A minha Macapá.
Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa* (ecosta@ufpa.br)
Após três semanas ausente, devido viagem em função de doença em familiares, voltei. E dessa vez não tive tempo de escrever nem dentro dos aviões como de costume (para cumprir meu compromisso semanal com esta coluna), cheguei na quinta e fui tomar o café da tarde na Gazeta para me atualizar, e, na conversa de todos senti um grande sentimento de amapalidade em razão de comentário infeliz de um goiano a respeito da nossa terra. Comecei a pensar e voltei ao tempo de minha infância aqui, aí pensei, vou escrever sobre a minha cidade de Macapá e deixar a gripe suína para a semana que vem, sem antes avisar que todos devem ser vacinados, pois a doença é muito grave e mata. Bem, ao assunto, nasci como hoje em um dezoito de abril, no hospital geral. De minhas primeiras lembranças vem à memória o festejo da copa de 1958, pois a casa da vó Maria era no lado do café society, onda a vida acontecia naquela época. A outra vó, a Deolinda morava em frente da casa do Mestre Oscar. Lembro de brincar com o sapo da frente dos correios, de passar por debaixo da barriga dos leões do fórum, onde hoje é a OAB, de estudar na Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no igarapé das mulheres das Deusas e Margaridas, dos colegas de infância da escola e do bairro, ainda sou capaz de lembrar alguns nomes, do João Cabral (que morreu servindo o exército num acidente na guerrilha do Araguaia), que era um super amigo e muito bom de bola, da mesma época, o Cristovão, a Lindalva, o Orlanil, o Zé Raimundo, a Bela, a Sônia, a Graciete, o Lindolfo, o Cazuza, o Bebé, a Maria José, a Iaraci, a Jurema, o Arigó, o meu primo Manoel, o Carlão, o Odilon, o Lelê, o Lúcio, o Romero e o Camarão que era mais velho e maior, sendo por isso o responsável por bater o sino da igreja. Na nossa rua tinha uma figura folclórica, o Rocky Lane (não sei seu verdadeiro nome), mas lembro de jogarmos bola na rua descalços e ele de meião e chuteiras, e indo assistir o filme do Zorro, vestido de Zorro. Naquela época íamos nos domingos para fora da cidade, tomar banho no pacoval, muito longe, pois a cidade acabava no campo do América, atrás da igreja de São Benedito, ou para o outro lado muito mais longe, a praia do Araxá; às vezes íamos tomar banho na prainha da Fortaleza, Fortaleza que tinha um farol e os baluartes eram cor de tijolo. Nas noites de lua vermelha e grande batíamos lata pro mundo não acabar e quando jogávamos futebol na praia do trapiche ninguém chegava perto da pedra do guindaste, hoje substituída por concreto onde está a estátua de São José, pois ela era encantada, quando a bola ia em sua direção íamos em grupo buscá-la, ninguém se aproximava sozinho. Nos domingos, depois da missa das oito, que disputávamos para ajudar como coroinhas, pois quase todos éramos coroinhas e/ou escoteiros, íamos ao cine João XXIII de manhã, que tinha sempre um seriado após o filme e ao cine Macapá à tarde, onde um dos rituais era a troca de gibis na porta. No futebol, tinha o Macapá, o Amapá Clube, o Cea, o Latitude Zéro, o América, o Santana, o Trem, mas o nosso sonho era jogar no Juventus, que tinha o Wanderley, o Magalhães e o Caboclinho, só de goleiros além do cracaço Orlando Torres. Nessa época o Alceu, que depois se transformou no super-zagueiro, era apenas escoteiro, e lembro que o maior buraco cavado para a construção da piscina da sede da Veiga Cabral foi feito por ele. E por falar em escoteiros, que até hoje é a maior escola de formação de caráter no mundo, depois da família; lembro de meus chefes, o Batintin, hoje meu paciente, o Mozart, o Silva Luz, o Clodoaldo, o Humberto, o Noventa e Um e o Zé Roberto, este foi meu chefe quando eu era lobinho e que já devia ser meu amigo, pois foi em sua bicicleta que dei minhas primeiras pedaladas. Os clubes sociais eram o Sacy e o Sayonara, este com o papai sendo um dos fundadores e primeiro presidente, e ontem de manhã, conversando no escritório do Zé da Mido, vi uma foto dele, Zé, em que está o Aristarco, que era o vice-presidente, disso eu lembro bem pois um dos lugares mais amiúde das festas era a minha casa. Ah, ia esquecendo das namoradinhas ou quase namoradinhas, aquelas primeiras que a gente nunca esquece, a Iza, a Nazaré e a Idá. Quando não íamos ao cinema no domingo de manhã, íamos todos para o programa de auditório na rádio difusora, o clube do guri, onde o super-músico Aymoré acompanhava a todas as tentativas de cantarmos ao microfone. Enfim essa era a minha Macapá; só espero que depois deste texto, ninguém mais me pergunte se sou amapaense, para novamente eu ter de responder quase decorado, sou, você conhece o Osmar Júnior, a mãe dele é irmã da minha mãe. Conhece a Patrícia Bastos, o nosso bisavô é o mesmo, sabe a Telma Duarte presidente da confraria Tucujú, é minha irmã, e sabe o Dorimar da banca de jornais, a Ana Maria, mulher dele é minha prima. É isso! Vou parar por aqui, pois se deixar minha mente divagar não caberá o texto no espaço da coluna. Só o que me deixa um pouco triste é que trinta e sete anos depois, quando voltei, a cidade não mudou muito, mas isso é o assunto de outro artigo; pois eu te amo Macapá. Uma semana abençoada à todos. Semana que vem volto a falar de Macapá e de saúde.
* Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia
Professor Associado, Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) e
Coordenador da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará.
UM BLOG CRIADO PARA INTERAGIR COM AS PESSOAS QUE GOSTAM DE LER, DISCUTIR, OPINAR. - JORNALISMO - CULTURA - LITERATURA - CENÁRIOS NATURAIS - CURIOSIDADES...
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quinta-feira, junho 03, 2010
JÁ MEDIU SUA GLICOSE HOJE? IOCHIDA E COSTA EXPLICAM.
Diabetes, um assunto nada doce...
Profa. Dra. Lucia Christina Iochida* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa** (ecosta@ufpa.br)
Há uma semana estava em São Paulo, participando de banca de tese de doutorado e aproveitei para fazer um curso sobre stents de última geração, quando encontrei a Profa. Dra. Lucia Christina Iochida, uma das médicas mais brilhantes com quem convivi na época da pós-graduação na UNIFESP, e além das qualidades profissionais ela tinha o mais belo par de pernas da escola paulista de medicina, naquela época. Agora, a bela é Professora Associada de Clinica Médica da mesma escola (professor associado, na carreira universitária, é a classe final para a qual passa o professor que tem doutorado, após oito anos de professor adjunto com produção científica); aproveitei o encontro pra discutir um caso de diabete recente na minha família e durante a conversa ela me contou que soube dos meus artigos na Gazeta, isto em razão de me procurar na internet pra me fazer um convite acadêmico. Conversei com a Lucinha (minha maneira carinhosa de tratá-la) a respeito de meus artigos e pedi para ela escrever alguma coisa para que todo mundo pudesse entender a doença diabete. Ontem, recebi por e-mail este primeiro texto:
A diabete é uma das doenças que mais tem crescido, e causado grande preocupação aos médicos de todo o mundo é o diabetes ou diabete. O nome da doença em latim é "diabetes mellitus", e foi chamada assim porque as pessoas doentes urinam muito (diabetes = sifão) e a urina é doce (mellitus= doce como mel). Esta doença é conhecida desde a antiguidade, mas seu aumento exagerado foi observado a partir do século XX, principalmente depois da II Guerra Mundial.
O que chama atenção no diabetes é o aumento das taxas de açúcar (glicose) no sangue, que ocorre em todos os tipos da doença. É importante notar que existem diversos tipos diferentes de diabetes, porém os mais importantes são o tipo 1, que aparece principalmente em crianças e adolescentes, e o tipo 2 que aparece com mais freqüência após os 40 anos de idade, principalmente em pessoas com excesso de peso. O diabetes tipo 1 exige o uso diário de injeções de insulina, e corresponde a cerca de 10% dos casos de diabetes. Os pouco mais de 90% de todos as pessoas com diabetes são do tipo 2, por isso comentaremos agora sobre ele.
No Brasil, estima-se que existam cerca de 10 milhões de pessoas com diabetes, e muitas delas nem sequer sabem que tem a doença. Isto porque, a maioria tem diabetes tipo 2, que é uma doença que provoca poucos ou até nenhum problema, durante muito tempo. Em outras palavras, muitas pessoas tem a doença e não sentem quase nada, ou nada mesmo. Isto não quer dizer que a doença não tem importância, ao contrário, durante todo o tempo em que a pessoa não sente nada, o excesso de açúcar no sangue vai causando estragos em todo o corpo, que mais tarde vão aparecer na forma de outras doenças, como por exemplo alterações na visão, acidentes vasculares cerebrais, infartos e outras doenças do coração, insuficiência vascular periférica que causa o pé diabético, doenças nos rins e várias outras.
É importante prestar mais atenção às informações sobre diabetes, e principalmente para os maiores de 40 anos, mais ainda para os que tem excesso de peso. Procurar o seu médico para perguntar sobre esta doença, e fazer um exame simples, para verificar a taxa de açúcar no sangue, pode hoje significar mais tempo de vida.
*Médica com Residência, Mestrado e Doutorado em Endocrinologia e Diabete
Profa. Associada de Disciplina de Clínica Médica da
Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo
**Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor Associado, Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) e Coordenador da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará.
Apenas “um pouco de açúcar no sangue”.
Profa. Dra. Lucia Christina Iochida* - Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa**
(ecosta@ufpa.br)
Continuando o assunto da semana passada, complemento hoje o artigo da Profa. Dra. Lúcia Iochida, professora de clínica médica da Escola Paulista de Medicina, sobre diabetes mellitus.
Para aqueles que já ouviram isto de alguém, como uma justificativa para ainda não começar a se cuidar, deixar para começar aquela dieta na próxima segunda-feira, vamos continuar falando um pouco mais de diabetes. O principal objetivo desta nossa conversa é chamar a atenção de todos para este gravíssimo problema, que vem se tornando cada vez mais comum, tanto no Brasil como em todo o mundo: o diabetes mellitus e suas complicações (doenças do coração, dos rins, pressão alta, “derrames” e outras).
Como falamos anteriormente, existem dois tipos principais de diabetes, o tipo 1, com início mais freqüente em jovens e crianças, e o tipo 2, com início mais freqüente após os 40 anos de idade. Existe também o diabetes gestacional, que aparece na gravidez, e que também está aumentando em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil.
E porque esse aumento generalizado no número de pessoas que se ficam diabéticas em toda parte? Principalmente por causa da mudança dos hábitos, do estilo de vida e de alimentação que ocorrem em praticamente todos os países. Até cerca da metade do século XX, ou para usar outro ponto de referência no tempo, até o final da II Guerra Mundial, a maior parte das pessoas no Brasil vivia na zona rural, e havia uma grande diferença entre o tipo de comida e a quantidade de esforço físico que faziam as pessoas que viviam na cidade e na zona rural. As diferenças entre os estilos de vida de pessoas que viviam em países diferentes, principalmente quando se comparavam países pobres e ricos, era muito maior do que a que temos hoje. Dentre os leitores mais “experientes” (com mais de 60-65 anos), quem se lembra de tomar coca-cola, ou qualquer refrigerante nas refeições, quando era criança ou mesmo adolescente? Hoje as crianças praticamente não bebem água, e entre seus pratos preferidos estão “hamburguer”, “hot-dog” batatas fritas de todos os tipos, acompanhados de “ketchup”, mostarda e outros molhos, além de chocolates, sorvetes e muitos doces. Mesmo quem não é grande adepto de “fast-food” pode observar que aumentou muito o consumo de comidas prontas (pizzas, enlatados, congelados), e também, não por coincidência, que as pessoas de todas as idades estão cada vez mais “gordinhas”. Isso acontece porque se come mais, comidas cada vez mais “calóricas”, isto é, com capacidade de fazer engordar, e se gasta cada vez menos energia: As pessoas usam o carro para tudo, até para ir até a padaria da esquina! Claro que o progresso traz vantagens, muitas coisas que exigiam muito esforço físico hoje são feitas por máquinas que facilitam o trabalho, mas deixar de gastar energia facilita o ganho de peso. E o excesso de peso facilita o surgimento de doenças, como o diabetes, a pressão alta e as doenças do coração.
Muitas vezes, explicando para uma pessoa que descobriu que tem diabetes a importância de ter uma alimentação controlada (fazer dieta não é passar fome, mas saber o que deve comer e controlar o que e quanto se come), fazer exercícios regularmente, e às vezes também tomar medicamentos, eu escuto a queixa:
_ “mas doutora, eu não sinto nada, e meu açúcar está só um pouquinho alto.. Será que é preciso mesmo todo esse sacrifício?”
A resposta é sim. O único meio que nós médicos temos de evitar as complicações muito graves do diabetes é controlando a doença, tentando manter o açúcar no sangue o mais perto do normal possível. Quanto mais tempo o açúcar ficar alto, maior a chance de aparecerem as complicações. Depois que elas aparecem, depois que a visão piora, depois que os rins começam a funcionar mal, ou que se teve um “derrame”, muitas vezes não se pode mais voltar ao normal (isto é, não se volta a enxergar como antes, por exemplo). Por isso, mesmo que a taxa de açúcar no sangue esteja só um pouquinho acima do normal, se ela está acima do normal devemos tratar dela imediatamente, para fazer com que volte ao normal e fique perto disso o quanto antes. Muitas vezes meus doentes diabéticos dão uma “escapada” da dieta e me dizem: _ a dra. vai ficar brava comigo..” E eu respondo:..”não sou eu que fico brava, mas o seu rim, o seu coração, seus olhos! Pense neles antes de abusar.” É melhor prevenir que remediar, não? Então vamos começar a fazer exercícios, diminuir os excessos alimentares, e fazer um controle da pressão e da glicemia (dosagem de açúcar no sangue) pelo menos uma vez por ano, principalmente após os 40 anos de idade, assim estaremos prevenindo muitas doenças graves.
*Médica com Residência, Mestrado e Doutorado em Endocrinologia e Diabete
Profa. Associada de Disciplina de Clínica Médica da
Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo
**Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor Associado e Coordenador da Disciplina de Cardiologia / Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
Profa. Dra. Lucia Christina Iochida* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa** (ecosta@ufpa.br)
Há uma semana estava em São Paulo, participando de banca de tese de doutorado e aproveitei para fazer um curso sobre stents de última geração, quando encontrei a Profa. Dra. Lucia Christina Iochida, uma das médicas mais brilhantes com quem convivi na época da pós-graduação na UNIFESP, e além das qualidades profissionais ela tinha o mais belo par de pernas da escola paulista de medicina, naquela época. Agora, a bela é Professora Associada de Clinica Médica da mesma escola (professor associado, na carreira universitária, é a classe final para a qual passa o professor que tem doutorado, após oito anos de professor adjunto com produção científica); aproveitei o encontro pra discutir um caso de diabete recente na minha família e durante a conversa ela me contou que soube dos meus artigos na Gazeta, isto em razão de me procurar na internet pra me fazer um convite acadêmico. Conversei com a Lucinha (minha maneira carinhosa de tratá-la) a respeito de meus artigos e pedi para ela escrever alguma coisa para que todo mundo pudesse entender a doença diabete. Ontem, recebi por e-mail este primeiro texto:
A diabete é uma das doenças que mais tem crescido, e causado grande preocupação aos médicos de todo o mundo é o diabetes ou diabete. O nome da doença em latim é "diabetes mellitus", e foi chamada assim porque as pessoas doentes urinam muito (diabetes = sifão) e a urina é doce (mellitus= doce como mel). Esta doença é conhecida desde a antiguidade, mas seu aumento exagerado foi observado a partir do século XX, principalmente depois da II Guerra Mundial.
O que chama atenção no diabetes é o aumento das taxas de açúcar (glicose) no sangue, que ocorre em todos os tipos da doença. É importante notar que existem diversos tipos diferentes de diabetes, porém os mais importantes são o tipo 1, que aparece principalmente em crianças e adolescentes, e o tipo 2 que aparece com mais freqüência após os 40 anos de idade, principalmente em pessoas com excesso de peso. O diabetes tipo 1 exige o uso diário de injeções de insulina, e corresponde a cerca de 10% dos casos de diabetes. Os pouco mais de 90% de todos as pessoas com diabetes são do tipo 2, por isso comentaremos agora sobre ele.
No Brasil, estima-se que existam cerca de 10 milhões de pessoas com diabetes, e muitas delas nem sequer sabem que tem a doença. Isto porque, a maioria tem diabetes tipo 2, que é uma doença que provoca poucos ou até nenhum problema, durante muito tempo. Em outras palavras, muitas pessoas tem a doença e não sentem quase nada, ou nada mesmo. Isto não quer dizer que a doença não tem importância, ao contrário, durante todo o tempo em que a pessoa não sente nada, o excesso de açúcar no sangue vai causando estragos em todo o corpo, que mais tarde vão aparecer na forma de outras doenças, como por exemplo alterações na visão, acidentes vasculares cerebrais, infartos e outras doenças do coração, insuficiência vascular periférica que causa o pé diabético, doenças nos rins e várias outras.
É importante prestar mais atenção às informações sobre diabetes, e principalmente para os maiores de 40 anos, mais ainda para os que tem excesso de peso. Procurar o seu médico para perguntar sobre esta doença, e fazer um exame simples, para verificar a taxa de açúcar no sangue, pode hoje significar mais tempo de vida.
*Médica com Residência, Mestrado e Doutorado em Endocrinologia e Diabete
Profa. Associada de Disciplina de Clínica Médica da
Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo
**Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor Associado, Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) e Coordenador da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará.
Apenas “um pouco de açúcar no sangue”.
Profa. Dra. Lucia Christina Iochida* - Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa**
(ecosta@ufpa.br)
Continuando o assunto da semana passada, complemento hoje o artigo da Profa. Dra. Lúcia Iochida, professora de clínica médica da Escola Paulista de Medicina, sobre diabetes mellitus.
Para aqueles que já ouviram isto de alguém, como uma justificativa para ainda não começar a se cuidar, deixar para começar aquela dieta na próxima segunda-feira, vamos continuar falando um pouco mais de diabetes. O principal objetivo desta nossa conversa é chamar a atenção de todos para este gravíssimo problema, que vem se tornando cada vez mais comum, tanto no Brasil como em todo o mundo: o diabetes mellitus e suas complicações (doenças do coração, dos rins, pressão alta, “derrames” e outras).
Como falamos anteriormente, existem dois tipos principais de diabetes, o tipo 1, com início mais freqüente em jovens e crianças, e o tipo 2, com início mais freqüente após os 40 anos de idade. Existe também o diabetes gestacional, que aparece na gravidez, e que também está aumentando em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil.
E porque esse aumento generalizado no número de pessoas que se ficam diabéticas em toda parte? Principalmente por causa da mudança dos hábitos, do estilo de vida e de alimentação que ocorrem em praticamente todos os países. Até cerca da metade do século XX, ou para usar outro ponto de referência no tempo, até o final da II Guerra Mundial, a maior parte das pessoas no Brasil vivia na zona rural, e havia uma grande diferença entre o tipo de comida e a quantidade de esforço físico que faziam as pessoas que viviam na cidade e na zona rural. As diferenças entre os estilos de vida de pessoas que viviam em países diferentes, principalmente quando se comparavam países pobres e ricos, era muito maior do que a que temos hoje. Dentre os leitores mais “experientes” (com mais de 60-65 anos), quem se lembra de tomar coca-cola, ou qualquer refrigerante nas refeições, quando era criança ou mesmo adolescente? Hoje as crianças praticamente não bebem água, e entre seus pratos preferidos estão “hamburguer”, “hot-dog” batatas fritas de todos os tipos, acompanhados de “ketchup”, mostarda e outros molhos, além de chocolates, sorvetes e muitos doces. Mesmo quem não é grande adepto de “fast-food” pode observar que aumentou muito o consumo de comidas prontas (pizzas, enlatados, congelados), e também, não por coincidência, que as pessoas de todas as idades estão cada vez mais “gordinhas”. Isso acontece porque se come mais, comidas cada vez mais “calóricas”, isto é, com capacidade de fazer engordar, e se gasta cada vez menos energia: As pessoas usam o carro para tudo, até para ir até a padaria da esquina! Claro que o progresso traz vantagens, muitas coisas que exigiam muito esforço físico hoje são feitas por máquinas que facilitam o trabalho, mas deixar de gastar energia facilita o ganho de peso. E o excesso de peso facilita o surgimento de doenças, como o diabetes, a pressão alta e as doenças do coração.
Muitas vezes, explicando para uma pessoa que descobriu que tem diabetes a importância de ter uma alimentação controlada (fazer dieta não é passar fome, mas saber o que deve comer e controlar o que e quanto se come), fazer exercícios regularmente, e às vezes também tomar medicamentos, eu escuto a queixa:
_ “mas doutora, eu não sinto nada, e meu açúcar está só um pouquinho alto.. Será que é preciso mesmo todo esse sacrifício?”
A resposta é sim. O único meio que nós médicos temos de evitar as complicações muito graves do diabetes é controlando a doença, tentando manter o açúcar no sangue o mais perto do normal possível. Quanto mais tempo o açúcar ficar alto, maior a chance de aparecerem as complicações. Depois que elas aparecem, depois que a visão piora, depois que os rins começam a funcionar mal, ou que se teve um “derrame”, muitas vezes não se pode mais voltar ao normal (isto é, não se volta a enxergar como antes, por exemplo). Por isso, mesmo que a taxa de açúcar no sangue esteja só um pouquinho acima do normal, se ela está acima do normal devemos tratar dela imediatamente, para fazer com que volte ao normal e fique perto disso o quanto antes. Muitas vezes meus doentes diabéticos dão uma “escapada” da dieta e me dizem: _ a dra. vai ficar brava comigo..” E eu respondo:..”não sou eu que fico brava, mas o seu rim, o seu coração, seus olhos! Pense neles antes de abusar.” É melhor prevenir que remediar, não? Então vamos começar a fazer exercícios, diminuir os excessos alimentares, e fazer um controle da pressão e da glicemia (dosagem de açúcar no sangue) pelo menos uma vez por ano, principalmente após os 40 anos de idade, assim estaremos prevenindo muitas doenças graves.
*Médica com Residência, Mestrado e Doutorado em Endocrinologia e Diabete
Profa. Associada de Disciplina de Clínica Médica da
Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo
**Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor Associado e Coordenador da Disciplina de Cardiologia / Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
EDUARDO COSTA ADVERTE: CUIDADO COM O COLESTEROL.
