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sexta-feira, junho 24, 2016

GENTE MEDONHA

Depois da Lava jato o Brasil é outro – os brasileiros ainda são os mesmos, mas logo não o serão. O noticiário tem sido a mesmice: indiciados, conduzidos coercitivamente, interrogados, delatores, delatados, condenados, amarrados com tornozeleiras eletrônicas.
Fora da Lava Jato, tudo na mesma: roubalheira sem fim, os de sempre roubando o mesmo Brasil.
Dado ao noticiário de todos os dias, todos os dias penso no que diria o meu amigo Bonfim Salgado se ainda estivesse aqui na terra perdendo tempo em conversas comigo – agora fala-me do alto.
Tagarelamos muito sobre essa opção nacional pela corrupção, vezes iguais nos perguntamos que diabos habitavam os corredores dos tribunais de justiça, e com que força atuavam sobre seus juízes impedindo que se decidissem a por fim na roubalheira nacional e grilhões nos tornozelos dos ladrões que estavam submetendo a nação. A isso Bonfim respondia: “é uma gente medonha”.
Bonfim foi para mim como o são os verdadeiros bons amigos, quando ele morreu senti perto o dia em que também eu iria desse mundo. Não diria que morreu, mas diminuiu muito com a ausência dele o estilo do escrever jornalístico aqui na pagina Amapá. Era laborioso na arte de pintar jornais com as letras, tanto que dava a impressão de que todos podíamos fazer igual. Ilusão, impossibilidade, ele sabia naturalmente escrever “difícil” com extrema simplicidade, mas com isso não inibia, ao contrário estimulava seus leitores.
Nos tempos dos nossos drinques, quase diários, que também eram tempos dos seus grandes escritos, pensava eu lá do alto da minha mesquinharia: se não fosse eu próprio gostaria de ser o Bonfim com a caneta nas mãos, na base dessa notória mesquinharia diria a mim mesmo: você não pode querer ser um João Ubaldo, um Cony, um Jânio, um Élio Gaspari.
Parecendo adivinhar esses meus querer ser, muitas vezes ao telefone, na mesa de bar, nas redações, aqui em casa o Bonfim dizia-me a saudação costumeira: “não entendo, porque você tendo tudo do amapaense seja mineiro”. Assim fomos de monólogos e diálogos até que sem mais nem menos chagou a morte para ele, se bem que o sei que teve nisto um pouco da sua mania de não voltar atrás de decisões tomadas.
Ele no reino dos justos e nós aqui na nação do “petrolão”, do Machado e do Cerveró e do Barusco e do Youssef e do Vacari e do Delcidio e deles e não mais nossa, segue a vida segundo a Vara do Juiz Federal Dr. Sergio Moro. Vida que segue muito pouco segundo a parábola do mestre - a Cesar o que é de Cesar.
Claro está que a moeda que tanto roubaram é o Real, porém, na equivalência do Dólar, ou seja, três por um, quatro por um. Nem um níquel da quadrilha fora encontrado nos bancos do Brasil, tudo lá fora, em dólares - embora pareça que o STF não acredita nisso.
Debocham, delatam, pintam e bordam, devolvem o que eles próprios declaram que roubaram, se explicam como refinados assaltantes, e ao fim e ao cabo são condenados a viver reclusos por dois ou três anos em suas mansões (construídas com parte do botim) vigiados por uma tornezeleira cara, paga pelo contribuinte.
Até ouço o Bonfim esclarecendo essa fase da vida nacional: “fosse na China pagariam a bala que os fuzilariam, aqui nem a tornezeleira, é uma gente medonha”.             




domingo, junho 12, 2016

FICA COMO ESTÁ.

Azevedo Costa usa o face book me perguntando: “até onde poderemos suportar esta situação neste País ?”.
Conheci o Azevedo líder da oposição, chefe politico do MDB, primeiro Prefeito eleito de Macapá. A vida nos permitiu seguir convivendo à miúde (Manuel Bandeira dizia que as palavras mais feias da língua portuguesa são miúde, quiçá e alhures) e por isso sei que não precisa da minha opinião, mas é gentil.
O caro amigo está envergonhado da vida politica nacional, mas o Brasil é nosso, pensam que tem jeito - acho que não tem, ou por muito tempo ainda não terá. Porém, o mundo aniversaria a cada milhão de anos – logo, tempo para melhorar tem.
Amanhã, 13, começa nova semana politica, não sendo feriado nem se falará em Santo Antônio. O assunto no Brasil será ainda mais o arranjo que se quer dar para termos, ainda em outubro, nova eleição presidencial. É balela, mas é o assunto.
Mesmo que todos os deputados, senadores e o presidente da Republica atual renunciassem aos seus mandatos de pouco ou nada adiantaria fazer novas eleições. A maioria deles voltaria eleita e dessa vez com certificado de honestidade, e aí sim teríamos uma república podre com incontestável atestado de sanidade.
O que sustenta essa discussão de outra eleição é primeiro a desenfreada corrupção que tomou conta do país e depois, quem sabe, a busca de solução para a crise politica mãe da assombrosa crise econômica.
 Estamos a dias do centenário do imortal Deputado Ulysses Guimarães, se vivo estivesse. Lembremos, quando Ulysses ergueu a Constituição de 1988, a que promulgou, ele disse: “A corrupção é o cupim da Republica...”.
Pois começa e termina aí a resposta que o Azevedo procura. O bem calculado processo de instituir oficialmente a corrupção no Brasil primeiro doutrinou o povo a repetir e defender que democracia é apenas “governo do povo e pelo povo”. Disso se aproveitou a demagogia e com ela os “defensores” do povo se instalaram no poder.
De repente a Lava Jato., aparece um juiz federal, apenas um, o Dr. Sergio Moro dizendo a cada ordem de prisão contra os gigantes da corrupção e do mando politico no país, a cada sentença condenatória de um réu que democracia, antes, é a construção do povo. Isso dito aos ouvidos da corrupção ficou claro desde as primeiras palavras que os acusados e investigados eram apenas corruptos, não estúpidos, não burros.
Resistir à Lava Jato não é possível nem inteligente, mudar sim. Mudar travestindo mais uma vez os ideais democráticos em jogo de interesse é a palavra de ordem para os plenários dos parlamentos nacionais, o jeito é só um: novas eleições.
Seria mesmo, desde que também fosse decisão colocar em quarentena de 16 anos todos esses que exercem mandato hoje, impedi-los de indicar, apoiar, bancar e eleger prepostos.
Teríamos aí sim a chance de fazer existir no Brasil a democracia a que se refere o Juiz Federal Dr. Sergio Moro: construir um povo.
Mas, caríssimo Azevedo, é querer demais...fica como está. 


sábado, maio 28, 2016

BRIGA PELA CULTURA?


