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sexta-feira, maio 25, 2012

AMBIENTALISMO OU DESENVOLVIMENTO?

Ontem falei de hidrelétricas na Amazônia e do ambientalismo exarcebado, hoje posto a matéria abaixo que a meu ver dá bem o tom da mesma exacerbação ambientalista. Somos hoje na Amazônia brasileira mais de 28 milhões de habitantes, importadores habituais de alimentos (quase todos os legumes, grãos, frangos, embutidos, etc), mas quando se fala em plantar não se quer discutir antes se há ou não sistemas de produção que nos sirvam. É não e pronto. Que noticias temos de gente morrendo por causa de plantio de arroz no Brasil? Quem no Brasil pode fazer a grande agricultura sem sequer saber o manejo correto de defensivos? Ninguem pode ser a favor da devastação da Amazônia, mas  em mesma medida não se pode sufocar dessa maneira o crescimeno econômico de um povo. Discutamos...


O impacto do plantio de arroz no Marajó
Assunção Novaes, Alessio Saccardo, Ima Célia Guimarães Vieira e João Meirelles Filho*
A proposta de plantio de 300 mil hectares de arroz no Marajó exige amplo debate público sobre o tema, em vista do grande impacto que esta intervenção enseja. A chegada dos arrozeiros nos campos do Marajó se constitui, provavelmente, na maior tragédia socioambiental desde a expulsão da Igreja Católica da ilha no século XVIII. Quem ama o Marajó está muito preocupado com seu futuro.

 A planta é uma graminea. Outras gramineas são nativas na ilha, inclusive o arroz selvagem.
Vale lembrar que estes arrozeiros foram expulsos da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, por decisão do Superior Tribunal Federal – STF, por plantarem ilegalmente em terras indígenas (terras públicas federais).
É urgente a realização de audiências publicas nos municípios impactados, a se iniciar por Cachoeira do Arari e Salvaterra, bem como audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Pará.  Entre as principais temáticas a tratar estão:

Questões sociais e culturais;
- Saúde humana – o uso de agrotóxicos em larga escala, especialmente aqueles lançados por aviões que passam sobre o núcleo urbano de Cachoeira do Arari, constitui-se em forte ameaça, especialmente aos mais frágeis – crianças e idosos;
- Agravamento de risco de doenças – a presença de grandes áreas inundadas, inclusive em períodos de seca, no entorno do núcleo urbano de Cachoeira do Arari, poderá resultar em aumento substancial de insetos transmissores de doenças tropicais (dengue e malária, principalmente), o que precisa ser monitorado;
- Exclusão da participação local – A comunidade local está totalmente excluída. Os moradores da sede de Cachoeira do Arari e entorno das fazendas de arrozeiros são afetados diretamente pelos empreendimentos e ninguém os ouviu!
- Acesso viário – uma comunidade como a de Cuieira ficou rodeada, até sem a passagem para ir ao núcleo urbano. A se aumentar a área de plantio este fato se sucederá para outras comunidades;
 
- Comunidades Quilombolas – qualquer empreendimento de grande porte precisa ouvir as comunidades quilombolas do entorno, como a de Gurupá, em Cachoeira do Arari;
- Patrimônio imaterial – reiteradas denúncias alertam para mudanças substantivas nas tradições locais, como o impedimento de tradições que passavam pelas fazendas hoje em posse de arrozeiros, especialmente da festividade do Glorioso São Sebastião. Empreendimentos de grande porte exigem inventário do patrimônio imaterial;
- Patrimônio arqueológico – por lei, qualquer intervenção de grande porte precisa ser precedida de estudo sobre a existência de patrimônio arqueológico. Ora, sabe-se muito bem, que esta região do Marajó é considerada como uma das que possui maior patrimônio de artefatos de cerâmica do Brasil.

