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sexta-feira, novembro 02, 2018

PRESTENÇÃO SR. MORO.


Cesar Bernardo - 11/2018

Temporariamente Sergio Moro, Juiz Federal, tinha deixado de ser o que é: a única celebridade nacional. Açambarcou-lhe essa condição o Sr. Bolsonaro enquanto disputava a eleição presidencial. As promessas que fazia outro candidato à Presidência da República do Brasil em se eleito convidá-lo a fazer parte de sua equipe de governo quase nada comunicou porque a candidatura não empolgava.
Terminada a eleição presidencial viu-se o Brasil ameaçado de solidão, do vazio que o mergulharia novamente na vulgaridade em que anda mergulhado., mas que nada....habemos Moro!
Eleito Presidente da República a se empossar logo ali em janeiro, Bolsonaro convoca novamente o celebre juiz e sobre ele faz incidir toda luz possível – convida-o publicamente para ocupar a nova pasta da Justiça e da Segurança Pública no governo que se prenuncia interessante a cada dia ou a cada comunicação que faz em rede social o Sr. Bolsonaro, presidente eleito.
Ontem Moro foi de Curitiba ao Rio de Janeiro dizer ao presidente o que lhe convinha dizer. Digamos que tenha titubeado querendo dar ao convite algum tipo de negativa e que tenha sido necessário ao presidente chamar-lhe às falas:
--Presidente é difícil a mim deixar a magistratura após 22 anos de exercício para recomeçar num cargo honroso, admito, mas seu, não meu".
--Prestenção!, prestenção V. Sa. Juiz Federal Sergio Fernando Moro.  Não há que se falar em deixar a magistratura, explico por quê.
Ficando comigo agora o senhor terá  apoio total para ser o melhor ministro brasileiro da Justiça e Segurança Pública de todos os tempos. Em o sendo, o senhor vai ajudar para que seja o meu governo um dos melhores de todos os tempos. Em sendo, como serei o magistrado da nação, ao tempo e ao cabo o senhor voltará à magistratura como Ministro do Supremo Tribunal Federal bem ali adiante já que será preciso substituir o ministro Celso de Melo por aposentadoria compulsória.
É um caso. Outro é que não sou adepto da reeleição e o senhor poderá, caso queira, ser o próximo presidente a depender de mim. Prestenção!!!".
Ao que Moro, sem delongas, disse a Sua Exa. Messias Bolsonaro, Presidente da República Federativa do Brasil: 
-Aqui estou!.

   


terça-feira, agosto 28, 2018

JOÃO DA MARIA...DO JOÃO

Não lidamos com nomes reais das pessoas mergulhadas no mundo do câncer quando abrimos espaço para terceiros, razão pela qual vou lhes falar da “Maria”. Tenho muita sensibilidade e até inveja do homem que morre de amor pela esposa – na tristeza e na alegria; na riqueza e na pobreza; e, especialmente na dor. Assim é “João” esposo da Maria que faz tratamento de câncer juntamente comigo.
Um dia, quando conheci Maria, vi um quadro humano dilacerador e também bonito. Maria parecia à morte, muito magra, sem cabelos, olhos sem luz, parados. Estava quase inanimada sobre a cama/maca, parecendo já habitar um outro mundo. Para ela a dura realidade daquela sala de quimioterapia parecia não importar mais. João era a mais acabada expressão da dor – era em João que Maria doía. Era muito mais novo do que eu esse João; trinta anos atrás jogávamos futebol juntos: de salão (hoje futsal) quase todos os dias ainda no fim da madrugada e o futebol de campo nos fins de semana. João era craque.
Mas o João na cabeceira do leito de enfermidade de sua amada esposa Maria se apresentava de rosto e cabeça cobertos por espessas camadas de cabelos totalmente brancos. Era o João pleno de dor e tristeza, porém apaixonado da sola dos pés a esses cabelos brancos:
-Essa mulher mesmo doente é muito bonita., se ela morre aí, morro aqui - disse.
Maria estava mal, o corpo médico e paramédico da clinica se movimentava, uma decisão urgente e praticamente única estava para ser tomada.
Eu chorava diante do quadro ali composto por Maria e João, algo do tipo O Retrato de Maria, de Ivon Curi (Acabou-se o dia, acabou-se a noite... Mais uma noite sem Maria. Maria... ahã. Ela é meu amor...agora, é só essa fotografia. Mas fotografia não fala! Fala? Escuta, Maria).
João foi chamado para ouvir os médicos longe dos ouvidos de Maria, concomitantemente abriu-se as duas folhas da porta de vidro, por ali fizeram passar a cama/maca de Maria em direção ao longo corredor, no fim do qual, lá fora, já estava uma ambulância e seu respectivo corpo médico e paramédico próprios para ocasiões urgentes como aquela.
Lá na saída, depois de ver sua Maria embarcada naquele veiculo de dor e esperança, João pareceu me procurar com os olhos, e foi-se.
Maria, naquele mesmo dia, ganhou o aeroporto em busca de radioterapia inexistente no Amapá. Durante meses, quase um ano, nada soube da evolução do quadro clinico de Maria. Falávamos João e eu via redes sociais, mas fechado em si mesmo esse João agora tão mais sofrido não mencionava mais sua linda Maria.
Hoje, 28 de agosto de 2018, estou novamente no mesmo lugar recebendo a 22ª sessão de quimioterapia dessa série prognosticada inicialmente para se concluir com vinte e quatro sessões.
Deus está em todos os lugares e em todas as pessoas, mas se mostra mais visível em nós: cancerosos. Não é que a Maria do João e eu nos vimos juntos outra vez na mesma clinica?
Demorei um pouco para reconhecê-la, porque bela, cor da pele restabelecida, cabelos diferentes e muitos, olhos cheios de nova vida, sorriso nos lábios e muita força nos braços que me envolveram demoradamente num abraço inesquecível.
Deixei dois beijos em suas faces: um pelo João que a ama Maria e não pode viver sem ela; outro pela vida retomada pulsando vigorosamente em suas artérias.  
Vida longa Maria., Deus quer assim.

