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segunda-feira, fevereiro 17, 2020

MÃES DOWN

Em algum tempo alguém disse, e muito bem, que “...uma mãe, afinal, é uma mãe., quando nasce o filho, quando cuida do filho, quando o filho adoece ou quando não está doente; quando vê com lágrimas nos olhos a entrada no primeiro dia da escola; quando o defende com garra por motivos justos ou injustos; quando luta incondicionalmente e custa a admitir o erro do filho ou salta de alegria com seus acertos; pobre ou rica; instruída ou não, as mães em um determinado momento ficam iguais, são fãs irrequietas com o sucesso dos filhos, por mais prosaica que seja a homenagem, para elas um pequeno pedaço de glória é um motivo de comemoração, palmas, sorrisos...”.
As mães são isso mesmo, mas podem ser mais, como me ocorre admitir mediante três “crianças” que conheço de duas mães que há tantos anos avisto e não conheço tanto assim. As aspas aí acima colocam entre elas pessoas portadoras de Síndrome se Dow, sobre as quais tenho meus olhos postos há muitos anos.
Pela medida cronológica comum a mim e elas, não são mais crianças. A julgar pelo aspecto fenotípico de suas mães, trinta e cinco, quarenta anos pode ser a idade temporal dessas três pessoas Dow.
Duas delas revi hoje na igreja e de tão crianças que se apresentam até divertem o nosso lado lúdico, naturalmente. Outra, a mais velha entre elas, já não vejo de uns três anos para cá. Dito isso, sobre elas não preciso dizer mais – é sobre suas mães que quero oferecer essas maltraçadaslinhas.
Essas parecem a mim mais mães que as demais em nível e em linha: ricas ou pobres, instruídas ao não em escolas superiores, pele dessa ou daquela cor, urbanas ou rurais sãs ou mais ou menos doentes, isso ou aquilo, são mais mães.
Por isso mesmo terei o mais cuidado que possa com minhas palavras porque tudo o mais suportaria, menos ofende-las, arranha-las um mínimo que seja. Pelos filhos que têm, pela angustia que vivem.
O caso de ontem na igreja era de duas irmãs Dow. Exigiram muito de sua mãe de sorte a não interferirem no andamento da Missa e concentração dos fiéis ao redor. Queriam atenção, queriam brincar com sinais, com toques, com risos.
A mãe controlava-as com calma, paciência, tolerância e energia. Em dado momento socorreu-se com outra mãe pedindo que passasse um banco a trás, se assentasse noutra extremidade e com isso ajudasse-a a conter as crianças entre elas.
No olhar daquela mãe só se via amor por aquelas filhas. O mesmo amor que sempre vi nos olhos da mãe da outra criança Dow, que já não vejo há anos. Mãe não, disse que não podia arranha-las: super mães. Ambas, no entanto, com uma falha talvez não de suas responsabilidades: precocemente envelhecidas.
A Síndrome de Dow não é doença nem defeito, apenas uma ocorrência trissômica causada por um cromossomo extra no par 21, assim denominada em memória do Dr. John Langdon Down, o médico britânico que descreveu integralmente a síndrome em 1866. Mas, é causa de forte preconceito, talvez causa também do envelhecimento precoce e surgimento dos cabelos brancos que as valorosas mães Dow normalmente exibem.

segunda-feira, janeiro 27, 2020

ACORDA MENINA !!!!!


A comunicação hoje é fenomenal embora não se contraponha aos meus 68 amos de vida: não surpreende, mas assusta ou incomoda.
Hoje foi dia de mídia global sobre a jornalista Ana Maria Braga, apresentadora do MAIS VOCE da Tv Globo por fazer o auto anúncio de um novo câncer de pulmão cobrando mais de si e dos médicos do que os outros dois anteriores, que tratou e venceu. No dia de hoje ela foi mais celebre do que seu papagaio Louro José – foi literalmente não falado, o que é péssimo para a espécie.
A repercussão foi grande, e tanto que em mim deixou impregnada a impressão quase literal de que praticamente já ao fim desse dia (já são 22 horas) a Ana Maria continua na mesma entrevista coletiva iniciada no meio da manhã.
E nisso consiste a força da comunicação nos dias de hoje. Qualquer tecla que aperte em meu computador, qualquer toque na tela do telefone, traz aos meus olhos e quase ao tato dos meus dedos a própria Ana Maria Braga. Arrisco-me a dizer que se não concorresse ela a noticia das mortes trágicas das nove pessoas na queda do helicóptero do atleta global Kobe Bryant, inclusive ele e sua filha, nada mais seria noticia que não fosse o auto anúncio de novo câncer no pulmão ameaçando seriamente a vida da celebra Ana Maria Braga.
Gosto dela e creio que todos os outros cancerosos do Brasil também. Queiramos ou não emana dela, sim, uma força que nos ajuda na luta diária contra o câncer. Muitas vezes quase vencido aqui em meu quarto voltei à lida com o falatório dela: “Acorda menino.....”. Gosto igualmente daquele papagaio desajeitado, Louro José. Dos bolos e doces dificilmente um deles me sensibilizou.  
Em todas as vezes que fui animado pela energia da colega Ana Maria outra coisa não pude imaginar que não fosse o poder da morte sobre nós humanos – sobre os papagaios, não sei.
Não lutamos contra a doença, mas contra a morte. Sofremos o quanto nem suportamos apenas porque sabemos da infalibilidade da morte e mesmo assim, iludidos, queremos vencê-la. É cada um de nós oferecendo esforços ao grande objetivo da humanidade: vencer a morte.
Para mim bastam a imagem e a mensagem da Ana Maria que a imprensa hoje veloz, eficiente, bem ilustrada oferece animando-nos à vida apesar dos rigores da doença: não dá para vencer a morte nem enganá-la, mas dá sim para empurra-la um pouco mais para adiante.
Isso Deus concederá a ela e tomara que a mim também.  

César Bernardo de Souza - 27/jan/2020.






segunda-feira, dezembro 23, 2019

FINALMENTE: NATAL: NASCER PARA MORRER.

FINALMENTE: NATAL: NASCER PARA MORRER.: Praticamente somos os mesmos pescadores, agricultores, pastores, doutores da lei, fariseus, que há dois mil anos ouviam pessoalmente a pr...

segunda-feira, dezembro 09, 2019

NATAL: NASCER PARA MORRER.


