Translate

quinta-feira, setembro 15, 2011

VOLTANDO UM POUCO NO TEMPO (EIS AS ORIGENS DO ECOLAB E DO SNM)


II Reunião do Programa  ( Serra do Navio/Amapá, 1994)
A segunda reunião do programa, organizada  pela Coordenadoria Estadual de Meio
Ambiente do Estado do Amapá (CEMA), com o apoio do Governo do Estado do Amapá, do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), da
Federação das Indústrias do Amapá (FIAP), do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e do Instituto
Regional de Desenvolvimento do Amapá (IRDA). Realizou-se no período de 11 a 18 de
março de 1994. 
ƒ 12-14 março: Excursão de campo aos manguezais da Estação Ecológica da Ilha de
Maracá;
ƒ 15-17 março: reunião técnico-científica na Serra do Navio;
ƒ 18 março: Conclusão dos trabalhos.
Nesta reunião houve a apresentação dos produtos cartográficos finalizados e os primeiros
acordos para a continuidade do Programa, agora com o título de ECOLAB, coordenado pelos
pesquisadores Dra. Thereza Prost e Dr. Christian Colin, com o objetivo do estudo da dinâmica
dos manguezais nos últimos 30 anos.
Instituições Participantes:
ƒ CENPES/PETROBRAS
ƒ Coordenadoria Estadual de Meio Ambiente do Estado do Amapá (CEMA)
ƒ ENGREF
ƒ Instituto Regional de Desenvolvimento do Amapá (IRDA)
ƒ Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)
ƒ ORSTOM – Caiena
ƒ PROMAR/UFPA
ƒ SEECE-AP
ƒ Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM)
ƒ Universidade do Suriname
ƒ Universidade Federal do Amapá
Participantes: (30 pessoas):
ƒ Antônio Carlos da Silva Farias – CEMA
ƒ Antonio Messias G. da Silva – UFAP
ƒ Baidjnath Missier Prasand – Univ. Suriname
ƒ Benedito Vitor Rabelo – CEMA
ƒ Cezar Bernardo de Souza – CEMA
ƒ Christophe Charron – ORSTOM
ƒ Christian Colin – ORTOM
ƒ Cristina do Socorro Fernandes de Senna – MPEG
ƒ Daniel Francisco Pimenta Quintas – CEMA
ƒ Denis Girou – ENGREF
ƒ Erivan Maria do Rego – SEECE-AP
ƒ Fernando Guimarães Santos – IRDA
ƒ Francinete da Silva Fagundes – CEMA
ƒ Frederic Huynh – ORSTOM
ƒ Geraldo Pereira da Silva – SUDAM
ƒ José Antonio Leite de Queiroz – CEMA
ƒ José Elias de Souza Ávila – CEMA
ƒ José Francisco Berredo Reis da Silva – MPEG
ƒ Letícia Falcão Veiga – PETROBRAS/CENPES ƒ Luis Ercílio do Carmo Faria Júnior – UFPA/PROMAR
ƒ Marco Antonio Augusto Chagas – CEMA
ƒ Maria de Fátima Galeno Cardoso – CEMA
ƒ Maria Eulália Rocha Carneiro – PETROBRAS/CENPES
ƒ Maria Fernanda Guerreiro – ESAL/MG
ƒ Maria Thereza Ribeiro da Costa Prost – MPEG
ƒ Meton Jucá Junior – CEMA
ƒ P. C. Dixit – Univ. Suriname
ƒ Pedro Walfir Martins e S. Filho – UFPA/PROMAR
ƒ Rita de Cássia P. Furtado – CEMA
ƒ Valdeci Marques Gibson - CEMA
Sessão Plenária:
ƒ Trabalhos do PROMAR (Programa de Ensino e Pesquisa em Ciência do Mar) na costa do
Amapá – Dr. Luis Ercílio do C. Faria Jr.
ƒ Aspectos da Costa do Amapá e distribuição dos manguezais – Dr. Benedito Rabelo
ƒ Os manguezais do Suriname – Dr. P. C. Dixit
ƒ Comentários sobre mapa da Costa do Suriname em escala 1:250.000 – Sr. M. Prasant