Por que a preocupação mundial com o colesterol?
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (eascosta@cardiol.br)
Na terça feira passada por volta de meio-dia estávamos aguardando o início da banda na casa do Savino, eu e a turma, o Prof. Orlando, o Léo, o Álvaro, ....o e o Eduardo Monteiro, estava sendo servido um belo e gostoso cozido, com uma enorme quantidade de tutano, quando alguém me perguntou se o tutano não era colesterol em excesso, razão de eu lembrar de escrever este artigo e explicar a respeito do colesterol. De todos os fatores de risco para a aterosclerose que leva a doença aterosclerótica coronária (DAC), um dos maiores riscos é o colesterol alto, não o total, aquele que nós estávamos acostumados a medir nos exames de rotina, mas sim uma das suas frações; então é melhor começarmos explicando estas frações. O colesterol total é o resultado da soma de basicamente três frações o HDL, da sigla em inglês High Density Lipoprotein (lipoproteína de alta densidade), o LDL de Low Density Lipoprotein (lipoproteína de baixa densidade)e o VLDL de Very Low Density Lipoprotein (lipoproteína de muito baixa densidade). O HDL é o colesterol de alta densidade, é o que não se prega na parede das artérias para causar placas ateromatosas, e por isso é chamado de Bom Colesterol, seu valor normal mínimo é de 45 mg/dl, quanto maior melhor, pois protege de doença. Não existe remédio para aumentar o HDL, a maneira de fazê-lo subir é a prática de exercícios, no mínimo andar 40 minutos todos os dias. O LDL, de baixa densidade, é o que causa as placas ateromatosas e por isso é chamado de Mau colesterol, o VLDL, de muito baixa densidade, é o que tem relação com os triglicerídeos, pois o seu valor vezes cinco nos dá o valor daquele, e é um risco independente quando muito elevado. Bem, o Mau Colesterol, o LDL, é o que quando acima de 130 mg/dl penetra passivamente na parede das artérias, desde que esta esteja lesada (esta lesão é determinada pelo fumo, diabete, pressão alta, obesidade, sedentarismo, estresse, doenças vasculares, etc) e uma vez dentro da parede da artéria, por reações químicas locais, torna-se uma molécula que não é reconhecida pelo nosso organismo como parte dele, e, por conseguinte inicia um processo inflamatório que vai terminar em uma placa ateromatosa que vai obstruindo a artéria continuamente, de tal modo que quando atinge 70% do diâmetro do lúmen ou luz do vaso determina diminuição de fluxo, e se este vaso é uma artéria do coração esta diminuição de fluxo determina dor no peito que nós chamamos de angina. Se esta placa inflama e se quebra, as células do sangue responsáveis pela coagulação chamadas plaquetas, entram em contato com a gordura do interior da placa e desencadeiam a formação de um trombo que vai entupir a artéria determinando o infarto agudo do miocárdio; se for no cérebro ocorre um acidente vascular cerebral, e em qualquer outra parte do corpo chamamos de trombose. Então tudo se inicia quando o LDL colesterol penetra na parede da artéria, razão pela qual o devemos manter atualmente abaixo de 100 mg/dl, e se já tivermos doença ou já tivermos tido uma revascularização do miocárdio (pontes de safena, mamárias ou stent), devemos manter os níveis de LDL inferiores a 70 mg/dl. E como fazê-lo? A resposta agora é mais fácil, pois na última década surgiram estudos que determinaram que um grupo de drogas chamadas estatinas, que existem no mercado desde os anos 80, bloqueiam a elevação do LDL colesterol, e o que é melhor, estudos científicos afirmam que além de baixar o colesterol, estas drogas inibem a evolução da aterosclerose e estabilizam as placas já existentes impedindo a sua quebra, fato que bloqueia a evolução da doença e até provocam regressão nessas placas. Então pergunte pro seu médico e se necessário use-a, pois estudos indicam o uso contínuo em pessoas que tem risco presente como os diabéticos. Assim, pelo menos hoje temos um grupo de drogas altamente eficiente para combater a aterosclerose, que como várias vezes já citamos, é a principal causa de mortalidade no mundo. Uma semana abençoada a todas. Fiquem com Deus.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (eascosta@cardiol.br)
Na terça feira passada por volta de meio-dia estávamos aguardando o início da banda na casa do Savino, eu e a turma, o Prof. Orlando, o Léo, o Álvaro, ....o e o Eduardo Monteiro, estava sendo servido um belo e gostoso cozido, com uma enorme quantidade de tutano, quando alguém me perguntou se o tutano não era colesterol em excesso, razão de eu lembrar de escrever este artigo e explicar a respeito do colesterol. De todos os fatores de risco para a aterosclerose que leva a doença aterosclerótica coronária (DAC), um dos maiores riscos é o colesterol alto, não o total, aquele que nós estávamos acostumados a medir nos exames de rotina, mas sim uma das suas frações; então é melhor começarmos explicando estas frações. O colesterol total é o resultado da soma de basicamente três frações o HDL, da sigla em inglês High Density Lipoprotein (lipoproteína de alta densidade), o LDL de Low Density Lipoprotein (lipoproteína de baixa densidade)e o VLDL de Very Low Density Lipoprotein (lipoproteína de muito baixa densidade). O HDL é o colesterol de alta densidade, é o que não se prega na parede das artérias para causar placas ateromatosas, e por isso é chamado de Bom Colesterol, seu valor normal mínimo é de 45 mg/dl, quanto maior melhor, pois protege de doença. Não existe remédio para aumentar o HDL, a maneira de fazê-lo subir é a prática de exercícios, no mínimo andar 40 minutos todos os dias. O LDL, de baixa densidade, é o que causa as placas ateromatosas e por isso é chamado de Mau colesterol, o VLDL, de muito baixa densidade, é o que tem relação com os triglicerídeos, pois o seu valor vezes cinco nos dá o valor daquele, e é um risco independente quando muito elevado. Bem, o Mau Colesterol, o LDL, é o que quando acima de 130 mg/dl penetra passivamente na parede das artérias, desde que esta esteja lesada (esta lesão é determinada pelo fumo, diabete, pressão alta, obesidade, sedentarismo, estresse, doenças vasculares, etc) e uma vez dentro da parede da artéria, por reações químicas locais, torna-se uma molécula que não é reconhecida pelo nosso organismo como parte dele, e, por conseguinte inicia um processo inflamatório que vai terminar em uma placa ateromatosa que vai obstruindo a artéria continuamente, de tal modo que quando atinge 70% do diâmetro do lúmen ou luz do vaso determina diminuição de fluxo, e se este vaso é uma artéria do coração esta diminuição de fluxo determina dor no peito que nós chamamos de angina. Se esta placa inflama e se quebra, as células do sangue responsáveis pela coagulação chamadas plaquetas, entram em contato com a gordura do interior da placa e desencadeiam a formação de um trombo que vai entupir a artéria determinando o infarto agudo do miocárdio; se for no cérebro ocorre um acidente vascular cerebral, e em qualquer outra parte do corpo chamamos de trombose. Então tudo se inicia quando o LDL colesterol penetra na parede da artéria, razão pela qual o devemos manter atualmente abaixo de 100 mg/dl, e se já tivermos doença ou já tivermos tido uma revascularização do miocárdio (pontes de safena, mamárias ou stent), devemos manter os níveis de LDL inferiores a 70 mg/dl. E como fazê-lo? A resposta agora é mais fácil, pois na última década surgiram estudos que determinaram que um grupo de drogas chamadas estatinas, que existem no mercado desde os anos 80, bloqueiam a elevação do LDL colesterol, e o que é melhor, estudos científicos afirmam que além de baixar o colesterol, estas drogas inibem a evolução da aterosclerose e estabilizam as placas já existentes impedindo a sua quebra, fato que bloqueia a evolução da doença e até provocam regressão nessas placas. Então pergunte pro seu médico e se necessário use-a, pois estudos indicam o uso contínuo em pessoas que tem risco presente como os diabéticos. Assim, pelo menos hoje temos um grupo de drogas altamente eficiente para combater a aterosclerose, que como várias vezes já citamos, é a principal causa de mortalidade no mundo. Uma semana abençoada a todas. Fiquem com Deus.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
NÃO FUME - O DR. EDUARDO COSTA RECOMENDA.
O Cigarro, de Fato, Faz Tanto Mal?
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (eascosta@cardiol.br)
“Beijar um fumante equivale a lamber um cinzeiro”, esta é uma frase que choca as pessoas, mas é comum no meio científico atualmente, tudo devido ao elevado risco para entupimento de artérias. Mas esta história é recente, se é que eu posso chamar de recente trinta anos. Mas, quando terminei o curso de medicina em dezembro de 1978, todos os meus livros da época, que comentavam sobre cigarros não o relacionavam a doenças do coração, em todos eles, a preocupação era com o enfisema pulmonar e o câncer de pulmão, este devido aos níveis de alcatrão. Por este motivo, na época, surgiram os cigarros de baixo teor (de alcatrão), o Free, o Galaxie, etc..., e as pessoas pensavam que estavam livres do risco de ter doença. O fato é que, naquela época, fumar ainda era um hábito totalmente aceito pela sociedade, isto causado pelos exemplos do cinema e da televisão; não se podia imaginar um ator que não fumasse, assim nos filmes clássicos como Casablanca, Suplício de Uma Saudade, Cidadão Kane, etc..., os atores fumavam e nós copiávamos os seus hábitos. Uma vez eu perguntei para uma paciente minha, que era atriz da TV Globo, porque as pessoas fumavam nas cenas das novelas, e ela me disse que era por que a maioria dos atores não sabia representar sem algo na mão, por conseguinte o cigarro era essencial. Bem! Continuando dentro da medicina, na segunda metade dos anos 70 fizeram um estudo para avaliar os pacientes que tinham sido operados do coração e tinham colocado pontes de safena, que era na época praticamente o único tratamento efetivo para doença aterosclerótica coronária, cirurgia que completava 10 anos de existência (Foi inventada por um argentino em 1967). O resultado foi muito preocupante porque, para aquela amostra, um número muito grande de pessoas operadas, tiveram as pontes de safena obstruídas, e então se iniciou outro estudo para verificar que fatores causavam a obstrução das pontes. O resultado foi publicado no início dos anos 80, e a conclusão foi drástica, pessoas que tinham pressão alta antes da cirurgia e que não a controlaram após, tiveram suas pontes obstruídas em aproximadamente 30 meses; nas pessoas que eram diabéticas e após a cirurgia não controlaram os níveis de glicose, as pontes fecharam em aproximadamente 24 meses; o pior resultado aconteceu com os fumantes que não pararam de fumar após a cirurgia, o fumo determinou o entupimento das pontes de safena a partir de 6 meses. Até então, nós médicos não sabíamos que o fumo causava aterosclerose e obstruía as artérias. Daí então começou esta campanha mundial contra o cigarro, pois em minha opinião, ele é o mais letal dos fatores de risco para doença cardíaca. Eu faço cateterismo de coração desde 1979 e nunca vi um fumante com artérias coronárias normais nos exames. É claro que se uma pessoa faz cateterismo é por que está doente, porém esporadicamente encontramos alguém com coronárias normais nos exames, e, pelo menos nos que eu faço, estes com coronárias normais são os não-fumantes, pois a nicotina fere o lado de dentro das artérias, fator que vai gerar a formação de placas ateromatosas que futuramente vão causar a obstrução das mesmas, ocasionando isquemia e infarto no coração, acidente vascular no cérebro ou trombose em qualquer artéria do corpo. Portanto, além de causar inexoravelmente enfisema no pulmão, e poder causar cânceres em diversos locais, como na boca, na língua, na laringe, no esôfago, no estômago, no pâncreas, nos intestinos, na mama, no colo do útero, no reto, na próstata, na pele, etc... e ser co-responsável por doenças tipo psoríase, a mortalidade determinada por esse vício é muito maior pela doença do coração. Por todos esses motivos de risco e por ser hoje um hábito anti-higiênico, é que costumamos usar a frase inicial deste texto, “beijar um fumante equivale a lamber um cinzeiro”. Na próxima semana vou comentar como parar de fumar.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia
Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de
Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da
Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (eascosta@cardiol.br)
“Beijar um fumante equivale a lamber um cinzeiro”, esta é uma frase que choca as pessoas, mas é comum no meio científico atualmente, tudo devido ao elevado risco para entupimento de artérias. Mas esta história é recente, se é que eu posso chamar de recente trinta anos. Mas, quando terminei o curso de medicina em dezembro de 1978, todos os meus livros da época, que comentavam sobre cigarros não o relacionavam a doenças do coração, em todos eles, a preocupação era com o enfisema pulmonar e o câncer de pulmão, este devido aos níveis de alcatrão. Por este motivo, na época, surgiram os cigarros de baixo teor (de alcatrão), o Free, o Galaxie, etc..., e as pessoas pensavam que estavam livres do risco de ter doença. O fato é que, naquela época, fumar ainda era um hábito totalmente aceito pela sociedade, isto causado pelos exemplos do cinema e da televisão; não se podia imaginar um ator que não fumasse, assim nos filmes clássicos como Casablanca, Suplício de Uma Saudade, Cidadão Kane, etc..., os atores fumavam e nós copiávamos os seus hábitos. Uma vez eu perguntei para uma paciente minha, que era atriz da TV Globo, porque as pessoas fumavam nas cenas das novelas, e ela me disse que era por que a maioria dos atores não sabia representar sem algo na mão, por conseguinte o cigarro era essencial. Bem! Continuando dentro da medicina, na segunda metade dos anos 70 fizeram um estudo para avaliar os pacientes que tinham sido operados do coração e tinham colocado pontes de safena, que era na época praticamente o único tratamento efetivo para doença aterosclerótica coronária, cirurgia que completava 10 anos de existência (Foi inventada por um argentino em 1967). O resultado foi muito preocupante porque, para aquela amostra, um número muito grande de pessoas operadas, tiveram as pontes de safena obstruídas, e então se iniciou outro estudo para verificar que fatores causavam a obstrução das pontes. O resultado foi publicado no início dos anos 80, e a conclusão foi drástica, pessoas que tinham pressão alta antes da cirurgia e que não a controlaram após, tiveram suas pontes obstruídas em aproximadamente 30 meses; nas pessoas que eram diabéticas e após a cirurgia não controlaram os níveis de glicose, as pontes fecharam em aproximadamente 24 meses; o pior resultado aconteceu com os fumantes que não pararam de fumar após a cirurgia, o fumo determinou o entupimento das pontes de safena a partir de 6 meses. Até então, nós médicos não sabíamos que o fumo causava aterosclerose e obstruía as artérias. Daí então começou esta campanha mundial contra o cigarro, pois em minha opinião, ele é o mais letal dos fatores de risco para doença cardíaca. Eu faço cateterismo de coração desde 1979 e nunca vi um fumante com artérias coronárias normais nos exames. É claro que se uma pessoa faz cateterismo é por que está doente, porém esporadicamente encontramos alguém com coronárias normais nos exames, e, pelo menos nos que eu faço, estes com coronárias normais são os não-fumantes, pois a nicotina fere o lado de dentro das artérias, fator que vai gerar a formação de placas ateromatosas que futuramente vão causar a obstrução das mesmas, ocasionando isquemia e infarto no coração, acidente vascular no cérebro ou trombose em qualquer artéria do corpo. Portanto, além de causar inexoravelmente enfisema no pulmão, e poder causar cânceres em diversos locais, como na boca, na língua, na laringe, no esôfago, no estômago, no pâncreas, nos intestinos, na mama, no colo do útero, no reto, na próstata, na pele, etc... e ser co-responsável por doenças tipo psoríase, a mortalidade determinada por esse vício é muito maior pela doença do coração. Por todos esses motivos de risco e por ser hoje um hábito anti-higiênico, é que costumamos usar a frase inicial deste texto, “beijar um fumante equivale a lamber um cinzeiro”. Na próxima semana vou comentar como parar de fumar.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia
Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de
Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da
Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
ESCOLA DE MEDICINA - O DR. EDUARDO COSTA ESCREVE.
A Formação Atual de um Médico - Parte I
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (eascosta@cardiol.br)
Para quem estiver pensando em estudar medicina, é bom saber por antecipação que o curso atual para formação de um profissional que vai querer ter espaço no mercado de trabalho atual e do futuro é de dez anos, seis de faculdade e no mínimo mais quatro de residência médica, pois antigamente no mundo acadêmico e agora no mundo atual, o médico sem residência é um médico sem a formação completa, um micromédico (este termo foi utilizado pelo reitor da universidade do estado mais a leste do país para o reitor anterior da Unifap, informando a qualidade do curso de medicina deles). Mas residência médica é coisa muito séria, antes dos anos oitenta bastava terminar o curso de seis anos e fazer um estágio em algum lugar de maior projeção científica, por meses ou até um ou dois anos e tudo bem, o médico se tornava um especialista, de qualidade boa ou discutível, mas aceito pela sociedade civil. Do início dos anos oitenta pra cá a procedimento mudou, foi criada no MEC, com sede em Brasília, a Comissão Nacional de Residência Médica, que passou a avaliar os hospitais universitários e não-universitários e, quando qualificados, passou a credenciá-los, de tal modo que a procura por uma vaga passou a ser a ordem para os recém-formados, são dois anos de medicina geral, clínica médica para os de especialidade clínica ou cirurgia geral para os de especialidade cirúrgica e mais dois anos de especialidade, seja ela clínica ou cirúrgica, e às vezes, mais dois anos em uma sub-especialidade, totalizando seis anos; por exemplo, na minha área são dois anos de clínica médica, dois anos de cardiologia e mais dois anos de uma sub-especialidade como a minha (hemodinâmica e cardiologia intervencionista), ou dois anos de eletrofisiologia e arritmias ou mais dois anos de ecocardiografia, ou dois anos de cardiologia pediátrica, etc...Existem especialidades que não necessitam dos dois anos de clínica médica ou cirurgia geral, como oftalmologia, otorrinolaringologia, neurologia, neurocirurgia, dermatologia, ginecologia, obstetrícia e ortopedia, nestas a formação é direta, não ocorrendo necessidade do pré-requisito. Mas o importante é que a sociedade, com o advento da internet e da socialização da informação, tomou conhecimento disso, e agora cobra a formação de cada profissional, de tal forma que em alguns países como os Estados Unidos, um terço das vagas dos cursos de medicina são ofertados para estrangeiros, pois com o conhecimento no computador a sociedade passou a cobrar diuturnamente a formação do médico (vide recentemente a cobrança da especialidade do médico que acompanhava o cantor Michael Jackson) e devido o custo elevado dos seguros médicos para o caso de erros, a profissão passou a ter historicamente menos adeptos, pois é a profissão que se você não tem conhecimento teórico e habilidade prática naquilo que está fazendo o resultado pode ser catastrófico e com perdas de vida, eu ensino para os meus alunos...”aqui não há aprendizado por tentativa e erro, pois se errarmos alguém morre, principalmente na minha especialidade”...Por conseguinte, no mundo atual, se o médico decide ser especialista a residência médica é o primeiro degrau da carreira, depois vem a prova de título de especialista pela Associação Médica Brasileira (AMB), e, se quiser maior formação ou carreira universitária, vem a seguir o mestrado, o doutorado, e os pós-doutorados. É importante saber que, hoje, nas universidades federais, para fazer concurso público para professor de medicina há necessidade de doutorado, ou no mínimo mestrado, e para isso é necessário a residência médica como pré-requisito. Para seu conhecimento, nos próximos finais de semana vamos continuar a comentar este assunto!
* Médico com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia. Professor de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA
Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da FM-UFPA
Pós-Doutorado em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, Títulos de Especialista em Cardiologia, Clínica Médica,
Medicina de Urgência e Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista pela Associação Médica Brasileira – AMB
Membro do Comitê de Dez Médicos das Diretrizes de Stent Coronário no Brasil-SBC
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (eascosta@cardiol.br)
Para quem estiver pensando em estudar medicina, é bom saber por antecipação que o curso atual para formação de um profissional que vai querer ter espaço no mercado de trabalho atual e do futuro é de dez anos, seis de faculdade e no mínimo mais quatro de residência médica, pois antigamente no mundo acadêmico e agora no mundo atual, o médico sem residência é um médico sem a formação completa, um micromédico (este termo foi utilizado pelo reitor da universidade do estado mais a leste do país para o reitor anterior da Unifap, informando a qualidade do curso de medicina deles). Mas residência médica é coisa muito séria, antes dos anos oitenta bastava terminar o curso de seis anos e fazer um estágio em algum lugar de maior projeção científica, por meses ou até um ou dois anos e tudo bem, o médico se tornava um especialista, de qualidade boa ou discutível, mas aceito pela sociedade civil. Do início dos anos oitenta pra cá a procedimento mudou, foi criada no MEC, com sede em Brasília, a Comissão Nacional de Residência Médica, que passou a avaliar os hospitais universitários e não-universitários e, quando qualificados, passou a credenciá-los, de tal modo que a procura por uma vaga passou a ser a ordem para os recém-formados, são dois anos de medicina geral, clínica médica para os de especialidade clínica ou cirurgia geral para os de especialidade cirúrgica e mais dois anos de especialidade, seja ela clínica ou cirúrgica, e às vezes, mais dois anos em uma sub-especialidade, totalizando seis anos; por exemplo, na minha área são dois anos de clínica médica, dois anos de cardiologia e mais dois anos de uma sub-especialidade como a minha (hemodinâmica e cardiologia intervencionista), ou dois anos de eletrofisiologia e arritmias ou mais dois anos de ecocardiografia, ou dois anos de cardiologia pediátrica, etc...Existem especialidades que não necessitam dos dois anos de clínica médica ou cirurgia geral, como oftalmologia, otorrinolaringologia, neurologia, neurocirurgia, dermatologia, ginecologia, obstetrícia e ortopedia, nestas a formação é direta, não ocorrendo necessidade do pré-requisito. Mas o importante é que a sociedade, com o advento da internet e da socialização da informação, tomou conhecimento disso, e agora cobra a formação de cada profissional, de tal forma que em alguns países como os Estados Unidos, um terço das vagas dos cursos de medicina são ofertados para estrangeiros, pois com o conhecimento no computador a sociedade passou a cobrar diuturnamente a formação do médico (vide recentemente a cobrança da especialidade do médico que acompanhava o cantor Michael Jackson) e devido o custo elevado dos seguros médicos para o caso de erros, a profissão passou a ter historicamente menos adeptos, pois é a profissão que se você não tem conhecimento teórico e habilidade prática naquilo que está fazendo o resultado pode ser catastrófico e com perdas de vida, eu ensino para os meus alunos...”aqui não há aprendizado por tentativa e erro, pois se errarmos alguém morre, principalmente na minha especialidade”...Por conseguinte, no mundo atual, se o médico decide ser especialista a residência médica é o primeiro degrau da carreira, depois vem a prova de título de especialista pela Associação Médica Brasileira (AMB), e, se quiser maior formação ou carreira universitária, vem a seguir o mestrado, o doutorado, e os pós-doutorados. É importante saber que, hoje, nas universidades federais, para fazer concurso público para professor de medicina há necessidade de doutorado, ou no mínimo mestrado, e para isso é necessário a residência médica como pré-requisito. Para seu conhecimento, nos próximos finais de semana vamos continuar a comentar este assunto!
