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terça-feira, janeiro 25, 2011

DUDU É IMORTAL... CONFORME SE SEGUE.

Dudu é imortal.
cesarbernardosouza@bol.com.br

D e uns anos para cá escrevo quase todos os dias, excetuando sábados e domingos. É o prazer, o costume, a necessidade que me levam a isso. Contudo, sempre somos “embalados” por regras e exceções.
Exceção: Dudu morreu, o soube bem depois do ocorrido. Quem era Dudu? Não mais que o José Eduardo de Souza Bittencourt. Conterrâneo desde que nascemos (ele, acho que, na Barrinha), contemporâneo full time de ôbas e olás, embora nos tenhamos distanciado; amigos apesar dos silêncios; irmãos não por causa do sangue e dos compromissos familiares que cada um de nós veio a ter. José Eduardo e César Bernardo fomos individualidades, mas Dudu e Cesinha tínhamos lá um DNA tipo “unha e cutícula”.
Zé Eduardo – o Dudu – é claro, não me avisou que morreria. Até nisso manteve-se altruísta, auto-suficiente como a não necessitar que o assistíssemos nas horas de maior aflição. Mas, a verdade, é que o “Bidu” (assim que o papai lhe chamava) não devia ter morrido tão moço.
Por quê? Porque era um gênio: jogou bola como ninguém ao seu redor, amou a roça como ninguém, sonhou a vida inteira com seus campos repletos de vacas leiteiras... como ninguém.
Alem disso tinha ao seu lado a jovem esposa Débora, a filha Márcia, o filho João, e um vasto mundo à frente. Vida a perder de vista!
Dudu e eu chegamos aos 59 anos de idade, não sei por que sequer soube que estava doente e de que doença terá morrido. Acho que está neste recorte a dor que mais me dói: não sei de que e por causa de que morreu. Muito o desconhecia ou certo estou de que ele não tinha causa para morrer. Acaso teria abandonado o sonho legitimo e justo de ser um dia o prefeito da nossa cidade? Não creio!
Contudo, o Dudu já morreu, o que impõe a cristãos como eu a aceitar os desígnios divinos, determinação ou não de Deus a cada um de nós. A questão é que José de Souza Bittencourt é um valor e Dudu outro, este imortal.
Explico: Dudu foi desses voltagrandenses que nunca trocaram sua terra e gente por outras, quando muito se ausentou um tempinho jogando futebol em grandes clubes do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo. Outra ampulheta de tempo passou estudando no colégio agrícola, com feriados na terrinha.
Portanto, nasceu, viveu e morreu em sua cidade natal. E aí jaz como pó da terra e da história que ele construiu e tanto amou. E disso ele, Dudu, sempre, muito se orgulhou. Logo, imortalizou-se o Dudu.
Por quê? Porque ele é verdadeiramente a própria terra voltagrandense. Agora, irremediável, na condição de pó misturado ao pó que faz todo o chão da cidade, do município.
Quanto a nós, estamos, ainda, edificados sobre um chão cujo pó do Dudu também ajuda a formar... soma-se. Eis porque sempre respeitei o chão sobre o qual meus pés pisaram, todos eles são feitos do pó dos que sobre eles viveram e a eles se acham misturados. Não cuspo em chão, não sujo chão que uso, sempre me imponho conhecer o melhor que posso a história antropológica de cada chão porque, repito, todos os chãos são feitos de Dudus, Linihos, Dris, Sidinhos, Valérios, D. Yolandas, Fabinhos, e, sobrenomes. Na verdade, e por isso, a terra e as pessoas são imortais.
Quanto ao Dudu, finalmente, não sei mais descrever a sua alma. Fui eu que me distanciei dele e da nossa Volta Grande. É o preço que pago por ter buscado em outro chão o meu sustento. Mas, eis a única diferença entre o Dudu e eu: ele é apenas chão e alma de Volta Grande, enquanto sou poeira lá e Ca, em Macapá.
Minha oração pelo descanso eterno do Dudu apenas diz que repouso e me consolo na lembrança e satisfação de tê-lo conhecido e com ele vivido e convivido. Sobre o que, juro nunca, jamais conspurcar, sujar, renegar, esquecer, deixar de amar, me negar a servir o chão voltagrandense, feito de nós mesmos.

Um comentário:

Euler Silva disse...

comovente.....voce descreveu o Dudu, nosso amigo de infancia, de tudo, de flamenguinho...de sonhos...ele nao se foi....ele so aguarda por nós em algum lugar por ai....ainda vamos nos ver e relembrar....agora que descobri voce...tenho sede..de tudo...estou lendo tudo que vc escreveu....abraços