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segunda-feira, maio 04, 2015

DESONRA: CAMINHO DO PODER.

c-bernardo2012@bol.com.br  
O que vai acontecer com o Brasil nos próximos cinco anos alguns sabem, a maioria dos brasileiros nem desconfia pela simples razão de também não se saber se os representantes e interpretes das leis nacionais querem ou não usa-las com rigor para dar um golpe de morte na corrupção igualmente nacional.
Com pequenos esgares de setores do judiciário federal o país ficou informado de que nunca se roubou tanto, se praticou tanto tráfico de influência, se pagou tanta propina, se atreveu tanto, empresários e prepostos do estado.
Nada disso é novo, sabe-se. Mas, inovadores são os meios técnicos, a tecnologia e o transito usados por corruptores e corruptos para transacionar tão facilmente e por longo tempo tantos bilhões de reais da nação.
Essa coisa vem de muito longe, mas há um período pré moderno a ser considerado. O governo Fernando Henrique começou em 1995, seus ministros não lembro mais a não ser um ou dois pelo que disseram como “pista” para que chegássemos aos dias de hoje: Luiz Carlos Mendonça de Barros e Sérgio Mota.
Mota no início deu o tom: “nosso (PSDB) projeto de poder é para 20, 30 anos”. O outro ministro, Mendonça de Barros, na passagem do governo FHC para Lula, manteve o discurso em pauta:  "(O PT) é o partido político cujos objetivos são: primeiro, tomar o poder; segundo, não sair mais do poder”. Em meio a esse requintado bate boca veio o instituto da reeleição – história requentada.
Mais tarde o Sr. José Dirceu apareceu para dizer: "Não aceito dizerem que nós tenhamos projeto para ficar 20 ou 30 anos no poder, nós temos um projeto democrático. Já demos prova de que podemos sair do governo e ir para a oposição com humildade. Prova disso foram as derrotas do PT."
Depois disso chegamos ao Dr. Joaquim Barbosa pautando o Supremo Tribunal Federal para tratar de uma das consequências daquele, digamos, diálogo –Mota-Barros-Dirceu: o mensalão. Tanto fez e tanto foi que viemos a saber de dois seguimentos de um mesmo mensalão – do PT e do PSDB.
Mais dias pós mensalão para lá e para cá na mídia veio a substitui-lo a “surpreendente” notícia de que o Dr. Joaquim Barbosa “optou” pela aposentadoria. O Brasil mais uma vez não se deu por achado pela turma que planejava assalta-lo e foi dormir ao embalo dos Embargos Infringentes.
Mas os malandros pra valer não tinham sono, lá dentro da Petrobrás (por enquanto) e cá fora no, “fórum” de grandes empreiteiras, estava em andamento o petrolão - um monstro imenso cuspindo fogo e sombra no pobre mensalão.
Mas, créditos divinos!, também lá na incógnita Curitiba mantinha-se acordado um Juiz Federal, até então um tal Dr. Sergio Moro. Como quem não quer nada levou para a cadeia um monte de “monstros sagrados” da corrupção nacional, deu conteúdo à mídia nacional, plantou tornozeleiras eletrônicas acima das plantas dos pés da fina flor dos empreiteiros.   
No mês de agosto de 2014 ele, Sergio Moro, deflagrou o combate mais mortífero empreendido até então pela Justiça brasileira ao crime organizado. Entre mortos e feridos ainda não podemos contar ninguém apesar de ano e qualquer coisa depois do combate deflagrado – já cuidam “aposentar” o Juiz Moro, que talvez tenha sido ingênuo em planejar ações curtas e vitoriosas contra a poderosa organização criminosa “sem chefe”.
Aliás, digo isso sem acreditar nisso. Sei que o Dr. Moro sempre teve e tem certeza e consciência de que o bom combate do estado contra seus grandes inimigos, não permite concessões de parte a parte – delação premiada é instrumento da boa lei.
Dr. Moro sabe que aqui fora a população está a seu favor aplaudindo seus questionamentos e trato com seus opositores. É assim porque essa população vê nele a autoridade que age em nome da ampla liberdade de imprensa e de manifestação, que são, no caso da “bomba atômica” que ele está manipulando, valores democráticos que lhe dão segurança e reforçam sua autoridade.
Petrolão é, digamos, privilégio do Brasil. Seus protagonistas, de cabo a rabo, sabem de máximas filosóficas tão importantes quanto os objetivos de cada um nessa história escabrosa: na guerra, qualquer guerra, a primeira vítima é a verdade, a segunda será, sempre, a democracia; e, os caminhos da glória levam apenas ao túmulo.  

 

 

 

domingo, maio 03, 2015

A CRIMINALIZAÇÃO DO MENOR NO BRASIL


 c-bernardo2012@bol.com.br  – 12/03/2007.


Ao que parece o Brasil inteiro está envolvido nessa importante discussão sobre o envolvimento de menores na pratica de crimes, do mais cruel ao mais comum. Ainda bem, mas o assunto é controverso de alto a baixo, desde a manifesta opinião do cidadão comum até o posicionamento público da ministra presidente do Supremo Tribunal Federal, Helen Grace.
A ministra Helen é de opinião de que mexer na idade imputável não resolve nada. O presidente Lula já disse que se baixar hoje idade para dezesseis amanhã teremos trazê-la para os quatorze.
Em aparente contraponto está a opinião pública, pelo que se manifesta através das pesquisas rápidas de opinião que fazem as rádios e televisões. Aí, na maioria das vezes o resultado manifesto é pela redução da idade imputável de 18 para os dezesseis anos.
O que já se discutiu até agora a esse respeito não é muito não é nada, mas pelo menos oportunizou a construção de “teses” importantes sobre a recorrência desse tema-tabu.
Talvez não se possa dizer que o envolvimento de menores em crimes tenha sido a motivação principal e justificativa suficiente para o surgimento do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, mas a recorrência, certamente, pesou bastante a favor.
Sob o ponto de vista da história do Brasil, o ECA tem sido “letra morta” no cipoal de leis que assola o país. Vem daí grande parte do estimulo à (re)discussão sobre a infração juvenil cruenta que ora se estende para todo o Brasil, muito especialmente por causa da referência em que se transformou o caso João Hélio Fernandes, de 6 anos, morto arrastado por um carro em ruas do Rio de Janeiro - menor infrator no meio.
Como se vê, o assunto é mesmo controverso. Se dez pessoas vierem a ler este texto provavelmente estarão entre elas as que são a favor, contra e . . . tanto faz.
No entanto, está na Bíblia um bom encaminhamento para esse assunto, verdadeiramente atordoante. Jesus Cristo – está nos Evangelhos – contou a parábola da figueira para responder indagações que recebeu:
“Um proprietário de vinha tinha em seu campo uma figueira que, ao longo de três anos consecutivos não produziu figos. Mandou que o vinhateiro a cortasse. Esse hesitou e pediu ao proprietário que aguardasse um ano mais, dizendo: vou cuida-la e aduba-la melhor, se isso não ajudar então, corte-a. Nisso foi atendido pelo patrão”.
Aí está o que falta para auxiliar a melhor decisão a ser tomada sobre menores infratores no Brasil: dar a cada um o que as leis determinam, quere-los bem, esperar que a oportunidade oferecida produza mudanças comportamentais no jovem infrator.
Depois disso, especialmente para aqueles que não darão frutos, a sentença: ao fogo a arvore que não dá frutos.


