretende faver com tanto dinheiro?
-Construirei um presídio de segurança máxima, Majestade! Veja a planta do presídio Siverinha I: Todas as grades dão choques de altíssima voltagem, causando morte instantânea em quem tocar nelas. Será rodeado por um gigantesco fosso de dois quilômetros repleto de ferozes e famintos tubarões e piranhas. Subornar os guardas será impossível, são todos samurais-robôs incorruptíveis, fabricados no Japão. Os visitantes têm que ficar completamente pelados, e ainda passar por maquinas de raios duplo X. Cavar túneis, nem pensar... o subsolo será revestido de titânio e por baixo ainda uma camada de lava incandescente. Enormes águias, gigantes transgênicos, patrulharão o céu tornando impossíveis as invasões de helicópteros. Um poderoso satélite misturador de sinais inviabilizará a comunicação do prédio com o exterior, seja por celulares ou até mesmo telepatia.
-Févar Maia, efe presídio parefe fer indevafavel mesmo!Nenhum bandido conseguirá fair de lá!
-Majestade, mas quem falou em sair? Tudo isso é para impedir que eles entrem! Eu pretendo me mudar com minha família para lá... acha que sou louco de sair na rua com tantos bandidos à solta?”.
César Maia, à época, era prefeito do Rio de Janeiro, prestigioso político de projeção nacional, um dos lideres mais influentes do PFL, atualmente DEM. Lula era presidente recém eleito, em março de 2003 estigmatizado dessa forma pela oposição: não tinha diploma superior, apresentava dificuldade para articular palavras, sindicalista renitente, perseguidor implacável da vaga presidencial. Era, portanto, bom e fácil brincar com a imagem dele através de charges e cartoons. Mas...
O tempo passou, estamos em 2010 convivendo com recordes sobre recordes de popularidade do presidente Lula: o Cara! César Maia, por sua vez, saiu da mídia e nem lembrado foi para vice na chapa da coligação PSDB-DEM - deu Indio da Costa.
Agora, quem vem lá para reinar: rei ou rainha? Seja quem for, mas o(a) escolhido(a) deveria ler o Pasquim, nº 54, de 18/03/2003. O jornal não tratou só de presídios, para variar foi fundo nas questões cruciais recrudescentes mandato após mandato num Brasil que cresce, mas não se desenvolve para todos os brasileiros.
Ou muda ou em 2014 vai dar Dom Inafio “o Cara” da Filva III.
Notas: ¹-Não criticamos pessoas, mas fatos. Fato 1: a venda de motos no pátio da Mercado Central desagrada aos que vêem espaço como público e culturalmente ligado à Fortaleza de São José. É, portanto, mais área cultural que comercial. 2: comercio por comercio, e os camelôs. ²-Não consigo compreender a lógica das corridas, caminhadas, gincanas, maratonas em vias cruciais para o escoamento do transito na cidade, nos horários mais exigidos do dia. Quinta-feira, 7:30h, um desses eventos predominou na JK/Jovino Dinoá. ³-Considerei de alta relevância a contribuição da Rede Globo de Televisão para os interesses superiores do Amapá. A apresentação do Jornal Nacional diretamente de Macapá poderá ser um divisor de água. A bola está conosco.
sábado, agosto 21, 2010
O PRÉDIO MAIS ANTIGO DE MACAPÁ
O MONUMENTO MAIS IMPORTANTE.
A Igreja de São José de Macapá vai passar por um cuidadoso processo de restauração. Fase a fase, segundo seus conjuntos de paredes (arcabouço- pintura), cobertura (forro-teto), portas e janelas, equipamentos de arte (sacra e não sacra). Consumirá nisso um tempo indeterminado, porém necessário a que o estado e o povo amapaense permaneçam na posse e guarda do seu mais importante monumento histórico.
A questão é exatamente essa: o mais importante monumento histórico entre nós, a partir do qual tudo começou. Em 1752 teve inicio, inaugurando-se em 1761. Antes dele, diz o arquivo histórico de Macapá, era o nada.
Ora, em sendo este o primeiro marco de ocupação desse chão que hoje é a cidade de Macapá, que nos encanta e abriga a cada dia que a conhecemos um pouco mais, seria a sua restauração uma tarefa coletiva. Não se estaria restaurando uma igreja católica, também não um patrimônio da Diocese de Macapá, do bispo ou dos padres, mas o monumento histórico mais importante para os amapaenses. Berço e sustentação da cultura que nos anima a mais e mais na peleja cotidiana pela vida.
Seria bom que o governo estadual e municipal de Macapá se interessassem mais e melhor por esse projeto, interagindo com a coordenação direta do mesmo e, daí em diante cuidassem torná-lo uma empreitada de toda a sociedade amapaense, sob o ponto de vista da historicidade que nos reaproxima daquela “meia dúzia” visionária que, erguendo a capela de São José previa os dias atuais e futuros dessa multidão de pessoas que já somos, mas ainda duvidosos quanto a cuidarmos ou não dos nossos valores culturais arquitetônicos, religiosos, sacros, literários, etc.
Dúvida que não deveria existir especialmente ante a pequena quantidade desses monumentos restantes em Macapá. O prédio da Igreja São José sobressai também pela sua localização ali no “Formigueiro” ou “Largo dos Inocentes”, espaço cultural atualmente muitíssimo bem utilizado pelo povo, através da atuação inteligente da Confraria Tucuju. Tudo ali está limpo, os equipamentos urbanos são dispostos com bom gosto, as pessoas portam-se orgulhosas por “pisarem o chão onde tudo começou”.
O predio não está só, como que “guardando” esse testemunho da história amapaense estão três outros importantes prédios diretamente ligados à cultura local: o da Biblioteca Pública, e do Museu Histórico e o do Teatro das Bacabeiras, além de fazer-lhe frente o primeiro cruzeiro e a Praça Veiga Cabral.
Até dias atrás pisava os ladrilho daquela igreja o Sr. Duca Serra, que por noventa e seis anos testemunhou tudo que ocorreu de um lado e outro das portas desse fantástico prédio. O Sr. Duca Serra sabia tudo sobre as seis pessoas que foram e estão sepultadas no chão da bicentenária igreja, se o perdemos sem indagar-lhe sobre tais histórias, nos animemos agora a nos apropriarmos definitivamente d a história desse prédio que muito tem a oferecer sobre cidadania, soberania, cultural e afirmação social. Basta compreender e aceitar toda história que ele realmente guarda.