Questões ambientais
- Espécies ameaçadas – inexistem estudos sobre o impacto do empreendimento sobre espécies de plantas e animais consideradas ameaçadas pela legislação estadual e federal. Preocupa, por exemplo, a existência de uma espécie endêmica de arroz silvestre, que poderá ser ameaçada pela expansão do plantio de arroz industrial;
- Inexistência de EIA-RIMA – intervenção de tamanha magnitude deveria contemplar Estudo de Impacto Ambiental & Relatório de Impacto Ambiental, inclusive com audiências públicas e exaustivos estudos socioambientais. Nada disto foi feito!
- Licenças ambientais insuficientes – a licença ambiental concedida pela Secretaria de Meio Ambiente de Estado em setembro de 2010, tratou apenas de um canal e não do empreendimento como um todo. Além disto, definia o monitoramento e a apresentação de relatórios sobre a qualidade da água, o que não foi realizado;
- Modificação da paisagem – ainda que o búfalo e o boi causem enorme impacto, a dimensão da intervenção do plantio de arroz altera, completamente, a paisagem, desviando rios, encharcando vastas, promovendo o desmatamento, com a comprovada derrubada de árvores frutíferas entre outros;
- Acesso à água – ao criar canais artificiais, bombear água do leito de rios em vultosos volumes (que não são medidos) e desviar cursos d’água, a dinâmica natural dos campos do Marajó se modifica, e o próprio acesso a água também. E isto não é devidamente avaliado e monitorado, por meio de testes físico-químicos, como a própria licença concedida pela SEMA exige;
- Poluição da água – a presença de agrotóxicos, o aumento do risco de vazamento de combustíveis e mesmo a modificação da quantidade de oxigênio e de matéria orgânica, da mesma maneira, exige monitoramento e avaliação, uma vez que pode afetar a água que pessoas e animais bebem, e apresentar impacto relacionado à segurança alimentar, principalmente para a pesca de subsistência.
- APA do Marajó – ainda que sem seu plano de manejo, a Área de Proteção Ambiental do Marajó, como determina o SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação, exige o licenciamento dos empreendimentos de grande porte;

Questão fundiária
- Cidade sitiada – o núcleo urbano de Cachoeira de Arari está cercado, o que impede a sua expansão natural. Cachoeira já estava encurralada, e hoje, praticamente, é uma cidade entre uma fazenda e o rio, é como o homem com as algemas, não pode se mexer.
- Terras públicas x privadas – numa região do Marajó em que a titularidade das terras não está definida, por se tratar de áreas inundáveis, é preciso primeiro definir a propriedade das terras, bem como realizar o zoneamento econômico-ecológico para determinar que áreas podem ser utilizadas e sob que condições.
 É uma das plantas de maior distribuição no planeta.
Questões econômicas
- Geração de emprego e migração – o plantio de arroz gera poucos empregos. Atualmente, a maioria é ocupada por migrantes trazidos pelos empreendedores de fora. Com a expansão da rizicultura haverá forte migração para a região, como ocorre em outros grandes empreendimentos na Amazônia. De que maneira isto agravará a exclusão do marajoara do emprego formal oferecido?
- Distribuição de renda – o modelo de negócio apresentado pelos arrozeiros pouco contribui ao processo de inclusão dos mais pobres da região, ou seja, a maioria dos marajoaras;
- Impacto na infraestrutura viária – as precárias estradas entre Cachoeira do Arari e os portos em uso recebem um tráfego crescente de caminhões articulados de grande porte, afetando a qualidade das estradas, especialmente de suas pontes e passagens, bem como o uso das balsas e prejudicando ainda mais a população, que dispõe de um acesso precário;
- Geração de impostos locais – o produto sai in natura, para ser processado em outras localidades, o que significa baixa capacidade de geração de tributos para a localidade. Além disto, se os ônus relacionados aos arrozeiros estão claros, os benefícios tributários para a receita municipal não o estão;
- Promoção dos produtos locais – diferentemente de outros empreendimentos, os arrozeiros pouco adquirem ou gastam no mercado local, impossibilitando que a economia local se beneficie de sua presença;
O que nos preocupa, mais que tudo, é que os Maroajaras não estão sendo ouvidos, não participam das decisões sobre sua própria vida e território. Mais uma vez, são os outros que decidem sobre a vida do Marajoara. Até agora o que se vê são empreendedores de fora, a cercar tudo, numa postura arrogante, crendo que o dinheiro tudo compra, como se o Marajó fosse terra sem lei ou rei. Pior, não se preocupam em informar a população sobre o que se propõem a realizar, que benefícios acreditam serem capazes de propiciar. Simplesmente, estão desfrutando de um território favorável, desprotegido, e tirando todo o benefício sem que a população dele participe.
                                                         O arros é praticamente um alimento universal
          O Arroz do planeta inteiro não vale a saúde de uma pessoa.É neste sentido que reiteramos a urgência de promover debates públicos em Cachoeira do Arari e nos municípios vizinhos, bem como realizar uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Pará, para discutir o impacto do plantio de arroz na vida dos Marajoaras.
* Alessio Saccardo, SJ, Bispo da Prelazia de Ponta de Pedras Assunção Novaes (Cacau), coordenador do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Marajó – CODETEM. Ima Célia Guimarães Vieira, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi. João Meirelles Filho, Diretor, Instituto Peabiru, Programa Viva Marajó. Assunção Novaes (Cacau), coordenador do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Marajó – CODETEM.
(O Autor)