ƒ Comentários sobre mapa da Costa Nordeste do Estado do Pará: zona de Algodoal em
escala 1:250.000 – Msc. Cristina Senna.
ƒ Os trabalhos da ORSTOM em oceanografia física no programa internacional WOCE
sobre a transferência de massas e de calor no Oceano Atlântico Oeste e as correntes
superficiais a nível regional. Implicações para as mudanças globais – Dr. Christian Colin
ƒ Os trabalhos do laboratório de sensoriamento remoto: realizações e perspectivas – Dr.
Fred Huyhn
ƒ Contribuição da ENGREF para o Programa: Condições de realização das cartas
provisórias 1:250.000. Perspectivas para a fase II do programa – Dr. Denis Girou.
ƒ Os mapas da área de Kourou-Sinnamary – Christophe Charron
ƒ Pesquisas MPEG: Contexto do programa, realizações e perspectivas, conceção da legenda
cartográfica provisória – Dra. Maria Thereza Prost.
Avaliação dos trabalhos e Cronograma das atividades até o início de 1995.
O último dia de reunião foi reservado para uma avaliação dos trabalhos e produção de um
cronograma para o fim da Fase I .
Foram eleitos:
ƒ Coordenador Geral do Programa: Dr. Christian Colin (Diretor do ORSTOM-Caiena)
em substituição ao Dr. Olivier Laroussinie.
ƒ Coordenadores Locais: Dr. Benedito Rabelo (Amapá); Dra. Maria Thereza Prost
(Pará); Denis Girou e Fred Huyn (Guiana Francesa); Dr. P. Dixit (Suriname).
ƒ Decidiu-se realizar modificações nos mapas provisórios, realizados na Fase I;
ƒ Decisões para a Fase II:
¾ Áreas chaves: Kourou e Sinnamary(G. Francesa); Estuário do rio Coppername
(Suriname); Sucurijú, Maracá e Bailique (Amapá); Algodoal e Bragança (Pará).
¾ Esta fase tratará da dinâmica dos manguezais nas áreas chaves (fatores bióticos,
abiótico e impacto antrópico). A escolha da escala ficou a critério de cada equipe.
ƒ Próxima reunião do programa será em Belém (1995), liderada pelo Museu Paraense
Emílio Goeldi em parceria com outras instituições paraenses. Documentos Produzidos:
1. Publicações
ƒ Guia de Campo (Ilha de Maracá), 9 pg com mapa temático da cobertura vegetal –
Autor: Benedito Rabelo;
ƒ Abordagens sobre os manguezais do Amapá. Autores: Benedito Rabelo; Cezar
Bernardo de Souza; Marco Antônio A. Chagas; Daniel Francisco P. Quintas; José Elias de
Souza Ávila; Valdeci Marques Gibson. 16 pg.
2. Documentos Cartográficos
ƒ 7 mapas provisórios das áreas de mangues costeiros em escala 1:250.000, produzidos
na ENGREF com a colaboração do Centro ORSTOM de Caiena. Autores: M. Prasand;
M.T. Prost; C. Charron; E. Ávila; C. Senna.
¾ Suriname (1)
¾ Guiana Francesa (2)
¾ Amapá (3)
¾ Nordeste do Pará (2)
ƒ Um mapa georeferenciado em escala 1:50.000 de interpretação geomorfológica da
zona de Sinnamary-Kourou (Guiana Francesa) realizado a partir da cena SPOT do dia
24/setembro/1992 . Parceria: Imagem cedida  pela ENGREF e laboratório do Centro
ORSTOM Autores: M.T. Prost & C. Charron.
Um mapa georeferenciado da mesma área (imagem LANDSAT TM do dia 18/julho/1988) em
escala 1:50.000, realizado no Laboratório de Tratamento de Imagens  do ORSTOM de
Caiena.