Notas: ¹-Chegamos a 30 quilos de pasta base de cocaína apreendida no estado em ação policial. No contra-ponto os candidatos estão falando de quanto mais no orçamento para Segurança Pública? ²-Viva o bom senso: a PM fez manobras, na Beira Rio, ontem sem, contudo, obstruí-la aos pagadores de impostos. Parabéns comandantes! ³-Agrada, anima, compensa ver o Teatro das Bacabeiras inteiramente lotado quando se está em andamento eventos para os quais foi concebido. Foi assim ontem por ocasião (feliz) do show do pianista e maestro Bem Hur Cionek. Um grande presente dos magistrados à sociedade. Mas ainda tem crianças muito pequenas sobrando nessas ocasiões especiais.
A Igreja de São José de Macapá vai passar por um cuidadoso processo de restauração. Fase a fase, segundo seus conjuntos de paredes (arcabouço- pintura), cobertura (forro-teto), portas e janelas, equipamentos de arte (sacra e não sacra). Consumirá nisso um tempo indeterminado, porém necessário a que o estado e o povo amapaense permaneçam na posse e guarda do seu mais importante monumento histórico.
A questão é exatamente essa: o mais importante monumento histórico entre nós, a partir do qual tudo começou. Em 1752 teve inicio, inaugurando-se em 1761. Antes dele, diz o arquivo histórico de Macapá, era o nada.
Ora, em sendo este o primeiro marco de ocupação desse chão que hoje é a cidade de Macapá, que nos encanta e abriga a cada dia que a conhecemos um pouco mais, seria a sua restauração uma tarefa coletiva. Não se estaria restaurando uma igreja católica, também não um patrimônio da Diocese de Macapá, do bispo ou dos padres, mas o monumento histórico mais importante para os amapaenses. Berço e sustentação da cultura que nos anima a mais e mais na peleja cotidiana pela vida.
Seria bom que o governo estadual e municipal de Macapá se interessassem mais e melhor por esse projeto, interagindo com a coordenação direta do mesmo e, daí em diante cuidassem torná-lo uma empreitada de toda a sociedade amapaense, sob o ponto de vista da historicidade que nos reaproxima daquela “meia dúzia” visionária que, erguendo a capela de São José previa os dias atuais e futuros dessa multidão de pessoas que já somos, mas ainda duvidosos quanto a cuidarmos ou não dos nossos valores culturais arquitetônicos, religiosos, sacros, literários, etc.
Dúvida que não deveria existir especialmente ante a pequena quantidade desses monumentos restantes em Macapá. O prédio da Igreja São José sobressai também pela sua localização ali no “Formigueiro” ou “Largo dos Inocentes”, espaço cultural atualmente muitíssimo bem utilizado pelo povo, através da atuação inteligente da Confraria Tucuju. Tudo ali está limpo, os equipamentos urbanos são dispostos com bom gosto, as pessoas portam-se orgulhosas por “pisarem o chão onde tudo começou”.
O predio não está só, como que “guardando” esse testemunho da história amapaense estão três outros importantes prédios diretamente ligados à cultura local: o da Biblioteca Pública, e do Museu Histórico e o do Teatro das Bacabeiras, além de fazer-lhe frente o primeiro cruzeiro e a Praça Veiga Cabral.
Até dias atrás pisava os ladrilho daquela igreja o Sr. Duca Serra, que por noventa e seis anos testemunhou tudo que ocorreu de um lado e outro das portas desse fantástico prédio. O Sr. Duca Serra sabia tudo sobre as seis pessoas que foram e estão sepultadas no chão da bicentenária igreja, se o perdemos sem indagar-lhe sobre tais histórias, nos animemos agora a nos apropriarmos definitivamente d a história desse prédio que muito tem a oferecer sobre cidadania, soberania, cultural e afirmação social. Basta compreender e aceitar toda história que ele realmente guarda.
Notas: ¹-Chegamos a 30 quilos de pasta base de cocaína apreendida no estado em ação policial. No contra-ponto os candidatos estão falando de quanto mais no orçamento para Segurança Pública? ²-Viva o bom senso: a PM fez manobras, na Beira Rio, ontem sem, contudo, obstruí-la aos pagadores de impostos. Parabéns comandantes! ³-Agrada, anima, compensa ver o Teatro das Bacabeiras inteiramente lotado quando se está em andamento eventos para os quais foi concebido. Foi assim ontem por ocasião (feliz) do show do pianista e maestro Bem Hur Cionek. Um grande presente dos magistrados à sociedade. Mas ainda tem crianças muito pequenas sobrando nessas ocasiões especiais.
terça-feira, agosto 17, 2010
DEU NO DIÁRIO...
Ondas do desenvolvimento
Maria Teresa Renó
Da equipe de articulistas
Oautor nova yorquino, Alvin Toffler escreveu em 1980, o livro A terceira onda (The Third Wave), um Best Seller, estudioso dos fenômenos sociais e econômicos, descreve suas teorias sobre a evolução da sociedade que ele chamou de primeira, segunda e terceira onda. Nesta obra ele fez um ensaio sobre como deve ser a sociedade pós moderna do século XXI.
De acordo com o autor, a primeira onda de geração de riquezas trata da revolução agrícola, onde o homem deixou de ser nômade e se fixou no campo para a produçao agrícola. A segunda onda apresenta as modificações ocorridas na sociedade com base na revolução industrial e sua produção em massa. Já a terceira onda de riqueza é consequência do industrialismo e que formava uma nova civilização, que denominou de a onda do conhecimento, interferindo nas relações de trabalho, interpessoais e de consumo.
Explica que na terceira onda os países que se destacariam seriam os que detém o conhecimento. Alguns críticos de sua teoria substituem o termo conhecimento para o da informação, que também acredito ser o mais adequado, portanto estamos vivendo a era da informação e não o do conhecimento propriamente dito, sendo o conhe-cimento na realidade muito mais amplo e ainda acessível a poucos. O conhecimento requer estudos, pesquisas, investimentos e é muito mais valioso, mas de fato os países e regiões que investiram e investem no conhecimento estão e irão se destacarem na nova era.
Em uma palestra proferida no Congresso de Informática da SUCESU no Brasil em 1993, descreveu sobre os países e regiões que deteriam o poder na terceira onda e que vários países asiáticos teriam percebido e se preparado para isso há muito tempo. O Japão primeiro, os tigres asiáticos depois, a China atualmente. Teriam percebido que a questão básica, não é só tecnologia, a questão básica diz respeito ao fato de que a forma de produção de riquezas e, em seguida, a estrutura do poder, estariam se alterando no mundo inteiro.