Praticamente somos os mesmos pescadores, agricultores, pastores, doutores da lei, fariseus, que há dois mil anos ouviam pessoalmente a pregação de Jesus. Passados tantos anos e o que se ouve nas igrejas cristãs de hoje são as mesmas injunções que Jesus usou na sua Judeia. 
Assim, pois, esse próximo novo natal precisa ser também a celebração do grande mistério da fé cristã: uma criança nasceu na obscura Belém, romana, cresceu e se mostrou um grande e incomodo reformador.  Durante três anos discutiu a relação de poder necessária entre homem e Deus, por isso foi condenado a morte de cruz – morte reservada a matar de dor, horror e vergonha.
    Nem por isso a história de Jesus é de fracasso! Vá onde vá nesse mundo e encontrará igreja, capela, objetos ou símbolos que lembram e comemoram seus feitos. Tudo é mistério da fé, mas tudo aponta a verdade de que o poder terreno foi e ainda é efêmero, é pó, é cinza. 
Se repararmos bem com alguma facilidade perceberemos que esses seus três anos antecedentes à sua morte foram de ensinar, ensinar, ensinar: são os mansos e não os fortes que atraem multidões; a inclinação natural do homem é pelo sofredor. Jesus mostrou que a bondade e a compaixão existem dentro de nós – é o fundamento do cristianismo. 
Foi perseguido e morto porque afirmou sem sombra de duvidas que Deus e não o homem, homem algum, é a autoridade final. Hitler quis mostrar o inverso dessa verdade, e nunca passou de Hitler. Parte dos grandes cientistas pensam transformar o evolucionismo em progressismo, esbarram, no entanto, na fatalidade da morte mais ou menos anos. Fome e varíola atravessam séculos. 
A morte não é vencível, nem disso Jesus se esqueceu de tratar nos seus sermões e parábolas. Todavia, a doutrina dele escancarou uma porta aos crentes: prometeu-nos um outro mundo além deste e deu-nos os meios de ingresso nele. 
Aquele menino nascido há 2019 anos, que ensinou e ensinou, um dia ensinando ao seu melhor amigo, seu escolhido e eleito – Simão Pedro, chateou-lhe um pouco perguntando seguidamente se ele o amava. Pouco tempo depois Pedro negou Jesus justamente três vezes. Depois morreu por ele também em morte de cruz., mas morreu compreendendo que a insistência de Jesus era um ensinamento preparatório para a realização de mais um mistério: ama mais quem dá a vida pelo outro.

quarta-feira, dezembro 04, 2019

AUTOPROCLAMAÇÃO TAMBÉM TEM DOSIMETRIA


Não sei como está a vida hoje do Sr. Guaidó autoproclamado Presidente da Venezuela, a semântica nordestina brasileira deve estar dizendo que a imprensa nacional o colocou e ainda o mantem no caritó. 
Nesse quesito autoproclamação os espaços na imprensa agora são para a senadora Jeanine Àñez que assumiu a presidência da Bolívia após concluído o processo de afastamento do presidente Morales: “Assumo imediatamente a Presidência”. Não só disse como fez. 
Sei não, algo está dizendo que essa “modalidade” de ascensão ao poder avança para um patamar pan-americano e se chegar por aqui não haverá de estacionar em Brasilia, a julgar pelas declarações e atitudes positivistas das equipes do governo. 
Porém, tenho eu em consideração o tamanho do país e o número de municípios nacionais e nesse modo de considerar vislumbro aberta a possibilidade de alguma remota chance de minha autoproclamação a chefia temporária de alguma Prefeitura de bom cofre. 
São mais de cinco mil deles, boa parte em situação de pre solvência. Em estado de insolvência absoluta há bom número deles, mas o segredo de justiça dificulta previsão mais precisa.  
No mundo ou submundo da insolvência financeira de médios e pequenos municípios é onde pretendo lançar minha prancha de surfe., mas a saber: tem que se dar de forma legal, natural embora traumática quanto naufrágios em águas aparentemente tranquilas, cuja figura de salvamento desejável é conhecida. 
O náufrago olha o mar e não enxerga o rio que corre por baixo que o está arrastando conforme a corrente, razão pela qual não entende como o salva-vidas quer ajuda-lo nadando no sentido do mar e não da praia. 
É que o salva-vidas sabe que do contrário seriam dois os afogados, sabe que o porto seguro é do mar para a praia apesar de mais esforço físico.
Estou investigando alguns desses municípios potenciais, há deles vários com mais de duzentos mil eleitores, alternância de poder disputadíssima, muito bom aparato orçamentário, muita desordem administrativa e, principalmente, excelente “caixa eleitoral”. Constituem assim apelo irrecusável para uma autoproclamação, um título de mídia novo e charmoso: “o autoproclamado Prefeito Cesar Bernardo fará conferencia neste fim de semana em Paris sobre o potencial de negócios em seu município”. Também há de ocorrer: “o autoproclamado Prefeito Cesar Bernardo se recusa a dar entrevistas aos grandes jornais nacionais, mas divulgou parte do seu programa de governo na Radio Web Cruzeiro do Leste”. É mole? 
Enquanto isso a cidade sede do “seu” município, o país e o mundo ardem de ansiedade para ouvir de sua excelência – que seria eu - o anuncio da convocação de novas eleições para o restabelecimento da ordem democrática convencional. 
Eu, macaco velho no domínio de galhos grossos assim, responderia a todas as perguntas e em hipótese alguma deixaria de fazer e enfatizar promessas – autoproclamado sim, antipático não. 
Porém, decisão nenhuma e muita sinceridade nas conjecturas. Negocio é o seguinte: vem aí a definição do financiamento público de campanha e gordíssima distribuição de verba para os partidos.    
E tudo isso por que? Elementar, pelo menos por enquanto: todo chefe de poder executivo, em qualquer dos três níveis, é também líder partidário. Lépido e faceiro será quem dirá aos liderados presidentes e dirigentes dos partidos da base de apoio fazer o quê, quando, como e em favor de quem com a dinheirama. 
Sabendo como sei que um autoproclamado não pode ou não deve concorrer à “reeleição”, o pé de meia não tem dimensão de futuro, é já ou nunca. Outra verdade é que todo autoproclamado conta sim com a simpatia e até admiração das forças judiciais fiscalizadoras e organizadoras do processo eleitoral. 
Logo e portanto a autoproclamação pode ter bom curso no Brasil – é só não errar na dosimetria . . . .  que ela também tem.