Pg. 32. Seção 2. Diário Oficial da União (DOU) de 28/04/1987
Compartilhe
  

Fornecer peças nacionais para navios e plataformas
Você está na pg. 32
Ir para a pg.  
IR
[...] Ministério da Cultura
MMINIMMINIV
diallaiNal~aN
GABINETE IX) MINISTRO
' PORTARIA N9 245, DE 27 DE ABRIL DE 1987
X) Ministro de Estado da Cultura, de acordo com o Pará grafo único do Art. 12, da Portaria Ministerial n2 284, de 17 de julho de 1986, e
tendo em vista o disposto no item VI, da Portaria SPHAN na 13, de 23 de setembro de 1986, resolve:
I - Conceder dispensa,de Membros do Comitê da Coordena dona do Sistema Nacional de Museus da Secretaria do Patrimônio HistZ rico e Artistico Nacional,aos abaixo relacionados:
01 - MARIA DE FÁT114A NASCIMENTO, representante do Esta
do do Acre;
02 - CESAR BERNARDO DE SOUZA, representante do Territó
rio Federal do Amapá;
de
AMIME OSCAR ABRAX0 representante do Estado
03 -Goiás,
PRISCILLA EULER FREIRE DE CARVALHO, representante 04 -de Minas Gerais;
do Estado
representante do
MIGUEL ANTONIO LEONI GAISSLER,
05 -Estado do Paraná;
06 MOISÉS DE ANDRADE, representante do Estado de Per
nambuco;
07 JOSÉ TARCÍSIO ROSAS, representante do Estado do /
Rio Grande do Norte;
08 - JALI MEIRINHO, representante do Estado de Santa
Catarina;
09 - MARIA SUELY DE CASTRO CAVALCANTE, representante do
Estado do Ceará; e
10 - ALMIR FARIAS RIVAS, -representante do Estado do
Amazonas.
da coordenadoria do Sis
II - Designar Membros do Comitê
Nacional de Museus da Secretaria do Patrimônio HistOrico e ArtiA tema
Nacional, com mandato de 2 (dois) anos, op abaixo relacionados:
tico
01 - ROSEMARYMARTINSDA COSTA, representante do Estado
do Acre;
02 VERA LÚCIA FERREIRA, representante do Estado
Amazonas;
representante do Territá
03 - MARCOS ROCHA DE ANDRADE,
rio Federal do Amapá;
04 - EDNA LUÍZA DE MELO TIO/EIRA, representante do Esta
do de Goiás;
05 - MANDA JúLIA DE CARVALHO LACERDA, representante do
Estado de Minas Gerais;
FONTOURA, representante do Estado
06 IVENS DE JESUS
do Paraná;
07 - BRUNO_RIBEIRO DE PAIVA, representante do Estado
de Pernambuco;
08 - IVONCÍSIO MEIRA Dá MEDEIROS, representante do Es
tado do Rio Gyande do Norte;
09 - FERNANDO ANTONIO ROMERO, representante do Estado
de Santa Catarina; e
10 - HENRIQUE JORGE DE OLIVEIRA PARREIRA, representan
te do Estado do Ceará.
CELSO FURTADO

quinta-feira, setembro 08, 2011

DEBAXO DO RIO UM RIO AINDA MAIOR


O OUTRO RIO AMAZONAS.

Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6.000 quilômetros de extensão que corre embaixo do rio Amazonas, a uma profundidade de 4.000 metros. Os dois cursos d'água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente. A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.
Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura. Com a informação térmica fornecida pela Petrobras, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.
O dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio. Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de rio Hamza.
Características                                          
A vazão média do rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3.000 m3/s - maior que a do rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.
As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d'água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, as águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano.
Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

sexta-feira, agosto 05, 2011

ENCONTREI EM: NLSON MONTORIL - ARAMBAÉ

Onde estão os imortais amapaenses?

1
Rodrigo Cunha · Santana, AP
20/3/2006 · 7 · 1
Você sabia que existe a Academia Amapaense de Letras? Existe. E desde 21 de junho de 1952, quando foi inaugurada pelo primeiro governador do Território Federal do Amapá, Janary Gentil Nunes. A informação foi publicada no blog do historiador Edgar Rodrigues [www.edgar.rodrigues.zip.net]. Edgar também é um dos membros da Academia Amapaense de Letras que, segundo ele, desde a última composição (1988), nunca realizou uma reunião.

