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quarta-feira, janeiro 27, 2016

MONTANHAS DA MINHA INFANCIA


c-bernardo2012@bol.com.br

Sinto que errei deixando passar depressa e atoa os anos da minha infância, não querendo ouvir o que me gritavam as montanhas a um tempo escondidas no embaçado das nuvens rebaixadas, noutro disfarçadas pelo nevoeiro, ou tantas vezes desaparecidas atrás de outras persianas cênicas da minha cidade – chuva e tempo.
Gozado, em criança me imaginava imortal, nunca gastaria os cinquenta ou sessenta anos que teria à frente.
Cícero bem disse antes de Cristo: “Visto que não podemos viver muito, façamos ao menos alguma coisa para demonstrar que vivemos. Há homens que viveram como se não tivessem vivido, e seus filhos também, depois deles...”.
Quanto a mim, mil infâncias viveria sobre as estreitas várzeas de Volta Grande - cheias de pastagens bovinas e equinas e homens pastores - estendendo-se a perder de vista. Belezas da minha infância essas planícies cercadas a leste, oeste, norte e sul pelos pés enormes das montanhas imutáveis, muitas delas erodindo para formar mais planície.
Nunca foram adversarias essas montanhas e essas planícies, que ainda lá estão - quando uma desmorona toneladas de terra em deslizamentos é a outra que se expande.
Tive tempo de fazê-lo e no entanto nunca cavalguei o topo das montanhas milenares, silentes, guardiãs de Volta Grande. Mas, alvissaras, respirei com elas o ar antes que se fizesse vento a correr e rodar e subir as encostas e ir ventar em Recreio, em Estrela Dalva em Além Paraíba... sem nunca voltar. Ainda não era tempo de saber que ventos ventavam ali.
Nunca gostei do vento, ainda não gosto mesmo que sejam do Japão, Austrália, Java, Chile, Buenos Aires, da África, da China, de seca, de inundações, de poeira, de navegação marítima e aérea, ventos cegos, ventos túmidos de tão boas ou pesadas chuvas, ventos de frio, de calafrios - começa com ele os vendavais.
Todavia, infante e livre, brinquei com vento, botando nas alturas as minhas pipas, algumas vezes levadas a assistir a vida nos bairros, nas fazendas, outras vezes simplesmente espiando as pessoas em suas casas.
Vê-se, muita importância tinham os ventos da minha aldeia, mas que importância tinham? Nada sabíamos de polinização, de erosão, de energia  nem quanto lhe cabia nos incêndios dos pastos, nos redemoinhos medonhos que elevava a grandes alturas as cinzas de depois do fogo.
“Óh! Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais...”.
Tive e perdi esse universo mais central do mundo - é o topo nu dessas montanhas que primeiro o Senhor vê quando olha para baixo, não há gelo como no Himalaia escondendo-as dessa inspeção divina.
Vivo de escrever para recuperar lembranças do tempo passado, afinal sou velho e descuidado proprietário da eternidade das montanhas que me permitiram nascer sob seus pés, embora tivesse que viver vigiado pelos seus olhos, eu e a cidade.
Não sei quais deuses estabeleceram tratados sobre essas montanhas da minha infância - Prometeu, Hercules, Pã e quaisquer outros trocariam a Grécia por Volta Grande? Mas há deuses para elas.  
Quando existi com essas montanhas – as da Glória, as da Piedade, as da Pedra Branca, as da Usina, as do Retiro – conheci seguidamente o silencio. Vivi feliz ali, cedo aprendi que o volta-grandense sempre é capaz de pavimentar caminhos com fatos e fantasias. As marcas de tão vasto cordão de montanhas são agora mais do que antes infinitas paisagens da minha alma. É possível que esteja nelas a minha imortalidade – queira Deus que dure para sempre.
Não sei quantos mais sentem igual prazer em viver ou por ter vivido ali, quanto a mim foi essa a síntese da minha vida: calmas travessias, porém, uma travessia para cada calma.




sábado, janeiro 23, 2016

PROFESSORA YEDA DE ARAÚJO PORTO.


c-bernardo2012@bol.com.br

De vez em quando passo mal, momentos em que não tenho sido capaz de evitar pensar que a vida possa estar chegando ao fim. Ontem passei por mais uma noite assim, mas não toda escura.  
Quando assim sempre me vem à cabeça a lembrança dos meus professores – é o desfile da própria vida diante da vida que tenho hoje. Talvez alguns não ressurjam, mas no geral lembro um por um, cada qual com sua época, com as marcas que deixaram em mim.
Graças a Deus eles são uma “infinidade”. Para um só aluno, são infinidade sem aspas: Aparecida Torres – Yolanda Marques – Tereza Rios – Clélia Lamim – Lalá Furtado – Maria José Nazar – Mariinha Maciel – Lilllian - Marisa Guedes – Maria José Abreu -Vania Aguiar – Aparecida Aguiar - Lélia Andrade - Pontes – Ir. Celina – Ir. Ivone – Ir. Antonieta – Ir. Luiza – Ir. Emereciana – Ir. Dirce - Ir. Dilce - Ir. Cornélia – Ir. Teresinha – Nilza Cavalcante – Adriano Peraclio – Moita – Mathias – Ivan – Emetério – Mariano – Deyse – Iracy – Angela – Arthur – Marlene – Duzi - Bruno Carbocci - Ercilio - Roberto L. Bonfin - Rodholfo Caniato – Celso Monerat – Arnaldo Bittencourt – Olymar Bittencourt – outros e outras tantas.
Cada um deles e todos eles foram modulando novas vidas que sabiam que estavam à minha frente, como de fato o foi. Mas, ainda não citada, um desses professores, no caso uma professora, fez marca profunda em minha vida: Yeda de Araújo Porto.
E foi assim: esteve comigo por pouco tempo, apenas ao longo dos quatro anos em que convivemos nas respectivas obrigações do ensino primário no Grupo Escolar “Capitão Goday” – quatro breves e longos anos. Não me lembro de aula ministrada por ela a mim, mas não me lembro de outra Diretora que não fosse ela nesse período.
A Prof. Yeda era uma diretora muito rígida e em momentos, temida. E era uma mulher bonita, alegre, elegante, educada, que, portanto, não devia ser temida. Mas era., e não só por mim.
E foi por fazer-se temida que deixou em mim a melhor marca que a escola conseguiu impingir-me. Não teria eu saído a coisa melhor sem isso, me conhecendo como conheço sei que sem os limites que ela a mim determinou outros caminhos na vida teria tomado – todos com sinuosidades perigosas. Gosto muito da Professora Yeda por causa dos limites que ela me impôs – na marra.
De uns anos para cá ela caiu doente, como eu tem câncer no intestino. Em 2013 foi quando a vi pela última vez, na igreja, em julho quando estive em Volta Grande, nossa cidade, mais uma vez em férias. Ela estava bem, mas percebi que queria colocar distancia entre si e pessoas não assíduas em suas relações de convivência. Mesmo assim nos dissemos de uma conversa mais amiúde em sua casa, o que até hoje não ocorreu.
Varias vezes intentei chegar a ela, por terceiros ao seu redor mandei recados dessa minha intenção. Depois de pouco mais não desisti, mas resolvi que deveria observar com cuidado o seu direito à privacidade - especialmente eu que conheço na alma e no corpo as “exigências” que faz o câncer de intestino. A Professora sofria!
Ela já passou dos 80 anos, não sei como vive, mas desejo que o venha fazendo de forma suportável, sem grandes sacrifícios. Não sei que homenagens lhe chegam, mas me alegraria com ela se viesse a saber que isso não lhe falta. Afinal, ao seu tempo, erro não há em dizer que um povo inteiro foi seu aluno – logo, há um povo inteiro na condição de seu ex aluno.
Como disse, ontem estive mal, outra vez submetido aos rigores da doença, mas com ela em meus pensamentos., aliás, melhores pensamentos. Como a revi ontem virtualmente, gostaria de revê-la pessoalmente. Nada que lhe suceda quanto ao câncer ela pode me esconder, a não ser seus pudores de mulher. Mas, ela sabe e também eu, grandes professores não têm sexo, ou melhor, gênero.
E revê-la não depende apenas de sua autorização, há também entre nós uns cinco mil quilômetros de distancia geográfica a vencer até que nos coloquemos ao alcance de alguma mesma sombra. Mas – viva a modernidade – há também a internet, essa que pode imediatamente levar a ela essas minhas palavras de desejo. Palavras e intenções que ela pode transformar em homenagem ou não. Além da internet existem pessoas que podem convence-la de pelo menos ler o que acabo de escrever. Aliás, eu não, minhas mãos não...meu agradecido coração.    