* Médico com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia. Professor de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA
Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da FM-UFPA
Pós-Doutorado em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, Títulos de Especialista em Cardiologia, Clínica Médica,
Medicina de Urgência e Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista pela Associação Médica Brasileira – AMB
Membro do Comitê de Dez Médicos das Diretrizes de Stent Coronário no Brasil-SBC
MEDICINA DO AMAPÁ - DR. EDUARDO COSTA REFERENCIA.
O Dr. Alberto Lima e a Medicina de Hoje!
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (eascosta@cardiol.br)
Em 1983, o Dr. Alberto Lima, que era meu paciente há dois anos, encaminhado pelo Dr. Cabral, cardiologista daqui de Macapá, chegou a São Paulo e foi me visitar, chegou ao meu apartamento no início da noite, momento em que eu e mais dois colegas do curso de mestrado na época, estávamos estudando matemática e física para fazermos prova de interpretação de exames de hemodinâmica, chegou e me levou de presente, o que era comum naquela época, uma garrafa de whisky, e quando abri o papel do embrulho, e ele viu a garrafa, me disse em tom de gozação “não foi esta que eu mandei a Estelita te mandar, acho que vou levar de volta, esta é da minha coleção”, e assim começamos um bom papo, daqueles que só o Alberto era capaz de tornar agradável o tempo todo. Como o mesmo tomou conta do assunto, perguntou o que estávamos estudando, e o Valtinho, meu colega, tentou explicar o cálculo da primeira derivada na curva de pressão da contratilidade do ventrículo esquerdo do coração, que para meu espanto o Alberto demonstrou interesse e até entendeu muito bem o assunto, para a seguir falar de suas atividades aqui em Macapá, a começar pelo número do seu CRM que era o número um do estado, naquela época Território, e depois comentou sua vida de médico, foi demais ouvir por umas três horas suas histórias, até meia noite ele discorreu sobre sua vida de pediatra, de como tratar pneumonia de criança, de fazer hidratação em bebes, de que por um tempo foi até chamado de “Dr. tire a roupa” pois veio para o Amapá num projeto para tratamento de lepra, sendo extremamente necessário ver e examinar as lesões, muito comum nas nádegas. Falou do tratamento da tuberculose, de suas cirurgias de emergência, de todas as fraturas que ele reduzia, dos partos de toda noite, dos quadros de abdome agudo de chegavam de canoa a vela do interior no igarapé das mulheres, assim como gente que vinha com os mais diversos tipos de lesões, de tiros de espingarda a terçadadas. Enfim relatou o todo da medicina do Amapá naquela época de pioneirismo. Quando acabou fomos levá-lo no hotel, que era bem longe, lá no largo do Arouche, no centro de São Paulo, e na volta um dos meus colegas comentou “Esse médico é o maior médico que eu já conheci, ele sabe resolver tudo, e nós estamos há dois dias discutindo o cálculo da primeira derivada da curva de pressão....”. No outro dia o assunto foi o comentário do dia na Escola Paulista de Medicina, enquanto esperávamos a aula de pedagogia após a de didática; foi quando, no meio dos comentários, um dos nossos professores de estatística comentou “o médico de quem vocês estão falando é dono de todo o conhecimento da sua época, mas hoje tudo mudou”....e fez uma análise da produção do conhecimento na área de saúde de tal modo que no final da exposição passamos a entender a medicina de hoje. O conhecimento médico inicia com Hipócrates, no século de Péricles, quatrocentos anos antes de Cristo, que transformou a medicina em ciência, a partir daí até o homem ir à lua em 1969, alguns consideram a primeira fase, onde a maioria do que se aprendia era observacional, e o conhecimento era muito restrito, a ponto de um médico só, como o Alberto Lima, o ter quase todo. A partir de 1970, o conhecimento tecnológico da era espacial passou para o dia a dia, e segundo palestra do Prof. Álvaro Atalah, do Centro Cochrane do Brasil sobre pesquisas científicas, o conhecimento da área de saúde duplicou a cada quatro anos, de tal forma que em 1974 o conhecimento era o dobro do de 1970, e assim por diante, em 1978 o dobro de 1974 e hoje o dobro de 2005, são produzidos só na área de saúde mais de um milhão de trabalhos científicos sérios por ano, o que torna impossível a obtenção do conhecimento por uma pessoa só, hoje médicos tem que trabalhar em grupo, a equipe da endocrinologia com a equipe da pneumologia, com a equipe da neurologia, e assim sucessivamente...eu ensino para os meus alunos de medicina que eles tem a obrigação de saber todas as emergências, não interessa a especialidade que vão seguir na residência, as emergências todas são prioritárias; o médico pode ser psiquiatra, cardiologista ou ortopedista, mas quando só, tem que saber resolver por exemplo a crise de eclâmpsia da grávida, a dor de alguém com câncer, o edema agudo de pulmão, o coma diabético, o choque anafilático ou a crise de asma..., fora das emergências, no mundo civilizado o profissional trabalha na sua especialidade e em conjunto com os médicos das outras especialidades...ninguém hoje pode resolver tudo sozinho, como o Alberto Lima em sua época....ah, que saudade do Dr. Alberto e do tempo que médicos sabiam tudo, porém isso é pretérito perfeito, é passado....vamos é estudar profundamente a primeira derivada da curva de pressão do ventrículo esquerdo, pois no paciente de hoje com insuficiência do coração, este é um dos primeiros parâmetros que o médico deve saber.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (eascosta@cardiol.br)
Em 1983, o Dr. Alberto Lima, que era meu paciente há dois anos, encaminhado pelo Dr. Cabral, cardiologista daqui de Macapá, chegou a São Paulo e foi me visitar, chegou ao meu apartamento no início da noite, momento em que eu e mais dois colegas do curso de mestrado na época, estávamos estudando matemática e física para fazermos prova de interpretação de exames de hemodinâmica, chegou e me levou de presente, o que era comum naquela época, uma garrafa de whisky, e quando abri o papel do embrulho, e ele viu a garrafa, me disse em tom de gozação “não foi esta que eu mandei a Estelita te mandar, acho que vou levar de volta, esta é da minha coleção”, e assim começamos um bom papo, daqueles que só o Alberto era capaz de tornar agradável o tempo todo. Como o mesmo tomou conta do assunto, perguntou o que estávamos estudando, e o Valtinho, meu colega, tentou explicar o cálculo da primeira derivada na curva de pressão da contratilidade do ventrículo esquerdo do coração, que para meu espanto o Alberto demonstrou interesse e até entendeu muito bem o assunto, para a seguir falar de suas atividades aqui em Macapá, a começar pelo número do seu CRM que era o número um do estado, naquela época Território, e depois comentou sua vida de médico, foi demais ouvir por umas três horas suas histórias, até meia noite ele discorreu sobre sua vida de pediatra, de como tratar pneumonia de criança, de fazer hidratação em bebes, de que por um tempo foi até chamado de “Dr. tire a roupa” pois veio para o Amapá num projeto para tratamento de lepra, sendo extremamente necessário ver e examinar as lesões, muito comum nas nádegas. Falou do tratamento da tuberculose, de suas cirurgias de emergência, de todas as fraturas que ele reduzia, dos partos de toda noite, dos quadros de abdome agudo de chegavam de canoa a vela do interior no igarapé das mulheres, assim como gente que vinha com os mais diversos tipos de lesões, de tiros de espingarda a terçadadas. Enfim relatou o todo da medicina do Amapá naquela época de pioneirismo. Quando acabou fomos levá-lo no hotel, que era bem longe, lá no largo do Arouche, no centro de São Paulo, e na volta um dos meus colegas comentou “Esse médico é o maior médico que eu já conheci, ele sabe resolver tudo, e nós estamos há dois dias discutindo o cálculo da primeira derivada da curva de pressão....”. No outro dia o assunto foi o comentário do dia na Escola Paulista de Medicina, enquanto esperávamos a aula de pedagogia após a de didática; foi quando, no meio dos comentários, um dos nossos professores de estatística comentou “o médico de quem vocês estão falando é dono de todo o conhecimento da sua época, mas hoje tudo mudou”....e fez uma análise da produção do conhecimento na área de saúde de tal modo que no final da exposição passamos a entender a medicina de hoje. O conhecimento médico inicia com Hipócrates, no século de Péricles, quatrocentos anos antes de Cristo, que transformou a medicina em ciência, a partir daí até o homem ir à lua em 1969, alguns consideram a primeira fase, onde a maioria do que se aprendia era observacional, e o conhecimento era muito restrito, a ponto de um médico só, como o Alberto Lima, o ter quase todo. A partir de 1970, o conhecimento tecnológico da era espacial passou para o dia a dia, e segundo palestra do Prof. Álvaro Atalah, do Centro Cochrane do Brasil sobre pesquisas científicas, o conhecimento da área de saúde duplicou a cada quatro anos, de tal forma que em 1974 o conhecimento era o dobro do de 1970, e assim por diante, em 1978 o dobro de 1974 e hoje o dobro de 2005, são produzidos só na área de saúde mais de um milhão de trabalhos científicos sérios por ano, o que torna impossível a obtenção do conhecimento por uma pessoa só, hoje médicos tem que trabalhar em grupo, a equipe da endocrinologia com a equipe da pneumologia, com a equipe da neurologia, e assim sucessivamente...eu ensino para os meus alunos de medicina que eles tem a obrigação de saber todas as emergências, não interessa a especialidade que vão seguir na residência, as emergências todas são prioritárias; o médico pode ser psiquiatra, cardiologista ou ortopedista, mas quando só, tem que saber resolver por exemplo a crise de eclâmpsia da grávida, a dor de alguém com câncer, o edema agudo de pulmão, o coma diabético, o choque anafilático ou a crise de asma..., fora das emergências, no mundo civilizado o profissional trabalha na sua especialidade e em conjunto com os médicos das outras especialidades...ninguém hoje pode resolver tudo sozinho, como o Alberto Lima em sua época....ah, que saudade do Dr. Alberto e do tempo que médicos sabiam tudo, porém isso é pretérito perfeito, é passado....vamos é estudar profundamente a primeira derivada da curva de pressão do ventrículo esquerdo, pois no paciente de hoje com insuficiência do coração, este é um dos primeiros parâmetros que o médico deve saber.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
PRESSÃO ARTERIAL - DR. EDUARDO COSTA ENSINA.
Pressão Alta – Verdades e Mitos
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (e-mail: eascosta@cardiol.br)
“-Meu filho não pode tomar café quente e sair na chuva”..., esta era uma frase comum da tia Iaiá, como era conhecida na cidade minha avó Maria Augusta que morava ali no lado do Café Society na atual Rua Tiradentes, associada a outras frases como: “não pode abrir a geladeira suado ou com o corpo quente”...”não pode tomar banho logo depois do almoço”...que, segundo meu filho Diogo Henrique, que está sentado na minha frente enquanto escrevo, lembrou agora, que ouviu também esses comentários da bisavó. Mas, provavelmente todas as avós e bisavós falaram essas frases e talvez ainda falem até hoje, pois o resultado disso era uma “congestão”, termo que naquela época traduzia um acidente vascular cerebral, que também já foi chamado de “estupor” e “derrame”. Bem, e isso podia acontecer mesmo, cientificamente falando, ...era ou é verdade? Resposta: é verdade. E por que isso pode acontecer? Resposta: por causa da pressão alta, é porque a pressão alta não dá sinais de que está presente na gente, por isso é uma doença muito traiçoeira...nós não sentimos nada, nada mesmo. Eu, que sou médico há 31 anos, passei uns 10 anos para acreditar que pressão alta não dá sintomas, as pessoas não sentem nada...desculpem a redundância do assunto, mas é para fixar o conhecimento, ou seja, quando temos pressão alta não sentimos nada. Aproximadamente 40% das pessoas adultas do mundo todo tem pressão alta, 40% é 2 pessoas em cada cinco adultos, ou 4 em cada 10; provavelmente no quarteirão que você leitor deste artigo mora, existem mais pessoas hipertensas (termo usado para quem tem pressão alta) do que casas, ou seja tem muita gente, muita gente mesmo com pressão alta. E a hipertensão é uma doença herdada geneticamente, dos nossos antepassados da pré-história, que veio passando até nossos dias; por conseguinte, nós não temos culpa de tê-la. Mas naqueles que a tem é obrigatório, vou repetir, OBRIGATÓRIO, o tratamento, e esse tratamento é contínuo, por enquanto, por toda a vida, todos os dias temos que tomar um ou uns comprimidos e um copo d’água e se estivermos acima do peso, emagrecer, pois o único fator que diminui pressão fora os remédios é a perda de peso.
Entretanto, dentro do assunto é importante saber mais outros detalhes a respeito da doença. Inicialmente devemos saber que pressão normal é qualquer pressão de 120 x 80 mmHg (oficialmente é assim que se escreve) mas vamos chamar de 12 x 8, para baixo; assim 11 x 7, 10 x 6, até 9 x 5, desde que a pessoa esteja bem, são pressões normais. Agora acima de 12 x 8 a pressão está alta. Somente nos idosos de hoje, que não foram tratados direitos na vida, se permite 14 x 8. Então quando a pressão está acima de 12 x 8 está alta, desde que medida em repouso, pois a pressão varia o dia todo, basta a chateação de um engarrafamento de trânsito para a pressão máxima ir a 16; se encontrarmos com a namorada crônica que não casamos, a pressão vai a 18 (só esta emoçãozinha), quando fazemos exercícios a pressão pode ir até 22; na atividade sexual com a pessoa de rotina a pressão pode ir até 23, se não for a pessoa de rotina pode ir próximo de 30. Quando levamos um susto pode ir até 25 e quando passamos do calor intenso para o frio, exemplo; sair de uma sauna a 50 graus e pular numa piscina com água a 10 graus, a pressão pode ir próximo a 40. Um detalhe muito importante, quando estamos com dor, qualquer dor, a pressão fica entre 16 e 22, por isso que antigamente todo mundo pensava que dor de cabeça era sintoma de pressão alta, mas geralmente é o inverso, a dor de cabeça faz pressão subir, então quando estivermos com dor de cabeça e pressão alta, primeiro tratamos a dor de cabeça. Eu já tive paciente com pressão de 30 x 18 que estava contando piada, e este ano uma paciente com 29 x 16, que só veio trazer a mãe para consulta e no final pediu para eu medir a pressão, sem estar sentindo nada. Verdadeiramente só existe uma maneira de sabermos se a pressão está alta, é medindo a pressão; fato que ficou comum nos últimos 15 anos, mas que antes era raro, pois quantas pessoas passaram pela vida sem medir a pressão. E aí voltamos para o primeiro parágrafo,...quem é que tomou café quente e saiu na chuva e teve um acidente vascular cerebral, justamente o indivíduo que tinha pressão muito alta e não sabia ou nunca soube, pois antes dos anos 90 ninguém media a pressão de rotina como hoje, só quando estava doente e ia ao médico, e aí praticamente ninguém sabia que tinha a doença até o momento do acidente. Continuaremos o assunto na semana que vem. Uma semana com saúde e fiquem com Deus.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
Pressão Alta - Verdades e Mitos - Parte II
Espero que o natal de todos tenha sido muito feliz. Estou comentando agora porque houve um problema na entrega do artigo na semana passada e não comentei a data, mas espero que a boa vontade de fazer sempre o bem que acontece em todos, nesta semana, se prorrogue por todo o ano de 2010. Mas vamos ao assunto: “-Meu filho não pode tomar café quente e sair na chuva”..., na semana passada iniciei o artigo com esta frase da minha avó e provavelmente de todas as avós daquela época, e comentei a respeito da pressão alta, doença que não dá sintomas, exceto na hora da complicação, que pode ser um acidente vascular cerebral, conhecido por “estupor”, “derrame” ou “congestão”, pode ser um infarto agudo do miocárdio, um edema agudo de pulmão (que é o máximo da insuficiência cardíaca), ou insuficiência renal, que são as complicações decorrentes da lesão causada pela pressão alta nesses órgãos e aparelhos do nosso organismo. E, voltando ao assunto, como saber se temos pressão alta? Só há um jeito de saber: medindo a pressão, que hoje deve ter uma primeira vez na adolescência, depois nos vinte anos e principalmente aos 35 anos nos homens e 45 nas mulheres, idade em que a doença se instala no ser humano. Em 90% dos casos a causa é genética, ou seja, a herdamos de nossos antepassados. Somente em 10% das pessoas com hipertensão a causa pode ser conhecida, isto em função de alguma doença que faz com que a pressão aumente, geralmente doenças renais e endócrinas (das glândulas), às vezes tumores que secretam adrenalina, que é uma substância que aumenta a pressão ou defeitos na artéria aorta, que pode apresentar uma constrição chamada coarctação que também aumenta a pressão. Mas, o importante após descobrir que a pessoa é hipertensa é o tratamento, que até o momento deve ser contínuo, todos os dias da vida. Por que até o momento? Porque na evolução do conhecimento a qualquer momento pode se descobrir a cura definitiva. Mas voltando ao tratamento...as pessoas quando ficam sabendo que terão que usar medicamentos todos os dias ficam algo deprimidas, entram em discreto “parafuso” e perguntam: Pra sempre???...Eu costumo comentar: - Existem coisas que fazemos todos os dias e são pra sempre...exemplos: escovamos os dentes, tomamos banho, homens fazem a barba, mulheres tem que pintar os olhos e os lábios, fazemos pipi, fazemos cocô, tomamos café, água, almoçamos, etc...todos os dias...quando temos hipertensão acrescentamos um item a mais no café da manhã, o remédio, que ainda bem, já que nada é de graça, é pago pelo governo federal e recebemos nos postos de saúde de todo o Brasil, e controlando a doença a vida é normal, podemos fazer exercícios, correr, nos zangarmos, torcer pelo flamengo, enfim, fazer qualquer coisa ruim que o nosso organismo, com a pressão controlada (em 12 x 8 ou 11 x 7 ou 10 x 6), agüenta. E como se trata a pressão? ....Bem! Em primeiro lugar, se estivermos acima do peso, é obrigatória a perda dos quilos a mais e a seguir tomarmos o remédio que o médico prescrever. Às vezes precisamos de algumas semanas para adequar as doses dos remédios para a normalização. Eu, em toda a minha vida de médico nunca vi uma pressão não controlar, às vezes demorou de um a dois meses para acertar a dose dos remédios, mas todos controlaram. E o que é mais importante, depois disso houve regressão do acometimento dos órgãos, o coração diminuiu de tamanho, o fundo de olho (exame de rotina em hipertensos) melhorou, enfim há uma melhora em todo o organismo, principalmente se os rins ainda não entraram em sofrimento, pois nestes a reversão do acometimento é mais difícil, uma das razões para tratarmos a doença o mais precoce possível. Então, caro leitor, como o número de hipertensos no mundo varia próximo de 40%, provavelmente em nossas famílias a doença está presente e precisamos cuidar da maneira mais séria possível, pois como já citei várias vezes, a doença praticamente não tem sintomas, e se a pessoa hipertensa não for civilizada, não vai tomar remédios para uma doença que ela não sente, e aí que mora o perigo...muitas vezes de vida. Na próxima semana vou comentar a respeito do tratamento da emergência hipertensiva, que eu acho que todas as pessoas devem saber. Como a quantidade de e-mails que recebi foi grande, acho que temos um grande rol de leitores semanais, alguns pedindo a repetição de matérias, que vou aproveitar quando viajar longe ou sair de férias.
Que todos tenham um 2010 com muita saúde e iluminado diariamente com a presença de Deus.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
Quando Tratar a Pressão Alta como Emergência
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa
Mesmo voltando a morar em Macapá em 2002, tenho uma agenda social muito grande em Belém, pois estou amiúde na mídia local ou nacional, ora por pesquisas médicas, ora pela atividade como cardiologista, ora como hemodinamicista, ora como presidente de comissão de pós-graduação de medicina da universidade federal ou como membro do grupo de ouro; de tal forma que tenho que participar de batizados, cerimônias de formatura e posses de autoridades em todos os semestres. Mas um convite me chamou a atenção há alguns anos, pois fui insistentemente solicitado para o aniversário da matriarca de uma família que anteriormente nunca havia me convidado para nada...a insistência foi tão grande que três dos filhos me ligaram a noite para eu anotar a data no meu calendário anual de parede e dois foram no meu consultório confirmar o convite...o que me deixou deveras enaltecido com tal atenção. A festa era um almoço no domingo, e chegando tal dia estava eu lá, no horário combinado. Quando cheguei, achei estranho todo mundo falar “chegou o médico, agora podemos começar”, e chamaram os filhos da senhora, que ela não via há anos, para aparecerem....e pediram para eu medir a pressão da mãe...ou seja, eu só fui convidado pela preocupação deles caso ela passasse mal ou a pressão subisse... eu fingi (por formação) que não ficara chateado e depois mandei a conta dos serviços profissionais...eles não pagaram de imediato e deixaram de falar comigo por uns anos até um deles ser acometido de infarto do miocárdio e a família chegar desesperadamente na minha casa como se nada tivesse acontecido. Lembrei dessa história, que aconteceu em Belém, em 1995, para iniciar as frases rotineiras na vida de um médico, pois é muito comum um paciente me ligar e dizer “Professor, a minha pressão está 17 por 9, o que é que eu faço, tomo mais um comprimido do meu remédio ou vou para o hospital” ou “estou com uma tremenda dor de cabeça e minha pressão está 20 por 10” ou “morreu alguém da minha família e fui medir a pressão e está 22 por 11, o que faço...” ou a da mãe citada, que ficou 23 por 9...Bem! Como já citei na matéria da semana passada, quaisquer esforços, dores e/ou emoções normalmente aumentam a pressão a esses níveis citados nas frases. E o que fazemos? Resposta: Nada! Nada em parte, pois tratamos com analgésicos a tremenda dor de cabeça, consolamos os que perderam alguém querido e às vezes até, se necessário usamos um antidepressivo para resolver um estresse, o que a cada dia, no mundo atual, está se transformando em uma quase rotina (comentarei mais esse assunto quando escrever sobre estresse). E por que não fazemos nada, ...porque, e já estou sendo redundante, quando estas coisas acontecem a subida da pressão é uma reação humana normal, ...seria anormal se num velório os parentes do morto estivessem com a pressão normal, que significaria que não estão sentindo nenhuma emoção.