Na época de sua fundação, a Academia de Letras reunia os principais intelectuais da terra, como Heitor Picanço (o único ainda vivo), Antonio Munhoz, Cora de Carvalho, José Benevides, Paulo Eleutério Cavalcante, Amaury Farias, entre outros. A principal função do órgão, segundo Janary, era "participar, orientar a caminhada do povo amapaense", como consta em seu discurso, realizado na extinta Piscina Territorial, em 6 de julho de 1956 (leia o discurso na íntegra abaixo).

O governador do Território sentia-se muito satisfeito pela criação da academia e relembrava obras históricas que resgatavam a história do Amapá, tais como "História das Fortificações Construídas pelos Portugueses", de Arthur Vianna; "Verdadeiro Eldorado", de Alfredo Távora Gonçalves; "La France Equinociale", de Henry Coundreau e as próprias edições do primeiro impresso do Amapá, o "Pinzonia".

Em 31 de agosto de 1988, durante o governo de Jorge Nova da Costa, houve uma reorganização de membros da Academia Amapaense de Letras. O historiador Nilson Montoril assumira a presidência. O advogado Antonio Cabral de Castro, a professora Aracy Miranda de Montalverne, o historiador Estácio Vidal Picanço, o advogado Georgenor de Souza Franco, o historiador Dagoberto Damasceno Costa, o sociólogo Fernando Pimentel Canto e o professor Manuel Bispo Correa assumiram o novo silogeu.

Segundo Edgar Rodrigues, a academia se encontra inativa e toda a documentação continua nas mãos de Nilson Montoril que desde 1988 não teria organizado nenhuma reunião cultural.

Falta de interesse
Segundo Nilson Montoril, presidente da Academia Amapaense de Letras e ocupante da cadeira número dez, de patrono Francisco Torquato de Araújo (pai de Nilson), o que existe é a falta de interesse. O presidente ainda explica que a falta de reunião entre os membros da Academia Amapaense de Letras se deu pela falta de corporativismo em manter a instituição viva. "Quando a professora Aracy Mont'Alverne e o Hélio Pennafort eram vivos, e o Dom Luís Soares Vieira ainda estava aqui, nós reuníamos. Depois, nunca mais houve reuniões entre os membros", afirma.

Em 1988, foram nomeados 21 membros. A idéia inicial era seguir o padrão francês, com 40 sócios. Mas preferiu-se deixar para preencher posteriomente. Dos que tomaram posse neste ano, sete já morreram e três se mudar para outros Estados. Entre os que faleceram estão: Aracy Mont'Alverne, Hélio Pennafort, padre Jorge Basile, Estácio Vidal Picanço, Arthur Marinho e Isnard Lima. Os três que não estão mais no Amapá, são Dom Luís Soares Vieira, Dagoberto Damasceno Costa e Georgenor de Souza Franco.

Até hoje, a academia não possui sede. Houve a idéia de transformar o prédio do antigo Fórum de Macapá em um centro cultural, onde se locaria a Academia Amapaense de Letras e o Instituto Histórico e Cultural do Amapá, que também não possui sede. Mas com a posse do governador Gilton Garcia, em 1990, que também foi membro da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe, cedeu o prédio para a OAB/AP.

Nessa época, as reuniões dos membros aconteceram no Conselho de Educação, quando Nilson Montoril era presidente desta instituição, e depois na casa do historiador.

O professor explica que há interesse em resgatar a academia e o instituto por parte do Estado, que solicitou ao Conselho de Cultura analisar as atuais condições desses órgãos. "O órgão está todo legalizado, tenho todas as documentações, incluindo o estatuto. Caso venhamos em breve reativar a academia, é só publicar o edital, convidar todos que tenham interesse em participar, receber o currículo com a proposta de ingresso e organizar uma comissão de seleção", explica Nilson Montorial, que planeja convidar pessoas jovens para participar da academia, mesclando com a 'velha guarda'.