 

 

domingo, abril 26, 2015

UMA CARTA DIGNA PARA O SAMUCA.

Osmar junior
Diário do Amapá - Sábado, 25 Abril 2015 13:16

A máquina do tempo ainda não foi inventada, mas já inventaram a máquina fotográfica. O Samuel dizia que as fotografias ruins eram necessárias para o jornalismo, mas eram perturbadoras para os sonhos, pois sempre ocorrem acidentes, assassinatos, enfim...
Para driblar tudo isso seu hum
or era contagiante e melhorava a vida do pessoal da redação. O alvo predileto de sua alegria era o nosso ocupado e concentrado editor Douglas Lima, do qual no meio das tensões de um fechamento de jornal diário conseguia arrancar um sorriso e até uma gargalhada.
Isso sempre me faz refletir sobre as pessoas que dedicam suas vidas ao mau humor.
Ora, a vida já é cheia de fotografias ruins, porque não fotografar a paisagem ao redor, uma árvore, um rio, uma alegria?
Às vezes entro na sala do Luiz Melo, pelo qual tenho especial apreço, e admiro quadros, histórias, objetos e, às vezes, tenho a impressão que mesmo tendo parado de beber ele ainda me guarda uma garrafa de um bom whisky. Falo isso porque quase todo diretor de jornal é tenso, hiperativo e explosivo, e precisa se cercar de arte ou pessoas que a fazem.
O Melo, na verdade, esconde um grande coração. Ele guarda essas pessoas porque um jornal é feito de arte. O Diário do Amapá coleciona essas figuras, como o saudoso Carlos Bezerra, o nosso querido Ulisses Laurindo, Pedro de Paula e, claro, o fotógrafo Samuel Silva fez parte desse coração de mãe.

Olha, amigo, o tempo que você passou com a gente foi um riso, e ainda vamos rir muito de suas filosofias furadas, guardaremos você num sorriso.
Você pregou mais uma ao partir repentinamente, mas pra onde quer que você tenha partido a luz será boa para fotografar; as fotografias são verdades absolutas e as partidas também. E neste abril chuvoso a gente teve que dizer adeus.
Sentiremos saudades, Samuel.
Nota do Blog: Por muitos anos vi o Samuel quase todos os dias, quando ia à redação do Jornal Diário do Amapá à conta dos artigos que diariamente escrevia e publicava. Depois, quando deixei de escrever, passei a “ver” o Samuel todos os dias através das capas geniais que o jornal trazia de sua autoria. Foi um dos melhores e mais produtivos repórteres fotográficos no Amapá. Fotografou muito e (como bom profissional) foi pouco fotografado. Agora, se o jornal quiser, será “eternizado” quando posto definitivamente na galeria dos seus maiores.   
 
 
 
 
 

sábado, abril 25, 2015

VIVA O POVO NEPALÊS


c-bernardo2012@bol.com.br
Sei que existem palavras para expressar solidariedade sincera aos irmãos nepaleses, mas não me ocorre o que deva ser dito nesse momento. Foi provação demais essa enorme destruição causada pelo terremoto que botou no chão boa parte das cidades do Vale de Katmandu, inclusive na capital Katmandu, deixando num primeiro momento milhares de mortos e um sem número de feridos.
Estamos sim sem palavras que traduzam toda extensão da solidariedade brasileira ao povo e governo, nepaleses – são apavorantes as imagens que chegam. Talvez seja bom que o Brasil diga prontamente o quanto lhe importa o bem estar desse povo, propugne e faça chegar no Nepal a sua mão generosa.
Benedito Ribeiro, conhecido como “padeiro”, mas bombeiro hidráulico lá de Volta Grande, minha terra natal, sempre disse do alto de sua convicção: “as grandes forças de destruição vêm do nada”. Não importa teorias, agora, aos nepaleses, mas sim que Deus e os homens ajudem no que for possível – tudo lá é necessário. De minha parte desejo que não se repita no Nepal o Haiti, alvo de imensa comoção mundial por apenas alguns dias.   
Hoje a ONU está marcando seus 70 anos de criação; tem que ser dia de Organização das Nações Unidas para todas as vítimas desse poderoso terremoto, cuja magnitude atingiu 7,9 na escala Richter, que dificilmente vai a dez. Um único terremoto, no Chile chegou a 9,5, em 1960.
É certo que vamos encontrar motivos para aplaudir o Nepal em meio a tudo isso. Logo nos chegarão imagens fantasticamente renovadoras da fé na vida e na perfeição que é a espécie humana, na medida que pessoas, especialmente crianças, sejam resgatadas sob escombros depois da esperança. Muitas haverão de “ressurgir” cinco, seis dias adiante resistindo sem água e comida e pouco oxigênio para respirar... nós, brasileiros, esperamos essa confirmação. 
A televisão já nos mostra imagens de pessoas vasculhando ruínas em busca de pessoas ou pelo menos de alguma fotografia que lhes fique como lembrança material da esposa e filhos mortos e sepultos sob as montanhas de escombros.
Há poesias que cantam povos tornados fortes pela razão invencível que o sofrimento trás, porém, criando solidariedade e quase sempre transformando países em altar por causa da dor, e em templo por causa da fé no futuro.
Eu, particularmente eu, nunca soube nada sobre o Nepal, nem dos seus guerreiros e nem dos seus poetas, cientistas, desportistas, artistas de qualquer arte. Mas, sempre ouvi falar da sua grandeza capaz das grandes vitórias e sacrifícios, umas que triunfam outras que, ao final, purificam.
Olhando o Nepal pelos olhos desse terremoto, e se com a suavidade da poesia, é possível descobrir um país e um povo parecidos com a montanha que encanta e afronta, mas também com um lago quieto que de repente deslumbra e transborda.
E vendo, com tanta intensidade, tantas pessoas postas nas ruas a espera de que cessem os tremores da terra, compreenderemos pais, filhos, parentes, amigos, nepalês de alguma forma, que por alguns dias não conseguirão pensar em nada concretamente, não terão palavras, ficaram vazios de sonhos, aparecerão na televisão para o resto mundo com o semblante opaco, sem aura legível – imagens da compaixão, do desperdício de vidas preciosas.
 