Comentou que a política também está diretamente ligada a estas evoluções, porém de uma forma mais tardia. Que o poder já mudou de mãos na civilização da terceira onda, mas as estruturas políticas ainda não acompanharam. Estaríamos vivendo época semelhante à que precedeu a Revolução Francesa, em que a burguesia já havia tomado conta do poder informal, mas as estruturas políticas não se adequaram a nova realidade. A burguesia ganhou, mas custou um preço alto. Houve guerras civis, guerras entre países, imigração em massa, todos os tipos de problemas sociais sérios. Que haveria conflito semelhante agora, entre as elites da civilização da segunda onda e aquela que vai se tornar a nova classe dominante: a classe daqueles que trabalham com o conhecimento ou com serviços em que a informação tem um papel intensivo.
E encerrou a palestra questionando onde vai ficar o Brasil na nova ordem econômica, política e social que está surgindo?
Quando interrogado pela revista Época em 2000, sobre qual seria a quarta onda e se já estaríamos vivendo nela, ele respondeu que seria a onda da alta tecnologia do desenvolvimento da biologia, da biotecnologia e da nanotecnologia, com as suas aplicações nas diversas áreas como na medicina, aumentando a longevidade, na produção de alimentos e no desenvolvimento de computadores e robôs cada vez mais inteligentes, finalmente com a real conquista do espaço.
Alguns críticos também descrevem que tudo isto é conseqüência do avanço e do desenvolvimento da tecnologia, da informação e do conhecimento e seria tudo a terceira onda evoluindo muito mais rapidamente do que as primeiras ondas. Que a quarta onda na realidade representaria uma volta ao passado, à primeira onda, à terra, num cenário moderno e diferente do passado, agora com informação e conhecimento pra realizar verdadeiras mudanças, com valorização das questões sócio - ambientais não citadas por Toffler.
Realmente de nada adianta tanta riqueza e tanta tecnologia se destruirmos o meio ambiente, se não distribuirmos melhores essas riquezas, se não investirmos no social e de nada adianta a informação e o conhecimento se ele não for compartilhado.
Já ocorreram grandes tragédias ambientais, como vazamentos de indústrias químicas e usinas radioativas, com seus produtos tóxicos lançados ao meio ambiente. Os vazamentos de petróleo como em 1989 no Alaska, em 2000 pela Petrobrás na Baia de Guanabara no Brasil e em 2010 no Golfo do México pela Britsh Petroleum, de prejuízos ambientais ainda imensurados. Este último grande acidente ambiental nos mostra que as grandes nações e suas grandes empresas não estão preparadas pra evitar tais tragédias e não estão dispostas a repará-las, ainda não existe a consciência e a responsabilidade ecológica, principalmente pelas grandes potências como EUA e a China.
E eu pergunto onde fica o Amapá dentro deste contexto, assim como no Brasil, há regiões que ainda não entraram na primeira onda, onde ainda se predomina a economia de subsistência, Temos poucas indústrias e as que temos estão cumprido o papel social e ambiental de que precisamos?
Não devemos ser contrários ao desenvolvimento, a geração de empregos e a me-lhoria das condições sociais, pelo contrário temos que buscar esta melhor distribuição de riquezas, o acesso à informação e ao conhecimento.
Queremos desenvolver a nossa agricultura e pecuária, mas devemos fazer com responsabilidade, sem destruirmos nossas florestas e nossos campos, as indústrias não devem apenas explorar as nossas riquezas e deixar um rastro de abandono, sem ganhos e sem investimentos sociais, sem se responsabilizarem pelos seus resíduos.
Não bastam apenas as gerações de empregos, a distribuição de bolsas famílias, a melhoria no poder aquisitivo das pessoas, é necessário que as empresas e os governantes tenham mais responsabilidades sociais e ambientais. É necessário que invistam em escolas, saúde e educação para que todos possam ter acesso a informação e usufruírem do desenvolvimento, responsabilidades com o destino dos resíduos sólidos e isto não deve ser uma preocupação para o amanhã, já é uma necessidade urgente.
E o mais importante, a tecnologia não deve estar a favor somente dos governantes e da elite econômica, que querem ter o controle da informação, sabem o quanto ganhamos, onde moramos, quantos filhos temos, onde gastamos nosso dinheiro. Nós também queremos e devemos ter as informações sobre os gastos públicos, onde e de que forma estão aplicando os recursos, de que forma são feitos os contratos, principalmente os de concessão às grandes empresas, estas informações devem estar cada vez mais acessíveis a todos e em sites atualizados.
Precisamos ficar de olhos atentos...
Maria Teresa Renó Oftalmologista e acadêmica de direito E-mail: mariateresareno@uol.com.br
Maria Teresa Renó
Da equipe de articulistas
Oautor nova yorquino, Alvin Toffler escreveu em 1980, o livro A terceira onda (The Third Wave), um Best Seller, estudioso dos fenômenos sociais e econômicos, descreve suas teorias sobre a evolução da sociedade que ele chamou de primeira, segunda e terceira onda. Nesta obra ele fez um ensaio sobre como deve ser a sociedade pós moderna do século XXI.
De acordo com o autor, a primeira onda de geração de riquezas trata da revolução agrícola, onde o homem deixou de ser nômade e se fixou no campo para a produçao agrícola. A segunda onda apresenta as modificações ocorridas na sociedade com base na revolução industrial e sua produção em massa. Já a terceira onda de riqueza é consequência do industrialismo e que formava uma nova civilização, que denominou de a onda do conhecimento, interferindo nas relações de trabalho, interpessoais e de consumo.
Explica que na terceira onda os países que se destacariam seriam os que detém o conhecimento. Alguns críticos de sua teoria substituem o termo conhecimento para o da informação, que também acredito ser o mais adequado, portanto estamos vivendo a era da informação e não o do conhecimento propriamente dito, sendo o conhe-cimento na realidade muito mais amplo e ainda acessível a poucos. O conhecimento requer estudos, pesquisas, investimentos e é muito mais valioso, mas de fato os países e regiões que investiram e investem no conhecimento estão e irão se destacarem na nova era.
Em uma palestra proferida no Congresso de Informática da SUCESU no Brasil em 1993, descreveu sobre os países e regiões que deteriam o poder na terceira onda e que vários países asiáticos teriam percebido e se preparado para isso há muito tempo. O Japão primeiro, os tigres asiáticos depois, a China atualmente. Teriam percebido que a questão básica, não é só tecnologia, a questão básica diz respeito ao fato de que a forma de produção de riquezas e, em seguida, a estrutura do poder, estariam se alterando no mundo inteiro.