   


quinta-feira, agosto 23, 2018

ASAS PARTIDAS


Cesar Bernardo

Agosto/2018



Eu, de vez em quando, passarinho, preciso dizer:
Esses tratos que me dão são esmola.
Não sou feliz nessa ou noutra gaiola.
Eu lhe imaginando tão longe e você dentro de mim. 
Se amanhece (amanheço), o sol nasce para mim.
Se anoitece (anoiteço), lua e estrelas brilham e piscam para mim.
Se a madrugada silencia (silencio-me), somos a solidão.
Se vem novo amanhecer, talvez eu, passarinho, possa voar..



quinta-feira, junho 07, 2018

A REVOLUÇÃO DOS MUSEUS ...


O Amapá está mudando para melhor, a população cresce rapidamente, os fatos tomam grandes espaços na imprensa local de forma até surpreendente, como por exemplo, o sinistro que ocorreu lá no garimpo do Lourenço, tão lamentável quanto ao que está a ocorrer com os funcionários públicos, cotados agora para a dispensa do emprego determinada pelo Sr. Bresser nesses próximos três anos.

Mas o que importa dizer é que o Amapá segue em frente, muito embora de costas para a sua memória. Bom e bonito seria se pudéssemos hoje sair de casa para cumprir um roteiro cultural que ao final nos permitisse repassar em um dia toda a história do Amapá. Isso seria possível se tivéssemos aqui em Macapá museus, muitos museus, um ao lado do outro, enchendo um ou dois quarteirões e funcionando vinte e quatro horas por dia.  Se assim fosse, nos seria possível começar a viagem pelo Museu da Imagem e do Som, onde veríamos pedaços importantes da nossa historia e ouviríamos a fala dos nossos lideres celebrando acordos mediante os quais teria surgido o Amapá de hoje. Seria muito bom ver e ouvir o Sr. Janary Nunes “começando” o Amapá.    
Continuaríamos nossa viagem indo ao Museu do Homem para conhecermos a nossa historia antropológica: a passagem do homem por qualquer lugar é sempre marcada pelos hábitos e costumes, bons ou ruins.
Depois, uma passadinha pelo Museu do Garimpeiro para conhecermos a saga desses homens e mulheres que se embrenham pelos rios e matas buscando o ouro, plantando vilas, fazendo a vida acontecer nos recantos mais escondidos da nossa terra. A seguir, uma proveitosa chegadinha ao Museu do Seringueiro com o propósito de vermos, tocarmos e aprendermos com os nossos “chico mendes”.
Uma pausa para um lanche à base de iguarias regionais, na lanchonete bem ali entre o Museu do Índio e do Pescador, outras perolas da antropologia amapaense. Tudo sobre os índios e pescadores estaria lá, ao alcance dos estudantes, dos visitantes locais, dos turistas internacionais, dos próprios índios, principalmente os mais jovens, que teriam nos museus um importante referencial da sua cultura dos tempos idos, quase imemoriais.
Mais adiante, uns metros, estaria o Museu do Curiau mostrando através de suas peças colossais os dias ancestrais da gente africana dali, até hoje uma das mais importantes atrações culturais da nossa terra. Esse museu haveria de ser muito especial, com recepcionistas e cicerones saídos da própria vila, mostrando e falando orgulhosamente das coisas ficadas dos seus avós.
Bem ao lado encontraríamos o belíssimo Museu do Pescador, assim identificado: “Aqui, ao sair para pescar, enfrenta-se o rio-mar”.
E o Museu da Policia Militar? Uma lindeza, falando-nos da época da Guarda Territorial através das armas, fardas, medalhas, fotografias, documentos, lutas e mais lutas em favor da segurança do povo.
Que viagem, heim!? O dia já estaria quase findo e ainda nem teríamos chegado ao Museu de Arte, justo ele a exibir telas, esculturas, criações em barro e manganês, entalhes em madeira, os belíssimos adornos dos mestres-salas e porta-bandeiras das nossas escolas de samba e os destacados adereços que um dia enfeitaram a Avenida FAB nos memoráveis desfiles cívicos em 13 de setembro, alusivos à criação do Território Federal do Amapá.. Ao lado ou um pouco adiante teríamos o expressivo Museu de Artes Sacras....fantástico.
Teríamos ainda a visitar o Museu da Imprensa, o do Manganês, o de Historia Natural, o do Ribeirinho, o de Plantas Medicinais, o Histórico, o do Castanheiro, o do Vaqueiro, o do Madeira, o Naval, o da Construção Civil, o do Comercio, o Sacro, até o da Estrada de Ferro do Amapá teríamos.
Teríamos ou teremos, depende de sonharmos juntos e trabalharmos obstinadamente para tê-los. Quando os tivermos, trarei aqui o meu velho e analfabeto pai para fazê-lo conhecer em um ou dois dias a riquíssima historia (cultural) do Amapá. Papai ensinou que “tudo que é importante tem uma história interessante”.
Os órgãos de administração cultural do Estado e dos Municípios poderiam ou deveriam estar pensando nisso com alguma praticidade, porque é penoso ver o tempo consumindo as coisas e os fatos verdadeiramente importantes para nós, levando consigo a nossa melhor historia, alargando os frisos do ralo da insensibilidade governamental.
Abram-se os museus hoje, confiram o sentimento de autoestima e cidadania das pessoas logo a seguir: todos perceberemos que já perdemos um tempo precioso.         


Macapá, quarta feira – 29/12/1995.