Pode ser que tiremos o Nepal dos planos de um dia visita-lo na oportunidade da grande viagem ao redor do mundo que faremos quando a fortuna nos chegar. Pode ser que a desinformação construa um muro entre nós, brasileiros e nepaleses, só porque não é da nossa cultura chorar de dor, ranger os dentes por causa de vulcões, terremotos, maremotos, grandes tornados, nevascas e outras manifestações enérgicas da natureza.
Pode ser que não chegue a um sequer daqueles irmãos nepaleses um par de sapatos, um mísero quilo de arroz, frutos da solidariedade do povo brasileiro apenas porque o Nepal está plantado onde nos parece terminar a terra, e o Brasil onde se acredita começar o céu. Tudo isso pode ser, é possível, e, pode até não importar nada que o seja: outros povos os ajudarão.
Mas, nepaleses do Nepal e do mundo, principalmente aos que possam estar entre nós aqui no Brasil, saibam que os brasileiros conhecem bem o peso das tragédias humanas sociais e econômicas que se abatem sobre o povo, depois do furor da natureza ou das mãos pesadas dos governos ruins. Tudo que temos agora para com vocês é solidariedade, fé no futuro, braços para o abraço, tudo em fim que pareça de nós e chegue até vós como um sentimento puro que voa, rompa o espaço e nos una no esforço de devolver-lhes o canto, a paz, conforto espiritual. Depois do que passa os nepaleses, cantar é recapturar a alma de sob a vastidão de escombros. 
Possivelmente é desejo de todo o povo brasileiro que, agora, cada pessoa nepalesa exteriorize a força da qual falou o poeta universal Fernando Pessoa: “...Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor...”.
Força irmãos do Nepal, fé no futuro.

 

 

sexta-feira, abril 24, 2015

SEMENTE DE DOR

c-bernardo2012@bol.com.br
24 de abril de 2015

Talvez ainda não tenha sido entregue à terra o corpo do Carlinho (Carlos Almeida) – chove muito nesse momento sobre a cidade de Macapá. A cova mortuária foi inundada, ao seu redor a injustiça se soma à dor de todos nós. Rasga, explode, se transforma em nódoa no peito dos pais, do seu irmão, dos seus avós, da sua professora.
O Carlinhos, esse que tanto conhecemos guerreando o câncer que o consumia, foi até onde suportou: morreu dias atrás. Mas, o Carlinho não morreu!
Como morreria se plantou no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, um sorriso que não se apagará? É mortal quem morrendo de dor faz sorrir seu outro pequeno irmão que o acompanha na internação hospitalar?      
Seu avô me disse de como recebeu no hospital os duzentos reais, que alguém daqui mandou para ele. Meteu o envelope com o dinheiro debaixo do braço até o sono e o cansaço faze-lo dormir – “dormiu pensando no videogame que queria”, garante o avô.
Como é possível morrer essa criança que soube disfarçar suas dores para poupar a avó, que não deixou sua cabeceira um dia sequer, mas cancerosa também?
Do seu leito, no hospital, concedia entrevistas à imprensa daqui – ele mesmo dizia de si. Gente forte assim não morre, pelo menos não de uma hora para outra.
E o que dizer desse Carlinho cujo corpo fora pranteado por mais de três mil pessoas, na Missa da Cura, ontem, quinta-feira, na Igreja Jesus de Nazaré, celebrada pelo Padre Paulo? Uma gigantesca carreata, jamais vista em Macapá quase ao final da noite, foi devolve-lo à sua casa, de onde saiu para o hospital ainda caminhando sem ajuda.  
Como afirmar morto alguém cujo corpo inerte e isolado num caixão branco, hermético, faz chorar tanto uma professora? Soluçava e dizia sem parar essa mulher: “fui aluna de sua avó, professora do seu pai, e dele... quando isso vai ter fim”?
Os jovens presentes lá na casa do velório talvez expliquem uns aos outros: “rolou um clima estranho!”. Certo, isso mesmo, mas nos seguintes termos: várias crianças, muitas crianças como o Carlinho, colegas, não faziam o menor barulho. Olhavam-se. Diziam-se.
Talvez duvidassem que o colega estivesse mesmo dentro daquele caixão, sem qualquer comunicação com o exterior. Pensassem, esses meninos e meninas, que talvez o Carlinho reaparecesse na escola já na segunda-feira.
Essas coisas são, digamos, dúvidas, esperança, dor, sentimentos soltos além da alma juvenil. A menininha bem pequena nos explicou isso: “mãe, cadê o Carlinho?”.
Ah! O câncer., outra vez ele protagonista de mais essa cena trágica da vida entre nós aqui no Amapá.
Ora, é imortal uma criança que se dignificou tanto a ponto de fazer chorar os Soldados Bombeiros que lhe foram conduzir ao cemitério. E não só; não pode ser morta uma pequena criança que dá causa aos gloriosos soldados bombeiros militares rodar pelas ruas da cidade conduzindo um enorme caminhão e sobre ele um pequeno caixão hermético, branco, guardando um corpo ainda tenro pela idade, 8 anos, mas diminuído pela agressividade de devastadora doença. Morto não... herói!   
 
Chuvas torrenciais caíram hoje sobre a cidade, desde cedo. Inundaram a cova para o Carlinhos, encharcaram as pessoas no cortejo fúnebre. Triste! Triste mas providencial, porque misturou lagrimas humanas com lagrimas das nuvens que choravam como os bombeiros, como a história ali contada. E tudo porque morto que não era, nesse dia 24 de abril de 2015 o Carlinho foi sendo carinhosamente conduzido como uma semente a ser plantada, e não enterrada no Cemitério São Jose.        
 
      
 



 
 
 
 
 

 
 

domingo, abril 19, 2015

CORRUPÇÃO ZERO


CORRUPÇÃO ZERO?
 
Depois de amanhã, 21, através ADPF, a Policia Federal deverá conceder a outrem a sua mais alta distinção: a Medalha do Mérito Tiradentes – há muita expectativa nisso, mas pouca atenção das ruas para a lista de homenageados.
Não diria que hoje a comenda vale mais que ontem, mas o quadro nacional está a exigir que o ato e a comenda sejam, um criterioso outra um prêmio. A Policia Federal tem quadros e meios para concede-la sem receios de cassa-la amanhã.
Quem vai recebe-la sabe hoje que a escolha do seu nome é uma decisão da Policia Federal pouco ou nada influenciada pela televisão, por exemplo. E tem a certeza de que está levando para casa uma distinção duradoura, antes porque a PF é bem outra, ao deixar para trás a ridícula busca por holofotes midiáticos e a desnecessária exposição de pessoas a riscos de danos, morais e materiais, à imagem de investigados, e posteriormente inocentados pela Justiça, e depois porque o povo conhece um pouco melhor o “valor” da corrupção.
Se nessa lista não houver nomes de pessoas que ocupam o escalão superior do governo central, não terá sido por falta de avisos. Lá atrás, em 2003, o lendário Delegado Geral da Policia Federal Paulo Lacerda, no discurso de posse, “avisou” aos seus colegas policiais e ao governo em geral: “... sei que na maioria honesta de policiais federais reside uma certa quantidade que costuma omitir ao perceber eventualmente a desonestidade de algum colega. é a intolerável omissão gerada pelo corporativismo, fazendo com que o transgressor se anime a novos delitos, porque muitas vezes terá no colega o testemunho de que nada viu de errado, servindo de escudo protetor ao policial-bandido. E ..... nesta administração quero alertar a esses policiais que é preciso assumirem, não em parte, mas plenamente, o valor da integridade e da postura ética”.
Só para lembrar: a posse do Dr. Paulo Lacerda ocorreu em dependências do Palácio do Planalto, em cerimônia presidida pelo Ministro da Justiça, mas conduzida pelo próprio Presidente Lula.
Logo a seguir a mesma Policia Federal deflagrou a Operação Sucuri, que resultou na prisão de 22 policiais federais, quatro auditores fiscais da Receita Federal e dois policiais rodoviários federais, em Foz do Iguaçu. Naquele momento as ruas e parte da mídia pediram o “Corrupção Zero” – analogia ao Fome Zero.   
Ainda que com a pirotecnia agregada – a Globo teve importante papel nisso – seguiram-se inúmeras operações policiais de combate à corrupção no país: Anaconda, Gafanhoto, Praga do Egito, Operação Águia, Sucuri 2, Sanguessuga, Carga Pesada e tantas outras; mas o “sistema” não se intimidou. Estava em curso, e não se interrompeu, o Mensalão, o Petrolão, o Receitão e sabe-se lá a quantos mais ãos ainda viremos a conhecer.
Quem tem boa memória lembra que a Policia Federal fez diversas passagens por dentro e ao redor do judiciário, umas na mosca outras nem tanto. Agora é tempo de Lava Jato - mais centrada no juiz que na Policia Federal- nesse momento já na sua quase decima quinta fase de investigação, bem mais cuidadosa para com a integridade geral das pessoas a ela e nela referidas.
O 21 de abril tem muito a ver com a simbologia política nacional, além de muito emblemático para as aspirações políticas naturais de Minas Gerais: Tiradentes criou um referencial para o tamanho dos impostos cobrados ao povo; Juscelino Kubistchek ensinou que o Brasil pode inovar, modificar-se para o desenvolvimento, acolher seus cidadãos; Tancredo Neves consolidou nos brasileiros sentimentos fortes de soberania e cidadania. Portanto, não é demais esperar que a Policia Federal se refira a essa “simbologia” ao distribuir sua comenda nesse abril de 2015.
É improvável, mas se o único homenageado desse ano for o Juiz Federal Sérgio Moro, o “recado” será curto, grosso, oportuno e animador: corrupção zero.  
   