quinta-feira, maio 24, 2012

DESENVOLVIMENTO OU AMBIENTALISMO


Aqui no Amapá está em andamento a construção de duas hidrelétricas importantes. Ambas serão interligadas ao sistema nacional de geração e distribuição de energia, potencializando o Amapá para a estabilidade da produção industrial e como exportador do excedente de energia.
 Esta é a ponte Tancredo Neves, sobre o Rio Araguari, no Municipio de Ferreira Gomes. 
Num ponto à direita da foto está instalado o canteiro de obras da empresa construtora.

Abaixo mostramos o cenário da construção de uma hidrelétrica no estado de Minas Gerais. Percebe-se também aqui a existência de mais um Brasil. É facilitada pela própria natureza o aproveitamento do rio para a geração de energia, pó apresentar o curso encaixado. Adiante se verá, sob esse ponto de vista, a enorme diferença de cenário quando o projeto é amazônico.  
(Sudeste)- Repare na possibilidade de condensamento de água que a 
topografia  naturalmente oferece. Tome como base a altura do 
barramento transversal no primeiro plano da foto. 




Nessa fotografia fica destacado o cenário natural onde se instalará um projeto de geração de energia elétrica na Amazônia. Predomina a planície amazônica onde os grandes rios correm rasos, sujeitos à movimentação de marés duas vezes ao dia. Comparando as fotografias é fácil perceber que uma barragem em rio correndo espraiado em planície, mais e maior cuidado ambiental tem que ser tomado. Mas não se pode impedir que o homem amazônida tenha acesso aos benefícios da energia hidrelétrica apenas porque se está na Amazônia.
 (AMAZônia)-Já nesse caso o que se adivinha é que um barramento
 nesse rio o fará criar um lago grande demais, expandido
 demais até alcançar a altura mínima de barragem. 


Esse é um cenário de planície amazônica, indicando cotas altimétricas 
que não vão além de sete metros. Por isso é tão discutível a instalação
 de hidrelétricas na Amazônia. Por isso e pela desinformação sobre sobre. 


Essa hidrelétrica em construção aqui na Amazônia é esclarecedora. 
Mesmo na planície a floresta se apresenta densa e muito 
integrada ao “planeta” água que a circunda e alimenta.


Esta é a cachoeira de Santo Antonio do Jari, no Amapá/Pará. É realmente bela, o que deu causa a uma discussão que durou mais de 10 anos sobre a instalação ou não da hidrelétrica Santo Antonio. O maior projeto florestal/celulose do mundo precisa de energia  elétrica abundante, mas não só ele. As populações residentes também, ou principalmente. A hidrelétrica está em construção sob a modalidade fio d’água: não mexerá com a cachoeira. Levaram mais de 10 anos para chegarem a essa singela e quase óbvia conclusão. E ainda tem “ambientalista” futricando.