De certa forma foi interessante – ou está sendo – o bate-boca nacional sobre o status administrativo da pasta de cultura: tem que ser ministério, não serve secretaria. Sei não, muito me engano ou tem enorme pote de ouro no fim desse arco-íris. Foi muita briga pelo botim.
Mas o bate-boca pode ter sido a marca de um novo tempo no Brasil, a começar por ordenar o desenvolvimento nacional à luz da cultura, transpondo dela para o fazer cotidiano a marca que nos tem faltado para melhorar a vida e baratear a sua qualidade.
Ao tempo da preparação dos seus apóstolos Jesus usou exaustivamente a cultura para fixar seu evangelho no coração dos homens, ensinava com o recurso das parábolas, que se fundamentavam na forma de vida das pessoas daquela época – a parábola O Bom Pastor é exemplo acabado dessa pratica.
Na região em que viviam predominavam os desertos, mas também os rebanhos e os pastores. Aqueles não eram donos de terras, não havia cercas para separar rebanhos especialmente quando conduzidos a sítios do deserto onde houvesse surgido pastagem e água. A essa noticia todos conduziam para aí os seus animais, em franca maioria ovelhas para sustento e vestuário.
Pastores e rebanhos permaneciam ali pelo tempo de duração do pasto para os animais, depois cada pastor usava o seu código gutural para separar suas ovelhas, apartando-as das demais. Não havia briga nem roubo nem enganação, as ovelhas conheciam seus pastores e estes a elas. Eles falando e elas balindo tomavam um novo rumo em segurança.
Ainda hoje, no deserto da Nigéria os vaqueiros nativos, cultos, sabem determinar onde tem chance de haver água subterrânea. Aí cavam muitos poços rasos, encontrando a água constroem ao lado cochos toscos onde as vacas vão beber, põem-se dentro dos poços e trabalham freneticamente transpondo ao cocho água que só serve aos bichos.
Em aparente confusão gutural cantam, assoviam, produzem sons peculiares aos quais o rebanho está condicionado, que chega e bebe sem avançar na água alheia.
Então, sabendo bem disso, Jesus se valeu da cultura dominante para dizer de si e da evangelização que veio fazer: “Eu sou o bom pastor, conheço as minhas ovelhas e elas a mim, à minha voz, seguem-me”.  
Mas não só, de muitas outras praticas culturais da época Jesus lançou mão para se fazer entender, como demonstram tantas citações ao trigo, à uva, a celeiros, a vinhateiros, a figueiras, ao joio, à jumentos, camelos, dromedários, sementes, terras boas e nem tanto para o cultivo; também à dança, musica, festas, pesca, navegação, moedas, templos, palácios.
Na politica brasileira de hoje há mais joio que trigo, no Ministério da Cultura mais servos maus que bons, mas ao que parece a cultura caiu no gosto de todos. Quem sabe não tenha chegado o tempo de cortar e atirar ao fogo a árvore que não dá fruto: a Lei Rouanet.



 



 


segunda-feira, maio 16, 2016

JURISPRUDÊNCIA ESQUISITA.

Algumas coisas são inacreditáveis, mas explicáveis – há o caso do roubo de um elefante. Talvez já tenha falado disso algumas vezes, mas não custa voltar ao caso do Fininho e do circo de onde ele afanou um elefante, a estrela da companhia, à luz de um dia, de pouco movimento.
A ideia de se apoderar daquele elefante foi amadurecida a certo preço, todos os dias o Fininho ia ao circo, de dia para estudar o jeitão do animal e rotina do tratador, às noite de espetáculos para tornar-se insuspeito do roubo.
Certo dia contratou um caminhão adequado para o transporte do bicho e o mandou estacionar bem adiante da porta de saída do circo, era tardezinha de segunda-feira, único de descanso para toda trupe., quase sem vida no circo.
Fininho foi ao animal sem vigilância, disse-lhe algo bem próximo de uma das orelhas, deu-lhe macias pancadinhas com um bastão à altura dos joelhos e com isso puseram-se em movimento normalmente – foram saindo do circo.
Ao se aproximar do caminhão, de rampa abaixada pronto para o embarque outra vez Fininho falou algo bem próximo de uma das orelhas do bicho, deu-lhe vigoroso cutucão de bastão na axila, fez como que o empurrando e, com isso, o enorme elefante foi se acomodar na carroceria do caminhão baú. Fechada a porta foram-se dali. As pessoas que viram as manobras julgaram tratar-se do amestrador do animal procedendo conforme ordens do circo – simples assim.
Inacreditável? Mas foi como expliquei. Quando a espantosa noticia do roubo do elefante se espalhou o próprio Fininho foi instado a ter uma opinião sobre o assunto, pois assíduo que era ao próprio circo: Elefante? Que elefante?
No Rio de Janeiro, ainda hoje, está um caso bem mais difícil de acreditar e explicar. É tanto que se não aparecer por lá uma força tarefa análoga a Lava Jato, o caso continuará na escuridão e seguirá envergonhando o sistema judiciário estadual.
Desapareceu por lá a uma só vez centenas de milhares de toneladas de aço, vigas enormes, da sustentação do complexo elevado de ligação rodoviária Mauá-Tiradentes, na orla portuária da cidade do Rio de Janeiro.
A astucia do Fininho aplicada como “método” ao roubo do elefante custou desmoralização geral na cidade, inclusive a ele próprio por ter devolvido o bicho também à luz do dia, mas lhe rendeu comutação de pena como reconhecimento ao talento para roubar.
Pode estar aí irrefutável jurisprudência para o caso do aço no Rio de Janeiro, que para ser roubado requereu imensos guindastes para embarque e desembarque, dezenas de grandes carretas abertas para o transporte da carga, batedores profissionais para abrir passagem no trânsito intenso da cidade a qualquer hora do dia ou da noite, e indescritível operação de desembarque e escondimento das muitas e imensas vigas roubadas.
Esclarecer o roubo é também o caso de honras, clarinadas, busto de aço e discursos públicos para enaltecimento do ladrão com tanto talento. Dá de mil em qualquer ladrão apanhado na Lava Jato.     


quinta-feira, abril 21, 2016

O GOLPE.

A política tem seus encantos, um deles é se tornar incompreensível sempre mais que se esforce para entende-la. Domingo passado estavam em Brasília, no plenário da Câmara dos Deputados, a quase totalidade dos parlamentares da casa – quinhentos e onze deputados. Era domingo!
No decorrer dos anos lá estão alguns poucos deles apenas na terça e quarta-feira. Não há trabalho coletivo na segunda, quinta e sexta-feira. Quase não há resultados quando na terça e quarta-feira reúne-se o parlamento brasileiro. Mas, estiveram lá sábado e domingo, quase todos.
Contudo, não está aí o que não se compreende da política nacional e sim na matreirice dos políticos, o que foge ao alcance das mentes comuns.
Antes da votação que motivou a presença da maioria dos deputados em Brasília sites afins foram criados, um deles o vemprarua.com. Sobre o impeachment da presidente ali se podia acompanhar a posição pró, contra ou de indecisão de cada parlamentar do Congresso Nacional.
Os senadores pelo Amapá João Capiberibe e Randolf Rodrigues apareciam como contrários ao impeachment da presidente Dilma, o senador Davi Alcolumbre pró.
Vencida a etapa na Câmara dos Deputados resultou vencedora a tese do prosseguimento do processo, mas resultou também a tese de nova eleição já em outubro de 2016. Defendendo a tese e lhe dando originalidade apenas senadores afins do socialismo: João Capiberibe (PSB-AP), Cristovam Buarque (PPS-DF), Lídice da Mata (PSN-BA), Rondolf Rodrigues (Rede-AP), Paulo Paim (PT-RS), Antono Carlos Valadares (PSB-SE), Machado Reguffe (sem partido-DF) e Walter Pinheiro (sem partido-BA).
“Estamos querendo que, qualquer que seja a decisão do Senado, que o povo brasileiro seja chamado para dizer quem quer que conduza o destino da nação”.
“A proposta que estamos apresentando não interfere no ritimo do impeachment. O rito vai transcorrer o seu calendário” – disse o senador João Capiberibe (PSB-AP).
Na terça-feira seguinte ao domingo histórico, já no senado, a senadora Lidice da Mata declarou em plenário, como também o fez o próprio senador Capiberibe, que bem antes de se iniciar o tal processo de impeachment já se tinha formatado a proposta de nova eleição presidencial.
Antes da tramitação no Senado a voz corrente dos “dilmistas” asseverava que o processo era golpista, que não se admitia botar para fora a presidente eleita por cinquenta e cinco milhões de eleitores. Esses senadores apareciam como aderentes à tese que chamam de golpe.
Ora, onde anda a minha capacidade de entender a política? Agora esses mesmos senadores discursam na Tribuna do Senado afirmando que a proposta que estão apresentando não interfere nem no rito nem no ritmo do impeachment. Apenas empareda a presidente, faltou-lhes dizer.
Nem publicaria essas mal traçadas linhas, mas como perder a oportunidade de afirmar que pensam como eu um ministro e um ex presidente? O ministro Jose Eduardo Cardoso disse algo muito importante implícito ao processo de impeachment em curso no Brasil: “as pessoas já não se preocupam com o que dizem ou pensam os militares; agora se preocupam com o que dizem ou pensam os juízes”. O ex presidente Lula disse “não ver com bons olhos a ideia encampada por alguns membros do PT de que o partido poderia abraçar a campanha de “Diretas Já” antes mesmo do fim do julgamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado”.
Disseram o que eu já tinha dito...


