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terça-feira, fevereiro 05, 2013

CONHEÇA NUMEROS DO CANCER




O número de casos de câncer no mundo deverá aumentar em 75% até 2030. Essa é a conclusão de um estudo feito pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a pesquisa, essa taxa pode ser ainda mais alta e chegar a 90% em países mais pobres. Os resultados foram publicados nesta sexta-feira na revista The Lancet Oncology.
sistema circulatório
Resultado: Em 2030, os casos de câncer deverão aumentar em 75% ao redor do mundo. Em países mais pobres, deverão aumentar casos de cânceres ligados a infecções e, em países mais ricos, tipos da doença relacionados à obesidade e ao tabagismo
Nesse levantamento, os pesquisadores se basearam no registro de novos casos de câncer em 184 países no ano de 2008 para fazerem uma projeção da doença em 2030, quando a população mundial deverá estar mais numerosa e com um maior número de idosos. De acordo com o artigo, enquanto 12,7 milhões de pessoas tiveram câncer em 2008, 22,2 milhões de indivíduos em todo o mundo deverão receber o diagnóstico da doença em 2030. Em países menos desenvolvidos, os casos de câncer poderão aumentar em até 93%, e em países de renda média, como China, Índia e África do Sul, em até 78%.
Câncer cervical: autoexame poderá ajudar na prevenção em mulheres com dificuldade de acesso ao teste tradicional
Segundo os autores do estudo, os tipos de câncer que serão mais prevalentes nos próximos anos vão variar de acordo com cada país. Em nações em desenvolvimento ou desenvolvidas que têm um estilo de vida 'ocidentalizado', ou seja, associado à má alimentação e ao sedentarismo, como Estados Unidos, Brasil, Rússia e Reino Unido, por exemplo, o número de cânceres relacionados à obesidade, como o de mama e o colorretal, e ao tabagismo, especialmente o de pulmão, deverá crescer.
Por outro lado, em países subdesenvolvidos, especialmente os da África Subsaariana, os casos de cânceres relacionados a quadros de infecção, como o de fígado, de estômago e de colo do útero, provavelmente serão os que vão aumentar. “Esses países estão mais preocupados em lidar com outras doenças, como a aids e a malária, e não estão pensando muito sobre o câncer. Mas agora eles precisam prestar atenção nessa doença também”, diz um dos autores do estudo, Nathan Grey. Para o pesquisador, medidas como vacinação contra o HPV, vírus responsável por causar o câncer de colo do útero, ou de ações contra o tabagismo, podem ajudar a reduzir a incidência de câncer.
"O câncer já é a principal causa de morte em muitos países de renda alta e está prestes a se tornar uma das principais causas de morbidade e mortalidade nas próximas décadas em todas as regiões do mundo. Esse estudo serve como um ponto de referência para chamar a atenção para a necessidade de ações globais que reduzam as taxas de câncer", afirma Freddie Bray, coordenador do estudo. Os autores acreditam que esses resultados mostram que intervenções nas áreas de alimentação e reprodução são fundamentais para a redução da doença no mundo.
==>Um em cada seis cânceres é causado por infecções evitáveis ou tratáveis.
A PESQUISA
Título original: Global cancer transitions according to the Human Development Index (2008—2030): a population-based study
Onde foi divulgada: revista The Lancet Oncology
Quem fez: reddie Bray, Ahmedin Jemal, Nathan Grey, Jacques Ferlay e David Forman
Instituição: Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês)
Dados de amostragem: Casos de câncer registrados em 2008 por 184 países

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

VIVA MACAPÁ... SIMPLES COMO ELA SÓ.



Quero lhes mostrar o nosso singelo jeito de comemorar o aniversário da nossa cidade de Macapá.
Antes, porém, é preciso esclarecer que Macapá não é apenas uma cidade e também um estado de espírito que, segundo cada um, pode ou não se traduzir numa cidade não melhor nem pior que outra de igual porte, mas diferente. 
Agradavelmente diferente.... não de gente diferente e sim de gente culturalmente diferente.
Somos simples porque tudo que nos serve também é simples, quase não nos valemos de elementos culturais exóticos, de países muito distantes. 
Isto é, nossas casas dificilmente tem adornos europeus, asiáticos, africanos, norte americanos. Nossa alimentação quando muito incorpora adicionais gastronômicos amazônicos, especialmente do Pará (já fomos terras paraenses).
 Nosso vestuário é muito nosso, admitindo que a “roupa de festa” nem tanto.
Nossa arquitetura anda incerta, talvez sem rumo. Por enquanto segue ao sabor do poder aquisitivo dos moradores, sem muito esforço dá para perceber que o vidro e o concreto já substituíram a madeira.
Nosso musica é nossa música: Zé Miguel, Osmar Junior, Jãozinho Gomes e turma tem feito perolas musicais, que quando atravessar o Rio Amazonas será,sem duvida, musica dos brasileiros. 
Nossa literatura cresce dia a dia., até já dá suporte ao teatro. Dança? Só aqui tem Marabaixo. 
  