segunda-feira, dezembro 25, 2017

PIORRA E PAPAI NOEL

À época da minha infância bem infante havia um brinquedo que nos encantava a todos....a piorra.
Eram lindas, de alumínio, estrategicamente coloridas de sorte que quando rodavam os traços coloridos criavam a impressão da infinitude – não havia moleque que resistisse a tanta beleza.
A cidade de Volta Grande, pequena ainda hoje, com menos de três mil moradores urbanos, era ínfima na época. A referencia de cidade grande próxima era Além Paraíba, só possível de visita por trem e por estrada carroçável. O ônibus da Viação Aparecida que uma vez ia e outra voltava num mesmo dia, a depender da época consumia quatro horas para vencer os intermináveis vinte quilômetros que as separam.  O trem era para as pessoas de melhor poder aquisitivo.
Na cidade apenas duas lojas faziam compras para o natal: A Venda Nova, do Senhor Sebastião Cassani, e a Casa Hissi, do Senhor José Hisse. Naquele natal apareceram na cidade as piorras, senhor Sebastião mandava pendura-las no forro da loja, em barbante, muitas, uma ao lado da outra – uma novidade irrestível. Na Casa Hissi também podíamos ve-las atrás do vidro do pomposo balcão muito comprido, em madeira de lei e visor de vidro, frontal e na mesa do balcão.
Acreditávamos no Papai Noel e não nos pais assumindo esse papel. Tínhamos que escrever ao bom velhinho, colocar o bilhete no sapato sob a cama ou leva-lo com bilhete e tudo para a janela. Para as crianças de aquela época o Papai Noel podia tudo, logo qualquer criança podia pedir-lhe o que quisesse.
Naquele natal, claro, pedi uma piorra, só dormi porque não podíamos ver  o Papai Noel chegar, entrar pela chaminé e colocar sobre o sapato o presente pedido.  Mas o meu Papai Noel não veio. Chorei, incomodei a mãe e ela explicava que o nosso presente eram pelejas novas, o verão logo terminaria, o inverno estava à porta. Mas quem éramos nós para entender a praticidade do “presente” de cama.
Ora, o desprovimento da cidade naquela época  dava origem a um dia seguinte típico: quase todos os meninos para os quais o Papai Noel entregava o presente ganhavam praticamente a mesma coisa: naquele ano, quando saímos à rua ali mesmo em frente de casa estava a meninada com suas piorras, algumas diferentes apenas no traçado do enfeite.
Mediante essa “provocação” só mais tarde, quando reiniciava o catecismo conseguia o nosso coração, nas explicações das catequistas, um abrandamento para o aborrecimento que o Papai Noel tinha nos causado. Depois cresci, quis o destino que viesse a estudar no colégio das freiras dominicanas, e delas e com elas desenvolvi a compreensão de começar meus natais primeiro na igreja, desde o inicio do período litúrgico do advento.
Depois da igreja, aí sim, a minha forra: boto um pouco de riqueza nos presentes, na ceia, na ornamentação, na caridade.   

domingo, novembro 12, 2017

CORPO VAZIO

Não serei nada enquanto não souber sobre mim mesmo o que é alma o que é espírito. Da minh’alma nada sei, nem a sinto, rogo por ela, mas não pressinto que disso tenha consequência. Já meu espírito, esse que me lembra diariamente de que não há nem houve minguem a quem eu ame mais do que a mim próprio, conheço bem.
Ele e eu, quem sabe eu e ele somos platônicos: realidade impalpável, amorfa, incolor, quando muito guia da minha alma. Mas é um espírito como o é meu corpo que se modifica para envelhecer. Não conheço a minh’alma, já disse, mas as almas em geral são, bem sei, imutáveis, eternas, divinas. Rivalizam com o corpo, pois desse não absorve qualquer prejuízo.
Assim, meu guia é o espírito e minh’alma a minha ignorância. Entre eles está meu coração, aí sim um poço carmim pelo sofrimento que dei causa, pelo vazio da minha memória. Foi ele que me fez viver uma única vida, cheia de ilusões.
Coração pingando sangue causou-me perdas – desculpa-me por isso. Fez-me retirado de tudo, a cuidar só do meu espírito, a descuidar dos meios de aperfeiçoar-me e da astúcia em livrar-me de instintos perversos.
Pode ter se estabelecido em mim, aí sim, uma confiança traiçoeira por sem limites, imensa. Eu, escravo então do meu espírito, da minh’alma, do meu coração, da minha confiança. Que mais me restaria que vagar solitário e sem crédito por aí?
Alivia-me que seja dono de uma ilha, aliás, ilhinha, aonde pude gemer como o vento de lá, lutar com os meus fantasmas – que minha imperatriz dizia serem meu espírito -, e pude sonhar para não deixar fugir de mim essa única propriedade: meu espírito.
Pior desse deleite insular é que havia ali acorrentados eu e meu espírito, ou se quiserem mais me mortificar: meu espírito e eu.
A doença, a fraqueza, a paixão, a distancia, os amigos que a mesma doença matou, as ameaças que a alma que julgo ser a minha faz a cada pecado grave que cometo, a solidão, o amor, tudo, tudo mesmo suportaria se pelo menos vez por outra pudesse contemplar-me por inteiro: espírito, coração, alma.
Pouco, ou melhor, nada me importaria com esse nefasto mundo. Mas, cadê espaço em minha própria prisão?

Assim sem esperança, embora cavalgue meu espírito, não quero voltar ao mar – não que não possa, não quero. Minha ilhinha é cercada de praias e nelas que vou morrer.
Minha imperatriz, porque ali sou imperador, é sem igual. Só no espelho há quem se lhe compare. Outro dia a vi tão bela que cheguei imaginar fosse a minha alma – nunca quis amar outra igual.
Minha ilhinha é sempre cheia de brisas, de sons, de cheiros, dos ais, dos bocejos da imperatriz, e dos meus livros. Sem isso não disporia de espírito nenhum.
Nesse mundo imperial da imperatriz e meu, a única possibilidade é tirar de dentro de nós lembranças de grandes ideias que um dia tivemos. É aí que meus livros são o meu próprio espírito. Quantos infinitos dias deitado na areia morna das minhas praias presumi nuvens chovendo enfeites para a ilhinha, um mundinho do qual não queria sair.
E nem tinha por que: belíssima imperatriz sem ouro e rubis, celeiro sempre cheio, plantas arcadas de frutos, tempo estacionado na primavera....sombra e água fresca. 
No entanto, também é do Senhor a minh’alma  e é possível que se ire por amofina-lo com minha doença. Suportai-me Senhor, é a única prece do meu espírito.
Espírito e alma que são complementos meus sede limpos perante os céus, não escondam os meus desgostos que por demasiados fazem-me esse corpo vazio.