segunda-feira, novembro 25, 2019

EFEITO BORBOLETA II - TERCEIRA GRANDE GUERRA


O Senhor Sargento Doutor Henry Kissinger, nessa quinta-feira 21, talvez em Washington ou na Baviera, sei lá onde., quem sabe ali mesmo num salão do Itamarati ou em Pequim, disse algo suficientemente grande para mudar meus planos de poder, radicalmente. Disse: “se os Estados Unidos e a China não resolverem seu conflito comercial, poderão enfrentar uma guerra. Se o conflito puder se desenvolvido sem restrições, o resultado poderá ser ainda pior do que na Europa. A Primeira Guerra Mundial estourou devido a uma crise relativamente pequena ... e hoje as armas são mais poderosas".  
Nada mais lhe foi perguntado, portanto nada mais disse. Ora, o Dr. Henry Alfred Kissinger – bem verdade que chegou ao posto de sargento e daí não passou – tem lá suas credenciais para me impressionar (e pressionar). Nasceu Heins Alfred Kissinger na Baviera alemã, mas de origem judia teve que fugir ao antissemitismo feroz, razão pela qual desembarcou definitivamente nos Estados Unidos. 
Fez-se um dos maiores diplomatas do mundo, publicou muitos livros bestseller, tornou-se Secretário de Estado americano no governo Nixon, ganhou o Prêmio Nobel da Paz, etc. o doutor continua correndo mundo ensinando o pulo da chita aos que querem aprender. 
Essas bobagensinhas ditas sobre a próxima 3ª guerra mundial já para estourar as primeiras bombas agorinha mesmo em 2022, disse-as em Pequim, no bojo de sua conferencia dentro do fórum sobre "A Nova Economia", e foi regiamente pago em dólares pela Agência Bloomberg. 
Convenhamos, o diplomata Dr. Henry Kissinger não é propriamente um colega do doutor Ernesto Araújo. Não está velho aos 96 anos, mas, é dizer: do alto dos seus 96 anos o homem sabe o que está falando. Acredito nele e por isso vamos aos meus novos planos de poder. 
O plano 1: em havendo confirmação de novo câncer a partir de resultados de exames logo amanhã, 27/11, vou sim enfrentar nova bateria de quimioterapia. É a Malu quem manda que assim seja quando me diz que já fez 201 sessões de quimio e continua interna no hospital pediatra-oncológico, em São Paulo – depois dela e por causa dela desisti da desistência. 
O plano 2 decorre da iminência e consequência do plano1: vou sim à candidatura 2022: Cesar Presidente. Sei que não vai ser mole desalojar o clan Bolsonaro do poder central, mas pode ser que sim. O slogan eleitoral é forte: SE NÃO QUISER ... VOTE CÉSAR! SE QUISER ... VOTE  CÉSAR. 
Em ganhando a eleição e me empossando legalmente Presidente do Brasil imediatamente declararei o apoio do Brasil aos Estados Unidos e à China, antes e durante a 3ª guerra – o que for melhor para o Brasil. Depois da ultima bomba, claro, o apoio incondicional é para o vencedor. 
Empossado farei ampla reunião com todos – todos – os parlamentares congressistas. 
Darei a eles tudo, absolutamente tudo que me pedirem, especialmente todos os cargos que pedirem. Ao fim dos primeiros seis meses do meu governo o ministro chefe da Casa Civil terá que ter ligado pelo menos três vezes a cada senador e deputado federal – eventualmente a algum deputado estadual – para saber a excelência está satisfeita com as benesses do governo, especialmente nomeações na esfera superior federal. Terá que ter cuidado tintim por tintim de restos a pagar para emendas parlamentares largadas em gavetas: meu governo não terá débitos com aquelas excelências.
Tendo-os calmos, pacíficos, satisfeitos sob a tenda da generosidade, aí sim vou acenar o chapéu alheio para a parentada consignando-lhes os melhores cargos que por aventura tenha sobrado do acordo primeiro e principal. Mesmo aquele parente que há a anos e anos ou jamais vi terá uma estatalsinha para ajudar a equilibrar o orçamento doméstico: a Disney é logo ali. 
Depois desses acertos, todos lavrados à luz da grande imprensa e piscando conveniente e intensamente nas redes sociais, aí sim, sim senhores, vamos pensar no povo. Porém, entendido da seguinte forma (considere que a eleição ainda virá em 2022 – ano da máxima conflagração atômica mundial, EUA x CHINA): só é povo o contribuinte em dia com a mesa do fisco nacional . . .  sem tugir nem mugir. 
Eleitor amigo, vote certo: E NÃO QUISER ... VOTE CÉSAR! SE QUISER ... VOTE  CÉSAR    



quinta-feira, novembro 07, 2019

ORAÇÃO DE CONSAGRAÇÃO Á NOSSA SENHORA DE NAZARÉ

Senhora de Nazaré, da antiga raiz de Jessé, da casa real de Davi, descendente de São Joaquim e Sant'Ana, sempre que a angústia, o medo e a solidão me abatem, me entrego em teus braços, ò mãe. Como criança carente em busca de alívio, carinho e proteção, mergulho em teu Coração Imaculado e consagro a ti, querida Mãe, o meu passado e todas as minhas lembranças, o momento presente e todas as suas aflições, o meu futuro e a Vida Eterna que Deus me reserva no céu.

O Sacramento do Batismo, que um dia recebi, me tornou filho(a) de Deus e filho(a) teu, ò Mãe. E fez-me também herdeiro(a) de seu Reino. Por isso, venho renovar diante de ti, ó Virgem de Nazaré, as promessas de meu batismo. E, para que eu possa ser fiel a elas até o fim de minha vida, peço a tua intercessão junto ao teu Filho Jesus.
Doce Senhora de Nazaré, a ti consagro, agora, as minhas aspirações, meus projetos, meus sonhos, minha missão, minhas realizações, tudo o que tenho e tudo o que sou. Consagro, também, todos os dias restantes de minha vida terrena, para que sejam dias serenos, cheios de paz e de muitas graças.
Quero também te consagrar desde já, Senhora de Nazaré, o momento de minha morte quando por tuas mãos, e amparado(a) pelos braços de teu esposo São José, poderei finalmente ver teu rosto, abraçar teu Filho Jesus e contemplar a glória do Pai, no amor infinito do Espírito Santo. Amém!

segunda-feira, outubro 28, 2019

OS SACOS DE PENAS DOS PRESIDENTES


Sábio é o sábio que ruminou, pensou bastante e concluiu: “Pegue um travesseiro de penas, suba no cume de uma montanha e solte-as ao vento. Volte à planície e, se for capaz e possível, recolha todas as penas novamente no travesseiro”.
O pior desse assunto é que não se transformou em cotidiano das escolas em todo o mundo, entra ano e sai ano e o que se vê são pouquíssimas pessoas se importando com isso. Na maioria das vezes joga-se penas ao vento para impor a outras pessoas algum tipo de desconforto, injustiça, difamação, má fé.
O Brasil político de hoje se assemelha a uma única e grande montanha apinhada pessoas, umas já no cume outras escalando-a por todos os lados cada qual portando às costas um saco de penas, ávida de chegar ao cume para solta-las ao vento. 
Anos atrás o presidente Lula jogou suas penas: ““Se tem uma coisa [de] que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma vivalma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da igreja evangélica. Pode ter igual, mas eu duvido”. 
Algumas das penas jogadas pela presidente Dilma Rousseff: “Não acredito que tenha alguém acima da corrupção.... Acho que todo mundo pode cometer corrupção. Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder”.
O saco de penas o presidente Michel Temer pareceu ser o menos volumoso, porém atirado das nuvens., disse ele: “tem que manter isso, viu!?”. Penas poucas, vendaval incontrolável levando-as ao não se sabe onde. 
Presidente Bolsonaro? É o próprio vendaval e lhe são as penas ou os sacos que as conduzem o seus Z1, Z2, seus “transformes” nas redes sociais e ultimamente mais uma vez um tal Sr. Fabrício Queiroz. Estão voando por aí algumas penas soltas por ele ainda ontem: "Tem mais de 500 cargos lá, cara, na Câmara, no Senado... Pode indicar para qualquer comissão, alguma coisa, sem vincular a eles [família Bolsonaro] em nada. Vinte continho pra gente caía bem, pra c..., caía bem pra c... Não precisa vincular a um nome".
Mais penas ao vento solta ou manda soltar o Queiroz: “"tem que falar com ele pra parar com esse lance de Twitter. Tá pegando mal pra c... Ciro botou agora: ‘elegeram um garotinho de treze anos tuiteiro’"   -  "focar no governo e esquece essa porra de internet de lado. Tá pegando mal".
As últimas penas assoprou-as o próprio Sr. Fabrício: "É o que eu falo, o cara lá está hiperprotegido. Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar aí. Ver e tal É só porrada. O MP [Ministério Público] tá com uma ....a do tamanho de um cometa para enterrar na gente. Não vi ninguém agir".
É pena voando como nuvem de gafanhoto, ainda ontem, lá do Oriente, entre príncipes e sultões o presidente Bolsonaro disse que o povo argentino votou muito mal elegendo nas urnas o Sr. Hernandes e a D. Cristina, provavelmente supondo-se uma unanimidade eleitoral aqui no Brasil. 
Ao dizer tal mostrou-se com tesouras nas mãos pronto para liberar ao vento mais algumas arrobas de penas. Vejamos se entre seus eleitores surgirão aqueles capazes de recolher suas penas soltas das alturas.