segunda-feira, abril 18, 2016

TCHAU QUERIDA

c-bernardo2012@bol.com.br 
Enquanto os deputados federais votam o encaminhamento ou não do seu processo de impeachment ao Senado, lembrei da ampla coligação de forças que deu suporte à eleição da presidente Dilma Rousseff em 2014.
Nesse momento a votação é penosa sem clara sinalização de resultado para cá ou para lá. A política é isso em qualquer lugar: disputa de votos seja por que motivo for, justo ou injusto.
Mas já era tempo de melhores dias no cenário político nacional, sem que tanto precisasse; bastante que se compreendesse o velho ditado popular: duas metades de cavalo não fazem um.
As coligações partidárias que dão vida às campanhas eleitorais, nada mais são que um arranjo dos políticos em fazer cavalo juntando metades de zebra, jumento, mula, poney. 
Antes, bem lá atrás, as coligações partidárias se faziam com dois partidos (duas metades de cavalo), mas de uns anos para cá só parecem legitimas se fundadas em pelo menos seis partidos “unidos” por uma ata. Mas não vão além da festa da posse – não foi dias atrás que se formou no Brasil a coligação “COM A FORÇA DO POVO”: PT / PMDB / PSD / PP / PR / PROS / PDT / PC do B / PRB)?
Vivemos a modernidade também na política, tempo de facilidade para juntar partidos, formar mesas, mesclar programas, escrever atas. Partidos, consciências e convicções ideológicas estão disponíveis no mercado eleitoral, a favorece-los ai estão os recursos da computação: Ctrl C e Ctrl V. Qualquer errata harmoniza os programas dos partidos participantes, copiando e colando faz-se o necessário.
O que não se pode ainda imprimir no universo desses programas improvisados para fins de coligação é a questão moral. Essa coisa, esse detalhe, fica como a história da vaca e do boi: uma é sagrada outro é churrasco.
Junta-se partidos ao redor do quociente eleitoral, quase sempre por decisão de apenas um líder político, um vendo no outro a metade de si próprio – não há má fé, deslealdade, traição porque um partido se tornou o outro.
Parece difícil decifrar esse jogo político, que aliás, não se pode negar, é de uma engenhosidade espantosa – convence o eleitor e a Justiça Eleitoral. Mas não demora descobre-se a rasura na ata original, pois faltou sobre e abaixo de suas linhas imprimir a personalidade dos titulares da coligação.
Às vezes tarde outras vezes mais cedo que o esperado desfaz-se o que pensava ser uma coligação para governar, às vezes dói às vezes fere a ferro em brasa a alma do eleito. Acaba e acontecer com a presidente Dilma Rousseff do Brasil, início de 2016, em apenas um ano e três meses de empossada foi recomendada para a deposição quase só em relação aos partidos que sobraram da coligação que a elegeu em 2014.
E pior, encaminha-se a Dilma para o cadafalso, impiedosamente saudada por alguns desses partidos: tchau querida.        

terça-feira, abril 12, 2016

ALMAS

c-bernardo2012@bol.com.br
Algo está errado com a alma, que tinha que ser como sombra – uma pessoa sua sombra, a minha, a sua, a dele, a dela. Não podia andar ao passado, ao futuro, deixando-nos um presente vazio ferindo-nos com coisas vãs. Foi mesmo no Éden que se perdeu a alma una a cada um, deu-se quando Adão caiu no conto do vigário da serpente. Saiu de si uma alma para Eva outra para a cobra.
Escribas lá da pedra lascada andaram a dizer que o homem não é um, carrega Caim e Abel em si mesmo, vive em luta de fé e contra fé, moeda cara e coroa, bom e ruim, deus e demônio, diz-se inclusive que todo homem tem seu lado mulher. Sei lá, certo mesmo é que o homem que vê os dois lados de uma questão é um homem que não vê absolutamente nada.
Ando assim ultimamente, sem saber onde estou.
Lá atrás na adolescência ou na juventude deixei minha alma girar como quisesse, como pudesse. Fui até a paixão de querer ver nos olhos de uma garota luz que nunca me clareou. Aí, outra vez, um homem e duas almas: sonho e paixão, depois segredo e saudade.
Mas não se livra, ninguém, da estrada por onde corre e prospera a dubiedade da alma andarilha que com tanta facilidade vai do passado ao futuro. Essa estrada que nem com desfaçatez se ignora é a saudade, qual seja: apego a um passado que interfere no presente.
Não é estrada boa nem ruim, nem reta nem tortuosa, uma vez que ora é felicidade retardada, ora é lembrança que machuca, ora é reconciliação mental, ora, maioria das vezes, é amor que nunca vai embora. Assim, claro como água limpa, a alma posta no passado ou no futuro deixa-nos perambulando num tempo presente repleto de ausência.
Ainda bem que chegamos ao fim dessa estrada, mesmo sem saber  onde estamos, acabou-se o desconforto de intensas saudades: o face book resolveu quase todas as maiores expectativas de reencontros.
Quanto a mim, pôs-me a alma como a sombra que me deve plagiar os mínimos movimentos à qualquer luz, sem nunca se afastar de mim mais que o dobro das minhas dimensões, nem desaparecer com a luz a pino.
Acompanhado e não apenas guiado pela alma sei sentir falta de quem deixei no passado, sei trazer de volta sons, imagens e até cheiros. Sei voltar temporariamente ao passado e sei resistir a chegadinhas ao futuro.
Vê como tem sim algo errado com a alma? Só com ela voltamos no tempo, suportamos bem o presente, damos chegadinhas no futuro.     

 

 






domingo, abril 10, 2016

UMA SÓ PESSOA.