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quinta-feira, agosto 17, 2017

OS ELEITOS PARA O SILOGEU

ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS
HABENT SUA FATA LIBELLI
Edital de Divulgação da Eleição dos Novos Doze
Sócios Efetivos da Academia Amapaense de Letras.
O Presidente da Academia Amapaense de Letras, no uso de suas atribuições estatutárias, torna público o resultado da eleição destinada ao preenchimento de doze vagas existentes em seu quadro de sócios efetivos:
Cadeira nº 01 - Patrono: Acylino de Leão Rodrigues
Fundador: Heitor de Azevedo Picanço
Sucessor : Gilberto de Paula Pinheiro
Cadeira nº 07 - Patrono: Deusolina Sales Farias
Fundador: Amaury Guimarães Farias
Sucessor : Benedito Rostan Costa Martins
Cadeira nº 14 - Patrono: Hildemar Pimentel Maia
Fundadora : Aracy Miranda de Mont’Alverne
Sucessora : Piedade Lino Videira
Cadeira nº 15 - Patrono Janary Gentil Nunes
Fundador: Estácio Vidal Picanço
Sucessor : Fernando Rodrigues dos Santos
Cadeira nº 20 - Patrono: João Távora
Fundador: Elfredo Távora Gonçalves
Sucessor : César Bernardo9 de Souza
Cadeira nº 25 - Patrono: Mendonça Júnior
Fundado r: Alcy Araújo Cavalcante
Sucessora: Alcinéa Maria Cavalcante Costa
Cadeira nº 28 - Patrono: Júlio Maria de Lombarde
Fundador: Jorge Basile
Sucessor : Cléo Farias de Araújo
Cadeira nº 29 – Patrono Paulo Euletério F
Fundador: Arthur Nery Marinho
Sucessor : Manuel Azevedo de Souza
Cadeira nº 31 - Patrono: Paul Ledoux
Fundador: José de Alencar Feijó Benevides
Sucessor : Paulo Tarso Silva Barros
Cadeira nº 33 - Patrono: Roque Penafort
Fundador: Hélio Guarany Penafort
Sucessor : Francisco Osvaldo Simões Filho
Cadeira nº 38 - Patrono: Vicente Portugal
Fundador : Antônio Munhoz Lopes
Sucessor : José Queiroz Pastana
Cadeira nº 40 - Patrono: Walkiria Lima
Fundador: Isnard Brandão de Lima Filho
Sucessor : Carlos Nilson da Costa

Os candidatos às vagas foram eleitos por escrutínio secreto, após a avaliação de toda a documentação apresentada pelos que se habilitaram ao concurso, na forma do Edital de Eleição, lançado no dia 23 de junho de 2017.
A Academia Amapaense de Letras marcará a data de posse e a divulgará coma antecedência cabível.
Macapá, 17 de agosto de 2017.
Nilson Montoril de Araújo
Presidente da AAL


segunda-feira, junho 05, 2017

5 DE JUNHO - DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE


O BOI QUE PAGA O PATO

O homem da Amazônia nunca pensou em destruir as florestas da região. Isso é balela de ongueiros

CÉSAR BERNARDO DE SOUSA (*)
Satisfeitos ou tristes, tomamos conhecimento de movimentos pró-Amazônia organizados no Sul-Sudeste brasileiro. Não faz muito, o Greenpeace impôs prejuízos ao agronegócio do gado bovino daqui, em nome da conservação ambiental. Quando vão acabar com o pastoreio dos búfalos ainda não se sabe, mas chegarão lá.
Também não perdem de vista nossas hidrelétricas em construção e as planejadas.  Querem salvar os rios. Abrir as estradas, segundo entendem, é a própria destruição da Amazônia. Liberar licenciamento para asfaltamento de estradas abertas ainda no tempo do governo militar tem sido uma lide, no mínimo, tese de mestrado.
Brasileiros do Brasil "classe A" defendem a Amazônia da forma que entendem a floresta amazônica, o que não deixa de satisfazer os brasileiros amazônidas. ONGs do Brasil "A" e as de dentro da Amazônia e do Planalto Central "defendem" a conservação da Amazônia tão somente ao jeito de suas conveniências. É fato! Quais delas são atuantes sem aporte de dinheiro público ou capital estrangeiro, nem sempre privado, "puro de origem"?
Ora, o amazônida propriamente dito nunca pensou em destruir a Amazônia, não por ser do tipo bonzinho e sim pela descapitalização para tanto. Não se consegue derrubar a machadadas uma árvore exemplarmente amazônica, nem abrir estradas a patas de burro ou ao volante de tratores "jerico"´. Não se estendem barragens nos imensos rios amazônicos à maneira dos castores.
Duas pequenas pontes em construção no Amapá, nos extremos Sul e Norte, emendadas uma à outra teriam novecentos metros lineares, portanto impossíveis de construção pelos cofres do estado do Amapá ou de cada um dos municípios - Laranjal do Jarí e Oiapoque.
Grandes fazendas de bois ou de soja não são da iniciativa do caboclo empreendedor amazônico, que em maioria não são donos da terra, não acessam grandes financiamentos. Logo, não são os que "destroem".
Portanto, satisfaz-nos perceber que querem salvar a “biodiversidade” amazônica do fogo e da pata do boi, mas nos entristece nunca ver no cabeçalho dessas manifestações a necessária preocupação com o homem da e na Amazônia. Volta e meia querem “salvar” os índios, de fato são pessoas contextualmente especiais, mas não só eles.
Querendo, esses “salvadores” do Brasil ´A´ e as ongueiras brasileiras, inclusive as daqui, podem verificar quanto temos em escolas, escolas técnicas, faculdades, universidades, hospitais, fábricas, indústria naval fluvial, institutos de pesquisa, centros tecnológicos de excelência, igreja, comércio, violência urbana, crimes, tráfico e tudo o mais que, digamos, nos igualam a todos os brasileiros. Somos, afinal, quase 25 milhões de habitantes “iguais perante a lei” e as contas no fim do mês. Mas vejam, temos doenças só nossas – é custoso garantir a soberania da Amazônia brasileira para todos os brasileiros.
Funciona bem por aqui o tripé de sustentação da democracia e da República: temos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário legais, harmônicos e democraticamente constituídos. Aliás, importante dizer: espelhos da sociedade brasileira.
Então, por que imaginar justa e competente defesa da Amazônia excluindo-nos?  O território amazônico é imenso ante o contexto continental do nosso país, e deve ser rico o suficiente para ensejar tantos ´cuidados´, mas eis uma verdade: a conservação de nossa Amazônia só terá êxito se feita pelos amazônidas, devidamente auxiliados pelos brasileiros.

(*) Morador e defensor da Amazônia, em artigo publicado em O Globo, no dia 7 de julho de 2009




terça-feira, março 21, 2017

AMORES INEXISTENTES....