Bem! E quando tratar a pressão alta como emergência? Quando ocorrerem sintomas de lesões nos órgãos e aparelhos lesados pela pressão...assim, quando o paciente estiver com pressão alta e com falta de ar (o termo médico é dispnéia), significa que o coração não está conseguindo bombear o sangue normalmente e está havendo acúmulo da parte líquida do sangue nos pulmões, isto é emergência. Quando o paciente apresentar dor no meio do peito, alteração no eletrocardiograma e pressão alta, também é emergência, assim como, quando acontecer dor de cabeça muito importante, com alteração da visão, tonturas, vômitos, com alteração do fundo de olho e pressão alta. Outras situações são quando o paciente apresentar junto com a pressão alta, um acidente vascular cerebral, cuja apresentação geralmente ocorre com paralisação de um lado do corpo, dificuldade de falar e desvio da boca para um lado; ou quando o paciente apresentar pressão alta e insuficiência renal, com inchaços (o termo médico é edema) pelo corpo e alterações dos exames de laboratório que avaliam a função dos rins. Resumindo, em todos estes casos citados, o tratamento da pressão deve ser imediato, por médico e no hospital, pois geralmente se faz necessário o uso de remédios por injeções e “soros” e geralmente com o paciente a seguir internado na UTI (unidade de tratamento intensivo), para ser observado continuamente pelo médico, pois quaisquer desses quadros são graves e com risco de vida. Eu fiz todo esse comentário para informar que pressão alta sem um quadro desses geralmente não é emergência, é só tomar o remédio normal e esperar ela baixar, ou só esperar ela baixar após a causa que a fez subir, como encontrar vários filhos que você não vê há anos, como da senhora do começo do texto. Desculpem, mas na semana passada devido “problemas” com a minha internet o artigo não foi publicado. Continuo com o mesmo assunto na semana que vem. Fiquem com Deus.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa (e-mail: eascosta@cardiol.br)
“-Meu filho não pode tomar café quente e sair na chuva”..., esta era uma frase comum da tia Iaiá, como era conhecida na cidade minha avó Maria Augusta que morava ali no lado do Café Society na atual Rua Tiradentes, associada a outras frases como: “não pode abrir a geladeira suado ou com o corpo quente”...”não pode tomar banho logo depois do almoço”...que, segundo meu filho Diogo Henrique, que está sentado na minha frente enquanto escrevo, lembrou agora, que ouviu também esses comentários da bisavó. Mas, provavelmente todas as avós e bisavós falaram essas frases e talvez ainda falem até hoje, pois o resultado disso era uma “congestão”, termo que naquela época traduzia um acidente vascular cerebral, que também já foi chamado de “estupor” e “derrame”. Bem, e isso podia acontecer mesmo, cientificamente falando, ...era ou é verdade? Resposta: é verdade. E por que isso pode acontecer? Resposta: por causa da pressão alta, é porque a pressão alta não dá sinais de que está presente na gente, por isso é uma doença muito traiçoeira...nós não sentimos nada, nada mesmo. Eu, que sou médico há 31 anos, passei uns 10 anos para acreditar que pressão alta não dá sintomas, as pessoas não sentem nada...desculpem a redundância do assunto, mas é para fixar o conhecimento, ou seja, quando temos pressão alta não sentimos nada. Aproximadamente 40% das pessoas adultas do mundo todo tem pressão alta, 40% é 2 pessoas em cada cinco adultos, ou 4 em cada 10; provavelmente no quarteirão que você leitor deste artigo mora, existem mais pessoas hipertensas (termo usado para quem tem pressão alta) do que casas, ou seja tem muita gente, muita gente mesmo com pressão alta. E a hipertensão é uma doença herdada geneticamente, dos nossos antepassados da pré-história, que veio passando até nossos dias; por conseguinte, nós não temos culpa de tê-la. Mas naqueles que a tem é obrigatório, vou repetir, OBRIGATÓRIO, o tratamento, e esse tratamento é contínuo, por enquanto, por toda a vida, todos os dias temos que tomar um ou uns comprimidos e um copo d’água e se estivermos acima do peso, emagrecer, pois o único fator que diminui pressão fora os remédios é a perda de peso.
Entretanto, dentro do assunto é importante saber mais outros detalhes a respeito da doença. Inicialmente devemos saber que pressão normal é qualquer pressão de 120 x 80 mmHg (oficialmente é assim que se escreve) mas vamos chamar de 12 x 8, para baixo; assim 11 x 7, 10 x 6, até 9 x 5, desde que a pessoa esteja bem, são pressões normais. Agora acima de 12 x 8 a pressão está alta. Somente nos idosos de hoje, que não foram tratados direitos na vida, se permite 14 x 8. Então quando a pressão está acima de 12 x 8 está alta, desde que medida em repouso, pois a pressão varia o dia todo, basta a chateação de um engarrafamento de trânsito para a pressão máxima ir a 16; se encontrarmos com a namorada crônica que não casamos, a pressão vai a 18 (só esta emoçãozinha), quando fazemos exercícios a pressão pode ir até 22; na atividade sexual com a pessoa de rotina a pressão pode ir até 23, se não for a pessoa de rotina pode ir próximo de 30. Quando levamos um susto pode ir até 25 e quando passamos do calor intenso para o frio, exemplo; sair de uma sauna a 50 graus e pular numa piscina com água a 10 graus, a pressão pode ir próximo a 40. Um detalhe muito importante, quando estamos com dor, qualquer dor, a pressão fica entre 16 e 22, por isso que antigamente todo mundo pensava que dor de cabeça era sintoma de pressão alta, mas geralmente é o inverso, a dor de cabeça faz pressão subir, então quando estivermos com dor de cabeça e pressão alta, primeiro tratamos a dor de cabeça. Eu já tive paciente com pressão de 30 x 18 que estava contando piada, e este ano uma paciente com 29 x 16, que só veio trazer a mãe para consulta e no final pediu para eu medir a pressão, sem estar sentindo nada. Verdadeiramente só existe uma maneira de sabermos se a pressão está alta, é medindo a pressão; fato que ficou comum nos últimos 15 anos, mas que antes era raro, pois quantas pessoas passaram pela vida sem medir a pressão. E aí voltamos para o primeiro parágrafo,...quem é que tomou café quente e saiu na chuva e teve um acidente vascular cerebral, justamente o indivíduo que tinha pressão muito alta e não sabia ou nunca soube, pois antes dos anos 90 ninguém media a pressão de rotina como hoje, só quando estava doente e ia ao médico, e aí praticamente ninguém sabia que tinha a doença até o momento do acidente. Continuaremos o assunto na semana que vem. Uma semana com saúde e fiquem com Deus.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
Pressão Alta - Verdades e Mitos - Parte II
Espero que o natal de todos tenha sido muito feliz. Estou comentando agora porque houve um problema na entrega do artigo na semana passada e não comentei a data, mas espero que a boa vontade de fazer sempre o bem que acontece em todos, nesta semana, se prorrogue por todo o ano de 2010. Mas vamos ao assunto: “-Meu filho não pode tomar café quente e sair na chuva”..., na semana passada iniciei o artigo com esta frase da minha avó e provavelmente de todas as avós daquela época, e comentei a respeito da pressão alta, doença que não dá sintomas, exceto na hora da complicação, que pode ser um acidente vascular cerebral, conhecido por “estupor”, “derrame” ou “congestão”, pode ser um infarto agudo do miocárdio, um edema agudo de pulmão (que é o máximo da insuficiência cardíaca), ou insuficiência renal, que são as complicações decorrentes da lesão causada pela pressão alta nesses órgãos e aparelhos do nosso organismo. E, voltando ao assunto, como saber se temos pressão alta? Só há um jeito de saber: medindo a pressão, que hoje deve ter uma primeira vez na adolescência, depois nos vinte anos e principalmente aos 35 anos nos homens e 45 nas mulheres, idade em que a doença se instala no ser humano. Em 90% dos casos a causa é genética, ou seja, a herdamos de nossos antepassados. Somente em 10% das pessoas com hipertensão a causa pode ser conhecida, isto em função de alguma doença que faz com que a pressão aumente, geralmente doenças renais e endócrinas (das glândulas), às vezes tumores que secretam adrenalina, que é uma substância que aumenta a pressão ou defeitos na artéria aorta, que pode apresentar uma constrição chamada coarctação que também aumenta a pressão. Mas, o importante após descobrir que a pessoa é hipertensa é o tratamento, que até o momento deve ser contínuo, todos os dias da vida. Por que até o momento? Porque na evolução do conhecimento a qualquer momento pode se descobrir a cura definitiva. Mas voltando ao tratamento...as pessoas quando ficam sabendo que terão que usar medicamentos todos os dias ficam algo deprimidas, entram em discreto “parafuso” e perguntam: Pra sempre???...Eu costumo comentar: - Existem coisas que fazemos todos os dias e são pra sempre...exemplos: escovamos os dentes, tomamos banho, homens fazem a barba, mulheres tem que pintar os olhos e os lábios, fazemos pipi, fazemos cocô, tomamos café, água, almoçamos, etc...todos os dias...quando temos hipertensão acrescentamos um item a mais no café da manhã, o remédio, que ainda bem, já que nada é de graça, é pago pelo governo federal e recebemos nos postos de saúde de todo o Brasil, e controlando a doença a vida é normal, podemos fazer exercícios, correr, nos zangarmos, torcer pelo flamengo, enfim, fazer qualquer coisa ruim que o nosso organismo, com a pressão controlada (em 12 x 8 ou 11 x 7 ou 10 x 6), agüenta. E como se trata a pressão? ....Bem! Em primeiro lugar, se estivermos acima do peso, é obrigatória a perda dos quilos a mais e a seguir tomarmos o remédio que o médico prescrever. Às vezes precisamos de algumas semanas para adequar as doses dos remédios para a normalização. Eu, em toda a minha vida de médico nunca vi uma pressão não controlar, às vezes demorou de um a dois meses para acertar a dose dos remédios, mas todos controlaram. E o que é mais importante, depois disso houve regressão do acometimento dos órgãos, o coração diminuiu de tamanho, o fundo de olho (exame de rotina em hipertensos) melhorou, enfim há uma melhora em todo o organismo, principalmente se os rins ainda não entraram em sofrimento, pois nestes a reversão do acometimento é mais difícil, uma das razões para tratarmos a doença o mais precoce possível. Então, caro leitor, como o número de hipertensos no mundo varia próximo de 40%, provavelmente em nossas famílias a doença está presente e precisamos cuidar da maneira mais séria possível, pois como já citei várias vezes, a doença praticamente não tem sintomas, e se a pessoa hipertensa não for civilizada, não vai tomar remédios para uma doença que ela não sente, e aí que mora o perigo...muitas vezes de vida. Na próxima semana vou comentar a respeito do tratamento da emergência hipertensiva, que eu acho que todas as pessoas devem saber. Como a quantidade de e-mails que recebi foi grande, acho que temos um grande rol de leitores semanais, alguns pedindo a repetição de matérias, que vou aproveitar quando viajar longe ou sair de férias.
Que todos tenham um 2010 com muita saúde e iluminado diariamente com a presença de Deus.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
Quando Tratar a Pressão Alta como Emergência
* Prof. Dr. Eduardo Augusto da Silva Costa
Mesmo voltando a morar em Macapá em 2002, tenho uma agenda social muito grande em Belém, pois estou amiúde na mídia local ou nacional, ora por pesquisas médicas, ora pela atividade como cardiologista, ora como hemodinamicista, ora como presidente de comissão de pós-graduação de medicina da universidade federal ou como membro do grupo de ouro; de tal forma que tenho que participar de batizados, cerimônias de formatura e posses de autoridades em todos os semestres. Mas um convite me chamou a atenção há alguns anos, pois fui insistentemente solicitado para o aniversário da matriarca de uma família que anteriormente nunca havia me convidado para nada...a insistência foi tão grande que três dos filhos me ligaram a noite para eu anotar a data no meu calendário anual de parede e dois foram no meu consultório confirmar o convite...o que me deixou deveras enaltecido com tal atenção. A festa era um almoço no domingo, e chegando tal dia estava eu lá, no horário combinado. Quando cheguei, achei estranho todo mundo falar “chegou o médico, agora podemos começar”, e chamaram os filhos da senhora, que ela não via há anos, para aparecerem....e pediram para eu medir a pressão da mãe...ou seja, eu só fui convidado pela preocupação deles caso ela passasse mal ou a pressão subisse... eu fingi (por formação) que não ficara chateado e depois mandei a conta dos serviços profissionais...eles não pagaram de imediato e deixaram de falar comigo por uns anos até um deles ser acometido de infarto do miocárdio e a família chegar desesperadamente na minha casa como se nada tivesse acontecido. Lembrei dessa história, que aconteceu em Belém, em 1995, para iniciar as frases rotineiras na vida de um médico, pois é muito comum um paciente me ligar e dizer “Professor, a minha pressão está 17 por 9, o que é que eu faço, tomo mais um comprimido do meu remédio ou vou para o hospital” ou “estou com uma tremenda dor de cabeça e minha pressão está 20 por 10” ou “morreu alguém da minha família e fui medir a pressão e está 22 por 11, o que faço...” ou a da mãe citada, que ficou 23 por 9...Bem! Como já citei na matéria da semana passada, quaisquer esforços, dores e/ou emoções normalmente aumentam a pressão a esses níveis citados nas frases. E o que fazemos? Resposta: Nada! Nada em parte, pois tratamos com analgésicos a tremenda dor de cabeça, consolamos os que perderam alguém querido e às vezes até, se necessário usamos um antidepressivo para resolver um estresse, o que a cada dia, no mundo atual, está se transformando em uma quase rotina (comentarei mais esse assunto quando escrever sobre estresse). E por que não fazemos nada, ...porque, e já estou sendo redundante, quando estas coisas acontecem a subida da pressão é uma reação humana normal, ...seria anormal se num velório os parentes do morto estivessem com a pressão normal, que significaria que não estão sentindo nenhuma emoção.
Bem! E quando tratar a pressão alta como emergência? Quando ocorrerem sintomas de lesões nos órgãos e aparelhos lesados pela pressão...assim, quando o paciente estiver com pressão alta e com falta de ar (o termo médico é dispnéia), significa que o coração não está conseguindo bombear o sangue normalmente e está havendo acúmulo da parte líquida do sangue nos pulmões, isto é emergência. Quando o paciente apresentar dor no meio do peito, alteração no eletrocardiograma e pressão alta, também é emergência, assim como, quando acontecer dor de cabeça muito importante, com alteração da visão, tonturas, vômitos, com alteração do fundo de olho e pressão alta. Outras situações são quando o paciente apresentar junto com a pressão alta, um acidente vascular cerebral, cuja apresentação geralmente ocorre com paralisação de um lado do corpo, dificuldade de falar e desvio da boca para um lado; ou quando o paciente apresentar pressão alta e insuficiência renal, com inchaços (o termo médico é edema) pelo corpo e alterações dos exames de laboratório que avaliam a função dos rins. Resumindo, em todos estes casos citados, o tratamento da pressão deve ser imediato, por médico e no hospital, pois geralmente se faz necessário o uso de remédios por injeções e “soros” e geralmente com o paciente a seguir internado na UTI (unidade de tratamento intensivo), para ser observado continuamente pelo médico, pois quaisquer desses quadros são graves e com risco de vida. Eu fiz todo esse comentário para informar que pressão alta sem um quadro desses geralmente não é emergência, é só tomar o remédio normal e esperar ela baixar, ou só esperar ela baixar após a causa que a fez subir, como encontrar vários filhos que você não vê há anos, como da senhora do começo do texto. Desculpem, mas na semana passada devido “problemas” com a minha internet o artigo não foi publicado. Continuo com o mesmo assunto na semana que vem. Fiquem com Deus.
*Médico Amapaense com Residência, Mestrado e Doutorado em Cardiologia / Professor de Cardiologia e Presidente da Comissão de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFPA.
segunda-feira, maio 31, 2010
PALPOS DE ARANHA.
cesarbernardosouza@bol.com.br
Do ponto P ao ponto B o PT do Amapá pode estar botando o pés na estrada mais longa e tortuosa de sua existência pós oposição no estado. Refiro-me à decisão do PT (ou de patê significativa dele) de deixar o bloco do PP, abraçando-se (de novo) ao PSB, em busca de “resultados” nas duas próximas eleições: majoritária e proporcional.
Pode, o PT, tropeçar na própria historia que o fez sempre vice do PSB no Amapá, ora com Hildegardo ora com Dalva. Num caso, o do Hildegardo, o PT não se viu além de uma espécie de “câmara de eco” do PSB em seu fabuloso discurso pró-desenvolvimento sustentável – o PDSA de antão. Hildegardo se colocou como um “notável” neo petista: distante do trabalhador, mas qualificado interprete e difusor das teses “sustentáveis” que a notabilíssima Mary Alegrette fazia o governo ouvir, decorar e espalhar.
Nesses termos Hildegardo não foi nada importante para o PT, em mesma proporção que o PT nada representou no projeto de poder do PSB. Contudo, à época, o PT já significava números eleitorais imprescindíveis ao projeto de reeleição do PSB, razão pela qual o partido seguiria “dono” da vice governadoria. Mas não mais com a parcimônia do insípido Hildegardo, pois que a Professora Dalva seria a “mudança” do PT na continuidade do governo Capiberibe do PSB, ou do PSB do Capiberibe – como queiram. E o foi!
Dalva assumiu a vice governadoria com um discurso petista muito evidente: reforçar a “política” de formação de quadros do seu partido. Não se afastou dessa “linha” de pensamento até assumir o governo estadual por nove meses, substituição constitucional ao governador renunciante do PSB que saia para disputar uma vaga no Senado Federal. Dalva governadora mostrou capacidade e liderança política em geral... mas foi abandonada pelo PSB. Perdeu a eleição que disputou no governo para o governo abraçada pelo PMDB formal representado pelo senador Gilvam, também em campanha para sua reeleição
Depois em nova eleição Dalva se elegeu deputada federal e, assim, líder petista ( Dalvinha de Lula) negociou espaço para o PT no governo do PDT/PP, de Waldez e P. Paulo. Agora, na extensão do mesmo governo, Dalva quis mostrar-se coerente mantendo o PT no palanque do governador Pedro Paulo. Um bloco refletor: PP/PDT/PT/PC do B/PR. Fortissimo bloco eleitoral.
Em mesma circunstancia que Pedro Paulo ela foi governadora e candidata a governadora sabe, portanto, supõe-se, como montar um bom cenário eleitoral para casos como o seu e do governador. Ou seja, “algo” estaria a lhe dizer que PSB não é a melhor moldura para dar contorno definido às fotografias desse cenário.
E não só por coisas assim que Dalva poderia estar resistindo em levar “seu” PT para as raias do PSB. Ela também não teria como redigir o e-mail que leve ao presidente Lula e à pré candidata Dilma Rousseffe do PT a noticia de que espera-os e a Sarney e Gilvam, ninguém menos que os Capiberibe. E que ela, Dalva e companheiros, querem os quatro (Lula- Dilma- Sarney- Gilvam) entre aplausos e aclamações, erguendo os punhos dos três Capiberibe pedindo votos ao povo para Camilo governador, João Alberto senador, Janete deputada federal.
Muito me engano ou a Dalva está realmente em palpos de aranha. Ainda tem o Temer.
Nota: Muito importante e empolgante a pré candidatura da Dep. Est. Francisca Favacho, do PMDB, a Vice governadora na chapa do também Dep. Est. Jorge Amanajás, do PSDB. Animou-me a oferecer meu nome ao PMDB para disputar a vaga deixada pela deputada no Parlamento.
cesarbernardosouza@bol.com.br
Do ponto P ao ponto B o PT do Amapá pode estar botando o pés na estrada mais longa e tortuosa de sua existência pós oposição no estado. Refiro-me à decisão do PT (ou de patê significativa dele) de deixar o bloco do PP, abraçando-se (de novo) ao PSB, em busca de “resultados” nas duas próximas eleições: majoritária e proporcional.
Pode, o PT, tropeçar na própria historia que o fez sempre vice do PSB no Amapá, ora com Hildegardo ora com Dalva. Num caso, o do Hildegardo, o PT não se viu além de uma espécie de “câmara de eco” do PSB em seu fabuloso discurso pró-desenvolvimento sustentável – o PDSA de antão. Hildegardo se colocou como um “notável” neo petista: distante do trabalhador, mas qualificado interprete e difusor das teses “sustentáveis” que a notabilíssima Mary Alegrette fazia o governo ouvir, decorar e espalhar.
Nesses termos Hildegardo não foi nada importante para o PT, em mesma proporção que o PT nada representou no projeto de poder do PSB. Contudo, à época, o PT já significava números eleitorais imprescindíveis ao projeto de reeleição do PSB, razão pela qual o partido seguiria “dono” da vice governadoria. Mas não mais com a parcimônia do insípido Hildegardo, pois que a Professora Dalva seria a “mudança” do PT na continuidade do governo Capiberibe do PSB, ou do PSB do Capiberibe – como queiram. E o foi!
Dalva assumiu a vice governadoria com um discurso petista muito evidente: reforçar a “política” de formação de quadros do seu partido. Não se afastou dessa “linha” de pensamento até assumir o governo estadual por nove meses, substituição constitucional ao governador renunciante do PSB que saia para disputar uma vaga no Senado Federal. Dalva governadora mostrou capacidade e liderança política em geral... mas foi abandonada pelo PSB. Perdeu a eleição que disputou no governo para o governo abraçada pelo PMDB formal representado pelo senador Gilvam, também em campanha para sua reeleição
Depois em nova eleição Dalva se elegeu deputada federal e, assim, líder petista ( Dalvinha de Lula) negociou espaço para o PT no governo do PDT/PP, de Waldez e P. Paulo. Agora, na extensão do mesmo governo, Dalva quis mostrar-se coerente mantendo o PT no palanque do governador Pedro Paulo. Um bloco refletor: PP/PDT/PT/PC do B/PR. Fortissimo bloco eleitoral.
Em mesma circunstancia que Pedro Paulo ela foi governadora e candidata a governadora sabe, portanto, supõe-se, como montar um bom cenário eleitoral para casos como o seu e do governador. Ou seja, “algo” estaria a lhe dizer que PSB não é a melhor moldura para dar contorno definido às fotografias desse cenário.
E não só por coisas assim que Dalva poderia estar resistindo em levar “seu” PT para as raias do PSB. Ela também não teria como redigir o e-mail que leve ao presidente Lula e à pré candidata Dilma Rousseffe do PT a noticia de que espera-os e a Sarney e Gilvam, ninguém menos que os Capiberibe. E que ela, Dalva e companheiros, querem os quatro (Lula- Dilma- Sarney- Gilvam) entre aplausos e aclamações, erguendo os punhos dos três Capiberibe pedindo votos ao povo para Camilo governador, João Alberto senador, Janete deputada federal.