Discurso de Janary Nunes
Senhor presidente, senhores membros, excelentíssimas senhoras, senhores.

O Amapá é uma idéia em marcha para o porvir, é um sonho que se realiza a cada instante. Debruçado entre o Oiapoque e o Jarí no maciço guiano, cuja idade é da formação da terra, contempla na direção do nascente a imensidão do oceano e ao sul do gigantesco Amazonas, que liga os Andes ao mar vislumbrando seu destino universal. A história da incorporação de seu solo à pátria, é o mais inteligente e o mais perseverante capitulo do livro de outro escrito pela diplomacia luso-brasileira na fixação das nossas fronteiras.

O Amapá merece assim uma academia, cujos membros sejam os garimpeiros de suas pedras preciosas ainda por descobrir, nesse cascalho rico que é o seu passado, nossa mina que é a sua natureza. Surpreende-nos entretanto, senhores acadêmicos, a honra demasiada que nos concedem, escolhendo-nos membros honorários de vossa sociedade. Não encontramos frases apropriadas para exprimir nossa gratidão a esse gesto que nos cativa eternamente.

Desejamos que a Academia Amapaense de Letras, constituída de homens de cultura, acompanhe, participe e oriente a caminhada que o vosso povo vai trilhar. Os acadêmicos têm sido alvo de críticas nem sempre justas e serenas. Acusam-nos de esterilidade, de limitação à rebeldia criadora, de cenáculo vaidoso onde se esfria a chama sagrada da beleza.

Mas tantas já foram as graças de Deus derramadas sobre esta terra, que as nossas esperanças se animam e dão-nos a certeza de que a Academia Amapaense de Letras formará um ambiente propício aos altos remígios do Espírito. O Amapá é um convite irresistível aos que possuem sensibilidade e aptidão para traduzir em palavras o que sentem.

Antes da criação do Território, Aurélio Buarque escreveu interessante ensaio intitulado AMAPÁ. Alfredo Távora Gonçalves levou-nos o VERDADEIRO ELDORADO. Mário da Veiga Cabral nas edições de sua COROGRAFIA BRASILEIRA, divulgou episódios da formação da fronteira setentrional. Arthur Vianna fez a HISTÓRIAS DAS FORTIFICAÇÕES CONSTRUÍDAS PELOS PORTUGUESES. Palma Muniz, através dos ANAIS DA BIBLIOTECA E ARQUIVO PÚBLICO DO PARÁ, deu-nos a HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DE MACAPÁ, MAZAGÃO E MONTENEGRO. Jorge Hurley mostrou a participação de Macapá e Mazagão na Cabanagem. Emílio Goeldi situou as cerâmicas do Cunani e do Maracá. O general Rondom imprimiu RODOVIA MACAPÁ/CLEVELÃNDIA. Alexandre Vaz Tavares e Acelino de Leão cantaram as belezas de seu torrão natal. Pedro de Moura e Josalfredo Borges divulgaram elementos básicos de nossa geologia. Dois cientistas franceses publicaram volumosos ENSAIOS SOBRE A GUIANA BRASILEIRA. Henry Coundreau com LA FRANCE EQUINOCIALE e Brousseau com LES RICHESSES DE LA GUYANE FRANÇAISE.

Macapá teve um jornal impresso: PINSONIA. Eis a obra em resumo de algumas famosas personalidades amapaenses ou que passaram por aqui deixando sua marca intelectual.

Aguardam divulgação os estudos de Álvaro da Cunha, Alceu Magnani e Lucio de Castro Soares. Ainda não foram descritas como merecem, no seu heroísmo anônimo a existência do balateiro, esses caboclos indômitos que munidos de um pouco de sal, jabá e farinha, embrenham-se na mata, somem e desaparecem na floresta para voltarem meses após, maltrapilhos e doentes. Eis senhores acadêmicos, alguns temas que pedem livros e mais livros. A cultura de um povo só se conquista acumulando experiências, somando conhecimentos, multiplicando pesquisas. Alcançaremos a meta que aspiramos.

Pioneiros da segunda metade do século XX, lutemos para fazer do Amapá, desta terra generosa e deste povo amigo, um conjunto amigo e feliz, onde não falte a crença que constrói nem a beleza e nem o amor.