terça-feira, janeiro 19, 2016

FUI HIPNÓLOGO DO PRESIDENTE


c-bernardo2012@bol.com.br

Quase todos os dias vejo o terço final do Encontro, sou o cozinheiro da casa, enquanto a comida vai se aprontando mantenho um olho nas panelas e outro na Fatima - hoje esteve lá um hipnólogo.
Toda vez que vejo um como aquele a frustração se estampa, muda minhas feições deixando à vista a imagem de um sujeito que quis ser e não conseguiu. Sinceramente, quis ser um hipnólogo, e se o tivesse sido quase tudo no Brasil seria melhor. Acreditem, nem Dilma teríamos.
Assim. Um dia estive por quase uma hora em companhia do Presidente Lula, lá na Fortaleza São José. Ali mesmo o teria hipnotizado com os seguintes comandos: dê um passo atrás e me abrace com intimidade. 
Ao fazê-lo estaria ao meu comando, caso em que lhe ordenaria legalmente: esqueça a Dilma, tire-a de sua mente. Dar-lhe-ia dois tapinhas falsamente gentis nas costas, com isso tirando-o do transe. Pronto!
Em lhe conhecendo a mente e sobre ela o que eu poderia comandar, mais adiante, após o cerimonial que na Fortaleza São José fora cumprir, quem sabe na hora do drinque, daria ao Presidente Lula novos comandos, primeiro estalando os dedos diante dos seus olhos, acima do seu nariz:
-Desmonte o mensalão e o petrolão., esqueça sem tão cedo relembrar os nomes dos operadores desses esquemas.
Só isso. Com o mesmo estalar de dedos devolveria o presidente ao mundo real, dos vivos, dos trabalhadores (sem trocadilho) e tanto ele quanto eu seguiríamos nossos caminhos como se nada tivesse havido.
Quer dizer, quase isso. Eu faria incursões de hipnoses na mente de alguns chefes institucionais aqui na terrinha, tudo em favor do nosso pobre Amapá. Todos eles seriam induzidos a medidas que não os ligassem ao cotidiano policial. Seria minha cota de civismo.
Quanto a mim, hipnólogo agora sim experimentado, passado na casca do alho, teria vida mais fácil. No balcão do banco faria com que endinheirados transferissem à minha conta quantia suficiente. Nas passarelas de beleza plantaria encanto por mim numa e noutra modelo, de sorte que não precisasse suspirar pelos cantos a namorada que deixei de ter.
Mais uma vez decepcionado comigo mesmo ouvi alto e bom som o tal hipnólogo dizer diretamente à Fatima Bernardes, âncora do Encontro: Não é qualquer um que pode ser hipnólogo, exige-se para tanto uma conexão especial de neurônios.
É pena, eu hipnólogo o Brasil inteiro viveria outra realidade....sem Dilma sem mensalão sem petrolão, sem isso sem aquilo aqui mesmo em Macapá. E eu já teria dado a volta ao mundo dos meus sonhos.

quarta-feira, janeiro 13, 2016

TELEFONE E SOLIDÃO

c-bernardo2012@bol.com.br


Lurdes estava só e solitária na sala de quimioterapia quando a encontrei hoje. Já, algumas vezes, havia encontrado aquela sala vazia, mas nunca ocupada e funcional com apenas uma paciente. Ela trata um câncer de mama desde de 2010.
A solidão é própria de cada um de nós, a exceção é saber estar sozinho em meio às multidões que nos cercam - quando solitários estamos no nosso inferno. E quanto a isso, o poderoso telefone celular de hoje, que também já vai sendo próprio de cada um de nós, só participa para agrava-la.
Ocupei a cadeira quimioterápica ao lado dela e nos pusemos a conversar sobre os nossos passos do diagnóstico até aqui. Ela não sofre ou não reclama de sofrimento, recompôs a mama afetada, a esquerda, e se sente bem, se acha e está bonita.
A certa altura, ela quase despachada da jornada de hoje e eu a iniciar, disse-me:
-Foi bom ter chegado para me fazer companhia, já estava para chorar!   
-Mas, chorar por que?
-Ainda a pouco chegou uma mensagem me avisando que meu primo, 34 anos, no Ceará, faleceu. O câncer para ele foi fulminante. Tão novo! Estava tão bonito! Não durou um ano.
Depois, ao receber um telefonema local, respondia dando a entender que não teria mais a carona para retornar à casa, mas daria um jeito, arranjaria os 50 centavos que faltavam para inteirar a passagem do ônibus.   






terça-feira, janeiro 12, 2016

RIO DE JANEIRO: APOSENTADORIA DOS ANIMAIS DE TRAÇÃO.

c-bernardo2012@bol.com.br
A notícia de hoje, 11/01, é a mais interessante do Brasil por pelo menos mais de dois motivos e se refere a cavalos, burros e jumentos – dias atrás disse que de pensar morreu o cavalo, agora poderia dizer que enfim prevaleceu o pensamento do burro.
A notícia interessante é que nesta data a Lei Nº 2727/2014 foi sancionada pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, depois de regulamentada. Proíbe no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, a utilização de burros, cavalos e jumentos em quaisquer situações de transporte de cargas, materiais ou pessoas. Excetua os animais utilizados como instrumentos de carga e transporte em áreas rurais.
A Lei chama de fretamento, que também proibiu, o ato de carregar, transportar, alugar, nestes casos, charretes, carroças e demais tracionados por animais, assim como o transporte de pessoas e materiais como entulhos, lixos, mobiliário, ferragens, quando utilizados para tanto o trabalho de cavalos, burros, jumentos e demais animais considerados de carga. Em fim chegou o “13 de maio” para esses animais.
Como em todas as vezes que me alegro, fui ruminar com a parelha de cavalo e burro que há anos ouço e tanto tempo admiro. Já os encontrei ponderando sobre a “Abolição da Escravatura” para os colegas cariocas e fluminenses:

-Nós burros temos direito a um bom porre hoje, mas são vocês cavalos quem devem pagar a conta.
-É provocação de libertos?
-Absolutamente, é história. Nos idos de 1857 o Bond chegou ao Rio de Janeiro, Sta. Teresa, nós já estávamos lá – burros e cavalos – mas quem fomos nós os escolhidos para puxa-lo. Morro acima morro abaixo, debaixo de pancada. E vocês, cavalo, carregando nas costas um cavaleiro, às vezes dois.
-É, mas no velho oeste americano éramos nós no tiroteio; nunca vi burro lá!
-Voltando ao Rio de Janeiro, com os bondes e os burros, quinze anos depois chegaram os bondes elétricos e com eles a ilusão de que também chegara a aposentadoria. Que nada, fomos para as carroças. Duas ou três vezes mais pancadas, pior e menos comida, com a decrepitude ganhamos as ruas onde morrer abandonados. E vocês, cavalo, estavam nos autódromos, exibidos, galopando e comendo torrão de açúcar.
-É, mas no Nordeste tínhamos que galopar entre espinheiros na vastidão das caatingas.
-Voltando ao estado do Rio de Janeiro, com a cana-de-açúcar e os burros, criaram as carroças duplas, tipo trem de dois vagões. Aumentaram muito a distancia desde o fim dos canaviais até os pátios das usinas, puseram nas mãos dos carroceiros aqueles terríveis chicotes longos, de estalo.
-É, mas no estado do Rio de Janeiro, em Petrópolis e Paquetá entraram em uso as charretes e as carruagens puxadas a cavalo. Triste ver as filas imensas de pessoas esperando embarque, do nascer ao pôr do sol, todos os dias, pior nos fins de semana. 
-Pois é, e mesmo assim, sem a solidariedade de vocês, cavalo, nós, burros, também tivemos que puxar essas charretes e carruagens.
Mas, o mundo não para. Cento e dezesseis anos depois temos a nossa lei abolicionista sancionada no Rio de Janeiro e depois de tanto ainda veio excetuando os animais utilizados como instrumentos de carga e transporte em áreas rurais.    
-É, mas essa lei está mais para burro. Nós, cavalo, temos o destino da bala, da pancadaria, da truculência, não fomos isentos do trabalho nas cavalarias militares no Brasil., o que não se faz cavalgando burros.
-Pois é cavalo, unamo-nos. Do Chuí ao Oiapoque outros vinte e seis governadores precisam nos dar o nosso treze de maio...ó Lucius!
É querer demais, dessem-nos o fim da espora, do chicote e ferraduras de borracha já seria bom. Depois sim, a lei, mas sem exceção.

domingo, janeiro 10, 2016

QUAIS AS NOVIDADES?

c-bernardo2012@bol.com.br
A barbearia Itamarati é das tais em Macapá, lá se fica sabendo sobre tudo o que ocorre na cidade. Quando o Fininho passa por lá até do que ainda vai acontecer se tem notícia.
Sujeitinho engomado, ultimamente parecia desmazelado com a roupa como sempre muito limpa e bem passada, mas bainha da calça de uma das pernas descosturada sobrando sobre o sapato, camisa abotoada uma casa acima fazendo ponta sobre a braguilha, o lenço enfiado no bolso da calça embolado eram indícios de que o Fininho era outro.
Mesmo assim prestavam atenção no que dizia, nele nem tanto. Depois que andou defendendo que o elefante descendia da anta a turma começou a achar que ali estava um finório piadista, muito diferente do até então conceituado leva e traz de notícias da cidade...um cronista.
O descrédito começou com a mania sabe-se se lá de onde veio de cumprimentar perguntando:
-Quais as novidades?
A mania esvaziou a imagem do Fininho mensageiro das notícias raras que a cidade gerava de vez em quando. Por causa disso muitas vezes foi visto dentro do papo animado típico da barbearia, mas de pé. Antes, na chegada, Alcino, dono do estabelecimento, lhe arranjava assento apenas com o olhar – o freguês menos gastador ou recém chegado era quem perdia a cadeira para o Fininho.
Quais as novidades? Ora, competia a ele traze-las, contá-las com a graça e jeito que só ele tinha para explicar a notícia. Mais notoriedade conseguia quando defendia a sua novidade de qualquer ataque de descrença.
Desses detalhezinhos surgia o encantador bate-boca que fazia da barbearia Itamarati quase um ponto turístico da cidade de Macapá.  
Desconfiado dessa queda de prestigio, aí sim, novidade que já atravessara ruas e bairros, Fininho entendeu que era tempo de reconquistar o terreno. Conversar em pé no salão da barbearia – algumas vezes tinha até vendedor de cd pirata sentado – e tanto tempo sem que Alcino lhe reafirmasse em presença da freguesia cabelo e barba por conta da casa, foi um golpe certeiro na sua autoestima de meio malandro meio jornalista popular.
Certo dia, antevéspera de feriado prolongado, meteu uma verba na algibeira e rumou para a barbearia. Sem gestos bruscos, mas absolutamente determinado abriu mais do que de costume as duas folhas de vidro da porta única do estabelecimento, deu bons dias para uns a canto de boca a outros com palavras bem pronunciadas, enquanto se dirigia à última das quatro cadeiras pretas dos barbeiros. A Alcino nem deu tanta confiança assim, como se tivesse contas a acertar com o Chicão, o mais cético dos barbeiros quanto às suas novidades levadas a ali:
-Por favor, barba e cabelo., máquina 4.
Devidamente “imobilizado” pela túnica de oficio, branca e sinceramente bem limpa, quase alvejada, ele nem cruzou as pernas longas e magras como de costume. Quando os espelhos lhe mostraram ouvintes suficientes, soltou a “bomba”:
-Os deputados afastaram o Presidente Moisés, nesse momento estão escolhendo um novo presidente para a Assembleia Legislativa.
A primeira reação veio de Chicão (soube-se, aí sim, porque o tinha escolhido para barba e cabelo à máquina 4):
-Cê é doido é? Moisés tem aquela turma no bolso, rapaz!
Enquanto falava Chicão movimentava com a mão direita a navalha muito perto do nariz do Fininho, com a esquerda mantinha a cabeça dele de frente para o seu espelho não deixando, com isso, que frontalmente saboreasse a novidade que entregava aos amigos.
-E vou dizer mais - disse Fininho já dono do movimento de cabeça que quisesse ou precisasse fazer para se valorizar: não foi hoje porque não dava mais tempo, mas amanhã os desembargadores vão extinguir o mandato dele.
Alcino, cá prá nós, sempre atual com as notícias e muito zeloso dos seus interesses fingiu-se despretensioso e perguntou ao cliente que naquele momento recebia de suas mãos a massagem preceptora do barbeado:
-Você acredita nisso, Excelência?
Ao que respondeu alto e bom som o Dr. Edinho, suplente do Deputado Moisés:
-Deus o ouça! Capricha no corte e na barba, quem sabe?!  