Comentou que a política também está diretamente ligada a estas evoluções, porém de uma forma mais tardia. Que o poder já mudou de mãos na civilização da terceira onda, mas as estruturas políticas ainda não acompanharam. Estaríamos vivendo época semelhante à que precedeu a Revolução Francesa, em que a burguesia já havia tomado conta do poder informal, mas as estruturas políticas não se adequaram a nova realidade. A burguesia ganhou, mas custou um preço alto. Houve guerras civis, guerras entre países, imigração em massa, todos os tipos de problemas sociais sérios. Que haveria conflito semelhante agora, entre as elites da civilização da segunda onda e aquela que vai se tornar a nova classe dominante: a classe daqueles que trabalham com o conhecimento ou com serviços em que a informação tem um papel intensivo.
E encerrou a palestra questionando onde vai ficar o Brasil na nova ordem econômica, política e social que está surgindo?
Quando interrogado pela revista Época em 2000, sobre qual seria a quarta onda e se já estaríamos vivendo nela, ele respondeu que seria a onda da alta tecnologia do desenvolvimento da biologia, da biotecnologia e da nanotecnologia, com as suas aplicações nas diversas áreas como na medicina, aumentando a longevidade, na produção de alimentos e no desenvolvimento de computadores e robôs cada vez mais inteligentes, finalmente com a real conquista do espaço.
Alguns críticos também descrevem que tudo isto é conseqüência do avanço e do desenvolvimento da tecnologia, da informação e do conhecimento e seria tudo a terceira onda evoluindo muito mais rapidamente do que as primeiras ondas. Que a quarta onda na realidade representaria uma volta ao passado, à primeira onda, à terra, num cenário moderno e diferente do passado, agora com informação e conhecimento pra realizar verdadeiras mudanças, com valorização das questões sócio - ambientais não citadas por Toffler.
Realmente de nada adianta tanta riqueza e tanta tecnologia se destruirmos o meio ambiente, se não distribuirmos melhores essas riquezas, se não investirmos no social e de nada adianta a informação e o conhecimento se ele não for compartilhado.
Já ocorreram grandes tragédias ambientais, como vazamentos de indústrias químicas e usinas radioativas, com seus produtos tóxicos lançados ao meio ambiente. Os vazamentos de petróleo como em 1989 no Alaska, em 2000 pela Petrobrás na Baia de Guanabara no Brasil e em 2010 no Golfo do México pela Britsh Petroleum, de prejuízos ambientais ainda imensurados. Este último grande acidente ambiental nos mostra que as grandes nações e suas grandes empresas não estão preparadas pra evitar tais tragédias e não estão dispostas a repará-las, ainda não existe a consciência e a responsabilidade ecológica, principalmente pelas grandes potências como EUA e a China.
E eu pergunto onde fica o Amapá dentro deste contexto, assim como no Brasil, há regiões que ainda não entraram na primeira onda, onde ainda se predomina a economia de subsistência, Temos poucas indústrias e as que temos estão cumprido o papel social e ambiental de que precisamos?
Não devemos ser contrários ao desenvolvimento, a geração de empregos e a me-lhoria das condições sociais, pelo contrário temos que buscar esta melhor distribuição de riquezas, o acesso à informação e ao conhecimento.
Queremos desenvolver a nossa agricultura e pecuária, mas devemos fazer com responsabilidade, sem destruirmos nossas florestas e nossos campos, as indústrias não devem apenas explorar as nossas riquezas e deixar um rastro de abandono, sem ganhos e sem investimentos sociais, sem se responsabilizarem pelos seus resíduos.
Não bastam apenas as gerações de empregos, a distribuição de bolsas famílias, a melhoria no poder aquisitivo das pessoas, é necessário que as empresas e os governantes tenham mais responsabilidades sociais e ambientais. É necessário que invistam em escolas, saúde e educação para que todos possam ter acesso a informação e usufruírem do desenvolvimento, responsabilidades com o destino dos resíduos sólidos e isto não deve ser uma preocupação para o amanhã, já é uma necessidade urgente.
E o mais importante, a tecnologia não deve estar a favor somente dos governantes e da elite econômica, que querem ter o controle da informação, sabem o quanto ganhamos, onde moramos, quantos filhos temos, onde gastamos nosso dinheiro. Nós também queremos e devemos ter as informações sobre os gastos públicos, onde e de que forma estão aplicando os recursos, de que forma são feitos os contratos, principalmente os de concessão às grandes empresas, estas informações devem estar cada vez mais acessíveis a todos e em sites atualizados.
Precisamos ficar de olhos atentos...
Maria Teresa Renó Oftalmologista e acadêmica de direito E-mail: mariateresareno@uol.com.br
quinta-feira, agosto 12, 2010
É ETERNA.
QUAL O SENTIDO DE LITERATURA?
Entrou um e-mail interessante em minha caixa postal eletrônica, perguntava: Qual o sentido de fazer e ler literatura hoje? Intimamente comecei a responder: começo não respeitando o papel em branco preenche-o como agora. Preenchido, leio, digito, encaminho para publicação passo a torcer para que alguém leia. Só com isso, penso, fiz literatura.
Já o livro é coisa mais do leitor que do escritor, que o toma como material de sua investigação íntima, muitas vezes um “baú” de respostas para as suas indagações mais profundas ou vagas. Portanto, o livro é a essência da expressão literária: linguagem.
Quanto a mim, continuo a me responder, escrevo porque gosto e leio para existir o mais próximo possível do vasto mundo que a literatura cria e sustenta. Ouço radio muitas horas num dia, tudo, praticamente tudo o que dizem os locutores foi e está escrito.
Ontem mesmo recitava-se num programa de radio: “...vendo o corpo de Cristo banhado em tanto sangue sei por quanto Deus me comprou, reconhecendo meus pecados sei por quanto me vendi”. “Não é terrível a morte pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa. Não é terrível a porta por onde se sai; a terrível é a porta por onde se entra. Se olhais para cima, uma escada que chega até o céu; se olhais para baixo, um precipício que vai parar no inferno, e isto incerto.” – É literatura do Pe. Antonio Vieira.
O telejornalismo é literatura diária, assim como algumas imagens que o complementa no sentido da interação escritor-leitor-telespectador. É boa literatura. A musica é quase literatura pura, fundamenta-se em letra e partitura. Cantar, portanto, é uma forma melodiosa de recitar símbolos literários. Os compositores são escritores iniciadores da musica: quanto melhor, melhor.
Dramaturgia é campo da predominância literária, imagino que atores e atrizes antes tiveram que ler muito a literatura feita por Dias Gomes para então interpretar seus personagens. Mais, muito mais teríamos aproveitado se antes de ver tivéssemos lido o O Bem Amado.
Semana passada a Dra. Maria Teresa Renó nos contou, aqui no Diário do Amapá, que a sua história ainda se acha imbricada ao proveito do livro que “roubou” para ler. Seu relato é a melhor resposta para a pergunta titulo desse artigo.