Transcrito do jornal "O Amapá", de 6 de julho de 1953

ENCONTREI EM: NLSON MONTORIL - ARAMBAÉ

Onde estão os imortais amapaenses?

1
Rodrigo Cunha · Santana, AP
20/3/2006 · 7 · 1
Você sabia que existe a Academia Amapaense de Letras? Existe. E desde 21 de junho de 1952, quando foi inaugurada pelo primeiro governador do Território Federal do Amapá, Janary Gentil Nunes. A informação foi publicada no blog do historiador Edgar Rodrigues [www.edgar.rodrigues.zip.net]. Edgar também é um dos membros da Academia Amapaense de Letras que, segundo ele, desde a última composição (1988), nunca realizou uma reunião.

Na época de sua fundação, a Academia de Letras reunia os principais intelectuais da terra, como Heitor Picanço (o único ainda vivo), Antonio Munhoz, Cora de Carvalho, José Benevides, Paulo Eleutério Cavalcante, Amaury Farias, entre outros. A principal função do órgão, segundo Janary, era "participar, orientar a caminhada do povo amapaense", como consta em seu discurso, realizado na extinta Piscina Territorial, em 6 de julho de 1956 (leia o discurso na íntegra abaixo).

O governador do Território sentia-se muito satisfeito pela criação da academia e relembrava obras históricas que resgatavam a história do Amapá, tais como "História das Fortificações Construídas pelos Portugueses", de Arthur Vianna; "Verdadeiro Eldorado", de Alfredo Távora Gonçalves; "La France Equinociale", de Henry Coundreau e as próprias edições do primeiro impresso do Amapá, o "Pinzonia".

Em 31 de agosto de 1988, durante o governo de Jorge Nova da Costa, houve uma reorganização de membros da Academia Amapaense de Letras. O historiador Nilson Montoril assumira a presidência. O advogado Antonio Cabral de Castro, a professora Aracy Miranda de Montalverne, o historiador Estácio Vidal Picanço, o advogado Georgenor de Souza Franco, o historiador Dagoberto Damasceno Costa, o sociólogo Fernando Pimentel Canto e o professor Manuel Bispo Correa assumiram o novo silogeu.

Segundo Edgar Rodrigues, a academia se encontra inativa e toda a documentação continua nas mãos de Nilson Montoril que desde 1988 não teria organizado nenhuma reunião cultural.

Falta de interesse
Segundo Nilson Montoril, presidente da Academia Amapaense de Letras e ocupante da cadeira número dez, de patrono Francisco Torquato de Araújo (pai de Nilson), o que existe é a falta de interesse. O presidente ainda explica que a falta de reunião entre os membros da Academia Amapaense de Letras se deu pela falta de corporativismo em manter a instituição viva. "Quando a professora Aracy Mont'Alverne e o Hélio Pennafort eram vivos, e o Dom Luís Soares Vieira ainda estava aqui, nós reuníamos. Depois, nunca mais houve reuniões entre os membros", afirma.

Em 1988, foram nomeados 21 membros. A idéia inicial era seguir o padrão francês, com 40 sócios. Mas preferiu-se deixar para preencher posteriomente. Dos que tomaram posse neste ano, sete já morreram e três se mudar para outros Estados. Entre os que faleceram estão: Aracy Mont'Alverne, Hélio Pennafort, padre Jorge Basile, Estácio Vidal Picanço, Arthur Marinho e Isnard Lima. Os três que não estão mais no Amapá, são Dom Luís Soares Vieira, Dagoberto Damasceno Costa e Georgenor de Souza Franco.

Até hoje, a academia não possui sede. Houve a idéia de transformar o prédio do antigo Fórum de Macapá em um centro cultural, onde se locaria a Academia Amapaense de Letras e o Instituto Histórico e Cultural do Amapá, que também não possui sede. Mas com a posse do governador Gilton Garcia, em 1990, que também foi membro da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe, cedeu o prédio para a OAB/AP.