terça-feira, maio 22, 2012

FATOS DA MINHA VIDA


Não devo deixar de considerar o dia de hoje: 22 de maio 2012, faz exatamente um ano que fui a São Paulo em busca da chance de sobrevivência ao câncer. Contudo, foi aquela mais uma chance que Deus me concedia. Outras vezes fui poupado – a primeira ainda quando bastante jovem em minha cidade natal, mas sem registro fotográfico.
 Lembro bem as palavras desse meu médico, Dr. Sobrado Jr: César vou lhe operar amanhã.
Hoje liguei, mas ele está nos Estados Unidos. Nos veremos em junho. 
 Um dia fui fazer registro fotográfico aéreo para o Projeto Cachoeira Grande (Amapá), trabalho técnico que eu coordenava. Chuva e vento fortes forçaram o pouso do avião. Em terra quase faltou chão para terminarmos o “pouso”.
 Repare que a estradinha que nos serviu de pista acabou já quase sobre o rio. 
Pior foi decolar aproveitando o único trecho reto da estradinha. 
O piloto era, providencialmente, muito bom.  
 Dias depois rumávamos para o extremo sul do estado, viajávamos em dois carros.  Em casos assim nunca nos distanciávamos mais que cem metros um do outro. Mão de Deus em nossas vidas. Atingimos o topo da montanha quando vimos o carro da frente derrapar e tombar. Colegas de trabalho o tripulavam... ninguém se feriu gravemente. Na foto abaixo dá para ver o corte no topo do morro e a partir daí imaginar que o acidente poderia ter sido fatal.
 Dois dos que aparecem atras do carro viajavam nele: ótimas pessoas, excelentes pesquisadores.
 Desse ângulo se pode contextualizar melhor as circunstancias em que se deu o acidente. Abraçar os amigos que estavam no carro acidentado foi uma grande experiência na vida. O detalhe: vínhamos logo atrás e víamos o carro se encaminhando desgovernado para o abismo. Quatro pessoas dentro.

 Esse carro é uma Land Rover, recem adquirida. Não apovou nessas nossas estradas
Madeireiros vieram a nos socorrer. Acostumados com o trabalho braçal extremo desceram ao fundo do vale e de lá resgataram os tambores de combustível, pneus e bagagens. Desviraram o carro no muque*.
De onde de fiz essa afotografia, mas o fundo do vale estava mais lá em baixo. 
Três de nós dessa equipe de trabalho, anos antes fomos náufragos no Oceano Atlântico, bem para lá da desembocadura do Canal do Inferno. 

Por que nos arriscávamos tanto? Sabíamos que nosso trabalho geraria conhecimentos para mudar realidades duras como a sugerida por essa "casa".
 Fui até onde deu: 22 de maio de 2011. Valeu!

*- Anos e anos que não pronunciava essa palavra.
    

segunda-feira, maio 21, 2012

XUXA


SOFRIMENTO DA RAINHA
Da comunicação rapidíssima que hoje se dá entre as pessoas em todo o mundo, deriva um turbilhão de outras coisas boas e ruins. O Papa Bento XVI acaba de dizer: “o silêncio e a palavra são dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si, para obter-se um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas”.
Sobre o turbilhão de coisas derivadas da forma de se comunicar, Sarney destacou em artigo para jornais a sua convicção sobre o apressamento do tempo: “Estou, ultimamente, certo de que um fenômeno está surgindo no mundo atual: a compressão do tempo. Ele está cada vez mais chato e achatado. Parece que a cada dia fica mais curto”. Teria dito: “a velocidade da comunicação comprimi o tempo de tal maneira que não temos tempo para refletir; o pensamento é atropelado pela corrente de informações e tem dificuldade em se tornar a origem do ato de criar”.
Preso a essa temática ontem não pude deixar de meditar no que ouvia a Xuxa dizer sobre si. No geral interpretei a “surpresa” da artista com o quanto de tempo ela já consumiu com a vida, aparentemente não aquela que podia e queria ter.
Parte das declarações dadas por ela dá a conhecer uma vida que pode se explicar pelo silencio e com palavra a escassez de diálogo autêntico e quase nenhuma união profunda entre Xuxa e pessoas. Recortes de vida que agora se mostram duros e marcantes em sua vida.    
Quanto a nós todos ou maioria de nós, “súditos” ou não, pensávamos que Xuxa vivia vida de rainha. Mas suas declarações deixaram a impressão de que ainda vive o “inferno de Xuxa”.
Ter a mais tempo falado sobre seus tormentos a teria aliviado e libertado para novas relações. Confiar nas pessoas mortais como o fez só agora num meio de comunicação teria produzido uma Xuxa mais profundamente unida ao seu povo. Ela é uma grande artista., como negar?
Falta fechar a conta: comunicação, tempo, Xuxa. Antes, quando lhe tiraram a graça de ser criança não era o tempo da comunicação rápida e fácil como a de hoje. Se denúncia publica tivesse havido a demora e o canal de comunicação teriam sufocado ainda mais a criança Xuxa: não a acreditariam se ferimento físico não houvesse.
O problema é que Xuxa deixou passar tempo demais para fazer o que fez ontem. E não é desse silencio que fala o papa.
Internet é “faca de dois gumes”, o que pode, então, cair nas velocíssimas redes sociais atuais e futuras: silencio ou palavras de Xuxa? Ela deve se prevenir quanto a isso segundo o rebatimento das seguintes palavras de Sarney, em seu artigo de ontem: “a velocidade da comunicação comprimi o tempo de tal maneira que não temos tempo para refletir; o pensamento é atropelado pela corrente de informações e tem dificuldade em se tornar a origem do ato de criar”.
Vimos ontem, dia da comunicação, uma sofrida Xuxa vitima do silencio, mas compreendida pelo Brasil. Portanto, passado o impacto de suas espontâneas declarações conheceremos, em fim, a verdadeira Xuxa.      
      