De uns tempos para cá dei de me submeter à lembranças afáveis do passado, do tempo em que, jovem ainda sonhava amar qualquer mulher que por um instante ou tempo deitara os olhos em mim com aparente meiguice.
Tanto eu quanto todos os jovens rapazes daquela pequena cidade nos demos a esse enlevo e neste embalo vivemos dias felizes sem o menor incomodo às mulheres que “amávamos” sem que elas soubessem do nosso amor, uma delas que fosse. Primas, professoras, colegas de escola, vizinhas, de repente eram a nossa “paixão” – muitas vezes em troca de simples corriqueiro, bom dia.
Assim, felizes para sempre, construímos cercas ao redor de nós mesmos quanto a um dia qualquer ter que prestar contas ao próprio passado, como me acontece tão pesadamente hoje.
Décadas depois desse tempo feliz – quando amávamos quem queríamos sem nenhuma necessidade de reciproca – o destino trás de volta ao meu cotidiano essas mulheres, meus amores de ontem.
A internet, o face book quase que as coloca em meu quarto como que a compensar o desconhecimento com que elas passaram e passam alheias pelos meus sentimentos da juventude.
Amei algumas delas e mesmo hoje, décadas após, sem que  qualquer delas desconfie, não me arrisco a contar detalhadamente a história e citar nomes. E que sorte tem elas ignorando que as amei naquele tempo!
Todas se casaram ou se deram muito bem na vida, o que jamais teriam conseguido comigo. Não fui prospero na vida, não consegui bons negócios, nem bons empregos, nem poder politico – fiz-me à poesia, à boemia, à vidinha repetitiva, entregue à solidão, a alguns ou muitos desperdícios, a arrependimentos, a culpas, ao auto exilio.
Continuo amante da lua, do sereno, dos bares, dos cinemas, dos teatros, da literatura e dos sonhos – ainda quero dar a volta ao mundo em pelo menos trezentos dias.    
Reencontro algumas dessas mulheres amadas de ontem e lá está uma rainha do lar dentro de uma soberba mansão, outra como executiva de multinacional, outra dona de um salário até suspeito, e quase todas casadas com homens de negócios....quem diria?
A decência que fez da minha vida um jeito fácil de viver me faz desejar-lhes que estejam e vivam felizes, principalmente as que conseguiram esses extraordinários maridos.
É certo que nesta vida nos dias de hoje nada se cria, segundo essa máxima incontestável no campo dos sentimentos juvenis é provável que os filhos dessas mulheres em idade de se apaixonar estejam repetindo a nós daquele tempo. É que o amor se constrói com o tempo e o tempo destrói o amor, mas nada pode contra a paixão.
Paixão não passa porque é a forma mais feliz de se iniciar na liberdade de sonhar.

    

quarta-feira, janeiro 25, 2017

CONCORDO MAS NO GERAL

“DISCONCORDO”.


Sempre me chegam confusas as teses e as explicações dos agentes de segurança publica acerca das falhas que nos parecem gritantes no cotidiano nacional, com milhares de homicídios insanáveis, policiais matando e morrendo aos montes todos os dias. Aqui no Amapá o diapasão é mais ou menos o mesmo que dá o tom nacional – não há dia que a noticia principal do jornalismo não seja ou se inicie com noticia de morte violenta de cidadãos, bandidos e atentados contra policiais.  
Especialmente não concordo e já não gosto de ouvir, com as teses defendidas pelo Delegado Sávio e pelo atual Secretário de Estado da Segurança Publica deputado Ericlaudio – eles falam de suas teses como se não fosse preciso dinheiro para fazer segurança pública.
Ambos têm mídia à disposição dos seus “projetos” de segurança, basta que concebam um para arredonda-los nos jornais, no radio e na televisão. Na internet nem tanto, ali a contestação é livre e muitas vezes virulenta.
Mas, nem aqui convém a unanimidade, num caso ou outro assiste-lhes a razão. Isso ocorreu em recente entrevista em que ambos falavam da realidade dos presídios no Brasil e aqui em Macapá. Não repisaram o refrão: bloqueio de telefonia celular, coletes à prova de balas, scaner de corpo inteiro, mais muros, etc.
Inspiradamente falaram da inutilidade da proclamada ressocialização de presos no Brasil e aqui, obviamente. Botaram o dedo na ferida nacional: não é possível ressocializar quem nunca foi socializado.   
Eis a questão pura e simples, porém tardia demais para ajudar na solução do processo agora – isto é, nos próximos dez ou quinze anos se modificações contextuais fossem postas em pratica aqui fora desde agora.
A grande tragédia brasileira é esta: seus presidiários nunca foram socializados. Tudo é negado ao cidadão brasileiro e a esta confirmação se pode chagar a partir dos próprios projetos prioritários da nação, emblematicamente anunciados e defendidos aos gritos em todas as campanhas eleitorais, de quais quer níveis que se fazem no Brasil a cada dois anos: Educação – Saúde – Segurança – Habitação....essencialmente.
 
E não se trata aqui de pobreza generalizada, mas de injustiça distribuída às claras. Nesse, momento em algumas cadeias brasileiras estão uns poucos perigosos bandidos nacionais que sugaram o dinheiro publico, bandidos que ontem, enquanto delinquiam, autoridades  encarregadas de conte-los, puni-los, fingiam não perceber que roubavam, delinquiam, saqueavam, alimentavam nas ruas uma legião ou verdadeiras gerações, de jovens que seriam levados aos presídios por crimes que cometeram ou não, mas que lá se tornariam “agentes” autorizados do crime comandado pelos chefes nacionais das gangs criminosas que comandam tudo e todos de dentro dos presídios....onde comem, bebem, domem. São tratados por médicos, seguros pelos melhores policiais do país gratuitamente. Alguns deles ou todos ainda recebem salários maiores do que se pagam à maioria dos professores.
Todos sabemos o que acontece com os presidiários de primeira viagem postos em meio aos bandidos profissionais convenientemente presos: filiam-se e cumprem ordens do crime até que são mortos.
Portanto, não sou mesmo radicalmente contra o que dizem e pensam o Delegado Savio e o Secretário Ericlaudio....de vez em quando falam coisa com coisa.   
            