Na década de 70, por volta do 1978, conheci em Macapá uma mulher muito bonita. No início era de ouvir falar e de vê-la aqui e ali cuidando da sua rotina de dona de casa. Depois, função de suas relações com a minha esposa, passei a uma convivência esparsa e equidistante, período em que conheci também o seu esposo - ela e ele eram bonitos.
Tempos depois tiveram uma filha, pouco vista, a criança ficou para a família e seus íntimos, eu mesmo não me lembro tê-la visto até já grandinha. A menina revelou-se portadora de Síndrome de Down, na época o preconceito batia duro nas crianças portadoras e em suas famílias – nem à escola iam. Já tínhamos a APAE Macapá.
A casa onde moravam era central, dela a correio, a banco, à igreja, a supermercado, à praça, a médico, era um pulo. De muito boa estrutura, ampla, arejada e com amplo jardim frontal, não tinha muros e sim rico gradeado. Muito raramente passando à rua via-se a menina ao quintal, como não era ainda a época dos carros com película escurecendo os vidros aí sim estava ela ao banco traseiro.
Ia a menina crescendo e a mãe, ainda bela mulher, envelhecendo, em cujos cabelos vinham os fios brancos, pintas na pele dorsal das mãos, aos olhos os óculos e roupas antigas mostrando que a vida era outra em mesma mulher.
O marido também envelhecia às pressas, mais raro de ver às ruas mais difícil perceber quanto a vida familiar o modificava. Depois de uns trinta anos que o conhecia, morreu.   
Não imediatamente como que vê-lo morto mãe e filha esperassem, a essas passamos ver e tocar na igreja. Todos os domingos estavam lá para a Missa matinal. A mãe assumiu ares de vida de sacrifícios, traços indesejáveis por todas as mulheres marcavam seu rosto com rugas, sobras de pele balançavam na parte traseira dos braços, as passadas lentas, os cabelos antes produzidos agora apenas penteados cada vez pareciam de prata. Deixava de ser uma mulher bonita nem uma linda mulher, especialmente, aliás não, exclusivamente porque não tinha mais individualidade. Fundiu-se à filha que fundiu-se à mãe, sendo as duas uma só pessoa.
Um dia desses, já depois de quarenta anos, falei à mãe que minha missa com elas por dentro da igreja catedral se transformara numa necessidade de perguntar-me severamente quem sou.!?
Inversamente ao que entendo ou percebo da vida a mãe perdia vigor e massa muscular enquanto a menina já não o era. Ali estava, isso sim, uma vultosa mulher, pesadona, enorme, curiosa e destemida como a mais pura criança.
Hoje é domingo, já tardinha; pela manhã estive com elas. À mãe quase disse que era ainda uma linda mulher, mas não era importante, não significava nada. A menina cismou comigo pela primeira vez, queria saber se eu tinha bombom para lhe dar, não me tocou os bolsos mas não soltava a mão que tomou para si até que respondesse o que queria ouvir.
Domingo que vem trarei, pode cobrar, disse. A mãe apenas comentou: não sabe o que arranjou.    
Não falharei, seria muita mesquinharia diante de um dos viveres mais dignos que em toda minha vida conheci. As duas são uma, mas a mãe não é mais bela...é santa.  




sábado, abril 09, 2016

FAÇA-SE O QUE DIGO.

Para Dany Catunda
Aqui e ali a vida foi ensinando caminhos, especialmente me ensinando o quanto abrir as pernas para a passada segura. Nem pressa nem pachorra...andar para frente, sempre.
E caminhando encontrei pela via virtual a Dany Catunda, pessoa da qual nunca soube alhos e bugalhos. Sobre ela só posso dizer pouco mais, que os canceres meu e dela deram causa a que nos gostássemos um pouco e nos admirássemos bastante.
Quando a “descobri” reconheci no semblante que a fotografia mostrava, uma pessoa bonita, de raro sorriso suave e belo, porém acuada pelo pavor que o câncer a ninguém nega.  
Eu já estava doente e podia contar a ela das experiências que me haviam trazido resultados aliviantes para as tantas situações aflitivas que o câncer e as situações de tratamento trazem, que a uns esmaga a outros estimula a mais lutar. Gostei da Dany, ela pedia ajuda com alegria e confiança contagiantes - a última grande conversa que tivemos colocou entre nós a terrível leucopenia. 
Depois, também virtual, conheci a Dany mãe de corpo inteiro, mais bela mulher ainda. E logo a vi cheia de amizades analógicas, com palavras e atitudes. Desde aí quis dizer-lhe da minha devoção ao deus Hypnos, com toda sua “corte” de irmãos igualmente deuses. Ele, Hypnos, deus da sonolência. Nunca do cansaço. Nunca da fatiga.
Muitas vezes desejei cair em sonolência e após ela, ressurgir nos braços de Hypnos como um grande hipnólogo, capaz de chamar o germe do câncer às falas, manda-lo às favas de sorte a deixar novamente limpo o corpo infectado. Antes que o conseguisse Dany manda dizer que está curada, Deus justo e poderoso se antecipou aos do Olimpo e ao charlatão que desejo ser, mandando às favas o germe canceroso que insistia em profanar seu corpo indefinidamente.
Saiba a Dany que prossigo na escola de Hpnus, já fui além das lições que ensinam sobre a sua família, principal requisito ao acesso à excelente hipnose. São irmãos do deus Hypnos os igualmente deuses Tânato, deus da morte; Éter, deus do céu; Hespérides, deusa da tarde; Filótes, deus da amizade; Geras, deus da velhice; Momo, deus da alegria e do escárnio; Oizus, deus da miséria; Nêmesis, deusa da vingança; Kera, deus do destino do homem em seus momentos finais; e, Moros, deus do quinhão que cada homem receberá em vida. A próxima e última lição diz respeito à esposa Eufrosina e aos filhos, deuses evidentemente, Morfeu – deus dos sonhos bons ou abstratos; Ícelo – deus dos pesadelos; Fântaso – criador das quimeras e devaneios que aparecem nos sonhos e ficam na memória; e Fantasia, única filha – deusa do delírio.       
A partir daí, caríssima Dany, não mais apenas quanto você, vou chegar ao germe do câncer instalado em outras pessoas também bonitas, dando ordens:
-Brilhe três vezes – brilhando estaria ao meu comando.  
-Saia desse corpo, vá para o Himalaia, quanto mais lhe mande acordar mais hibernará. Quando depois de duzentos anos assim hibernado vá a Oizus, Nêmesis, Tânato e pode também buscar Ícelo, desde que neles permaneça para sempre.
Dada essas instruções, que serão ordens, daria o golpe final: et quod dico.    

terça-feira, abril 05, 2016

LUA CABEÇA DA TERRA

c-bernardo2012@bol.com.br

Cada cabeça um mundo desconhecido a conhecer, quantos lá na China!? Até aprender mandarim.......mas que nada, aparecer com o que estava oculto, mostrar-se, revelar-se, são funções da palavra. Difícil calar-se ao papel em branco com tantos jornais falando da Lava Jato, de um ex presidente quase em fuga e de mais e mais gente delatando. É ler.
Quanto a escrever, elejo a lua - não a dos namorados – mas a cabeça da terra, essa sem a qual os dias e as noites não durariam mais que uma ou duas horas. Titânicos esses mundos em que a atração magnética de um pelo outro explica a pachorra com que giramos no espaço – vinte quatro horas, trezentos e sessenta e cinco dias.
Sempre olhei para a lua, perguntei milhões de vezes o que ela fazia ali que não fosse pela luz noturna, que não fosse pelos namorados, que não fosse pelos poetas...agora sei, mas não foi ela a responder.
Antes, alheia ao que me doía, a lua criou em mim a ansiedade que me afasta do mundo real – aliás, ansiedade e dor são o meu particular vale das sombras. Aí praticamente não raciocino, é quando mais erro se insisto. Shakespeare em Hamlet disse: “Sonhar, aí está o obstáculo”. Disse-o melhor o nosso Mario Quintana: “Sonhar é acordar-se para dentro”.
Mas não são apenas ansiedade e dor, os ícones penosos da minha existência – sou um mundo. Aliás, cada cabeça é um mundo. Agora mesmo ando no mundo dos poetas, especialmente esses virtuais que me oferecem seus poemas ou me lembram letras de poetas imortais. Já disse que durmo pouco, tenho horas e silencio infindos ao meu dispor, em mesma medida que poemas desses meus amigos entram sem parar na tela do face book. Vou com eles noite a dentro, afinal, segundo Jean Cocteau, “poemas são ânforas cheias de silencio”.
Uma cabeça um mundo, logo não há poema ruim. O que há neles que não sejam fragmentos de um mundo que não conhecemos inteiramente? Ou, de outra forma, o que há nesses mundos expresso em poema que não deva propagar-se até a franja pioneira dos outros mundos? Afinal, somos mais de seis bilhões de cabeças.
Houve um tempo, aqui mesmo no Brasil, que uma criação poética saída da cabeça do compositor Noel Rosa só chegaria aqui em Macapá vinte trinta dias depois. Três dias para jornais de São Paulo chegar ao Rio, mais dias para os do Rio de Janeiro alcançar Belo Horizonte. Agora põe-se a virgula e já do outro lado do mundo tem alguém ansioso para ver onde no texto cairá o ponto parágrafo.
Não se deve perder esse tempo de ler e escrever tudo, especialmente os que como eu trocaram a luz da lua pela luz da tela do computador – é no face book onde agora habitam santo e dragão lunares.
Os tempos estão adversos para poetas e escritores, pois, no atacado, as pessoas não gostam de ler. Alvíssaras, criam assim razão para letras e mais letras nas redes sociais, pois aí está a incrível velocidade com que se dá a comunicação. Há o varejo dos que fazem com gosto uso das letras em palavras: cada cabeça um mundo desconhecido a conhecer, aparecer com o que estava oculto, mostrar-se, revelar-se, são funções da palavra.      