Nessa época, as reuniões dos membros aconteceram no Conselho de Educação, quando Nilson Montoril era presidente desta instituição, e depois na casa do historiador.

O professor explica que há interesse em resgatar a academia e o instituto por parte do Estado, que solicitou ao Conselho de Cultura analisar as atuais condições desses órgãos. "O órgão está todo legalizado, tenho todas as documentações, incluindo o estatuto. Caso venhamos em breve reativar a academia, é só publicar o edital, convidar todos que tenham interesse em participar, receber o currículo com a proposta de ingresso e organizar uma comissão de seleção", explica Nilson Montorial, que planeja convidar pessoas jovens para participar da academia, mesclando com a 'velha guarda'.

Discurso de Janary Nunes
Senhor presidente, senhores membros, excelentíssimas senhoras, senhores.

O Amapá é uma idéia em marcha para o porvir, é um sonho que se realiza a cada instante. Debruçado entre o Oiapoque e o Jarí no maciço guiano, cuja idade é da formação da terra, contempla na direção do nascente a imensidão do oceano e ao sul do gigantesco Amazonas, que liga os Andes ao mar vislumbrando seu destino universal. A história da incorporação de seu solo à pátria, é o mais inteligente e o mais perseverante capitulo do livro de outro escrito pela diplomacia luso-brasileira na fixação das nossas fronteiras.

O Amapá merece assim uma academia, cujos membros sejam os garimpeiros de suas pedras preciosas ainda por descobrir, nesse cascalho rico que é o seu passado, nossa mina que é a sua natureza. Surpreende-nos entretanto, senhores acadêmicos, a honra demasiada que nos concedem, escolhendo-nos membros honorários de vossa sociedade. Não encontramos frases apropriadas para exprimir nossa gratidão a esse gesto que nos cativa eternamente.

Desejamos que a Academia Amapaense de Letras, constituída de homens de cultura, acompanhe, participe e oriente a caminhada que o vosso povo vai trilhar. Os acadêmicos têm sido alvo de críticas nem sempre justas e serenas. Acusam-nos de esterilidade, de limitação à rebeldia criadora, de cenáculo vaidoso onde se esfria a chama sagrada da beleza.

Mas tantas já foram as graças de Deus derramadas sobre esta terra, que as nossas esperanças se animam e dão-nos a certeza de que a Academia Amapaense de Letras formará um ambiente propício aos altos remígios do Espírito. O Amapá é um convite irresistível aos que possuem sensibilidade e aptidão para traduzir em palavras o que sentem.

Antes da criação do Território, Aurélio Buarque escreveu interessante ensaio intitulado AMAPÁ. Alfredo Távora Gonçalves levou-nos o VERDADEIRO ELDORADO. Mário da Veiga Cabral nas edições de sua COROGRAFIA BRASILEIRA, divulgou episódios da formação da fronteira setentrional. Arthur Vianna fez a HISTÓRIAS DAS FORTIFICAÇÕES CONSTRUÍDAS PELOS PORTUGUESES. Palma Muniz, através dos ANAIS DA BIBLIOTECA E ARQUIVO PÚBLICO DO PARÁ, deu-nos a HISTÓRIA DOS MUNICÍPIOS DE MACAPÁ, MAZAGÃO E MONTENEGRO. Jorge Hurley mostrou a participação de Macapá e Mazagão na Cabanagem. Emílio Goeldi situou as cerâmicas do Cunani e do Maracá. O general Rondom imprimiu RODOVIA MACAPÁ/CLEVELÃNDIA. Alexandre Vaz Tavares e Acelino de Leão cantaram as belezas de seu torrão natal. Pedro de Moura e Josalfredo Borges divulgaram elementos básicos de nossa geologia. Dois cientistas franceses publicaram volumosos ENSAIOS SOBRE A GUIANA BRASILEIRA. Henry Coundreau com LA FRANCE EQUINOCIALE e Brousseau com LES RICHESSES DE LA GUYANE FRANÇAISE.

Macapá teve um jornal impresso: PINSONIA. Eis a obra em resumo de algumas famosas personalidades amapaenses ou que passaram por aqui deixando sua marca intelectual.