As fotografias que fiz hoje são essas que ilustram este texto., são muito amadoras, evidentemente. 
Piores ainda porque minha mobilidade é pouca, mesmo assim mostram que somos simples até no dia maior da cidade de Macapá. Nossa cidade de Macapá.
Prof. Edgar Rodrigues: historiador


J. Ney: radialista lider de audienciahá 43anos no ar.

Hoje nos pusemos a imaginar nas milhões de pessoas que ao longo desses anos todos existiram aqui.
Minha oração voou ao encontro dessa memória. 
Meu pedido a Deus? Simples: que a Macapá de hoje corresponda aos sonhos maiores dessas pessoas.
Meu agradecimento de hoje? Gosto muito da cidade que eles construíram para mim.     

domingo, fevereiro 03, 2013

MACAPÁ: 242 ANOS EM 2000 - 255 ANOS EM 2013. (QUASE A MESMA COISA)



 Apesar dos muitos pesares - um deles, a montanha de lixo que cobriu Macapá - a cidade teve o que comemorar na travessia 99/2000. Alguns prédios novos surgiram na paisagem, entre eles o do terminal rodoviário ali no São Lázaro, um prédio bom, mas que podia ser mais bonito, mais ecológico e pelo menos um pouco futurista já que demorou tanto para acontecer.  
Ali no Santa Rita, nas imediações do Senai, está surgindo um outro prédio muito bonito, não sei a que se destina mas com toda certeza é mais um enfeite para Macapá. No Perpétuo Socorro e no Araxá os complexos urbanísticos planejados pela Prefeitura estão tomando forma e serão, certamente, adornos brilhantes que se pendurarão em Macapá como brincos.
O prédio do Ceap, no Alvorada, alguns outros da iniciativa privada espalhados por aí, e o da Catedral Metropolitana que vai se erguendo bem ali no centro da cidade surgem importantes para Macapá e no futuro próximo serão tão bonitos como importantes. Juntemos a eles o prédio do hospital Sarah Kubistcheck nas homenagens deste aniversário.    
E não é só isso, a cidade ganhou novos postos de combustíveis, ornou-se de out-door bonitos, iluminados de néon como convém aos anúncios necessários em qualquer cidade-mãe, e ganhou também sapatos de saltos altos vindos com o asfaltamento em ruas que a razão nunca explicou tanta lama e poeira até esses tempos tão modernos.
Pena que Macapá não tenha ganho uma única bela praça nova nesse ano, pena maior ainda que ninguém se lembrou de dar um bom lustre na importantíssima praça Zaguy., sem ela Macapá não é uma cidade inteira. Bem à propósito, boa convenção dos partidos políticos seria aquela que estabelecesse que o compromisso mínimo dos prefeitos seria construir pelo menos uma praça e conservar todas as já existentes, durante o mandato.
         Foi também pena que os bancos, todos sem exceção, não quiseram oferecer a Macapá pequenas obras que ao final, removessem da cidade uma nódoa feia e ridícula: filas desnecessárias.
Lamentável que tenham pendurado tiras, caixas e esferas vermelho e verde sobre as ruas e árvores do centro de Macapá, como se fossem enfeites natalinos, e como se a cidade fosse apenas o centro.
Felizmente, por outro lado, Macapá pôde receber sobre suas ruas e dentro da sua história, os índios amapaenses e os” sem-terra”  brasileiros dos assentamentos da reforma agrária no estado. Independente do protesto de uns e dos pretextos de outros Macapá foi, por assim dizer,  o “fórum” dos povos brasileiros, até porque se deu também ao CERPAFOLIA com seus milhares de foliões pisoteando com graça um bom pedaço do seu endereço mais turístico: a orla do maior e mais belo rio do mundo.
E quantas outras novas pessoas chegaram a Macapá em busca da sobrevivência.! Das que chegaram, quantas foram recusadas pela cidade? Se delas ficou apenas uma, então parabéns Macapá, mais um brasileiro é seu devedor.
Ah Macapá, quantas poesias lhe fizeram, crônicas, trovas, músicas. Nada disso lhe fariam se não merecesse e se não precisasse de tudo isso para compensar um pouco a dor tão grande que a morte do Sacaca, filho muito ilustre, lhe impôs.
Aliás, lamentável deste ano em diante o Rei  Sacaca não chegue à sua mesa para cortar o bolo, depois de tantos anos cumprindo esta rotina. Também lamento que complete seus 242 anos sem que outro Rei Momo haja eleito, coroado e empossado para se fotografar ao seu lado, tendo às mãos as chaves das suas portas generosas.
Acho que você tem saudades do teu Sacaca, vezes por vezes ele disse, ruas a fora, sorriso a sorriso: “eu não presto mas eu te amo”. Mas também acho que o Sacaca tem saudades de você, porque além de lhe amar, prestava muito.
Foto: A Beleza de Tua Terra está em Tudo....vai Das águas do Rio Amazonas até o sorriso de um Povo que é Feliz por Viver Aqui.
                                                                  Bia Reis。◕‿◕。
Bom Dia Meu Povo。◕‿◕。