E o cinema, quantos filmes entram em nossas vidas? Antes da vídeo-imagem, a literatura: alguém escreveu para a interpretação de diretores, atores e atrizes.
As religiões são, todas, difusoras da literatura que captou e guardou a palavra divina. Jornais, revistas, impressos em geral, são literatura e arquivos literários. A internet é o espaço onde se manifestam literatos modernos – os que escrevem e os que lêem.Tuiteiros estão fazendo larga literatura. É eterno o sentido da literatura, já a qualidade...
Entrou um e-mail interessante em minha caixa postal eletrônica, perguntava: Qual o sentido de fazer e ler literatura hoje? Intimamente comecei a responder: começo não respeitando o papel em branco preenche-o como agora. Preenchido, leio, digito, encaminho para publicação passo a torcer para que alguém leia. Só com isso, penso, fiz literatura.
Já o livro é coisa mais do leitor que do escritor, que o toma como material de sua investigação íntima, muitas vezes um “baú” de respostas para as suas indagações mais profundas ou vagas. Portanto, o livro é a essência da expressão literária: linguagem.
Quanto a mim, continuo a me responder, escrevo porque gosto e leio para existir o mais próximo possível do vasto mundo que a literatura cria e sustenta. Ouço radio muitas horas num dia, tudo, praticamente tudo o que dizem os locutores foi e está escrito.
Ontem mesmo recitava-se num programa de radio: “...vendo o corpo de Cristo banhado em tanto sangue sei por quanto Deus me comprou, reconhecendo meus pecados sei por quanto me vendi”. “Não é terrível a morte pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa. Não é terrível a porta por onde se sai; a terrível é a porta por onde se entra. Se olhais para cima, uma escada que chega até o céu; se olhais para baixo, um precipício que vai parar no inferno, e isto incerto.” – É literatura do Pe. Antonio Vieira.
O telejornalismo é literatura diária, assim como algumas imagens que o complementa no sentido da interação escritor-leitor-telespectador. É boa literatura. A musica é quase literatura pura, fundamenta-se em letra e partitura. Cantar, portanto, é uma forma melodiosa de recitar símbolos literários. Os compositores são escritores iniciadores da musica: quanto melhor, melhor.
Dramaturgia é campo da predominância literária, imagino que atores e atrizes antes tiveram que ler muito a literatura feita por Dias Gomes para então interpretar seus personagens. Mais, muito mais teríamos aproveitado se antes de ver tivéssemos lido o O Bem Amado.
Semana passada a Dra. Maria Teresa Renó nos contou, aqui no Diário do Amapá, que a sua história ainda se acha imbricada ao proveito do livro que “roubou” para ler. Seu relato é a melhor resposta para a pergunta titulo desse artigo.
E o cinema, quantos filmes entram em nossas vidas? Antes da vídeo-imagem, a literatura: alguém escreveu para a interpretação de diretores, atores e atrizes.
As religiões são, todas, difusoras da literatura que captou e guardou a palavra divina. Jornais, revistas, impressos em geral, são literatura e arquivos literários. A internet é o espaço onde se manifestam literatos modernos – os que escrevem e os que lêem.Tuiteiros estão fazendo larga literatura. É eterno o sentido da literatura, já a qualidade...
O AMAZONAS É O MAIOR
O REDD É UMA BOA?
Dia desse, no radio (LUIZ MELO ENTREVISTA) o Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico pronunciou a palavra REDD. Criou expectativa. Contextualmente Farias esteve dizendo que juntamente com o Dr. Bianchet, seguirão representando o Estado do Amapá em mesas de convenções internacionais que ainda buscam mecanismos regulatórios do redd.
Na verdade estávamos diante de uma afirmação muito interessante para o Amapá, vez que redd (sigla em inglês) significa: Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. Em termos de conservação florestal o Amapá é o “cara”, deve mesmo representar-se na Conferencia Mundial sobre Mudança Climática, que propõe remunerar territórios institucionais que evitem desmatamentos, recorrendo-se à venda de créditos de carbono.
Logo, redd é mecanismo que pode nos trazer a tal remuneração. Especialmente Farias e Bianchet são técnicos suficientemente preparados para nos inserir nessa moderna forma de remuneração por serviços ambientais prestados a humanidade. Podem representar até o Brasil.
Mas, é arriscado esperar acontecer: quem sabe faz a hora. Como fez o Estado do Amazonas em 2007, instituiu a Lei Estadual de Mudança Climática e, amparado nela criou o Bolsa Floresta. Para quê? Compensar e incentivar a população a deixar a floresta em pé.
Desse jeito o estado, através das suas florestas conservadas, ajuda na regulação global do clima e no armazenamento de carbono, ao mesmo tempo que estimula a busca de outras fontes de renda. Não é demais lembrar que a soja e a carne produzidas em projetos agrícolas não sustentáveis instalados na Amazonia sofreram intensa vigilância dos grandes grupos ambientalistas mundiais. Quando mostraram à Europa que a carne e derivados dos seus frangos e gado - que entravam na rede de fest-food - eram produzidos a partir de soja amazônica com desmatamento, mexeram com os brios de grandes exportadores brasileiros.
A Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais e a Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais passaram a não comprar soja no mercado brasileiro proveniente de áreas recém desmatadas. Isso foi a “Moratória da Soja”, logo seguida pela “Moratória da Carne”. A partir daí, em 2009, o governo brasileiro concebeu e anunciou o Programa Desmatamento Zero em Áreas de Pecuária na Amazonia Legal.
Sendo assim, não esperemos que façam por nós antes que façamos nós mesmos a parte que nos cabe fazer: criar logo um PSA tucuju. A saber: Pagamento por Serviços Ambientais. Com todas as diferenças necessárias ao que você pode estar pensando de PDSA.
Notas:¹-O Brasil detinha a 8 mil anos atrás 9,8% de toda as florestas do mundo, hoje detém 4,4% dessas florestas., ou seja: degradou 1.926 milhões de quilômetros quadrados de áreas florestadas. ²-Acho difícil confundir Bernardo com Bernardes, mas é o que acontece. Até colegas de trabalho (15 anos) cometem esse erro...³- Esses são os rios maiores do mundo (mas menres que o nosso): Ienissêi – Amarelo – Obi – Amur – Lená – Congo... portanto, bem faz a Justiça (Dr. Bosco)em “manifestar autoridade” em favor da conservação do Rio Amazonas em seu trecho em Macapá. Não é nada não é nada, mas é o maior do mundo. 4-A Bacia Amazônica é também a maior do mundo com 7 milhoes e cinqüenta mil quilômetros quadrados (4 milhões em território brasileiro). Segue-a, em segundo lugar, a do Congo com (apenas) três milhões e setecentos mil quilômetros quadrados. São mais de 23 mil km de rios navegáveis em toda a bacia amazônica. 5-Muito interessante o artigo “A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS” publicado aqui no DIÀRIO, de autoria da Dra. Maria Teresa Renó. Já estamos aguardando outros mais. 6-FELIZ DIA DOS PAIS A TODOS OS PAIS DO MUNDO.