sexta-feira, outubro 25, 2019

ARTIGUINHO Nº 3

      Eu não queria voltar a me preocupar e menos ainda me envolver com eleições. Razões são várias, a mais consistente delas é o câncer que insiste na convivência comigo – o atual é de pulmão. Também não ando pensando nisso como obsessão, ocorre, no entanto, que um dia fui articulista de vários jornais, escrevi e publiquei uns livrinhos e depois fui para o rádio, tagarela nas ruas e nos botecos começaram a me chamar de “formador de opinião”, e eu burro e vaidoso fui aceitando. Agora, querendo ou não tenho satisfação a dar aqui e ali onde encontro pessoas dessa época. Difícil convence-las de que antes eu não sabia nada da politica e que hoje, depois da quarentena oncológica, sei menos ainda. Inclusive é preciso esclarecer que foi esse um período sabático, de certa forma, porque me despojei total e inteiramente da falsa ideia de que seria ou um dia teria sido formador de opinião. Quando muito agora estou um sujeito que acha que tem em razão em tudo que pensa, escreve e publica. 
Outra razão pela qual não queria voltar a me preocupar e/ou me envolver com eleições está no que li, vi e ouvi no ultimo dia 15, dedicado aos Professores: heróis - mal pagos - tem que mudar esse estado de coisa - a educação tem que ser a prioridade um desse país - a escola tem que ser o futuro da nação - etc. Sinceramente, já do alto dos meus 67 anos estou cansado de, com razão, desacreditar nisso – aliás, melhor o jargão da própria bazófia: desacreditar nisso que aí está. Logo, a verdade que salta aos olhos, é cristalina: o que tiver que acontecer vai acontecer. O pós-eleição 2020 tem tudo para manter “esse estado de coisa que aí está”. 
O que eu teria como terceira razão para não voltar, mas já voltando a me preocupar e me envolver com as próximas eleições é de peso, quase uma questão de honra. Seguinte, é bom garantir que até agora ninguém, nem qualquer representante do ninguém, procurou-me para acertos conspiratórios eleitorais com uso da minha capacidade de formar opinião (conquistar votos) e a consequente compensação bancária pelo talento. Nenhum dos vários jornais locais, tantos grandes sites, nem os serviços secretos locais e nacionais, nem as facções até agora me procuraram para acertarmos a delinquência. Também não se falou em empregos para os parentes e amigos, nem mesmo um cargo no alto escalão para mim. Nada., embora possa estar nas ONGs afins a última “bastilha” a cair. 
Previno mais nesses tempos de quizilas virtuais e pancadaria nas ruas, claro, primeiramente em nome da minha segurança pessoal e certa tranquilidade no quase nenhum ir e vir pela cidade de Macapá – é pensamento corrente que sempre que falo em eleições pregam-me na testa que antes andei conversando com o senador Gilvam Borges ou que fez-me a língua o caro amigo suplente de senador Josiel Alcolumbre, reunidos que nos vemos esporadicamente na mesa de almoço aqui em casa sábado sim outro também. 
E finalmente esclareço: o Senador Davi Alcolumbre desde a quarta-feira 23 é Presidente da República Federativa do Brasil, ainda hoje passou quase aqui em frente de casa duas vezes, uma para ir outra para voltar do Bioparque Macapá que foi inaugurar no quilometro 9 da rodovia JK, e mesmo assim, com toda essa proximidade não transformou em conveniência nomear-me um seu ministro. 
A certeza que voce pode ter dessa verdade é factível apenas na manhãzinha de amanhã ao comprar os jornais, já que são mais de 18 horas e toda a imprensa local já deu o que podia dar.














quarta-feira, fevereiro 20, 2019

LUA CABEÇA DA TERRA.


Cesar Bernardo - 20/02/2019. 
Cada cabeça um mundo desconhecido a conhecer, quantos lá na China!? Até aprender mandarim.......mas que nada, aparecer com o que estava oculto, mostrar-se, revelar-se, são funções da palavra. Difícil calar-se ao papel em branco com tantos jornais falando da Lava Jato, de um ex presidente quase em fuga e de mais e mais gente delatando. É ler.
Quanto a escrever, elejo a lua - não a dos namorados – mas a cabeça da terra, essa sem a qual os dias e as noites não durariam mais que uma ou duas horas. Titânicos esses mundos em que a atração magnética de um pelo outro explica a pachorra com que giramos no espaço – vinte e quatro horas, trezentos e sessenta e cinco dias. Pouco ou muito?
Sempre olhei para a lua, perguntei milhões de vezes o que ela fazia ali que não fosse pela luz noturna, que não fosse pelos namorados, que não fosse pelos poetas ... agora sei, mas não foi ela a responder.
Antes, alheia ao que me doía, a lua criou em mim a ansiedade que me afasta do mundo real – aliás, ansiedade e dor são o meu particular vale das sombras. Aí praticamente não raciocino, pois é quando mais com a insistência. Shakespeare em Hamlet disse: “Sonhar, aí está o obstáculo”. Disse-o melhor o nosso Mario Quintana: “Sonhar é acordar-se para dentro”.
Mas não são apenas ansiedade e dor os ícones penosos da minha existência – sou um mundo. Aliás, cada cabeça é um mundo. Agora mesmo ando no mundo dos poetas, especialmente esses virtuais que me oferecem seus poemas ou me lembram letras de poetas imortais. Já disse que durmo pouco, tenho horas e silencio infindos ao meu dispor, em mesma medida que poemas desses meus amigos entram sem parar na tela do facebook. Vou com eles noite adentro, afinal, segundo Jean Cocteau, “poemas são ânforas cheias de silencio”.
Uma cabeça um mundo, logo não há poema ruim. O que há neles que não sejam fragmentos de um mundo que não conhecemos inteiramente? Ou, de outra forma, o que há nesses mundos expressos em poema que não deva propagar-se até a franja pioneira dos outros mundos? Afinal, somos mais de seis bilhões de cabeças.
Houve um tempo, aqui mesmo no Brasil, em que uma criação poética saída da cabeça do compositor Noel Rosa lá no Rio de Janeiro só chegaria aqui em Macapá vinte, trinta dias depois. Três dias para jornais de São Paulo chegar ao Rio, mais dias para os do Rio de Janeiro alcançar Belo Horizonte. Agora põe-se a virgula e já do outro lado do mundo tem alguém ansioso para ver onde no texto cairá o ponto parágrafo.
Não se deve perder esse tempo de ler e escrever tudo, especialmente os que como eu trocaram a luz da lua pela luz da tela do computador – é no face book onde agora habitam meus santos e dragões lunares.
Os tempos estão adversos para poetas e escritores, pois que no atacado, as pessoas não gostam de ler. Mas, alvíssaras! Criam-se assim letras e mais letras nas redes sociais, onde está a incrível velocidade com que se dá a comunicação.
Viva o varejo dos que fazem com gosto uso das letras construindo palavras: cada cabeça um mundo desconhecido a conhecer, mostrar o que estava oculto, mostrar-se, revelar-se.
Letras e palavras contam a história do mundo, revelam segredos da humanidade.       