 
 
 

quarta-feira, março 18, 2015

SÃO JOSÉ, PAI SOCIOAFETIVO DE JESUS

Nathália Uchôa - 10/3/2015                

               São José, operário, humilde artesão, temente a Deus. Ele é nosso maior exemplo humano de paternidade responsável. Há mais de dois mil anos, São José já nos ensinava lições de socioafetividade, conceito tão recente no direito constitucional do Brasil.
               Ser pai de Jesus foi uma decisão de fé que São José tomou, com foco nos propósitos de Deus, que falou com ele em sonho. São José poderia ter recusado e denunciado Maria, já que não foi ele quem a engravidou. Poderia ter abandonado a gestante Maria ou não ter assumido o Menino Jesus, com vergonha do que a sociedade da época comentava. Não foi fácil enfrentar as fofocas e superar os preconceitos, mas com fé São José se manteve firme na crença de que acolher Maria e receber Jesus era sua missão.
               São José foi muito homem e teve a coragem de aceitar como seu o filho de Deus, nascido de sua noiva, a qual jamais havia tocado com fins de procriação. Ele cuidou de Jesus, acompanhou seu crescimento, doou-se ao Menino Deus, exercendo com hombridade o papel de pai. Aí reside o exemplo de paternidade socioafetiva ilustrado por São José, que baseou esse amor fraternal na obediência aos desígnios do Pai dos pais: o nosso Deus Todo-Poderoso.
               A devoção a São José é histórica no Amapá, faz parte de nossa cultura, pois é referência de nossa identidade. O famoso arraial na praça é lembrando com carinho por todos que dele participavam. Recentemente, houve um resgate dessa programação, repaginada para os tempos atuais. Antes, tínhamos barraquinhas de madeira; hoje, temos robustas estruturas em ferro e lona para abrigar os peregrinos. Ontem, tínhamos roda-gigante; hoje, temos pula-pula para entreter as crianças. Sim, o tempo muda, a forma de homenagear vai se aperfeiçoando... o que permanece inalterada é a manifestação religiosa a São José e a gratidão do povo amapaense ao nosso santo padroeiro, guardião da nossa terra, que abençoa quem parte e quem chega pela Pedra do Rio, a Pedra do Guindaste.
               São José nos emprestou seu nome por muitas vezes. A nossa Fortaleza, patrimônio cultural do Brasil, é de São José; a nossa Igreja Matriz, templo que representa um marco significativo da nossa história, é de São José; a nossa Catedral, fruto de muito empenho do nosso povo tucuju, é de São José; a nossa rádio, rica fonte de evangelização, é de São José – e pelas ondas da FM, a Rádio São José alcança os ouvidos de nossos irmãos que vivem no interior, distante da sede diocesana, e pela internet atinge o mundo todo; a rua da frente da Igreja-Matriz, importante via do tráfego urbano, é de São José. Quantos José e quantas Maria José conhecemos? Enfim, nossos corações são de São José, o pai adotivo, pai socioafetivo de Jesus.
               Nós agradecemos ao nosso padroeiro todas as intercessões por graças divinas em nossas vidas. E pedimos, vamos repetir:

- Glorioso São José;
- Nos dê sua sabedoria de pai;
- Envolva nossos corações de amor;
- Para que sejamos pais responsáveis;
- Trabalhadores dedicados;
- Pessoas humildes;
- E servos de Deus;
- Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

               Viva São José!

 

segunda-feira, março 02, 2015

CASO EIKE BATISTA

Deu no Estadão:
Afastado do caso Eike Batista, o juiz titular da 3ª Vara Federal Criminal do Rio, Flávio Roberto de Souza, informou à Corregedoria Regional que vai pedir licença médica. O magistrado apresentará um atestado para se afastar do cargo por motivo de saúde. A corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, determinou na quinta-feira, 26, que Souza deixasse os processos ligados ao empresário por considerar um risco o "juiz manter em sua posse patrimônio particular". O juiz foi flagrado dirigindo, na terça-feira, 24, o Porsche Cayenne Turbo de Eike Batista.

Com o pedido, o juiz substituto Vitor Valpuesta já está à frente das atividades da 3ª Vara Criminal. Sua primeira ação à frente do caso será corrigir os atos de seu colega em relação à guarda dos bens, como determinou o desembargador Guilherme Couto de Castro.

Nota do blog1:

A matéria jornalística deveria ter se iniciado noticiando a primeira medida tomada em relação ao caso, qual seja: A corregedora nacional de Justiça afastou o juiz do caso. - DO CARGO OU DO PROCESSO?

A matéria jornalística prossegue confundindo a notícia, ao dizer que o juiz Flavio Roberto de Souza “informou à Corregedoria Regional que vai pedir licença médica”. - DO CARGO OU DO PROCESSO?

A seguir, no mesmo paragrafo a matéria jornalística afirma que “o magistrado apresentará um atestado para se afastar do cargo por motivo de saúde”. DO CARGO?

Prossegue a matéria jornalística confundindo a notícia: “Com o pedido, o juiz substituto Vitor Valpuesta já está à frente das atividades da 3ª Vara Criminal”. – AFASTADO PELA CORREGEDORIA NACIONAL OU PELO SEU PEDIDO?