domingo, maio 20, 2012

VIVA O PEDRO

O rapaz acordo do coma, isso é muito impotante e esperado... todos mereciam essa chance que Deus e ele nos dessem. Vida boa e longa para esse rapaz.
 Pedro está internado em São Paulo / Divulgação/Site Oficial
Mas o registro que faço está nas palavras que lhe vieram à boca para se anuniar acordado do longo coma:  ÔI MÃE!
Valeu. Não posso deixar de lembrar minha mãe se materializando ao meu lado no hospital.
Ôi mãe... a extensão dessas palavras quase encerram os segredo da vida.

PARTIDAS DOBRADAS


São palavras de Jesus, das quais tenho me socorrido para suportar sem dor exagerada essas ausencias à mesa da minha casa, e na caminhada diária: "...Eu, vosso Mestre e Senhor, busco gora as minhas ovelhas. Reunirei aquelas que são minhas, e que já foram marcadas por mim. Eu as reunirei no meu aprisco, e sob a direção do meu cajado elas caminharão. Ao terem sede, dar-lhes-ei água cristalina; ao se cansarem, carregá-las-ei no colo; ao aproximar-se a noite eu as reunirei no refugio já preparado pelas mãos delicadas de quem vos ama, e vigiarei por elas, noite e dia... 
 Essa fotografia mostra, reunidos, tres grandes amigos novamente reunidos na casa do Pai: 
ao fundo, lado a lado da direita para a esquerda: Dr. Leonai Garcia e o Jornalista Bonfim Salgado. 
De plano, à esquerda, com as maos sobre as pernas o Dep. Dalto Martins.