domingo, fevereiro 10, 2019

O MORRO AGONIZA .... E MORRE

Vivi muitos anos na casa dos meus pais, em Volta Grande, e depois um tempo no Rio de Janeiro. Da minha cidade quase posso dizer que sei tudo sobre seus cenários naturais. Quanto ao Rio pouco ou nada posso dizer porque fui, vi e não pude compreender.
A realidade natural desses dois endereços colocava algo em comum dentro dos meus olhos: os morros urbanos – mais evidentes os do Rio de Janeiro.
Sempre gostei de ler, de estudar e de polemizar – sou um boquirroto. Mas também escrever sempre foi uma válvula de escape para as minhas angustias, duvidas e contentamentos.
O que muito me angustia até hoje no campo dos eventos naturais é o vento, a ventania, o vendaval. Faz-me medroso de tudo e ainda sem resposta para a indagação que um dia me fora feita: o que é o nada?
Andei atoa na vida anos a fio, portanto com tempo para refletir sobre medos e interesses., é dizer: nunca me faltou janela.
E das janelas da casa dos meus pais e depois em outras no Rio de Janeiro via a enxurrada morros abaixo nos dias de chuvas pesadas, vagarosas, longas. Nunca pude evitar a visão de futuro trágica e dolorosa a partir de casebres pendurados nas encostas dos morros e, mais grave ainda, para casebres, casas, prédios e palácios ao sopé desses morros.
Depois o destino me plantou aqui na planura infinda de Macapá – nenhum morro para remédio. O mesmo destino botou a televisão em funcionamento aqui justamente quando eu chegava. E ela, a televisão, reintroduziu em meus olhos essa perigosa realidade: morros – enxurradas – moradias.
Salvo engano, em 2011, na região serrana do estado do Rio de Janeiro, enxurrada, terra e pedras morro abaixo deixaram na lapide mais de seiscentas pessoas - 284 mortos em Nova Friburgo, 267 em Teresópolis, 56 em Petrópolis, 19 em Sumidouro, e 2 em São José do Vale do Rio Preto. Ainda nesse período a televisão começou a mostrar bandidos portando granadas nas ruas de favelas no Rio de Janeiro.
O futuro tinha chegado para confirmar o que eu “via” no passado quando me fixava nesse quadro hoje em movimento. De qualquer janela que se olhe (televisão, internet, ao vivo, mídia em geral), pós cortina d’água, o que se vê? Terra – barro – lixo – paredes – moveis – imóveis – animais – pessoas – carros – arvores – pedregulhos – pedras – rochas inteiras – roupas – documentos ---despencando, voando nos ares.
Depois de tudo vêm as autoridades, os compromissos, os operadores de justiça, cestas básicas, colchões, lonas plásticas, barracas, brinquedos para as crianças. A seguir, o silencio.
É durante o silencio que chega claramente às pessoas atingidas o barulho dos morros e barrancos ruindo, de pedras rolando, de paredes soterrando, de gente gritando, de crianças chorando, de vento ventando, de arvores quebrando-se, de água encachoeirando-se, de desespero ardendo e sufocando almas. Toda resposta no pós desastre é dor, lamentos, lagrimas, desolação.
 O morro, vê-se depois dos sinistros, agoniza, morre, ninguém socorre, o resto suspira derradeiro. O que de pior tem por acontecer está nas mãos da bandidagem, a que domina o topo dos morros densamente habitados: chegará o tempo em que suas granadas vão fazer rolar morro abaixo as imensas rochas soltas ali existentes, cênicas parecendo solitárias.


sexta-feira, novembro 02, 2018

PRESTENÇÃO SR. MORO.


Cesar Bernardo - 11/2018

Temporariamente Sergio Moro, Juiz Federal, tinha deixado de ser o que é: a única celebridade nacional. Açambarcou-lhe essa condição o Sr. Bolsonaro enquanto disputava a eleição presidencial. As promessas que fazia outro candidato à Presidência da República do Brasil em se eleito convidá-lo a fazer parte de sua equipe de governo quase nada comunicou porque a candidatura não empolgava.
Terminada a eleição presidencial viu-se o Brasil ameaçado de solidão, do vazio que o mergulharia novamente na vulgaridade em que anda mergulhado., mas que nada....habemos Moro!
Eleito Presidente da República a se empossar logo ali em janeiro, Bolsonaro convoca novamente o celebre juiz e sobre ele faz incidir toda luz possível – convida-o publicamente para ocupar a nova pasta da Justiça e da Segurança Pública no governo que se prenuncia interessante a cada dia ou a cada comunicação que faz em rede social o Sr. Bolsonaro, presidente eleito.
Ontem Moro foi de Curitiba ao Rio de Janeiro dizer ao presidente o que lhe convinha dizer. Digamos que tenha titubeado querendo dar ao convite algum tipo de negativa e que tenha sido necessário ao presidente chamar-lhe às falas:
--Presidente é difícil a mim deixar a magistratura após 22 anos de exercício para recomeçar num cargo honroso, admito, mas seu, não meu".
--Prestenção!, prestenção V. Sa. Juiz Federal Sergio Fernando Moro.  Não há que se falar em deixar a magistratura, explico por quê.
Ficando comigo agora o senhor terá  apoio total para ser o melhor ministro brasileiro da Justiça e Segurança Pública de todos os tempos. Em o sendo, o senhor vai ajudar para que seja o meu governo um dos melhores de todos os tempos. Em sendo, como serei o magistrado da nação, ao tempo e ao cabo o senhor voltará à magistratura como Ministro do Supremo Tribunal Federal bem ali adiante já que será preciso substituir o ministro Celso de Melo por aposentadoria compulsória.
É um caso. Outro é que não sou adepto da reeleição e o senhor poderá, caso queira, ser o próximo presidente a depender de mim. Prestenção!!!".
Ao que Moro, sem delongas, disse a Sua Exa. Messias Bolsonaro, Presidente da República Federativa do Brasil: 
-Aqui estou!.