Muito me engano ou a Dalva está realmente em palpos de aranha. Ainda tem o Temer.
Nota: Muito importante e empolgante a pré candidatura da Dep. Est. Francisca Favacho, do PMDB, a Vice governadora na chapa do também Dep. Est. Jorge Amanajás, do PSDB. Animou-me a oferecer meu nome ao PMDB para disputar a vaga deixada pela deputada no Parlamento.
TEMPO DE CAMPANHA ELEITORAL - TEMPO DE REFLEXÃO
Sinto vergonha de mim - Poema erroneamente atribuído a Ruy Barbosa recebe correção de autoria na declamação Rolando Boldrin.
" De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)" (® http://www.paralerepensar.com.br)
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O que houve foi um mal entendido.
O texto "Sinto Vergonha de Mim" é de autoria da poetisa Cleide Canton.
A citação, que corretamente aparece entre aspas, é de Ruy Barbosa.
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"Sinto Vergonha de Mim"
(Cleide Canton)
Sinto vergonha de mim…
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro !
***
” De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto “.
(Rui Barbosa)
" De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)" (® http://www.paralerepensar.com.br)
>>>>>>>>>>
O que houve foi um mal entendido.
O texto "Sinto Vergonha de Mim" é de autoria da poetisa Cleide Canton.
A citação, que corretamente aparece entre aspas, é de Ruy Barbosa.
>>>>>>>>>>
"Sinto Vergonha de Mim"
(Cleide Canton)
Sinto vergonha de mim…
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro !
***
” De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto “.
(Rui Barbosa)
segunda-feira, maio 24, 2010
NADA DE NOVO OUTRA VEZ.
Político em campanha eleitoral normalmente fala em Deus, mas Marina, Serra e Dilma não. Desenvolvimento, crescimento, emprego, renda, inclusão social e digital, bolsas sociais... tudo com “sustentabilidade”. É a pregação deles enquanto caminham para a posse no palácio presidencial. Mas, certamente, não estão esquecidos da narrativa da criação segundo a qual “Deus viu tudo que fez e achou que era bom” (Gen 1,31). Compreendem, certamente, que o Brasil se afastou muito do “paraíso” terrestre descrito por Vaz Caminha em sua carta de sessenta e duas laudas enviada daqui ao seu rei, em Portugal – 15000.
Admitem eles, certamente, que éramos felizes naquele Brasil contemplativo e não sabíamos. Contudo, sabem eles que não nos darão o novo Brasil que prometem sem pelo menos uma passagenzinha pelo “hino” de São Francisco: se der recebe.
É sabido que Marina, Dilma e Serra são pessoas de largo conhecimento do mundo, dia sim dia não nos acenam através de câmeras de televisão que os monitoram mundo à fora. A duvida que nos assalta é saber se eles conhecem a historia da humanidade, se sabem o que fazer com isso, se querem mudá-la ou ao mundo. Até agora parecem prometer o obvio em suas primeiras falas publicas como candidatos presidenciais: repetir e em alguns casos aprimorar o que realizou ou prometeu realizar o governo Lula.
Da idade media para cá a humanidade usou o vento para tocar moinhos e embarcações, depois a água para mover maquinas cada vez mais pesadas. Queimando florestas passou-se a tocar embarcações, moinhos e maquinas com vapor d’água. Novas e muitas maquinas, moinhos e embarcações levaram ao uso industrial do fogo: recorreu-se ao carvão e ao ferro. Com isso, mais energia.
Daí o mais de tudo que acabou nos levando a locomotivas e consequentemente ao transporte de massas mais rápido e com mais distancia entre saída e chegada. O cavalo e o braço humano foram saindo de cena em nome do lucro e da produtividade.
Basicamente vem daí o desequilíbrio ecológico que agora tem que fazer parte do discurso de Dilma, Serra e Marina. É que vapor, ferro fundido, carvão, maquinas e motores serviram ao homem segundo modelos poluidores da água e do ar por causa de resíduos sólidos e gases efluentes mal cheirosos e nocivos à saúde do homem e da atmosfera.
Ao carvão soma-se o petróleo, cujo produto final é o CO², em toneladas. Ainda inventou-se a motosserra, inchou-se as cidades, multiplicou-se as frotas à razão de milhares de veículos por dia, desmatou-se, aqueceu-se o ar, acumulou-se toneladas de lixo, chegou-se a endemias transformadas em pandemias.
No entanto, Serra, Marina e Dilma estão falando de “sustentabilidade transversal” prevista em todos os seus projetos e programas de governo – vá lá que seja eles são “os caras”.
Em vidas passadas podem ter sidos deuses ou no mínimo gregos palacianos (mitologia é mãe generosa dos nossos silêncios)., na vida real, no entanto, foram ministros de pastas importantes no contexto federativo brasileiro. Poderiam, nesses caso, combinar um cabeçalho para os seus “diferentes” discursos, escrevendo a seis mãos: “Vemos tudo o que fizemos e achamos que não vamos repetir”.
Nota: A Prefeitura de Macapá tem todas as credenciais ara receber e aplicar os 10 milhões de reais da emenda do Senador Sarney, na urbanização da orla e habitação popular. É conveniente olhar com mais objetividade para o Aturiá/Pedrinhas e, no contexto, a Avenida Equatorial enquanto extensão da Linha do Equador até “tocar” o Rio Amazonas. Os poetas e compositores já fizeram sua parte.
Político em campanha eleitoral normalmente fala em Deus, mas Marina, Serra e Dilma não. Desenvolvimento, crescimento, emprego, renda, inclusão social e digital, bolsas sociais... tudo com “sustentabilidade”. É a pregação deles enquanto caminham para a posse no palácio presidencial. Mas, certamente, não estão esquecidos da narrativa da criação segundo a qual “Deus viu tudo que fez e achou que era bom” (Gen 1,31). Compreendem, certamente, que o Brasil se afastou muito do “paraíso” terrestre descrito por Vaz Caminha em sua carta de sessenta e duas laudas enviada daqui ao seu rei, em Portugal – 15000.
Admitem eles, certamente, que éramos felizes naquele Brasil contemplativo e não sabíamos. Contudo, sabem eles que não nos darão o novo Brasil que prometem sem pelo menos uma passagenzinha pelo “hino” de São Francisco: se der recebe.
É sabido que Marina, Dilma e Serra são pessoas de largo conhecimento do mundo, dia sim dia não nos acenam através de câmeras de televisão que os monitoram mundo à fora. A duvida que nos assalta é saber se eles conhecem a historia da humanidade, se sabem o que fazer com isso, se querem mudá-la ou ao mundo. Até agora parecem prometer o obvio em suas primeiras falas publicas como candidatos presidenciais: repetir e em alguns casos aprimorar o que realizou ou prometeu realizar o governo Lula.
Da idade media para cá a humanidade usou o vento para tocar moinhos e embarcações, depois a água para mover maquinas cada vez mais pesadas. Queimando florestas passou-se a tocar embarcações, moinhos e maquinas com vapor d’água. Novas e muitas maquinas, moinhos e embarcações levaram ao uso industrial do fogo: recorreu-se ao carvão e ao ferro. Com isso, mais energia.
Daí o mais de tudo que acabou nos levando a locomotivas e consequentemente ao transporte de massas mais rápido e com mais distancia entre saída e chegada. O cavalo e o braço humano foram saindo de cena em nome do lucro e da produtividade.
Basicamente vem daí o desequilíbrio ecológico que agora tem que fazer parte do discurso de Dilma, Serra e Marina. É que vapor, ferro fundido, carvão, maquinas e motores serviram ao homem segundo modelos poluidores da água e do ar por causa de resíduos sólidos e gases efluentes mal cheirosos e nocivos à saúde do homem e da atmosfera.
Ao carvão soma-se o petróleo, cujo produto final é o CO², em toneladas. Ainda inventou-se a motosserra, inchou-se as cidades, multiplicou-se as frotas à razão de milhares de veículos por dia, desmatou-se, aqueceu-se o ar, acumulou-se toneladas de lixo, chegou-se a endemias transformadas em pandemias.
No entanto, Serra, Marina e Dilma estão falando de “sustentabilidade transversal” prevista em todos os seus projetos e programas de governo – vá lá que seja eles são “os caras”.
Em vidas passadas podem ter sidos deuses ou no mínimo gregos palacianos (mitologia é mãe generosa dos nossos silêncios)., na vida real, no entanto, foram ministros de pastas importantes no contexto federativo brasileiro. Poderiam, nesses caso, combinar um cabeçalho para os seus “diferentes” discursos, escrevendo a seis mãos: “Vemos tudo o que fizemos e achamos que não vamos repetir”.
Nota: A Prefeitura de Macapá tem todas as credenciais ara receber e aplicar os 10 milhões de reais da emenda do Senador Sarney, na urbanização da orla e habitação popular. É conveniente olhar com mais objetividade para o Aturiá/Pedrinhas e, no contexto, a Avenida Equatorial enquanto extensão da Linha do Equador até “tocar” o Rio Amazonas. Os poetas e compositores já fizeram sua parte.
FATOS DA NOSSA HISTÓRIA
Mazaganenses não descendem de Mouros
Profº. Nilson Montoril
Alguns estudantes universitários que buscavam subsídios para a ela-boração de um trabalho de conclusão de curso me perguntaram de que parte do mundo vieram as referências a respeito de seres encantados e das sereias. A indagação decorreu da crendice que muita gente ainda tem sobre criaturas fantásticas do folclore brasileiro. Duas das estudantes, descendentes de mazaganenses, me contaram que seus avós tinham o costume de narrar episódios que teriam ocorrido em Mazagão Velho e em lugares vizinhos daquela vila. Disse-lhe que estes conhecimentos chegaram à região com os ex-moradores do Castelo de Mazagão, no Marrocos, transferidos para a Amazônia por ordem do rei D. José I. Na bagagem cultural dos migrantes também vieram curiosas lendas muito difundidas pelos mouros. No decorrer de mais de duzentos anos os portugueses ocuparam marte do litoral do Marrocos e sustentaram diversas jornadas bélicas com os mouros e os berberes. Em algumas ocasiões os litigantes mantiveram relacionamento amistoso e isso rendeu a absorção de alguns costumes e crenças por parte dos lusitanos. Muitos dos portugueses que vieram para Nova Mazagão nasceram no Castelo de Mazagão, na África, mas isso não quer dizer que eles eram mouros ou berberes. Os migrantes que possuíam escravos negros os compram de mercadores, alguns deles de origem moura. É provável que os escravos tivessem o hábito de contar às crianças histórias fantásticas próprias da região da Mauritânia e do Marrocos. Entretanto, as lendas sobre cobra grande nos herdamos dos colonizadores portugueses. Eles levaram nossos índios a creditar na existência de seres sobrenaturais e a perpetuarem a crendice. Em diversas oportunidades ouvi umas histórias deveras interessantes que os moradores mais antigos de Mazagão contavam sobre "encantamentos" de jovens e belas mulheres. O encantamento era um castigo imposto por uma feiticeira ou bruxa a alguém da estima de seus desafetos, que poderia ser quebrado à conta de adivinhações ou realização de proezas. Aliás, em um livro denominado "Temas Culturais", impresso em Lisboa por Edições Panorama,em 1961, vários escritores tratam desse assunto. Curiosa é a lenda das mouras encantadas em forma de cobra que passam a ter figura humana na noite de São João. Almeida Garrett confirma esta tradição: "é crença popular entre nós que na noite de São João todos os encantamentos que ordinariàmente andam em figura de cobras, retomam nessa noite sua bela e natural presença e vão por-se ao pé das fontes, ou à borda dos regatos a pentear os seus cabelos de ouro". Martins Sarmento escreveu que "em Riba de Âncora uma rapariga viu uma moura em forma de cobra num sitio chamado Picoto dos Mouros. Aqueles que a viram, juram que ela tem cabelos como de mulher". Em Oliveira de Azemés, é voz corrente que na noite de São João, surgem ao pé das fontes e nos penedos bichas mouras com a forma de cobra e com cabelo. Consigliere Pedroso informa que elas seguram nas mãos tesouras de ouro e quando encontram alguma pessoa, perguntam: "que desejais de mim, os meus olhos ou as minhas tesoiras? Se a pessoa diz que prefere as tesouras de oiro, as bichas mouras retiram-se muito tristes. Se pelo contrário, a pessoa responde que deseja os olhos, elas de tão contentes que ficam desatam a dar-lhes beijos e assim quebram o encanto". Em Portugal, o povo chama as mouras encantadas de mourinhas, encantadas ou bichas mouras. Vale esclarecer que o vocábulo bicha vem do latim bestia, que quer dizer animal. É por isso que nos dizemos que os amarelões de ventre proeminente têm bicha na barriga, ou seja, possuem lombrigas.No caso das bichas mouras poder-se-ia muito bem dizer cobras mouras.Os interioranos não tem medo delas porque são de boa índole.Entre as criaturas encantadas mais famosas despontam as sereias, cujas hipóteses de origem inclinam-se para a origem grega ou para a origem fenícia. Em se tratando de encantamento, a versão fenícia, no sentido de canto, é a mais apropriada, haja vista que o fator gerador do encantamento era exatamente a voz maviosa das sereias. Além do mais, a sereia retratada pelos gregos era metade mulher e metade ave, como as harpias. Na lenda fenícia a sereia é metade mulher e metade peixe. Na parte mulher a pele é pálida, os olhos escuros e os cabelos compridos. "As sereias gregas teriam voz horripilante, primeiro como de pranto, depois como de riso e gargalhadas, semelhantes a clamores de um arraial em festa." As sereias gregas também são chamaras sirenas, expressão derivada de seirén. Daí vem o nome sirene, que identifica o som das ambulâncias, dos carros de bombeiros e dos avisos de ataque aéreo ou qualquer momento de perigo. Para Kastner, "a fábula das sereias foi imaginada para sob a forma poética indicar os perigos que esperam os navegadores sobre os mares, ou melhor, num sentido filosófico, os perigos que o homem neste mundo, encontra no seu caminho". No livro "Auto das Fadas", escrito por Gil Vicente, há uma interessante quadrinha onde as sereias são denominadas fadas:" Vai logo às ilhas perdidas/No mar das penas ouvinhas; Traze três fadas marinhas/ Que sejam mui escolhidas". O primeiro bispo de Goa, D. Gaspar Leão, no seu notável livro "Desencanto de Perdidos", diz que as "fábulas têm fundamento de algumas verdades e que se chamam sereias a estas mulheres, pelo atrevimento que fazem aos homens com a formosura, as palavras e artifícios do oficio, com os quais, convidados os homens se perdiam". A lenda das sereias fascinou os nossos índios ao ponto de gerar a Iara, a senhora dos rios. Na cultura negra a sereia é representada por Iemanjá, a rainha do mar. No folclore amapaense possuímos uma "mão-de-samba" inclusa nas cantigas que louvam Nossa Senhora da Piedade. O folguedo teve inicio na localidade de Ajudante, em Mazagão. Posteriormente foi levado para a posse Santa Bárbara, no Igarapé do Lago do Rio Vila Nova. Mão-de-samba é o nome que se dá ao canto do batuque de Nossa Senhora da Piedade. O ritmo é diferente do ladrão do marabaixo e assemelhado ao lundu. É famoso o verso de repercussão que fala da sereia: "Fui passear com a sereia/ bicho do fundo levou/ corre sangue pela veia/ no coração deixa dor". Segundo Fernando de Castro Lima, ilustre folclorista português, "as moiras ou mourinhas são boas e generosas. As sereias são prenúncio de perdição e desgraça Para o citado escritor, a mitologia é a poesia da História, e sem ela não se poderá escrever nada de belo, nem de grande, nem de imorredouro".
Ele também se reporta a lenda segundo a qual Ulisses, herói grego da guerra contra Tróia e rei de Ítaca, teria sido o verdadeiro fundador da cidade de Lisboa. Fez isso ao alcançar à costa portuguesa depois de seguir os conselhos da feiticeira Cirse e livrar-se dos encantamentos gerados pelo canto das sereias quando retornava para seu reino. Amarrado no mastro de seu navio foi o único membro da tripulação que ouviu o arrebatador canto das fadas do mar. Seus companheiros usaram cera nos ouvidos e nada escutaram. Os portugueses contestam a versão de que Ulisses fundou Lisboa. A versão mais aceita é de que essa ação coube aos fenícios. Descobriram-se ao longo da costa de Portugal vestígios/artefatos deixados pelos fenícios, experientes navegadores acostumados a percorrer o litoral europeu.
Coisas Nossas
Profº. Nilson Montoril
Alguns estudantes universitários que buscavam subsídios para a ela-boração de um trabalho de conclusão de curso me perguntaram de que parte do mundo vieram as referências a respeito de seres encantados e das sereias. A indagação decorreu da crendice que muita gente ainda tem sobre criaturas fantásticas do folclore brasileiro. Duas das estudantes, descendentes de mazaganenses, me contaram que seus avós tinham o costume de narrar episódios que teriam ocorrido em Mazagão Velho e em lugares vizinhos daquela vila. Disse-lhe que estes conhecimentos chegaram à região com os ex-moradores do Castelo de Mazagão, no Marrocos, transferidos para a Amazônia por ordem do rei D. José I. Na bagagem cultural dos migrantes também vieram curiosas lendas muito difundidas pelos mouros. No decorrer de mais de duzentos anos os portugueses ocuparam marte do litoral do Marrocos e sustentaram diversas jornadas bélicas com os mouros e os berberes. Em algumas ocasiões os litigantes mantiveram relacionamento amistoso e isso rendeu a absorção de alguns costumes e crenças por parte dos lusitanos. Muitos dos portugueses que vieram para Nova Mazagão nasceram no Castelo de Mazagão, na África, mas isso não quer dizer que eles eram mouros ou berberes. Os migrantes que possuíam escravos negros os compram de mercadores, alguns deles de origem moura. É provável que os escravos tivessem o hábito de contar às crianças histórias fantásticas próprias da região da Mauritânia e do Marrocos. Entretanto, as lendas sobre cobra grande nos herdamos dos colonizadores portugueses. Eles levaram nossos índios a creditar na existência de seres sobrenaturais e a perpetuarem a crendice. Em diversas oportunidades ouvi umas histórias deveras interessantes que os moradores mais antigos de Mazagão contavam sobre "encantamentos" de jovens e belas mulheres. O encantamento era um castigo imposto por uma feiticeira ou bruxa a alguém da estima de seus desafetos, que poderia ser quebrado à conta de adivinhações ou realização de proezas. Aliás, em um livro denominado "Temas Culturais", impresso em Lisboa por Edições Panorama,em 1961, vários escritores tratam desse assunto. Curiosa é a lenda das mouras encantadas em forma de cobra que passam a ter figura humana na noite de São João. Almeida Garrett confirma esta tradição: "é crença popular entre nós que na noite de São João todos os encantamentos que ordinariàmente andam em figura de cobras, retomam nessa noite sua bela e natural presença e vão por-se ao pé das fontes, ou à borda dos regatos a pentear os seus cabelos de ouro". Martins Sarmento escreveu que "em Riba de Âncora uma rapariga viu uma moura em forma de cobra num sitio chamado Picoto dos Mouros. Aqueles que a viram, juram que ela tem cabelos como de mulher". Em Oliveira de Azemés, é voz corrente que na noite de São João, surgem ao pé das fontes e nos penedos bichas mouras com a forma de cobra e com cabelo. Consigliere Pedroso informa que elas seguram nas mãos tesouras de ouro e quando encontram alguma pessoa, perguntam: "que desejais de mim, os meus olhos ou as minhas tesoiras? Se a pessoa diz que prefere as tesouras de oiro, as bichas mouras retiram-se muito tristes. Se pelo contrário, a pessoa responde que deseja os olhos, elas de tão contentes que ficam desatam a dar-lhes beijos e assim quebram o encanto". Em Portugal, o povo chama as mouras encantadas de mourinhas, encantadas ou bichas mouras. Vale esclarecer que o vocábulo bicha vem do latim bestia, que quer dizer animal. É por isso que nos dizemos que os amarelões de ventre proeminente têm bicha na barriga, ou seja, possuem lombrigas.No caso das bichas mouras poder-se-ia muito bem dizer cobras mouras.Os interioranos não tem medo delas porque são de boa índole.Entre as criaturas encantadas mais famosas despontam as sereias, cujas hipóteses de origem inclinam-se para a origem grega ou para a origem fenícia. Em se tratando de encantamento, a versão fenícia, no sentido de canto, é a mais apropriada, haja vista que o fator gerador do encantamento era exatamente a voz maviosa das sereias. Além do mais, a sereia retratada pelos gregos era metade mulher e metade ave, como as harpias. Na lenda fenícia a sereia é metade mulher e metade peixe. Na parte mulher a pele é pálida, os olhos escuros e os cabelos compridos. "As sereias gregas teriam voz horripilante, primeiro como de pranto, depois como de riso e gargalhadas, semelhantes a clamores de um arraial em festa." As sereias gregas também são chamaras sirenas, expressão derivada de seirén. Daí vem o nome sirene, que identifica o som das ambulâncias, dos carros de bombeiros e dos avisos de ataque aéreo ou qualquer momento de perigo. Para Kastner, "a fábula das sereias foi imaginada para sob a forma poética indicar os perigos que esperam os navegadores sobre os mares, ou melhor, num sentido filosófico, os perigos que o homem neste mundo, encontra no seu caminho". No livro "Auto das Fadas", escrito por Gil Vicente, há uma interessante quadrinha onde as sereias são denominadas fadas:" Vai logo às ilhas perdidas/No mar das penas ouvinhas; Traze três fadas marinhas/ Que sejam mui escolhidas". O primeiro bispo de Goa, D. Gaspar Leão, no seu notável livro "Desencanto de Perdidos", diz que as "fábulas têm fundamento de algumas verdades e que se chamam sereias a estas mulheres, pelo atrevimento que fazem aos homens com a formosura, as palavras e artifícios do oficio, com os quais, convidados os homens se perdiam". A lenda das sereias fascinou os nossos índios ao ponto de gerar a Iara, a senhora dos rios. Na cultura negra a sereia é representada por Iemanjá, a rainha do mar. No folclore amapaense possuímos uma "mão-de-samba" inclusa nas cantigas que louvam Nossa Senhora da Piedade. O folguedo teve inicio na localidade de Ajudante, em Mazagão. Posteriormente foi levado para a posse Santa Bárbara, no Igarapé do Lago do Rio Vila Nova. Mão-de-samba é o nome que se dá ao canto do batuque de Nossa Senhora da Piedade. O ritmo é diferente do ladrão do marabaixo e assemelhado ao lundu. É famoso o verso de repercussão que fala da sereia: "Fui passear com a sereia/ bicho do fundo levou/ corre sangue pela veia/ no coração deixa dor". Segundo Fernando de Castro Lima, ilustre folclorista português, "as moiras ou mourinhas são boas e generosas. As sereias são prenúncio de perdição e desgraça Para o citado escritor, a mitologia é a poesia da História, e sem ela não se poderá escrever nada de belo, nem de grande, nem de imorredouro".