Faz hoje 30 dias de falecimento do nosso amigo Dr. Dalto Martins. Haverá Missa às 19 horas, na Igreja Jesus de Nazaré. Certamente também haverá cultos nas igrejas evangélicas e noutras de diferentes confissões. Peçamos todos por ele. Minha oração por ele será a resposta que ontem publiquei a mais uma ofensa não cristã que me enviaram, apenas pela marca de amizade que sempre houve entre mim e ele:   
"Bom dia Max, como vai? Companheiro parto do principio de que voce sabe do que está falando. É bom que saiba, porque seu testemunho pode vir a ser muito util para a história e, quem sabe para as investigações policiais que estão em curso. Eu sabia de coisas boas realizadas pelo Dalto deputado, médico, empresário, pai, irmão e amigo. Na semana passada conheci o desespero de mai de 200 famílias que deixaram de ter um ganho para o sustento básico, porque o Dalto deixou de existir intempestivamente. Conheço o caso de muitos jovens que vão deixar a faculdade pela mesma razão - e desses o Amapá necessita muito. Também conheço a maioria dos muitos bons projetos parlamentares que ele fez, assim como conheço muitos defeitos que ele tinha.
Parto, portanto, do principio de que voce conheça bastante deste outro lado, deplorável, que atribui a ele, chegando a "comemorar" sua morte. Não o censuro se faz isso com conhecimento de causa. De minha parte sempre vou querer estar muito próximo da memória dele, até porque entre nós nunca houve sequer conversa sobre dinheiro, maracutaias, espertezas, enganações, etc. Isso não ouve porque zelo rigorosamente pela conduta presente e futura dos meus filhos (tres) e netos (quatro), os quais nunca terão direito de se apossaremde coisas alheias, publics ou privadas. E devo minha vida também ao médico Dr. Dalo Martins: em hora muito dificil ele me socorreu com amizade e medicina - dinheiro não.
Max, só lhe dei essa resposta/comentário porque foi o primeiro a assinar tal opinião entre esses que não se entristecem com a morte do Dep. Dalto  que a mim endereçaram mensagens.
Tudo de bom companheiro.
"
Porém, na vida sempre tem o outro lado. Parte do que festejamos quando a fotografia acima foi feita, também estava entre nós o Bira: simplesmente o maior goleador que até agora tiveram o Remo, no Pará; o Internacional, no Rio Grande do Sul; o América, na cidade do México.  
Pois bem, hoje dia 20 é seu feliz aniversário. Passemos, os que puderem lá na Calçada da Fama (Diógenes Silva/Lopoldo Machado) para abraçá-lo. Não pode ir? Ligue: 96-8112-6718. Ele merece muito. 
Aí está outro dos grandes amigos que tenho: Bira. 
Nessa foto aparece ladeado pela esposa e eu. 
FELIZ ANIVERSÁRIO 
   

sábado, maio 19, 2012

AMAZÔNIA:

CENÁRIOS AMAPAENSES

As imagens de satélite nos indicaram o rumo norte. Para textualizar a primeira aproximação de zoneamento tinhamos que fazer as devidas verifcações de campo. Imposição metodológica.
Pontos de calor e sombras verificados pelo satélite sugeriam queimadas e elevações geomorfológicas importantes. Então, pé na estrada:
 

 Uma paradinha para esticar as pernas: são meus colegas de trabalho. Fotografo-os.
 
Os projetos pecuários sempre presentes em nossas verificações às vezes nos surpreendiam sob o ponto de vista da ocupação das fazendas. Comum encontrarmos grandes áreas de pastagens relativizadas por pequenos rebanhos.
 O gado "branco" nelore se mostrou o mais indicado para a pecuária 
de corte, desde que não haja água demais no solo a amolecer o casco. 
O animal não é o problema, o método de criação sim.

Às vezes pela destruição de cenários que antes deveriam ter sido entregues à avaliação técnica, visto que a ocorrencia de vestigios arqueológicos é de larga repetição em quase todo território de terra firme no estado.
O que se vê espalhado nessa área em preparação para expansão de pastagem
 é um flagrante do que sobrou  do que poderia ser um significativo sitio arqueológico. 
Cerca de 200 quilometros adiante estão grandes aldeamentos indigenas do Oiapoque.   

Como se sabe, não se faz omelete sem quebrar ovos. O estabelecimento dos projetos agrícolas e pecuários é parte da necessária colonização do território, obedecendo ritos culturais e estratégias de governo. A cultura da mandioca e a expansão de rebanhos bovinos na terra firme deixam as areas baixas, comumente alagadas, para as culturas de ciclos mais curtos e para os bufalos. Mas o preparo de áreas é a fogo e a solidão, abandono do pequeno produtor.
 
Apesar da conivencia  com agricultores florestais, como os dessa familia aí residente, 
nunca fui capaz de imaginar o que a familia conversa quando as noites caem sobre tão pesado isolamento.  

Apesar da preciosa ajuda que dá a imagm de satélite, comum é encontrar o fim da estrada. Porém nem sempre lamentável, como nos revelou a etapa de campo rgistrada nessa fotografia.

No fim dessa estrada também já está a capoeira: o machado chegou primeiro.

Alcançamos um ponto de onde pudemos observar, ainda bem longe, duas raridades na paisagem amapaense: "pães de açúcar".

As cotas de altitude  no estado em média se situam ao redor de 600 metros. 
Função da distancia em que nos situamos quano avistamos essas duas montanhas, 
calculamos que estão na média ou acima dela. 
Ainda não conseguimos "conquistá-las": permanecem sem nomes e sem a devida investigação.