sexta-feira, abril 01, 2016

DONA BENTA


c-bernardo2012@bol.com.br 

Sempre mais a dor que o amor leva a gente ao hospital, quando doentes acompanham-nos os parentes e tanto nós quanto eles ali estamos porque dói. Não sei se razão, mas justificativa tem quem não gosta de hospital. Outra vez estive num deles aqui em Macapá e também não gostei nem um pouco de ter ido, mas eu cresço mesmo assim.
Dona Benta está lá, quase em seu leito de morte. Meses atrás, quando o senador Romário esteve aqui quis que ele fosse conhece-la em sua casa, não pelo câncer que a amortecia, mas pela filha Down que tinha sob cuidados com os olhos, com o coração, com os gestos, com as mãos, com a doação que só as mães vocacionadas têm.
O senador mostrou-se interessado em conhece-las, mas não era possível montar o devido aparato de segurança que sua fama de craque mundial de futebol exige ao menor de seus deslocamentos. Não foi, mas soube por mim de sua história.
Fiquei com a Dona Benta enquanto passava os dias, ainda na sexta-feira santa da Paixão de Cristo fui vê-la. Não nos falamos, ela já estava bastante debilitada, esgotada pela luta tenaz contra a doença, mas tinha ainda um corpo em bom aspecto. O que emagrecera os lençóis guardavam aos olhos, mas os braços expostos e espetados de soros e quimioterápicos diziam que ainda tinha massa corporal. Lembro ter chegado em casa e dito no face: "Fui agora a pouco visitar os companheiros e companheiras internadas na Unidade de Oncologia do Hospital Geral, está mal a amiga que especialmente queria abraçar - talvez não mais a veja. Mas deixei a ela uma cruz de São Camilo e pílulas de Frei Galvão...o Senhor pode tudo".
Ontem uma de suas filhas telefonou e me pediu fraldas, mal sabia que assim me dava motivo e força para voltar a ver Dona Benta no hospital.
Ó Deus dos miseráveis, praticamente não é mais Dona Benta quem vi na mesma cama sob lençóis, braços expostos espetados de agulhas, mas com as narinas entupidas de mangueirinhas que trocam oxigênio e gás carbônico para ela, que nem para isso tem forças. Entrei e sai debaixo de chuva do hospital, ora água ora lagrimas.
Hoje faleceu a Dona Benta, outra vez a morte colocou diante de mim a crueldade e a brutalidade, não por si, vez que morrer é mesmo assim, mas pela preciosa utilidade que a mãe Benta tinha para a sua filha Down. Quase nenhuma outra pessoa poderá ter por aquela menina igual compreensão e força protetiva.
Morta sei que está Dona Benta, morreu efetivamente o seu corpo, sem o menor risco de catalepsia. Desde quando a conheci que esse seu corpo vinha morrendo por causa da força destruidora da leucemia. Por amor devíamos ir mais aos hospitais, marcar encontros com tantas Bentas e Bentos alheios que se despedem da vida.   

quinta-feira, março 31, 2016

DA CANDINHA

c-bernardo2012@bol.com.br
Uma amiga, Candinha, me escreveu, mandou a carta em mãos. Foi enfiada na caixa de correios presa ao portão, razão pela qual não sei em que lugar foi escrita. Candinha cada um tem a sua, todas gostam de falar.
Acho que a Candinha está fora do país, é bem provável, ela andou falando mal da Dilma, dizendo que a presidente não levava jeito para usar bolsas Loui Vuitton. Se deu mal, deportada não foi, mas teve que sair de fininho para não bater de frente com a ala progressista do PT.
Abuso da Candinha, à época falei com ela: “só nisso errou várias vezes – disse presidente e é presidenta, invocou o símbolo máximo da finess para classificar Dilma como cafona que não sabe se combinar com adereço de luxo, foi demais né?”.
Chateou-se me deixando sem notícias esses anos todos do primeiro mandato Dilma (não disse primeiro governo), mas reapareceu através da carta, simpática e generosa. Em síntese fala da crise política atual no Brasil, reafirma o jeitão, aliás, a falta de jeito L. V (Loui Vuitton) da presidente, diz do deserto de nomes para ocupar ministérios depois da debandada, ainda que sem formação jurídica garante que o impeachment não é golpe, chama a atenção para o rigoroso cumprimento da lei na Lava Jato quanto ao não uso de algemas, especula um tantinho sobre o Sr. Eduardo Cunha, insiste num paralelo entre ele e o Sr. Renan, e chega a mim dizendo que eu deixe de ser bobo.
Olha um trechinho dessa carta da Candinha, remetida não sei de onde: “...volte a Brasília (veja que disse volte e não, vá) escolha um ministério, ligue para a Dilma e diga que vai ocupa-lo. Ela vai lhe agradecer, mas perguntará com quem está falando. Ao que você responderá: “candidato quase eleito à presidência ou secretaria geral do novo partido de sustentação ao que restar do seu governo”. Ela vai lhe perguntar ansiosa, que novo partido é esse. Ao que você responderá sem receio algum: “Partido do Ex PMDB”. Ao que ela prontamente lhe dirá: “fique onde está, o Dimas está levando o termo de nomeação aí., assine e aguarde a posse no posto”.
Essa Candinha é de uma sagacidade infernal, coberta de razão! Como é que percebeu tão inteiramente essa fragilidade momentânea do governo Dilma? Seria possível que Candinha estivesse no Brasil escondida em alguma redação de jornal? Desconfiei que sim, era possível que estivesse assessorando um desses bem informados redatores chefes de alguma grande revista semanal, pois ela, em outro trechinho da carta, abriu-me os olhos para outro grande avanço nacional no trato da polícia com o preso.
Escreveu em bem traçadas linhas: “Como melhorou a nossa polícia! não se vê mais presos algemados, estão prendendo gente diferente de nós, alguns deles recebem um estilista antes do “japonês” da federal e por isso aparecem sempre bem na televisão e nas fotografias dos jornais, perdeu-se o costume da gritaria e dos cutucões com o cano das armas, com apenas olhares (que nem a televisão capta) os presos põem as mãos para trás, caminham sem medo, às vezes até com sorriso no rosto”.
Não assiste razão a Candinha? Realmente a Policia Federal brasileira enterrou de vez aqueles rompantes europeus violentos de séculos atrás quando aqueles saíram pelo mundo colonizando, tomando terras, fazendo escravos. Bem aqui, debaixo do meu nariz, e não tinha ainda, antes da carta, prestado atenção nessa fidalga evolução da nossa polícia.    
Soubesse para onde remeter carta resposta à Candinha lhe escreveria apenas observando: “não seria a qualidade dos presos da Lava Jato?”.
Mas, cadê Candinha?! Pra quê misturar Loui Vuitton com presidenta!?     