Ele também se reporta a lenda segundo a qual Ulisses, herói grego da guerra contra Tróia e rei de Ítaca, teria sido o verdadeiro fundador da cidade de Lisboa. Fez isso ao alcançar à costa portuguesa depois de seguir os conselhos da feiticeira Cirse e livrar-se dos encantamentos gerados pelo canto das sereias quando retornava para seu reino. Amarrado no mastro de seu navio foi o único membro da tripulação que ouviu o arrebatador canto das fadas do mar. Seus companheiros usaram cera nos ouvidos e nada escutaram. Os portugueses contestam a versão de que Ulisses fundou Lisboa. A versão mais aceita é de que essa ação coube aos fenícios. Descobriram-se ao longo da costa de Portugal vestígios/artefatos deixados pelos fenícios, experientes navegadores acostumados a percorrer o litoral europeu.
Coisas Nossas
DISSE O DR. WAGNER GOMES
Vale o Escrito - Aos companheiros do PT
Nesta ocasião, trago aos meus leitores a “Carta” escrita pelo ex-Deputado Federal e membro do PT (Partido dos Trabalhadores) Lourival Freitas, por entender que retrata o pensamento da maioria dos filiados do partido do Presidente Lula:
Considerações sobre as alianças no Amapá (2010)
Quando, no início de 2006, o PT decidiu participar do governo Waldez (PDT), escrevi minha opinião e enviei para vários companheiros no Amapá.
A participação no governo, ocupando alguns espaços nas secretarias e principalmente na CEA, significava tacitamente um apoio à reeleição do Waldez.
Aquela situação nos engessava e nos impedia de seguir outro rumo caso não fosse possível uma coligação formal com o PDT, devido as restrições da legislação eleitoral (verticalização). O meu temor era que o PT ficasse sem alternativa e tivesse que, de última hora, improvisar uma candidatura ou disputar apenas as eleições proporcionais.
De fato o PDT lançou Cristovam Buarque como candidato a presidente, portanto inviabilizando a coligação com PT, pois Lula era o nosso candidato.
Aconteceu pior do que eu temia. O PT, impedido de coligar com o PDT, mas já tendo o compromisso de apoiar o Waldez, resolveu de forma magistral lançar um candidato laranja chamado Erroflyn. Nem o verdadeiro astro conseguiria convencer a população da seriedade da sua candidatura. Ele fingia que era candidato enquanto a direção do partido e os ocupantes de cargos no governo, participavam dos eventos da campa-nha do Waldez.
O Erroflyn é o símbolo do papel secundário e subalterno que o PT começou a desempenhar desde a eleição de 2006.
É incompreensível que depois de elegermos os prefeitos de Macapá, Santana e Serra do Navio, em 2004, e ocuparmos um espaço importante na política local e nacional, fossemos obrigados a aceitar uma rendição do PT aos interesses pessoais de alguns mandatários que pensando no imediatismo de seus mandatos, condenaram o partido a um papel auxiliar dos interesses do PDT, comprometendo o futuro do Partido.
Este fato é a demonstração clara que passou a vigorar a lógica do salve-se quem puder, e como puder. Os interesses coletivos e partidários ficaram submetidos aos interesses individuais que, utilizando-se dos espaços no governo trabalharam apenas para a obtenção de um mandato, desvinculado de qualquer projeto coletivo e partidário. De fato, em 2006 redu-zimos a nossa bancada a apenas um deputado estadual e uma deputada federal.
O desempenho pífio da candidatura do PT (Dalva) na eleição municipal de 2008, grande parte é reflexo do efeito Erroflyn. Muitas vezes fui questionado se a Dalva não seria o Erroflyn II. Será que ela não vai desistir para apoiar o Roberto? Se todos fazem parte do governo só podem estar fingindo ser candidatos, mas no final estarão todos do mesmo lado.
Na realidade o que a população percebeu era que o governo tinha 4 candidatos. O Roberto Góes era o principal e os demais coadjuvantes.
Como a eleição em Macapá historicamente sempre é polarizada entre um candidato do governo e um da oposição, o resultado não poderia ser diferente: o candidato Camilo Capiberibe, do PSB, disputou o segundo turno contra o candidato do governo Roberto Góes.
O apoio do PT ao candidato do governo, Roberto Góes, no segundo turno, só confirmou aquilo que a população já desconfiava, mostrou a impotência do PT e escancarou a nossa submissão a um projeto de poder dos deputados que comandam a Assembléia Legislativa do Estado.
Mesmo perdendo a prefeitura da capital, o PT ainda tem força em Santana, a segunda maior cidade do Estado, Serra do Navio e Ferreira Gomes. Este capital político não pode estar a serviço da reedição do papel lamentável que desempenhamos em 2006 e em 2008. Ou reagíamos agora ou estaremos condenados a ver um novo Erroflynn ( O retorno ) em 2010.
Participando de um bloco de aliança com o PDT e PP, ao PT estará reservado um papel subalterno na política local. Parece que nos contentamos apenas com os cargos que ocupamos na máquina estatal como se isto fosse a garantia de reeleger nossos dois parlamentares (Dalva e Joel). Não temos nenhuma referência de política pública que possamos demonstrar ao eleitorado como uma marca de nossa admi-nistração. Ao contrário, as referências que se fazem às administrações petistas são negativas.
A nossa política de aliança neste ano de 2010, não pode e não deve, se resumir a um ato de desespero para salvar os dois únicos mandatos parlamentares que nos restam. Sei que é cômodo para os detentores de mandatos parlamentares, ficarem quietos com os seus espaços no governo e apoiar o candidato que nos dá esta benesse. É tudo que nos resta?
Acredito que ainda temos força para buscar uma alternativa. Não acredito que nossos dirigentes estejam satisfeitos com a avaliação que se faz deste governo e com o resultado do nosso próprio trabalho participando desta administração. Quais os resultados que temos para mostrar para a população que justifiquem defender a continuidade deste governo?
Se quisermos recuperar o espaço e a importância política que já tivemos no Amapá, é preciso acreditar na nossa potencialidade, deixar de lado os ressentimentos e a tolice, e saber negociar com independência e altivez um papel mais digno e condizente com a nossa força e trajetória política, baseado num programa de desenvolvimento para o Amapá.”.
Wagner Gomes
wagnergomesadvocacia@uol.com.br
wg_ed.wagneradv@hotmail.com
Nesta ocasião, trago aos meus leitores a “Carta” escrita pelo ex-Deputado Federal e membro do PT (Partido dos Trabalhadores) Lourival Freitas, por entender que retrata o pensamento da maioria dos filiados do partido do Presidente Lula:
Considerações sobre as alianças no Amapá (2010)
Quando, no início de 2006, o PT decidiu participar do governo Waldez (PDT), escrevi minha opinião e enviei para vários companheiros no Amapá.
A participação no governo, ocupando alguns espaços nas secretarias e principalmente na CEA, significava tacitamente um apoio à reeleição do Waldez.
Aquela situação nos engessava e nos impedia de seguir outro rumo caso não fosse possível uma coligação formal com o PDT, devido as restrições da legislação eleitoral (verticalização). O meu temor era que o PT ficasse sem alternativa e tivesse que, de última hora, improvisar uma candidatura ou disputar apenas as eleições proporcionais.
De fato o PDT lançou Cristovam Buarque como candidato a presidente, portanto inviabilizando a coligação com PT, pois Lula era o nosso candidato.
Aconteceu pior do que eu temia. O PT, impedido de coligar com o PDT, mas já tendo o compromisso de apoiar o Waldez, resolveu de forma magistral lançar um candidato laranja chamado Erroflyn. Nem o verdadeiro astro conseguiria convencer a população da seriedade da sua candidatura. Ele fingia que era candidato enquanto a direção do partido e os ocupantes de cargos no governo, participavam dos eventos da campa-nha do Waldez.
O Erroflyn é o símbolo do papel secundário e subalterno que o PT começou a desempenhar desde a eleição de 2006.
É incompreensível que depois de elegermos os prefeitos de Macapá, Santana e Serra do Navio, em 2004, e ocuparmos um espaço importante na política local e nacional, fossemos obrigados a aceitar uma rendição do PT aos interesses pessoais de alguns mandatários que pensando no imediatismo de seus mandatos, condenaram o partido a um papel auxiliar dos interesses do PDT, comprometendo o futuro do Partido.
Este fato é a demonstração clara que passou a vigorar a lógica do salve-se quem puder, e como puder. Os interesses coletivos e partidários ficaram submetidos aos interesses individuais que, utilizando-se dos espaços no governo trabalharam apenas para a obtenção de um mandato, desvinculado de qualquer projeto coletivo e partidário. De fato, em 2006 redu-zimos a nossa bancada a apenas um deputado estadual e uma deputada federal.
O desempenho pífio da candidatura do PT (Dalva) na eleição municipal de 2008, grande parte é reflexo do efeito Erroflyn. Muitas vezes fui questionado se a Dalva não seria o Erroflyn II. Será que ela não vai desistir para apoiar o Roberto? Se todos fazem parte do governo só podem estar fingindo ser candidatos, mas no final estarão todos do mesmo lado.
Na realidade o que a população percebeu era que o governo tinha 4 candidatos. O Roberto Góes era o principal e os demais coadjuvantes.
Como a eleição em Macapá historicamente sempre é polarizada entre um candidato do governo e um da oposição, o resultado não poderia ser diferente: o candidato Camilo Capiberibe, do PSB, disputou o segundo turno contra o candidato do governo Roberto Góes.
O apoio do PT ao candidato do governo, Roberto Góes, no segundo turno, só confirmou aquilo que a população já desconfiava, mostrou a impotência do PT e escancarou a nossa submissão a um projeto de poder dos deputados que comandam a Assembléia Legislativa do Estado.
Mesmo perdendo a prefeitura da capital, o PT ainda tem força em Santana, a segunda maior cidade do Estado, Serra do Navio e Ferreira Gomes. Este capital político não pode estar a serviço da reedição do papel lamentável que desempenhamos em 2006 e em 2008. Ou reagíamos agora ou estaremos condenados a ver um novo Erroflynn ( O retorno ) em 2010.
Participando de um bloco de aliança com o PDT e PP, ao PT estará reservado um papel subalterno na política local. Parece que nos contentamos apenas com os cargos que ocupamos na máquina estatal como se isto fosse a garantia de reeleger nossos dois parlamentares (Dalva e Joel). Não temos nenhuma referência de política pública que possamos demonstrar ao eleitorado como uma marca de nossa admi-nistração. Ao contrário, as referências que se fazem às administrações petistas são negativas.
A nossa política de aliança neste ano de 2010, não pode e não deve, se resumir a um ato de desespero para salvar os dois únicos mandatos parlamentares que nos restam. Sei que é cômodo para os detentores de mandatos parlamentares, ficarem quietos com os seus espaços no governo e apoiar o candidato que nos dá esta benesse. É tudo que nos resta?
Acredito que ainda temos força para buscar uma alternativa. Não acredito que nossos dirigentes estejam satisfeitos com a avaliação que se faz deste governo e com o resultado do nosso próprio trabalho participando desta administração. Quais os resultados que temos para mostrar para a população que justifiquem defender a continuidade deste governo?
Se quisermos recuperar o espaço e a importância política que já tivemos no Amapá, é preciso acreditar na nossa potencialidade, deixar de lado os ressentimentos e a tolice, e saber negociar com independência e altivez um papel mais digno e condizente com a nossa força e trajetória política, baseado num programa de desenvolvimento para o Amapá.”.
Wagner Gomes
wagnergomesadvocacia@uol.com.br
wg_ed.wagneradv@hotmail.com
PALAVRA DO PASTOR
O príncipe e o mendigo
Dom Pedro José Conti
Da equipe de articulistas
Um príncipe, saindo um dia a passeio, passou bem perto de um mendigo que lhe pediu uma esmola dizendo:
- Faça a caridade a um pobre irmão.
O príncipe parou, olhou o pobre e disse: - Eu não tenho irmãos pobres.
O mendigo replicou: - Nós somos todos irmãos em Jesus Cristo. O príncipe lhe deu uma moeda de ouro. E assim fez por dez dias em seguida. No décimo primeiro dia, o príncipe resolveu disfarçar-se de mendigo e passando perto do outro lhe disse:
- Faça a caridade a um pobre irmão.
O verdadeiro mendigo respondeu com raiva: - Eu não te-nho irmãos. Então o príncipe se revelou como tal e respondeu: - Entendi; você é irmão só de príncipes. E pegou de volta as dez moedas.
No Dia de Pentecostes refletimos sobre o dom do Espírito Santo que Jesus deixou para os seus amigos. O Divino Espírito Santo é, podemos dizer assim, o “dom dos dons” ou, se preferirmos, o dom que dá sentido e força a todos os ou-tros dons. Hoje se fala muito dos dons do Espírito Santo, também conhecidos como “carismas”. São Paulo, nas suas cartas, fez muitas listas desses dons; nós poderíamos também juntar outros. Não porque inventamos esses dons, mas simplesmente porque tudo o que nós temos recebido de qualidades e capacidades, a começar por nossa própria vida, pela fé e pelo amor, é algo que ganhamos de presente da bondade de Deus. Em outras palavras: se tudo o que temos e somos é dom de Deus, também tudo isso deveria ser colocado a serviço dos nossos irmãos. Deveríamos saber doar o que recebemos em dom. Afinal, fazer da nossa existência um dom “bom” para os outros é seguir, de perto, os passos do Mestre Jesus que não poupou a sua própria vida. Nós também deveríamos usar para o bem o que somos e temos.
Nem sempre é assim. Se usarmos dos dons recebidos exclusivamente para a nossa vantagem, ou para alguns esco-lhidos, estamos aproveitando somente parte das possibilidades que temos. Quanta inteligência é usada só para proveito próprio ou, muitas vezes, para enganar os outros menos espertos? Quanta bondade fica trancada entre as paredes de uma casa, pela incapacidade de sair para doá-la aos outros? Quantas vezes a nossa generosidade não consegue sair do nosso grupo, dos nossos amigos, dos que gostamos, como se os outros não existissem e não precisassem também ser amados? Somos bons, mas não amamos bastante. Selecionamos tanto os que decidimos amar que no fim reduzimos a quase nada o nosso amor. Desconfiança? Medo? Ou talvez porque não queremos doar um pouco do que recebemos. Ainda não entendemos a beleza e a riqueza do dar e receber por amor.
Isso acontece também nas nossas paróquias, comunidades, grupos e movimentos. Se quiserem interpretá-lo assim, é um apelo que eu faço. Há muita bondade e muitas capacidades entre nós. Há criatividade, fartura de arte, de oração fraterna. Temos muitas ideias e propostas que, se fôssemos mais unidos, poderiam mudar ao menos alguma coisa ao nosso redor. Mas tudo isso não sai de nossa casa, do nosso grupo, do círculo fechado das mesmas pessoas. Quem tem algo bom deve saber doá-lo também aos outros. Deve aprender a caminhar junto com os outros, num intercâmbio de dons; no diálogo, na paciência, na comunhão. Não podemos nos fechar somente no nosso grupo de “amigos”, que pensam como nós, nos agradam e nos fazem sentir bem. Existem também os outros, com e para os quais vale o mesmo. Os dons crescem e se multiplicam quando são trocados. Dando bom exemplo estimulamos os outros. Oferecendo uma boa palavra enriquecemos quem estava precisando. Mas também escutando o que outros dizem e conhecendo o que os outros fazem, aprendemos sempre alguma coisa nova. Ficamos felizes com as coisas boas que sabemos fazer, porém deveríamos também nos alegrar com o bem que outros fazem.
É fácil ser amigo de príncipes para pedir ou exigir; devemos aprender a sermos amigos, também, dos ou-tros mendigos para dar e trocar um pouco do que recebemos. Com certeza descobriremos que todos nós somos mais ricos do que pensávamos e, ao mesmo tempo, sempre tão necessitados de aprender com os outros. Os dons oferecidos enriquecem a todos. Vamos ficar todos príncipes. Mendigo continua sendo aquele que não sabe doar nada, ou pouco demais.
Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá
Dom Pedro José Conti
Da equipe de articulistas
Um príncipe, saindo um dia a passeio, passou bem perto de um mendigo que lhe pediu uma esmola dizendo:
- Faça a caridade a um pobre irmão.
O príncipe parou, olhou o pobre e disse: - Eu não tenho irmãos pobres.
O mendigo replicou: - Nós somos todos irmãos em Jesus Cristo. O príncipe lhe deu uma moeda de ouro. E assim fez por dez dias em seguida. No décimo primeiro dia, o príncipe resolveu disfarçar-se de mendigo e passando perto do outro lhe disse:
- Faça a caridade a um pobre irmão.
O verdadeiro mendigo respondeu com raiva: - Eu não te-nho irmãos. Então o príncipe se revelou como tal e respondeu: - Entendi; você é irmão só de príncipes. E pegou de volta as dez moedas.
No Dia de Pentecostes refletimos sobre o dom do Espírito Santo que Jesus deixou para os seus amigos. O Divino Espírito Santo é, podemos dizer assim, o “dom dos dons” ou, se preferirmos, o dom que dá sentido e força a todos os ou-tros dons. Hoje se fala muito dos dons do Espírito Santo, também conhecidos como “carismas”. São Paulo, nas suas cartas, fez muitas listas desses dons; nós poderíamos também juntar outros. Não porque inventamos esses dons, mas simplesmente porque tudo o que nós temos recebido de qualidades e capacidades, a começar por nossa própria vida, pela fé e pelo amor, é algo que ganhamos de presente da bondade de Deus. Em outras palavras: se tudo o que temos e somos é dom de Deus, também tudo isso deveria ser colocado a serviço dos nossos irmãos. Deveríamos saber doar o que recebemos em dom. Afinal, fazer da nossa existência um dom “bom” para os outros é seguir, de perto, os passos do Mestre Jesus que não poupou a sua própria vida. Nós também deveríamos usar para o bem o que somos e temos.
Nem sempre é assim. Se usarmos dos dons recebidos exclusivamente para a nossa vantagem, ou para alguns esco-lhidos, estamos aproveitando somente parte das possibilidades que temos. Quanta inteligência é usada só para proveito próprio ou, muitas vezes, para enganar os outros menos espertos? Quanta bondade fica trancada entre as paredes de uma casa, pela incapacidade de sair para doá-la aos outros? Quantas vezes a nossa generosidade não consegue sair do nosso grupo, dos nossos amigos, dos que gostamos, como se os outros não existissem e não precisassem também ser amados? Somos bons, mas não amamos bastante. Selecionamos tanto os que decidimos amar que no fim reduzimos a quase nada o nosso amor. Desconfiança? Medo? Ou talvez porque não queremos doar um pouco do que recebemos. Ainda não entendemos a beleza e a riqueza do dar e receber por amor.
Isso acontece também nas nossas paróquias, comunidades, grupos e movimentos. Se quiserem interpretá-lo assim, é um apelo que eu faço. Há muita bondade e muitas capacidades entre nós. Há criatividade, fartura de arte, de oração fraterna. Temos muitas ideias e propostas que, se fôssemos mais unidos, poderiam mudar ao menos alguma coisa ao nosso redor. Mas tudo isso não sai de nossa casa, do nosso grupo, do círculo fechado das mesmas pessoas. Quem tem algo bom deve saber doá-lo também aos outros. Deve aprender a caminhar junto com os outros, num intercâmbio de dons; no diálogo, na paciência, na comunhão. Não podemos nos fechar somente no nosso grupo de “amigos”, que pensam como nós, nos agradam e nos fazem sentir bem. Existem também os outros, com e para os quais vale o mesmo. Os dons crescem e se multiplicam quando são trocados. Dando bom exemplo estimulamos os outros. Oferecendo uma boa palavra enriquecemos quem estava precisando. Mas também escutando o que outros dizem e conhecendo o que os outros fazem, aprendemos sempre alguma coisa nova. Ficamos felizes com as coisas boas que sabemos fazer, porém deveríamos também nos alegrar com o bem que outros fazem.
É fácil ser amigo de príncipes para pedir ou exigir; devemos aprender a sermos amigos, também, dos ou-tros mendigos para dar e trocar um pouco do que recebemos. Com certeza descobriremos que todos nós somos mais ricos do que pensávamos e, ao mesmo tempo, sempre tão necessitados de aprender com os outros. Os dons oferecidos enriquecem a todos. Vamos ficar todos príncipes. Mendigo continua sendo aquele que não sabe doar nada, ou pouco demais.
Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá
VIAGEM MUITO PERIGOSA
Gilvam Borges
Da equipe de articulistas
Sábado, dia 15 de maio. Eram dez horas quando decolamos do aeroporto internacional de Macapá, com destino ao município de Amapá. Às onze já estávamos em uma voadeira, eu, o engenheiro Ozias, o projetista Carlos, o cinegrafista Leno e o prático João que pilotava a pequena lancha a caminho do Sucuriju. Cerca de três horas e meia depois, encalhamos em um banco de areia.
Já anoitecia, por volta das dezoito horas, quando a maré subiu. Vinte minutos depois a primeira onda da pororoca nos alcançou e na terceira, quando caía um temporal medonho, fomos arremessados, batendo em um tronco, e a voadeira afundou. Ao longe avistei uma luz e seguimos em direção a ela. Eram dois pescadores que nos socorreram. Ficamos na feitoria deles. Nuvens de insetos nos atacaram a noite toda, muriçocas, carapanãs, bijugós e outros que não sei o nome.
Os dois pescadores foram buscar ajuda no Sucuriju. Uma embarcação chegou ao meio dia e trinta, e nos le-vou para a vila.
Nessas atribulações onde quase perdi a vida, encontrei muito conforto no bem querer dos amigos, na solidariedade dos que mesmo não comungando do nosso dia a dia, oraram para que eu e todos que estavam comigo estívessemos bem, voltássemos vivos.
Para os que torceram pelo pior, tenho somente o perdão, palavra tão difícil de ser assimilada por muitos, mas que é uma constante na minha vida, graças a Deus e a fé que trago no peito. Talvez por isso que me sejam dadas tantas oportunidades, tantos caminhos a seguir.