Aguardam divulgação os estudos de Álvaro da Cunha, Alceu Magnani e Lucio de Castro Soares. Ainda não foram descritas como merecem, no seu heroísmo anônimo a existência do balateiro, esses caboclos indômitos que munidos de um pouco de sal, jabá e farinha, embrenham-se na mata, somem e desaparecem na floresta para voltarem meses após, maltrapilhos e doentes. Eis senhores acadêmicos, alguns temas que pedem livros e mais livros. A cultura de um povo só se conquista acumulando experiências, somando conhecimentos, multiplicando pesquisas. Alcançaremos a meta que aspiramos.

Pioneiros da segunda metade do século XX, lutemos para fazer do Amapá, desta terra generosa e deste povo amigo, um conjunto amigo e feliz, onde não falte a crença que constrói nem a beleza e nem o amor.

Transcrito do jornal "O Amapá", de 6 de julho de 1953

sábado, julho 23, 2011



Leticia à sombra da jaboticabeira no quintal da D.Yolanda. A partir dessa ilustração possivelmente ilustraremos todas as demais postagens que fizermos no blog. Vamos ver se vai mesmo!  

segunda-feira, julho 11, 2011

CRISTOVÃO: O GIGANTE DO SERTÃO

SEBASTIÃO CRISTOVÃO – GIGANTE DO SERTÃO.
César Bernardo de Souza - julho/2011


Esse rapaz existe, mora em algum lugar do estado de Alagoas, dia desses a televisão exibiu uma reportagem sobre sua história de vida. Esse rapaz de 21 anos e 2,37 metros de altura deseja estudar medicina veterinária para cuidar melhor dos cães de rua. Quer vê-los livres, mas saudáveis.

Na extensão do que assistia quis fazer um paralelo existencial entre o ser humano e o animal, segundo maior ou menor necessidade que um e outro tem de confiar no meio e no ambiente em que vive.

Inicialmente humanos e animais se equivalem quando nunca escolhem nascer. Nasceram da liberdade ou casualidade dos pais, sem consulta.

Daí em diante é só diferença, não se equivalem aos cuidados que vão receber de terceiros – pai e mãe especialmente.

Os animais dependerão muito mais do instinto, não podem escolher ou pedir cuidados de ninguém. Seguirá cada qual a lei procriativa, da evolução natural. Os animais em geral, especialmente os não urbanos, enfrentarão a natureza com sucessos e fracassos, sobrevivendo ou indo à extinção.

O humano recém-nascido deixado à própria sorte não sobrevive, em o conseguindo terá hábitos animais apesar da genética. Há registros de casos assim, não de Rômulo e Remo em Roma, mas na India, de Amala e Kamala criadas por loba.  

A criança nasce, portanto, da relação de dependência que se estabelece com a mãe antes mesmo de vir à luz. Logo, a confiança é o primeiro grande passo a ser dado na estrada de confiança que se estende desde o inicio até o fim da vida. Boa e sadia infância e juventude depende essencialmente do como e em quem confiar, regra de sobrevivência que requer bons pais e ambiente de convivência. Nesses períodos da vida humana não pode haver quebra da confiança de que necessitam (e se nutrem) as crianças, em havendo essas perderão liberdade, instinto, amadurecimento.

Mas isso não é coisa só de criança, confiança é do que depende os humanos vida a fora, dia após dia, hora após hora. Depende-se de terceiros para tudo na vida, em muitos casos esses terceiros significando milhares de pessoas articuladas para materializar a cadeia alimentar, habitacional, educacional, religiosa, trabalhista, de locomoção, saúde, segurança, etc. (“nenhum homem é uma ilha”).

Pode ser essa a extensão da história de vida do “gigante do sertão”, vez que Cristovão não escolheu nascer, foi abandonado pelos pais biológicos, depois pela mãe adotiva quando já tinha 13 anos, a seguir adotado pela enfermeira que o cuidou e agora é a mãe que lhe incute a necessária confiança para sobreviver e sonhar cuidar dos cães de rua, que também não escolheram nascer.