   


terça-feira, agosto 28, 2018

JOÃO DA MARIA...DO JOÃO

Não lidamos com nomes reais das pessoas mergulhadas no mundo do câncer quando abrimos espaço para terceiros, razão pela qual vou lhes falar da “Maria”. Tenho muita sensibilidade e até inveja do homem que morre de amor pela esposa – na tristeza e na alegria; na riqueza e na pobreza; e, especialmente na dor. Assim é “João” esposo da Maria que faz tratamento de câncer juntamente comigo.
Um dia, quando conheci Maria, vi um quadro humano dilacerador e também bonito. Maria parecia à morte, muito magra, sem cabelos, olhos sem luz, parados. Estava quase inanimada sobre a cama/maca, parecendo já habitar um outro mundo. Para ela a dura realidade daquela sala de quimioterapia parecia não importar mais. João era a mais acabada expressão da dor – era em João que Maria doía. Era muito mais novo do que eu esse João; trinta anos atrás jogávamos futebol juntos: de salão (hoje futsal) quase todos os dias ainda no fim da madrugada e o futebol de campo nos fins de semana. João era craque.
Mas o João na cabeceira do leito de enfermidade de sua amada esposa Maria se apresentava de rosto e cabeça cobertos por espessas camadas de cabelos totalmente brancos. Era o João pleno de dor e tristeza, porém apaixonado da sola dos pés a esses cabelos brancos:
-Essa mulher mesmo doente é muito bonita., se ela morre aí, morro aqui - disse.
Maria estava mal, o corpo médico e paramédico da clinica se movimentava, uma decisão urgente e praticamente única estava para ser tomada.
Eu chorava diante do quadro ali composto por Maria e João, algo do tipo O Retrato de Maria, de Ivon Curi (Acabou-se o dia, acabou-se a noite... Mais uma noite sem Maria. Maria... ahã. Ela é meu amor...agora, é só essa fotografia. Mas fotografia não fala! Fala? Escuta, Maria).
João foi chamado para ouvir os médicos longe dos ouvidos de Maria, concomitantemente abriu-se as duas folhas da porta de vidro, por ali fizeram passar a cama/maca de Maria em direção ao longo corredor, no fim do qual, lá fora, já estava uma ambulância e seu respectivo corpo médico e paramédico próprios para ocasiões urgentes como aquela.
Lá na saída, depois de ver sua Maria embarcada naquele veiculo de dor e esperança, João pareceu me procurar com os olhos, e foi-se.
Maria, naquele mesmo dia, ganhou o aeroporto em busca de radioterapia inexistente no Amapá. Durante meses, quase um ano, nada soube da evolução do quadro clinico de Maria. Falávamos João e eu via redes sociais, mas fechado em si mesmo esse João agora tão mais sofrido não mencionava mais sua linda Maria.
Hoje, 28 de agosto de 2018, estou novamente no mesmo lugar recebendo a 22ª sessão de quimioterapia dessa série prognosticada inicialmente para se concluir com vinte e quatro sessões.
Deus está em todos os lugares e em todas as pessoas, mas se mostra mais visível em nós: cancerosos. Não é que a Maria do João e eu nos vimos juntos outra vez na mesma clinica?
Demorei um pouco para reconhecê-la, porque bela, cor da pele restabelecida, cabelos diferentes e muitos, olhos cheios de nova vida, sorriso nos lábios e muita força nos braços que me envolveram demoradamente num abraço inesquecível.
Deixei dois beijos em suas faces: um pelo João que a ama Maria e não pode viver sem ela; outro pela vida retomada pulsando vigorosamente em suas artérias.  
Vida longa Maria., Deus quer assim.

   


quinta-feira, agosto 23, 2018

ASAS PARTIDAS


Cesar Bernardo

Agosto/2018



Eu, de vez em quando, passarinho, preciso dizer:
Esses tratos que me dão são esmola.
Não sou feliz nessa ou noutra gaiola.
Eu lhe imaginando tão longe e você dentro de mim. 
Se amanhece (amanheço), o sol nasce para mim.
Se anoitece (anoiteço), lua e estrelas brilham e piscam para mim.
Se a madrugada silencia (silencio-me), somos a solidão.
Se vem novo amanhecer, talvez eu, passarinho, possa voar..



quinta-feira, junho 07, 2018

A REVOLUÇÃO DOS MUSEUS ...


O Amapá está mudando para melhor, a população cresce rapidamente, os fatos tomam grandes espaços na imprensa local de forma até surpreendente, como por exemplo, o sinistro que ocorreu lá no garimpo do Lourenço, tão lamentável quanto ao que está a ocorrer com os funcionários públicos, cotados agora para a dispensa do emprego determinada pelo Sr. Bresser nesses próximos três anos.

Mas o que importa dizer é que o Amapá segue em frente, muito embora de costas para a sua memória. Bom e bonito seria se pudéssemos hoje sair de casa para cumprir um roteiro cultural que ao final nos permitisse repassar em um dia toda a história do Amapá. Isso seria possível se tivéssemos aqui em Macapá museus, muitos museus, um ao lado do outro, enchendo um ou dois quarteirões e funcionando vinte e quatro horas por dia.  Se assim fosse, nos seria possível começar a viagem pelo Museu da Imagem e do Som, onde veríamos pedaços importantes da nossa historia e ouviríamos a fala dos nossos lideres celebrando acordos mediante os quais teria surgido o Amapá de hoje. Seria muito bom ver e ouvir o Sr. Janary Nunes “começando” o Amapá.    
Continuaríamos nossa viagem indo ao Museu do Homem para conhecermos a nossa historia antropológica: a passagem do homem por qualquer lugar é sempre marcada pelos hábitos e costumes, bons ou ruins.
Depois, uma passadinha pelo Museu do Garimpeiro para conhecermos a saga desses homens e mulheres que se embrenham pelos rios e matas buscando o ouro, plantando vilas, fazendo a vida acontecer nos recantos mais escondidos da nossa terra. A seguir, uma proveitosa chegadinha ao Museu do Seringueiro com o propósito de vermos, tocarmos e aprendermos com os nossos “chico mendes”.
Uma pausa para um lanche à base de iguarias regionais, na lanchonete bem ali entre o Museu do Índio e do Pescador, outras perolas da antropologia amapaense. Tudo sobre os índios e pescadores estaria lá, ao alcance dos estudantes, dos visitantes locais, dos turistas internacionais, dos próprios índios, principalmente os mais jovens, que teriam nos museus um importante referencial da sua cultura dos tempos idos, quase imemoriais.
Mais adiante, uns metros, estaria o Museu do Curiau mostrando através de suas peças colossais os dias ancestrais da gente africana dali, até hoje uma das mais importantes atrações culturais da nossa terra. Esse museu haveria de ser muito especial, com recepcionistas e cicerones saídos da própria vila, mostrando e falando orgulhosamente das coisas ficadas dos seus avós.
Bem ao lado encontraríamos o belíssimo Museu do Pescador, assim identificado: “Aqui, ao sair para pescar, enfrenta-se o rio-mar”.
E o Museu da Policia Militar? Uma lindeza, falando-nos da época da Guarda Territorial através das armas, fardas, medalhas, fotografias, documentos, lutas e mais lutas em favor da segurança do povo.
Que viagem, heim!? O dia já estaria quase findo e ainda nem teríamos chegado ao Museu de Arte, justo ele a exibir telas, esculturas, criações em barro e manganês, entalhes em madeira, os belíssimos adornos dos mestres-salas e porta-bandeiras das nossas escolas de samba e os destacados adereços que um dia enfeitaram a Avenida FAB nos memoráveis desfiles cívicos em 13 de setembro, alusivos à criação do Território Federal do Amapá.. Ao lado ou um pouco adiante teríamos o expressivo Museu de Artes Sacras....fantástico.
Teríamos ainda a visitar o Museu da Imprensa, o do Manganês, o de Historia Natural, o do Ribeirinho, o de Plantas Medicinais, o Histórico, o do Castanheiro, o do Vaqueiro, o do Madeira, o Naval, o da Construção Civil, o do Comercio, o Sacro, até o da Estrada de Ferro do Amapá teríamos.
Teríamos ou teremos, depende de sonharmos juntos e trabalharmos obstinadamente para tê-los. Quando os tivermos, trarei aqui o meu velho e analfabeto pai para fazê-lo conhecer em um ou dois dias a riquíssima historia (cultural) do Amapá. Papai ensinou que “tudo que é importante tem uma história interessante”.
Os órgãos de administração cultural do Estado e dos Municípios poderiam ou deveriam estar pensando nisso com alguma praticidade, porque é penoso ver o tempo consumindo as coisas e os fatos verdadeiramente importantes para nós, levando consigo a nossa melhor historia, alargando os frisos do ralo da insensibilidade governamental.
Abram-se os museus hoje, confiram o sentimento de autoestima e cidadania das pessoas logo a seguir: todos perceberemos que já perdemos um tempo precioso.         