sexta-feira, janeiro 08, 2016

DILMA PEITO DE AÇO

c-bernardo2012@bol.com.br

Pimenta não é refresco nem no olho dos outros, tive uma vizinha da pá virada e nunca passou pela minha cabeça arder-lhe os olhos. Isso há muitos e muitos anos, cerca de meio século atrás.
Dona Dilma, lá da Euclides da Cunha, teve sinas na vida, a de morar nas imediações do Bar Rodapé e a de ter um marido como o Tatão, que não chegou a ser um beberrão apesar de todos os dias parar no Roda antes de seguir para casa.
A primeira sina, a de vizinhança com o bar, era destino; a segunda, mulher de Tatão, era fado. Quanto a me ter como vizinho não sei que sina era.
Lá para trás, perdido nesses anos tantos, vizinho de Dilma e Tatão – ela braba como um fila, estive eu ainda imaginando que a mulher alheia sempre era mais braba que a da gente. Erro fatal, não demorou e a excelência das broncas da Dilma no Tatão atravessaram o muro, minha mulher usava palavras dela para reprovar meus pequenos erros.
Tatão era um absurdo, todos os dias parava no Rodapé, tinha compromissos com a mulherada. Pinguço pinguço não era, pé de valsa sim. Bastavam duas ou três lambadas de run ou gin e lá se perdia nos braços das “bailarinas”. Todo dia era isso, já acostumado com o que ouviria em casa nem se importava com marcas de batom, perfume, marcas de dentes no pescoço. Sujeito civilizado que era só se recolhia depois de todo o falatório de Dilma.
Comigo não era nada disso, naquele tempo apenas às sextas-feiras saia para a esbornia, aliás, todas as sextas-feiras. Normalmente escolhia começar o fim de semana longe de casa, Deus me livre de mulher buscar marido no bar. Dona Dilma era escolada nisso.
Dava-se comigo que sexta, sábado e metade do domingo era apenas sexta-feira. O resto do domingo corria à conta do falatório da esposa – invejosa dos discursos da vizinha.
Em compensação de segunda à tarde noite de sexta feira me divertia vendo e ouvindo o pobre Tatão recebendo no rosto a esculhambação de Dilma. Mas, já disse, eu ruminava!
“Mulher é a obra mais bela de Deus, mas faltou pendurar nelas um saco. Precisavam saber quanto custa passar pela vida carregando entre as pernas esse saco pelanca com essas duas bolinhas dentro” – sem trocadilho, é um saco.

Se a mulher também tivesse saco não haveria separação de casal, só união. Não encheria o saco do marido quando voltasse amanhecido para casa (é o sol que às vezes sai cedo), não repararia em batom (sem querer), arranhões (na quina da mesa), perfume (só de pegar na mão), marcas no pescoço (só por apartar briga). Ao perceber o cheiro de bebida identificaria de imediato se pinga, cerveja ou vinho e na proporção do preço pediria dinheiro para a feira... que nunca faria. Mas, encher o saco alheio, não!
Minha mulher parecia ansiosa para se tornar a própria Dona Dilma – gerentona, peito de aço. Decidi antes me mudar dali da Euclides da Cunha, deixar para trás o Rodapé – quase não tinha amigos lá, botar à necessária distancia a D. Dilma muito braba, quase uma lutadora de MMA, por pouco uma “presidenta”. Vingança é coisa doce, antes de me mudar dali resolvi dar uma dura nela: -A senhora se tivesse saco não encheria tanto o saco do Tatão, nem contaminaria os ouvidos das vizinhas.
Ela ouviu tudo isso quietinha da silva - quem tem peito como eu não precisa de saco.   
       

quinta-feira, janeiro 07, 2016

DE PENSAR MORREU UM CAVALO....

c-bernardo2012@bol.com.br
Hoje vi um cavalo, desses que não se sabe como surgem a beira de uma via movimentada, se metem em meio e na frente dos carros e vão indo. Quem quiser que espere por sua vontade. O de hoje, no momento em que o vi parecia pensar coisas sérias – o movimento de cabeça, de orelhas e rabo assim o indicavam. Logo que deu passagem passei, mas não o tirei da mente: o que pensava aquele cavalo?
Sei lá, mas fez-me pensar: A quanto tempo não vejo um burro? E porque de pensar só morre o burro e também não o cavalo?  
Cavalos e burros de hoje são outra coisa., são urbanos, por exemplo. Não são como bovinos e ovinos a ruminar solitários nos pastos, nos estábulos, nos apriscos. São modernos, exigem aplausos nos jóqueis, preferem a beira de ruas e avenidas onde mirar-se em vidraças ou a calha das vias públicas onde empacar impávidos.
Sempre movimentando os maxilares falando para si mesmo ou mastigando cheiros e sabores das saladas coloridas, dos churrascos, das pizzas, dos hambúrgueres. Tem deles que fazem pose para o facebook!
Vivi na roça, conheci impetuosos burros e cavalos, o burro do Sr. Zé Leite e o cavalo branco do Sr. Alvin deixaram-me marcas na lembrança, o Estrelo do Garrinchinha também. É por isso que estranho burros e cavalos de hoje.
Não dão coices como antigamente, pelo menos não li até agora sobre ninguém levado ao Pronto Socorro com marcas de cascos nas ancas. Relinchar relincham, mas com o comedimento franciscano – sem mostrar os dentes encardidos. Furtar furtam, mas que falta faz um feixe de capim verde brotando sobre a cerca baixa de uma casa ou outra? Matar não matam, foi-se o tempo de ver um animal desses desembestado arrastando o cavaleiro com os pés atados no estribo – raro até no cinema de hoje. Caluniar isso não fazem ou nunca fizeram – nem necessário foi ou é, os homens são fartos nisso. Apanhar apanharam e apanham ainda, mas onde já se viu burro pensar e cavalo “ruminar” sobre asfalto impunemente?
Os tempos são realmente outros, lá atrás teria me lembrado de incluir o jumento nessas elucubrações. Lá atrás não acreditaria que vivesse até o tempo de conhecer Spa para cães, gatos, peixes e até para cavalos. Vivem lotados e não são baratos não.

terça-feira, janeiro 05, 2016

ABAIXO O VEGETARISMO.

c-bernardo2012@bol.com.br

Ando me indignando por qualquer coisa, dessa vez com a Organização Mundial para a Saúde. Numa tacada só a OMS desmoralizou a Fatima Bernardes, e mais uma vez o boi e o porco – coincidentemente vegetarianos. Afirmou que seus derivados industrializados são como o cigarro, causam câncer.
Em menor grau de acusação condenou também a comilança de carne vermelha, mas pode tudo isso ter sido dito a favor do bovino, do suíno, do ovino, do caprino e até das aves: a população pode deixar de come-los via derivados - salsichas, bacon, linguiças, mortadela, salames, hambúrgueres, almondegas, fiambres.