Muitos pensam que tudo está às mil maravilhas no Sucuriju. É muito bom achar isso, quando se pode tomar uma chuveirada, beber água, lavar roupa, lavar o rosto, etc. Coisas da rotina de quem assiste aos problemas alheios pela televisão, sentado numa confortável poltrona ou num macio sofá. Mas não para quem foi lá, passou dias vivendo de igual para igual e quis contribuir para alterar o quadro atual. Mesmo porque é uma mudança possível. E não sou homem de lavar as mãos seja em água salgada ou doce, diante dos problemas.
Entre a vida e a morte há uma linha tênue. A coragem de ir sempre em busca do que parece impossível, é condição básica para os que acreditam na vida eterna. Não dá para ser diferente, pois se a morte é uma passagem, a vida torna-se um experimento constante desse grande self-service que é o mundo. E mesmo os melhores planos padecem da incerteza, pois tudo pode acontecer.
Só possui história quem experimenta para poder um dia contar aos seus descendentes que a vida é um constante dar e tirar. Assim temos que estar preparados para o desencarno, deixando essa matéria e seguindo rumo ao infinito.
Vi Ulisses Guimarães me acenando, para que eu pudesse integrar uma grande legião invisível mundo do além. Se nada se cria tudo se transforma, então nada morre para sempre, o que ocorre é somente uma transformação. Assim, em toda morte, deve haver uma nova vida. Esta é a esperança do ser humano que crê em Deus.
Tenho um bom humor nato e isso é bom porque acarreta a amenização das circunstâncias adversas. Fatos da vida são fatos da vida, o que vamos fazer? Melhor aproveitarmos as experiências vivenciadas e no balanço de perdas e ganhos coletar os saldos positivos. Neste caso, um saldo altamente positivo: todas as vidas foram preservadas, inclusive a minha. Agora temos que agradecer a Deus, sorrir e seguir em frente.
Gilvam Borges
Senador da República pelo PMDB-AP; coordenador da Bancada
Parlamentar Amapaense em Brasília
E-mail: senadorgilvam@gmail.com
Da equipe de articulistas
Sábado, dia 15 de maio. Eram dez horas quando decolamos do aeroporto internacional de Macapá, com destino ao município de Amapá. Às onze já estávamos em uma voadeira, eu, o engenheiro Ozias, o projetista Carlos, o cinegrafista Leno e o prático João que pilotava a pequena lancha a caminho do Sucuriju. Cerca de três horas e meia depois, encalhamos em um banco de areia.
Já anoitecia, por volta das dezoito horas, quando a maré subiu. Vinte minutos depois a primeira onda da pororoca nos alcançou e na terceira, quando caía um temporal medonho, fomos arremessados, batendo em um tronco, e a voadeira afundou. Ao longe avistei uma luz e seguimos em direção a ela. Eram dois pescadores que nos socorreram. Ficamos na feitoria deles. Nuvens de insetos nos atacaram a noite toda, muriçocas, carapanãs, bijugós e outros que não sei o nome.
Os dois pescadores foram buscar ajuda no Sucuriju. Uma embarcação chegou ao meio dia e trinta, e nos le-vou para a vila.
Nessas atribulações onde quase perdi a vida, encontrei muito conforto no bem querer dos amigos, na solidariedade dos que mesmo não comungando do nosso dia a dia, oraram para que eu e todos que estavam comigo estívessemos bem, voltássemos vivos.
Para os que torceram pelo pior, tenho somente o perdão, palavra tão difícil de ser assimilada por muitos, mas que é uma constante na minha vida, graças a Deus e a fé que trago no peito. Talvez por isso que me sejam dadas tantas oportunidades, tantos caminhos a seguir.
Muitos pensam que tudo está às mil maravilhas no Sucuriju. É muito bom achar isso, quando se pode tomar uma chuveirada, beber água, lavar roupa, lavar o rosto, etc. Coisas da rotina de quem assiste aos problemas alheios pela televisão, sentado numa confortável poltrona ou num macio sofá. Mas não para quem foi lá, passou dias vivendo de igual para igual e quis contribuir para alterar o quadro atual. Mesmo porque é uma mudança possível. E não sou homem de lavar as mãos seja em água salgada ou doce, diante dos problemas.
Entre a vida e a morte há uma linha tênue. A coragem de ir sempre em busca do que parece impossível, é condição básica para os que acreditam na vida eterna. Não dá para ser diferente, pois se a morte é uma passagem, a vida torna-se um experimento constante desse grande self-service que é o mundo. E mesmo os melhores planos padecem da incerteza, pois tudo pode acontecer.
Só possui história quem experimenta para poder um dia contar aos seus descendentes que a vida é um constante dar e tirar. Assim temos que estar preparados para o desencarno, deixando essa matéria e seguindo rumo ao infinito.
Vi Ulisses Guimarães me acenando, para que eu pudesse integrar uma grande legião invisível mundo do além. Se nada se cria tudo se transforma, então nada morre para sempre, o que ocorre é somente uma transformação. Assim, em toda morte, deve haver uma nova vida. Esta é a esperança do ser humano que crê em Deus.
Tenho um bom humor nato e isso é bom porque acarreta a amenização das circunstâncias adversas. Fatos da vida são fatos da vida, o que vamos fazer? Melhor aproveitarmos as experiências vivenciadas e no balanço de perdas e ganhos coletar os saldos positivos. Neste caso, um saldo altamente positivo: todas as vidas foram preservadas, inclusive a minha. Agora temos que agradecer a Deus, sorrir e seguir em frente.
Gilvam Borges
Senador da República pelo PMDB-AP; coordenador da Bancada
Parlamentar Amapaense em Brasília
E-mail: senadorgilvam@gmail.com
quarta-feira, maio 12, 2010
DIA-A-DIA: FIQUE POR DENTRO
LEITURA DINÂMICA
(ANN – 12/05/10)
Erro da Câmara dos Deputados pode invalidar reajuste de 7,72% dos aposentados. Entidades sindicais prometem reagir com greves e paralisações.
- Brasil, reservas internacionais crescem 25% e chegam a US$ 250 bilhões.
- Fluminense, jogador Fred só deve voltar aos gramados em pelo menos duas semanas. Treinador acha que pode ajeitar o time.
- TSE, dificulta coligações nos Estados. Decisão de ontem, impede que partidos coliguem para governador, mas fiquem separados na eleição para o Senado.
- A Coréia do Norte, pela primeira vez, alcançou o processo total de fusão nuclear. Porta aberta para a fabricação de armas à base de plutônio.
- Ministério Público Federal do Pará, num comunicado divulgado ontem à tarde, alertou a população de que a água mineral vendida no Estado, não é mineral, é água potável comum. Dez empresas distribuidoras foram autuadas e o DNPM paraense, terá uma semana para oferecer explicações sobre os licenciamentos de lavra.
- Cresce no Brasil o número de livros feitos de plástico. Governo federal estuda viabilidade de um projeto, baseado nesse produto inovador, que atinja todas as escolas do país, a curto e médio prazos.
- Paraná confirma 11 mortes por gripe. Segundo o governo daquele Estado, foram registrados 1.150 casos da doença, este ano.
- Uma seca persistente, está causando muitos problemas e falta de água potável na ilha do Marajó (PA). Governo federal prometeu ajudar prefeituras da região.
- ONU, erradicar trabalho infantil no mundo é meta impossível, até 2016, afirma relatório dessa entidade. O Brasil, juntamente com vários países africanos, vem sendo criticado nos organismos da ONU, pelo fato de não divulgar dados confiáveis sobre os programas de erradicação e controle do trabalho infantil.
- Jornal da BAND nacional, volta a sofrer problemas técnicos em S. Paulo e no rio de janeiro.
- STF, julga hoje ação que pode derrubar Lei de Improbidade Administrativa. Possibilidade de aprovação, foi considerada um “retrocesso” nas liberdades democráticas, pela CNBB.
- Queda de avião matou mais de cem pessoas na Líbia, na última madrugada.
- Lula chamou o ministro da Fazenda, Guido Mantega e o do Planejamento, Paulo Bernardo, para exigir cortes nos orçamentos de todos os Ministérios. Programas que não forem prioritários, devem ser desativados.
- Pode não ir ao ar, hoje, no horário bem no meio do Jornal Nacional, a peça em que o PT nacional exibe a candidata presidencial Dilma Rousseff. PSDB e DEM protocolaram ações. Acusando a candidata de propaganda eleitoral antecipada.
- João Pinheiro, candidato do PC do B à presidência da República, está em Macapá. Veio iniciar aqui a sua campanha e reunir a militância do partido.
- Governador do Estado, Pedro Paulo Dias, anunciou que o governo federal aprovou a liberação de R$ 43 milhões do PAC, para o Amapá.
FRASE DO DIA
“Amigo é amigo, filho da puta é filho da puta.”
(Roberto Requião (Paraná), em entrevista na TV, ontem)
-------------------------------------------------------------------------------------------MANCHETES DE HOJE
GLOBO – Acusado, Tuma Jr. Ignora ministro e sai só de férias. Ministro da Justiça diz que determnou, Tuma diz que pediu.
FOLHA – Reino Unido tem premiê conservador depois de 13 anos. Processo eleitoral por lá durou apenas 30 dias
ESTADÃO – Suspeito de elo com mafioso faz governo afastar Tuma júnior. Apesar de um dos grandes policiais brasileiros, Tuminha insiste em dizer que “não sabia de nada”.
JORNAL DO BRASIL – Agora é a China que assusta: em vinte dias seis ataques mortais a crianças dentro de pré-escolas.
CORREIO – Só resta torcer: a turma do Professor Dunga está convocada.
VALOR – Governo estimulará crédito privado para investimentos. Mas os juros estão com tendência de alta.
DIÁRIO DO AMAPÁ – Família é vítima de chacina no Jardim Equatorial: Macapá ainda não “estatura” para crimes assim.
JORNAL DO DIA – Corpo de Bombeiros diz que fiscaliza, mas 14 morreram no Amazonas. É lembrar que o belo rio é também o maior do mundo. O Rio-Mar.
(ANN) -----------------------------------------------------------------
(ANN – 12/05/10)
Erro da Câmara dos Deputados pode invalidar reajuste de 7,72% dos aposentados. Entidades sindicais prometem reagir com greves e paralisações.
- Brasil, reservas internacionais crescem 25% e chegam a US$ 250 bilhões.
- Fluminense, jogador Fred só deve voltar aos gramados em pelo menos duas semanas. Treinador acha que pode ajeitar o time.
- TSE, dificulta coligações nos Estados. Decisão de ontem, impede que partidos coliguem para governador, mas fiquem separados na eleição para o Senado.
- A Coréia do Norte, pela primeira vez, alcançou o processo total de fusão nuclear. Porta aberta para a fabricação de armas à base de plutônio.
- Ministério Público Federal do Pará, num comunicado divulgado ontem à tarde, alertou a população de que a água mineral vendida no Estado, não é mineral, é água potável comum. Dez empresas distribuidoras foram autuadas e o DNPM paraense, terá uma semana para oferecer explicações sobre os licenciamentos de lavra.
- Cresce no Brasil o número de livros feitos de plástico. Governo federal estuda viabilidade de um projeto, baseado nesse produto inovador, que atinja todas as escolas do país, a curto e médio prazos.
- Paraná confirma 11 mortes por gripe. Segundo o governo daquele Estado, foram registrados 1.150 casos da doença, este ano.
- Uma seca persistente, está causando muitos problemas e falta de água potável na ilha do Marajó (PA). Governo federal prometeu ajudar prefeituras da região.
- ONU, erradicar trabalho infantil no mundo é meta impossível, até 2016, afirma relatório dessa entidade. O Brasil, juntamente com vários países africanos, vem sendo criticado nos organismos da ONU, pelo fato de não divulgar dados confiáveis sobre os programas de erradicação e controle do trabalho infantil.
- Jornal da BAND nacional, volta a sofrer problemas técnicos em S. Paulo e no rio de janeiro.
- STF, julga hoje ação que pode derrubar Lei de Improbidade Administrativa. Possibilidade de aprovação, foi considerada um “retrocesso” nas liberdades democráticas, pela CNBB.
- Queda de avião matou mais de cem pessoas na Líbia, na última madrugada.
- Lula chamou o ministro da Fazenda, Guido Mantega e o do Planejamento, Paulo Bernardo, para exigir cortes nos orçamentos de todos os Ministérios. Programas que não forem prioritários, devem ser desativados.
- Pode não ir ao ar, hoje, no horário bem no meio do Jornal Nacional, a peça em que o PT nacional exibe a candidata presidencial Dilma Rousseff. PSDB e DEM protocolaram ações. Acusando a candidata de propaganda eleitoral antecipada.
- João Pinheiro, candidato do PC do B à presidência da República, está em Macapá. Veio iniciar aqui a sua campanha e reunir a militância do partido.
- Governador do Estado, Pedro Paulo Dias, anunciou que o governo federal aprovou a liberação de R$ 43 milhões do PAC, para o Amapá.
FRASE DO DIA
“Amigo é amigo, filho da puta é filho da puta.”
(Roberto Requião (Paraná), em entrevista na TV, ontem)
-------------------------------------------------------------------------------------------MANCHETES DE HOJE
GLOBO – Acusado, Tuma Jr. Ignora ministro e sai só de férias. Ministro da Justiça diz que determnou, Tuma diz que pediu.
FOLHA – Reino Unido tem premiê conservador depois de 13 anos. Processo eleitoral por lá durou apenas 30 dias
ESTADÃO – Suspeito de elo com mafioso faz governo afastar Tuma júnior. Apesar de um dos grandes policiais brasileiros, Tuminha insiste em dizer que “não sabia de nada”.
JORNAL DO BRASIL – Agora é a China que assusta: em vinte dias seis ataques mortais a crianças dentro de pré-escolas.
CORREIO – Só resta torcer: a turma do Professor Dunga está convocada.
VALOR – Governo estimulará crédito privado para investimentos. Mas os juros estão com tendência de alta.
DIÁRIO DO AMAPÁ – Família é vítima de chacina no Jardim Equatorial: Macapá ainda não “estatura” para crimes assim.
JORNAL DO DIA – Corpo de Bombeiros diz que fiscaliza, mas 14 morreram no Amazonas. É lembrar que o belo rio é também o maior do mundo. O Rio-Mar.
(ANN) -----------------------------------------------------------------
segunda-feira, maio 03, 2010
PROFESSOR NILSON MONTORIL ESCREVEU...
Washington Elias dos Santos, herói de guerra
No dia 19 de janeiro de 1920, na Vila de Mazagão Velho, despontou para a vida Washington Elias dos Santos, filho do comerciante Inácio Elias dos Santos de da Professora Antônia Silva dos Santos. Seu torrão natal ti-nha perdido a prerrogativa de ser a sede do histórico Município de Mazagão devido ao estágio de decadência pelo qual passava. Desde 1915, a cidade de Mazaganópolis, a atual Mazagão Novo, tinha como Prefeito o Coronel da Guarda Nacional Alfredo Valente Pinto. O casal Inácio e Antônia jamais poderia imaginar que aquela criança sossegada um dia envergaria o uniforme do Exército do Brasil e fosse combater os nazistas e os fascistas em solo italiano. Para obter me-lhores lucros com o comércio, Inácio Elias dos Santos instalou um empreendimento na foz do Rio Furo Seco, tributário do Amazonas pela margem direita, na Ilha do Pará. Era praticamente vizinho de um amigo de velhas datas, Francisco Torquato de Araújo, dono da Casa Reduto do Furo Seco e padrinho de águas bentas de Washington. Por volta do ano de 1941, então com 21 anos de idade, o jovem mazaganense Washington Elias dos Santos embarcou para Belém a fim de prestar serviço militar. Tinha feito sua inscrição na Comissão de Alistamento Militar instalada na Prefeitura Municipal de Mazagão. Nesta época, a jurisdição administrativa e judiciária do Estado do Pará se estendia por toda a área do atual Estado do Amapá. O soldado Washington ainda estava na caserna quando teve inicio o recrutamento dos pracinhas que iriam fazer parte da Força Expedicionária Brasileira, criada e estruturada pela Portaria Ministerial Nº. 4.774 de 9 de agosto de 1943. À conta de um acordo firmado com os Estados Unidos, o Brasil deveria recrutar cem mil combatentes para parti-ciparem da II Guerra Mundial e combaterem os alemães em solo italiano. Entretanto, em decorrência da rígida inspeção de saúde apenas 25.334 indivíduos foram declarados aptos. Dia 15 de maio ocorreu a instalação do Estado Maior Especial da FEB. No dia 30 de junho, o General Mascarenhas de Morais, alguns oficiais e o 2º Pelotão da FEB composto por 5.075 embarcaram no navio norte-americano General Mann, que zarpou do Rio de Janeiro, com destino a Nápoles, na madrugada do dia 1º de julho. Os demais escalões seguiram nos navios General Mann e General Meighs, ambos da Marinha dos Estados Unidos. Convocado para a importante campa-nha bélica, o soldado Washington integrou o contingente amazônico da 8ª Região Militar. O transporte desse contingente foi realizado pelo navio General Meighs em dezembro de 1944. O relato que o ex-pracinha Washington me contou a respeito da participação do Brasil no conflito é fiel ao que se tem registrado nos anais do Exército Nacional. Uma viagem de navio entre o Rio de Janeiro e Nápoles durava cerca de 15 dias. O desconforto era enorme porque o calor no interior das cabines destinadas aos combatentes chegava aos 40 graus. A comida era feita por cozinheiros americanos e o balanço do navio provocava vômito nos nossos pracinhas. Washington contava que o desembarque em Nápoles já deixou muita gente apavorada, Em redor do porto havia inúmeras embarcações destruídas pelos ataques da aviação aliada. Após o desembarque, o regimento Amazônico foi transportado de trem para Tarquinia e daí para os acampamentos em Staffoli e Lucca. Fazia muito frio na Itália e a roupa usada pelos soldados não era suficiente para aquecê-los. No Brasil, antes da viagem, os pracinhas receberam o uniforme normal, uma túnica e um culote. Em solo italiano, depois que passaram a integrar o V Exército Americano, nossos soldados ganharam novo enxoval, incluindo roupas de baixo, japona, jaqueta, camiseta e cueca. Passaram por novos exames médicos, odontológicos e desinfecção. Cada barraca de lona abrigava dois soldados. Enquanto durou o inverno, os soldados dormiam com os cantis embaixo dos travesseiros para evitar que a água congelasse. A comida era enlatada (ração), distribuída a cada 12 horas. Pela manhã era servido mingau. Como os americanos distribuíam generosas porções de chiclete, chocolate e cigarro, muitos pracinhas que não fumavam negociavam o cigarro com os italianos. Também faziam escambo com as latas de ração ou distribuíam-nas entre as crianças, mulheres e homens idosos. Muitos soldados que não iam para a linha de fogo chegaram a convi-ver maritalmente com mulheres italianas. Os soldados eram distribuídos em grupos de 25 elementos nas instruções de tiro. A pontuação aceitável para um bom atirador ia até seis. Apenas os mais aptos, que obtinham esse índice seguiam para a frente de luta. Era difícil um pracinha ver um inimigo e ser visto por ele. As mortes decorreram mais dos bombardeios e das minas do que de tiro livre. Muitos padioleiros, enfermeiros, sapadores de trincheiras e condutores de veículos, que não usavam armas, morreram ao serem atingidos por estilhaços de granadas e bombas. O soldado Washington sempre respeitou o código de ética ao qual estão sujeitos os participantes de conflitos armados. Nunca contou bravatas. Todas as suas narrativas condizem com a verdade dos fatos. Instruído nas primeiras letras por sua mãe, a Professora Antônia Silva dos Santos, Vavá, como Washington era tratado por familiares e amigos, amealhou importantes conhecimentos ao longo de sua longa vida.
Washington retornou ao Brasil em outubro de 1945. No inicio de novembro embarcou para Belém a bordo do navio Itaipé, um dos itas do Loyde Brasileiro. Aguardou sua dispensa do Exército para poder retornar ao lar, já desfalcado de seu pai Inácio Elias dos Santos. Veio para Macapá dia 2 de dezembro, a bordo de um avião dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, desembarcando Aeroporto da Panair do Brasil. Foi recepcionado por pelo Capitão Janary Gentil Nunes, Governador do Território Federal do Amapá, pelo Prefeito de Mazagão, Francisco Torquato de Araújo, autoridades e integrantes da Guarda Territorial. Nesse dia se realizava em todo o país as eleições para Presidente da República. O Capitão-Governador encarregou o Prefeito Francisco Torquato, a quem Washington tratava por "Tio Chico", para conduzir o bravo pracinha até Mazagão Velho e entregá-lo a sua genitora. A entrega aconteceu dia 5 de dezembro, em clima de profunda emoção. Como, por determinação do Presidente da República, Getúlio Vargas, os ex-combatentes deveriam ter preferência para ocupar cargos ou empregos públicos, Washington Elias dos Santos foi traba-lhar na Divisão de Segurança e Guarda, onde permaneceu até aposentar-se. Vavá casou com Maria Caçula Aires da Silva em 1949. Dessa união que durou 61 anos nasceram Maria José, Rachide Elias, Antônio Elias e Elias Inácio. Os fi-lhos geraram os netos de Vavá e Caçula, alguns dos quais, dia 27 de abril, carregaram o esquive do avô a sua última morada, no Cemitério São José. Wa-shington Elias dos Santos faleceu em Macapá dia 26 de abril de 2010, às 07h30minh, no Hospital São Camilo e São Luiz. Muito apegado às tradições de sua terra, Vavá narrava anualmente a cavalhada de São Tiago e participava dos eventos religiosos de Mazagão Velho. Diz o refrão da Canção do Expedicionário: "Por mais terra, que eu percorra/não permita Deus que eu morra/sem que volte para lá/sem que leve por divisa/esse v que simboliza a vitória que virá/nossa bata-lha final/ é a mira do meu fuzil/ a ração do meu bornal/ a água do meu cantil/ as asas do meu ideal/ a glória do meu Brasil". Ele felizmente voltou.