Macapá, quarta feira – 29/12/1995.

segunda-feira, dezembro 25, 2017

PIORRA E PAPAI NOEL

À época da minha infância bem infante havia um brinquedo que nos encantava a todos....a piorra.
Eram lindas, de alumínio, estrategicamente coloridas de sorte que quando rodavam os traços coloridos criavam a impressão da infinitude – não havia moleque que resistisse a tanta beleza.
A cidade de Volta Grande, pequena ainda hoje, com menos de três mil moradores urbanos, era ínfima na época. A referencia de cidade grande próxima era Além Paraíba, só possível de visita por trem e por estrada carroçável. O ônibus da Viação Aparecida que uma vez ia e outra voltava num mesmo dia, a depender da época consumia quatro horas para vencer os intermináveis vinte quilômetros que as separam.  O trem era para as pessoas de melhor poder aquisitivo.
Na cidade apenas duas lojas faziam compras para o natal: A Venda Nova, do Senhor Sebastião Cassani, e a Casa Hissi, do Senhor José Hisse. Naquele natal apareceram na cidade as piorras, senhor Sebastião mandava pendura-las no forro da loja, em barbante, muitas, uma ao lado da outra – uma novidade irrestível. Na Casa Hissi também podíamos ve-las atrás do vidro do pomposo balcão muito comprido, em madeira de lei e visor de vidro, frontal e na mesa do balcão.
Acreditávamos no Papai Noel e não nos pais assumindo esse papel. Tínhamos que escrever ao bom velhinho, colocar o bilhete no sapato sob a cama ou leva-lo com bilhete e tudo para a janela. Para as crianças de aquela época o Papai Noel podia tudo, logo qualquer criança podia pedir-lhe o que quisesse.
Naquele natal, claro, pedi uma piorra, só dormi porque não podíamos ver  o Papai Noel chegar, entrar pela chaminé e colocar sobre o sapato o presente pedido.  Mas o meu Papai Noel não veio. Chorei, incomodei a mãe e ela explicava que o nosso presente eram pelejas novas, o verão logo terminaria, o inverno estava à porta. Mas quem éramos nós para entender a praticidade do “presente” de cama.
Ora, o desprovimento da cidade naquela época  dava origem a um dia seguinte típico: quase todos os meninos para os quais o Papai Noel entregava o presente ganhavam praticamente a mesma coisa: naquele ano, quando saímos à rua ali mesmo em frente de casa estava a meninada com suas piorras, algumas diferentes apenas no traçado do enfeite.
Mediante essa “provocação” só mais tarde, quando reiniciava o catecismo conseguia o nosso coração, nas explicações das catequistas, um abrandamento para o aborrecimento que o Papai Noel tinha nos causado. Depois cresci, quis o destino que viesse a estudar no colégio das freiras dominicanas, e delas e com elas desenvolvi a compreensão de começar meus natais primeiro na igreja, desde o inicio do período litúrgico do advento.
Depois da igreja, aí sim, a minha forra: boto um pouco de riqueza nos presentes, na ceia, na ornamentação, na caridade.   

domingo, novembro 12, 2017

CORPO VAZIO

Não serei nada enquanto não souber sobre mim mesmo o que é alma o que é espírito. Da minh’alma nada sei, nem a sinto, rogo por ela, mas não pressinto que disso tenha consequência. Já meu espírito, esse que me lembra diariamente de que não há nem houve minguem a quem eu ame mais do que a mim próprio, conheço bem.
Ele e eu, quem sabe eu e ele somos platônicos: realidade impalpável, amorfa, incolor, quando muito guia da minha alma. Mas é um espírito como o é meu corpo que se modifica para envelhecer. Não conheço a minh’alma, já disse, mas as almas em geral são, bem sei, imutáveis, eternas, divinas. Rivalizam com o corpo, pois desse não absorve qualquer prejuízo.
Assim, meu guia é o espírito e minh’alma a minha ignorância. Entre eles está meu coração, aí sim um poço carmim pelo sofrimento que dei causa, pelo vazio da minha memória. Foi ele que me fez viver uma única vida, cheia de ilusões.
Coração pingando sangue causou-me perdas – desculpa-me por isso. Fez-me retirado de tudo, a cuidar só do meu espírito, a descuidar dos meios de aperfeiçoar-me e da astúcia em livrar-me de instintos perversos.
Pode ter se estabelecido em mim, aí sim, uma confiança traiçoeira por sem limites, imensa. Eu, escravo então do meu espírito, da minh’alma, do meu coração, da minha confiança. Que mais me restaria que vagar solitário e sem crédito por aí?
Alivia-me que seja dono de uma ilha, aliás, ilhinha, aonde pude gemer como o vento de lá, lutar com os meus fantasmas – que minha imperatriz dizia serem meu espírito -, e pude sonhar para não deixar fugir de mim essa única propriedade: meu espírito.
Pior desse deleite insular é que havia ali acorrentados eu e meu espírito, ou se quiserem mais me mortificar: meu espírito e eu.
A doença, a fraqueza, a paixão, a distancia, os amigos que a mesma doença matou, as ameaças que a alma que julgo ser a minha faz a cada pecado grave que cometo, a solidão, o amor, tudo, tudo mesmo suportaria se pelo menos vez por outra pudesse contemplar-me por inteiro: espírito, coração, alma.
Pouco, ou melhor, nada me importaria com esse nefasto mundo. Mas, cadê espaço em minha própria prisão?

Assim sem esperança, embora cavalgue meu espírito, não quero voltar ao mar – não que não possa, não quero. Minha ilhinha é cercada de praias e nelas que vou morrer.
Minha imperatriz, porque ali sou imperador, é sem igual. Só no espelho há quem se lhe compare. Outro dia a vi tão bela que cheguei imaginar fosse a minha alma – nunca quis amar outra igual.
Minha ilhinha é sempre cheia de brisas, de sons, de cheiros, dos ais, dos bocejos da imperatriz, e dos meus livros. Sem isso não disporia de espírito nenhum.
Nesse mundo imperial da imperatriz e meu, a única possibilidade é tirar de dentro de nós lembranças de grandes ideias que um dia tivemos. É aí que meus livros são o meu próprio espírito. Quantos infinitos dias deitado na areia morna das minhas praias presumi nuvens chovendo enfeites para a ilhinha, um mundinho do qual não queria sair.
E nem tinha por que: belíssima imperatriz sem ouro e rubis, celeiro sempre cheio, plantas arcadas de frutos, tempo estacionado na primavera....sombra e água fresca. 
No entanto, também é do Senhor a minh’alma  e é possível que se ire por amofina-lo com minha doença. Suportai-me Senhor, é a única prece do meu espírito.
Espírito e alma que são complementos meus sede limpos perante os céus, não escondam os meus desgostos que por demasiados fazem-me esse corpo vazio.