quarta-feira, janeiro 04, 2017

ANO DE DOR

O ano de 2016 foi duro demais, verdadeiramente um ano de choro. Felizmente tenho um cantinho dentro de casa aonde pude chorar as minhas dores sem contaminações.
Iniciei o ano esperando a lavratura médica do meu atestado “livre de câncer”, expectativa frustrada ainda em fins de abril quando dores intensas me levaram a auto constatação de que o câncer ainda estava em mim – um médico o pré diagnosticou no baço, depois novos exames o admitiam no fígado, no pulmão e por fim, confirmou-se linfonodal. Essa busca se estendeu até agosto, noites e noites de medo, de dor, de choro.
Chorei menos pelo câncer do que pela frustração dos sonhos que construí de nova vida sem ele. Chorei pelo custo e penosidade na realização das dezenas de exames especiais realizados e após recusados por falta de qualidade ou por possibilidade de realiza-los sob tecnologia e maquinas modernas em São Paulo, como ocorreu.
Depois não pude enfrentar sem choro a longa espera pelo inicio do novo tratamento, a suspeita de câncer localizado na veia em função da presença de trombo considerável encontrado na luz da minha veia cava inferior foi outro horror e motivo bem fundado de mais atraso na liberação do protocolo oncológico. Hipótese descartada após concertação de pelo quatro médicos conceituados no assunto.
Fins de janeiro bactérias poderosas infectaram a base do port-a-cath e quase me levaram a uma pericardite aguda – longa busca laboratorial pela determinação da bactéria e hospitalização para cirurgia de retirada e nova implantação do cateter, e após, oito dias de internação sob intenso bombardeio de antibiótico especifico, num total de 6,4 litros injetados. Foi um tempo em que a KPC fazia vitimas em Macapá, no próprio hospital em que me encontrava em tratamento......só chorando.
Apenas em outubro cheguei ao tratamento do novo câncer, novamente submetido ao protocolo FOLFOX 5. Após as três primeiras aplicações os resultados de marcadores nos assustaram muito – os números estavam fora de controle, algo sugerindo que estava no fim a luta pela cura.
Suspenso o protocolo outros vinte e três dias foram consumidos em novas discussões médicas e nova decisão protocolar oncológica – chegamos à FOLFIRI +Panitumumabe.
Espera angustiante, só chorando muito como o fiz. Quando ela veio, somou-se residualmente às três sessões de FOLFOX 5 anteriores e meu corpo explodiu de pústulas purulentas, agravo intestinal, soluço, ânsia de vomito que não se concretizava.
Agora estou  dentro da segunda sessão quimioterápica atualizada com água nos olhos enquanto peço e espero misericórdia de Deus sobre a decisão dos médicos por esse novo protocolo, sobre mim que lhe tenho dito que teria gritado ao seu filho Jesus se estivéssemos agora no seu tempo feito homem aqui na terra. Converso com Deus sem me conter...sempre chorando.
Neste ano de 2017 estarei, se Deus quiser, à disposição do tratamento quinzenal até meio de junho. Deus queira que me erga bem para em julho voltar à casa dos meus pais, em Volta Grande/MG, minha terra e dos meus amigos, de onde saí em julho passado certo de que ali não voltaria mais, nunca mais veria meus pais, meus irmãos, minha gente. Eu tinha terminado uma jornada de consultas médicas em Macapá, Belém, São Paulo e sabia que algo de muito ruim estava me ocorrendo – embarcado no carro chorei copiosamente até o primeiro grande viaduto já no Estado do Rio.
Mas estou bem e cheio de esperança de que em 2017 vou lhes contar uma nova história. 

quinta-feira, dezembro 08, 2016

MAIS QUE UM.

A mídia nacional amanheceu espargindo baba, pelo menos a mídia que ontem apostou na decisão liminar do ministro Marco Aurélio de Melo, do Supremo Tribunal Federal mandando afastar da Presidência do Senado e do Congresso Nacional o senador Renan Calheiros. Essa parte raivosa da mídia nacional não gosta do Renan, considera que seu lugar é na cadeia e não no parlamento nacional.
A Justiça nacional vem dizendo que Renan tem contas a ajustar com a justiça., aliás contas acumuladas que dão ao Renan de hoje o contorno de perigoso criminoso solto pelas ruas junto com criancinhas. A Justiça juntamente com essa parte raivosa da mídia nacional, deixou de punir o Renan a cada crime atribuído a ele até que chegasse à incrível marca de mais de dez processos contra si no próprio Supremo Tribunal. Judiciário e mídia, assim, acomodaram o Renan criminoso do jeito que deu no precioso campo da impunidade que até antes do Juiz Sergio Moro e da Lava Jato era uma certeza para a turma do “sabe com quem está falando”.
Praticamente toda a mídia nacional considera Renan como um dos ainda “coronéis” da politica nacional, e quando pode o coloca acima dos tantos coronéis das igrejas, da indústria, das empreiteiras, do crime organizado e desorganizado, do judiciário, do ministério público e até dos “gerentes” de lixões Brasil afora e adentro.
Renan em sua defesa pode até dizer que espera ansiosamente suas chances de se explicar e se defender das tantas acusações perante a própria justiça....por que não o levam aos tribunais? Marco Aurelio e todos que o apoiaram na intenção de faze-lo no caso atual erraram na origem e por isso ficou a impressão de que Renan se sobrepôs à ordem jurídica nacional.
Durante e depois da votação sobre quem pode e quem não pode permanecer na linha sucessória da Presidência da República não restou duvida de que réus não podem estar. Ponto! Porém, duvidas também não restaram de que o caso, por enquanto, quase se esgotava nessa conclusão. O quase correu a conta de um instituto interno do próprio STF, ícone e dogma, que é o direito de Pedido de Vista ao dispor de qualquer ministro da casa em qualquer assunto. Instituto esse que quando em exercício coloca sub judice o assunto em andamento...qualquer assunto.
Disso sabia sua excelência o ministro Marco Aurélio e sobre isso nunca houve ignorância da parte dos destacados representantes da grande mídia nacional. Nem da pequena mídia, essa em que me vejo de vez em quando.
Assim, os “erros” do Renan, como por exemplo, recusar-se a receber a notificação judicial, entrou para baixo do guarda-chuva popular: “uma coisa puxa a outra”. Ademais, ao contrario de manifestações contundentes como a do jornalista Ricardo Boechat, não há uma Constituição para o Renan. O que há e o que houve foi contornar um erro de um ministro do Supremo Tribunal Federal contra a figura do Presidente do Senado e do Congresso Nacional, que só chega a esse cargo mediante duas eleições constitucionais: pelo eleitor e pelos senadores eleitos.
Afasta-lo daí não é, em principio, prerrogativa do Poder Judiciário, por usurpação de prerrogativas constitucionais do Poder Legislativo. Gilmar Mendes é também ministro do STF, colega de Marco Aurélio quase de mesma cadeira no plenário, e mesmo assim foi ele quem falou em impeachment do colega pelos erros cometidos. Aliás, duvidoso que Marco Aurélio atropelasse um pedido de vista do ministro Celso de Melo, como achou fácil faze-lo com o direito do colega “caçula” Dias Toffoli.  
A mídia raivosa cuidou de abafar essa opinião do ministro Mendes, aliás, polemico sempre, mesmo assim ministro antigo da casa. A mesma mídia sabe que desde o Mensalão que o STF deixou de ser o de antes para quase se transformar num partido politico. Tempos difíceis vive o Brasil, até a sabedoria popular anda confusa: como um erro não justifica outro se uma coisa puxa a outra?      