Dia desse, no radio (LUIZ MELO ENTREVISTA) o Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico pronunciou a palavra REDD. Criou expectativa. Contextualmente Farias esteve dizendo que juntamente com o Dr. Bianchet, seguirão representando o Estado do Amapá em mesas de convenções internacionais que ainda buscam mecanismos regulatórios do redd.
Na verdade estávamos diante de uma afirmação muito interessante para o Amapá, vez que redd (sigla em inglês) significa: Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. Em termos de conservação florestal o Amapá é o “cara”, deve mesmo representar-se na Conferencia Mundial sobre Mudança Climática, que propõe remunerar territórios institucionais que evitem desmatamentos, recorrendo-se à venda de créditos de carbono.
Logo, redd é mecanismo que pode nos trazer a tal remuneração. Especialmente Farias e Bianchet são técnicos suficientemente preparados para nos inserir nessa moderna forma de remuneração por serviços ambientais prestados a humanidade. Podem representar até o Brasil.
Mas, é arriscado esperar acontecer: quem sabe faz a hora. Como fez o Estado do Amazonas em 2007, instituiu a Lei Estadual de Mudança Climática e, amparado nela criou o Bolsa Floresta. Para quê? Compensar e incentivar a população a deixar a floresta em pé.
Desse jeito o estado, através das suas florestas conservadas, ajuda na regulação global do clima e no armazenamento de carbono, ao mesmo tempo que estimula a busca de outras fontes de renda. Não é demais lembrar que a soja e a carne produzidas em projetos agrícolas não sustentáveis instalados na Amazonia sofreram intensa vigilância dos grandes grupos ambientalistas mundiais. Quando mostraram à Europa que a carne e derivados dos seus frangos e gado - que entravam na rede de fest-food - eram produzidos a partir de soja amazônica com desmatamento, mexeram com os brios de grandes exportadores brasileiros.
A Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais e a Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais passaram a não comprar soja no mercado brasileiro proveniente de áreas recém desmatadas. Isso foi a “Moratória da Soja”, logo seguida pela “Moratória da Carne”. A partir daí, em 2009, o governo brasileiro concebeu e anunciou o Programa Desmatamento Zero em Áreas de Pecuária na Amazonia Legal.
Sendo assim, não esperemos que façam por nós antes que façamos nós mesmos a parte que nos cabe fazer: criar logo um PSA tucuju. A saber: Pagamento por Serviços Ambientais. Com todas as diferenças necessárias ao que você pode estar pensando de PDSA.
Notas:¹-O Brasil detinha a 8 mil anos atrás 9,8% de toda as florestas do mundo, hoje detém 4,4% dessas florestas., ou seja: degradou 1.926 milhões de quilômetros quadrados de áreas florestadas. ²-Acho difícil confundir Bernardo com Bernardes, mas é o que acontece. Até colegas de trabalho (15 anos) cometem esse erro...³- Esses são os rios maiores do mundo (mas menres que o nosso): Ienissêi – Amarelo – Obi – Amur – Lená – Congo... portanto, bem faz a Justiça (Dr. Bosco)em “manifestar autoridade” em favor da conservação do Rio Amazonas em seu trecho em Macapá. Não é nada não é nada, mas é o maior do mundo. 4-A Bacia Amazônica é também a maior do mundo com 7 milhoes e cinqüenta mil quilômetros quadrados (4 milhões em território brasileiro). Segue-a, em segundo lugar, a do Congo com (apenas) três milhões e setecentos mil quilômetros quadrados. São mais de 23 mil km de rios navegáveis em toda a bacia amazônica. 5-Muito interessante o artigo “A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS” publicado aqui no DIÀRIO, de autoria da Dra. Maria Teresa Renó. Já estamos aguardando outros mais. 6-FELIZ DIA DOS PAIS A TODOS OS PAIS DO MUNDO.
TRAGÉDIA ANUNCIADA
LA VAI O TREM.
Não sei bem quem tem nesse momento a responsabilidade de gerir a Estrada de Ferro do Amapá, seja lá que for: cuidado! Três descarrilamentos em um ano é mais que desmazelo, é risco eminente (e anunciado) de tragédia. Quem me dera poder dizer: quem avisa amigo é.
Um trem correndo nos trilhos mexe com as minhas mehores mebranças: tomávamos o Ramal e iamos passar dias de férias no sitio da vovó, na zona rural de Pirapetinga(MG). Mas, não só isso, me lembra também recomendações de D. Pedro II: “...é urgente ir comprando terras à margem das estradas de ferro para aí estabelecer as colônias”. O monarca disse também: “...dou tamanha importancia a uma estrada de ferro para Mato Grosso, que não posso deixar de recomendar que se cuide de sua melhor direção e construção, embora lenta, conforme o permitam os recursos”.
Nasci em Volta Grande(MG), cidade surgida por causa do café e alccol anihidro que produzia, o que acabou atraindo a Estrada de Ferro Leopoldina (iniciativa do empresariado da Zona da Mata mineira), aberta ao trafego no seculo XIX. O trecho Volta Grande-Além Paraiba foi inaugurado no dia 8 de outubro de 1874, a primeira linha férrea em Minas Gerais. Mas, a minha cidade só não morreu por causa dssa linha férrea por onde todos os dias passam dois trens expressos transportando bauxita desde o alto Mantiqueira até o pátio fabril da Companhia Siderúrgica Nacional (CSA), em Volta Redonda(RJ). Normalmente são três locomotivas arrastando oitenta vagões carregados.
D. Pedro II comandou a festa de ianuguração da estação da minha cidade, acompanhado de José Fernandes da Costa Pereira, Cristiano Benedito Ottoni, Ignacio Marcondes Homem de Mello, conselheiros do Império (ministros hoje), além dos doutores Manoel Buarque de Macedo, Bento Ribeiro Sobragy e tantos outros.
Depois a estrada de ferro avançou até a cidade de Leopoldina, que lhe deu o nome, e não a princesa como é comum supor.
Raridade no entanto é relacionar essa estrada de ferro com a frequencia de descarrilamentos no ultimo ano verificado aqui no Amapá, no seu percurso de apenas duzentos quilometros ligando a cidade de Serra do Navio a Santana. A Rede Ferroviária Federal acabou incoporando a Estrada de Ferro Lopoldina, dando origem a cerca de dois mil quilometros de trilhos ligando Minas Gerais ao Rio de Janeiro.