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quinta-feira, agosto 17, 2017

OS ELEITOS PARA O SILOGEU

ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS
HABENT SUA FATA LIBELLI
Edital de Divulgação da Eleição dos Novos Doze
Sócios Efetivos da Academia Amapaense de Letras.
O Presidente da Academia Amapaense de Letras, no uso de suas atribuições estatutárias, torna público o resultado da eleição destinada ao preenchimento de doze vagas existentes em seu quadro de sócios efetivos:
Cadeira nº 01 - Patrono: Acylino de Leão Rodrigues
Fundador: Heitor de Azevedo Picanço
Sucessor : Gilberto de Paula Pinheiro
Cadeira nº 07 - Patrono: Deusolina Sales Farias
Fundador: Amaury Guimarães Farias
Sucessor : Benedito Rostan Costa Martins
Cadeira nº 14 - Patrono: Hildemar Pimentel Maia
Fundadora : Aracy Miranda de Mont’Alverne
Sucessora : Piedade Lino Videira
Cadeira nº 15 - Patrono Janary Gentil Nunes
Fundador: Estácio Vidal Picanço
Sucessor : Fernando Rodrigues dos Santos
Cadeira nº 20 - Patrono: João Távora
Fundador: Elfredo Távora Gonçalves
Sucessor : César Bernardo9 de Souza
Cadeira nº 25 - Patrono: Mendonça Júnior
Fundado r: Alcy Araújo Cavalcante
Sucessora: Alcinéa Maria Cavalcante Costa
Cadeira nº 28 - Patrono: Júlio Maria de Lombarde
Fundador: Jorge Basile
Sucessor : Cléo Farias de Araújo
Cadeira nº 29 – Patrono Paulo Euletério F
Fundador: Arthur Nery Marinho
Sucessor : Manuel Azevedo de Souza
Cadeira nº 31 - Patrono: Paul Ledoux
Fundador: José de Alencar Feijó Benevides
Sucessor : Paulo Tarso Silva Barros
Cadeira nº 33 - Patrono: Roque Penafort
Fundador: Hélio Guarany Penafort
Sucessor : Francisco Osvaldo Simões Filho
Cadeira nº 38 - Patrono: Vicente Portugal
Fundador : Antônio Munhoz Lopes
Sucessor : José Queiroz Pastana
Cadeira nº 40 - Patrono: Walkiria Lima
Fundador: Isnard Brandão de Lima Filho
Sucessor : Carlos Nilson da Costa

Os candidatos às vagas foram eleitos por escrutínio secreto, após a avaliação de toda a documentação apresentada pelos que se habilitaram ao concurso, na forma do Edital de Eleição, lançado no dia 23 de junho de 2017.
A Academia Amapaense de Letras marcará a data de posse e a divulgará coma antecedência cabível.
Macapá, 17 de agosto de 2017.
Nilson Montoril de Araújo
Presidente da AAL


segunda-feira, junho 05, 2017

5 DE JUNHO - DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE


O BOI QUE PAGA O PATO

O homem da Amazônia nunca pensou em destruir as florestas da região. Isso é balela de ongueiros

CÉSAR BERNARDO DE SOUSA (*)
Satisfeitos ou tristes, tomamos conhecimento de movimentos pró-Amazônia organizados no Sul-Sudeste brasileiro. Não faz muito, o Greenpeace impôs prejuízos ao agronegócio do gado bovino daqui, em nome da conservação ambiental. Quando vão acabar com o pastoreio dos búfalos ainda não se sabe, mas chegarão lá.
Também não perdem de vista nossas hidrelétricas em construção e as planejadas.  Querem salvar os rios. Abrir as estradas, segundo entendem, é a própria destruição da Amazônia. Liberar licenciamento para asfaltamento de estradas abertas ainda no tempo do governo militar tem sido uma lide, no mínimo, tese de mestrado.
Brasileiros do Brasil "classe A" defendem a Amazônia da forma que entendem a floresta amazônica, o que não deixa de satisfazer os brasileiros amazônidas. ONGs do Brasil "A" e as de dentro da Amazônia e do Planalto Central "defendem" a conservação da Amazônia tão somente ao jeito de suas conveniências. É fato! Quais delas são atuantes sem aporte de dinheiro público ou capital estrangeiro, nem sempre privado, "puro de origem"?
Ora, o amazônida propriamente dito nunca pensou em destruir a Amazônia, não por ser do tipo bonzinho e sim pela descapitalização para tanto. Não se consegue derrubar a machadadas uma árvore exemplarmente amazônica, nem abrir estradas a patas de burro ou ao volante de tratores "jerico"´. Não se estendem barragens nos imensos rios amazônicos à maneira dos castores.
Duas pequenas pontes em construção no Amapá, nos extremos Sul e Norte, emendadas uma à outra teriam novecentos metros lineares, portanto impossíveis de construção pelos cofres do estado do Amapá ou de cada um dos municípios - Laranjal do Jarí e Oiapoque.
Grandes fazendas de bois ou de soja não são da iniciativa do caboclo empreendedor amazônico, que em maioria não são donos da terra, não acessam grandes financiamentos. Logo, não são os que "destroem".
Portanto, satisfaz-nos perceber que querem salvar a “biodiversidade” amazônica do fogo e da pata do boi, mas nos entristece nunca ver no cabeçalho dessas manifestações a necessária preocupação com o homem da e na Amazônia. Volta e meia querem “salvar” os índios, de fato são pessoas contextualmente especiais, mas não só eles.
Querendo, esses “salvadores” do Brasil ´A´ e as ongueiras brasileiras, inclusive as daqui, podem verificar quanto temos em escolas, escolas técnicas, faculdades, universidades, hospitais, fábricas, indústria naval fluvial, institutos de pesquisa, centros tecnológicos de excelência, igreja, comércio, violência urbana, crimes, tráfico e tudo o mais que, digamos, nos igualam a todos os brasileiros. Somos, afinal, quase 25 milhões de habitantes “iguais perante a lei” e as contas no fim do mês. Mas vejam, temos doenças só nossas – é custoso garantir a soberania da Amazônia brasileira para todos os brasileiros.
Funciona bem por aqui o tripé de sustentação da democracia e da República: temos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário legais, harmônicos e democraticamente constituídos. Aliás, importante dizer: espelhos da sociedade brasileira.
Então, por que imaginar justa e competente defesa da Amazônia excluindo-nos?  O território amazônico é imenso ante o contexto continental do nosso país, e deve ser rico o suficiente para ensejar tantos ´cuidados´, mas eis uma verdade: a conservação de nossa Amazônia só terá êxito se feita pelos amazônidas, devidamente auxiliados pelos brasileiros.

(*) Morador e defensor da Amazônia, em artigo publicado em O Globo, no dia 7 de julho de 2009