terça-feira, novembro 08, 2016

PALAVRAS OU ATITUDES?

Gosto da contribuição da mitologia grega em minha vida, encontro nela explicações para os meus erros e força para a jornada. Ontem conheci a esperteza de mais um dos deuses mitológicos – Procusto.
Vi-me, no ato, de volta à minha infância com os meus irmãos em Volta Grande/MG. Na cidade fazia muito frio, em casa o que tínhamos para cobrir eram as pelejas. Suely, Adilson e eu sofríamos menos – éramos menores, baixinhos o suficiente para que nossas pelejas nos cobrissem por inteiro se bem encolhidos na cama.  Celso, Selma e Paulo eram compridos, por mais que se encolhessem pelejavam com a cabeça ou com os pés descobertos.
Procusto é padrasto da peleja, pequeno cobertor ralo. Porém, astuto e mau, tinha duas camas para os seus hospedes. Aos compridos oferecia cama pequena e aos pequenos, grande. Aos primeiros amputava pernas ou cabeças ou pernas e cabeças até que coubessem na cama., dos outros esticava até caberem na cama comprida.      
Daqui para diante a astúcia maldosa de Procusto me remete à realidade financeira do estado do Rio de Janeiro, cujo eco pode retumbar no estado do Amapá daqui a pouco. Pesão é governador Procusto do Rio, Waldez poderá vir a ser governador Procusto do Amapá – ambos têm duas camas para seus hospedes.
Cama curta para servidores que reivindiquem salários mensais pagos integralmente, sem parcelamentos – aí corta-lhes as pernas. Mesma cama para servidores comuns que atrevam a reivindicar salários mensais integrais, correções e reajustes – aí corta-lhes pernas e cabeças.
Cama comprida para servidores especiais - os que determinam seus vencimentos sem tugidos ou mugidos, a esses Pesão Procusto estica bem devagar, com jeito, até que caibam na cama.
Assim, talvez, vejamos o que restará a Waldez Procusto fazer por aqui. Se o fizer farão o mesmo todos os prefeitos dos municípios daqui        


quinta-feira, setembro 29, 2016

CÃO, MÚSICA E CHINA.

Saí à rua hoje por dois motivos muito especiais, caros para mim – ver e ouvir minha neta Jéssica e meu neto Vili cantando a Missa que se celebraria no auditório principal do prédio novo do Ministério Público em honra de Nossa Senhora de Nazaré que por lá peregrinaria, e abraçar o amigo que ao fim da manhã embarcaria para a China com promessa de retornar ao Brasil assim que possível.
Mas entre deixar o portão da casa e chegar aos locais desses objetivos dei com um cachorro estirado meio morto meio vivo numa calçada, contigua ao posto onde podia abastecer o carro. Não era tanta a gasolina que requisitei ao tanque, medida que tenho para a certeza de que foram poucos os minutos que tive para botar os olhos e alma naquele cachorro – nem pequeno nem grande, nem sujo nem limpo. Sofrido como ele só.
Fui-me do posto, lá adiante estacionei quase indevidamente o carro, dei com a portaria e os rigores da recepção cuidadosa da qual e para ninguém o Ministério Publico não abre mão, para em segundos me ver refestelado numa das dezenas de cadeiras poltronas do auditório, dali a pouco capela ou igreja para Nossa Senhora.
Nas quatro primeiras fileiras dessas cadeiras, à direita de quem entrava, estavam os músicos repassando os cantos litúrgicos da cerimonia, entre eles os meus netos. É uma experiência acalentadora para a alma ver e ouvir netos cantando, tanto que fiquei ali fora do mundo em que a santa peregrinava sem pressa alguma e nenhum compromisso com a hora combinada pelo cerimonial, e não ela.
O coral ensaiava como que cantando para mim em desagravo ao adiantando da hora sem padre e santa no altar, que seria mesmo a enorme mesa de serventia àquela sala de reuniões públicas na casa dos fiscais da Lei. Ao enlevo, tendo eu tanta coisa para ruminar ao som de vozes tão especiais, veio-me de volta o cachorro, o potinho de ração e a cumbuquinha de água ao lado, a coleira folgada e suja no pescoço, e o fio nem barbante nem corda prendendo-o na grade, nada disso, no entanto, impedindo que dissesse o que me disse, e que agora me voltava com muita nitidez:
“Pode ser que por minha culpa, mas não vejo porque terminar minha vida desse jeito: corda, ração, água fresca, gente passando, olhando, respeitando, condenando, corpo fraco, ossos ardendo, vista turva, mas nem um outro cachorro a quem possa confiar minhas ultimas palavras....ou rosnados, ou latidos.
Andei por aí virando lixo, outra hora mordendo pneus dos carros em baixa velocidade, em bando atrás de cadela no cio, mas que cachorro em liberdade não fez isso? Não me lembro ter mordido nenhum humano, embora tenha sim rosnado com raiva para uns poucos deles, mas quais? Àqueles que de porrete nas mãos quiseram vir a mim apenas porque fiz pequena menção de me aproximar do irmão que eles tinham bem banhados, escovados, coleirinha delicada no pescoço, essas coisas. Portanto, nenhuma ameaça....aviso de cachorro.
Verdade seja dita, vez ou outra....minto; muitas vezes entrei sim em igrejas, cachorro gosta de sons de sinos, órgãos, corais, cheiro de incenso. Que mal cometi que não seja latir na hora errada no lugar certo? Mas, palavra de moribundo, cantava latindo porque não sabia faze-lo na linguagem humana. É pecado tão grande assim, que me dê por sentença essa calçada e essa corda?
Digo sinceramente, abertamente, corajosamente: cachorro não é burro para teimar indefinidamente. Não há padre ou pastor nesta cidade que possa agora, nos meus estertores, acusar-me de ter feito cachorrada em sua igreja seguidamente. Não sou burro, tenho sentimentos, discernimento  – não que os asnos não os tenham. Mas, nunca fui cachorro suficiente para me oferecer para pontapés tantas vezes num mesmo lugar, ainda que igrejas!
Por ultimo, pergunto a mim mesmo, qual de nós está metido nessa história de petrolão, Lava Jato; quem dos homens com tanta manifestação nas ruas gritou a nosso favor exigindo para já direitos para os cães de rua? Quer saber? Deixa...........”
Padre Rosivaldo iniciou a Missa, que foi do inicio ao fim marcada por belos cantos, muito fervor e devoção à Maria de Nazaré porque outro lugar não há onde haja mais veneração a ela do que no coração do amazônida.
Dali fui às pernas do amigo que já alçava voo para a China, aonde há o costume de não deixar cachorros às calçadas, antes leva-os aos temperos e panelas.