Não sei precisar desde quando o humano gosta e não gosta do boi, do porco, da ovelha e da cabra ao molho com batatas, alho, cebola, sal grosso, ou mugindo, roncando, balindo, berrando.
Aqui e ali a cultura religiosa poupa-se a vaca e a porca parideira também, mas não a leitoa. Fazer o que com a mania mineira de pururucar, enfeitar com maçã na boca, rodelas de cebola branca, azeitonas, às vezes até ovinhos de codorna enfiados em palitos?
Particularmente acho que a OMS - por mais que tenha constrangido a nossa Fátima Bernardes - está mais para o mercado do que para a saúde publica, todavia, é cedo para conclusões.
A população mundial, por enquanto, olha bovinamente para a OMS enquanto se pergunta: os vegetarianos bovino, suíno, ovino, aves produzindo carnes cancerígenas? E se vangloria: confiáveis são mesmo os carnívoros: a serpente, o gato, o cão.
É uma mania mundial.


Macapá, jan 2016.

domingo, janeiro 03, 2016

RETOMADA

Faz tempo que não escrevia nesse blog. A razão, uma só: dificuldade de recuperar a senha de acesso bloqueada por motivos que ainda desconheço.
Porém, hoje, resolveu-se o problema. Desanimado com o infortúnio escrevi pouquíssimos artigos em 2015, mas daqui para diante vou tentar escrever um pouco mais...e claro, para os meus leitores.  

segunda-feira, julho 13, 2015

O ECA cuida das crianças das ‘cracolândias’?


14.7.09




Apesar de rotineiras, as imagens de crianças nas ruas chocam as pessoas, especialmente as que têm filhos. As cenas das “cracolândia” são estarrecedoras, não pode haver pessoa equilibrada que não se veja agredida com a história de vida de crianças cooptadas pelas drogas e traficantes.
A televisão tem fixado em molduras de nossas salas a imagem de crianças iguais às nossas, só que maltratadas terrivelmente pelo vício e, bastante comprometidas com praticas criminosas empurradas que são pela busca insana de conseguir dinheiro para sustentar a dependência química.
O “universo” das cracolândias é muito mais vasto do que o amontoado de pessoas sugando aqueles cachimbinhos macabros, cada uma delas revela a face desgastada da administração pública a partir da permissão tácita para a permanência das “tribos” sempre no mesmo local, por sinal muito sujos, insalubres, indefinidamente abandonados de todos os cuidados básicos que o poder público deveria garantir.
Esse aspecto falimentar administrativo tem se mostrado corrosivo o suficiente para desanimar o aparato policial no combate preventivo e investigativo sobre origens e finalidades desses quadros urbanos pré-fabricados. Desânimo de um lado e do outro, cumplicidade na ponta frágil do tecido policial que mais de perto “vigia” essa realidade.
No caso brasileiro é de se perguntar: em que se fundamenta a inércia do poder público de São Paulo – locomotiva nacional – no ordenamento desses seus espaços urbanos perversos? Qual é mesmo o nome do bairro ou logradouro que já vai sendo substituído por “Cracolândia”?
Poucos dias atrás, a Policia Federal apreendeu considerável volume de craque na cidade de Oiapoque, fronteira internacional Brasil/Guiana Francesa. De tudo por tudo ficou o indicativo de que pode não estar tão distante uma cracolândia no Amapá. Aliás, um dos indicadores da “importância” de uma droga e do “status” de uma quadrilha de traficantes é justamente a multiplicação de comunidades organizadas para consumir e difundir. O custo? O que custar.
Em 2006 circulou na internet uma entrevista atribuída ao Sr. Marcola, chefe de tráfico no Brasil, onde se podia ler: “Você é do PCC? Mais que isso, eu sou o sinal dos tempos”; “Nós vivemos do insolúvel, vocês querem defender a normalidade. Não há mais normalidade alguma”; “Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos”; “Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivada na lama, se diplomando nas cadeias. Como um monstro Alien… Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Não há mais solução, a própria idéia de ’solução’ já é um erro, pois não conhecemos nem o problema”; “Sou culto… leio Dante, na prisão”.
Não é fácil a quem está fora da problemática compreender as inter-relações que repetidamente são “explicadas” pelas autoridades para pavimentar tanta tolerância para com cracolândias enquanto cenários urbanos, admitidos, francamente opostos à idéia de que as crianças, todas, pertencem à humanidade, sendo, portanto, dever do Estado cuidá-las com prioridade. Os 19 anos do ECA, proclamando os menores de idade no Brasil como “sujeitos de direito”, têm fundamentos para contraditar as teses do Sr. Marcola? Quantos anos mais serão necessários para vê-lo cumprido?


sexta-feira, junho 26, 2015

CARTA DE MACAPÁ - 2015


I FÓRUM DE DISCUSSÃO SOBRE A REDE

ESTADUAL DE COMBATE AO CÂNCER

CARTA DE MACAPÁ

 
Nós, participantes do I Fórum de Discussão Sobre a Rede Estadual de Combate ao Câncer, realizado em Macapá – Amapá, nos dias 19 e 20 de maio de 2015, sob a iniciativa do Instituto do Câncer Joel Magalhães (IJOMA), que contou com a participação conjunta do Ministério da Saúde; dos Conselhos Estadual e Municipal de Saúde; do Governo do Estado do Amapá; da Secretaria de Estado da Saúde; da Secretaria de Estado de Mobilização e Inclusão Social; das Prefeituras Municipais, concordamos em:

1.    Reafirmar a importância em implantar a Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas – Eixo Oncologia, como objeto de promoção de saúde pública de interesse prioritário, no âmbito do Estado do Amapá;

2.      Reconhecer a Rede como um conjunto de ações e serviços de saúde, baseado em critérios epidemiológicos e de regionalização, a fim de solucionar os desafios atuais nos quais os quadros relativos aos cânceres são de alta relevância epidemiológica e social;

Reforçar o entendimento de que a implantação da Rede poderá ser facilitada pela compreensão de todos os setores integrantes do processo de saúde pública, e que isso é de interesse de todos os órgãos da administração direta e indireta ligados à saúde, além da sociedade civil organizada, não comportando divisões, segmentos ou outras formas de separação para sua plena implantação;

Considerar que os setores envolvidos na implantação da Rede sejam responsáveis pelas ações de acordo com o nível de gestão tendo como objetivo primordial reduzir a incidência e mortalidade por câncer e as incapacidades causadas por esta doença, bem como, contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos usuários com câncer por meio de ações de promoção, prevenção, detecção precoce, tratamento oportuno e cuidados paliativos. 

Para tanto, propomos ações prioritárias abaixo elencadas visando um plano de trabalho individualizado por setores, pelo qual dispomo-nos a cooperar para a implantação e efetivação da Rede, pautado pelos seguintes princípios:

 1.      Adoção de um modelo de atenção à saúde que:

 ·         Seja centrado no usuário;

·         Considere as necessidades de saúde da população;

·         Tenha a Atenção Básica de Saúde como coordenadora do cuidado;

·         Possibilite a integralidade e a continuidade do cuidado;

·         Garanta o acesso e a qualidade dos serviços;

·         Respeite as condições adequadas de trabalho;

·         Tenha como objetivo o alcance de resultados;

·         Mantenha o planejamento e a organização dos setores.