 

Nota do blog2:

Está por aí um vestido de mesmas cores, que ora parece branco e dourado, azul claro e dourado, azul e preto. Logo, possível é parecer sem ser. E olha que séculos atrás já se ensinava: À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta.

 

terça-feira, fevereiro 03, 2015

DECISÃO POLÍTICA: IMPEACHEMEN DE DILMA



Dr. Ives Gandra
2 de fevereiro de 2015.

O jurista Ives Grandra Martins elaborou um parecer afirmando que há elementos jurídicos para que seja proposto e admitido o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Para ele, os crimes culposos de imperícia, omissão e negligência estão caracterizados na conduta de Dilma, tanto quando foi presidente do Conselho da Petrobras, quanto agora como presidente da República.
Ives Gandra ressalta que, apesar dos aspectos jurídicos, a decisão do impeachment é sempre política, pois cabe somente aos parlamentares analisar a admissão e o mérito. Ele lembra do caso de Fernando Collor de Mello, que sofreu o impeachment por decisão dos parlamentares, mas que depois foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. A corte não encontrou nexo causal para justificar sua condenação, entre os fatos alegados e eventuais benefícios auferidos no governo.
No documento, produzido a pedido do advogado José de Oliveira Costa, o jurista analisa se a improbidade administrativa prevista no inciso V, do artigo 85, da Constituição Federal, decorreria exclusivamente de dolo, fraude ou má-fé na gestão da coisa pública ou se também poderia ser caracterizada na hipótese de culpa, ou seja, imperícia, omissão ou negligência administrativa.
Para Ives Gandra, o dolo nesse caso não é necessário. Segundo ele, o texto constitucional não discute se a pessoa é honesta ou se houve má-fé. Ele afirmaque a Constituição não fala propriamente de atos de improbidade, mas atos contra a probidade de administração. Para ele, culposos ou dolosos, atos que são contra a probidade da administração podem gerar o processo político de impeachment.
“Quando, na administração pública, o agente público permite que toda a espécie de falcatruas sejam realizadas sob sua supervisão ou falta de supervisão, caracteriza-se a atuação negligente e a improbidade administrativa por culpa. Quem é pago pelo cidadão para bem gerir a coisa pública e permite seja dilapidada por atos criminosos, é claramente negligente e deve responder por esses atos”, afirma.
Ives Gandra afirma ainda que, de acordo com a legislação, comete o crime de improbidade por omissão quem se omite em conhecer o que está ocorrendo com seus subordinados, permitindo que haja desvios de recursos da sociedade para fins ilícitos.

Caso concreto
Ao analisar o caso da Petrobras, o jurista entende que os atos fraudulentos e os desvios já são fatos, restando apenas descobrir o comprometimento de cada um dos acusados. No caso da presidente Dilma Rousseff, Ives Gandra diz que à época que começaram as fraudes investigadas ela era presidente do Conselho de Administração que, por força da lei das sociedades anônimas, tem responsabilidade direta pelos prejuízos gerados à estatal durante sua gestão.
Parece-me, pois, que, em tese, o crime de responsabilidade culposa contra a probidade está caracterizado, pois quem tem a responsabilidade legal e estatutária de administrar, deixou de fazê-lo”, afirma. Para o jurista, a presidente também cometeu crime ao manter a gestão da Petrobras, mesmo sabendo dos casos de corrupção.
“Há, na verdade, um crime continuado da mesma gestora da coisa pública, quer como presidente do conselho da Petrobras, representando a União, principal acionista da maior sociedade de economia mista do Brasil, quer como presidente da República, ao quedar-se inerte e manter os mesmos administradores da empresa”.
“Concluo, pois, considerando que o assalto aos recursos da Petrobras, perpetrado durante oito anos, de bilhões de reais, sem que a presidente do Conselho e depois presidente da República o detectasse, constitui omissão, negligência e imperícia, conformando a figura da improbidade administrativa, a ensejar a abertura de um processo de impeachment”.
 

segunda-feira, janeiro 12, 2015

MUDAR NEM SEMPRE É NECESSÁRIO.


Dirigia o carro pela manhã ouvindo a televisão, jornalistas substitutos tocavam no estudio o programa da Ana Maria Braga e do Louro José, outros faziam as externas em pontos diversos do país. Mudança era o tema em discução hoje, no programa.
Pessoas entrevistadas se diziam dispostas a novas atitudes em 2015 e daí adiante, umas se prometendo menos peso, mais cuidado com a saúde, mais entrega conjugal, rompimento conjugal, busca de novos relacionamentos, mais economia, mais dinheiro, menos dividas, etc.
Ouvia essas respostas e me colocava de acordo com quem as dava como compensação por apenas ouvir e nao ver o rosto de quem as davam. Mas não cheguei ao final da matéria, de repente estava estacionando o carro em frente à clinica, onde fui marcar consulta com o meu cirurgião para amanhã.
Mas o assunto ficou martelando meus pensamentos  desocupados, aleatórios, aos quais dou plena liberdade quando dirigindo sem pressa pela cidade. Aí, nao mais estive de acordo com o que ouvi dos entrevistados do Mais Voce, cujas respostas, grosso modo a maioria, foram contestadas pelo “especialista” que as analisavam de pronto. Segundo ele, o especialista, seriam promessas descumpridas ainda no curto prazo.
Ora, mudança é mudança! Voce altera o regime alimentar hoje para perder dez quilos de peso corporal e, os tendo perdido tem mesmo que fazer nova mudança na dieta no pressuposto de que não pode emagrecer indefinidamente.
A mesmice esfria seu casamento? A melhor solução pode ser a continuidade, basta que o “passivo” a ser resguardado seja suficientemente grande. Coisa do tipo: quase cinquenta anos de casado, filhos todos com idade acima de 30 anos, netos jovens e crianças esperando o seu exemplo de vida. Trocar com quê e por quê?
Fazer economia, ganhar mais dinheiro... quem não gostaria? Mas porque fazer disso um propósito de mudança alguem que lutou tanto para se diplomar na faculdade, que exerceu com gosto a sua profissão, cumpriu o tempo de serviço e, trabalhando honestamente não ficou rico? Prometer mudança com base na sorte, tendo por suporte as loterias?
A doença chegou, das piores? Terá que mudar na marra. Pequenas dividas não ensejam mudança de vida, ao passo que dividas impagaveis, elas e não a sua decisão, mudarão a sua vida... para pior. 
De mais a mais, quando o mundo muda arrasta tudo com ele. Hoje, toda carne faz mal, todas as bebidas doces, destiladas e fermentadas ídem. Toda fritura é veneno. Falar ao telefone já vai cedendo espaço para as mensagens escritas. A era pós planos de saúde encurtou a media de vida de quem não pode ter um.
Anos atrás papai me alertou para uma grande mudança havida no mundo, que eu ainda não a tinha percebido. Estando aqui em casa, em Macapá, conversando todos nós na calçada em frente à casa, foi ele “surpreendido” por um casal que viera conhece-lo. Depois de tudo disse a mim: “está vendo Cesinha, hoje em dia a gente morre atropelado e nem escuta o carro vindo”. Não é o caso? 
Bem a proposito desse assunto interminável chega-me pelo face filosófica traduçao de mudança:
“Tão bonita, sussurrou a água ao frescor que acariciou-lhe à gosto!
Encantadora, disse o vento à aturdida mata que lhe invejava o rosto!”.

sábado, janeiro 03, 2015

PESQUISA DIZ QUE "MÁ SORTE" É CAUSA DA MAIORIA DOS TIPOS DE CÂNCER.