Porém, cumpriu-se quase à risca a previsão de D. Pedro II: cidades (colonias) se estabeleceram ao longo das ferrovias, muitas. Algumas delas prósperas o suficiente para serem tomadas como “modelo” de valores agregados.
Eis uma lição que serve aos atuais administradores da Estrada de Ferro do Amapá: a de Volta Grande (08/10/1874) teve subvençao publica na proporção de 9:000$000 réis por quilometro, garantia de 7% de juros ao ano, sobre capital de 2:400:000$000 réis. Em 1898 a EFL teve que ser entregue a The Leopoldina Railway Company Ltd, credores ingleses de um dos principais grandes empreendimentos que a gestão nacional não foi capaz de manter nos trilhos.
Analogia ao pé da letra sei que não é possivel ou conveniente fazer entre a EFA e EFL, mas o que horroriza nos trilhos de cá é que entre ambas são transcorridos 1 (cento) e 3 (trinta) e 6 (seis) anos.
Não sei bem quem tem nesse momento a responsabilidade de gerir a Estrada de Ferro do Amapá, seja lá que for: cuidado! Três descarrilamentos em um ano é mais que desmazelo, é risco eminente (e anunciado) de tragédia. Quem me dera poder dizer: quem avisa amigo é.
Um trem correndo nos trilhos mexe com as minhas mehores mebranças: tomávamos o Ramal e iamos passar dias de férias no sitio da vovó, na zona rural de Pirapetinga(MG). Mas, não só isso, me lembra também recomendações de D. Pedro II: “...é urgente ir comprando terras à margem das estradas de ferro para aí estabelecer as colônias”. O monarca disse também: “...dou tamanha importancia a uma estrada de ferro para Mato Grosso, que não posso deixar de recomendar que se cuide de sua melhor direção e construção, embora lenta, conforme o permitam os recursos”.
Nasci em Volta Grande(MG), cidade surgida por causa do café e alccol anihidro que produzia, o que acabou atraindo a Estrada de Ferro Leopoldina (iniciativa do empresariado da Zona da Mata mineira), aberta ao trafego no seculo XIX. O trecho Volta Grande-Além Paraiba foi inaugurado no dia 8 de outubro de 1874, a primeira linha férrea em Minas Gerais. Mas, a minha cidade só não morreu por causa dssa linha férrea por onde todos os dias passam dois trens expressos transportando bauxita desde o alto Mantiqueira até o pátio fabril da Companhia Siderúrgica Nacional (CSA), em Volta Redonda(RJ). Normalmente são três locomotivas arrastando oitenta vagões carregados.
D. Pedro II comandou a festa de ianuguração da estação da minha cidade, acompanhado de José Fernandes da Costa Pereira, Cristiano Benedito Ottoni, Ignacio Marcondes Homem de Mello, conselheiros do Império (ministros hoje), além dos doutores Manoel Buarque de Macedo, Bento Ribeiro Sobragy e tantos outros.
Depois a estrada de ferro avançou até a cidade de Leopoldina, que lhe deu o nome, e não a princesa como é comum supor.
Raridade no entanto é relacionar essa estrada de ferro com a frequencia de descarrilamentos no ultimo ano verificado aqui no Amapá, no seu percurso de apenas duzentos quilometros ligando a cidade de Serra do Navio a Santana. A Rede Ferroviária Federal acabou incoporando a Estrada de Ferro Lopoldina, dando origem a cerca de dois mil quilometros de trilhos ligando Minas Gerais ao Rio de Janeiro.
Porém, cumpriu-se quase à risca a previsão de D. Pedro II: cidades (colonias) se estabeleceram ao longo das ferrovias, muitas. Algumas delas prósperas o suficiente para serem tomadas como “modelo” de valores agregados.
Eis uma lição que serve aos atuais administradores da Estrada de Ferro do Amapá: a de Volta Grande (08/10/1874) teve subvençao publica na proporção de 9:000$000 réis por quilometro, garantia de 7% de juros ao ano, sobre capital de 2:400:000$000 réis. Em 1898 a EFL teve que ser entregue a The Leopoldina Railway Company Ltd, credores ingleses de um dos principais grandes empreendimentos que a gestão nacional não foi capaz de manter nos trilhos.
Analogia ao pé da letra sei que não é possivel ou conveniente fazer entre a EFA e EFL, mas o que horroriza nos trilhos de cá é que entre ambas são transcorridos 1 (cento) e 3 (trinta) e 6 (seis) anos.
terça-feira, agosto 03, 2010
UMA HISTÓRIA MUITO INTERESSANTE
A menina que roubava livros
MARIA TERESA RENÓ
Este é o titulo de um livro, best seller do escritor australiano Markus Zusak, traduzido para o português em 2007, que conta a história de uma menina que viveu na Alemanha nazista e descobriu nos livros que roubava o encanto da leitura, a motivação para sobreviver quando tudo parecia estar perdido. Lendo, ela conseguia trazer para si e aos outros a esperança e a fuga daquela triste realidade. Esta história linda e fascinante narrada interessantemente pela morte que a abordou por três vezes mostra a importância da leitura e as mudanças que ela pode trazer para a vida das pessoas, assim como esta que tenho para contar.
Na região montanhosa do sul de Minas Gerais no início dos anos 70, uma menina de cerca de sete anos e um grupo de crianças um pouco mais velhas, ela já sabia ler, pois fora alfabetizada aos quatro anos, numa cartilha velha, pelas mãos grossas e calejadas do pai agricultor.
Nas férias escolares, após o almoço, as crianças iam passear pelos sítios e fazendas dos arredores onde morava. A motivação maior para os passeios eram as frutas, dependendo da estação, eram amoras, juás, jabuticabas, laranjas, etc.. Em julho os pomares ficavam cheios de laranjas maduras e doces. Sentavam nos pés das laranjeiras e enquanto descascavam as laranjas contavam as aventuras e ouviam as histórias dos mais velhos, quase sempre muito engraçadas.
Algumas das fazendas ainda preservavam o estilo antigo, do ciclo do café, uma casa grande do proprietário e várias casas pequenas ao redor, em geral eram pintadas de branco, conhecidas como as casas dos colonos, dos empregados das fazendas. Uma dessas fazendas era especial porque era a única que tinha jabuticabeiras, jabuticabas grandes e doces, eles subiam nos galhos grossos e ficavam por horas nas árvores, chupando jabuticabas, jogavam os caroços brancos das frutas ao chão e no fim da tarde parecia que havia chovido granizo.