domingo, março 27, 2016

AUSENCIAS

c-bernardo2912@bol.com.br
A experiência da ausência é realidade na vida das pessoas, não há quem dela não conheça um pouco. Se não sente a ausência de outrem é porque aqueles nada lhe importam, nenhum valor tem. A ausência, no entanto, nunca é total: deixa-se uns acompanha-se de outros.
Deu-se comigo, deixei as famílias paternas e maternas, amigos e conhecidos de até a juventude, e quase simultaneamente criei outras presenças em minha vida. E sofri pouco por uma e pela outra causa.
É que nunca fui capacitado para a existência individual, praticamente todos os dias senti fortemente a ausência dos que deixei para trás – não deixei que fossem apenas saudades, transforma-los em valores foi o meu exercício de vida.   
Não nego, andei confuso por muito tempo entre o que me seria memória e ausência. Nessa “briga” de um lado não me deixar ser um homem que não se reconheceria no tempo, num lugar e nos rostos, de outro sentir perdida a companhia de gente querida, especial, essencial, deixei abrir um vácuo existencial que muito doeu. Parecia que ficara no passado a capacidade de viver, de ser feliz ou pelo menos de lutar pela vida menos infeliz. Durou tempo demais!
De repente compreendi que se eu me acostumasse à ausência, seria eu a não ter importância, seria aí sim apenas memória- não os ausentes. Percebi que tinha aprendido muito pouco sobre perdas, tão comuns ao ser humano. Enquanto isso me chegavam as notícias do falecimento de parentes, amigos, conhecidos...constatações de fazer chorar. Porém, nem um pouco mais dolorosas quanto a me ver esquecido por muitas pessoas que daqui as lembrava todos os dias: eu não era importante para elas.
Esse turbilhão de entender, sentir e não compreender deve ser a realidade existencial de todas as pessoas, potencialmente mais para aquelas que como eu migraram para longe e por tanto tempo, quase definitivamente. Viver com isso não é fácil, sem isso é impossível.
É como um rio aparentemente desperdiçando suas águas, sua razão de ser, em rios maiores, no oceano – ao final tudo é água. Todavia, para nós “vitimas” das ausências, importa a grande parte da vida que levamos para saber o que perder o que ganhar. Tudo é água, a separa-la está a que é doce, salgada, salobra, limpa, poluída, inodora, insuportavelmente mal cheirosa, potável, encanada, livre.
Então, no caso das ausências e presenças nem tudo é água. Há, frequentemente, os que estão à sua volta e são ausência.
Decidi não ser sozinho, trouxe comigo as ausências como valores a me complementar. Muito frequentemente, quase diariamente, penso em minha gente. Mas dei de me torturar vendo a migração atual intensa para a Europa exibindo semblantes transparecendo culpa, perda, solidão... profundas. Ali não vejo semelhança entre os nossos sentimentos de ausência por havermos deixado atrás e distante os nossos espaços de pertencimento.      






quarta-feira, março 23, 2016

BANQUETES REAIS.

c-bernardo2012@bol.com.br
Andei um tempo em palácio, fui uma espécie de secretário do governador, não do governo. De grande valia aquela oportunidade, ainda hoje me serve de freio ao que vai na mente e nas teclas. Uma lição que trouxe de lá: a satisfação do estômago apressa decisões favoráveis ao anfitrião e a seus interesses.
A coisa é assim, os jantares oferecidos pelos governantes são lautos e disputados. Participam deles os que ainda que de momento gozam do consentimento do poder, parecem pessoas sociais de alto prestigio e não raro aparecem em colunas sociais dos jornais, da mídia em geral.  
Tantas vezes vi isso tantas vezes comprovei quanto pode a satisfação do estomago facilitar a compreensão para assuntos não tão simples, antes nas gavetas e prateleiras da administração pública e da política.
Jantares “diplomáticos” são um perigo para a democracia, além de peso na bolsa popular. É tanto que a jurados a justiça não concede tal – quase não haveria absolvidos. Aliás, também não almoços e os lanchinhos ricos, fartos e diversificados comuns nas cortes que o povo sustenta com o que lhe tiram os impostos decididos pelo governo.
Os tempos não mudam os hábitos, aperfeiçoam. Agora mesmo em Brasília outro não é o tempo que não dos jantares estratégicos – de um lado o bacalhau, vinhos e azeites especiais, do outro, níveis também especiais de jurados. Há os que são do legislativo, como os há do judiciário e executivo. Por causa da agilidade dos meios de comunicação não se esconde mais quando e onde ocorrem esses jantares.
Agora mesmo a presidente Dilma da República Federativa do Brasil é generosa e por enquanto festejada anfitriã. Em seus jantares, desde os canapés à sobremesa, o sal e o açúcar se confundem num só paladar: apoio político. Como votar contra quem o alimenta?
Não sei se a presidente Dilma faz ela mesma a lista de convidados ou se corre o risco de apenas aprova-la à distância, bom seria que tomasse a si esse cuidado e colocasse nele muito rigor. Pode logo amanhã ver-se excomungada por haver servido comida salgada ou insossa a tão ilustres convidados.
Por uma ou por outra dessas hipóteses pode ser traída no executivo, perder votos no legislativo, ser condenada no judiciário.    

        

terça-feira, março 22, 2016

ZABELA É DE MORTE.

c-bernardo2012@bol.com.br
Zabela era engraçadinha, um doce de moça, mas obsessiva por animais. Dizem que tinha catorze gatos, um cachorro para cada portão, cada janela do carro, e conforme a cor, tecido do vestido e a festa para a qual fora confeccionado também tinha que ter um cachorro apropriado.
Qualquer bicho era sagrado para Zabela, não podia ser sacrificado nem para remédio, tinha que ser protegido a qualquer custo. Não é preciso que diga que era vegetariana, necessário no entanto frisar: radical. Viesse a saber que a alface da salada fora adubada com esterco animal, também não comia. Nesse particular a Zabelinha era um entojo.
Mesmo assim, todo mundo gostava de Zabela, uma gracinha, inteligente como ela só, e que par de coxa. Era bióloga, especialista em crustáceo, sua paixão era o caranguejo.
Certa vez deu um escândalo no boteco do Jóia, quando ainda era lá no Beco dos Velhacos, no auge, todos os dias lotado, só porque não se sabe como o tira-gosto do dia foi patinha de caranguejo.     
Zabela rodou a baiana, primeiro quis saber como diabos foi parar nos cafundós de Minas Gerais, no minúsculo boteco do Jóia, ali no Beco dos Velhacos, as tais patinhas de caranguejo, mais de uma para cada frequentador naquele dia. Coisa do Chico Bóia, disseram a ela com certa paciência – trouxe do Rio de Janeiro. Seu presente de aniversário aos amigos da esbornia.
Vencida Zabela fez um discurso sobre a necessidade de proteger aqueles animais, mantê-los nos manguezais...berçário disso e daquilo, etc. Não fez nem menção de pagar a cervejinha que já tinha bebido, também não o traçado de vermute que costumava tomar como “entradeira”.
Foi-se Zabela batendo as tamancas no chão com muita força, puxando os cabelos amarelos para o alto da cabeça, prendendo-os como um tufo com grampos que levava nos cantos da boca como tridentes. Assim com tanta raiva Zabela era a expressão da beleza, os seios pareciam pulsar para explodir, os olhos enchiam tudo de azul, a saia subia até onde queria, a roupa marcava bem os contornos do seu corpo, e que par de coxa.
Não demorou correu a noticia de que Zabela tinha sido aceita para o mestrado na Itália, o Jóia pôs o boteco a disposição para as despedidas, tira-gosto só jiló ao molho, batatas miúdas ao azeite, rodelas de cebola crocante, caldo verde a vontade - Zabela topou. 
Neneco compareceu, deixou para trás a dengue que o prostrava, não podia beber, mas gostava muito da sobrinha Zabela. 
A certa altura a bela avisou: vou criar aqui e filiar na Itália uma Ong de proteção integral a todos os animais. Exclamação geral:
-Zabela é de morte.
-Tá naquela idade difícil, virando dos vinte para os trinta.
-Que iniciativa, que gênio...
Até que veio a observação do Neneco: E os mosquitos?
Pronto, foi o bastante para Zabela abandonar novamente o boteco do Jóia, do mesmo jeito que antes o fizera. Até os comentários foram os mesmos...que par de coxa!
Zabela passou anos na Itália e depois mudou-se para um lugar qualquer da África. O Jóia morreu, assim de repente...uma consternação geral – um dos poucos sujeitos melhor vivo que morto.
O boteco, patrimônio da cidade, foi para as mãos do Jorge Tomate – ficou Boteco do Tomate; lá mesmo surgiu o boato de que a culpa do Zica é da Zabela que teimou mundo a dentro em proteger mosquitos.   