BBC Brasil
A ocorrência da maior parte dos tipos de câncer pode ser atribuída mais à "má sorte" do que a fatores de risco conhecidos, como o hábito de fumar, segundo um estudo americano.
A pesquisa que chegou a essa conclusão tem o objetivo de explicar a razão de alguns tecidos do corpo serem mais vulneráveis ao câncer do que outros.
Os resultados, publicados no jornal científico Science, mostraram que dois terços de todos os tipos de câncer analisados são originados de forma aleatória por mutações genéticas, independentemente do estilo de vida levado pelo paciente.
Mas a organização Cancer Research UK afirmou que um estilo de vida saudável ainda aumenta muito as chances de uma pessoa não desenvolver a doença.
Nos Estados Unidos, 6,9% da população desenvolve câncer de pulmão, 0,6% tem câncer de cérebro e 0,00072% sofre de tumores na laringe em algum momento de suas vidas.
As toxinas do cigarro podem explicar por que o câncer de pulmão é mais comum.
Mas, apesar do sistema digestivo estar mais exposto a toxinas do ambiente do que o cérebro, os tumores cerebrais são três vezes mais comuns que os de intestino.
Raízes do câncer
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Saúde Pública Bloomberg. Eles afirmaram acreditar que a explicação para esse fator aleatório está na maneira como os tecidos do corpo se regeneram.
Células velhas e desgastadas do corpo são constantemente substituídas por meio de células-tronco, que se dividem para formar novas células.
Mas em cada divisão há o risco de que ocorra uma mutação perigosa, que aumenta a chance da célula-tronco se tornar cancerígena.
O ritmo dessa renovação celular varia de acordo com a região do corpo, sendo mais rápida no intestino e mais lenta no cérebro, por exemplo.
Os pesquisadores compararam o número de vezes que essas células se dividem em 31 tecidos do corpo durante a vida de um indivíduo com o índice de incidência de câncer nessas partes do corpo.
Eles concluíram que dois terços dos tipos de câncer eram "causados pelo azar" de células-tronco em processo de divisão sofrerem mutações imprevisíveis.
Esses tipos de câncer incluem Glioblastoma (câncer de cérebro), cânceres no intestino delgado e no pâncreas.
Segundo Cristian Tomasetti, professor assistente de oncologia e um dos pesquisadores, as ações de prevenção não são suficientes para impedir a ocorrência desses tipos de câncer.
"Se dois terços da incidência de câncer nos tecidos é explicada por mutações de DNA aleatórias que ocorrem na divisão das células-tronco, mudar o estilo de vida e os hábitos é uma grande ajuda para prevenir certos tipos de câncer, mas não é efetivo em relação a uma grande variedade de outros tipos", afirmou.
"Temos que concentrar nossos esforços em encontrar maneiras de detectar esses cânceres mais cedo, em estágios em que ainda sejam curáveis".
Os tipos de câncer cuja incidência está relacionada ao estilo de vida ou a fatores genéticos herdados de familiares por um paciente incluem as variações mais comuns da doença:
Uma pesquisa diferente conduzida pela organização não governamental Cancer Research UK diz que mais de quatro em cada dez casos de câncer são causados pelo estilo de vida levado pelo paciente.
"Estimamos que mais de quatro em cada dez casos poderiam ser prevenidos por mudanças no estilo de vida, como não fumar, manter um peso saudável, ter uma dieta saudável e reduzir o consumo de álcool", disse à BBC a médica Emma Smith, porta-voz da entidade.
"Fazer essas mudanças não é uma garantia contra o câncer, mas aumenta as chances a seu favor", disse.
"É vital que continuemos a fazer progressos em detectar o câncer mais cedo e melhorar os tratamentos, mas ajudar as pessoas a entender como elas podem reduzir o risco de desenvolver câncer continua sendo fundamental na luta contra a doença".


segunda-feira, dezembro 22, 2014

O NATAL EXISTE E O PAPAI NOEL NÃO É TRISTE

 c-bernardo2012@bol.com.br
Desde 1995 escrevo crônicas para jornais, até 2010 escrevi e publiquei uma para cada natal. Depois do susto com o câncer produzi o mínimo para o meu blog, uma ou duas crônicas para jornais, mas nada que se referisse a natal e fim de ano.
Sei da mesmice dessas crônicas, mas em 2014 posso falar de um Jesus inédito nascendo outra vez, e dos presentes que um renovado Papai Noel tem me dado.
Lá atrás, 2011, maio, quando meu corpo queria morrer disse-me uma voz vivificadora à porta do centro cirúrgico: “não tenha medo, Deus lhe trouxe aqui para aliviar o seu sofrimento”. Não deu outra, um “menino” irradiou luz intensa sobre os médicos, os doutores Carlos Walter Sobrado, Dalto Martins e Domingues. Doze dias depois o “bom velhinho” abriu o saco de bondade: ganhei alta do hospital.
Outra vida a viver, no geral de superação. Rápido tive que aprender a ver e ouvir o choro dos meus filhos, netos, esposa, parentes e amigos por causa de mim – seria difícil a caminhada.
Depois, pouco depois, de volta aos hospitais fui conhecer a dor dos meus iguais: o senhor “josé” sofria, chorava por causa da perda temporária dos pelos, o que lhe derrubou também a barba – símbolo de sua autoridade paterna. O jovem de 23 anos tinha seus ossos consumidos pelo câncer – nos comovia com a sua imensa dor. A “maria” tinha o câncer, mas não uma casa aonde convalescer. Dona “bete”, mãe, morria mais que o filho com câncer no sangue. O inteligente menino sobrevivente ao câncer na cabeça, mas sucumbindo ao tratamento muito rigoroso quis ir – e fomos – comigo à igreja, parecia dizer que pararia ali mesmo. Uns e outros, vários, conheci na hermética sala de quimioterapia e logo morreram.
Todavia, os anos foram passando e fui chegando inteiro aos natais, nenhum igual ao outro – cada um mais natal que o anterior. E por que? Pela descoberta de que é também diferente o Jesus que renasceu em cada um desses anos. 2011 animador: vá em frente, mas tenha coragem - 2012 admoestador: vá conhecer o sofrimento alheio - 2013 concedente: esperança renovada. Já o de 2014 parece que vai me dizer: lute mais, enfrente mais, aplaine mais o caminho.
Paralelamente a esses renascimentos de Jesus em mim sempre esteve o Papai Noel com o mesmo presente espetacular: mais um ano de vida.
Portanto, Natal e Papai Noel não são “produtos” apenas da fé e dos sonhos, mas também das nossas necessidades mais prementes - imorredouras.
A vida é surpreendente, o Natal existe, o Papai Noel não é triste.

quinta-feira, dezembro 04, 2014

INTEGRALIDADE: PRINCÍPIO DO DIREITO À SAÚDE.