 2.      Efetivação das atribuições da Rede, quais sejam:

 ·         Predefinição da população e do território com amplo conhecimento de suas necessidades e preferências que venham a determinar a oferta de serviços de saúde;

·         Organização dos fluxos e implementação quando necessários de estabelecimentos de saúde que prestem serviços de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, gestão de casos, reabilitação e cuidados paliativos, além da integração dos programas focalizados na promoção da saúde, riscos e populações específicas, serviços de saúde individuais e coletivos;

·         Fortalecimento de Atenção Básica de Saúde estruturada como primeiro nível de atenção e porta de entrada do sistema, constituída de equipe multidisciplinar que cubra toda a população integrando, coordenando o cuidado e atendendo às suas necessidades de saúde;

·         Prestação de serviços especializados em lugar adequado;

·         Atenção à saúde centrada no indivíduo, na família e na comunidade, respeitando as particularidades culturais e de gênero, assim como a diversidade da população;

·         Criação de um comitê técnico com membros das esferas Municipal, Estadual, Federal e entidades afins, com responsabilidades de mecanismos;

·         Participação social ampla;

·         Gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico;

·         Recursos humanos qualificados e suficientes, comprometidos e com incentivos pelo alcance de metas da Rede;

·         Conclusão e implantação da Central de Regulação, cuja atribuição será a de analisar a demanda e a oferta de tratamento, para posterior distribuição a partir da análise do problema;

·         Sistema de informação integrado que vincule todos os membros da rede, com identificação de dados por sexo, idade, lugar de residência, origem étnica e outras variáveis pertinentes;

·         Financiamento tripartite (União, Estado e Municípios), garantido e suficiente, alinhado com as metas da Rede, elaboradas a partir de ações conjuntas do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde e das Secretarias Municipais de Saúde;

·         Estruturação de centros de atendimento ambulatorial para diagnóstico e tratamento das lesões iniciais;

·         Disponibilização de carretas ambulantes para atendimento preventido, equipadas para a realização de exames clínicos, bem como o deslocamento destas aos municípios do interior do Estado;

·         Criação de serviços de radioterapia no âmbito da UNACON;

·         Ampliação e estruturação dos serviços de quimioterapia no âmbito da UNACON;

·         Gestão baseada em resultado;

·         Educação continuada permanente;

·         Fortalecimento da prevenção e promoção da saúde na Rede de Atenção;

·         Garantir a efetivação e a aplicação da lei dos 60 dias para tratamento do câncer (Lei nº 12732/2012), que assegura aos pacientes o início do tratamento em no máximo 60 dias após o diagnóstico.

 

Macapá/AP, 20 de Maio de 2015.

 

domingo, junho 07, 2015

CANSADOS DE VIVER.

c-bernardo2012@bol.com.br
Quando durmo três horas consecutivas sinto enorme renovação – sou outro quando acordo. Não dormir a noite nesses últimos quatro anos produziu grandes transformações em minha vida: me especializei em programação noturna dos quinze canais de televisão aberta em Macapá, em bisbilhotice no computador nas madrugadas e, ler bastante sobre a busca da humanidade em crescer cada vez mais a longevidade do homem.
 José Sarney, um amigo, volta e meia nos diz: “tenho inveja de quem dorme”. Para ele são décadas garimpando as madrugadas, para mim uns poucos anos, mas já me arvorando a também dizer o mesmo. Porém, o não dormir tem lá suas vantagens: sei que computador demais enjoa; sei que o homem está tristemente enganado nessa corrida para estender a vida indefinidamente, ou até duzentos e cinquenta anos.
Cientificamente tudo isso já é possível, sei lá quanto custa. A Engenharia Genética é o processo, a injeção de células tronco é o método, a transformação delas em ossos, músculos, cartilagens, nervos e sangue é o “milagre” trans. Alimentação, higiene, vacinas, pesquisas medicas, e cada vez mais tecnologia, são fatores,
A possibilidade dessa “imortalidade” está na exclusão – é coisa para meia dúzia de cérebros geniais e de bolsos endinheirados. Ainda bem! O outro lado da moeda – quase oposto – o do rebatimento disso para a humanidade tem complicadores insuportáveis, uns estratégicos outros específicos.
Romper o limite de suporte do planeta terra, que não iria além da carga de dez bilhões de pessoas – não haveria água para tanto, nem potável nem outra para produção – a terra não iria além de 2 bilhões de toneladas de grãos, e para isso a humanidade teria que ser vegetariana por falta de alimentos para o gado. Fosforo e nitrogênio faltariam, sobraria gás carbônico.
Contudo, não é bom duvidar da capacidade inventiva e estratégica do homem. Especificidades da vida humana, no entanto, encerram, ao meu ver, a questão insuperável na amplitude dessa busca.
Dias atrás, numa missa de corpo presente de uma amiga morta pelo câncer, vi e ouvi coisas que me trouxeram o desafio de escrever esse artigo. Parentes, especialmente a filha, depuseram indiretamente pela inviabilidade de se esticar a vida para muito além do suportável. Disse, num trecho, a filha para a mãe em velório: “O sofrimento maior dela nunca foi as dores e os incômodos físicos do câncer. Mamãe não podia mais esconder essas coisas para poupar os filhos, os netos, a família, de sofrer mais do que ela”.
Compreendi bem o que ela estava falando, a extensão da sua fala. E imaginei: quantas vezes morreria a alma de alguém que tendo imortalizado o corpo teria que conviver com o sofrimento físico e a morte dolorosa dos seus amados? E, de outra forma, qual o limite de tempo para conviver suportavelmente com as histórias desse mundo? Também, com duzentos e cinquenta anos que lembranças socorreriam noites insones?

 

terça-feira, maio 19, 2015

CELEBRIDADES: QUEM VALE O QUÊ?