O dono da fazenda das jabuticabas era um senhor velho, vestia-se com calça de linho branco, paletó preto e chapéu branco, muito parecido com os antepassados dos velhos álbuns de família. As crianças tinham medo dele, ele morava na cidade, somente de vez em quando ia visitar a fazenda, até que um dia as crianças souberam que o velho senhor havia morrido. Os empregados da fazenda foram embora e a fazenda ficou abandonada, mas as jabuticabeiras continuavam lá para a alegria da criançada.
Um dia resolveram entrar na casa do falecido, muitas das crianças não entraram com medo que o velho pudesse aparecer feito assombração, a menina entrou, movida pela curiosidade, o que a impressionou foi o quarto onde o velho dormia, era grande claro pela luz do dia que entrava por uma janela aberta, no centro do quarto havia uma cama de casal antiga, ainda feita com um lençol branco, era de madeira grossa escura, com cabeceira alta e um mosquiteiro alto formando um véu branco que descia cobrindo todo o leito vazio. Havia muitos livros, maioria ou todos eram velhos de capa preta endurecida e folhas amareladas pelo tempo, a menina não hesitou em pegar um deles, intitulava-se ROMEU E JULIETA, escrito por Willian Shakespeare, talvez já tivesse ouvido falar ou lhe parecesse familiar aos seus poucos conhecimentos.
Na pequena propriedade de seu pai, em um dos seus refúgios, na sombra do bambual, começou a ler seu primeiro livro de história, era muito difícil, pois era escrito em um português antigo, mais próximo do latim que do português atual, mas se esforçava para entender, a história era fascinante e a fazia viajar em uma época distante e a uma cultura diferente.
Assim como a menina alemã que roubava livros, através da leitura conseguiu driblar a morte e mais tarde escreveu a sua história. A menina da minha história que roubou seu primeiro livro, em decorrência da morte do dono, ou melhor, furtou, mas a denominação não importa, pois em ambos os casos sabemos que não houve crime, através da leitura desejou buscar mais do que a sua condição de vida podia oferecer, tornou-se a primeira mulher nascida naquele pequeno município a se tornar médica e hoje com orgulho é uma das mulheres que escrevem artigo para este jornal.
Obrigada à colunista Ziulana pela oportunidade de escrever um pouco da minha história.
Maria Teresa Renó -
Oftalmologista e acadêmica de direito
mariateresareno@uol.com.br
MARIA TERESA RENÓ
Este é o titulo de um livro, best seller do escritor australiano Markus Zusak, traduzido para o português em 2007, que conta a história de uma menina que viveu na Alemanha nazista e descobriu nos livros que roubava o encanto da leitura, a motivação para sobreviver quando tudo parecia estar perdido. Lendo, ela conseguia trazer para si e aos outros a esperança e a fuga daquela triste realidade. Esta história linda e fascinante narrada interessantemente pela morte que a abordou por três vezes mostra a importância da leitura e as mudanças que ela pode trazer para a vida das pessoas, assim como esta que tenho para contar.
Na região montanhosa do sul de Minas Gerais no início dos anos 70, uma menina de cerca de sete anos e um grupo de crianças um pouco mais velhas, ela já sabia ler, pois fora alfabetizada aos quatro anos, numa cartilha velha, pelas mãos grossas e calejadas do pai agricultor.
Nas férias escolares, após o almoço, as crianças iam passear pelos sítios e fazendas dos arredores onde morava. A motivação maior para os passeios eram as frutas, dependendo da estação, eram amoras, juás, jabuticabas, laranjas, etc.. Em julho os pomares ficavam cheios de laranjas maduras e doces. Sentavam nos pés das laranjeiras e enquanto descascavam as laranjas contavam as aventuras e ouviam as histórias dos mais velhos, quase sempre muito engraçadas.
Algumas das fazendas ainda preservavam o estilo antigo, do ciclo do café, uma casa grande do proprietário e várias casas pequenas ao redor, em geral eram pintadas de branco, conhecidas como as casas dos colonos, dos empregados das fazendas. Uma dessas fazendas era especial porque era a única que tinha jabuticabeiras, jabuticabas grandes e doces, eles subiam nos galhos grossos e ficavam por horas nas árvores, chupando jabuticabas, jogavam os caroços brancos das frutas ao chão e no fim da tarde parecia que havia chovido granizo.
O dono da fazenda das jabuticabas era um senhor velho, vestia-se com calça de linho branco, paletó preto e chapéu branco, muito parecido com os antepassados dos velhos álbuns de família. As crianças tinham medo dele, ele morava na cidade, somente de vez em quando ia visitar a fazenda, até que um dia as crianças souberam que o velho senhor havia morrido. Os empregados da fazenda foram embora e a fazenda ficou abandonada, mas as jabuticabeiras continuavam lá para a alegria da criançada.
Um dia resolveram entrar na casa do falecido, muitas das crianças não entraram com medo que o velho pudesse aparecer feito assombração, a menina entrou, movida pela curiosidade, o que a impressionou foi o quarto onde o velho dormia, era grande claro pela luz do dia que entrava por uma janela aberta, no centro do quarto havia uma cama de casal antiga, ainda feita com um lençol branco, era de madeira grossa escura, com cabeceira alta e um mosquiteiro alto formando um véu branco que descia cobrindo todo o leito vazio. Havia muitos livros, maioria ou todos eram velhos de capa preta endurecida e folhas amareladas pelo tempo, a menina não hesitou em pegar um deles, intitulava-se ROMEU E JULIETA, escrito por Willian Shakespeare, talvez já tivesse ouvido falar ou lhe parecesse familiar aos seus poucos conhecimentos.
Na pequena propriedade de seu pai, em um dos seus refúgios, na sombra do bambual, começou a ler seu primeiro livro de história, era muito difícil, pois era escrito em um português antigo, mais próximo do latim que do português atual, mas se esforçava para entender, a história era fascinante e a fazia viajar em uma época distante e a uma cultura diferente.
Assim como a menina alemã que roubava livros, através da leitura conseguiu driblar a morte e mais tarde escreveu a sua história. A menina da minha história que roubou seu primeiro livro, em decorrência da morte do dono, ou melhor, furtou, mas a denominação não importa, pois em ambos os casos sabemos que não houve crime, através da leitura desejou buscar mais do que a sua condição de vida podia oferecer, tornou-se a primeira mulher nascida naquele pequeno município a se tornar médica e hoje com orgulho é uma das mulheres que escrevem artigo para este jornal.
Obrigada à colunista Ziulana pela oportunidade de escrever um pouco da minha história.
Maria Teresa Renó -
Oftalmologista e acadêmica de direito
mariateresareno@uol.com.br
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