c-bernardo2012@bol.com.br 
A integralidade  em saúde é um dos princípios doutrinários da política do Estado brasileiro para a saúde – o Sistema ünico de Saúde (SUS) –, uma espécie de “consolidacao” das ações direcionadas à materialização da saúde como direito e como serviço.
A gênese da integralidade em saúde seria a boa medicina, aliada a práticas de boas respostas governamentais a problemas específicos de saúde.
Seria, portanto, a integralidade, um valor a ser sustentado, um traço de uma boa medicina, uma resposta ao sofrimento do paciente que procura o serviço de saúde. Seria, simultaneamente ,um cuidado para que essa resposta não conduzisse a silenciamentos. Ela estaria presente no encontro, na conversa em que a atitude do médico buscaria prudentemente reconhecer, para além das demandas explícitas, as necessidades dos cidadãos no que diz respeito à sua saúde.
Logo, essa integralidade estaria presente também na preocupação desse profissional com o uso das técnicas de prevenção, tentando não expandir o consumo de bens e serviços de saúde, nem dirigir a regulação dos corpos.
Assim, integralidade em saúde, como modo de organizar as práticas, exige uma certa horizontalização dos programas anteriormente verticais, desenhados pelo Ministério da Saúde, superando a fragmentação das atividades no interior das unidades de saúde. A necessidade de articulação entre uma demanda programada e uma demanda espontânea aproveitaria as oportunidades geradas para a aplicação de protocolos de diagnóstico e identificação de situações de risco para a saúde, assim como o desenvolvimento de conjuntos de atividades coletivas junto à comunidade. Ou seja: sobre integralidade em saúde, as políticas são especialmente desenhadas para dar respostas a um determinado problema de saúde ou aos problemas de saúde que afligem certo grupo populacional. 
Com a institucionalização do SUS, mediante a lei 8.080-90, deflagrou-se um processo marcado por mudanças jurídicas, legais e institucionais nunca antes observadas na história das políticas de saúde do Brasil. Circunstancias que, legais e institucionais, definiriam a integraliadde em saúde como um conjunto articulado de ações e serviços de saúde, preventivos e curativos, individuais e coletivos.
Todavia, Brasil afora Amapá adentro, gestores, profissionais e usuários do SUS, na busca pela melhoria de  atenção à saúde, vêm apresentando evidências práticas do inconformismo e da necessidade de revisão das idéias e concepções sobre saúde.
Um repensar dos aspectos mais importantes do processo de trabalho, da gestão, do planejamento e, sobretudo, da construção de novos saberes e práticas em saúde, resultando em transformações no cotidiano das pessoas que buscam e dos profissionais e gestores que oferecem cuidado de saúde. Integralidade tem que se transformar em meio de concretizar o direito à saúde, como uma questão de cidadania.
Mas as relações sociais vigentes se contrapõem à Constituição Federal, que, ao criar e estabelecer as diretrizes para o SUS, oferece os elementos básicos para o reordenamento da lógica de organização das ações e serviços de saúde brasileiros, de modo a garantir ao conjunto dos cidadãos as ações necessárias à melhoria das condições de vida da população.
Em todo o país, mas especialmente aqui no Amapá, a hipocrisia, a impunidade, a ausência da integralidade em saúde como regra, revelam claramente o sofrimento difuso e crescente de pessoas que são cotidianamente submetidas a padrões de profundas desigualdades, expressos pelo acirramento do individualismo, pelo estímulo à competitividade desenfreada e pela discriminação negativa, com desrespeito às questões de gênero, etnia e idade.
A integralidade como fim na produção de uma política do cuidado, sempre se  referirá ao ato de cuidar integral dos pacientes, e só acontecerá quando se der pelo modo de atuar democrático, pelo fazer integrado, e pela intenção de em um cuidar alicerçado numa relação de compromisso ético-político de sinceridade, responsabilidade e confiança entre sujeitos.
No dicionário Aurélio, o termo acolhimento está relacionado ao “ato ou efeito de acolher; recepção, atenção, consideração, refúgio, abrigo, agasalho”. E acolher significa: “dar acolhida ou agasalho a; hospedar, receber; atender; dar crédito a; dar ouvidos a; admitir, aceitar; tomar em consideração; atender a”.
No Dicionário Houaiss, o termo acolhimento não existe, porém acolher significa “oferecer ou obter refúgio, proteção ou conforto físico. Ter ou receber (alguém) junto a si. Receber, admitir, aceitar, dar crédito, levar em consideração.
Em outubro de 2012 o Ijoma entrou com ação no Ministério Publico Federal com uma petição com a seguinte sinopse fática:
“A presente ação civil publica tem por objetivo compelir o Poder Público a tomar as medidas necessárias para que os estabelecimentos da rede estadual e municipal de saúde, integrantes do SUS - Sistema Único de Saúde, prestem serviços eficientes, seguros, contínuos e de qualidade, conforme determina a legislação pertinente, para com os doentes acometidos de câncer no Estado do Amapá.” 
Recebemos como resposta:
DECIDO
“Na condução de reuniões do Comitê Executivo da Saúde do Estado do Amapá, do qual sou coordenador, obtive informações do Governador do Estado e do Secretário de Estado da Saúde de que o Ministério da Saúde irá promover obra de ampliação do Hospital das Clinicas Alberto Lima – HCAL, contemplando: a) a construção de um Centro Oncológico de Alta Complexidade; b) reforma do Centro Cirúrgico; c) de novos leitos na UTI; d) novos consultórios médicos; e) sala de farmácia; f) ampliação da enfermaria. Também há informações de que os recursos necessários para essa obra já estão disponíveis, havendo, inclusive, procedimento  administrativo em andamento para a deflagração de licitação.
Com efeito, em que pese o caos da saúde publica no Estado do Amapá ser fato público e notório, tem-se que, no caso especifico do atendimento dos pacientes de câncer, as providencias administrativas já estão sendo adotadas. É certo, porem que essa estruturação na área de oncologia (praticamente inexistente nos hospitais do Estado) não tem como ser alcançada em prazo tão exíguo. A reforma, ampliação e construção de edificações, assim como a aquisição de equipamentos e contratação de pessoal, demandam tempo, exigindo da administração pública a necessária observância das formalidades legais para a sua efetivação.
Assim, diante da constatação de que a União e o Estado do Amapá já estão adotando as providencias necessárias para se alcançar os objetivos reclamados na presente demanda, não vislumbro, por ora, a presença de requisitos ensejadores da medida liminar”.   
ANTE O EXPOSTO, INDEFIRO O PEDIDO DE LIMNAR.
Citem-se os réus. Intimem-se.
Macapá, 9 de novembro de 2012.
Anselmo Gonçalves da Silva

Avançamos no tempo até que, entre os dias os dias 28 de fevereiro e 3 de março de 2013, dentro da vigência da ultima grande e prolongada falta de remédios quimioterápicos na rede publica estadual, morreram:
SEBASTIANA ROLINA DA SILVA – CECILIA SANTOS DAS DORES – ANA MARIA MORGONHA DA SILVA – VERA LUCIA BARROSO MONTEIRO – RAIMUNDA OLIVEIRA DOS SANTOS – EDIVALDO DE BRITO DE PAES.



quarta-feira, novembro 12, 2014

NÃO É, MESMO. NEM PROMOTOR O É.