Macapá ,Amo Viver Aqui ,                                  Curtam a Page~>http://www.facebook.com/Macapa.Amo.Viver.Aqui
Hoje, neste fevereiro de 2000 estarei por aí espocando um foguetinho aqui, um rojãosinho ali, tomando uma cervejinha na esquina, um caldo de carne na barraca Tucuju, cumprimentando os pioneiros como se fossem você, tudo, mas tudo mesmo para me juntar aos que vão lhe prestar as melhores e mais justas homenagens.
Ao invés de abraçar, inclino-me diante você Macapá.

03/02/00.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

A ÚLTIMA JUIZA INDEPENDENTE

REVISTA VEJA: 23/01/2013



Entrevista da Revista Veja: Blanca Rosa Marmól - A última juíza independente
A ex-integrante da corte suprema da Venezuela considera o atual governo de Caracas ilegítimo e relata como o regime chavista submeteu o Judiciário às suas vontades

Que presidente? Que doença? Está tudo bem, ele segue governando", diz Blanca Rosa Mármol de León. A frase irônica é uma referência à decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Venezuela, no dia 9, de manter Hugo Chávez no poder do país, apesar de incapacitado por um câncer terminal. Blanca integrou o STJ nos últimos doze anos, ao longo dos quais resistiu bravamente à usurpação da independência do Judiciário pelo regime chavista. No mês passado, foi destituída do cargo antes que se nomeasse um substituto, como manda a lei, apenas para evitar que ela votasse a favor do envio de uma junta médica a Havana para avaliar o real estado de saúde de Chávez. Blanca, que dedicou 38 dos seus 68 anos à Justiça, falou a VEJA em seu apartamento na capital venezuelana.

Como o chavismo assumiu o controle total da instância máxima da Justiça venezuelana?

Em 2004, a maioria dos juizes ainda tinha postura independente em relação ao Poder Executivo. Hugo Chávez, então, mudou a lei para aumentar o número de magistrados de vinte para 32. Uma monstruosidade. Com isso, ele conseguiu nomear doze juizes chavistas de uma só vez. A instituição. hoje, é dividida em seis salas: penal, cível, político-administrativa, constitucional, social e eleitoral. A Sala Plena reúne todos os magistrados. Havia uma decisão anterior do STJ afirmando que as manifestações populares de 2002, que levaram Chávez a deixar o poder por um dia, não caracterizaram um golpe de estado. A Sala Plena chegara a essa conclusão por 11 votos a 9. Depois da reforma do STJ, a Sala Constitucional anulou a decisão para afirmar que, sim houve golpe. Isso interessava a Chávez. porque ajudava a legitimar a perseguição a opositores. Naquele momento eu me dei conta de que o Supremo havia deixado de representar um poder independente. Afinal, a Sala Constitucional nada mais é do que uma fração da Sala Plena. Não poderia, portanto, anular uma votação da qual haviam participado todas as outras salas.

O que aconteceu com os outros juizes que não eram, originalmente, chavistas?

Aos poucos, foram trocando de lado por conformismo, oportunismo, cargos no exterior, aposentadorias que não mereciam ou. simplesmente, medo. Sobraram três independentes, eu incluída. Agora que estamos fora, serão nomeados substitutos leais ao chavismo, não há dúvida. Para se livrar de nós antes da hora, pois deveríamos permanecer até que assumissem os novos juizes, o governo sacrificou quatro dos seus, pois eles haviam assumido no mesmo ano que nós. Tudo para não ter uma única voz dissonante na decisão deste mês, em que foi aprovada a postergação da posse de Chávez. Ou seja, fui destituída do meu cargo indevidamente, para não poder participar de uma decisão vital para o país. Os chavistas alegaram que não há continuidade para nós, juizes. Isso é curioso, porque no caso de Chávez eles entendem que há, sim, continuidade. Foi um ato inconstitucional.