sexta-feira, março 18, 2016

ANTA OU ELEFANTE?


c-bernardo2012@bol.com.br
Não tem cabimento comparar anta e elefante, na primeira quase faltam as orelhas, no segundo são grandes demais os pés, na primeira enrustiu a tromba, etc... mas cá para nós, o que é o Brasil hoje: uma anta ou um elefante? E se juntar anta e elefante dá o que?
Olhe-se o momento político atual no Brasil e não se verá nada mais que eufemismos. Parece que tudo está errado no país, coisa com coisa não dá coisa, pessoa com pessoa não dá pessoa, partido com partido não dá partido, e por aí vai. E não vai a lugar algum, para frente não.  
Aliás, incrível que pareça, PT com PT não tem dado PT – assim o demonstra o fraseado telefônico interceptado pela Policia Federal no âmbito da Lava Jato. O ministro da Justiça José Eduardo Cardoso (“aquele bundão”...) tinha o controle dos planos estratégicos de segurança para as Olimpíadas Rio/2016 a partir da atuação perita da Policia Federal, mas já é outro o ministro. E por que? PT com PT não dá PT.
Não se vislumbra sucessão para a presidente Dilma em caso de impeachement, o vice presidente Temer, o presidente da Câmara dos Deputados Cunha e do Senado Renan são também investigados na Lava Jato, prestes a se tornarem réus. E por que? Pessoas com pessoas não dão pessoas.
A crise é política, é o que se diz como causa, efeito e solução para as imensas dificuldades que estão apequenando o Brasil. E por que? Partidos com partidos não dão partido, coligação partidária é eufemismo que não vai além de uma ou duas atas.   
A coligação partidária que levou Dilma à Presidência da República, vê-se hoje, formou-se a partir de equívocos e metáfora: a metáfora do poder continuo e prolongado.
Tudo e todos estão divididos no país, a lógica dos acordos e dos entendimentos nacionais não é outra que não a divisão – ninguém tem razão. Em nada prosperando a busca por um culpado, essa sim é comum de todos: céu cinzento muita chuva, céu azul seca intensa, dinheiro pouco meu quinhão primeiro.
A culpa é da Lava Jato.



 


quinta-feira, março 17, 2016

XEQUE-MATE...

c-bernardo2012@bol.com.br
Pode não ser simples bravata do ex presidente Lula o conjunto das suas palavras ainda ontem reveladas em regime de quebra de sigilo telefônico: "Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um parlamento totalmente acovardado". "Estou sinceramente assustado com a República de Curitiba. Porque a partir de um juiz da primeira instância tudo pode acontecer nesse país. Tudo pode acontecer".
A Republica do Galeão foi uma realidade lá atrás, em 1954, que já não precisa de aspas. Os ex presidentes sabem “das coisas”, alguns deles convivem bem com a “solidão do poder” outros não. Lula, certamente, não.
O ministro do STF Celso de Mello tomou as acusações de Lula como “um reflexo evidente de temor pela prevalência do império da lei e o receio pela atuação firme, justa, impessoal e isenta de juízes livres e independentes".
O “rei” está nu, mas esperneia com se vestido estivesse para se coroar Cristiano I do Brasil, para reinar como o fez Cristiano IV da Dinamarca e Noruega por longos 59 anos ininterruptos, um soberano do século 14 muito popular, ambicioso e produtivo. Mas obsessivo, substituiu Oslo por Cristiania - mais um mandato e Lula trocaria Brasília por Lulianília.   
Desde o mensalão que Lula meteu-se a enxadrista (“nunca na história desse país...”), essa e outras de suas teses deram o xeque-mate no ex ministro do STF Dr. Joaquim Barbosa - história que está nos livros.
Empolgado o ex presidente, se acreditando grande enxadrista, em última manifestação publicada lançou desafios para novas partidas: "Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado...”.
Deu-se mal antes de mexer a primeira pedra, xeque-mate., apresentou-se para o jogo o ministro Celso de Melo do STF: "A República, além de não admitir privilégios, repudia a outorga de favores especiais e rejeita a concessão de tratamentos diferenciados aos detentores do poder ou a quem quer que seja, por isso, cumpre não desconhecer que o dogma da isonomia, que constitui uma das mais expressivas virtudes republicanas, a todos iguala, governantes e governados, sem qualquer distinção, indicando que ninguém, absolutamente ninguém, está acima da autoridade das leis e da Constituição de nosso país, a significar que condutas criminosas perpetradas à sombra do poder jamais serão toleradas e os agentes que as houverem praticado, posicionados ou não nas culminâncias da hierarquia governamental, serão punidos por seu juiz natural na exata medida e na justa extensão de sua responsabilidade criminal".
Vê-se que o ex presidente quis jogar sem conhecer a regra, deixou-se ao ataque do adversário que o sabia queimando-se em fogueira de vaidade. Andou em mentiras até que sucumbiu.
É pena, faltou a Lula conselheiros que treinassem seus ouvidos, domassem sua teimosia, doutrinassem: Seja humilde presidente, vá pelos caminhos das terras brasileiras; seja forte, porta-te como homem sábio, simples, justo, grato; guarda as ordenanças do senhor teu Deus, serás um grande rei; use sabedoria e não força.
Mas Lula convenceu-se de que era realmente “o cara”, afinal ouviu a sagração do pronunciamento público de ninguém menos que o presidente Barack Obama dos Estados Unidos da América. Xeque-mate!!!!!!
Incauto, não sabia, não leu, não ouviu que o sábio teme e desvia-se do mal, o arrogante é tolo e dá-se por seguro.   


terça-feira, março 15, 2016

VÉSPERA INSUPORTÁVEL.