O Juiz João Carlos de Souza (que por mais que insista e se convença, não é Deus) segue apoiado por Desembargadores do TJRJ. Os da 14 Vara Cível mantiveram a multa à Fiscal do Detran que cometeu “crime” dizendo a mais cristalina verdade: juiz não é Deus.
Mas nisso não há novidade alguma, relembremos abaixo o caso de outra celebridade nacional:
10 de Junho 2013:
PROMOTOR INCITA VIOLENCIA CONTRA MANIFESTANTES DO MOVIMEMNTO PASSE LIVRE

Depois disse que não disse dizendo o seguinte: o texto "foi fruto de desabafo feito por pessoas que estavam há muito tempo paradas no trânsito, mas que tinham compromisso com seus filhos". Me manifestei como cidadão. "Foi uma forma de expressão, jamais caracterizando aquiescência com execuções ou arbitrariedades".
Todavia, o Promotor André, antes, em março de 2011, escreveu num processo que um policial deveria melhorar sua mira. "Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer. Lamento que tenha sido apenas um dos rapinantes enviado para o inferno. Fica o conselho: melhore sua mira".
Hoje eu ouvi um promotor ou procurador visitante do MP/SP dizendo em entrevista na Radio Difusora: “Os protestos de rua em 2013 mudaram o papel do Ministério Publico”.
Mudou como? A Constituição foi reformado a propósito? O colega Dr. André foi punido na forma da lei? O MP não cumpria com o seu papel antes dos protestos de rua em 2013?
 

sábado, novembro 01, 2014

TODOS OS SANTOS E FINADOS

Nilson Montoril
No século sétimo, o imperador romano Focas ofereceu ao Papa Bonifácio iv O Panteon, templo suntuoso que o imperador Agripa mandara construir no ano 27 antes de Jesus Cristo. O Sumo Pontífice aceitou a oferta e dedicou o prédio á Maria Santíssima, Mãe Deus a todos os santos. O templo fora erguido para comemorar a vitória do imperador Augustos sobre Marco Antônio e a Rainha egípcia Cleópatra na batalha de Acio, consagrando-o ao deus Júpiter Vingador. No local realizava-se o culto a todos os deuses romanos. No dia 12 de maio do ano 609 da era cristã, segundo registro do Cardeal Barônio, 28 carros transportaram os ossos dos mártires cristãos, exumados das catacumbas de Roma e seus arredores, como forma de preserva-lhes a memória. Em 731, o Papa Gregório III instituiu a solenidade dedicada a todos os santos.
A celebração ficou restrita à cidade de Roma. Em 837, o Papa Gregório IV estendeu-a a Igreja Universal. O dia de Todos os Santos foi instituído por três razões fundamentais: a- nem todos os santos têm um dia de festa; b- nem os santos receberam as honras da canonização; c- há uma inumerável multidão de santos desconhecidos, a qual aumenta cada dia com a entrada de novos eleitos no Céu. A Igreja Católica Universal respaldou-se na citação feita por São João Evangelista, no Apocalipse, sobre a visão que tivera de inúmeros santos no Céu: “Vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam em pé diante do trono e em presença do Cordeiro de Deus, cobertos de vestes re com palmas em suas mãos”.
A comemoração dos Fieis Defuntos complementa a festa de Todos os Santos e as duas são uma demonstração prática do dogma da Comunhão dos Santos. No dia consagrado ais mortos não bastam às lágrimas que derramamos à beira dos sepulcros; a saudade que sentimos das pessoas queridas já falecidas e as belas flores e coroas colocadas nas sepulturas.
É imprescindível que rezemos pelos mortos porque é provável que eles estejam num lugar de expiação, chamado purgatório. É aí que as almas dos eleitos, cuja pureza não é perfeita, expiam, em um fogo misterioso, o resto de suas faltas. No dia de finados o Martilológico dirige-nos estas palavras: ”Fazemos hoje a comemoração de todos os fiéis defuntos. A Igreja já instituiu a comemoração para socorrer as almas que ainda padecem no lugar da purificação, intercedendo por elas junto a Deus Pau e a Jesus Cristo, para que elas se reúnam, o mais depressa possível,à comunidade dos cidadãos do Céu”. A morte não é o fim para quem acredita na imortalidade da alma. A morte é a passagem do cristão, da vida terrena para outros estágios próprios dos espíritos. Sem a Luz Divina nenhum homem se. Ela provem de Deus e conduz ao cume da perfeição. A reza é o tributo exigido dos que desejam ter a Luz Divina. I cristianismo reconhece a existência do Juízo Particular e do Juízo Final ou Universal. O Juízo Particular ocorre no mesmo instante em que a alma do homem deixa o corpo e se apresenta ao Tribunal Celeste. Se a alma estiver em pecado receberá a sentença de Deus, condenando-a ao purgatório ou ao inferno.
Perante o Tribunal Celeste, o Supremo Juiz pedirá contas das ações da vida terrena do morto. Os demônios acusando todas as maldades e o Anjo da Guarda confirmando as acusações. A alma que chegar ao Juízo Particular em pecado estará desamparada de Deus e dos santos. Em torno de si estarão os demônios rangendo os dentes e impacientes para conduzi-los ao inferno. Se os pecados forem considerados leves, a alma irá para o purgatório para expiá-los. “Se os pecados forem mortais e graves, o condenado ouvirá de Jesus Cristo estas palavras:” Apartai-vos de mim, maldita, para o fogo eterno; vai padecer para sempre na companhia dos demônios e condenados, onde, no meio dos mais atrozes tormentos só ouvirás gritos e ranger de dentes”. O juízo Universal ou Final, considera que lá na madrugada do último dia do mundo se ouvirá sons de trombetas, cujo eco ressoará nos quatro cantos do mundo e fará ouvir por toda a parte estas palavras terríveis: “Levantai-vos, mortais,vinde a Juízo”. A terra lançará de si os corpos; o inferno vomitará todos os condenados; o Céu enviará também seis santos. As almas irão tirar dos sepulcros os corpos já de novo organizados.Os anjos separarão os bons e os maus.Os bons, devidamente purgados de seus pecados terão a recompensa eterna. Os maus, voltarão ao inferno,cujo fogo não se extinguirá nunca.É fogo que tudo penetra e nada consome, tudo queima e nada desfaz.Fogo temperado pela Justiça Divina com todos os gêneros de tormentos.(Referência: "Apologia ao Catolicismo).
Há uma crendice de que a alma só se afasta definitivamente do corpo quando ele é sepultado. Se for assim, as almas dos que morreram e não tiveram seus corpos resgatados não sobem nunca. Nem os incinerados. O espirito do morto se apresenta ao Tribunal Celeste tão logo ocorra a morte da matéria que o abrigou para o Juízo Particular. Se a alma estiver desamparada de Deus, de nada valem as sepulturas suntuosas e as mais humildes, Um ditado muito certo diz que santos e defuntos querem reza, nada de material. Se você quiser saber i que acontece com o corpo humano embaixo da terra, sinta o terrível odor da flor cadáver.