Qual era a decisão certa a ser tomada em relação à posse de Chávez?

O STJ deveria ter nomeado uma junta médica para ir a Cuba avaliar a saúde de Chávez. com o intuito de dizer se ele tinha ou não condições de governar. Agora, a Venezuela está inerte. As pessoas me perguntam na rua, na farmácia e no mercado o que fazer. Eu respondo que precisamos perseverar, lutar e protestar. Temos de dizer que foi uma decisão injusta, contrária à Constituição.

Com o impasse político, o governo venezuelano está paralisado. O Supremo também?

A Sala Constitucional não descansa, "interpretando" a Constituição da maneira que lhe convém, como se os venezuelanos não soubessem ler espanhol, ou como se nossa lei máxima estivesse em uma linguagem criptografada que só os chavistas conseguem decodificar. A Sala Constitucional é o braço legal do governo. Ou seja, pertence ao chavismo.

Por que a oposição não reagiu de forma contundente ao golpe dado pelo chavismo na Constituição?

A oposição está desunida. Eu não entendo. O Henrique Capriles (governador do estado de Miranda, ex-candidato à Presidência) apareceu como um cordeiro manso, dizendo algo como: "Já que estão aí, que governem. Ocupem-se da economia, da segurança". Eu o conheço, mas não entendo por que agiu como se estivesse legitimando o governo inconstitucional. Os venezuelanos querem o fim dessa situação de submissão absoluta em relação ao governo e, em especial, da intervenção do governo cubano na Venezuela. Os cubanos estão em toda parte. Estão nos cartórios, nas forças de segurança e cuidam até da imigração e das fronteiras. Há quem diga que vivemos em uma república imperial, formada por Cuba e Venezuela.

Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, e Nicolás Maduro, vice-presidente em exercício, são considerados os principais herdeiros políticos de Hugo Chávez. Qual deles daria um melhor governante?

Escolher entre um e outro é o mesmo que optar por morrer enforcado ou queimado. Só muda o tipo de morte. Maduro é Fidel, é Raúl Castro, é a ditadura de Havana. Cabello é a ditadura militar, é o déspota multimilionário que enriqueceu por meio da corrupção, usando testas de ferro. Os dois são péssimos e agem de forma inconstitucional. Pela lei, o vice-presidente pode substituir o presidente. Mas o mandato de Maduro expirou junto com o de Chávez, no dia 10. Maduro não foi eleito por votação popular, foi indicado pelo presidente. Quem deveria assumir interinamente é Cabello. Na realidade, não temos presidente. Isso era de esperar. Afinal, os eleitores do chavismo votaram em um mono. Quando Chávez saiu em campanha, já estava claro que sua doença era incurável e que ele não teria muito tempo de vida.

Qual a sua opinião sobre a postura do Brasil em relação à "posse sem presidente" na Venezuela?

Considero um equívoco terrível o apoio do governo brasileiro à manobra de Maduro para passar por cima da nossa Constituição. O Brasil deveria apoiar a democracia e a independência judicial. Tive contato com magistrados brasileiros quando presidi uma associação latino-americana de juizes, e eles pareciam muito competentes e apaixonados por seu trabalho. No entanto, não têm se mostrado solidários com os colegas da Venezuela, onde não há independência de poderes e, portanto, não há democracia. Não entendo como o Brasil pode ignorar o fato de haver uma juíza presa por motivos políticos na Venezuela. María Lourdes Afiuni era magistrada de primeira instância quando foi presa, em 2009, por conceder habeas corpus a um inimigo de Chávez. Afiuni passou catorze meses em uma cadeia para detentas comuns. Lá, segundo ela relatou a um jornalista, foi estuprada. Atualmente, Afiuni está em prisão domiciliar, sem julgamento, e não recebe autorização para sair nem para ir ao dentista. O Brasil tem independência suficiente para protestar contra esse abuso, não é como a Nicarágua e Cuba, países subsidiados pelo chavismo. O Brasil tem força e autonomia, não deveria compactuar com isso. Quero dizer à presidente Dilma Rousseff que, ao apoiar o governo inconstitucional da Venezuela, ela está selando o destino de pessoas como Afiuni.

A senhora também foi perseguida por dar sentenças que desagradaram ao chavismo?