NILSON MONTORIL - Coisas Nossas
No dia 19 de janeiro de 1920, na Vila de Mazagão Velho, despontou para a vida Washington Elias dos Santos, filho do comerciante Inácio Elias dos Santos de da Professora Antônia Silva dos Santos. Seu torrão natal ti-nha perdido a prerrogativa de ser a sede do histórico Município de Mazagão devido ao estágio de decadência pelo qual passava. Desde 1915, a cidade de Mazaganópolis, a atual Mazagão Novo, tinha como Prefeito o Coronel da Guarda Nacional Alfredo Valente Pinto. O casal Inácio e Antônia jamais poderia imaginar que aquela criança sossegada um dia envergaria o uniforme do Exército do Brasil e fosse combater os nazistas e os fascistas em solo italiano. Para obter me-lhores lucros com o comércio, Inácio Elias dos Santos instalou um empreendimento na foz do Rio Furo Seco, tributário do Amazonas pela margem direita, na Ilha do Pará. Era praticamente vizinho de um amigo de velhas datas, Francisco Torquato de Araújo, dono da Casa Reduto do Furo Seco e padrinho de águas bentas de Washington. Por volta do ano de 1941, então com 21 anos de idade, o jovem mazaganense Washington Elias dos Santos embarcou para Belém a fim de prestar serviço militar. Tinha feito sua inscrição na Comissão de Alistamento Militar instalada na Prefeitura Municipal de Mazagão. Nesta época, a jurisdição administrativa e judiciária do Estado do Pará se estendia por toda a área do atual Estado do Amapá. O soldado Washington ainda estava na caserna quando teve inicio o recrutamento dos pracinhas que iriam fazer parte da Força Expedicionária Brasileira, criada e estruturada pela Portaria Ministerial Nº. 4.774 de 9 de agosto de 1943. À conta de um acordo firmado com os Estados Unidos, o Brasil deveria recrutar cem mil combatentes para parti-ciparem da II Guerra Mundial e combaterem os alemães em solo italiano. Entretanto, em decorrência da rígida inspeção de saúde apenas 25.334 indivíduos foram declarados aptos. Dia 15 de maio ocorreu a instalação do Estado Maior Especial da FEB. No dia 30 de junho, o General Mascarenhas de Morais, alguns oficiais e o 2º Pelotão da FEB composto por 5.075 embarcaram no navio norte-americano General Mann, que zarpou do Rio de Janeiro, com destino a Nápoles, na madrugada do dia 1º de julho. Os demais escalões seguiram nos navios General Mann e General Meighs, ambos da Marinha dos Estados Unidos. Convocado para a importante campa-nha bélica, o soldado Washington integrou o contingente amazônico da 8ª Região Militar. O transporte desse contingente foi realizado pelo navio General Meighs em dezembro de 1944. O relato que o ex-pracinha Washington me contou a respeito da participação do Brasil no conflito é fiel ao que se tem registrado nos anais do Exército Nacional. Uma viagem de navio entre o Rio de Janeiro e Nápoles durava cerca de 15 dias. O desconforto era enorme porque o calor no interior das cabines destinadas aos combatentes chegava aos 40 graus. A comida era feita por cozinheiros americanos e o balanço do navio provocava vômito nos nossos pracinhas. Washington contava que o desembarque em Nápoles já deixou muita gente apavorada, Em redor do porto havia inúmeras embarcações destruídas pelos ataques da aviação aliada. Após o desembarque, o regimento Amazônico foi transportado de trem para Tarquinia e daí para os acampamentos em Staffoli e Lucca. Fazia muito frio na Itália e a roupa usada pelos soldados não era suficiente para aquecê-los. No Brasil, antes da viagem, os pracinhas receberam o uniforme normal, uma túnica e um culote. Em solo italiano, depois que passaram a integrar o V Exército Americano, nossos soldados ganharam novo enxoval, incluindo roupas de baixo, japona, jaqueta, camiseta e cueca. Passaram por novos exames médicos, odontológicos e desinfecção. Cada barraca de lona abrigava dois soldados. Enquanto durou o inverno, os soldados dormiam com os cantis embaixo dos travesseiros para evitar que a água congelasse. A comida era enlatada (ração), distribuída a cada 12 horas. Pela manhã era servido mingau. Como os americanos distribuíam generosas porções de chiclete, chocolate e cigarro, muitos pracinhas que não fumavam negociavam o cigarro com os italianos. Também faziam escambo com as latas de ração ou distribuíam-nas entre as crianças, mulheres e homens idosos. Muitos soldados que não iam para a linha de fogo chegaram a convi-ver maritalmente com mulheres italianas. Os soldados eram distribuídos em grupos de 25 elementos nas instruções de tiro. A pontuação aceitável para um bom atirador ia até seis. Apenas os mais aptos, que obtinham esse índice seguiam para a frente de luta. Era difícil um pracinha ver um inimigo e ser visto por ele. As mortes decorreram mais dos bombardeios e das minas do que de tiro livre. Muitos padioleiros, enfermeiros, sapadores de trincheiras e condutores de veículos, que não usavam armas, morreram ao serem atingidos por estilhaços de granadas e bombas. O soldado Washington sempre respeitou o código de ética ao qual estão sujeitos os participantes de conflitos armados. Nunca contou bravatas. Todas as suas narrativas condizem com a verdade dos fatos. Instruído nas primeiras letras por sua mãe, a Professora Antônia Silva dos Santos, Vavá, como Washington era tratado por familiares e amigos, amealhou importantes conhecimentos ao longo de sua longa vida.
Washington retornou ao Brasil em outubro de 1945. No inicio de novembro embarcou para Belém a bordo do navio Itaipé, um dos itas do Loyde Brasileiro. Aguardou sua dispensa do Exército para poder retornar ao lar, já desfalcado de seu pai Inácio Elias dos Santos. Veio para Macapá dia 2 de dezembro, a bordo de um avião dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, desembarcando Aeroporto da Panair do Brasil. Foi recepcionado por pelo Capitão Janary Gentil Nunes, Governador do Território Federal do Amapá, pelo Prefeito de Mazagão, Francisco Torquato de Araújo, autoridades e integrantes da Guarda Territorial. Nesse dia se realizava em todo o país as eleições para Presidente da República. O Capitão-Governador encarregou o Prefeito Francisco Torquato, a quem Washington tratava por "Tio Chico", para conduzir o bravo pracinha até Mazagão Velho e entregá-lo a sua genitora. A entrega aconteceu dia 5 de dezembro, em clima de profunda emoção. Como, por determinação do Presidente da República, Getúlio Vargas, os ex-combatentes deveriam ter preferência para ocupar cargos ou empregos públicos, Washington Elias dos Santos foi traba-lhar na Divisão de Segurança e Guarda, onde permaneceu até aposentar-se. Vavá casou com Maria Caçula Aires da Silva em 1949. Dessa união que durou 61 anos nasceram Maria José, Rachide Elias, Antônio Elias e Elias Inácio. Os fi-lhos geraram os netos de Vavá e Caçula, alguns dos quais, dia 27 de abril, carregaram o esquive do avô a sua última morada, no Cemitério São José. Wa-shington Elias dos Santos faleceu em Macapá dia 26 de abril de 2010, às 07h30minh, no Hospital São Camilo e São Luiz. Muito apegado às tradições de sua terra, Vavá narrava anualmente a cavalhada de São Tiago e participava dos eventos religiosos de Mazagão Velho. Diz o refrão da Canção do Expedicionário: "Por mais terra, que eu percorra/não permita Deus que eu morra/sem que volte para lá/sem que leve por divisa/esse v que simboliza a vitória que virá/nossa bata-lha final/ é a mira do meu fuzil/ a ração do meu bornal/ a água do meu cantil/ as asas do meu ideal/ a glória do meu Brasil". Ele felizmente voltou.
NILSON MONTORIL - Coisas Nossas
DR. WAGNER GOMES ESCREVEU...
Vale o Escrito - A Velha Contrabandista
SEste texto de Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Marcus Rangel é de-dicado especialmente ao editor chefe deste jornal, o Jornalista Douglas Lima, fã incondicional daquele cronista, escritor, radialista e compositor brasileiro:
"Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
- É areia!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhi-nha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no ou-tro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhi-nha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco só tem areia! - insistiu a ve-lhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a se-nhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.
- Juro - respondeu o fiscal.
- É lambreta".
Wagner Gomes
wagnergomesadvocacia@uol.com.br
wg_ed.wagneradv@hotmail.com
Wagner Gomes
SEste texto de Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Marcus Rangel é de-dicado especialmente ao editor chefe deste jornal, o Jornalista Douglas Lima, fã incondicional daquele cronista, escritor, radialista e compositor brasileiro:
"Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
- É areia!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhi-nha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no ou-tro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhi-nha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco só tem areia! - insistiu a ve-lhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a se-nhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.
- Juro - respondeu o fiscal.
- É lambreta".
Wagner Gomes
wagnergomesadvocacia@uol.com.br
wg_ed.wagneradv@hotmail.com
Wagner Gomes
PROFESSOR RAIMUNDO LOBO ESCREVEU...
Ecologia em gotas - O joio e o trigo
É comum se verem coisas que nascem com uma finalidade e, depois, ampliam-na, desvirtuam e até passam a ter outras, extremamente opostas àquela para que foram criadas ou inventadas. Se não, vejamos: o avião foi inventado para transportar pessoas, livros, jornais, e todo gênero de mercadorias. Depois passou a ser usado como arma de guerra, levando sob suas asas metralhadoras, canhões e foguetes. Por fim, transporta bombas atômicas, químicas e bacteriológicas. Já houve até avião-bomba usado pelos camicases na Segunda Guerra Mundial.
Milhões de carros, mototáxis, ônibus, trens, patróis, tratores, voadeiras, lanchas, barcos, balsas, navios, submarinos, porta-aviões, foguetes, milhões de motores com finalidades diversas poluem os rios, lagos, lagoas, baías, golfos, estreitos, canais, mares e oceanos. Lançam na atmosfera terrestre o dióxido de carbono, poluindo-a, causando o aquecimento global e alterações climáticas. Os agrotóxicos, com exceções, prestam um desserviço à humanidade, causando-lhe graves doenças e milhares de mortes.
O fogo foi descoberto e usado para assar ou cozinhar alimentos e queimar roçados. Depois deu origem à fusão dos metais, o que favoreceu o homem na fabricação de inúmeros artefatos. Mas, inegavelmente, é na guerra que ele teve o seu maior e mais poderoso emprego, ferindo e matando milhões de seres humanos.
O carro de linha vem prestando grandes serviços à população rural. Porém, a par com tudo isso, transporta também os instrumentos de devastação da nossa fauna: o sal, o gelo, a tarrafa, a malhadeira, o tramalho, o arpão, o tapuá, a lanterna, o farol de milha, a dinamite e as armas de fogo pesadas ou de alta precisão. Desses instrumentos de destruição da fauna, destacam-se o gelo, porque conserva os animais abatidos por tempo indeterminado, e o farol de milha tanto na caça quanto na pesca, pelo seu grande raio de ação e o poder de ofuscar a presa.
A cana-de-açúcar, a princípio, foi cultivada para produzir o açúcar, o mel e a rapadura. Contudo, alguém pensou em fabricar a cachaça, uma das maiores desgraças da humanidade, causadora de brigas violentas, problemas familiares, malquerenças entre amigos, colegas e vizinhos. A cachaça e as bebidas de alto teor alcoólico vêm causando ferimentos, aleijões, paralisias e um sem-número de mortes em todo o mundo.
A faca, ferramenta multiuso, talvez tenha sua origem nos estilhaços de sílex, à época dos trogloditas. Depois evoluiu para faca de alumínio, ferro, aço, etc. Só no Brasil, nos feriados de fim de semana, em que as bebidas alcoólicas e as drogas sobem o pódio, são milhares de pessoas vitimadas por faca e terçado.
Os países que mais pregam a paz, a ordem e a segurança são, exatamente, os que mais fomentam as guerras, fabricam e vendem armas.
Raimundo Lobo
É comum se verem coisas que nascem com uma finalidade e, depois, ampliam-na, desvirtuam e até passam a ter outras, extremamente opostas àquela para que foram criadas ou inventadas. Se não, vejamos: o avião foi inventado para transportar pessoas, livros, jornais, e todo gênero de mercadorias. Depois passou a ser usado como arma de guerra, levando sob suas asas metralhadoras, canhões e foguetes. Por fim, transporta bombas atômicas, químicas e bacteriológicas. Já houve até avião-bomba usado pelos camicases na Segunda Guerra Mundial.
Milhões de carros, mototáxis, ônibus, trens, patróis, tratores, voadeiras, lanchas, barcos, balsas, navios, submarinos, porta-aviões, foguetes, milhões de motores com finalidades diversas poluem os rios, lagos, lagoas, baías, golfos, estreitos, canais, mares e oceanos. Lançam na atmosfera terrestre o dióxido de carbono, poluindo-a, causando o aquecimento global e alterações climáticas. Os agrotóxicos, com exceções, prestam um desserviço à humanidade, causando-lhe graves doenças e milhares de mortes.
O fogo foi descoberto e usado para assar ou cozinhar alimentos e queimar roçados. Depois deu origem à fusão dos metais, o que favoreceu o homem na fabricação de inúmeros artefatos. Mas, inegavelmente, é na guerra que ele teve o seu maior e mais poderoso emprego, ferindo e matando milhões de seres humanos.
O carro de linha vem prestando grandes serviços à população rural. Porém, a par com tudo isso, transporta também os instrumentos de devastação da nossa fauna: o sal, o gelo, a tarrafa, a malhadeira, o tramalho, o arpão, o tapuá, a lanterna, o farol de milha, a dinamite e as armas de fogo pesadas ou de alta precisão. Desses instrumentos de destruição da fauna, destacam-se o gelo, porque conserva os animais abatidos por tempo indeterminado, e o farol de milha tanto na caça quanto na pesca, pelo seu grande raio de ação e o poder de ofuscar a presa.
A cana-de-açúcar, a princípio, foi cultivada para produzir o açúcar, o mel e a rapadura. Contudo, alguém pensou em fabricar a cachaça, uma das maiores desgraças da humanidade, causadora de brigas violentas, problemas familiares, malquerenças entre amigos, colegas e vizinhos. A cachaça e as bebidas de alto teor alcoólico vêm causando ferimentos, aleijões, paralisias e um sem-número de mortes em todo o mundo.
A faca, ferramenta multiuso, talvez tenha sua origem nos estilhaços de sílex, à época dos trogloditas. Depois evoluiu para faca de alumínio, ferro, aço, etc. Só no Brasil, nos feriados de fim de semana, em que as bebidas alcoólicas e as drogas sobem o pódio, são milhares de pessoas vitimadas por faca e terçado.
Os países que mais pregam a paz, a ordem e a segurança são, exatamente, os que mais fomentam as guerras, fabricam e vendem armas.
Raimundo Lobo
OTON ALENCAR ESCEVEU
Elementos da Arqueologia Bíblica - II
Com as pesquisas arqueológicas, nos últimos 100 anos, nos é possível agora reconstruir, uma grande parte da geografia antiga. Conhecemos melhor os limites territoriais das nações nos vários períodos da história revelada no Novo Testamento. Já foram escavadas e identificadas muitas cidades, mencionadas na Bíblia, cuja localidade ficara desconhecida por séculos. Ur dos caldeus ( e dos sumerianos), Erech da Babilônia e muitas outras cidades antigas cedem os seus segredos e vem confirmando as narrativas bíblicas. A própria palestina com as suas muitas cidades e as condições sociais e religiosas do povo nos tempos antigos, bem como as tentações que lhe vieram no contato com os vizinhos, é muito melhor conhecida agora. Diz o dr. W.F. Alberight: " A pesquisa arqueológica na Palestina e nos países vizinhos, desde o século XIX, tem transformado completamente o fundo histórico e literário da Bíblia. Ela não aparece mais como um monumento absolutamente isolado do passado, ou como um fenômeno com relação ao seu ambiente. Toma agora o seu lugar no contexto que se torna melhor conhecido com o passar dos anos. Vista a Bíblia contra o fundo oriental, ficam esclarecidas inumeráveis obscuridades, e começamos a compreender o desenvolvimento orgânico da sociedade e cultura hebraica. A peculiaridade, todavia, da Bíblia, como obra prima da literatura e como documento religioso não se diminuiu porque não foi descoberta coisa alguma que tende a perturbar a fé do judeu ou do cristão.
Há naturalmente, limites quanto à possibilidade de reconstruir a história das civilizações antigas. Muitos problemas ficam para serem resolvidos. Não obstantes, porém, as muitas dificuldades que desafiam os eruditos, podem sincronizar melhor a história de Israel com a das nações contemporâneas e entendermos melhor o lugar que Israel ocupava entre os vizinhos.
Há várias ciências que oferecem o seu auxilio na interpretação da Bíblia, e o melhor intérprete utiliza-se do conhecimento de todas elas, como por exemplo, a geografia, a arqueologia a crítica literária, a antropologia e a filosofia.
A arqueologia e a crítica literária se completam na busca das provas de que a Bíblia fala a verdade.
A Arqueologia Bíblica, portanto, não é inimiga da Crítica Literária e vice-versa. O objetivo das duas ciências é comum; a compreensão da origem e da significação da Bíblia. As duas ciências se completam e serve de complemento uma a outra. Precisam cooperar na solução de muitos problemas bíblicos. Surgem, às vezes entre elas mal entendidos e reclamações injustificáveis.
A ciência da critica literária é mais antiga que a arqueologia e assumiu por algum tempo uma atitude um tanto antipática para com sua irmã mais nova. A Arqueologia, por sua parte, confiava às vezes demasiadamente nos resultados de seu método e da sua pesquisa. Ela tinha que lutar e ainda está lutando pelo privilégio de ser ouvida pelos críticos literários, na base de seu mérito.
Sir Charles Marston mostrou, na introdução de seus dois livros importantes, a relevância dos críticos no reconhecimento do valor da arqueologia: "Aqueles que seguem o método da crítica literária no estudo da Bíblia caíram no hábito de representar como muito prevenidas todas as pessoas que apresentam fatos contrários às teorias críticas...". Há dois séculos os homens começaram a usar o conhecimento utilizável na crítica do Antigo Testamento, e as gerações subsequentes seguiram métodos semelhantes. Podemos, portanto, examinar agora os esforços e as conclusões de várias gerações de críticos, conclusões baseadas inteiramente no conhecimento que possuíam.
"Uma ou duas gerações, depois do princípio do trabalho dos críticos, os arqueólogos começaram as escavações nas ruínas dos outeiros das terras bíblicas a fim de aprender algo sobre a história antiga. Assim a Arqueologia apresentou os seus dados e começou a desafiar a evidência oferecida pelas relíquias da civilização bíblica, sobre os seus respectivos períodos da história. Durante os últimos 200 anos foi-nos revelada uma compreensão mais clara do fundo histórico dos livros primitivos do Antigo Testamento. No entanto o progresso está sendo impedido por um resíduo de erudição já anulada - u'a massa de conclusões incipientes dos críticos, baseados originalmente em premissas incorretas que se tornaram obstáculos sérios para o reconhecimento da verdade.
* Professor, Especialista em Educação, bioquímico,
Advogado, Ouvidor Geral e Pastor Evangélico.
E-mail:otonaracy@uol.com.br
otonaracy@uol.com.br
Com as pesquisas arqueológicas, nos últimos 100 anos, nos é possível agora reconstruir, uma grande parte da geografia antiga. Conhecemos melhor os limites territoriais das nações nos vários períodos da história revelada no Novo Testamento. Já foram escavadas e identificadas muitas cidades, mencionadas na Bíblia, cuja localidade ficara desconhecida por séculos. Ur dos caldeus ( e dos sumerianos), Erech da Babilônia e muitas outras cidades antigas cedem os seus segredos e vem confirmando as narrativas bíblicas. A própria palestina com as suas muitas cidades e as condições sociais e religiosas do povo nos tempos antigos, bem como as tentações que lhe vieram no contato com os vizinhos, é muito melhor conhecida agora. Diz o dr. W.F. Alberight: " A pesquisa arqueológica na Palestina e nos países vizinhos, desde o século XIX, tem transformado completamente o fundo histórico e literário da Bíblia. Ela não aparece mais como um monumento absolutamente isolado do passado, ou como um fenômeno com relação ao seu ambiente. Toma agora o seu lugar no contexto que se torna melhor conhecido com o passar dos anos. Vista a Bíblia contra o fundo oriental, ficam esclarecidas inumeráveis obscuridades, e começamos a compreender o desenvolvimento orgânico da sociedade e cultura hebraica. A peculiaridade, todavia, da Bíblia, como obra prima da literatura e como documento religioso não se diminuiu porque não foi descoberta coisa alguma que tende a perturbar a fé do judeu ou do cristão.
Há naturalmente, limites quanto à possibilidade de reconstruir a história das civilizações antigas. Muitos problemas ficam para serem resolvidos. Não obstantes, porém, as muitas dificuldades que desafiam os eruditos, podem sincronizar melhor a história de Israel com a das nações contemporâneas e entendermos melhor o lugar que Israel ocupava entre os vizinhos.
Há várias ciências que oferecem o seu auxilio na interpretação da Bíblia, e o melhor intérprete utiliza-se do conhecimento de todas elas, como por exemplo, a geografia, a arqueologia a crítica literária, a antropologia e a filosofia.
A arqueologia e a crítica literária se completam na busca das provas de que a Bíblia fala a verdade.
A Arqueologia Bíblica, portanto, não é inimiga da Crítica Literária e vice-versa. O objetivo das duas ciências é comum; a compreensão da origem e da significação da Bíblia. As duas ciências se completam e serve de complemento uma a outra. Precisam cooperar na solução de muitos problemas bíblicos. Surgem, às vezes entre elas mal entendidos e reclamações injustificáveis.
A ciência da critica literária é mais antiga que a arqueologia e assumiu por algum tempo uma atitude um tanto antipática para com sua irmã mais nova. A Arqueologia, por sua parte, confiava às vezes demasiadamente nos resultados de seu método e da sua pesquisa. Ela tinha que lutar e ainda está lutando pelo privilégio de ser ouvida pelos críticos literários, na base de seu mérito.
Sir Charles Marston mostrou, na introdução de seus dois livros importantes, a relevância dos críticos no reconhecimento do valor da arqueologia: "Aqueles que seguem o método da crítica literária no estudo da Bíblia caíram no hábito de representar como muito prevenidas todas as pessoas que apresentam fatos contrários às teorias críticas...". Há dois séculos os homens começaram a usar o conhecimento utilizável na crítica do Antigo Testamento, e as gerações subsequentes seguiram métodos semelhantes. Podemos, portanto, examinar agora os esforços e as conclusões de várias gerações de críticos, conclusões baseadas inteiramente no conhecimento que possuíam.
"Uma ou duas gerações, depois do princípio do trabalho dos críticos, os arqueólogos começaram as escavações nas ruínas dos outeiros das terras bíblicas a fim de aprender algo sobre a história antiga. Assim a Arqueologia apresentou os seus dados e começou a desafiar a evidência oferecida pelas relíquias da civilização bíblica, sobre os seus respectivos períodos da história. Durante os últimos 200 anos foi-nos revelada uma compreensão mais clara do fundo histórico dos livros primitivos do Antigo Testamento. No entanto o progresso está sendo impedido por um resíduo de erudição já anulada - u'a massa de conclusões incipientes dos críticos, baseados originalmente em premissas incorretas que se tornaram obstáculos sérios para o reconhecimento da verdade.
* Professor, Especialista em Educação, bioquímico,
Advogado, Ouvidor Geral e Pastor Evangélico.
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