c-bernardo2012@bol.com.br

Nada feito às pressas será o melhor que se pode fazer, mas o “time” da crônica não é o do cronista. Se deixar para amanhã outra abordagem do mesmo assunto terei que fazer já que a televisão está dizendo agora que o ex presidente Lula amanhecerá ministro. Como poderei dizer que o avisei do passo em falso se não o fizer hoje?
Janito e Zipo é um conto tipo fábula ou vice versa, fábula tipo conto, que virá publicado no próximo livro que pretendo lançar mês que vem. Estará lá para registrar no tempo minha contrariedade com um tipo de crueldade inadmissível contra certos animais – o peru, um deles.
Se não esclarecer agora poderão dizer amanhã que maldosamente fiz analogia do momento atual do Lula. Lá adiante haverá quem diga que não soube explicar sobre a quem ou a que me referia.  
Zipo é um cão, Janito o cidadão que o guia por esse mundo sem teto. O cão não admite o sacrifício animal para fins alimentares com dia e hora marcados. Não admite, para ele isso é crime.
Ele como eu não discriminamos picanha na brasa, coxinha de asa na brasa, carneiro no buraco, coelho à caçarola, peixe frito.. do jeito que se oferece traça e, como eu, nem se pergunta se o boi, frango, carneiro, coelho, peixe eram pintados dessa ou daquela cor. Estão na cadeia alimentar e pronto. No entanto, nós, Zipo e eu, queremos abolir o lado criminoso do abate animal, qual seja: amarrar no pau até que a morte o alcance.
Pense conosco na agonia do peru quando lhe metem ao bico a dose de pinga! Toma porre hoje para morrer amanhã. E o leitãozinho dos casamentos? E os frangos do natal? Não é a véspera que os exaspera?
E não é o que está ocorrendo com o ex presidente Lula? Já não avisa a presidente Dilma que o vai nomear ministro? E não é isso amarra-lo ao pau à espera de que o Juiz Federal Dr. Sergio Moro marque dia e hora em que vai degola-lo? Ou mudar de foro é mudar destino?
Se fosse Lula participar do meu conto fábula ou fábula conto poria ao final Zipo a lhe perguntar: Valeu a pena?
E o deixaria responder como se fosse ou tivesse lido Fernando Pessoa: Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas foi nele que espelhou o céu.






segunda-feira, março 14, 2016

SOLUÇÃO MAQUIAVÉLICA.



O Partido dos Trabalhadores-PT, foi fundado em 1980, e com um pouco de analogia parece resultante de alguma clausula testamental do filosofo alemão Friedrich Nietzsche, falecido em 1900. Pelo seguinte, hoje, dia seguinte da maior manifestação de rua já registrada no Brasil contra o governo do PT, petistas de todos os tamanhos anoiteceram e amanheceram dizendo que “as ruas se encheram de pessoas da classe média alta para cima”. Nada, as ruas estiveram cheias de povo.
Petistas tomaram como verdade os números menores encontrados pelo Instituto Datafolha, dizendo com isso que nem tão cheias assim estiveram as ruas. Bobagem, só não foram dezenas de milhões de pessoas (povo) porque as chuvas torrenciais de época inundando cidades e a ameaça do confronto direto entre eles e o povo deixaram em casa pessoas que só queriam manifestar seus descontentamentos “com isso que taí”.
Governistas e petistas previnem de que devem ser aguardados nessas mesmas ruas no próximo dia 18, querem ser maioria a dizer que não há porque se insurgir “contra isso que taí”. Tolice, 18 é dia de batente e não de trabalhadores gazeteando em tempo de desemprego nas alturas.
Petistas e governistas não se acanham nem um tantinho em, assim, negar o que nossa Constituição afirma: “O poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido”. Claro como o dia: o povo esteve nas ruas reafirmando letras da Constituição.   
Ora, o “pensamento” petista parece cláusulas testamentais do filosofo Nietzsche, que disse e deixou escrito, estabelecido: “a esperança é o maior dos males”. Foi essa que levou o PT ao poder e a primeira que o PT fez morrer no seio do povo. Nietzsche disse; “ a verdade é um erro sem o qual não conseguimos viver”. O que mais faltou ao governo petista foi justamente a verdade, os petistas se convenceram e quiseram convencer que só podíamos viver no erro. Nietzsche disse: “as convicções são inimigas da verdade e não as mentiras”. Ora, claro está, aí está um dos fundamentos da doutrina ideológica partidária do PT. Nietzsche também disse: “a recompensa final dos mortos é não morrer mais”. O que sobrou do PT até agora só pode aspirar a essa recompensa - enquanto é tempo.
Acaso tenha mesmo o PT de lá atrás se inspirado em Nietzsche, faltou aos seus ideólogos investigar mais a fundo razões pelas quais o grande filosofo alemão teve liberdade para estabelecer suas clausulas filosóficas: não tinha nenhum lar; nenhuma obrigação, nenhum salário para pagar, nenhum filho para criar, nenhum horário, nenhum papel, nenhuma posição na sociedade.
É, nesse caso, tempo de Maquiavel: “...quando um príncipe deixa tudo por conta da sorte, ele se arruína logo que ela muda. Feliz é o príncipe que ajusta seu modo de proceder aos tempos, e é infeliz aquele cujo proceder não se ajusta aos tempos.”


domingo, março 13, 2016

13 DE MAIO ONTEM...13 DE MARÇO HOJE.

Dia histórico o de hoje em que os brasileiros encheram as ruas do país de gente brasileira, milhões de nós gritando contra a corrupção. O mundo nos ouvindo.
Séculos atrás apenas um homem brasileiro e dúzia ou dúzia e meia de seus companheiros fizeram semelhante gritaria contra a extorsão: Tiradentes, o Alferes Joaquim José. História sobejamente conhecida.
Nos dias de hoje, em que a corrupção desenfreada fecha as portas do país, milhões de Tiradentes tomaram as ruas contra a derrama - as empreiteiras estão sugando o sangue da nação. Os políticos corruptos são os carreadores das nossas finanças para elas.
Não há como assistir a essa farra sem lembrar Ésquilo com Prometeu ¹acorrentado, ²libertado, ³portador do fogo. Prometeu acorrentado e libertado são o retrato símbolo de tantos homens que com sacrifícios e sofrimentos se imolaram pela humanidade, na luta pelas conquistas civilizadoras, e a multiplicação de seus benefícios.
Prometeu, como revela Ésquilo, era o único capaz de prever o futuro, sabia como prevenir o fim do reinado de Zeus. Ensinou ser firme naquilo em que se pensa, no caráter libertador, pois mesmo preso para sempre ao rochedo, sua mente não cedeu diante da tortura do tirano. Foi ele quem nos deu o fogo: “Dei o fogo aos homens; este que lhes ensinará todas as artes”.
Sergio Moro, o Juiz Federal, é para o Brasil o novo Tiradentes e Prometeu: não cede em seus princípios e convicções de ir até ao fim na distribuição da justiça aos novos traidores do Brasil. Mesmo sozinho Moro mantem-se firme no ideal e na certeza de que suas teses são justas.
Sozinho em termos, lá com os seus pares judicantes. Hoje, nas ruas, em todo o Brasil – aliás, também no exterior onde brasileiros igualmente protestaram – os manifestantes gritaram seu nome, apoiaram seu trabalho: “Somos todos Moro”.
Ele ouviu: "Fiquei tocado pelo apoio às investigações da assim denominada Operação Lava Jato. Apesar das referências ao meu nome, tributo a bondade do povo brasileiro ao êxito até o momento de um trabalho institucional robusto que envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e todas as instâncias do Poder Judiciário", afirmou em Nota Oficial.
À maneira de Prometeu Moro está devolvendo o fogo aos brasileiros: "importante que as autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas. Não há futuro com a corrupção sistêmica que destrói nossa democracia, nosso bem-estar econômico e nossa dignidade. As autoridades eleitas e partidos devem igualmente se comprometer com o combate à corrupção, reforçando nossas instituições e cortando, sem exceção, na própria carne".
Hoje, 13 de março de 2016, mais de cinco milhões de brasileiros disseram sim a Moro, o que significa: Fora Dilma, Lula, PT, carteis de empreiteiras, Cunha, Renan, etc.
O Brasil e o brasileiro são como o fígado de Prometeu: regeneram-se continuamente.