Em 2004, eu fui levada ao Poder Moral. Trata-se de um procedimento especial para a remoção de magistrados. O Poder Moral é integrado pelo procurador-geral, pelo advogado-geral e pelo defensor público. Quando acionados, esses três funcionários públicos (todos nomeados pela Assembleia chavista) avaliam se o magistrado cometeu um erro considerado imperdoável e se deve ser destituído. Se eles concluem, de forma unânime, que houve erro imperdoável, o juiz vai à Assembleia para uma interpelação. Os deputados, portanto, dão a palavra final sobre a destituição. "Erro imperdoável", imagine só a amplitude do termo. No meu caso, consideraram que meu erro imperdoável foi ter dado liberdade condicional a Henrique Capriles em 2002.

Por que ele estava preso?

Capriles foi detido por causa de seu suposto envolvimento no que os chavistas chamam de uma tentativa de golpe de estado. Eis o que ocorreu. Um grupo de antichavistas fez um protesto em frente à Embaixada de Cuba em Baruta, distrito de Caracas do qual Capriles era prefeito. Os manifestantes cercaram o prédio porque acreditavam que havia políticos chavistas escondidos lá. Capriles foi acusado de liderar o protesto. Na verdade, ele ajudou a negociar o fim do conflito, mas foi preso mesmo assim. Não havia nenhuma prova corroborando as acusações, nada. Além disso, Capriles fora preso indefinidamente sem julgamento. Ele estava confinado havia seis meses quando eu lhe concedi liberdade condicional, em respeito à lei. Outros dois magistrados, um chavista e um independente, assinaram a sentença comigo. Curiosamente, só eu fui submetida ao Poder Moral. O processo não deu em nada, mas me senti vítima de uma vingança.

A senhora ainda sofre algum tipo de pressão dos chavistas?

Sei que sou monitorada constantemente. Meus telefones estão grampeados. Recentemente, fiquei sabendo que até os papéis do cesto de lixo do meu escritório no Supremo eram revistados.

Como era o seu dia a dia no tribunal?

Eu sempre tomei decisões baseadas unicamente no texto legal. Às vezes, na Sala Penal, até conseguia trabalhar sem pressões. Na Sala Plena, porém, sempre fui voto vencido. Apesar disso, eu fazia questão de proferir meu voto, porque os argumentos ficam registrados e os advogados podem lançar mão deles para tentar defender seus clientes. Meus votos podem também ajudar na formação dos estudantes de direito. Digo isso porque tenho esperança de que, no futuro, os votos contra os abusos do chavismo se tomem a jurisprudência. Quanto à minha relação com os outros juizes do Supremo, só posso me queixar da conduta de alguns magistrados que tentaram me censurar, em aberta hostilidade. Há três anos, a presidente do STJ, Luisa Estella Morales (a mesma que há duas semanas anunciou a decisão de adiar indefinidamente a posse de Chávez), tentou me proibir de falar em público. Ela é a porta-voz do STJ, reconheço isso. Mas eu falava em meu próprio nome, pois sou porta-voz das minhas convicções. A tentativa de me calar não prosperou.

O que acontece quando chega ao STJ um processo de interesse do governo?

Suponha que advogados independentes e representantes da sociedade civil apresentem um processo contra o presidente por atuação irregular, por corrupção ou por abuso de poder. A Sala Plena simplesmente determina que as acusações são inadmissíveis e impede que o processo seja distribuído a outras salas. Um estudo recente mostrou que 98% das demandas feitas contra o governo na Sala Político-Administrativa foram declaradas improcedentes. Só foram aceitas aquelas que não representam ameaça alguma ao chavismo. Atualmente, é impossível se opor a qualquer ordem emanada do Poder Executivo da Venezuela.

A senhora entrou para o STJ no início do governo Chávez. Como ocorreu sua nomeação?

Até hoje as pessoas me fazem duas perguntas. A primeira é como eu entrei, e a segunda é como consegui permanecer por doze anos no Supremo. Ocorre que, em 2000, quando fui nomeada, a oposição ainda tinha uma proporção mais razoável da Assembleia Nacional, que tem a atribuição de nomear os magistrados. Agora, está em minoria. Eu nunca sequer votei no Chávez. Quando o vi pela primeira vez na televisão, já achei que aquilo cheirava a ditadura militar.

Como será o chavismo sem Chávez?

Não terá força e vai desaparecer. Chávez se converteu em um ser mítico, quase religioso. Nem Maduro nem Cabello podem assumir esse papel. Chávez sabia muito bem manipular os sentimentos e as carências do povo. O dinheiro, porém, está acabando e o país está em uma situação econômica muito ruim. Isso vai arruinar o chavismo