terça-feira, setembro 13, 2016

A SURRA NO MINEIRO(*).....

Nunca tive tanta vontade de mandar dar uma surra em alguém, como esta semana. Ocorre que o César Bernardo, conforme faz anualmente, tira suas férias. Afinal, ninguém é de ferro. O César, junto com a mulher dele, Consolação, reúnem uma penca de netos, mais os filhos, Fernando e Danilo e se mandam pra Volta Grande, aprazível e bucólica cidadezinha daquelas serras mineiras, a meio caminho de Itaipava e Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Pois bem. Quando ele regressa, sempre traz uns litros de excelente cachaça e um pacote, dos grandes, daquela linguicinha mineira que, aliada ao leitão pururuca, ao torresminho, aos queijos e àquelas garotas bonitas faz de Minas Gerais um Estado abençoado com progresso, trabalho e bem-estar de sua gente.
Quanto à surra, o César – não sei por que – cismou de dar mais uns ajustes na linguiça que trouxe. Colocou folhas verdes e uns gravetos, pendurou tudo no alto da chaminé e acendeu a churrasqueira. A fumaça serve para defumar carnes diversas, como é sabido, desde a fundação de Roma.
O problema foi que o César esqueceu que o calor depura a gordura e esta, naturalmente, cai sobre as brasas e eleva as chamas. Ele também não raciocinou nada, colocando toda a quantidade que trouxera de Minas. A tragédia estava escrita.
Para completar a desgraceira, o César saiu de casa, a fim de atender chamados lá no PMDB. Ao voltar, só encontrou – disse-me  – um pedaço de três centímetros de linguiça que, milagrosamente, deixou de ser carbonizado.
Foi-se na fumaça, como é óbvio, a alegria anual dos amigos dele, como eu, que sempre recebem uns agrados mineiros. Assim, estando o César gripado, acho que vou adiar a tal surra para depois das eleições.

(*)-Um dos últimos artigos escritos e publicados pelo jornalista Bonfim Salgado. 

quarta-feira, setembro 07, 2016

MUSAS OU MUSOS ? ? ?

Não há exclusividade alguma em escrever croniquetas como venho fazendo quase diariamente, quem o desejar também o fará, mas escrever para valer ou o que venha a valer não é simples e não para qualquer um. É preciso liberdade para fazê-lo, além do gosto e de um pequeno saber, constatação esta que me veio dias atrás quando pensava uma crônica sobre auto postagens de “musas” diariamente no face book.
Fez-me disso constatar o poeta Osmar Junior em uma de suas Cartas Indignas, onde dizia do seu embate atual entre a criação poética e o relacionamento conjugal – as musas da sua poesia e de seu cancioneiro colocavam contra si a esposa. Ele falando dela e ela entendo tratar-se da outra.
Ao poeta quanto ao amante tanto vale a musa quanto a mais bela princesa do mundo, simplesmente louvam suas criaturas com os nomes que escolhem a cada uma, em nada importando quanto de realidade haja nisso. Sonham e vão compondo suas Teresa, Ana, Maria, Clemens, Sonia, Dalva, Marilda, Augusta...enchem livros, começam e não terminam romances, fazem versos, poemas inteiros, e sequer estão falando de personagens de carne e ossos. São suas musas, pertencem-lhes e pronto.  
Sempre assim, inegável que as mais belas musas foram apenas inventadas pelos versos dos grandes poetas apaixonados, enamorados!  Tanto a um, poeta, quanto a outro, enamorado, é bastante, então, que pensem e creiam na formosura de suas musas, que se acreditem participar de seus pensamentos, que são procurados por elas na solidão de suas noites.  É o quanto basta, aos que criam suas musas segundo suas fantasias e desejos e as fazem as mais belas princesas do mundo ,,,,, nada importa o que pensem a respeito.
Na atualidade desses nossos dias nos vemos, quase todos, diante do face book, a todo instante, focados em caras e bocas e poses de muitas mulheres – várias delas nossas musas do passado - pedindo um comentário elogioso, que só lhes chega por outras mulheres – com as exceções obrigatórias. De uma para outra se vê em profusão as expressões de sempre: linda! Lindona! Arrasou! Poderosooosa! 
Por que, nem o marido nem nós outros postamos lá e para elas o que vai à cabeça? Aí está porque também me alinho aos que advogam que não há liberdade total onde chafurdar os escritores, como alertou Osmar Junior em suas Cartas Indignas. Como trazer o passado ao presente sem causar constrangimentos às que são hoje esposas, ainda namoradas, outra vez amantes, e que ontem foram nossas musas de versos e fantasias?
Caro Osmar Junior, no distante século XVII um grande poeta disse em defesa dos poetas todos: “Meus erros foram erros de amor, portanto, não toques minhas feridas que já são por elas mesmas doloridas demais; meus erros foram somente os teus”.