Sou dos que defendem os políticos, não os que se valem dos mandatos e mesmo da política para roubalheiras, negociatas, tráfico de influência, etc. Já houve um tempo em que a carteirada tinha, praticamente, força de lei - mais do que o “sabe com quem está falando”? Ainda que em menor proporção, esse tipo de coisa ainda funciona apesar de mais e maior dificuldade de disfarçar, negar, esconder – o celular vigia e enuncia tudo.
O caso do juiz, no Rio de Janeiro, primeiro carteirando e depois mostrando com quem a Agente de Transito estava falando talvez concorra para o fim desses arbítrios no Brasil: ele, o juiz “deus” não apresentou a habilitação para dirigir carros; ela, a Agente de Transito não cometeu erro algum cobrando a habilitação e afirmando que ele não era deus. Acabou condenada a pagar indenização ao juiz, dessa forma confirmado pelo “sistema” como deus.
Também sou daqueles que entendem que o proceder político não demanda ou se refere apenas àqueles que disputaram e conquistaram um mandato eletivo, e no Brasil o exerce sob execração pública. A composição dos tribunais também é política, embora devesse fundamentar-se mais no notório saber, na ficha limpa, etc. Os comandos militares, dos ministérios, das estatais, das autarquias, também não se estabelecem sem, pelo menos, o acordo político.
Via de regra o julgamento popular desses entes políticos entra na descendente quando a alguns deles se atribui ganhos excessivos, manipulação de poder, malversação de todas as ordens, vantagens indevidas, remunerações várias até legais, mas imorais.
Mas, viva o poeta: “a mão que afaga é a mesma que apedreja”. A crítica popular não refuta ou não condena outros ganhos legais, imorais ou no mínimo escandalosos fora do ambiente público administrativo.
Por exemplo? Artistas em profusão estão aí “trabalhando” algumas horas de alguns dias em troca de milhões de reais por mês. Dão de si e em troca lições de liberdade de expressão (ainda bem), talento e cultura em profusão. Não se discute que entregam a muitos o benefício desse trabalho.
Mas, para mim, é mais imediato para o povo o bom trabalho político.
Não é preciso citar nomes de artistas e desportistas e executivos regiamente remunerados pelos seus serviços (numericamente são muito mais que os bons políticos), mas para o caso do trabalho político produtivo vou citar José Sarney.
Cito-o por sabe-lo muito criticado e até odiado por milhões de brasileiros, muitas vezes à revelia do usufruto de benefícios decorrentes de algum trabalho político que ele realizou para a coletividade, a saber: Quotas para minorias negras. Lei Sarney para cultura (trocaram para Lei Rouanet). Vale-alimentação. Vale-transporte.
 Impenhorabilidade da casa própria (que não pode mais ser tomada por dívida). Dispensa de IPI para aquisição do automóvel do taxista, máquina da costureira, computador de trabalho...  Farmácia básica. Aposentadoria do trabalhador rural. Cota a deficiente. Extensão dos benefícios da previdência ao trabalhador do campo. Décimo terceiro​ salário para o funcionalismo público civil e militar. Correção do salário mínimo acima da inflação. Legalização dos partidos tidos como clandestinos. Anistia aos líderes sindicais. Liberdade sindical. Programa do leite (considerado pela Unesco o melhor combate à fome do mundo). Acesso à energia no interior (atual Luz para Todos). Seguro desemprego. Distribuição gratuita do coquetel que detém a Aids (considerado o melhor programa do mundo contra essa terrível epidemia).
É muito, dirão uns, pouco ou nada dirão outros conforme seus apanhados sobre a vida política, e até particular, de José Sarney. Mas, aí estão fatos!
De trinta anos para cá o Brasil voltou a ser espaço democrático para a livre expressão e manifestação – diz-se e pensa-se o que quer. Talvez não em mesma medida, mas o país vai deixando de ser lugar fértil da dissimulação na política, e fora dela.
Segundo o escritor americano Nathaniel Hawthorne, ninguém pode, por muito tempo, ter um rosto para si mesmo e outro para a multidão sem ao final confundir qual deles é o verdadeiro.
Vivi 38 anos da minha vida filiado a um único partido político, militando pragmaticamente nesse partido e na política. Porém, antes, durante e depois nunca deixei de cuidar do meu quinhão cultural e intelectual que me ajudam a compreender o que podem realizar as celebridades nacionais.  
Todas podem e devem dar mais para o país, na política, nas artes, nos negócios, etc, como fizeram e fazem alguns nos seus misteres.

        

 

segunda-feira, maio 11, 2015

MÃE QUE NÃO GEROU.


10 maio 2015
 
As festas para as mães, no segundo domingo de maio sempre a elas atribuído são bonitas, emocionantes e justas. Outra vez tive pequena participação numa dessas festas, e mais uma vez na igreja.
Tudo simples, desburocratizado, curto também. Maravilhoso ver uma mãe idosa conduzindo vagarosamente, com todo cuidado e carinho a sua mãe muito idosa à mesa da comunhão. Vi essa cena acontecendo na catedral São José, hoje.
Tenho minha mãe em Volta Grande-MG, décadas uma após outras que não estamos juntos num dia como esse, consagrado às mães. Mas temos nos visto uma vez por ano, dificilmente não nos falamos ao telefone pelo menos duas vezes ao mês. Tecnologias de comunicação tem me permitido vê-la, como dias atrás a vi num vídeo em que felicitava seu neto Danilo pela passagem de mais um aniversário aqui em casa.
Está envelhecida a minha mãe, fez diferença tê-la visto em 2014 e agora – fará 88 anos em julho. 
Tive e tenho mães por ai!  Em Volta Grande deixei algumas, a maioria já falecidas. Mas lá ainda está a “minha” mãe Dona Cidinha, já com mais de 90 anos, portanto, mais mãe que do que nunca. Rezei por todas elas hoje; como sempre fiz, agradeci a Deus por elas. 
A propósito dessa “minha” mãe Cidinha, por causa dela existiu outra, que não se casou, que não gerou: D. Estela. Ela e D. Cidinha eram o que só conseguimos explicar como “unha e cutícula”.
Lembro-me, brigavam muito. Mas não o suficiente para um dia sequer de afastamento uma da outra – o instinto materno as uniram por toda a vida.
O Lininho explicava essas brigas: “É assim que elas se entendem”.
Na seguinte medida D. Estela foi uma mãe como outra: Geisa era uma criança, caçula dos três filhos da D. Cidinha, e foi vitima de um trágico acidente automobilístico em que morreu a sua prima Myrian, e deixando a si com o fêmur fraturado.
Não chegávamos à Geisa sem passar pela D. Estela e só entravamos no quarto para ver a paciente depois da sua autorização. Não era excesso de zelo nem autoritarismo nem classificação das visitas, apenas decisões, gestos, olhares, coração de mãe que batia em seu peito.
Assim, desse jeito, D. Estela “adotou” muitos filhos... Deus a tenha também por isso.
Aqui tenho minhas ouras mães, professora Zaide é uma delas, dona Marina outra. Essa “minha” mãe Marina é de todas a mais comovente: vê em mim o filho quarentão que morreu anos atrás.
 O que eu sofro ela sofre, dói nela o que dói em mim, participo dos sonhos ou dos tormentos dela. Aos domingos, após a missa, que costumeiramente assistimos na Catedral São José, ela me abraça, chora, conta o que rezou e o que chorou por mim. Mas, eu sei, é por causa do filho que morreu e do seu coração que não quer deixa-lo morrer.
Já ficou muito para trás, mas lembro ainda com muita nitidez a singeleza de muitas homenagens que prestei às mães, especialmente com versinhos escritos e com algum enfeite que fizemos na escola. Particularmente lembro os que fiz para a minha mãe e para as minhas professoras mães. Até hoje vejo nisso imensa beleza e acho o máximo que as crianças ainda o façam para elas – as mães.       

segunda-feira, maio 04, 2015

DESONRA: CAMINHO DO PODER.

c-bernardo2012@bol.com.br  
O que vai acontecer com o Brasil nos próximos cinco anos alguns sabem, a maioria dos brasileiros nem desconfia pela simples razão de também não se saber se os representantes e interpretes das leis nacionais querem ou não usa-las com rigor para dar um golpe de morte na corrupção igualmente nacional.
Com pequenos esgares de setores do judiciário federal o país ficou informado de que nunca se roubou tanto, se praticou tanto tráfico de influência, se pagou tanta propina, se atreveu tanto, empresários e prepostos do estado.
Nada disso é novo, sabe-se. Mas, inovadores são os meios técnicos, a tecnologia e o transito usados por corruptores e corruptos para transacionar tão facilmente e por longo tempo tantos bilhões de reais da nação.
Essa coisa vem de muito longe, mas há um período pré moderno a ser considerado. O governo Fernando Henrique começou em 1995, seus ministros não lembro mais a não ser um ou dois pelo que disseram como “pista” para que chegássemos aos dias de hoje: Luiz Carlos Mendonça de Barros e Sérgio Mota.
Mota no início deu o tom: “nosso (PSDB) projeto de poder é para 20, 30 anos”. O outro ministro, Mendonça de Barros, na passagem do governo FHC para Lula, manteve o discurso em pauta:  "(O PT) é o partido político cujos objetivos são: primeiro, tomar o poder; segundo, não sair mais do poder”. Em meio a esse requintado bate boca veio o instituto da reeleição – história requentada.
Mais tarde o Sr. José Dirceu apareceu para dizer: "Não aceito dizerem que nós tenhamos projeto para ficar 20 ou 30 anos no poder, nós temos um projeto democrático. Já demos prova de que podemos sair do governo e ir para a oposição com humildade. Prova disso foram as derrotas do PT."
Depois disso chegamos ao Dr. Joaquim Barbosa pautando o Supremo Tribunal Federal para tratar de uma das consequências daquele, digamos, diálogo –Mota-Barros-Dirceu: o mensalão. Tanto fez e tanto foi que viemos a saber de dois seguimentos de um mesmo mensalão – do PT e do PSDB.
Mais dias pós mensalão para lá e para cá na mídia veio a substitui-lo a “surpreendente” notícia de que o Dr. Joaquim Barbosa “optou” pela aposentadoria. O Brasil mais uma vez não se deu por achado pela turma que planejava assalta-lo e foi dormir ao embalo dos Embargos Infringentes.
Mas os malandros pra valer não tinham sono, lá dentro da Petrobrás (por enquanto) e cá fora no, “fórum” de grandes empreiteiras, estava em andamento o petrolão - um monstro imenso cuspindo fogo e sombra no pobre mensalão.
Mas, créditos divinos!, também lá na incógnita Curitiba mantinha-se acordado um Juiz Federal, até então um tal Dr. Sergio Moro. Como quem não quer nada levou para a cadeia um monte de “monstros sagrados” da corrupção nacional, deu conteúdo à mídia nacional, plantou tornozeleiras eletrônicas acima das plantas dos pés da fina flor dos empreiteiros.   
No mês de agosto de 2014 ele, Sergio Moro, deflagrou o combate mais mortífero empreendido até então pela Justiça brasileira ao crime organizado. Entre mortos e feridos ainda não podemos contar ninguém apesar de ano e qualquer coisa depois do combate deflagrado – já cuidam “aposentar” o Juiz Moro, que talvez tenha sido ingênuo em planejar ações curtas e vitoriosas contra a poderosa organização criminosa “sem chefe”.
Aliás, digo isso sem acreditar nisso. Sei que o Dr. Moro sempre teve e tem certeza e consciência de que o bom combate do estado contra seus grandes inimigos, não permite concessões de parte a parte – delação premiada é instrumento da boa lei.
Dr. Moro sabe que aqui fora a população está a seu favor aplaudindo seus questionamentos e trato com seus opositores. É assim porque essa população vê nele a autoridade que age em nome da ampla liberdade de imprensa e de manifestação, que são, no caso da “bomba atômica” que ele está manipulando, valores democráticos que lhe dão segurança e reforçam sua autoridade.
Petrolão é, digamos, privilégio do Brasil. Seus protagonistas, de cabo a rabo, sabem de máximas filosóficas tão importantes quanto os objetivos de cada um nessa história escabrosa: na guerra, qualquer guerra, a primeira vítima é a verdade, a segunda será, sempre, a democracia; e, os caminhos da glória levam apenas ao túmulo.  

 

 

 

domingo, maio 03, 2015

A CRIMINALIZAÇÃO DO MENOR NO BRASIL


 c-bernardo2012@bol.com.br  – 12/03/2007.


Ao que parece o Brasil inteiro está envolvido nessa importante discussão sobre o envolvimento de menores na pratica de crimes, do mais cruel ao mais comum. Ainda bem, mas o assunto é controverso de alto a baixo, desde a manifesta opinião do cidadão comum até o posicionamento público da ministra presidente do Supremo Tribunal Federal, Helen Grace.
A ministra Helen é de opinião de que mexer na idade imputável não resolve nada. O presidente Lula já disse que se baixar hoje idade para dezesseis amanhã teremos trazê-la para os quatorze.
Em aparente contraponto está a opinião pública, pelo que se manifesta através das pesquisas rápidas de opinião que fazem as rádios e televisões. Aí, na maioria das vezes o resultado manifesto é pela redução da idade imputável de 18 para os dezesseis anos.
O que já se discutiu até agora a esse respeito não é muito não é nada, mas pelo menos oportunizou a construção de “teses” importantes sobre a recorrência desse tema-tabu.
Talvez não se possa dizer que o envolvimento de menores em crimes tenha sido a motivação principal e justificativa suficiente para o surgimento do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, mas a recorrência, certamente, pesou bastante a favor.
Sob o ponto de vista da história do Brasil, o ECA tem sido “letra morta” no cipoal de leis que assola o país. Vem daí grande parte do estimulo à (re)discussão sobre a infração juvenil cruenta que ora se estende para todo o Brasil, muito especialmente por causa da referência em que se transformou o caso João Hélio Fernandes, de 6 anos, morto arrastado por um carro em ruas do Rio de Janeiro - menor infrator no meio.
Como se vê, o assunto é mesmo controverso. Se dez pessoas vierem a ler este texto provavelmente estarão entre elas as que são a favor, contra e . . . tanto faz.
No entanto, está na Bíblia um bom encaminhamento para esse assunto, verdadeiramente atordoante. Jesus Cristo – está nos Evangelhos – contou a parábola da figueira para responder indagações que recebeu:
“Um proprietário de vinha tinha em seu campo uma figueira que, ao longo de três anos consecutivos não produziu figos. Mandou que o vinhateiro a cortasse. Esse hesitou e pediu ao proprietário que aguardasse um ano mais, dizendo: vou cuida-la e aduba-la melhor, se isso não ajudar então, corte-a. Nisso foi atendido pelo patrão”.
Aí está o que falta para auxiliar a melhor decisão a ser tomada sobre menores infratores no Brasil: dar a cada um o que as leis determinam, quere-los bem, esperar que a oportunidade oferecida produza mudanças comportamentais no jovem infrator.
Depois disso, especialmente para aqueles que não darão frutos, a sentença: ao fogo a arvore que não dá frutos.